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O que querem os homens?

Num ano sem eleições presidenciais na fabulosa e hollywoodesca América, a October surprise foi protagonizada pelas mulheres que denunciaram a conduta sexual de Harvey Weinstein. O próprio reconheceu a veracidade dos relatos, iniciando-se com a queda desse gigante da indústria cinematográfica uma avalanche de casos similares envolvendo outras figuras dos meandros do espectáculo. Corrente que não se sabe quando nem onde irá parar. Aliás, a dimensão do fenómeno é tal que a perspectiva de se descobrirem “oficialmente” os “podres” da maioria das estrelas consagradas seja qual for a sua área de actividade profissional, obrigando ao seu ostracismo e ao apagamento da sua memória, já não surge como um cenário de desvairada ficção à luz do que se está a fazer com Weinstein e Kevin Spacey.

Estamos a assistir a um momento de mudança de paradigma? Foda-se, claro que sim. Basta analisar o caso inicial, o qual era do conhecimento generalizado do meio durante décadas e que só foi denunciado no final de 2017 – apesar de tantas mulheres, e tão poderosas no seu estatuto e recursos financeiros, terem sido vítimas ou saberem dos abusos. Apenas uma coerção social tácita, nascida de um calculismo dominante, explica o prolongamento e extensão dos actos de alguém tão exposto pela sua notoriedade e descontrolo. Portanto, independentemente do imprevisível desfecho judicial e das voláteis convulsões morais, a dimensão social parece suficientemente alterada para levar a uma mudança cultural.

Seguir-se-á uma nova era, sendo que por agora a sexualidade masculina é o novíssimo continente desconhecido. Como se pode constatar neste artigo – Why men use masturbation to harass women – os especialistas consultados não fazem sequer a mínima ideia do que poderá estar a gerar comportamentos como os atribuídos ao hilariante Louis C. K. Porém, a resposta encontra-se à vista dos curiosos, basta assistir aos seus números em palco para tropeçar em conteúdos retintamente pessoais. E pode-se logo agarrar numa primeira questão: será possível separar a qualidade do seu humor, a eficácia dos seus quadros teatrais, do drama em gente onde o material criativo é arrancado da sua privacidade? Teremos de inverter a vexata questio freudiana, “O que querem as mulheres?”, e darmos atenção a estoutra, potencialmente ainda mais enigmática, “O que querem, afinal, os homens famosos e poderosos que batem pívias à frente do mulherio?”

Todos os homens são sexualmente predadores. Se não o forem, algo de errado se estará a passar. Não há moral nesta realidade, apenas biologia. Uma mulher não poderá jamais saber em que consiste esse estado – ou seja, a mulher não sabe o que é ter “tesão” – tal como um homem não poderá jamais saber o que seja ter o período ou estar grávido. Assim, as mulheres não compreendem o desejo masculino, embora se adaptem com maior ou menor facilidade a ele. Igualmente, os homens não entendem o desejo feminino, e, acima e antes de tudo, não concebem que a mulher possa ter uma radicalmente diferente motivação e dinâmica sexual. Era aqui que o tio Freud patinava, projectando na fêmea o seu masculino e, portanto, redutor e erróneo entendimento do que seja a experiência feminina. Este estado predatório nos homens não é uma escolha, antes uma condição que a biologia e a cultura têm ambas reforçado. O falocentrismo que origina nasce tanto da exterioridade anatómica do pénis como da procura das recompensas químicas geradas nos cérebros masculinos com a fácil ejaculação e, por fim, cristaliza-se numa celebração simbólica inserida numa “luta de géneros” muito parecida com uma luta de classes.

Há uma história imensa por contar. É a história do homem como sexo fraco. E ridículo. Por isso, violento. Por isso, violentador por exigência mecânica. E tão periclitante e efémero na sua erecção sempre triunfal. Que seria deste mundo se as mulheres contassem tudo o que sabem desses seres a quem suportam a fragilidade logo na família, tantas vezes, e ao longo de toda a vida, invariavelmente? Elas ainda não estão capazes de contar o que testemunham directa e indirectamente. Na família, nos amigos, nas festas, no emprego, nas férias, nos consultórios, nas saídas, nas conversas, nos quartos. Mas tinha de se começar por algum lado. Começou-se por um celebérrimo ogre. Só que esse, paradoxalmente, era um alvo fácil. Venham os mais difíceis, os ogres que as mulheres amam. Os ogres que as mulheres perdoam. Os ogres que as mulheres protegem.

Há jornalistas mas não temos imprensa em Portugal

Depois da leitura deste texto – Sócrates: quem ficou refém de quem – do episodicamente interessante João Pedro Henriques, gostava que o autor arranjasse uns minutos para responder às seguintes perguntas:

– Qual é o problema de se ter acrescentado no contrato a norma relativa aos 149 milhões de euros? Essa inclusão foi ilegal? Tem a certeza de que o consórcio ELOS não gastou dinheiro, nesse valor ou aproximado ou superior, em preparação da obra numa fase prévia ao do visto do Tribunal de Contas?

– Admitindo que JPH é um jornalista conhecedor dos processos relativos a essa adjudicação, estará em condições de explicar qual a relação de algum membro do Governo de então, e para essa decisão específica, com esse júri na berlinda? Se está, porque não incluiu no seu texto essa causalidade? Se não está, como se atreve a estabelecer um nexo difamatório e calunioso?

– Supondo que JPH é um jornalista na posse de todas as suas faculdades mentais e direitos inerentes à sua carteira profissional, que explicação dá para não se ter constituído arguido no “Processo Marquês” qualquer outro elemento do Executivo de Sócrates nem qualquer outro elemento do júri a quem atribui a entrega de 149 milhões de euros a entidades que os meteram ao bolso “sem construir um centímetro de linha”? Não tendo, não achará necessário ir à procura dessa explicação recorrendo à sua autoridade profissional e demais recursos da empresa onde trabalha? Ou também partilha da convicção de que Sócrates, talvez por telepatia ou artes mágicas, levou o júri a dar essa montanha de dinheiro aos bandidos?

– Crendo que JPH é não só um jornalista maturo e reputado (escreve num órgão da chamada “imprensa de referência”) como também um cidadão decente e preocupado com a qualidade da Justiça, donde lhe vem a baixeza de estar a falar em modo justiceiro de taberna sobre factos colados com cuspo e que não fazem qualquer sentido assim que se dissipa a fumarada da pulsão linchadora? Ou, então, que sentido achará que faz opinar sobre suspeitas de corrupção que atingem tantas empresas e indivíduos sem ter prova de coisa alguma mas feliz da vida por ter ocasião de teclar a sua impotência e paranóia?

Estes textos de “opinião”, de jornalistas com décadas de profissão e ocupando lugares de grande destaque mediático, onde se repete o discurso taxista do “andam todos a roubar”, não se limitam a espelhar o mundo subjectivo dos seus autores. São igualmente, por inerência sociológica, o retrato de uma classe mediaticamente inútil e civicamente tóxica – salvo honrosas excepções.

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It’s mathematically impossible to beat aging, scientists say
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Do animals think rationally?
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Horses can read our body language even when they don’t know us
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Oscar da hipocrisia para a Netflix

Será que a Netflix não vê as próprias séries que encomenda? Acaso Kevin Spacey não andou desde o primeiro episódio de House of Cards a exibir em frente às câmaras o monstro de perfídia que é, onde se inclui a oculta paneleiragem e um extenso rol de crimes ao longo de 6 temporadas? Porquê só agora a reacção?

A moca de pregos do Chico Mota

Francisco Teixeira da Mota teve recentemente ocasião de publicar o seu entusiasmo pela existência de uma acusação contra Sócrates, a qual antecipa ir gerar condenações porque os “circuitos do dinheiro” chegam e sobram para engaiolar a bandidagem, é limpinho. Logo de seguida, expôs o seu êxtase resultante do excelente trabalho que o Correio da Manhã fez na recolha dos sinais exteriores da corrupção socrática, o qual carimba como jornalismo exemplar. Hoje, junta-se ao coro dos que pretendem que os juízes portugueses se dêem ao respeito e ponham na ordem Neto de Moura, um juiz cujos fundamentos para atenuar uma pena por violência sobre uma mulher causaram justo escândalo – a decisão e os fundamentos.

Que têm estes três artigos em comum? A temática das decisões judiciais e dos direitos dos arguidos e das vítimas de crime, para começar. E o Chico Mota e o jornal Público, para acabar ou recomeçar. Ficamos a saber que há juízes que não podem mijar fora do penico calhando a matéria envolver mulheres como vítimas de homens. Algo que não oferece dificuldade de maior para perceber e aceitar. Todavia, se um juiz apanhar certos arguidos envolvidos em suspeitas de corrupção, então não só pode fazer o que lhe der na gana como até deverá facilitar práticas criminosas que facilitem a condenação na opinião pública do arguido, haja ou não haja condenação em tribunal. O Chico não identifica qual seja a origem na sua pessoa da vigência do duplo critério, mas desconfio que não valha o gasto de calorias para dela tomar conhecimento.

O seu caso é apenas um de uma enorme maioria na imprensa dita de referência. Em colunas e espaços de opinião, de forma festiva, e nas linhas editoriais, de forma tácita, celebra-se o triunfo da imediata condenação de Sócrates num auto-de-fé jubilatório. Os abusos e crimes da Justiça, de que Sócrates é factual vítima, são silenciados, ou justificados ou aplaudidos. E até o espectáculo de vermos um juiz de instrução a dar uma entrevista onde goza com um arguido, sobre o qual tinha já tomado decisões judicias e outras mais teria de tomar, foi desfrutado com prazer infinito pela turba do linchamento. Carlos Alexandre, na entrevista à SIC, esforçou-se – ao ponto de repetir as alusões – em publicitar a sua convicção da culpabilidade de um cidadão na altura sem sequer ter acusação formada. Pelos vistos, e tal como os seus pares e demais decisores deliberaram, tal não chegou para pôr em causa as suas condições para ser “imparcial”, para “fazer justiça”. Uma justiça, portanto, feita pelas próprias mãos. Umas mãos isentas, limpas, probas, nascidas para apanhar a malandragem dos políticos e ricalhaços corruptos, como teve demorados minutos a explicar com detalhe biográfico ao povo.

A violência do Chico Mota ao usar o seu palco na comunicação social, e o seu estatuto de jurista, para se substituir à Justiça não é menor do que aquela que marido e amante exerceram com uma moca de pregos sobre uma mulher a partir da entusiasmada e extasiante convicção de culpabilidade desses dois valentes.

Imposto Passos Coelho

Desde o início de 2013 que os jogos sociais são taxados com um imposto de selo de 20% quando os montantes a distribuir forem iguais ou superiores a 5000 euros. Na altura, esta medida foi justificada com o estado de extrema carência em que as finanças públicas se encontravam. Era preciso ir ao bolso de todos, inclusive daqueles que já contribuíam para o Estado e, principalmente, para a Misericórdia ao comprarem o jogo na esperança de receberem as migalhas redistribuídas. Este saque pode não ter qualquer importância política, no sentido de nenhum partido se ter lembrado ainda de prometer acabar com ele, nem social, podendo não gerar sequer conversas de protesto. Todavia, a sua criação e a sua manutenção revelam algo acerca dos abusos do Estado, da incúria dos políticos e da passividade dos cidadãos.

Apesar de termos visto a Troika a bazar envolta em perfume de santidade, e de termos um novo Governo que prometeu e cumpriu inverter a lógica predadora da austeridade, esta aberração tem ficado. Provavelmente (mas corrijam-me se estiver enganado), o próximo Orçamento não irá dar-lhe o chuto que merece. Se for o caso, e se a ideia for a de manter o estúpido e mesquinho abuso para sempre, proponho que se passe a identificá-la como o “Imposto Passos Coelho”.

Seria uma bonita homenagem ao seu principal responsável e um justo monumento de evocação a esse tempo onde valeu tudo para castigar os piegas.

Marcelo imitador de Cavaco

Marcelo, nos sermões dominicais e ao longo de anos, foi repetindo com exuberante gozo que Sócrates nada podia contra Cavaco porque um primeiro-ministro está condenado a perder quando ataca o Presidente da República. E assim foi, tendo Cavaco sido reeleito apesar de ter lançado, explorado e defendido uma golpada mediática a partir da Casa Civil para tentar influenciar as eleições legislativas de 2009. Não há registo de que Marcelo tenha criticado Cavaco nesse episódio, nem aí nem nas restantes ocasiões em que desse vergonhoso Presidente da República veio um concertado esforço para fragilizar o Governo e o PS, favorecendo às escâncaras o PSD de Ferreira Leite, primeiro, e o de Passos, por fim, num processo que afundou Portugal no resgate em 2011 e em 4 anos de uma violenta e eleitoralmente ilegítima tentativa de reengenharia social a coberto da Troika. A visão de Marcelo sobre Cavaco foi tecnicamente maquiavélica, vendo na sua acção aquilo que devia ser feito precisamente porque a sua posição na hierarquia do Estado lhe dava impunidade para tal. A Constituição, a moral republicana e o respeito institucional? Balelas para agitar em frente ao Zé Povinho, ensinava Marcelo com o seu riso sardónico. O príncipe que tente ser bonzinho, e jogue ao poder respeitando as regras a que os ingénuos dão valor, será cuspido pela janela do palácio enquanto o Diabo esfrega a pestana.

O que Cavaco fez a Sócrates foi não só muito diferente como de outra ordem por comparação com o que Soares fez a Cavaco. Soares Presidente fez oposição a Cavaco primeiro-ministro também às claras, só que mantendo a dignidade do cargo, sendo decente na luta política e não tendo violado a Constituição. Por aí, a arquitectura do regime funcionou perfeitamente num sistema que permite ao Chefe de Estado reequilibrar a representatividade política calhando o Chefe de Governo estar a ultrapassar certos limites sociológicos. A “Presidência Aberta” de Soares consistiu na utilização do seu capital divulgador para introduzir no espaço público e na arena política uma realidade social que estava escondida pela maioria parlamentar e pelo Executivo laranja. Nesse sentido, foi um confronto leal e de acordo com o interesse da comunidade. Já Cavaco Presidente optou pela via conspiracionista e golpista para liderar a oposição a Sócrates. A estratégia do “Falar verdade ao portugueses” e da “Política de Verdade”, um tandem entre Belém e o PSD de Ferreira Leite, alimentava-se e promovia as campanhas negras que tentavam assassinar o carácter de Sócrates e de qualquer outro dos seus próximos, fossem políticos ou familiares. Falhando esse plano, e apesar do golpismo judicial-mediático do processo “Face Oculta” e da “Inventona de Belém”, Cavaco ofereceu o poder a Passos logo depois de garantida a sua reeleição. Fê-lo escavacando o interesse nacional que o PEC IV salvaguardava e partindo para um mandato onde foi cúmplice activo dos abusos constitucionais e da fúria castigadora de Passos e Portas. Cavaco é recordista dos índices mais baixos de popularidade para um Presidente da República em democracia. Abandonou as funções consumido pelo rancor e mergulhado numa hipocrisia sem fundo conhecido.

Marcelo teve no seu primeiro ano e meio de mandato a supina oportunidade para se demarcar do legado do seu antecessor. Se bem o pensou, melhor o fez. O seu longo treino na televisão, onde ascendeu rapidamente ao estatuto de super-estrela pelos seus dotes comunicacionais e relevância do seu pensamento, aliado à sua personalidade extrovertida e calorosa, foram um contraste chocante face à imagem de ressabiamento e fixação anal espalhada por Cavaco. Para além das diferenças de estilo, as diferenças de sentido de Estado e visão política foram igual ou ainda mais chocantes, revelando-se intransigente na defesa do interesse nacional ao lado do Governo; para crescente desespero da actual direita decadente que apenas pretendia ter um líder sectário na Presidência. Choques positivos, construtivos, fontes de confiança nas instituições e de reconciliação com a classe política – e parte inerente do sucesso registado até agora na economia nacional e na mudança de paradigma no trato dos portugueses e dos serviços públicos que os servem. Símbolo trivial desta nova cultura política nascida da mudança de actores no topo do Estado, há 10 meses Marcelo elegeu o termo “descrispação” como palavra do ano. E daqui saltamos para o seu número de 17 de Outubro.

Hoje sabemos que Marcelo traiu o Governo e foi oportunista, cínico e manipulador como nunca antes tínhamos visto na política nacional dada a sofisticação e eficácia da sua performance tendo duas devastadoras tragédias a comporem o cenário. Transformou sem a menor hesitação os mortos em arma de arremesso político, exactamente como se fez no PSD, CDS e comunicação social desde Pedrógão. Todos os que o aplaudiram, vendo nas suas palavras o exercício da função presidencial elevada ao mais brilhante sentido de missão unificadora, têm agora de questionar o seu próprio discernimento. Porque aquele ataque ao Governo, ao primeiro-ministro e à pessoa de Constança Urbano de Sousa não teve qualquer outra finalidade que não fosse a de encenar uma liturgia onde podia fazer as pazes com a direita e agregar a comoção nacional no culto da sua pessoa. Não era necessário para nada de útil que tivesse relação com os fogos e sua devastação, foi um ataque escolhido para maximizar as circunstâncias de fragilidade – ou tipologia – comunicacional de Costa. Situação agravada pela crispação que Marcelo se encarregou de alimentar pessoalmente ao começar a responder às notícias da demorada reacção defensiva do Governo e do PS, e dando carta branca para que a sua Casa Civil igualmente lançasse mais gasolina no fogaréu da crispação com declarações provocatórias e soberbas. E isto leva-nos de volta a Cavaco.

Marcelo continua convencido de que poderá desequilibrar o regime a seu favor, tanto pela configuração do mesmo como pela sua habilidade popular, mas igualmente poderá estar desatento em relação ao seguinte fenómeno: com Cavaco, a figura de Presidente da República ficou conspurcada e perdeu o prestígio que tivera antes do Aníbal ter ido para Belém perverter o combate político. A profundidade desta perda de autoridade, a qual não carecia de actores e seus espectáculos para existir (Eanes e Sampaio foram a antítese da política-espectáculo, e Soares era um animal político sem carência de artifícios), poderá reservar a Marcelo uma das maiores surpresas da sua vida política caso Costa e o PS tenham a coragem, e a inteligência, de levarem a luta política contra a direita para o mais inesperado dos terrenos. Esse mesmo onde Marcelo se imagina num castelo inexpugnável com o povo em romaria à espera do beijinho, do abracinho e da palavrinha.

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The Problem with Being Pretty
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Professor Charts Digital Plan to Fight Domestic Violence
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Daydreaming is good: It means you’re smart
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​Teams Work Better with a Little Help From Your Friends
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A Placebo Sport Supplement Improves Performance When Athletes Intend to Use it
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Is Exercise Medicine?
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Stress, Reward & a Few Surprises Found in Poll of Those Who Take Care of Loved Ones with Dementia
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Perguntas simples

Quanta e quão fria racionalidade é necessário ter para conseguir explorar politicamente mortos, feridos e bens perdidos tragicamente – num dos mais sofisticados exercícios de manipulação emocional e afectiva que alguma vez vimos um Presidente da República a fazer?

Exactissimamente

«[...]

Mal refeitos do trauma dos incêndios, uma sentença de um tribunal superior confronta-nos com outro setor desprezado pelos políticos, entregue a uma autogestão à margem de qualquer escrutínio e à mercê de preconceitos que se sobrepõem ao império da lei. Dirão alguns que dois juízes não representam a Justiça e um acórdão não faz jurisprudência. Está enganado quem assim pensa.

O sistema de justiça não dá confiança aos cidadãos e às empresas, como está comprovado por todos os estudos conhecidos que recolhem e avaliam as opiniões dos cidadãos.

E o problema não está nas leis, está numa organização que funciona em autarcia, fechada sobre si própria, em regime de irresponsabilidade. Quando o órgão competente para a "nomeação, colocação, transferência e promoção dos Juízes (...) e o exercício da ação disciplinar" (artigo 217.º da Constituição da República Portuguesa) se declara impotente para agir perante decisões de juízes que citam a Bíblia para desculpar ou atenuar a culpa de agressores de mulheres, sob o pretexto de salvaguardar a sacrossanta independência dos magistrados, estamos, aqui também, perante o falhanço do Estado em proteger pessoas indefesas. Com a agravante de que, neste caso, o poder político diz que nos temas da justiça não se mete! Ou seja, não temos defesa perante os abusos de um dos mais poderosos poderes (passe o pleonasmo) do Estado.

Como sou advogado, com uma carreira já muito longa, acrescento que conheci e conheço muitos juízes e juízas que não se reveem nestes comportamentos, que são pessoas inteligentes, competentes e sensatas. Mas custa-me não ouvir uma única voz, nem dos sindicatos que os representam, a criticar comportamentos que deveriam envergonhar-nos a todos.»


Daniel Proença de Carvalho

As notícias da revolução Cristas talvez tenham sido um bocadinho exageradas

Assunção Cristas e Teresa Leal Coelho chegaram de lugares muito diferentes à campanha eleitoral autárquica e saíram dela em direcções opostas. Assunção quis usar Lisboa como trampolim no seu processo de afirmação na chefia do CDS, dispondo de recursos financeiros para fazer brilharetes mediáticos. Teresa aceitou ser a última e desesperada escolha de Passos, tendo como missão marcar presença e despachar a coisa gastando apenas uns tostões. A primeira teve um sucesso estrondoso, saindo aclamada pela comunicação social e elevada ao título de líder provisória da oposição dada a demissão do Pedro. A segunda teve uma derrota estrondosa, saindo esmagada por um resultado histórico pelas piores razões para a sua imagem como candidata e para o destino político de Passos. Todavia, partilhavam três características: serem mulheres, serem de direita e terem personalidades públicas marcadas pela projecção de assertividade belicosa.

Aquilo que as fazia equivalentes foi também, em parte decisiva ou relevante, o que acabou por causar o surpreendente lugar e a castigadora distância a que ficaram. Para um eleitorado à direita que não queria a vitória de nenhuma, e que esperava com agrado a vitória de Medina, a motivação para escolherem entre as duas esvaziou-se de apelo ideológico e interesse prático. Transformou-se num concurso de simpatia. E aí a fotogenia, entusiasmo e material de campanha de Cristas eram muitíssimo superiores aos de Leal Coelho. Também não ajudou a estratégia de Passos (isto é, a falta de estratégia do PSD), obsessivamente ocupado no exercício de baixa política.

Os comentadores comentam. O comentário político é feito a quente e destina-se a ser esquecido no minuto seguinte. Há uma constante necessidade de inventar assunto e apostar; sendo que os comentadores profissionais apenas apostam nas suas próprias previsões, são poupadinhos. Então, no rescaldo das eleições autárquicas, vários começaram a apostar em Cristas. Raios, a mulher até tinha eclipsado Portas num escrutínio idêntico, não estaríamos em vias de assistir à primeira revolução partidária na direita portuguesa? Ora, a presidente do CDS tem qualidades, mérito e potencial genéricos, como se reconhece desde que se filiou no CDS em 2007. Mas basta recordar como entrou na campanha eleitoral autárquica a prometer 20 novas estações de Metro – algo que, se tivesse aparecido antes na boca de algum socialista, a teria levado imediatamente a disparar os canhões contra alvo tão fácil de atingir – para darmos de caras com uma sua crucial fraqueza: quer imitar os rapazes, e, para piorar, está a tentar imitar os rapazes maus.

Os rapazes maus são aqueles que apenas querem o poder pelo poder. Têm um discurso para cada ocasião, sendo no fundo o mesmo: os outros não prestam. Apostam no esquecimento, na voragem mediática e nas paixões políticas para se protegerem de serem apanhados como os inveterados medíocres e hipócritas que são. Não será um mercado nadinha de nada fácil para Assunção Cristas, como o próximo líder do PSD lhe irá mostrar nas primeiras 24 horas da sua presidência.

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Learning and staying in shape key to longer lifespan, study finds
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How we determine who’s to blame
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Want to control your dreams? Here’s how you can
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What training exercise boosts brain power best? New research finds out
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Filling the early universe with knots can explain why the world is three-dimensional
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The best hedge fund managers are not psychopaths or narcissists, according to new study
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Giving a Voice to Mental Illness
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Temos um homicida à frente do Governo, diz o CDS

“Costa tem cometido erros políticos que custaram vidas”


“cabe ao PCP, PS e BE avaliarem se a morte de 100 pessoas é grave”

Nuno Magalhães, presidente do Grupo Parlamentar do CDS

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Que tenha reparado, socialistas e comunistas optaram por ignorar esta vil ofensa desta muito importante e muito representativa figura do CDS. Apenas o BE reagiu – Bloco acusa CDS de afirmações “obscenas” – e apenas em relação à declaração onde aparecia visado. É curto, é estranho, é mau.

Desde Pedrógão, a que se juntou Tancos, que PSD, CDS e comunicação social alinhada (por militância, oportunidade ou coincidência) exploram com intuito político e sensacionalista qualquer acontecimento que possa parecer negativo para o Governo e para o PS. Por várias e óbvias e universais razões, esse fenómeno é inevitável. Porque começa por ser incontrolável, nascendo de uma pulsão agressiva que é inerente ao conflito político. Havendo mortes e ameaças à segurança nacional, ainda mais intensa fica a pulsão para tentar aniquilar os adversários com golpes letais. Nas democracias e nos Estados de direito, tal faz-se não com armas que danifiquem tecidos e o funcionamento de órgãos corporais mas com palavras que intentam destruir a reputação dos adversários. Geralmente são insultos, com frequência no Portugal dos últimos 10 anos são calúnias relativas a corrupção, e até, estamos agora a descobrir quando Nuno Magalhães atribui a António Costa a responsabilidade directa pelas mortes nos fogos de 2017, podem tomar a forma de acusações de homicídio.

Também que tenha reparado, o líder parlamentar do CDS não se retractou, não contextualizou, não invocou ter sido mal citado ou mal compreendido, não pediu desculpas pelo que disse. Nem ninguém mais que associemos à direita partidária, mediática ou intelectual criticou sequer ao de leve e ao de longe às suas declarações. Porque concordam? Porque não repararam? Porque têm mais o que fazer? Creio que a resposta está na longa decadência da direita portuguesa, onde vemos políticos sem outra concepção da intervenção pública que não seja a de estar em permanente agonia pela conquista ou defesa do poder, e onde temos vedetas mediáticas direitolas, muitas com carteira de jornalista, que fazem da pulhice o seu ganha-pão pois há quem pague pelo que vão buscar aos seus medos e violência.

A direita portuguesa é neste momento um viveiro de indignidades ao mais alto nível partidário. Nuno Magalhães não é um solitário exemplo, é um exuberante sintoma.

Queremos respostas

Também tencionava escrever sobre as suspeitas de fogo posto na origem do que aconteceu no passado domingo, mas em boa hora a Penélope antecipou-se. Acrescento só que, por contraste com Pedrógão, não estamos em campanha eleitoral (i) e não é possível explorar alguma suposta falha operacional que atinja o Governo (ii). Foram essas as principais motivações para o PSD aparecer então com a ideia de uma comissão independente, a que se juntou a pressão tóxica dos jornalistas engajados e desenfreados, com isso promovendo e alimentando um clima de suspeições sobre a honorabilidade, e até legalidade, na conduta passada e futura dos governantes socialistas. Como é que o sabemos? Precisamente pelo que a Penélope realça, o facto de estarmos confrontados com perdas humanas equiparáveis (pese a irredutibilidade de cada vida perdida) mas com danos financeiros, económicos, patrimoniais, sociais e ecológicos muitíssimo superiores – e com suspeitas, que se estendem à Galiza, de crime organizado. Logo, obviamente, não faltam razões para, no mínimo, desfazer essas suspeitas que causam alarme público ou enfrentar com tolerância zero criminalidade tão grave. Pelos vistos, está a faltar a proximidade de umas eleições para ajudar os partidos a pensarem no interesse nacional.

O que nos leva para o PS e o Governo. Irão muito mal, ambos, se não explicarem como é que deixaram chegar o fim-de-semana passado sem terem lançado uma campanha nacional de contenção, vigilância e iminência de desastre. Algo tão simples como haver um número nacional para pedidos e envios de informação, juntamente com um mapa digital actualizado das zonas de incêndio, vias cortadas e operações de combate aos fogos e emergência médica. Outras questões se levantam em relação aos meios legalmente disponíveis nos bombeiros, combate aéreo aos incêndios e aos recursos policiais e militares que ficaram nos quartéis. Porque a chegada das temperaturas altíssimas, que já seriam altas no pico do Verão, com o efeito crescente de seca na vegetação, a que se junta a irresponsabilidade das queimadas e o facto de estarmos perante um sábado e um domingo propícios ao seu maior número, tudo isto não carece de especial inteligência para ser visto como um perigo excepcional a pedir medidas excepcionais. Porém, entrámos nesse fim-de-semana sem qualquer sinal de alarme público a não ser o dos números das previsões meteorológicas.

Queremos saber muita coisa. Quantas ignições de domingo começaram de noite e de madrugada? Quantas foram iniciadas por queimadas? Quem responde pelo estado anterior e destruição do Pinhal de Leiria? Quantas universidades portugueses colaboram com o Estado para a prevenção e combate aos fogos florestais? Quanto custa ter uma rede de aparelhos voadores (drones, balões, zeppelins) sem piloto para detecção automática de ignições e captação de provas policiais? Como criar nas populações rurais uma cultura de prevenção contra os incendiários? Qual a verdade sobre o negócio da madeira queimada? Estas e muitas mais, evidentemente. Muitas terão resposta nas medidas que serão tomadas já amanhã em conselho de ministros. Mas a da aparente incúria ao nível da informação ao público não é das menores e extravasa o estrito âmbito dos incêndios florestais.