Centeno, dá-lhes o arroz

Consta que Robert Pirsig é o responsável pela popularidade da seguinte parábola: algures na Índia do Sul, algures no tempo, foi inventada uma armadilha para apanhar macacos que consistia em meter arroz dentro de um coco vazio, este tendo uma abertura que permite ao macaco enfiar a mão aberta mas sem conseguir retirá-la fechada – isto é, com o arrozito na mão, entenda-se para compreender a lição. Mesmo que seja uma tanga no plano histórico, no cognitivo é um tesouro de sapiência.

A nossa direita partidária, compulsivamente simiesca, está na mesma situação do macaquinho indiano. Em relação à CGD, viram ali a tábua de salvação perante um Governo improvável e original que superou todas as expectativas e é já uma referência e fonte de esperança na Europa, e também perante as sondagens que colocam o PSD à beira de uma defenestração da liderança. Pelo que reagiram de acordo com o que consideram ser o “fazer política”: uma estratégia de terra queimada cuja cegueira era reforçada pelo desespero de não terem discurso. Também em 2011 foi esse o critério, preferiram afundar o País numa estrita lógica de poder pelo poder, “custe o que custar”. Sabemos quanto custou esse colossal logro, mas ainda ninguém sabe quanto vão custar os danos que PSD e CDS querem intencionalmente provocar na CGD.

Lobo Xavier, na última Quadratura do Círculo, frisou que o ataque devia continuar. Terem conseguido o triunfo de dominarem há semanas a agenda política e mediática, atingindo vários alvos em simultâneo, desde Centeno a Marcelo, passando por Costa e CGD, e com o bónus de abafarem os resultados positivos de Portugal no plano económico, é pouco. Há que tirar o maior proveito de terem Centeno na fogueira e Marcelo de mãos atadas a assistir ao auto com um Costa de mordaça a fingir que não é nada com ele. Igualmente David Dinis usa o Público para apelar ao mesmo, disponibilizando-se para amplificar e prolongar a tal “descoberta da verdade” que poderá ocupar mais uns meses de cabeçalhos e muitas opiniões da rapaziada da cor. Cofina e Impresa, com os seus exércitos em papel e na TV, estão às ordens para o que for necessário.

Ora, no passado tal poderia ser feito sem qualquer risco. Nesse passado, o PCP e o BE alinhavam com palavras e actos, silêncios e passividades, no tiro aos socialistas por parte da nossa direita decadente. E o povoléu acreditava no berreiro, porque, como ensina diariamente o CM e a cada livro o sr. Cavaco, os políticos são uma cambada de incompetentes e ladrões. Só que agora estamos a viver o primeiro ciclo político na nossa democracia em que existe uma aliança das esquerdas ao serviço da governação. Tal nunca antes tinha acontecido, pelo que não espanta que os macaquinhos não estejam a perceber onde é que se estão a meter. Começar a ver o PCP, tão admirado pelos direitolas pela sua “integridade” granítica, a malhar sem dó nas hipocrisias e cinismos dos básicos que preenchem o PSD e o CDS leva a que o Zé que anda de autocarro comece a fazer contas ao que cada um dos lados está mesmo a querer dizer.

Avançando a nova comissão de inquérito, cuja finalidade é unicamente chafurdar numa situação normalíssima que só faz sentido discutir naquela câmara caso se queira mesmo criminalizar alguém, a esquerda terá literalmente a soberana oportunidade de denunciar o que o PSD e CDS estão a fazer. Trata-se de virar o feitiço contra o feiticeiro, mostrando como a única lógica do tempo gasto nessa comissão é a baixa política e o prejuízo demente que se vai tentar espalhar por pessoas e instituições públicas. Soberana oportunidade de mostrar como a cultura vigente nos actuais PSD e CDS é furiosamente contrária à resolução dos nossos problemas sociais, económicos e financeiros.

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20 thoughts on “Centeno, dá-lhes o arroz”

  1. Aproveito para “meter a minha colherada”….antes que apareçam os “maganos” das diversas direitas e outros indigentes mentais….

    Valupi….. Que os deuses o ouçam, e enviem as energias necessárias às esquerdas parlamentares para ACABAR COM ESTE DEBOCHE !…. E que não se vê em mais nenhum país….da Europa -(já não falo do Brasil, claro…!)….
    O que mais me espanta é a insistência dos media em continuarem a ser os arautos desta fúria oca e que já não convence o cidadão comum, como as sondagens o indicam cada vez com maior segurança!

  2. M.G.P. MENDES
    20 DE FEVEREIRO DE 2017 ÀS 20:02
    Aproveito para “meter a minha colherada”….antes que apareçam os “maganos” das diversas direitas e outros indigentes mentais?!

    Ó palhaço, queres meter-te com alguém em especial?
    Ou ensaias o que vais dizer hoje quando chegares a casa enquanto esperas pelo teu paizinho e, nesse caso, vieste apenas dar conta da tua parvoíce ao Valupi?

  3. MGPMendes

    “O que mais me espanta é a insistência dos media”. Eles são os media. Não sei como em tantos anos o PS ainda não arranjou, pelo menos, um jornal. Também a TV está cheia de comentadores independentes, leia-se, do PSD. Que enjoo.

  4. Sobre a questão de os políticos estarem ou não a dizer a verdade – casos do género estão sempre a acontecer – tomei como referência o problema dos swaps. M. Luís Albuquerque declarou que não tomara a decisão de contratar o seguro, não tinha aliás nada a ver com o assunto. Pois claro que não podia ter tomado a decisão, era uma subalterna lá na empresa. Mas teve ou não teve a ver com a decisão? Chamado à Assembleia da República disse o Presidente da empresa: sim, nós contratamos e fizemo-lo com base no parecer favorável da expert no assunto. E lá estava o concordo a rematar o parecer. Assinado (mostrou ele): M. Luís Albuquerque.

  5. “Mesmo que seja uma tanga no plano histórico, no cognitivo é um tesouro de sapiência.”

    Não Valupi, nesta história não há nenhuma tanga pois que em África os nativos caçam macacos exactamente desse modo como é contada.
    No Caxito a menos de 100 Km de Luanda em 1962 vi nativos locais apanharem pequenos macacos com uma cabaça colocada nas árvores com milho lá dentro e, o macaco que enfiasse a mão lá dentro e depois com ela cheia de milho não a conseguisse fazer passar pela boca da cabaça, porque não mais abria a mão para largar o milho, era caçado desse modo.
    É estúpido para o homem sapiens mas não o é para o macaco e, como se vê hoje em dia, cada vez há mais homens-macacos na política. São os que meteram e encheram a mão dentro do pote e agora preferem antes ser caçados e atirados fora do que abrirem a mão de saquear o pote.
    Viciaram-se em assaltar e ser os capatazes arrombadores do pote pese embora sejam os donos deles e amigos do xavier bufo os que partem e repartem e ficam com a maior parte.
    Os capatazes são como os pardais de esplanada; andam às migalhas debaixo da mesa.

  6. abc,
    não é “com alguém em especial”, porque tu não és ninguém em especial, és apenas um bardamerdas. É mesmo com todos os indigentes mentais das direitas (tortas) em geral, pçebes?

    PPD’s, CDS’s, paineleiros, comentatrizes, e mérdia brutogueses em geral, por favor, não larguem o osso do Centeno! O vosso descrédito, aos olhos dos portugueses decentes e sérios, será assim cada vez maior e mais perfeito. Mais ainda do que o redículo desse podengo algarvio a morder serodiamente as canelas do Sócrates com “literatura” raivosa. Dstó!

  7. EFECTIVAMENTE, a confrangedora insistência nesta estratégia desastrosa – para mais sem qualquer autoridade moral para a levar a cabo – só comprova que a atual Direita em Portugal está irremediavelmente fechada à chave no seu Passado recente e perdeu a chave.

    Ainda bem e oxalá nunca mais a encontrem, porque pelos vistos não fazem cá falta absolutamente nenhuma.

  8. Os cães ladram (e criam comichões de inquérito), mas a caravana continua a passar (e com ela a recuperação da Economia e da decência na vida política portuguesa).

  9. avernavios a.k.a. Ignatz a.k.a. Macacos obnóxios a.k.a. Ignatz a.k.a. Rui Reizinho a.k.a. Ignatz respondo-vos assim porque, como se percebe, o lixo é o mesmo.

    Apesar da burrice poder ser felizmente livremente expressa no Aspirina B, pois sempre tem o seu lugar marcado não à mesa de jantar nem sentada no sofá da sala mas dormitando no palheiro por entre latas de conserva e garrafas de vinho (ou no inverno na arrecadação, junto dos trastes, com sinal fraquinho de wi-fi), a ordinarice-como-forma-de-argumento, a garotice-e-as-queixinhas-como-forma-de-bufaria e a cobardia, que nasce todos os dias como o sol aí onde vives, não devem ser. E terão sempre luta da minha parte, decora isto.

    [A luta continua!, como dizem por aí.]

  10. Caro “Alfabeto” ,

    Satisfaça-me uma curiosidade: quem lhe paga, e quanto, para montar guarda a esta “piolheira”*?

    * Valupi dixit…

  11. Maria, será que o Valupi me deixa meter na conversa (sou o aeiou e este nome parece-me ser mais apropriado para o momento)? Ora, o que citas do Valupi não é do dito nem ele o disse sequer. «Pardieiro», é a/o trademark valupiano/a.

    Eu explico-te algo mais importante para os teus e para os nossos neurónios, até porque tenho um tempinho para ser filantropo para os que habitam neste “Bairro Mundial” (a/o trademark é do José Neves, tal-qual), a saber: o mito da “piolheira” como eu o apanhei partiu de uma crónica jornalística do Júlio Dantas. E quem era esse tipo cujo nome eventualmente te faz recordar algo? Ora, apesar do tipo ser o mesmo do Almada Negreiros poeta do Orpheu e tudo, para aqui interessa reter que a “piolheira” gerou uma pequena polémica com um tipo chamado Rocha Martins (já lá irei). Saberás tu agora, portanto, que esse Júlio era também republicano dos sete costados e líder dos reconstituintes que depois se fundiram nos Nacionalistas com os liberais do Álvaro de Castro (esquece este gajo para um outro dia, se não te importas). Interessa por agora o do Rocha Martins, que já é um nome mais estranho quando a plêiade da oposição democrática portuguesa vai desaparecendo, mas que era um grande jornalista monárquico, depois uma figura grada contra o Estado Novo, biógrafo de D. Carlos e de outros abencerragens titulados, maçons, personagens do mundo político, literário de quem foi amigo etc. No meio disto tudo foi, ainda, deputado monárquico, amigo e, ocasionalmente, adversário político do Júlio Dantas e dos republicanos. Recapitulando, pois, para te auxiliar a memória: temos o Júlio, o Álvaro (que não interessa), o Rocha e o… Carlos.

    Aqui chegados, a cena da “piolheira” foi sendo atribuída a D. Carlos pelos vindouros e permanece, até hoje, como se fosse não o piolho (!) mas como uma mosca sem valor / poisa, c’o a mesma alegria, / na careca de um doutor / como em qualquer porcaria já lá diria o grande Aleixo (este chama-se António, é apenas googlar). Portanto, o Rocha Martins, que tinha laivos de historiador como te disse, fez-lhe essa pergunta simples: e onde é que um dos derradeiros monarcas brigantinos chamou “piolheira” ao seu povo, o escreveu ou onde está um simples documento que demonstre a heresia (coisa dos positivistas, também não interessa)?

    Sensatamente, o Júlio Dantas não quis entrar em polémicas políticas sobre as bondades e as maldades dos regimes monárquicos e republicanos, explicou-se que os tempos não eram de regresso a um passado traumático para ambos, e galhardamente despediu-se com o Ven.º Am.º ou assim e… continuaram amigos.

    E é tudo.

    ____

    Pronto, Valupi. Ontem li o teu post e tenho legítimas dúvidas sobre essa espécie de caricatura que recorrentemente fazes sobre as posições do PCP. Não me alongando, o PCP “parlamentar” distinguiu-se muitas vezes do núcleo duro que integra a “direcção” ou os sindicatos e sempre, ou quase sempre, teve deputados que souberam estabelecer pontes com os outros partidos. O estilo afável vem do Carlos Brito, como saberás há mortos e vivos que ficaram pelo caminho, o mesmo se passa pelo papel histórico do Jerónimo de Sousa e chegou, até hoje, à nova geração através do João Oliveira (na génese da solução governativa está um acordo político que se realiza todos os dias na AR, lembra-te disso).

  12. «No meio disto tudo foi, ainda, deputado monárquico [durante o consulado de Sidónio, em 1918], amigo e, ocasionalmente, adversário político do Júlio Dantas e dos republicanos.», esclareço.

  13. “cada vez há mais homens-macacos na política” by josé neves.

    Sim, sim, o jerónimo martins, o gajo visto de perfil…a catarina saltinho baixo, a mortágua suorenta e o costalha de s.bento. Como é que a raça portuguesa não há-de estarem extinção? Nem falemos do joão soares ou do gajo ferro. é só gajos igualinhos ao ignratz e seus minions….

  14. “Sóbebo Água Gaseificada”

    Precisam de si em S. Bento. O costalha anda com entupimentos vários e desde que veio da India, algo lhe subiu à cabeça.Uma espécie de ignoranteze residente. Espera-se uma tromba de trampa, a qualquer momento.

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