Todos os artigos de Valupi

Dominguice

A desorganização procura a organização. A organização provoca a desorganização. Daí o movimento. E, por causa do movimento, o tempo. O tempo é a alteração do espaço através do movimento. O trânsito constante entre organização e desorganização.

Aceitar que só somos por sermos ambos, uma organização desorganizada e/ou uma desorganização organizada, é refresco.

Exactissimamente

«Dizer que, já nos anos 90 do século XX, se lidou com manifestas situações de crime sexual por parte de padres de acordo com as regras vigentes à época não só é um exemplo de cinismo inacreditável - é também um sinal de que aqui, como noutros países, e sem espanto, há seguramente uma realidade encoberta e vasta, só menos evidente e chocante porque provavelmente mais consentida e integrada socialmente, num contexto em que a espiritualidade católica não tem concorrência e se confundiu durante séculos, para tantos ou quase todos, com a possibilidade de alguma educação e de superação da pobreza extrema, para além do cumprimento exigido dos deveres sociais da época.»


O que é que não se percebe na palavra “abuso”?

Estado da direita: coitadinho do Ventura, cuidado com o Santos Silva

A direita (com a única excepção que conheço já aqui assinalada) não suportou ver Augusto Santos Silva a defender a Constituição e a moral da Assembleia da República perante o enésimo apelo à violência demente por Ventura. Como se vê no vídeo, o que a direita partidária e mediática pretende é que se faça silêncio à volta do Chega, que não se confronte o seu racismo, a sua xenofobia, o seu culto de um regime policial e ditatorial. Porquê? Porque assim a direita ganha com o que o Chega espalha na sociedade: completa alienação face às instituições da República e à lógica e factos da administração pública e actos governativos, a qual atrai grupos sociais cognitiva e intelectualmente miseráveis. Pretendem que essa deturpação inane consiga gerar uma maioria parlamentar, tal como aconteceu nos Açores, daí atacarem quem se defende – e nos defende, como é seu dever – da retórica desse ódio bronco que Ventura exibe como única agenda. É exactamente a mesma postura que têm em relação à Cofina, em que recolhem os proveitos do veneno que o esgoto a céu aberto injecta persecutória e criminosamente na opinião pública contra o PS.

Vale tudo na decadência. É por isso que a decadência é decadente.

A invenção de Passos Coelho ameaça agredir alguém no Parlamento

«Sobre os trabalhos do Parlamento, o líder do Chega considerou que o ambiente "está muito tenso" e alertou que "é real" a possibilidade de "um escalar de conflito físico, verbal e político".

O presidente do partido de extrema-direita salientou que "ninguém quer ver no parlamento situações como já vimos noutros países do mundo, em que há deputados desentendidos uns com os outros, quase à batatada no hemiciclo".»


Fonte

Revolution through evolution

Women urged to eat potassium-rich foods to improve their heart health
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First trial to prove a diet supplement can prevent hereditary cancer
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Cocoa shown to reduce blood pressure and arterial stiffness in real-life study
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Vitamin B5 May Help Weight Loss by Turning on Brown Fat
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Low to moderate levels of stress may help build resilience while reducing risk of mental illness
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New Study Pinpoints How Much Exercise We Need to Live Longer
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2 Ways to Overcome the Awkwardness of Offering Condolences
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Lapidar

«Um deputado faz um discurso abertamente racista e xenófobo em pleno Parlamento, algo que nunca se tinha ouvido naquele local em quase 50 anos de democracia e que duvido tenha sido feito mesmo durante a ditadura. Insulta a Constituição e põe em causa os mais fundamentais pilares do nosso regime na Assembleia da República.

O que é que ocupa páginas e páginas de opinião, é falado em programas de debate, berrado nas redes sociais ou notícia nas televisões e rádios? A intervenção do presidente da Assembleia da República comentando o líder do Chega.

Se quisesse focar-me em atitudes laterais e não me concentrar naquele discurso abjeto de Ventura, diria que vergonhoso foi o silêncio da bancada do PSD após a intervenção do presidente da Assembleia da República.»

Pedro Marques Lopes

Montenegro na República dos Bananas

«O líder do PSD, que foi anunciado como "o próximo primeiro-ministro", e que ao chegar à Herdade do Chão da Lagoa disse estar "na maior festa partidária que se realiza em Portugal", traçou um retrato síntese do "socialismo": com António Guterres foi "um pântano", com José Sócrates veio a "bancarrota" e com Costa, que "esteve em todas", Portugal é "um dos [países] mais pobres da Europa".

[...]

E há 44 anos, Miguel Albuquerque sublinhou, que está tudo "muito bem clarificado (...) de um lado os autonomistas e, do outro, os socialistas ao serviço do centralismo de Lisboa".

E por fim, como "não há almoços grátis em política", Albuquerque dirigindo-se ao líder do PSD disse que a Madeira quer ser "determinante" nas próximas legislativas (...) vencer os socialistas, colonialistas na Madeira e dar a primeira vitória a Luís Montenegro para governar com maioria absoluta (...) connosco não há meias tintas. Não há conversa fiada".

A intervenção terminou com Miguel Albuquerque ao piano a tocar e a entoar o hino da "independência": "Madeira és livre e livre serás..."»


O “socialismo colonialista” dos “cavalheiros de Lisboa” será “destruído”

Revolution through evolution

Feminism May Lead to Better Body Image
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Verbal Insults Trigger a ‘Mini Slap to the Face’, Finds New Research
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Vitamin B6 supplements could reduce anxiety and depression
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Cooperation among strangers has increased since the 1950s
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Paper wasps form abstract concept of ‘same’ and ‘different’
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Why you should ditch table manners and eat with your mouth open
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What Harry Potter can (and can’t) teach us about economics
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Dominguice

Precisamos de falar a mesma língua para comunicarmos uns com os outros. Desde a infância que o conseguimos fazer, e cada vez melhor até um certo ponto de crescimento. A partir desse ponto, imprevisível, só o domínio da língua comum não chega para a nossa necessidade de comunhão. Precisamos, então, de aprender a falar as mesmas palavras. Saber o que o outro quer realmente dizer quando usa “vou”, “medo”, “amor”. Saber que o outro sabe o que quero realmente dizer quando uso “quero”, “triste”, “liberdade”.

Não há escolas de palavras. Quase nunca temos tradutores à borla que nos possam valer. Daí se acabar, eventualmente, por ter de recorrer aos serviços dos psicólogos, dos advogados, dos polícias. Péssimos serviços apesar de bem intencionados e úteis. Simulacros de tradução das palavras que somos.

Exactissimamente

«Um partido político, o Chega, apresentou no parlamento um projeto de lei para aumentar a pena máxima de prisão aplicável ao homicídio para 65 anos e estabelecendo um limite mínimo de 25 anos, havendo circunstâncias que revelem especial censurabilidade ou perversidade. O projeto de lei foi entretanto recusado pela Assembleia da República, tendo os demais partidos com assento parlamentar entendido que se estava perante um cenário de inconstitucionalidade, não sendo sequer a proposta admitida a discussão.

[...]

O problema é que, como acontece tantas vezes, o que parece verdade ou simplesmente plausível não o é. O crime de homicídio é daqueles que tem a menor taxa de reincidência (alguns estudos apontam para 0,3%). E a dureza ou a duração das penas não tem efeito sobre a criminalidade registada (o caso dos Estados Unidos da América é paradigmático, onde alguns autores falam de uma "criminalidade violenta endémica" e sendo até das poucas democracias no mundo que aplica a pena de morte).

Por exemplo, os dados do Eurostat indicam que em 2020 terá havido 81 homicídios "intencionais" em Portugal. Alguns países europeus, com uma população equivalente e onde até há a possibilidade de aplicação de uma pena de prisão perpétua, comparam-se assim: 124 na Suécia, 121 na Holanda, 142 na Bélgica...

[...]

Pode até perceber-se que o Parlamento rejeite liminarmente a discussão do tema, mas provavelmente não o deveria fazer. As propostas populistas, irracionais e injustificadas tornam-se rapidamente no que são quando confrontadas com factos, números e com a explicação porque são relevantes e como funcionam os valores de Estado. André Ventura pode até ganhar alguns votos com os seus 65 anos de prisão, mas Portugal não ganha absolutamente nada com isso. E perderia muito.»


Porque a justiça é sempre preferível à vingança

Empatia para Montenegro

Ao assistir à entrevista a Luís Montenegro, dei por mim a concordar com o que sempre achei dele: eis aqui um tipo simpático, bonacheirão, com quem deve ser impecável estar na comezaina e na copofonia. E deste assentimento confirmado saltei para um estado de empatia. Sentia que conseguia sentir o que ele sentia acerca de si próprio ao ser apertado pelo excelente Paulo Magalhães. Foi assim que fiquei a saber, graças à magia da empatia, que o Montenegro sabe que mesmo nos seus melhores dias não passa de um político inane, merdolas.

O futuro da direita não decadente precisa da lhaneza e virtude de Moreira da Silva ou similares. Isto para começo da conversa.

Quando não existe linha alguma é impossível ultrapassá-la, tem razão

«O presidente da região autónoma dos Açores, José Manuel Bolieiro, considera que o novo presidente do PSD, Luís Montenegro, não deve ter linhas vermelhas em relação ao Chega, dando a sua própria solução governativa — um governo de coligação PSD-PPM-CDS, com um acordo de incidência parlamentar com a Iniciativa Liberal e o Chega.»

Fonte

«"Já tive ocasião de dizer que não há nenhuma violação dos princípios e valores do PSD com a formalização e execução desse acordo", afirmou aos jornalistas, após o encerramento do congresso do PSD/Açores, em Ponta Delgada.

Questionado pelas suas declarações a 03 de julho, quando disse no congresso nacional que o partido "nunca" se vai associar a "qualquer política xenófoba ou racista", Montenegro reiterou que o acordo nos Açores não viola os princípios do PSD.

"Nós nunca ultrapassaremos a linha dos nossos princípios e dos nossos valores. Portanto, como isso aqui [nos Açores] não aconteceu, nem é sequer tema", assinalou.»

Fonte