Arquivo da Categoria: Valupi
Revolution through evolution
Misogyny expert: Male entitlement hurts women, girls
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Research suggests bias against natural hair limits job opportunities for black women
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Study Pinpoints Five Most Likely Causes of Post-Traumatic Stress in Police Officers
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Low Leadership Quality Predicts High Risk of Long-Term Sickness Absence
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Fighting like cats and dogs?
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New model shows how voting behavior can drive political parties apart
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When you’re smiling, the whole world really does smile with you
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Flower power

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A escolha de Joe Biden para concorrer contra Trump pareceu nova partida de um destino cruel. Depois da insanidade em que a América está mergulhada desde o Verão de 2015 – altura em que aparece Trump em cena, então para todos apenas o palhaço-mor do circo presidencial, e ainda James Comey, então para todos impossível de prever quão decisivo viria a ser na derrota de Hillary Clinton a uma semana das eleições – esperava-se que os democratas fossem buscar um candidato à altura da crise histórica para as suas instituições que os EUA atravessam. Ter um Presidente que já fez mais de vinte mil afirmações factualmente falsas ou enganosas desde que entrou na Casa Branca dá conta da gravidade da anomia no topo do poder da maior democracia mundial. Ora, Biden não tem características que consigamos relacionar positivamente com a urgência de afastar Trump da mala nuclear e de castigar o seu legado moralmente aviltante e degradante. Parece um pachola, terá o seu mérito ao serviço do bem comum e dos seus concidadãos, mas também aparenta fragilidade física e não é o representante da sede de justiça que anima a oposição a Trump.
Pois bem, renasceu a esperança à volta da sua candidatura com a nomeação de Kamala Harris como candidata à vice-presidência. Estamos perante uma vencedora numa área da maior importância para a defesa do Estado de direito democrático e um símbolo vivo do melhor que a América representa como convivência e miscigenação de fenótipos e tradições. Se tudo correr pelo melhor, estaremos também perante a 1ª mulher a ser eleita Presidente dos EUA – a partir de Novembro de 2024, numa democracia (inspiradoramente) perto de si.
O teste do pato
Marina Costa Lobo, no texto onde em duas pinceladas explica que o livro “A Nova Direita Anti-Sistema – O Caso do Chega” pode ser tudo menos um trabalho académico, recorre ao cliché do “se parece um pato, nada como um pato e grasna como um pato, provavelmente é um pato” para encerrar um responso. Riccardo Marchi não tinha atingido os mínimos metodológicos para inscrever a obra no campo da investigação em história ou ciência política, segundo os critérios da autora, daí resultando uma ocultação da verdadeira natureza do Chega e de André Ventura. A coisa não passa de um “panfleto partidário“, rematou.
Para além da utilidade jornalística do exercício, uma curiosidade bem mais importante desperta: onde estão os trabalhos académicos – onde se cumpram critérios mínimos de distanciamento do objecto de estudo, seja do ponto de vista da ciência política e/ou da história, e com enquadramento analítico, teórico, e ainda apresentando comparações históricas ou da actualidade portuguesa ou europeia – a respeito do populismo como táctica do PSD e do CDS desde 2004, em força ostensiva desde 2008, e como assumida cultura política desde 2010? E onde estão os estudos dos cientistas sociais sobre o uso do ódio político pela direita portuguesa numa estratégia nascida com a perda do seu império bancário e desaparecimento da vida intelectual e da mera decência nas suas sedes partidárias, ódio que tem sido alimentado por crimes sucessivos cometidos por magistrados e jornalistas ao fazerem da judicialização da política e da politização da Justiça um fogo de barragem imparável que até dá para tentar condicionar procuradores e juízes à descarada? E cadê as monografias, ou que fosse apenas uma nota de rodapé, onde se analisasse com instrumentos conceptuais robustos o fenómeno do Entroncamento de vermos um Presidente da República a dar raríssimas honras de Estado a um fulano cuja carreira profissional consiste tão-só em despejar banalidades, lançar calúnias, perseguir difamatoriamente cidadãos por associação com uma tara que lhe deu a fama e o proveito e, last but not fucking least, bolçar que o regime é intrinsecamente corrupto logo a começar pela Assembleia da República e seus actos de soberania?
André Ventura não terá organizado a “parada Ku Klux Klan” junto à sede da SOS Racismo em Lisboa nem terá carregado no botão “enviar” que fez chegar ameaças dementes a diversos “dirigentes antifascistas e anti-racistas” mas aqui aplica-se a sensata máxima correlation may imply causation. A manifestação do dia 2 de Agosto, em que Ventura não só ocupou a rua como também o silêncio vexante de Rio (portanto, do PSD) que dias antes lhe tinha entregado a chave da cidade, foi poderosamente simbólica na dimensão em que não existiu qualquer força ou representante político a dialogar com o evento. E por causa disso ele ficou sem enquadramento democrático e sem contraditório axiológico, deixando-se que a prosápia insurrecta e megalómana do Ventura espalhasse confiança e ousadia junto daqueles apoiantes fanáticos que realmente não conseguem medir as consequências das suas acções – como se espera que a Judiciária e o Ministério Público no mais curto espaço de tempo possível ilustrem em nome da Lei e da liberdade que ela defende e consagra.
É neste nexo de causalidades paralelas que nos falta uma Marina Costa Lobo a reflectir, com o rigor do seu percurso na investigação, sobre a história de um certo Pedro que foi buscar um tal André para que este fizesse ao seu serviço exactamente o que anda agora a fazer para escândalo serôdio de tanto hipócrita. Uma Marina Costa Lobo capaz de explicitar o que leva o director de um “jornal de referência” a citar encomiasticamente vezes sem conta um cronista que podia ser ideólogo do Chega, tanto por partilharem o mesmo posicionamento de “nova direita anti-sistema” que vai acabar com os corruptos e esquerdalhos como por comungarem da mesma esperança messiânica no regresso de Passos Coelho, o herói que meteu na masmorra o dragão socrático. Uma Marina Costa Lobo com tempo para ajudar a comunidade a dar sentido, fosse no âmbito da história ou da ciência política, à tragédia de vermos o partido fundado por Sá Carneiro a pedinchar o apoio de Ventura e seus amigos.
Sim, o teste do pato à decadência da direita portuguesa nos últimos 17 anos está por fazer. E aposto os 5 euros que tenho no bolso como assim continuará até que o Fabril do Barreiro ganhe a Champions. Três vezes.
Vamos lá a saber
Em defesa do racismo
«Ao trazer para a altercação a ideia de associar à cor da pele do seu antagonista uma hipotética deformação de carácter, como se fosse uma característica inata a todos os que têm o mesmo tom de pele, o homicida de Bruno Candé Marques, factualmente, acrescentou ao ódio pelo individuo, com quem discutia não sei o quê sobre uma cadela, um preconceito racial contra os negros em geral - e isso é, como é óbvio, racismo.
O assassino talvez não tenha disparado quatro balas no corpo de Bruno Candé Marques por ele ser negro, mas usou a negritude do ator para o ferir psicologicamente durante a subida da tensão nervosa que o levou a cometer homicídio e, por isso, o quadro completo do crime não pode ser desenhado sem lhe acrescentar essa tinta estigmatizadora do racismo, que envenena a paz das nossas sociedades.
[...]
Seguindo esta lógica, se eu estiver de cabeça perdida e lançar um insulto a um negro por ele ser negro, não deixo de ser um racista.»
Pedro Tadeu – Porque há racismo no homicídio de Bruno Candé?
«Quem procura esconder o racismo que existe no nosso país dirá que tudo começou naquele momento, que uma coisa leva à outra e depois tudo se descontrolou. Ficará convencido disso quem disso se quiser convencer, pois a realidade mostra tudo de forma bem diferente.
O crime foi premeditado, o assassino regressou dias depois do desentendimento com o único objetivo: matar Bruno Candé. Para isso usou uma arma ilegal, cujo percurso ainda está por explicar. Os insultos racistas dão conta de um ódio que já era antigo, que vinha de trás, e do qual Bruno Candé não podia fugir: a cor da sua pele. Isso incomodava o assassino muito antes da cadela se ter atravessado ao caminho e é o que torna tudo diferente.»
Pedro Filipe Soares – Sim, é racismo
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Servem estes dois exemplos para ilustrarmos o caso. O caso em que a problemática do racismo é tratada na comunicação social de uma forma que fornece armas e munição aos manipuladores de ignorantes, alienados e veros racistas. Tentar explicar isto ao Pedro Tadeu e ao Pedro Filipe Soares é que será missão impossível, pois eles não estão em condições de aprender. Pelo que continuarão a ser cúmplices involuntários de um fenómeno de irracionalização muito perigoso mas passível – e com urgência – de ser analisado racionalmente.
Na primeira citação, Tadeu constrói o argumento para a existência de racismo a partir do registo discursivo do assassino no momento que antecede o disparo. Ele próprio se encarrega de dar ênfase à tese: insultar alguém com referências a aspectos corporais é “racismo”. E ponto final na conversa. As palavra ditas chegam e sobram para a conclusão, não carecendo o seu texto de conhecer seja o que for a respeito de quem as proferiu para se encerrar o inquérito. Na segunda citação, Soares assume o estatuto de narrador omnisciente e revela o que se passou na subjectividade do criminoso a partir de um passado indeterminado; altura em que terá começado a premeditar a morte de Bruno Candé, garante. Não só o autor nos dá um calendário integral do processo psicológico de alguém com quem nunca sequer falou como nos serve uma versão policial sem direito à menor dúvida: a cor da pele foi o móbil do crime. Quem vier tentar pôr em causa o seu diagnóstico ficará vergonhosamente carimbado como traste que anda a “esconder o racismo”.
Ora, estes dois senhores com banca na imprensa não faziam parte das relações pessoais entre os envolvidos, não assistiram ao episódio, não pertencem às polícias e às magistraturas que estão a recolher a informação e a estabelecer a mais rigorosa versão possível. O acto de escreverem sobre o assunto, portanto, não pode estar a nascer de processos relativos ao conhecimento factual, científico, policial e judicial. Donde virá a sua opinião, se não vem da inteligência empírica por via pessoal nem das autoridades envolvidas? Vem das impressões, do senso comum, da ideologia e, especialmente, da desumanização. Parece paradoxal, posto que a retórica utilizada é justamente para lamentar e denunciar um supremo acto de desumanização que acabou com uma vida humana, mas acontece que para o fazerem estas duas figuras, representando milhares ou milhões de outras, acham-se no direito de desumanizar o assassino. Ao tratá-lo sem demora nem critério como “racista”, ao reduzirem o seu comportamento ao longo de décadas à atitude da agressão fatal num certo dia, a inerente complexidade psicológica, cívica e antropológica dessa pessoa desaparece e é substituída por uma abstracção, pela caricatura que serve os oportunistas cheios de boas intenções e satisfeitos com o espantalho disponível para despachar jornalismo de opinião.
Do outro lado estava Ventura, o oportunista só com más intenções que agradeceu a benesse e montou aquela que fica como a mais pujante manifestação política de apoio ao Chega depois dos resultados eleitorais de 2019 que o meteram no Parlamento. Vir para a rua gritar que não há racismo em Portugal comunica directa e identitariamente com a enorme maioria silenciosa cujos processos cognitivos afirmam exactamente o mesmo. E esta consciência radica nas evidências: não há racismo em nenhuma esfera da estrutura do Estado e da sua produção legislativa. Precisamente ao contrário, como comunidade escolhemos punir o racismo através do Código Penal e das instituições públicas, para além de estarmos constantemente na sociedade em campanha contra o racismo e em vigilância para detectar e castigar manifestações de tal por mais ténues que pareçam. Há uma aversão sociológica ao racismo que torna residual, e fonte de dano na reputação, a mera expressão de humor a respeito de diferenças etnográficas e antropológicas. Pelo que foi oferecido a um palhaço do calibre tóxico do Ventura um bastião invencível: Portugal não é racista, obviamente – e quão mais se atacar esta posição mais forte ela ficará.
Todavia, o racismo existe, né? É possível identificar várias, muitas, inúmeras situações que, por isto ou aquilo, entram nessa categoria, certo? Claro que sim, só que aqui também os nossos paladinos anti-racistas estão a borrar a pintura. Os conceitos de “racismo estrutural” e/ou “racismo institucional” fazem todo o sentido como instrumentos intelectuais e políticos em certos contextos onde as audiências tenham literacia e motivação suficicentes para eles serem operativos e consequentes. Não sendo o caso, perdem por completo a eficácia original e transformam-se em brechas na muralha contra o próprio fenómeno discriminatório que intentam combater. Insistir neles para comunicar com os públicos-alvo do Ventura e quejandos já nada terá a ver com a procura de soluções seja para o que for, fica apenas como uma radicalização que suscita radicalização simétrica. Porque ninguém, a começar por quem envia para o espaço público esse alarme e essa indignação, sabe como é que o racismo estrutural vai acabar sem com isso acabar a própria estrutura onde ele acontece. E ninguém sabe porque sabemos todos bem demais que o “racismo” é apenas um dos nomes que se dá à universal pulsão para o tribalismo. O tribalismo ocorre a propósito das diferenças corporais, vai sem discussão, mas igualmente ocorre a propósito de milhentas outras características humanas como a nacionalidade, a religião, a força política, o género, a idade, o estatuto social, a corporação, o clube, a geografia, as melífluas afinidades electivas – todo e qualquer elemento simbólico, todo e qualquer nexo afectivo, que se torne vector do instinto de sobrevivência.
Não é fácil encontrar um racista. Porque não é racista quem quer. Ou quem finge ser, como o Ventura. O nível de aberração intelectual a que se tem de chegar para criar uma identidade racista numa democracia da União Europeia ou implica atrofio cognitivo ou psicopatia grave. E nesta constatação há uma noção incontornável para os cultores da liberdade: o racismo não pode nunca limitar-se à esfera do discurso calhando este apontar para diferenças, sejam elas quais forem, entre grupos de humanos; o racismo tem sempre, sempre e sempre de ser visto como uma prática de perseguição a certos grupos ou indivíduos ofendendo os seus direitos humanos e o Estado de direito democrático. Isto significa que as expressões “preto de merda”, ou “cigano do caralho”, ou “porco judeu”, ou “branco filho da puta”, não provam por si só o racismo seja de quem for que as utilize. O mais provável, bem acima dos 99%, é apenas servirem para provar a imaturidade, estupidez ou miséria moral de quem assim se mostrou na sua fragilidade, na sua humanidade.
Começa a semana com isto
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Joe Rogan não é o melhor entrevistador do mundo mas tem o mérito de deixar falar os convidados. No caso, só se perde o que Daryl Davis não se lembrou de dizer.
Estamos perante um excêntrico que fez – continua a fazer – milagres? Sim. Olhar a besta nos olhos e ver no seu interior a humanidade aprisionada no medo e no ódio é miraculoso. A mistura de empatia e coragem fica como o supremo desafio ontológico ao absurdo cósmico onde somos consciências efémeras. E coragem e empatia é o que Daryl Davis tem em tal abundância que o mais provável é não conseguirmos dar outro exemplo igual atendendo ao seu tempo histórico e contexto social.
Comparações à parte, prefiro definir a sua pessoa de outra maneira, talvez ainda mais lírica: eis um americano puro, de raça.
Revolution through evolution
Experiencing childhood trauma makes body and brain age faster
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Placebos prove powerful… even when people know they’re taking one
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To bond with nature, kids need solitary activities outdoors
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Lava tubes on Mars and the Moon are so wide they can host planetary bases
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The News Junkies of the Eighteenth Century
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Whiteness of AI erases people of colour from our ‘imagined futures’, researchers argue
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Journalists’ Twitter use shows them talking within smaller bubbles
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Marcelo viral
Jornalismo jornalismo
Perguntas simples
Começa a semana com isto
Revolution through evolution
How women and men forgive infidelity
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Negotiating with Your Kids
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Lithium in drinking water linked with lower suicide rates
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Human sperm roll like ‘playful otters’ as they swim, study finds, contradicting centuries-old beliefs
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Survey results: Having a higher purpose promotes happiness, lowers stress
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Psychology of Masking: Why Some People Don’t Cover Up
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Laughter acts as a stress buffer – and even smiling helps
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Lapidar
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NOTAS
– Esta entrevista de Rui Rio na RTP está a ser reduzida à declaração que abre a porta para um qualquer tipo de futura aliança política do PSD com André Ventura e/ou o Chega. Justifica-se a hipertrofia daqueles poucos segundos de paleio pois estamos perante um abalo fundacional num partido nascido com o 25 de Abril, somos as testemunhas perplexas de uma traição que lhe saiu inconscientemente do bestunto pela força cega e burra do egocentrismo que o consome – e que agora tanto os seus chocados apoiantes como os seus oportunistas detractores estão inevitavelmente a transformar num terramoto.
Porém, o resto da entrevista igualmente merece atenção. Porque é um desastre, para o qual o Vítor Gonçalves contribuiu com genuína vocação. Fica-se com a ideia de que Rio está em mutação acelerada para iniciar uma carreira de humorista no dia a seguir às próximas eleições legislativas, ou talvez logo na própria noite eleitoral ao tomar conhecimento dos resultados. A sua constante preocupação em se colocar às cavalitas de si próprio é um espectáculo que realmente tem piada (da primeira vez em que tropeçamos nele) mas que devia alertar as pessoas que lhe são mais próximas, família e amigos, para a necessidade de elaborarem um plano do foro psicoterapêutico para ajudá-lo ao longo da fase seguinte da sua vida.
– Rio respondeu ao alvoroço refugiando-se em tábuas e culpando quem lhe fez a pergunta. Foi por causa dela que ele teve de dizer algo que, explica agora, não era o que queria ter dito calhando não lhe terem feito essa tal pergunta. Pelo que o seu destino político de curto prazo está neste momento nas mãos dos jornalistas. Se mantiverem o assunto na agenda o homem não aguenta porque só tem duas opções: ou começa a justificar como é que vai ter como parceiros aqueles que não se revêem na defesa dos direitos humanos e no Estado de direito ou acaba por reconhecer que não domina por completo o que lhe sai da boca, especialmente em matérias onde é aconselhado ter algum gasto cognitivo para não assustar as pessoas.
Entretanto, o palhaço que ao lado de Passos já tinha prometido que Loures ia deixar de ser a “prostituta barata de Lisboa” virou-se agora contra a “dama de honor do Governo socialista”, a qual também se chama Rui Rio. Há aqui um padrão. Este Ventura sabe coisas que nós desconhecemos e parece bem focado no intento de dificultar a vida a certas senhoras. Não contente, convidou o presidente do PSD para aparecer numa próxima reunião domingueira onde se vai andar de braço estendido a saudar este e aquele. Moral do episódio: Rio conseguiu, com uma singular resposta numa entrevista aparvalhada, que Ventura ganhasse altura e força para o tratar como um farrapo, ao pontapé – e mais alcançou promover uma manifestação do Chega de repente transformada na acção de um potencial aliado do PSD que se está a fazer de difícil. Uma jovem força política que finge fugir, gaiata e namoradeira, do respeitável senhor de idade. A dimensão grotesca da coisa merece umas centenas de teses de mestrado e doutoramento.
– Esta é a direita decadente no seu esplendor. Passos Coelho foi buscar Ventura precisamente para ensaiar em Loures uma retórica abertamente racista e xenófoba sob a chancela do PSD. Caso tivesse sucesso, Passos seria elogiado pela ousadia da estratégia e a fórmula poderia ser repetida em demografias e eleitorados semelhantes. Ao tempo, toda a comunicação social foi cúmplice da operação, em grande parte por esta estar na sua quase totalidade na mão accionista e editorial da direita. Por isso não houve qualquer escândalo em ver o patrocínio do partido fundado por Sá Carneiro a uma figura abjecta em todos os aspectos que tenham a ver com a política e a cidadania, como é este cada vez mais histriónico e debochado demagogo de taberna.
Ventura é o corolário de 15 anos em que a direita partidária portuguesa desistiu de competir no plano das visões e projectos políticos e passou a querer ganhar o poder através das campanhas negras e das golpadas judiciais, preferindo a política da terra queimada ao interesse nacional e ao bem comum. Reconhecendo-se politicamente inferior a Sócrates e ao PS, temendo que Sócrates superasse Cavaco em longevidade governativa e daí saltasse para a Presidência, desesperando com o desabar do seu império bancário, agarraram-se à pulsão assassina de quererem aprisionar – no mínimo, destruir e afundar nos tribunais durante anos e anos – os de outra forma invencíveis adversários políticos.
Agora o génio está fora da garrafa. A tradição de defesa intransigente do Estado de direito, que tanto os conservadores como os liberais na direita sempre defenderam modernamente como fundamento sagrado da vida em comunidade, perdeu-se e não se vê ninguém capaz de a recuperar. Ninguém. Não o Rui Rio que prometeu recuperar para o partido a dignidade de acabar com a judicialização da política e que, acossado e cobarde, nela mergulhou na campanha eleitoral de 2019. Nem sequer Marcelo Rebelo de Sousa, que há uns tempos recebia Ventura no palácio de Belém e o tratava com condescendência e paternalismo, esperando domar o animal com chazadas na poltrona e bacalhaus na varanda. O retrato é de derrelicção, não se vislumbra quem possa, a partir desse terreno onde o Estado de direito democrático suporta e supera todas as divergências, vir a refundar a direita portuguesa de forma a que possa regressar à cidade da decência, da coragem e da liberdade.
Francisco Assis, francamente
Graças ao Público, de rajada o PS foi transformado no camarote da dupla Statler e Waldorf. No dia 25, Sérgio Sousa Pinto revelou à deliciada Ana Sá Lopes que isto da política é uma maçada e que o PS é uma piolheira. Tal como aconteceu ao Pacheco, também este cavalheiro ganhou alergia ao circuito da carne assada. Se lhe continuarem a dar uma cadeira no Parlamento, mas nas filas de cima, e umas colunas no Expresso para desanuviar, isso será uma felicidade olímpica onde se poderá dedicar sossegado e altivo a ler os clássicos, a varejar nos pós-modernos e a epater les burgessos com bojardas como essa de lançar Francisco Assis como potencial candidato a secretário-geral dos socialistas quando Costa saltar para outras cavalgadas. No dia 26, o convocado Assis surgiu embalado a ultrapassar o camarada Sérgio pela direita. Afundando-se no regaço de Maria João Avillez, esta operática figura lembrou-se de reescrever duas histórias: a do País e a sua.
Avillez, assumindo às escâncaras o papel de mandatária do regresso de Passos à liderança do PSD, teve um momento inigualável na carreira pois conseguiu levar um socialista com o percurso e protagonismo do recém-eleito presidente do Conselho Económico e Social a deixar para a posteridade o seguinte:
MJA - Concluindo, aceitou falar de Pedro Passos Coelho. Em duas palavras, quem é?
FA - Convicção e determinação, o que não é negativo. Tem méritos e tem defeitos. Usei o "intransigente" mas não significa sectarismo - é a personalidade dele. Não nego nenhuma das divergências que tive com ele, em muitas áreas, mas acho francamente que o País lhe deve alguma coisa. Pela forma como governou naquele contexto, sempre com a mesma serenidade e seriedade e absolutamente convicto que estava a servir o País. É uma personalidade que deveria ser respeitada e valorizada.
MJA - Não é?
FAC - Deveria ser muito mais.
Termina assim um exercício onde uma suposta jornalista faz uma suposta entrevista a um suposto socialista. Mas, a quem calhar ler o resultado, aterra-se no meio de uma operação de campanha onde Passos Coelho é apresentado e legitimado como o salvador da Pátria que, incompreendido e escorraçado pelos malvados esquerdalhos depois do seu sacrifício heróico entre 2011 e 2015, vive hoje solitário e orante numa escura floresta ou longínquo deserto (talvez nos dois locais ao mesmo tempo, visto estarmos a falar de um ser que já não toca com os pés na terra). Assis não só papou isto tudo como vinha preparado para se juntar à festa. Os trechos seguintes são inenarráveis de sabujice, santificação em curso e puro delírio:
FA - Aquilo que talvez mais aprecie na sua figura: foi um homem que pensou que era possível estabelecer com o País uma relação, não com base no discurso da ilusão, ou até de um discurso de esperança vã - que muitas vezes se faz - mas apresentando ao País aquilo que sabia serem sérias dificuldades. E nunca as trocando pela oferta de um caminho fácil. Há um amigo meu - uma personalidade interessante do País - que me dizia, aqui há tempos, que o Passos Coelho foi dos poucos políticos que o tratou como um adulto, os outros têm tendência para o tratar como uma criança. O que ele queria dizer é que os políticos têm tendência para produzir discursos encantatórios, correndo o risco de gerar a grande desilusão. Passos Coelho não se preocupou muito com isso. Fez o discurso das dificuldades e dos problemas. [...] Deliberadamente não semeou esperanças vãs e, hoje conhecendo-o um pouco melhor - a vida levou a que isso ocorresse nos últimos anos - acho que não é capaz, até por uma questão de reserva interior, de produzir esse tipo de discursos. Esteve sempre mais preocupado em explicar às pessoas as dificuldades reais do País, em vez de as adocicar. [...] Do que não tenho dúvidas é que agiu com uma grande seriedade, ocupando-se em libertar o País da situação em que estava, em vez de passar o tempo a criticar o Governo anterior... Nunca fez isso. E hoje é um homem praticamente em silêncio. São características um bocadinho incomuns na política que fazem dele uma personalidade especial na nossa vida política. [...] Passos Coelho é portador de um passado que lhe permite imaginar um futuro.
Que cagada é esta? Que vendaval de “factos alternativos” é este? Que monumental bebedeira apagou da sua cabeça a responsabilidade de Passos no chumbo do PEC IV, na campanha eleitoral mentirosa como nunca se tinha visto em democracia que se seguiu, na fúria destruidora e fanática do “ir além da Troika”, nos ataques ao Tribunal Constitucional, no desprezo com que provocou sofrimentos e misérias em milhões de portugueses só para o FMI ver e lhe dar medalhas de bom comportamento, na politização da Justiça e judicialização da política com que perseguiu e castigou companheiros de Francisco Assis, na constante e maníaca diabolização de Sócrates e dos seus Governos logo a partir do começo de 2012, na entrega de Portugal a preço de saldo ao domínio estrangeiro para poder aparecer com o retrato da “saída limpa”, no aproveitamento de um problema na liderança no BES para uma vingança pessoal que causou um cataclismo financeiro e social, e na forma como se preparava para continuar com a demência selvagem da “austeridade salvífica” caso continuasse a governar?
A internet está cheia de recordações que ilustram como Francisco Assis começou a desvairar a partir da derrota contra Seguro em 2011. De lá para cá, as suas contradições só se têm vindo a agravar, os seus erros de análise sobre a situação política com Costa a governar atingindo o paroxismo da estupidez, chegando a este grau prodigioso que a entrevista ilustra. Pelo que vou só deixar três exemplos da flexibilidade mental, e moral, de quem talvez devesse pensar seriamente em mudar de partido:
Francisco Assis vê na política do PSD práticas do Estado Novo – 2014
Assis acusa Passos Coelho de praticar política «trágica» – 2014
“Não pode haver compromissos com esta direita extremista” – 2015
Assis, francamente, não tens mesmo a noção?
Muitas questões são assim
«[…] o que esta carta faz, ao afirmar que há menos liberdade discursiva e de debate hoje, é fazer de conta que antes não havia grupos inteiros de pessoas “canceladas”, sem direito a voz ou a sequer se autonomearem, e que esse cancelamento, derivado de estruturas relacionais de poder que se perpetuam, não continua a subsistir.»
Embora falar de “cancel culture”, então
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Fernanda Câncio tem razão nesta leitura da carta A Letter on Justice and Open Debate porque a omissão que aponta permite-lhe considerar que tal não é inocente, antes merecendo ser denunciado na sua positividade: os autores estarão a ser cúmplices de “cancelamentos” passados e presentes no acto mesmo de protestarem contra o fenómeno posto que não se enquadram nesse contexto retrospectivo e comparativo no manifesto publicado. Esta razão que invoca e desenvolve nasce do seu activismo incansável na defesa de minorias e direitos humanos, do seu combate admirável no espaço mediático, e ao sol e à chuva, promovendo a participação cívica contra as mais graves formas de discriminação.
Contudo, não tem a razão toda – nem a melhor razão. Os autores da carta visada estão focados noutra problemática que é absolutamente legítima. Existe, realmente, um crescente (medido anedoticamente, caso faltem as estatísticas) activismo iliberal nas instituições académicas em diferentes partes do mundo que começou há vários anos e se espalha para outras esferas sociais; talvez como consequência do frenesim emocional introduzido pela invasão das comunicações digitais nas gerações que cada vez mais cedo constroem a sua sociabilidade nelas e a partir delas, à mistura com uma generalizada e profunda iliteracia política. O imediatismo, fragmentação e impulsividade das trocas digitais escritas radicaliza e afunila a cognição, levando a essa cultura de permanente, epidérmica e inconsequente indignação. Desabando as grandes estruturas políticas e suas narrativas com que se fez a travessia ideológica dos séculos XIX e XX, a necessidade de imersão na cidade leva à mobilização contra as “impurezas”, as nódoas na camisa não passarão. Ora, tal é nefasto, pouco importando a sua boa intenção original, porque colide com os valores que têm guiado todas as batalhas do passado que a Fernanda Câncio está a convocar na sua crítica. Ceder ao maniqueísmo em nome da protecção daqueles que são suas vítimas ao longo da História corresponde a um atrofio científico e intelectual. Ou seja, assinar a tal carta em nada de nadinha de nada impede que se durma o sono dos justos relativamente ao que mais importa na dignificação de todos os seres humanos sem excepção e no compromisso de continuar a dar o melhor de si nesse ideal. Porque é de liberdade que se fala, é a liberdade que nos une contra o poder opressivo de ontem, hoje e amanhã.
Pelo que há muitas questões assim. Onde quem está no mesmo lado da barricada fica costas com costas.
Gente séria – e que sabe fazer contas – é outra coisa
"O que no passado tivemos e que não deveria voltar a repetir-se, e não vai voltar a repetir-se, é serem os contribuintes a serem chamados à responsabilidade por problemas que não foram criados pelos contribuintes, por isso é natural que sejam os accionistas e a dívida subordinada, nos termos da nova legislação, a responsabilizarem-se pelas perdas que venham a ocorrer".
"[A solução] é aquela que oferece, seguramente, maiores garantias de que os contribuintes portugueses não serão chamados a suportar as perdas que, neste caso, respeitam pelo menos a má gestão que foi exercida pelo BES".
Passos Coelho
"A solução de financiamento encontrada – um empréstimo do Tesouro ao Fundo de Resolução a ser reembolsado pela venda da nova instituição e pelo sistema bancário – salvaguarda o erário público".
"Os contribuintes não terão de suportar os custos relacionados com a decisão tomada hoje. A nova instituição será detida integralmente pelo Fundo de Resolução".
"Aconteça o que acontecer ao Novo Banco, [o Estado] não vai ser chamado a pagar eventuais prejuízos. Isso tem de ficar muito, muito claro".
Maria Luís Albuquerque
"A medida de resolução [para o BES] agora decidida pelo Banco de Portugal, e em contraste com outras soluções que foram adoptadas no passado, não terá qualquer custo para o erário público, nem para os contribuintes".
Carlos Costa
"A autoridade de supervisão, entre as alternativas que se colocavam, escolheu aquela que melhor servia o interesse nacional e que não trazia ónus para o contribuinte".
Cavaco Silva
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Começa a semana com isto
How To Be Yourself with Ellen Hendriksen
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Quanto mais não fosse, e há mais e muito mais, para se passar a dispor de uma iluminante diferença entre um extrovertido e um introvertido.
Revolution through evolution
When it comes to happiness, what’s love got to do with it?
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Even if you want to, you can’t ignore how people look or sound
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Simple Strategies to Increase Positive Emotion Skills
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Plato was right: Earth is made, on average, of cubes
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Health and happiness depend on each other
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If relaxed too soon, physical distancing measures might have been all for naught
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Which is more creative, the arts or the sciences?
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Jornalismo que não merece a jorna
Eis a sinopse do programa “O Outro Lado“, da RTP 3:
«Programa semanal de debate sobre os principais assuntos nacionais e internacionais, feito por alguns dos mais destacados nomes da nova geração de comentadores portugueses.
Um debate que terá também acompanhamento em direto, através das redes sociais, um programa que conta com a participação dos espectadores.
Coordenado e apresentado por João Adelino Faria, com Pedro Adão e Silva e José Eduardo Martins.»
Sim, o nome de Ana Drago não aparece. Noutro lugar, tropeçamos numa sinopse alternativa:
«Debate sobre a atualidade com Rui Tavares, Pedro Adão e Silva e José Eduardo Martins. Moderação de João Adelino Faria.
O OUTRO LADO
Um programa com uma nova geração que gosta de política, mas que não se deixou "triturar" pelas máquinas partidárias.
Três personalidades com sentido crítico, que pensam e falam livremente.
Três militantes da blogosfera que vão estar muito activos nas redes sociais, mesmo durante o programa.»
Sim, continua a aparecer o nome Rui Tavares. E, incrivelmente, esses erros factuais, e esses desleixos, e essa desconsideração, não são o que mais importa nos textos deixados aos deus-dará do universo digital de um canal público. É o conteúdo intencional dos mesmos que merece atenção, pedindo a pergunta: para quem estão a falar? Aparentemente, é para as “redes sociais”, prometendo-se uma interactividade autoral que, afinal, se resume à leitura pelo jornalista presente de alguns textos publicados no Twitter, escolhidos a correr pelo automatismo do seu gosto. Quanto à léria de estarmos perante “alguns dos mais destacados nomes da nova geração de comentadores portugueses” e de uma geração que “não se deixou “triturar” pelas máquinas partidárias“, para além do ranço anti-partidos e antidemocracia, só consegue transmitir a certeza de que ainda ninguém na produção do programa deu pela presença do José Eduardo Martins em estúdio.
Mas vamos ao jornalista de serviço, João Adelino Faria. Ele corresponde ao perfil típico de quem acha que ser jornalista consiste em aproveitar a difusão mediática paga pelo seu empregador para começar a despachar opiniões, as suas. Calhando estar num programa de jornalismo de opinião, essa pulsão toma-o de assalto e, sem variação, semanalmente entra em picanços com os comentadores vedetas que, aparentemente, alguém na estação convidou e contratou por, aparentemente, terem opiniões de alta qualidade. Assim não pensa, exactamente, o nosso Faria, sendo useiro e vezeiro no bate-boca com Pedro Adão e Silva. O que isso diz do jornalista não fica como um dos maiores enigmas da História, apenas se regista que há mais um felizardo na TV do suposto “serviço público” que é pago para ser sectário ao serviço da direita a seu bel-prazer. Contudo, também aqui não estamos perante o maior prejuízo que este simulacro de jornalista provoca no público.
Na edição de 21 de Julho, a partir do minuto 22, contemplamos a leitura dos contributos enviados pelos bravos das “redes sociais”, a que se segue um resumo da problemática em causa e o lançamento de questões para um comentador, no caso o Pedro. O João Adelino juntou-se ao coro daqueles que tinha seleccionado e, ao construir a questão em debate consequente, mandou ao interlocutor uma interrogação encharcada no seu próprio entendimento da realidade. Ora, do outro lado estava um verdadeiro cientista, tranquilamente uma das mais proveitosas e decentes cabeças a “produzir opinião”, e isso mais uma vez se provou de forma espectacular: o professor do ISCTE não deixou escapar um dos sofismas lidos pelo jornalista, o qual remetia para uma notícia do JN cujo título e conteúdo era falacioso, e tratou de explicar o que estava realmente em causa nessa peça “jornalística”. Ou seja, o comentador residente fez o que o jornalista armado em comentador não só não foi capaz de fazer como até estava interessado em evitar que se fizesse de modo a prolongar, expandir e aumentar o erro de percepção na origem das opiniões que tinha destacado nas feéricas “redes sociais”.
Só há duas causas para o fenómeno. Ou temos um jornalista que procura enganar a audiência, ou temos um jornalista que ignora o que se passa à sua volta e não tenciona abandonar o seu estado de ignorância. Seja lá qual for a causa, o que se passa com esta figura ilustra o fim da linha onde se encontra o jornalismo em todo o Mundo. O modelo da imprensa escrita, que vinha do século XVIII e XIX, começou a ficar obsoleto com a rádio e com a televisão. Nos anos 90 levou a machadada final com a Internet, mas já estava moribundo, apenas ainda não tinha sido avisado. Agora, o próprio jornalismo televisivo já não consegue puxar carroça pois a fragmentação imparável da atenção torna irrelevante o que acontece neste ou naquele ecrã noticioso. Mas a solução para esta crise inaudita na imprensa não virá, seguramente, de deixarmos os jornalistas rivalizarem com os comentadores. Precisamente ao contrário, isso tem sido fatal pois reduz a credibilidade – leia-se, a utilidade para a inteligência – dos meios de comunicação social.
O jornalismo do futuro tem de aspirar a ser o jornalismo do passado. Essa curiosidade primeira, literalmente humilde, pela realidade e por aqueles que lhe dão sentido. Não precisamos do jornalismo para se substituir aos políticos, aos filósofos e aos moralistas. Precisamos tão-somente que o jornalismo se concentre na diminuição da estupidez reinante.
