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Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Frequentei durante cinco anos, entre os 10 e os 15, um colégio de freiras. Não porque os meus pais fossem muito religiosos, nada disso, o meu pai e ambos os avôs (republicanos) eram até ateus, mas por questões práticas: a alternativa era um colégio local de má qualidade ou a frequência do liceu na cidade mais próxima, o que implicava o aluguer de um quarto em casa de estranhos (10 aninhos ainda incompletos).

Com o background familiar já referido, pouco liguei de início às ladainhas e rituais das freiras, objeto, aliás, de grande gozo; gostava era das brincadeiras nos dormitórios, orgulhando-me dos castigos. Mas a doutrina ia-se infiltrando e o proselitismo era poderoso (não que já não tivesse passado, ainda mais cedo, pela fase do catecismo e da personalização do demónio – grandes pesadelos – e das comunhões). A partir dos 12 anos, faziam-se “retiros” – períodos de 3 dias no ano em que não havia aulas e as atividades se resumiam à leitura de livros religiosos e ao visionamento de filmes tenebrosos sobre leprosos em ilhas longínquas, à frequência mais prolongada do que o habitual da capela e à “meditação” – que eram autênticas lavagens ao cérebro para gente tenrinha. Normalmente, no fim dos três dias, uma freira indagava junto de algumas de nós, mais ou menos diretamente, se teríamos sentido algum chamamento, o despertar de uma hipotética “vocação” (para mim, novas angústias, pois apaixonara-me por um príncipe encantado cá fora (tínhamos férias e fins-de-semana)). Um sistema bem montado, portanto. Valia que, para o objetivo parental da minha passagem por ali, o ensino era exigente.

Apesar de não ter sido difícil, com o ambiente em que vivia e com o evoluir da situação política e social do país, libertar-me depressa de terrores e preconceitos e dedicar-me ao que interessava, durante anos senti um ligeiro calafrio sempre que “blasfemava”. Passou, o que prova o poder, muitas vezes subaproveitado, dos neurónios.

Ao olhar hoje, dia 13 de maio, para estas deslocações em massa ao santuário de Fátima, não posso deixar de achar piada ao fenómeno, agora visto com outros olhos (as idas a Meca ou a outros locais “de culto” por esse mundo fora em nada diferem). Por um lado, trata-se de um Goldman Sachs da igreja católica. Quantos fundos ali não se angariam, quanta publicidade à causa? Por outro, enfim, muitas pessoas buscam experiências “místicas”, experiências do “além”, uma dimensão extraterrestre, a ideia de uma harmonia celestial, a maior parte delas sabendo que nenhum do suporte real de tudo aquilo faz o mínimo sentido (mas sempre é uma viagem, cuja recompensa, quem sabe, um dia chegará) e outras esforçando-se por lhe dar um sentido, mas acabando por aterrar na planície etérea da fé para poder dormir descansadas. Para o caso, evidentemente, pouco interessa onde tudo começou e porquê. No fundo, é uma festa.

Pois nada contra, desde que nenhum dos promotores e organizadores destes eventos pelo mundo fora me imponha a sua alucinação. Sem desdenhar do papel disciplinador, de quase código penal, e do papel também higiénico das religiões no passado, ir a um concerto, visitar locais bonitos da Terra ou viver um amor perfeito também podem ser experiências místicas. Provavelmente mais compensadoras. Têm a vantagem de, neste estádio de evolução da humanidade, não imporem condutas nem adormecerem a inteligência.

Adenda: Não posso aqui deixar de recomendar um livro que adquiri recentemente na Feira do Livro e que, já sendo de 2009, me tinha escapado. Chama-se “Você está aqui” (Editora Casa das Letras) e é um autêntico mapa, sem imagens, para nos orientarmos no universo, quer ao nível macro (dos nossos pés até aos superaglomerados de galáxias), quer ao nível micro e nano (até ao mundo das partículas). Muito bem escrito (às vezes não totalmente bem traduzido), e com humor, por um inglês que é dono da editora 4th Estate, cursou matemáticas e fez um mestrado em História e Filosofia da Ciência, situa-nos, de facto, no mundo e recorda-nos ou dá-nos informações sempre preciosas e curiosas, como a de que o teorema de Pitágoras afinal não é de Pitágoras ou sobre a origem das palavras ou ainda sobre o critério, que se pretendeu universal (ou seja, válido para todo o universo), para a definição de metro. Boa leitura, abaixo a cova da Iria (não resisto).

Bem sabemos que esperar de Cavaco que seja o garante do regular funcionamento das instituições democráticas, este mesmo Cavaco que conspirou contra um partido e dois Governos assim conspurcando a Presidência da República e violando a Constituição, será algo mais improvável do que ver Pacheco Pereira a organizar um jantar de desagravo a Sócrates. Porém, contudo, todavia, não existe mais ninguém a quem possamos fazer esta pergunta: o facto do Procurador-Geral da República ser desmentido pela Ministra da Justiça e, acto contínuo, a Ministra da Justiça ser desmentida pelo Procurador-Geral da República, sendo o assunto em causa um processo que envolve a possibilidade de corrupção ao mais alto nível do Estado, entra dentro do que a lei fundamental portuguesa considera como regular funcionamento dessas duas instituições democráticas em causa?

Não há nenhuma entidade, ou mera figura pública, que fale nesta inacreditável ausência de responsabilização entre dois titulares de cargos tão elevados em radical contradição entre si numa matéria do foro judicial. Nem à direita nem à esquerda, nem dentro dos partidos nem fora deles, nem para criticar nem para questionar, nada de nada de nadinha de nada é dito. É como se não tivesse acontecido, não estivesse a acontecer todos os dias, a toda hora, enquanto uma das partes não assumir o seu erro ou demonstrar o erro alheio.

Está a ser umas das mais reveladoras experiências políticas da minha vida.

Dissertação sobre um nome (foto Revista VIVER)

O teu primeiro nome tem, dentro de si, a força da Terra e a graça de Deus.

Ele é, sem dúvida, o nome feminino mais divulgado em todo o Ocidente. Tem a sua origem nas profundezas da língua hebraica mas não se ficou pela Bíblia e pelos Quatro Evangelhos. Está presente na Eneida de Virgílio, no teatro de Luigi Pirandello, nos romances de Tolstoi, nos contos de Pushkin e nas óperas de Mozart. Está junto à Terra e o seu som pronunciado resolve as hesitações nas encruzilhadas sombrias dos caminhos quotidianos. Digo o teu nome e tenho, no momento de o dizer, uma direcção e um sentido. Porque sinto, dentro do seu som, a força da Terra e a graça de Deus.

Continue reading ‘Vinte Linhas 82′

Pode ser que nos devolvam os feriados civis, como o 5 de Outubro, diz Portas. Tudo graças ao Corpo de Deus e do Dia de Todos os Santos, bem vistas as coisas…

Passos foi à tomada de posse do Conselho para o Empreendedorismo e a Inovação e disse umas banalidades com que a gente séria costuma explicar a pobreza dos pobres em almoços e jantares, casamentos e baptizados, cocktails e vernissages: que o povoléu, no fundo, não quer é trabalhar (tal como os pretos e os ciganos, por isso igualmente pobres) nem gosta de estudar. Se fossem como a gente séria, estariam a meter cunhas aos tios, primos e amantes da mãe para irem para boas empresas ter uma carreira, ou mesmo para empresas assim-assim mas com direito a carro e tudo. Ou então iam para boas universidades no estrangeiro, ou mesmo para universidades assim-assim ou que nem sequer são universidades, e voltavam doutores e a falar línguas. Pois não, os pobres são de uma passividade exasperante, preferindo ficar a olhar para os palácios em vez de irem a correr bater ao portão e oferecerem-se para servir no que for preciso. Foi disto que Passos falou, incentivando a audiência a não se deixar contagiar pela preguiça dos miseráveis e tratar de agarrar as oportunidades que preenchem o dia-a-dia da frenética gente séria.

Bom, mas isso foi à tardinha. Da parte da manhã, Passos tinha enviado para os tímpanos da Nação esta novidade:

O nível da carga fiscal é insuportável em Portugal.

Vamos então admitir que Passos entende o que diz e que diz o que quer. Nesta hipótese, quis dizer que a carga fiscal ultrapassou os limites. Quais limites?… Who fucking cares?! Basta que seja o Primeiro-Ministro a dizê-lo para que possamos todos invocar a sua palavra e deixar de pagar impostos até que a situação seja regularizada.

Outra problema, só para os curiosos, é o de descobrirmos o que leva Passos a largar bacoradas atrás de bacoradas, e isto com tal regularidade e amplitude que configura um óbvio caso de bronquite asnática. Uma forte pista estará naquilo que levou Soares a esta simpatia:

Passos Coelho é uma pessoa bem-intencionada com quem se pode falar.

É altamente provável que esta descrição seja absolutamente correcta. Passos será alguém com quem se pode falar porque ele diz tudo como os malucos; o que é sempre engraçado, dispõe bem. E é essa, unicamente, a sua intenção: agradar ao seu interlocutor, dizer-lhe o que acha que ele quer ouvir. Foi isso que fez com Louçã, juntando-se a ele num lamento partilhado. A sua vontade era a de ir até à bancada do BE e dar um emocionado abraço ao grande líder da esquerda grande, dizendo-lhe com voz trémula e olhos marejados: “Vamos conseguir reduzir os impostos, Francisco, vamos conseguir! Mas não pode ser já, infelizmente… Tu compreendes… Tu ajuda-me!”.

E assim como diz qualquer coisa que lhe pareça ir agradar a terceiros, de imediato se esquece e faz exactamente o contrário. A sua campanha eleitoral e o que decidiu logo que entrou em S. Bento são o padrão do que podemos esperar para o presente e para o futuro. Passos é como um tipo que viesse enfiar-se com o seu carro no nosso jardim, saísse para ver os estragos e começasse a falar connosco contra os tipos que andam por aí a conduzirem como doidos e a enfiarem os seus carros nos jardins alheios. Depois arrancaria a fundo e nunca mais o víamos.

A última aguardente do Tio Nascimento (foto Revista VIVER)

Bebo devagar um cálice de aguardente branca e muito leve, puríssima e macia, tal como saiu do alambique no passado mês de Setembro. É uma aguardente que não pesa no estômago e que torna as digestões mais suaves. Mas não a posso gastar muito depressa porque esta aguardente é uma memória viva do meu Tio Nascimento e da sua Atalaia do Ruivo, paisagem perfeita entre sol e pó, entre pedras e pinheiros, entre água e vento. Lugar mágico onde a terra quase se junta ao céu numa espécie de oração sem palavras. Dois dias antes de morrer com o coração cansado e incapaz de trabalhar mais, este homem que foi, em novo, ceifar todas as searas do Alentejo e das regiões espanholas fronteiriças, estava possuído de um vigor inesperado e obrigou os filhos e as noras a trabalharem ainda mais para irem entregar o bagaço e o folhelho da uva a um certo alambique para os lados da Serra das Corgas. Depois foi fazer uma festa ao burro e enxotar as galinhas antes de olhar as cabras. Entretanto morreu na grande cidade um dia antes de fazer a grande intervenção cirúrgica que lhe poderia ter prolongado a vida caso corresse bem. Mas não correu. Hoje este gesto de beber um cálice de aguardente tem para mim o valor de um regresso. Esta bebida guardou a paisagem povoada pelo Tio Nascimento entre o seu lugar de sempre, a sua casa dos ventos onde se vê ao longe um bocado de Espanha e, mais perto, a terra das cerejeiras em flor. Essa paisagem povoada onde o corpo do Tio Nascimento descansa no cemitério da Sobreira Formosa mas onde o espírito circula no sabor macio e puro, leve e branco desta aguardente que não pesa no estômago. Porque incorpora a memória destilada de um homem cheio de humanidade.

Já falei muitas vezes no uso, por parte deste Governo, da linguagem como arma política. O Governo e a maioria que o suporta diz tudo parecendo dizer algo de vagamente inofensivo, recorrendo a palavras brancas, vazias, uma casa de banho lavada com tanta lixívia que não se dá pela retrete.
Foi assim desde o início.
Hoje, na AR, o PM tinha as mãos no peito, respondendo a Louçã que sabia da carga fiscal insuportável imposta aos potugueses, ele sabe do país, ele sabe da taxa de desemprego, ele sente as pessoas.
No mesmo dia, noutra ocasião, já aprovado o seu Código de Trabalho para além da Troika, antecipa os resultados evidentes desse mesmo CT, elaborado por gente que aposta ao mesmo tempo na flexibilidade e não insegurança dos trabalhadores.
Antecipando, repito, as consequências desta selvajaria, o PM trata de fazer aos desempregrados e trabalhadores com um pé no desemprego o mesmo que fez aos funcionários públicos quando quis encontrar um bode expiatório para as ditas “gorduras do Estado”.
Essa mesma atitude, com recurso ao perigo da linguagem, é a da culpabilização das vítimas (que antecipa) do CT: afinal, os jovens licenciados (privilegiados) não “arriscam”, querem um emprego em vez de apostarem no empreendorismo (como Passos fez?); afinal, quem é despedido não deve sentir estigma algum, mas antes uma “oportunidade” para mudar de vida (suponho que a qualquer idade, é uma festa ser despedido); afinal, quem “se despede” (aqui perdi-me, pois penso que não ocupa o drama da governação o cidadão que larga o seu emprego por algo melhor, mas antes os que não têm outra opção que não “voluntariamente” assinar um acordo para ir à vida).
Este discurso é mentiroso, desleal, triste, perigoso e ofensivo.
Os portugueses não são estúpidos.
E o PS tem de agravar as ruturas com esta gente.

O Presidente da República recusou hoje comentar o ‘caso das Secretas’, considerando que “os dirigentes políticos não se devem pronunciar” sobre essa matéria por estar a ser investigada pelo Ministério Público.

“É uma matéria que está a ser objeto de investigação por parte do Ministério Público e enquanto se desenvolve uma investigação dessa natureza entendo que os dirigentes políticos não devem pronunciar-se”, afirmou Cavaco Silva, em Matosinhos, depois de visitar o Fórum do Mar, a decorrer na Exponor.

Presidente da República, reconhecendo a sua inutilidade para se dirigir ao País perante situações que ameaçam a segurança nacional ou solicitar aos responsáveis governativos que o façam adentro da sua directa responsabilidade

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Face às dúvidas fortes que neste momento estão instaladas na sociedade portuguesa, é importante que os responsáveis da empresa de telecomunicações expliquem aos portugueses o que está a acontecer entre a PT e a TVI. É uma questão de transparência.

Presidente da República, protagonista de uma acção de pré-campanha envolvendo um negócio imaginário, das várias que patrocinou para as legislativas de 2009 e 2011

Segundo o primeiro-ministro de altíssimo nível que 36% dos portugueses escolheram e 40% deixaram escolher, só não muda quem é estúpido. Tem razão: só não o muda, e quanto mais depressa melhor, quem for estúpido.

Formalmente posso dizer, e não é pouco, que a proposta de revisão do Código de Trabalho (CT) consegue – caramba! – ir mais longe do que o Memorando. Depois das negociações com a esquerda, na especialidade, a direita aceitou umas coisas e manteve-se firme nisto:

a) o Memorando de Entendimento prevê a possibilidade de adoção do regime laboral do “banco de horas”, por acordo mútuo entre empregadores e trabalhadores, negociado ao nível da empresa. Contudo, na Proposta de Lei n.º 46/XII surge a consagração do banco de horas individual.
b) Por outro lado, esta Proposta de Lei determina a suspensão por dois anos e posterior alteração administrativa, de convenções e acordos coletivos, livremente negociados, designadamente em matérias relacionadas com a compensação de trabalho suplementar. Esta é uma disposição que põe em causa soluções construídas através da negociação, elemento central do atual paradigma de relações laborais.
c) O Memorando de Entendimento nada refere, ainda, quanto à diminuição e/ou desvalorização do papel da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) no controlo de determinados aspetos das relações laborais (horários de trabalho, regulamento interno das empresas). Todavia, a Proposta de Lei n.º 46/XII aponta para uma redução dessa função de controlo prévio da ACT que há que ponderar no plano das garantias dos trabalhadores.
d) O Memorando de Entendimento nada refere quanto à eliminação de feriados. Mas a Proposta de Lei n.º 46/XII sinaliza a eliminação de dois feriados civis e dois feriados religiosos, o que implica mais dias de trabalho, sem que o Governo apresente estudos sobre a justificação e o impacto nos planos económico e social da medida.

Depois há uma narrativa. A culpa da crise é dos mais fracos. É dos funcionários públicos. É, hoje, dos trabalhadores. Porquê abolir os feriados? Sem estudos que suportem a afirmação, o Ministro afirma que “é preciso trabalhar mais, produzir mais!”. Diz o senhor, pois, numa narrativa insuportável, que perante os números do descalabro há que apontar baterias ao mundo do trabalho.

É contra esta narrativa insultuosa que voto contra.

O PS é o principal partido do regime, que o mesmo é dizer da democracia portuguesa, e tem um vasto espectro de militantes e simpatizantes, representando com fidelidade o País na sua diversidade e unidade. Contudo, é de uma acabrunhante inércia no que respeita à produção intelectual que sirva para alimentar, desenvolver e remodelar o espaço público. O lançamento do “Laboratório de Ideias”, e vamos esquecer a ofensa de Seguro ao partido ao ter querido entregá-lo a Carrilho, é uma iniciativa ensimesmada, uma desculpa para as células partidárias fazerem mais do mesmo: nada que o cidadão veja.

Um líder socialista interessado em ganhar eleições – ou, pelo menos, em ajudar o próximo líder – estaria neste momento à espera de receber com carácter de urgência um estudo a respeito da manipulação dos órgãos de comunicação social a favor das estratégias e agendas da direita. Esse foi um dos principais factores que explicaram o desfecho tanto das eleições presidenciais como das legislativas em 2011. E constantemente testemunhamos quão obscenos conseguem ser os jornalistas que diariamente produzem peças ao serviço de interesses políticos determinados. O que se passa, nem que fosse só para servir a estudantes universitários, merece mais do que um estudo académico.

Continue reading ‘Se não podem tapar as sarjetas, distribuam máscaras’

Uma certa memória de um jogo com o Sporting da Covilhã na Lourinhã

Quando agora fui convidado para participar num evento (lançamento de um livro) na Lourinhã lembrei-me dos velhos tempos quando acompanhava como enviado-especial a equipa do Sporting Clube Lourinhanense ao tempo clube-satélite do Sporting Clube de Portugal. Um dos jogos que me ficou na memória foi um Lourinhanense-Sporting da Covilhã disputado no dia 12 de Abril de 1998. Resultado 2-0 para os da casa. Guardo a memória de muitas camionetas com adeptos dos «leões da Serra» e de uma pequena multidão que entrou ordeiramente no campo do Lourinhanense atrás de uma banda de música e de uma gigantesca bandeira do seu clube. Passaram por detrás da baliza e foram colocar-se no lado oposto à tribuna de honra onde eu (e os outros jornalistas) esperava a constituição das equipas fornecida sempre pelo senhor Luciano, o secretário técnico do Clube.

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As recentes declarações de Soares dos Santos vieram colocar a acção promocional do 1º de Maio numa outra, e bem diferente, perspectiva. Do plano urdido com feroz profissionalismo e agressividade comercial, assim pintado pelos apologistas, ou manobra degradante de contorno e intento ideológico, acusação dos detractores, deixou de haver sinal. As declarações do patrono do Grupo, a começar pela admissão de não ter sido avisado, o que revelam é uma surpreendente fragilidade na administração. Aparentemente, a coincidência com o feriado do trabalhador diz mais respeito ao calendário, o ser o primeiro dia de um mês antes do Verão e suficientemente afastado do Natal, do que a uma bizarra e rocambolesca forma de fazer a grande distribuição de ideais políticos. A guerra com o Continente, em que este tem resistido como líder apesar do excelente marketing do Pingo Doce até à fatídica data, mais do que justifica uma acção de grande espectacularidade e impacto como essa da redução de 50% na factura. Do que não estávamos à espera é desta imagem de confusão e desorientação passada por Soares dos Santos.

Aliás, e do ponto de vista da concorrência, há agora novas oportunidades para reposicionamentos que explorem a negatividade comunicacional gerada por esse dia de convulsão retalhista. A extensa cobertura mediática com imagens e notícias sensacionalistas, prolongada nos dias seguintes pela polémica social e política, inevitavelmente arrasta a marca para um território de associações com a pobreza, a exclusão, o desespero. De repente, o discurso pragmático que permitiu resolver sem espinhas de maior o berreiro na comunicação social a propósito do pagamento de impostos na Holanda – resolvido, simplesmente, com a continuação das promessas de vantagens para os consumidores através de preços baixos – não vai desta vez chegar para colmatar os danos. O Pingo Doce, por incúria ou risco, permitiu-se ferir a identidade da classe média, a qual admite tranquilamente querer pagar o menos possível por bens de primeira, segunda e terceira necessidade, mas que não suporta perder a pouquíssima auto-estima que lhe resta.

É Vítor Gaspar. O João Galamba explica. A Penélope também.

Os números inscritos nos quadros suplementares do DEO, enviados apenas a Bruxelas, mas entretanto distribuídos no Parlamento, mostram que o Governo está a contar agora com mais 3.855 milhões de euros em impostos do tipo IRS e IRC face ao que ficou inscrito nos quadros da troika.

Gaspar prepara subida brutal de 3800 milhões nos impostos diretos

Falta-lhes, no entanto, uma coisa mais importante: oposição.

Cá vamos Ongoing.


“Nós temos que continuar a confiar no diálogo entre as forças políticas. Este é um tempo que requer muito bom senso e muita serenidade. A Europa vive um tempo muito, muito, muito complexo e Portugal até este momento está a ser olhado de forma positiva no que diz respeito a esses dois ativos que já hoje sublinhei, o ativo do consenso político e o ativo do consenso social.”

[...]

“Eu, até por aquilo que aconteceu hoje aqui, onde foram atribuídos prémios de inovação, de empreendedorismo e de conhecimento, e também pelos indicadores que tenho recolhido nos meus encontros com empresários no país, tenho a esperança – eu disse também que não posso garantir – que no segundo semestre, lá pelo fim, possa ocorrer uma inversão da tendência da produção nacional”, esclareceu.

“Deus queira que seja assim”, sublinhou.

Do fulano cuja hipocrisia e soberba são um insulto diário à República

BIBLARTE – Uma livraria com mais de cem anos e muita história

A Biblarte começou por ser uma empresa individual dedicada a livros e antiguidades. Pouco tempo depois nasceu a Leiria & Nascimento e, mais tarde, a loja foi para Eliezer Kamenesky, um russo que entrou em filmes como «O pátio das cantigas» e «O pai tirano». Amigo de Fernando Pessoa, publicou em 1932 o livro «Alma errante» com prefácio do mesmo Fernando Pessoa que aqui vinha pelas tardes dormir a sesta, ler jornais, ver livros e conversar. Há nas paredes da Biblarte restos de anotações e desenhos de Pessoa, ele próprio. Em 1985 o ministro da Justiça (Mário Raposo) assina em 15-7 o decreto que expropria por utilidade pública a Biblarte. Publicado em 2-8 no jornal oficial, o decreto exige a saída imediata mas pelos vistos ninguém tinha percebido que a livraria tinha mais de cem mil volumes, fornecia e fornece importantes bibliotecas de Universidades e tinha clientes como Mário Soares, Raúl Rego, Pina Martins e Oliveira Marques. Depois de uma campanha nos jornais em 8-10 o ministro da justiça dá o dito por não dito e o decreto é revogado. Ernesto Martins resolve ser grato à sua maneira: faz em 1986 no Porto (Litografia Nacional) uma edição anastática da sua edição de «Os Lusíadas» de 1584, dita dos Piscos, que ofereceu a todos os participantes do abaixo-assinado. Foram oito mil contos muito bem empregues.

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Toma mensal

Pharmácias

As Ruínas Circulares
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BdE II (RIP)
de vagares...(RIP)
A invenção de Morel
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Farmácias de Serviço

 

100 nada
31 da Armada
A aba de Heisenberg
Abrupto
O Acidental (RIP)
Adufe.pt
A Gaveta do Paulo
Agridoce
Alexandre Soares Silva
Almocreve das Petas
Amor e Ócio
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Arrastão
As Ruínas Circulares
Atlântico
Avatares de um desejo
O Avesso do Avesso
Babilônia
Babugem
Bada Bing!
Bandeira ao Vento
Barnabé (RIP)
a barriga de um arquitecto
Beco das Imagens
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Bomba Inteligente
Bombyx mori
Bonfim
Blogue dos Marretas
Blogo Social Português
Cabra de Serviço
Caderno de Verão
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A causa foi modificada
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Complexidade e Contradição
Confissão do Silêncio
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