Arquivo da Categoria: Valupi

Um par de jarras à sombra

Pedro MexiaQuando Paulo Rangel inventou essa expressão ["asfixia democrática"] havia alguns casos, nomeadamente respeitantes à liberdade de imprensa, que eu acho que faziam algum sentido.

[…]

Pedro Mexia Acho que quando ela apareceu, cunhada por Paulo Rangel, fazia algum sentido...

João Miguel TavaresTira lá o algum!

Pedro Mexia... fazia sentido, sim!...

Governo Sombra

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Em 2007 – 2 0 0 7 – num discurso na Assembleia da República onde se celebrava o 25 de Abril – 2 5 d e A b r i l – Paulo Rangel acusou o Governo e a sua Maioria de serem os causadores de um estado de “claustrofobia democrática”. Esta expressão viria a ter um fulgurante destino, tendo sido usada com toda a força na campanha da direita em 2009, então transformada em “asfixia democrática”, e ainda em 2011, 2015 e 2017. Provavelmente, e enquanto PSD e CDS mantiverem lideranças decadentes, a expressão continuará a ser usada como tropo folclórico sempre que esta direita estiver na oposição.

O sucesso da fórmula deve muito, se não for tudo, ao nó cego conceptual mergulhado numa calda de irracionalidade onde medra. Claustrofobia? Claustroquê? E democrática? Portanto, legítima? Mas, ‘pera aí, claustrofobia? É mesmo essa a palavra que querem usar? E asfixia? Asfixia porque a direita em 2007, em 2008, em 2009, em 2010, em 2011, em 2012, em 2013, em 2014, em 2015, em 2016 e nestes dois primeiros meses de 2017 dispõe de um império ao seu serviço na comunicação social, não havendo memória de qualquer dos seus direitos cívicos e políticos ter sido diminuído, sequer ameaçado? A mera sugestão de que o país da Impresa, da Cofina, da TVI do casal Moniz, do Público do Zé Manel, do DN do Marcelino, da TSF do Baldaia, da Renancença, do Sol e da RTP da Judite de Sousa e do Rodrigues dos Santos acolheria passivo e débil a pressão de um Governo socialista para beliscar as liberdades de imprensa e de expressão é hilariante ou demente ou ambas. No entanto, a direita portuguesa enfiou-se de cabeça nessa estratégia para as eleições de 2009, com os resultados conhecidos.

Na última edição do Governo Sombra, logo ao início, há um diálogo em que o Pedro Mexia reconhecia que o programa não passava de um exercício de chicana, ideia que provocou o protesto do João Miguel Tavares. O clima do trecho era de tranquila bonomia, mas deixava ver características importantes dos protagonistas. O Pedro intelectualmente honesto, lúcido, e o João fanático, pacóvio. Mais à frente, temos o paleio que cito acima. O Mexia está a justificar o uso político de uma imbecilidade sem revelar que casos são esses que lhe dão sentido. O Tavares comporta-se como cão de fila, mordendo-lhe as canelas para que ele seja tão sectário e bronco como a sua augusta pessoa.

Do JMT nada há a esperar. É apenas alguém que tem conseguido encher o bolso neste meio da indústria da calúnia, repetindo os clichés do populismo do tempo. Mas quanto ao PM há mais para contar. Ele igualmente se alimenta da indústria da calúnia, só que pretende passar por intelectual. Isto é, acerca do Mexia podemos ter alguma confiança de que lê livros, coisa que o seu colega do lado esquerdo não oferece. Isso leva-o para um currículo que ostenta os tais livros da sua autoria, artigos do foro literário às carradas, a Cinemateca, isto e aquilo, e agora a função de consultor do Presidente da República. É um fulano influente, importante, pelo menos muito mais importante e influente do que a minha vizinha do 4º esquerdo.

Eis a cena: aposto os 10 euros que tenho no bolso em como este senhor não seria capaz de apontar sequer um caso para justificar a retórica primária da claustrofobia/asfixia que, em 2017, continua a usar para difamar adversários políticos. Qual a importância disso? A que cada um quiser dar. Com este apontamento: quão mais cultos formos menos tolerantes seremos com a hipocrisia sectária das vedetas.

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Baldaia’s effect

Paulo Baldaia publicou um texto onde aparece cheio de razão, boas intenções e até sentimentos: Com base numa mentira não há opinião, há mentira. Opinião irrepreensível, só lhe podemos agradecer pela salubridade injectada no espaço público. Porém, há algo no retrato que está a desafiar as leis da física.

Acontece que Baldaia é igualmente o autor destoutro – É política, erro estatístico ou?… – o qual foi publicado em cima do lançamento da notícia. O título resume bem o que lá encontramos, uma mistela de dúvidas e suspeitas que, na prática, alimentam o efeito de alastramento das teorias da conspiração a que a direita partidária se agarrou nos dois dias seguintes, até que o David Dinis veio garantir que estávamos mesmo perante um caso estritamente jornalístico. Portanto, o agora denunciante da cultura da calúnia não teve essa cautela e presciência ao escrever a quente. Escuso-me ao palpite sobre o quadro psicológico que poderá explicar a sua reacção e passo para o que verdadeiramente importa.

Baldaia foi um dos mais notáveis defensores oficiosos de Cavaco quase até ao fim da sua estadia em Belém. Pelo seu lado, Cavaco é com Passos, mas num plano ainda mais grave do ponto de vista constitucional, o maior mentiroso do Regime democrático. A forma como Cavaco nos trata já passou a fase obscena de quem não tem o menor respeito pelas instituições e pela comunidade. Agora, com as suas mentiras sistemáticas acerca do que aconteceu na “Inventona das Escutas” estamos no plano da mais cristalina provocação. Ora, que tem Baldaia a dizer sobre o assunto, sobre Cavaco, sobre a golpada que em 2009 foi urdida na Casa Civil para perverter eleições legislativas? Nada? Convive bem com essas extraordinárias e colectivamente vexantes mentiras porque se trata de Cavaco e de alguma malta dos jornais? É que nem está em causa ver Baldaia a retractar-se do apoio que deu a alguém completamente indigno para ocupar o cargo de Presidente da República, apenas lhe pergunto se ainda não teve tempo para despachar uma opiniãozeca acerca do que Cavaco anda a dizer e a fazer em 2017.

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Revolution through evolution

Educating Parents on Talking to Children About Sex Promotes Communication About Sexual Health Among Them
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Knee-Jerk Disgust Is Holding Humans Back
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Democracies’ Track Record in Addressing Inequality Is Thin, Political Scientists Conclude
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Brexit Chaos Has Brought on Politicized Judiciary in Britain, Historian Says
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Computer bots are more like humans than you might think, having fights lasting years
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A U.S. Presidential Leadership Lesson: Optimism
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Research: Sharing Good News Improves Sleep, Health
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Checkando os factsios

Vítor Matos, um bloguista do blogue Observador, lançou hoje um artigo meritório: Fact Check/ Cavaco não deixou dúvidas sobre quem montou a intriga do verão de 2009?

No entanto, consegue terminar a prosa sem dizer que Cavaco mentiu e mente a respeito do caso – algo que deverá ser comunicado o mais rapidamente possível à Academia Sueca para eventual Nobel da Literatura, pois é feito só ao alcance de um supino artista. O mais longe a que chega na indelicadeza do artigo é à afirmação de que Cavaco está a ser “equívoco” (pode acontecer a qualquer um por causa da puta da linguagem ou da puta da memória, já para não falar da puta da idade, é sabido) ou “enganador” (talvez sem querer, coitado, porque é o Cavaco, e até já se sente o odor a santidade de cada vez que abre a boca). Mentiras não. Mentiras grossas, peludas, debochadas, não. Nada. Equívocos, normal. Enganos, com toda a certeza involuntários. Ah, ganda Vítor!

Outra curiosidade no seu “Fact Check” está em ter deixado de fora aquilo que prova inquestionavelmente que Cavaco mente quando fala deste episódio onde violou o seu juramento constitucional e onde foi instigador de uma conspiração presidencial-mediática para perverter as eleições legislativas de 2009. Consiste numa declaração sua feita em 18 de Setembro, depois do tal encontro com Sócrates a que tem aludido mentirosamente nas declarações relativas ao lançamento do livro, e estando-se a pouco mais de uma semana da votação.

Mas prontos. Tratando-se de um blogue famoso pelo seu fanatismo direitola e liberalismo de pacotilha (nada contra, apenas se registando o facto), ousarem beliscar o padroeiro é digno de aplauso com uma só mão.

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Que diria Jefferson do David Dinis?

[...] na semana passada, quando alguns jornais internacionais publicaram notícias sobre a Zona Franca da Madeira, incluindo o Le Monde (leram?), o Pedro Crisóstomo, jornalista do PÚBLICO, lembrou-se de ir ver se as estatísticas de 2015 já tinham sido publicadas no Portal das Finanças. [...]


David Dinis

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O actual director do Público assina um artigo de opinião no seu próprio jornal onde explica qual a razão por que teve de noticiar algo tão aparentemente negativo para os seus amigos do PSD e do CDS. A razão dá pelo nome de Pedro Crisóstomo, alguém que fez um bom trabalho como jornalista na matéria em causa, e o qual criou uma situação que, enfim. Logo, os amigos do David Dinis podem ficar descansados pois o David Dinis não mudou de gostos, garante o David Dinis. Foi um azar.

Este mesmo David Dinis, na mesma opinião, aproveita para encher de patê os burgessos, ou lá como os franceses dizem, reclamando-se fidedigno discípulo de Jefferson, um fulano que gostava muito, mas mesmo muito, de jornais. Para o provar invoca uma outra matéria tratada abundante e entusiasticamente pelo seu jornal e por si próprio: a embrulhada da CGD no que à relação de António Domingues com o Governo e o Presidente da República diz respeito. A tese é a seguinte: explorar – e apelar à continuação da exploração política e mediática – um caso passado e desaparecido nascido de uma negociação falhada entre administradores bancários com exigências esdrúxulas e governantes displicentes é exactamente o mesmo que apontar dados objectivos que revelam uma objectiva e grave falha nas obrigações do Estado.

Ora, se é óbvio que qualquer órgão de comunicação social tem todo o direito de investigar o que lhe apetecer pelo tempo que quiser, podendo até brincar ao “jornalismo independente” para melhor gozar o prato, não menos óbvia é a constatação de que a estrada da Beira não tem a mesma importância da beira da estrada. Apelar à constituição de nova comissão de inquérito cujo alvo seja a exposição de toda a correspondência possível de exibição entre António Domingues e Centeno só tem um objectivo: manter PSD e CDS ao ataque para lhes dar tempo de antena numa lógica de desgaste de ministros, Governo, PS e restantes partidos que suportam no Parlamento a governação. Foi isso que o David Dinis fez explicitamente e é isso que a peça da Liliana Valente igualmente faz pelo seu contexto editorial – isto é, David Dinis está a usar Liliana Valente para se armar em puro. Logo ele, com um currículo de alto sucesso na politização da profissão de jornalista.

Que diria Jefferson de tamanha lata?

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Sinais exteriores do consumo de LSD

Em Portugal escreve-se pouco e com alguma preguiça. Felizmente Passos Coelho está também a escrever e há algum tempo já.

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4. No lançamento do livro há dias, no Centro Cultural de Belém – casa “amiga” da caminhada longa deste político de difícil classificação –, aconteceu algo de inusitado e por isso digno de registo. No momento em que Cavaco Silva entrou numa sala apinhada, com gente até ao tecto dentro e fora do recinto, as pessoas puseram-se de pé com uma espontaneidade que só podia ser natural e aplaudiram com alguma coisa que só poderia ser convicção. Não me parece que seja costume aplaudir os autores quando entram nas apresentações dos seus livros. Foi interessante observar que ali o quiseram fazer.


Maria João Avillez

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Serviço público

[…]

As corporações repetem diariamente que têm falta de recursos, mas a realidade é que desde os anos 1960 o número de juízes multiplicou-se por mais de 7,1 vezes e o número de magistrados do MP por 7,4. No entanto, o número de processos entrados por tribunal não chegou a duplicar. Os recursos financeiros afetos ao sistema judicial, relativamente ao PIB, mostram que Portugal não é dos que gasta menos no sistema.

Na minha opinião, as causas da falta de eficiência e de confiança na Justiça não estão na falta de meios humanos e financeiros, nem nas reformas da legislação sobre os procedimentos judiciais.

E há uma comparação que deixa a Justiça numa situação desconfortável, quando olhamos para o que o país conseguiu nos setores da Saúde e da Educação. Na Saúde, o que conseguimos no aumento da esperança de vida e na diminuição drástica da mortalidade infantil pode deixar-nos orgulhosos. E na Educação, não obstante o enorme atraso com que partimos, fomos sempre melhorando. A confiança dos portugueses na Saúde e na Educação suplanta em muito a confiança na Justiça.

No entanto, os políticos, todos os políticos, não têm uma palavra a dizer sobre a crise da Justiça. Na última campanha eleitoral (2015) o tema foi ignorado por todos os partidos políticos nos seus programas eleitorais. Os eleitores estão desprovidos de mecanismos corretivos do sistema de justiça. A eleição do Presidente e a alternância democrática do governo em nada influenciam e em nada podem corrigir o funcionamento do sistema. O lema é "À justiça o que é da justiça, à política o que é da política"!

[…]

Daniel Proença de Carvalho

 

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O modus faciendi do blogue que ataca Sócrates

Este “post” – O modus operandi do blogger que defendia Sócrates – foi publicado há umas largas horas, ainda sem Sol, e continua cimeiro no blogue Observador manhã alta. Os bloguistas responsáveis por ele dão pelos nomes de Miguel Santos e Vítor Matos.

Para além de tentarem envolver de forma difamatória algumas pessoas num suposto problema policial ou judicial cujos contornos objectivos se desconhecem publicamente, o grosso do exercício consiste em repetir opiniões que foram publicadas num outro blogue onde escrevia um colega do Miguel e do Vítor, o Miguel Abrantes (nome blogosférico). Quando chegamos ao fim do lençol que despejaram ninguém pode ter a mínima dúvida: nesse tal blogue na berlinda havia muitas e boas opiniões. Se depois cada um gosta delas ou não, ou assim-assim, é com cada qual na boa tradição liberal.

O meu único lamento, questões deontológicas à parte que até num blogue como o Observador deviam ser respeitadas por módica salubridade cívica, reside na ausência de informações acerca do alcance mediático desse tal blogue tão opinioso. Afinal, era lido por quem? Por quantos? Qual era o seu poder de influência junto da população? Equivalente ao da BBC na Segunda Grande Guerra para os povos sob domínio alemão ou algo um bocadinho menos relevante? Será que ofuscava em audiências a nossa comunicação social, ou que fosse só a nossa imprensa, ou somente a televisão, ou então os jornais, ou alguma rádio daquelas que dão notícias? Ou seria esse blogue, tão atentamente lido na Casa Civil da “Inventona de Belém”, algo parecido com um daqueles restaurantes muita careirões e muita cagões onde só vão os ricalhaços, os famosos e alguns bloguistas disfarçados de jornalistas?

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Exactissimamente

O que é feito do clamor cavaquista?

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Adenda

Estava para escrever exactamente sobre o mesmo assunto, o silêncio da direita face ao que parecia ter tudo para provocar uma excitação incontrolada nesses infelizes, cartolas e bengalas lançadas ao ar: 600 páginas de inaudita e presidencial calhandrice sobre a sua paixão fatal, Sócrates. Era desta que os podres mais podres daquele que continua a apavorar a oligarquia ficariam gravados no mármore, pelo cinzel da figura mais importante e poderosa da direita portuguesa após o 25 de Abril. Só que não. E porque não?

Incrivelmente, o que Cavaco diz de Sócrates acaba por melhorar a sua imagem pública. Cavaco revela a sua versão de episódios privados e o que nós vemos para além do seu próprio rancor e completa decadência moral é algo que conhecemos de Sócrates fora desse contexto. É o tal Sócrates que não estava disposto a ser um títere de um Cavaco soberbo, pacóvio e tiranete. É o tal Sócrates que reagia inteiro perante as campanhas negras – negras mesmo que acabe condenado, com trânsito em julgado, de alguma ilegalidade ainda por provar, repita-se até que o Inferno gele – e reclamava pelo direito à decência e à protecção institucional do seu partido, do Governo e do seu nome. É o Sócrates bem preparado que tinha uma concepção muito diferente da de Cavaco quanto ao papel do Estado e ao modelo de sociedade a desenvolver. É, enfim, a imagem de um primeiro-ministro que se sabe atacado e atraiçoado pelo Presidente da República, pelo que tem não só de se defender como de contra-atacar sendo um dos representantes máximos do próprio eleitorado que legitimou a conjuntura de poder em causa.

Enquanto isso, Cavaco assina a sua declaração de abjecta cobardia e desorientação política. Ele que tudo viu e que tudo topou, nada fez para além de tentar influenciar o não influenciável, acabando invariavelmente por sair das reuniões de quinta-feira com o estômago a dar voltas no implacável ácido. Cavaco impotente perante um bandido rasteiro como Sócrates, eis a sinopse da obra para a legião de pulhas que está agora com a viola enfiada no saco.

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Centeno, dá-lhes o arroz

Consta que Robert Pirsig é o responsável pela popularidade da seguinte parábola: algures na Índia do Sul, algures no tempo, foi inventada uma armadilha para apanhar macacos que consistia em meter arroz dentro de um coco vazio, este tendo uma abertura que permite ao macaco enfiar a mão aberta mas sem conseguir retirá-la fechada – isto é, com o arrozito na mão, entenda-se para compreender a lição. Mesmo que seja uma tanga no plano histórico, no cognitivo é um tesouro de sapiência.

A nossa direita partidária, compulsivamente simiesca, está na mesma situação do macaquinho indiano. Em relação à CGD, viram ali a tábua de salvação perante um Governo improvável e original que superou todas as expectativas e é já uma referência e fonte de esperança na Europa, e também perante as sondagens que colocam o PSD à beira de uma defenestração da liderança. Pelo que reagiram de acordo com o que consideram ser o “fazer política”: uma estratégia de terra queimada cuja cegueira era reforçada pelo desespero de não terem discurso. Também em 2011 foi esse o critério, preferiram afundar o País numa estrita lógica de poder pelo poder, “custe o que custar”. Sabemos quanto custou esse colossal logro, mas ainda ninguém sabe quanto vão custar os danos que PSD e CDS querem intencionalmente provocar na CGD.

Lobo Xavier, na última Quadratura do Círculo, frisou que o ataque devia continuar. Terem conseguido o triunfo de dominarem há semanas a agenda política e mediática, atingindo vários alvos em simultâneo, desde Centeno a Marcelo, passando por Costa e CGD, e com o bónus de abafarem os resultados positivos de Portugal no plano económico, é pouco. Há que tirar o maior proveito de terem Centeno na fogueira e Marcelo de mãos atadas a assistir ao auto com um Costa de mordaça a fingir que não é nada com ele. Igualmente David Dinis usa o Público para apelar ao mesmo, disponibilizando-se para amplificar e prolongar a tal “descoberta da verdade” que poderá ocupar mais uns meses de cabeçalhos e muitas opiniões da rapaziada da cor. Cofina e Impresa, com os seus exércitos em papel e na TV, estão às ordens para o que for necessário.

Ora, no passado tal poderia ser feito sem qualquer risco. Nesse passado, o PCP e o BE alinhavam com palavras e actos, silêncios e passividades, no tiro aos socialistas por parte da nossa direita decadente. E o povoléu acreditava no berreiro, porque, como ensina diariamente o CM e a cada livro o sr. Cavaco, os políticos são uma cambada de incompetentes e ladrões. Só que agora estamos a viver o primeiro ciclo político na nossa democracia em que existe uma aliança das esquerdas ao serviço da governação. Tal nunca antes tinha acontecido, pelo que não espanta que os macaquinhos não estejam a perceber onde é que se estão a meter. Começar a ver o PCP, tão admirado pelos direitolas pela sua “integridade” granítica, a malhar sem dó nas hipocrisias e cinismos dos básicos que preenchem o PSD e o CDS leva a que o Zé que anda de autocarro comece a fazer contas ao que cada um dos lados está mesmo a querer dizer.

Avançando a nova comissão de inquérito, cuja finalidade é unicamente chafurdar numa situação normalíssima que só faz sentido discutir naquela câmara caso se queira mesmo criminalizar alguém, a esquerda terá literalmente a soberana oportunidade de denunciar o que o PSD e CDS estão a fazer. Trata-se de virar o feitiço contra o feiticeiro, mostrando como a única lógica do tempo gasto nessa comissão é a baixa política e o prejuízo demente que se vai tentar espalhar por pessoas e instituições públicas. Soberana oportunidade de mostrar como a cultura vigente nos actuais PSD e CDS é furiosamente contrária à resolução dos nossos problemas sociais, económicos e financeiros.

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Revolution through evolution

How eating less can slow the aging process
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Doctors Prescribe More Antibiotics When Expectations Are High, Study Says
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Surprising link between athletics and addiction
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‘Hair of the Dog’ Won’t Cure That Hangover
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Emotions Are Cognitive, Not Innate, Researchers Conclude
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Food Additive Found in Candy, Chewing Gum Could Alter Digestive Cell Structure and Function
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Alien Particles From Outer Space Are Wreaking Low-Grade Havoc on Personal Electronic Devices

Lumpenimbecilidade

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As alimárias, para lá do eventual interesse sociológico que possam ter para presentes ou futuros investigadores, entraram em 2017 a manter a alucinação de que o Jacinto Lucas Pires recorre ao pseudónimo “Valupi” para dizer umas parvoeiras num blogue perdido no cu da Internet. Trata-se de um boato desmiolado que foi lançado em 2008, e aqui estão estes broncos mergulhados nele nove anos depois.

As alimárias projectam nos seus odiozinhos de estimação as regras de conduta que observam à sua volta, entre os pares, a sua malta. Logo, se alguém aparece a defender uma ideia que estranham, esse confronto com a alteridade, essa crise cognitiva, resolve-se imediatamente recorrendo à mesmidade: “O que tu queres sei eu! Vendido!”

É deste chiqueiro mental e moral que, no passado como no presente, Pacheco Pereira e Alberto Gonçalves alimentam a pulhice que vendem por excelente preço. Nisso, estas duas vedetas da indústria da calúnia são por igual caixas de Petri da direita portuguesa.

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Como diz que disse?

O primeiro-ministro, António Costa, escusou-se hoje a comentar novos dados em torno da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e das comunicações entre o ministro das Finanças e o antigo presidente do banco, dizendo que o assunto "acabou" na segunda-feira.

"O quê, ainda andam com esse assunto? Ainda não ouviram o senhor Presidente da República? Isso já acabou tudo na segunda-feira", disse Costa, questionado sobre a matéria à margem de uma iniciativa em Oeiras.


Fonte

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Costa perdeu uma não só excelente como necessária oportunidade para se afirmar como primeiro-ministro e como líder político neste desfecho da crise cujo pretexto foi a CGD. Em vez disso, foge à sua responsabilidade governamental e entrega à Presidência da República o comando institucional e moral do Governo. Ou seja, assistimos com este episódio de Centeno ir de castigo a Belém e depois vergastar-se em público à confirmação de estarmos num regime presidencialista de facto.

O modo chocarreiro como reage às perguntas dos jornalistas, dirigindo-se na ocasião aos próprios jornalistas tomados como grupo social em vez de se dirigir ao Soberano, é grave. E tão mais grave quanto não sabemos de ninguém no Governo ou no PS que esteja em condições de lhe explicar porquê.

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Perguntas simples

Existe alguma declaração ou documento público que possa ser atribuído a Sócrates, sequer a alguém que lhe fosse ou seja pessoal ou politicamente próximo, a respeito de supostas conversas privadas com outros responsáveis políticos, sejam eles quem forem?

Alguém consegue explicar o silêncio de Sócrates a respeito da reunião secreta que teve com Passos dias antes de uma cimeira europeia nos princípios de Março de 2011, e sobre o que nela ficou dito ou acordado, a qual Passos e Relvas começaram por esconder e deturpar para poderem abrir uma crise política catastrófica em conluio com Cavaco, e explorarem mediaticamente a mentira de que o Governo não tinha avisado o líder da oposição a respeito do acordo com a Europa que teria evitado o resgate de emergência, para deste modo afundarem o País ao chumbar o PEC IV e forçarem eleições antecipadas?

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Revolution through evolution

No link between immigration and increased crime, four decades of evidence finds
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Truth that isn’t spoken can be just as bad as lies that are spoken
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Men and Women Are Not That Different with Respect to Age Preferences of Sexual Partners
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Psychology explains how to win an Oscar
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Hard shell, healthy kernel: Nuts can inhibit the growth of cancer cells
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Exercise for Anyone, Anytime: Researchers Find Brief, Intense Stair Climbing Is a Practical Way to Boost Fitness
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Why Are Men Overlooking the Benefits of Marriage?
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Não é vergonha, é espanto

Nem o Ministério Público, nem o Conselho Superior do Ministério Público, nem um Tribunal da Relação consideraram as declarações de Ventinhas merecedoras de qualquer consequência disciplinar ou judicial. O CSMP chega a debochar:

“As declarações foram proferidas num contexto de tensão verbal muito expressiva, como resposta a uma entrevista em que a integridade do Ministério Público foi posta em causa. Mesmo que se possam considerar excessivas não decorre daí relevância disciplinar.”

Temos um critério vago, psicologista e relativista ao serviço da manipulação do mais forte: “contexto de tensão verbal muito expressiva”. Temos a vitimização corporativa e corporativista: “entrevista em que a integridade do Ministério Público foi posta em causa”. Temos o recurso ao oxímoro como exibição de impunidade: “Mesmo que se possam considerar excessivas não decorre daí relevância disciplinar”. Excessivo em relação a quê? E se o que o CSMP considera excessivo não tem relevância disciplinar, o que é que a terá? Só o muito-bué-da-muito-mesmo-muito-excessivo-e-que-já-não-dá-para-esconder-de-ninguém-e-ai-jasus-que-nos-mijamos-a-rir-mas-desta-é-que-temos-mesmo-de-agir-disciplinarmente-mas-é-só-uma-vez-sem-exemplo-desculpem-lá-coleguinhas?

António Manuel Ferreira Ventinhas, dada a sua formação e a sua profissão, e com a agravante de representar como dirigente um órgão colectivo da classe, não tem qualquer atenuante para as calúnias que agravadamente proferiu perante órgãos de comunicação social. É exactamente ao contrário. Exactamente ao contrário. Exactamente ao contrário. Discussão pública deste episódio? Alguém poderá dar nem que seja meio exemplo de um colunista de vão de escada? A elite política, jornalística e social não quer gastar sequer uma caloria com o assunto. [errata]

Episódio congénere, mas num certo plano ainda mais preocupante e vexante, aquele que só o Observador noticiou: Poder político decisivo no arquivamento de investigação a Carlos Alexandre. O meio é a mensagem, escreveu um bacano canadiano, e no caso o meio tem todo o interesse em passar a seguinte mensagem: Costa protegeu Carlos Alexandre de Sócrates. De facto, a notícia relata esta cena inacreditável: Vítor Faria, membro indicado pelo PS para o Conselho Superior da Magistratura e referido como próximo de Costa, não participou na votação à tarde alegando ter de ir para um jantar de Natal fora de Lisboa. O que nos leva a perguntar, terá sido a votação marcada especialmente para essa data e hora tão em cima de jantares de Natal imperdíveis e lá longe como o caraças? Outro membro indicado pelo PS, Serafim Pedro Madeira Froufe, igualmente se baldou, talvez porque tivesse de ir passear o cão e já não dava para voltar a tempo da votação. Resultado: o inquérito disciplinar a Carlos Alexandre foi arquivado por 8 votos a favor e 7 contra. Como teriam votado estas duas figuras? Não sabemos, mas sabemos que a sua ausência se tornou parte decisiva do desfecho.

Esta história não tem só um ponto de muito interesse, tem pelo menos três, um deles o do silêncio da restante comunicação social. O outro é aquele que está consubstanciado no número 7. Sete especialistas, sete responsáveis pela avaliação de juízes, assumiram a necessidade de sancionar disciplinarmente Carlos Alexandre. O mesmo Carlos Alexandre que voltou a recusar a promoção a desembargador em Janeiro, preferindo continuar no DCIAP. Sendo isto lícito, é isto normal? É isto benéfico para os interesses da própria Justiça e do serviço que é suposto prestar aos cidadãos? E a parte em que há uma indústria da calúnia liderada pela Cofina, onde este juiz é tratado como super-herói populista contra certos políticos tratados como corruptos sem sequer haver acusação judicial contra eles, indústria onde se exploram crimes cometidos no seio da própria Justiça, não merecerá um poucochinho de atenção de uma qualquer entidade estatal, judicial, parlamentar ou governamental? Ainda não é óbvio o suficiente que existe uma simbiose entre este juiz e aquele tipo de imprensa, instituindo na prática um tipo de chantagem que leva a esta perversidade de termos Carlos Alexandre há 13 anos no DCIAP? É que a mensagem, diariamente repetida no esgoto a céu aberto, consiste nisto: quem quiser que este juiz dê o lugar a um seu colega no DCIAP torna-se cúmplice dos corruptos que ele tem perseguido e metido na choldra. E, portanto, o juiz que o substituir sem a sua aprovação, quiçá selecção, não passará de um juiz corrupto ali posto para proteger os criminosos de colarinho branco.

Não existir um partido, com ou sem presença parlamentar, que tenha os problemas da Justiça como sua prioridade é para mim um espantoso monumento à fragilidade cultural e menoridade cívica deste grupo de pessoas num jardim à beira-mar plantadas.

Denuncia um “blogger socrático” e ganha uma assinatura do Observador

Ministério Público em busca de mais pagamentos a bloggers socráticos [título]

António Peixoto terá recebido mais de 76 mil euros para alimentar um blogue que atacava os adversários de José Sócrates. Não terá sido o único blogger a ser pago para elogiar a obra do ex-1.º ministro [subtítulo]

O Ministério Público (MP) suspeita que Carlos Santos Silva terá ordenado, em nome de José Sócrates, o pagamento de remunerações a diversos bloggers para atacarem os adversários políticos do ex-primeiro-ministro e elogiarem as reformas dos seus governos. [1º parágrafo]

Até ao momento, não foram encontrados indícios de pagamentos a outros bloggers. [frase perdida, talvez uma nota deixada esquecida pelo autor]

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Creio ser nosso dever ajudar o Ministério Público, ou que seja só o Observador, nessa caça aos “bloggers socráticos”. Trata-se de uma urgente e fulcral investigação, tendo em conta tudo o que os “bloggers socráticos” têm feito ao longo dos anos e em tantas dimensões da nossa vida política, económica, social, cultural e até desportiva (é investigarem, senhores, é investigarem que apanharão qualquer ruindade e/ou violação da lei inclusive em desportos amadores). Os “bloggers socráticos” influenciaram decisivamente vários actos eleitorais graças às suas coisas, aquelas coisas que os “bloggers socráticos” fazem. Há até quem defenda que a lentidão da Justiça em Portugal e a falta de recursos nas polícias só pode ser da responsabilidade dos “bloggers socráticos”. Como? Eis algo que devia ser investigado, precisamente porque ninguém o consegue explicar. Outra actividade muito nefasta dos “bloggers socráticos” consiste na concorrência desleal com os órgãos de comunicação social sem socráticos de qualquer espécie e feitio. Isso tem levado a uma crescente depauperação dos títulos e canais disponíveis, a um ponto em que é hoje voz corrente entre taxistas e pedreiros que para um gajo conseguir estar bem informado sobre o que realmente importa já só resta a leitura diária das capas do CM. E se os “bloggers socráticos” arranjarem maneira de acabar com esse último reduto da liberdade de expressão e do código deontológico dos jornalistas, que restará? Sim, continuaríamos com os textos do José António Saraiva, mas desconfio que não chegaria para fazer frente aos “bloggers socráticos”.

Felizmente, existem em Portugal especialistas na detecção e extermínio de “bloggers socráticos”. O mais poderoso entre eles é o Pacheco Pereira. Tem obra feita e pública a respeito, serviço que cobra a preço de tabela. Outra grande figura é o Paulo Pinto Mascarenhas, igualmente com vasto currículo na matéria. Em 2010, este cromo conseguiu apanhar um “blogger socrático” que colocou em exposição numa espectacular parangona do jornal i. Foi um grande triunfo que serve de exemplo ao Ministério Público. E a terceira é o Fernando Moreira de Sá, o celebérrimo “nota vinte na Galiza”, que é um reputado investigador académico sobre todas as formas de “socratizar” um país a partir dos blogues. Este amigo sabe do que fala, ou não falasse do que fez. E se fez, olá. De acordo com o que partilhou publicamente, Passos deve-lhe a vitória nas eleições de 2011 e cenas assim. Para além disso, ele garante saber tudo o que há para saber sobre “bloggers socráticos”. Ministério Público, se estás a ler isto (e estás, né? pois…), saca o telefone do Nando e encham a ramona sem demora. Temos de apanhar essa malandragem antes que o papa aterre na Portela (é só para prevenir, prontos, porque eles são mesmo diabólicos).