Arquivo da Categoria: Valupi

Merecia um estudo profundo

Esta superioridade do Porto sobre o Benfica e o Sporting. É uma história gloriosa que tem um nome já glorificado em vida, Pinto da Costa. Mas o que importa investigar não é tanto o mérito dos vencedores, e seus segredos, como o demérito dos perdedores, e seus erros.

O Benfica e o Sporting reúnem nos seus órgãos de decisão e influência uma parte maior da elite nacional. Daí o seu fracasso, já de décadas, ser tão espectacular.

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Necrófagos

Quem, nos idos de Março de 2011, disse que Cavaco e Passos foram traidores à Pátria por terem optado por uma política de terra queimada só para derrubarem Sócrates, num caso, e meterem as beiçolas no pote, o outro, não precisou de se deslocar um milímetro para assistir à confirmação histórica da sua avaliação.

À volta desta intensa minoria, e numa romaria que já vai do Carlos Carvalhas ao Lobo Xavier, passando pelo Pacheco e pela Manela, vão cirandando os abutres, sempre com os olhos postos na próxima carcaça.

Oscar Wilde explica

Indigno de Pena

Vi a entrevista, porque o Diário de Notícias me pediu um comentário, e vi o primeiro programa regular por perversão.

Não voltei a ver a Opinião de José Sócrates, que a RTP despeja nos serões de domingo, salvo erro. A perversidade não dá para tanto e, de resto, o que leio aqui e ali chega para perceber que, à semelhança do protagonista, aquilo não evolui com o tempo: mantêm-se os ajustes de contas com Cavaco, Passos Coelho e a ala menos devota do PS, mantêm-se as exibições de prepotência, mantém-se a obstinação do indivíduo em voltar a mandar no País que destruiu, mantém-se o progressivo desinteresse do público e mantém-se o tipo de envergadura intelectual apenas adquirível em universidades extintas.

Consta que há dias José Sócrates chamou ao PR “envergonhante”, e essa só não é a palavra adequada a todo o exercício porque a palavra custa a engolir. Mas que o exercício é vergonhoso, é. Se se arrastar muito, dará pena. Ou daria, caso o homem fosse digno da dita.

Alberto Gonçalves, Sábado, 2 de Maio de 2013

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Sócrates foi, e é, alvo de expressões de ódio inauditas. Relvas, Passos, Gaspar, Cavaco, Portas, este, aquele e o outro não – façam eles o que fizerem e já fizeram de tudo. Então, algo de único deverá existir em Sócrates para suscitar tais reacções exclusivas. Será que cometeu crimes? Crimes horríveis? Muitos crimes? Muitos crimes horríveis? E se os cometeu, porque será que ninguém o apanha? Este Alberto é que não será apanhado a caluniar Sócrates dessa forma tão perigosa para a sua conta bancária, pelo que justifica racionalmente o ódio através da repetição maníaca de uma ideia simples e para os simples: Sócrates destruiu o País. Como e quando e quando e como, isso já não ocupa o teclado do Gonçalves. Ele tem mais o que fazer do que andar agora a ter de pensar nesses pormenores.

Sócrates deixa completamente desvairados dois tipos de homens: os muito estúpidos e os que precisam de se imaginar muito espertos. Ambas as tipologias se encontram amiúde na imprensa, os primeiros a fazer rubricas de sopeiras e os últimos a comandar exércitos do alto das suas crónicas. A uni-los a mesma paixão: Sócrates, alfa e ómega da sua virilidade.

Oh, que esforço tão insano toma conta dessas almas arrebatadas na sua ânsia de matar o ser amado…

Verbalizações

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Às tantas, é provável que não seja o assunto mais importante da actualidade. Às tantas da manhã. Mas pode ser visto como sinal dos tempos. Eis o caso de um deputado que acerta na escolha do particípio do verbo pagar quando conjugado com o verbo auxiliar ter só para se arrepender de imediato, introduzir um erro popular e ainda pedir perdão aos ilustres colegas no Parlamento por ter ousado respeitar a perfeição gramática.

Este deputado acha que a forma irregular é a que melhor se adequa à semântica e sintaxe do ter. Vícios de uma certa linguagem.

Com senso

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Nesta edição da Quadratura, falou-se do discurso do reformado de Belém, o qual tinha resolvido celebrar o 25 de Abril indo para a Assembleia da República dizer aos deputados e ao Povo que as eleições são inúteis e que só nos resta comer e calar. Lobo Xavier adorou. Pacheco Pereira detestou. E António Costa explicou.

Mas o que me interessa realçar está contido na última intervenção de Costa, acima, onde em dois minutos retira a crise política portuguesa da lixeira da demagogia e da desonestidade intelectual e coloca-a dentro da História. E tudo começa com o Tratado de Maastricht; isto é, tudo começa com a criação da União Europeia. Aí se estabeleceu um conjunto de metas que se revelaram demasiado ambiciosas face à arquitectura da união monetária e da sua moeda. A relação entre a dívida e o défice ambicionados e o ambicionado crescimento económico tem sido um berbicacho para todos os países da UE, a começar logo pela Alemanha e a França – ao ponto de já se terem revisto as metas face às circunstâncias. Logo, se o actual projecto é demasiadamente difícil, e se a Europa admite a flexibilização dos objectivos para o défice e a dívida em casos especiais, então estamos numa dessa situações onde as regras devem mudar. Só falta para tal aquilo que é o fundamento primeiro e último da União Europeia: vontade política.

Costa lembra o óbvio. Que estamos na Europa. Que estar na Europa é para o bem e para o mal. E que não há só uma forma de lidar com o mal:

Temos que equilibrar entre a velocidade que impomos, o respeito pela Lei, a segurança que temos de assegurar para nós próprios e para os outros, e é assim que tem de ser conduzida a acção e a vida económica.

Eis o retrato simetricamente oposto da substância e estilo do Governo da coligação Passos-Gaspar-Cavaco, o qual conseguiu ultrapassar a Troika pela direita e com o acelerador ao fundo, o qual assinou dois Orçamentos inconstitucionais e prepara-se para um terceiro, e o qual faz das ameaças à segurança da classe média e dos pobres um método para agradar aos credores. Estando em causa alterações drásticas no modo de vida de milhões de portugueses, os actuais governantes decidiram desprezar qualquer cuidado ou protecção social, antes preferindo agir a coberto da perda de soberania para reduzir a política a uma contabilidade de merceeiro onde o Estado passou a ser concebido como uma empresa e não como a estrutura pública da comunidade. Essas escolhas celeradas e violentas, ainda por cima escondidas e negadas na campanha eleitoral, são uma novidade em quase 40 anos de democracia.

Lobo Xavier termina o diálogo a concordar com António Costa. O seu rosto é particularmente expressivo. Ostenta um sorriso de cumplicidade. Uma cumplicidade plena, sincera, pura. Uma genuína empatia. Lobo Xavier diria o mesmo que tinha acabado de ouvir ao socialista se as câmaras não estivessem a filmar. Estando, o máximo a que poderá chegar é a esse sorriso calado. Porque o que António Costa esteve igualmente a dizer por debaixo das evidências coloca os Lobo Xavier da nossa sociedade no grupo de traidores que tudo fez para afundar Portugal no momento em que a união das forças políticas que apoiam a pertença à União Europeia teria sido mais necessária. Agora que estão instalados no poder, estes traidores, com o Presidente da República à cabeça deles, querem finalmente o consenso depois de o terem boicotado e impedido custasse o que nos custasse.

Com senso, há que confrontar quem trata os portugueses como se fossem servos da gleba. Perguntar-lhes se eles conhecem a História. Avisá-los de que ela ainda não acabou.

Os loucos tomaram conta do asilo

PSD congratula-se com acordo entre Governo e troika

CDS «aceitou excecionalmente» contribuição sobre pensões

Pires de Lima garante que quem cedeu foi a troika

CDS recusa cedência e reclama vitória na taxa sobre pensões

‘Troika’ exige “clareza” e não dá por fechada sétima missão

Cavaco convoca Conselho de Estado para dia 20 às 17h

Passos garante que “não há divergência no Governo”

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Se existisse imprensa em Portugal

Se existisse imprensa em Portugal, tanto aqueles que realizaram, como aqueles que apoiaram, como aqueles que exploraram, e ainda aqueles que se calaram, todos seriam questionados a respeito das declarações de Noronha do Nascimento, a que se devem juntar as de Pinto Monteiro, que nos revelam como se fez um dos dois golpes de Estado tentados no Verão de 2009. E pelas respostas obtidas ficaríamos imediata e absolutamente esclarecidos quanto ao grau de pulhice de cada um dos interrogados.

Este caso – Atentado contra o Estado de Direito: “Vou jantar, estou estoirado, vou dormir – deixou a direita histérica e em modo de linchamento colectivo. Valia tudo, estávamos no nível anterior ao de uma intervenção militar para o mesmo objectivo. Mas colhe recordar que sem a cumplicidade da esquerda tal não teria sido possível, ou, no mínimo, não teria sido possível deixar os responsáveis sem qualquer punição e a continuarem durante 2010 a aproveitar-se dos danos causados – não foi, Pacheco? não foi, Semedo? – chegando os efeitos difamatórios e caluniosos às eleições de 2011.

Se existisse imprensa em Portugal também existiriam decência e coragem em Portugal. Não existem, pela simples, oh tão simples, razão de ser impossível que um país se pretenda digno sem se querer justo.

E se Cavaco e Passos forem os nossos melhores?

Passos conseguiu vencer os cavaquistas à segunda tentativa e conquistou o partido literalmente sem saber ler nem escrever. Depois, bastou-lhe aproveitar o trabalho feito desde 2008 pela onda caluniadora e conspiradora do tandem Manela-Pacheco. O homem invulgar até nas vírgulas do programa do PSD mentiu e aldrabou esfuziante nos espaços entre as letras das promessas eleitorais que despejou capitosamente. Mas chegou lá, manda nisto.

Cavaco planeou derrubar um Governo e derrotar um partido através de uma aliança estratégica com o laranjal e fazendo uso de forças judiciais e mediáticas corruptas que produziram abundante material para as campanhas negras. Tendo causado o maior escândalo que se pode associar à Presidência da República, foi reeleito e de imediato, numa sessão solene e no Parlamento, abriu uma crise política no pior momento possível para o interesse nacional. Ele estava lá, manda nisto.

Constatando a passividade reinante na sociedade – onde PCP, BE e sindicatos não mostram sequer metade da energia despendida nas gloriosas lutas contra os terríveis socialistas, pese a situação actual ser duas ou dez vezes mais grave – e observando em Cavaco e Passos o sistemático derrube de um respeito módico pelo povo, pela Constituição e pelo regime construído nas três últimas décadas, a conclusão só pode ser uma: eles são os grandes, os intocáveis, os supremos vencedores.

Há que começar pelo princípio: Passos e Cavaco têm todo o direito à sua visão para Portugal, qualquer que ela seja e admitindo que tenham alguma; ambos ganharam actos eleitorais legítimos; não se conhece nenhuma personalidade portuguesa com poder político para lhes fazer frente. Ora, à luz destas evidências, talvez seja um erro continuar apenas a registar a vergonha que se sente por ver o País entregue às duas decadentes e inanes figuras; e logo nesta altura do campeonato internacional, tragédia completa. Talvez uma explicação mais larga e profunda para este tempo nos obrigue a um triste confronto com a realidade, esta: a de que somos piores do que Cavaco e Passos – exemplos notáveis do sucesso pessoal sem constrangimentos morais, da conquista do poder pelo poder, do triunfo político contra tudo e contra todos.