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A CGD e a telepatia

O PSD, e muito bem, pretende que o Parlamento investigue até à última gota a CGD. Perante um inquérito parlamentar que não encontrou provas de pressões políticas sobre a Caixa, tendo os principais dirigentes do banco declarado sob juramento que sempre agiram sem condicionalismos dos diferentes Governos, os sociais-democratas estão em combate para que não se aprove as suas conclusões. Na berlinda está o levantamento do sigilo bancário da CGD, do Banco de Portugal e do Ministério das Finanças. A suspeita que justifica o interesse é da maior importância para a direita partidária e mediática, dizendo respeito a certos empréstimos, a certas pessoas, para certos negócios. É uma suspeita que tem sido explorada a outrance vai para 10 anos, coincidindo com a implosão do BCP por exclusiva responsabilidade de Jardim Gonçalves e do seu delfim, Paulo Teixeira Pinto. Ambos criaram uma situação de ruptura que abriu uma crise institucional no banco. Nesse contexto, diferentes accionistas aliaram-se para encontrar uma nova solução de gestão, e é neste âmbito que nasce a teoria da conspiração predilecta da oligarquia: Sócrates deu ordens à CGD para emprestar dinheiro àqueles que depois iriam conseguir controlar o BCP e meter Santos Ferreira e Vara no comando das operações. A teoria implica ainda que Sócrates dominava o BES e seu DDT. Ou então que era dominado pelo Ricardo, pois a teoria dá para os dois lados com igual eficácia argumentativa posto que nada tem de ser provado, sendo usada nas duas versões consoante as ocasiões e a direcção do vento. Mas o interesse da direita e seu império mediático não se esgota no BCP, pois qualquer empréstimo que possa ser associado, seja de que forma for, a Sócrates é alvo da suspeição máxima, quando não de certezas prévias às eventuais investigações. Existem milhares de declarações de políticos, directores de imprensa, jornalistas e comentadores em “órgãos de referência” a propagar estas ideias num qualquer grau ou modalidade. Se o PSD tiver razão, se os tais documentos em falta forem disponibilizados aos deputados e revelarem o esquema dos bandidos, ficaremos penhorados aos bravos da Lapa porque algo historicamente importante para a Justiça, a política, a sociedade, e até para a cultura, em Portugal terá acontecido ao apanharmos criminosos desse calibre.

Curiosamente, o PSD não pretende que se investigue até à ultima gota o caso do apagão no Fisco de 10 mil milhões de euros transferidos para paraísos fiscais. O que está em causa são transferências ocorridas em 2012, 2013 e 2014, exclusivamente do BES e Montepio nos três anos consecutivos – e correspondendo no caso do BES ao volume de 7917 milhões de euros omissos na base de dados. Perante a auditoria da Inspeção-geral de Finanças que concluiu pela inexistência de responsabilidade humana nessas anomalias, os sociais-democratas de imediato reclamaram que o Governo devia um pedido de desculpas a Passos Coelho, ao Governo anterior e ao PSD. No entanto, não é preciso ser técnico das finanças ou de informática para suspeitar que tamanha coincidência talvez seja mais improvável do que ganhar o Euromilhões 3 vezes de seguida. É que o programa do Fisco envolvido só teve problemas no registo das transferências para offshores. E só em 2012, 2013 e 2014. E só para o BES e Montepio nos três anos consecutivos. E permitindo que o BES, na altura crítica em que pairava sobre os seus donos o descalabro total, pudesse mover para fora do País aquela quantidade de dinheiro ocultamente. Pode ser uma coincidência, claro e sei lá eu. Todavia, porque está o PSD cheio de pressa para arrumar o assunto apesar das evidências que suscitam a maior perplexidade? Ainda por cima, a ter existido mãozinha, ela abrirá um novo capítulo na história da criminalidade em Portugal graças à sofisticação da operação. Dir-se-ia que este material jornalístico seria capaz de deixar a imprensa nacional a salivar de apetite e com ganas de revolver os calhaus da estrada, mas, como não mete socialistas, reina o marasmo na produção de títulos e falatório.

O caso da CGD é fascinante para os apaixonados por política. Estamos a falar de um banco que teve e tem nos seus quadros dirigentes – portanto, ou seja, isto é, nas pessoas que conhecem perfeitamente bem o que se passou com os tais empréstimos, dispondo de toda a documentação a respeito para ler e reler caso sofram de insónias – dezenas de bacanos ligados ao PSD e ao CDS ao mais alto nível. Faria de Oliveira, presidente do Conselho de Administração e CEO de 2008 a 2011, foi uma figura grada do Cavaquistão. José de Matos, o presidente da CGD que se seguiu, foi escolhido pelo Governo do PSD-CDS. Paulo Macedo e Rui Vilar não carecem de apresentações nem de explicações sobre os seus percursos. E estas referências dizem apenas respeito ao pináculo da pirâmide, logo abaixo os níveis directivos estão repletos de imitações. Donde, não há nada que se possa descobrir nos tais documentos em falta que eles não tenham descoberto directa ou indirectamente. A comissão de inquérito parlamentar à CGD foi anunciada pelo PSD com pompa e excitação dada a promessa de se ir, finalmente, confirmar o faduncho que andavam a cantar nas esquinas. Lá chegados, só um indivíduo deixou no ar suspeições que não provou e que foram de imediato desmentidas pelos terceiros que referiu. Esse indivíduo dá pelo nome de Campos e Cunha e a sua obsessão com Sócrates e com o PS não passa de um caso de ódio até prova em contrário. Os restantes desmentiram, sob palavra de honra, o discurso calunioso da direita. Em suma, se a CDG foi um pardieiro do “bloco central”, como PCP e BE não se têm cansado de repetir ao longo de décadas, essa paridade tornava impossível a sua manipulação para a luta política por um dos lados em desfavor do outro. Pura e simplesmente, tal seria denunciado com todas as provas suficientes para interromper as manobras na hora. Ora, as suspeitas nunca passaram de munição caluniosa, apesar da facilidade em expor os eventuais actos legal ou politicamente ilícitos.

Entretanto, o Ministério Público de Joana Marques Vidal entrou numa guerra de vida ou de morte com Sócrates ao abrir o “Processo Marquês” e ao seguir por uma linha de violação de direitos e abuso de poder. O enredo que seguem é o da direita e corresponde, ao milímetro, a uma operação gigantesca de investigação aos Governos do PS de 2005 a 2011. Neste momento, temos investigações a correr sobre as PPP, os gastos com cartões de crédito desses governantes e sobre qualquer contrato com a assinatura de Sócrates que possa ser usado para alimentar suspeitas e acabar referenciado na eventual acusação a Sócrates. Até negócios de privados poderão ter utilidade desde que se estabeleçam esquemas de ligações entre protagonistas. E quais os grandes negócios, num país minúsculo, que não têm qualquer ligação entre terceiros com o poder político do tempo? Pois. Em jogo não estão apenas factos, outrossim percepções – dado que com percepções também se condena em tribunal ou, pelo menos, na opinião pública. E o fascínio da questão consiste em observar até onde é que a Justiça e a direita vão levar a farsa de ter existido um primeiro-ministro que dominou um banco público para cometer crimes de regime – e impossíveis de esconder, no acto mesmo de se realizarem – apenas recorrendo aos seus poderes telepáticos.

Deliciosa desgraça

Os mortos de Pedrógão e o aparente assalto em Tancos foram festejados exuberantemente pela actual direita partidária, pela indústria da calúnia e pela classe dos jornalistas vulgares. A uni-los a mesma satisfação na expressão descontrolada da agressividade e da violência verbal. Uma questão de adrenalina, mas também de dopamina e serotonina. A depressão causada pelas boas notícias para o País e para os portugueses foi substituída pela euforia resultante da catástrofe, da tragédia e do pânico. O caudal de acusações, centradas na abstracção do “Estado” e na indefinível “resposta” do actual Governo, permitiu reunir no mesmo festim os pulhas do costume, os fanáticos profissionais e, para surpresa dos incautos, certas vozes que tomamos como ponderadas e activas no acrescento de salubridade para o espaço público. Podemos usar como exemplo paradigmático este texto: Estado de desgraça

Anselmo Crespo recreia-se a colar com cuspo banalidade atrás de banalidade, caricatura atrás de caricatura, numa juliana de vacuidades que foi registando ao longo dos dias nas leituras dos colegas de comentariado. A retórica escolhida, muito provavelmente num automatismo insciente, é um misto de registo coitadinho a rasar o lamechas com o desvario hiperbólico do tabloidismo e da demagogia mais básica. Exemplos:

«E foi quando se começou a perceber que a demissão de um ministro, por si só, não resolvia os problemas, que se começou a aplicar a velha estratégia do "empurra com a barriga"."»

«Aquilo a que assistimos nas últimas semanas, quer no caso de Pedrógão quer no de Tancos, foi a dois ministros completamente desorientados, a cumprir ordens do primeiro-ministro, do Presidente da República e dos assessores de imprensa, sem a menor noção do que fazer.»

«No caso de Pedrógão Grande, continua o jogo do passa-culpas, tocam-se uns requiens com a presença do Presidente da República, mas continua-se sem dar resposta à pergunta mais importante: aquelas 64 pessoas tinham que morrer? Tinham, senhora ministra?»

É a cassete dos “malandros dos políticos”, bando de corruptos e incompetentes que muito aborrecem os santos e geniais jornalistas que têm de relatar as suas actividades e ainda opinar a respeito. Mas é mais. É também a exploração, aqui consciente, do ódio larvar nas audiências a quem estas peças se dirigem, não hesitando em apontar para uma governante e dizer que ela foi responsável pelas mortes do incêndio de Pedrógão. Como é que o valente Anselmo consegue estabelecer esse nexo? É o próprio que o explica ao abrir as cortesias:

«A tragédia de Pedrógão Grande e o assalto aos paióis em Tancos são dois casos completamente diferentes, apenas com uma semelhança: o falhanço do Estado. E não, não é preciso esperar pela investigação da Polícia Judiciária ou pelas conclusões da comissão independente - que nunca mais ata nem desata - para chegar a esta conclusão.»

E não, não, não e não. De facto, não é preciso gastar mais do que meia caloria para concluir que a velocidade a que o autor chega às conclusões que lhe dão jeito tem como consequência o despiste da sua inteligência pela ribanceira do sensacionalismo abaixo. Donde, a questão: qual a finalidade de exercícios como este, neste meio? Sendo o resultado prático da leitura do texto o encontro com a decadência intelectual e cívica a que ele nos conduz feliz da vida, podemos igualmente concluir que estes jornalistas de uma opinião que se contenta em chafurdar na impotência são parte da tal desgraça que os alimenta e embriaga.

Revolution through evolution

Our faces reveal whether we’re rich or poor
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Surprising trend in extramarital sex in America
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Self-driving cars may soon be able to make moral and ethical decisions as humans do
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Smelling your food makes you fat
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Who’ll win at Wimbledon? Just listen to the pitch of the grunts
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Computer that reads body language
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Vegetable coloring agent lutein may suppress inflammation
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O assalto ao bom senso

Tinha, tenho e continuarei a ter o Paulo Tavares na conta de jornalista sensato e útil. Mesmo depois de ele ter publicado isto como “opinião da direção”:

O gabinete do ministro da Defesa enviou ao DN um esclarecimento a propósito da manchete de ontem, Autorização para obra na vedação de Tancos demorou 73 dias. À parte a correção de pormenor nas datas, importa fixarmo-nos no último parágrafo. Aí revela-se muito mais do que uma simples correção de datas. É dito que "o despacho em causa (...) não resulta de nenhuma questão de segurança da infraestrutura; diz respeito estrito a um ato administrativo de autorização de procedimento contratual". Conclui-se, portanto, que ao ler as palavras "cerca", "paiol" e "reparação" todas juntas, num documento do Exército, não passou pela cabeça do ministro - ou de alguém do seu gabinete - questionar as chefias militares sobre as condições de segurança daquele perímetro [...]

Não foi uma "questão de segurança"? A sério?! Mas senhor ministro, que outra razão haveria para o Exército querer uma cerca nova ou instalar um circuito vídeo naquelas instalações? Ter uma vedação mais bonita e de uma cor que combinasse melhor com o mato por cortar dentro do perímetro dos paióis? Passar a ter câmaras mais modernas, a cores e alta definição, para ver ao detalhe a nova cerca? Acaso os pedidos que lhe chegaram à secretária foram para construir canteiros de flores ou fazer melhoramentos na messe dos oficiais? São uns frívolos e vaidosos, estes tipos do Exército...

Querido, mudei a cerca (ao paiol)

A coisa, do princípio ao fim e a começar pelo título, pretende-se sarcástica, mas é apenas parva. De acordo com o raciocínio, sempre que o Ministério da Defesa aprova uma despesa qualquer tem de questionar as chefias militares sobre matérias de segurança. É que tudo se pode relacionar potencialmente com algum risco, num qualquer grau, quando estão em causa as Forças Armadas. O articulista enche o peito com as palavras “cerca”, “paiol” e “reparação” sem perder uma caloria a pensar se o alvo da gozação não acabaria por ser ele próprio. Ter um ministro da Defesa a telefonar para os chefes militares por causa de uma reparação numa cerca de um paiol dá notícia, sem dúvida, só que à pala do ridículo da questão e pelo atestado de incompetência que esse ministro estaria a passar aos militares. Quando os nossos oficiais e praças precisarem da ajuda dos ministros para reconhecerem uma falha de segurança na protecção de um paiol por causa da porcaria de uma cerca essa será uma trombeta a anunciar que o melhor é fecharmos a tropa e confiarmos a defesa da Nação aos discos do Solnado.

Anatomia das crises políticas

Estar na oposição é estar permanentemente em crise política. Porque algo está a correr muito mal quando se é oposição. Nenhum partido foi criado com a intenção de ficar na oposição como meta ideológica ou programática. Ser oposição parlamentar implica sofrer o vexame da derrota nas urnas ou na Assembleia da República. A saída para essa inerente crise política passa pela abertura de novas crises políticas cujo alvo seja o Governo e o partido, ou partidos, onde se legitima. Logo, as oposições procuram constantemente, salvo nos acordos pontuais com o Governo onde obtêm vantagens, que o Governo se desgaste, enfraqueça e acabe por ser substituído – de preferência, antes do fim da legislatura – por outro Governo agora formado por quem estava na oposição.

Estar no Governo é estar permanentemente em crise política. Porque algo pode correr mal, ou muito mal, e algo acaba invariavelmente por correr mal e muito mal. Nenhum Governo escapa à permanente e ubíqua pressão da fiscalização dos seus actos – e ainda dos actos passados, de Governos anteriores, cujas responsabilidades e consequências possam ser associadas ao Governo em funções. A saída para essa inerente crise política passa pelo fechamento das sucessivas emanações do estado geral de crise, seja pela resolução dos problemas avulsos, seja pela retórica da pose de Estado. Logo, os Governos procuram constantemente, e especialmente nos acordos pontuais com a oposição onde tudo o que fica acordado são vantagens, que a oposição pareça incapaz de fazer melhor do que está a ser feito na governação, levando a que no final da legislatura o eleitorado prefira a continuidade à mudança.

A comunicação social que cobre as actividades do Governo e da oposição alimenta-se das crises políticas. O registo é apocalíptico para quem estiver a empurrar a oposição na direcção do poder e dissuasor e panegírico para quem estiver a empurrar o Governo para se manter no poder. A energia dos participantes cresce na relação directa das reais ou inventadas fraquezas do adversário e das agendas respectivas daqueles que têm espaço mediático: políticos, directores de imprensa, jornalistas, comentadores. Quando não há matéria substantiva para crises, diz-se que essa situação prenuncia uma crise futura, iminente, já em curso… na comunicação social. Por exemplo, se um Governo estiver a superar todas as expectativas e a apresentar resultados económicos crescentemente positivos, alega-se que tudo podia ser muito melhor com outros senhoritos ou que vai tudo desabar em breve por causa disto e daquilo. Por exemplo, se um Governo tiver de lidar no espaço de poucas semanas com um incêndio com dezenas de mortos e um assalto a um paiol militar com falhas de segurança, declara-se a falência do Estado e agitam-se as bandeiras do caos. Não há, nem tem de haver, racionalidade, objectividade, justiça. Porque tal ponderação é contrária à dinâmica da comunicação social. Os milhares e milhões e milhares de milhões de situações que correram e correm bem nos serviços do Estado não impedem o frenesim sanguinolento quando as variáveis geram desastres e danos alarmantes. Na comunicação social, por causa do seu próprio ritmo editorial e da sua natureza autofágica, as crises políticas não são episódios, são conteúdos.

Porém, todavia, contudo, nem todas as crises políticas são crises políticas. Aliás, quase nenhumas, não passando de algazarra que se mastiga e deita fora assim que perde o sabor. Para percebermos o que é uma verdadeira crise política temos de pesar as suas origens e consequências. A mais recente aconteceu no seguimento das eleições legislativas de 2015, em que o partido vencedor em número de deputados não conseguiria formar um Governo com legitimidade parlamentar. Desta crise política veio uma solução governativa que não só tem resultado por cumprir o que prometeu aos eleitores como antecipa um salto qualitativo no sistema político no mesmo sentido. Antes dessa, tivemos a de 2011. A insuspeita Marina Costa Lobo, num artigo onde chega a citar o insuspeito Pedro Santos Guerreiro, explicou em tempo útil, e à prova de estúpidos, o que era uma obscena crise política em formação e andamento:

A resistência de Sócrates serve Portugal

Famoso caça-socráticos queixa-se de ex-ama

Temos um Estado máximo a prestar serviços mínimos. Os portugueses andam há ano e meio a fechar os olhos a tudo isto, encandeados pelo sorriso do primeiro-ministro. Já vai sendo hora de começarem a abrir a pestana e exigirem responsabilidades pelas manifestações contínuas de absoluto desleixo por parte de quem dirige o país.


Cliente do serviço de amas do Palácio de São Bento

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João Miguel Tavares, talvez o melhor jornalista português na área da investigação (e não só), tem prestado serviços inestimáveis à Grei. Fruto da sua coragem, a corrupção socialista de casta socrática está a ser perseguida, julgada e condenada sem dó nem piedade; e também sem tribunais, pois, para quê gastar dinheiro nessas chatices se basta dar razão a umas certas pessoas da nossa preferência? Quando terminar a sua caça aos bandidos, que topa à légua nas capas dos esgotos a céu aberto, o País vai finalmente recuperar a decência. Há que esperar só mais um pouquinho na certeza de que não irá vacilar, é o combate da sua vida.

Entretanto, este farol ambulante da nossa moralidade colectiva deixou-nos um aviso sobre António Costa – fulano que conhece de ginjeira ao ponto de, no passado recente, lhe ter confiado a guarda dos filhos. Ora, parece que esse tal Costa anda a fazer merda da grossa. Como se pode ler no último edital do sr. Tavares, temos um primeiro-ministro que revela “absoluto desleixo” na governação. Se fosse apenas “desleixo” já seria gravíssimo. Com o adjectivo, é crime. Ou coisa absolutamente pior.

O alerta não vem de um raivoso qualquer, apenas interessado em despachar mais uns caracteres para sacar o seu. Muito pelo contrário. Trata-se de uma vedeta da fina flor do jornalismo nacional, uma inteligência superior, alguém especializado em socialistas e seus vícios congénitos, endémicos e sistémicos. E nós só podemos imaginar como este extremoso pai estará agora tão arrependido de ter ido meter os próprios filhos nesse antro onde reina o “absoluto desleixo”. Foi uma sorte as crianças terem conseguido voltar para o regaço paterno sem mazelas ou traumas.

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Immigration Does Not Raise Crime, UCI-Led Study Finds, Refuting Common Assumption
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Higher IQ in childhood is linked to a longer life
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Does Religion Protect Against Suicide?
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Slow motion makes soccer referees more likely to give a red card
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Study Finds Hackers Could Use Brainwaves to Steal Passwords
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Why Social Isolation Can Bring a Greater Risk of Illness
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Cocoa can be seen as a dietary supplement to protect human cognition and can counteract different types of cognitive decline

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Onde esteve Sócrates na manhã e tarde de 17 de Junho?

Não me lembro de qualquer estudo que tenha como objecto as relações de antagonismo e simbiose entre a actividade jornalística e a actividade política em Portugal. Mas, às tantas, as universidades estão cheias deles. Sabemos que os políticos dependem dos meios de comunicação para obterem real ou imaginada influência social, eleitoral e até pessoal. Sabemos que os meios de comunicação que se proponham assumir o estatuto de “imprensa de referência” fazem a constante cobertura dos acontecimentos políticos, natural e logicamente tratados como os mais importantes na hierarquia dos conteúdos jornalísticos. E depois sabemos mais coisas, como sejam as preferências políticas e fulanizadas, explícitas ou implícitas, das empresas e indivíduos que constituem a substância dos órgãos de informação com poder de influência sobre as atitudes e comportamentos das audiências. Mas desconhece-se, ou desconheço, o efeito que o jornalismo de opinião e as opiniões em meios jornalísticos têm tanto nos actos eleitorais como nos processos correntes da governação e oposição. Que vale, que gera, um qualquer texto e suas mensagens – por exemplo, no Expresso?

Por exemplo, este – Foi crime. Ponto final! – onde o autor argumenta que o incêndio em Pedrógão Grande, e o seu efeito nos bens e nas pessoas, é de origem criminosa. Eis a fórmula a que recorre:

"Este rol de atos, agora provadamente criminosos, têm culpados. Neste e em anteriores governos. Seja por ação ou inação, o Estado foi negligente, permissivo e permitiu este trágico desfecho."

Comecemos por esquecer a sua dificuldade com a concordância gramatical, e apaguemos da memória a retórica parola com que abre e fecha o texto. Fiquemo-nos pelas suas intenções. Aparentemente, este passarão com tribuna num título histórico da nossa imprensa está realmente preocupado e indignado por causa do tal incêndio e suas vítimas. Tão preocupado e indignado que não carece de investigações oficiais e das suas conclusões, ele já chegou à verdade sozinho. Da listagem dos crimes que descobriu resulta que o autor gostaria de ver em tribunal um grupo de cidadãos cujo número deverá variar entre as muitas dezenas e as várias centenas (talvez esteja a calcular por baixo). Achará ele que nós achamos que ele acha que o que escreve é para levar a sério? Naaaa… O senhor está a desabafar, a usar o seu cantinho donde lança anátemas e absolvições, a sonhar-se um justiceiro que não está para perder tempo quando é tão fácil resolver os problemas com um teclado.

Contudo, do seu teclado também saiu esta interessantíssima revelação, a qual carimba como “crime”:

"o sistema de comunicações resultou de um contrato forjado pelas mãos ocultas do Bloco Central para enriquecer alguns, sendo hoje uma rede de segunda categoria."

Ignoro se ele entregou as provas do que publicou no Ministério Público ou se o irá fazer no futuro por iniciativa própria ou a pedido das autoridades. É lá com ele e com a Justiça portuguesa. Para o que nos ocupa, esta afirmação não suscita qualquer dúvida na interpretação. Um cidadão exercendo a função de diretor-adjunto do jornal Expresso usou esse mesmo jornal para divulgar a ideia de que Durão Barroso, Santana Lopes, Bagão Félix, Daniel Sanches e António Costa – pelo menos estes mas podemos esticar a lista à medida do tempo que queiramos perder com ela – são responsáveis pelas mortes, feridos e destruição de bens no incêndio de Pedrógão Grande dado serem corruptos, terem vendido a sua responsabilidade e honra numa manigância “para enriquecer alguns”. O texto saiu há dois dias e não há protestos de ninguém nem este bravo foi despedido ou admoestado, que saiba. Talvez por estar cheio de razão?

João Vieira Pereira tem contribuído com ânimo incansável para espalhar na opinião pública uma outra ideia relativa à corrupção, a de que os Governos do PS entre 2005 e 2011 eram antros de bandidos, sendo suspeitos todos os actos praticados pelos seus governantes. Já quanto à temática da corrupção a mando do “Bloco Central” ele tem sido muito mais comedido, tímido, quiçá apático. É que não se compreende como consegue ir trabalhar todos os dias na posse de tanto segredo tão mal guardado sobre negócios corruptos envolvendo sucessivas lideranças do PS e do PSD e ainda não termos sequer um artigozinho no jornal onde é um dos directores a expor essa colossal corrupção de décadas que nem a Justiça consegue beliscar. Tamanha discrepância leva-me para uma afundada suspeita: mais dia menos dia, este bravíssimo jornalista da nossa bravíssima “imprensa de referência” ainda nos vai ajudar a entender que o incêndio de Pedrógrão nunca teria acontecido se Sócrates tivesse continuado preso em Évora.

O nosso líder da oposição não é piegas, que se lixem os suicidas

O incêndio em Pedrógão Grande, inevitavelmente pela sua dimensão, iria ser explorado politicamente. Mesmo que não houvesse mortos e feridos. Se o PS estivesse na oposição e o PSD no Governo, seria igual. As causas de tal dinâmica são óbvias e variegadas. Explorar implica aqui tentar obter potenciais ganhos partidários e/ou individuais que gerem vantagens eleitorais. Porém, o conceito de “exploração política” ilumina, concomitantemente, a cultura das entidades, colectivas ou individuais, que o utilizam e promovem. Por cultura, entenda-se aqui a moralidade, o civismo, a decência e a ética de cada um.

(psssst, ó malta: é possível formar e desenvolver princípios, práticas e ideais no campo da moralidade, do civismo, da decência e da ética, mas, sine qua non, é preciso querer quando não se recebeu tal graça desde o berço)

Temos duas fontes de exploração política de qualquer acontecimento: a própria classe política e aqueles que conseguem ter voz na comunicação social profissional e influente, sejam ou não jornalistas. Desta estrutura social veio nestas quase duas semanas de rescaldo um crescendo de violência nas declarações de uns e de outros, à direita do espectro político, que culminaram num extraordinário momento em que um ex-primeiro-ministro, e actual líder da oposição, usa uma mentira sórdida e demente para tentar obter um ganho político. Em abono da verdade, não foi a primeira vez que o fez. As mentiras de Passos Coelho antecipam Trump em vários anos, quanto ao desplante, e não têm paralelo conhecido na democracia portuguesa – ou seja, Passos é, de longe, o político mais mentiroso a ter chegado à chefia de um Governo. Pode até construir-se um argumento onde se compare a gravidade das suas mentiras e se conclua não ter sido a mais grave esta relativa aos suicídios, pois há outras que directamente enganaram o eleitorado e tiveram influência num acto eleitoral e suas consequências devastadores para milhares, centenas de milhares e mesmo milhões de cidadãos. Contudo, esta é especialmente escabrosa por causa da problemática de saúde mental, dor para as famílias e alarme social inerentes. Quem faz o que Passos acabou de fazer, fará mais do mesmo ou já o fez e não fomos informados. Desta vez, estamos informados e ficamos avisados.

Que fez Passos? Como alguns comentadores anotaram, mas não desenvolveram, este senhor pediu desculpa por ter utilizado uma informação falsa a respeito de suicídios. Com tal arrependimento, limitado à factualidade das suas declarações, mostrou que continua a achar legítimo usar suicídios reais para efeitos de exploração política. Neste caso, como as suas palavras atestam sem margem para dúvidas, deu-se tão-só o azar de, afinal, olha a chatice, não existirem suicídios para explorar. Por isso, ele pediu desculpas. Por isso e só por isso, por se ter enganado. Corolário: merecia que a cada futuro suicídio em território nacional lhe aparecesse à frente um jornalista a tentar obter a sua opinião sobre a responsabilidade do Estado, do Governo socialista (calhando haver um), do PS ou de socialistas avulsos nessa ocorrência.

A importância do que fez remete directamente para a importância do que é um suicídio, qualquer suicídio. Como bem sabe quem já foi vítima das suas consequências indirectas – os familiares, amigos, colegas, até vizinhos de quem se suicida – espalha-se um indomável sentimento de culpa por uma perda que parece absolutamente absurda e dilacerantemente evitável. Evitável pelos próximos na relação directa com a proximidade vivencial e afectiva estabelecida, eis a funesta associação que essa morte causa por cima da violência que acaba com uma vida deixando um vazio de sentido que de imediato se enche de confusão e desespero. Quando passamos para o contexto científico e clínico, não existe neste planeta qualquer autoridade que reduza a uma singular causa identificável a origem da situação e acto mental – inacessíveis para terceiros – que resulta num suicídio.

Esta a realidade que Passos não só tentou explorar como considera apropriado que se explore se for em seu benefício e do seu partido. Ao atribuir à “falta de apoio psicológico” um qualquer suicídio que, felizmente, não aconteceu, esta miséria ambulante – de iure – tentou provocar uma sequência de acontecimentos que atingiria todas as eventuais vítimas colaterais da eventual ocorrência. Por um lado, tornavam-se alvos mediáticos que suscitariam invasões da privacidade na procura de informações e “provas” a favor ou contra a tese. Por outro lado, e tragicamente, aumentariam os seus danos psicológicos com o aceno de um bode expiatório na figura de trabalhadores do Estado e de governantes, podendo ainda levar a outras violências imprevistas nascidas da irracionalidade atiçada. Estabelecer um nexo entre suicídios e políticos e políticas, ao nível a que se encontra Passos Coelho, é estar cônscia e intencionalmente a espalhar apelos ao ódio à custa de mortos e de quem os sofre.

O que fez ao abrir uma crise política que afundou Portugal no resgate de emergência é da mesma natureza, a natureza de quem colocou no seu altar interior o culto do poder pelo poder.

Foda-se, ó pá

É a doer, tem de ser a doer, morreram 64, ardidos, queimados, a fugir, sufocados em chaminés, encarcerados em carros sobre um talude onde até as jantes de liga leve derreteram (mas a quantas centenas de graus derrete a liga leve?), 64 até agora e provavelmente serão mais, há feridos graves e ainda andam a bater às portas a perguntar se falta alguém, 64 mortos têm de fazer isto andar, tem de ser a doer, não precisamos de chorar mas precisamos do choque, não foi só a mãe natureza que foi filha da mãe natureza com tufões de fogo e trovoadas secas e raios que houve e depois não houve e afinal houve, foi tudo isso mas não foi só isso, isso que o país tem pressa demais para saber e o Estado tem vagar demais para não saber...


Pedro Santos Guerreiro

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Temo pelo que pudesse ler mais neste texto se estivesse publicado na íntegra sem custo, agradecendo ao autor por só disponibilizar um parágrafo à borla. Mas será que este gajo não tem a mínima consciência do gongorismo maníaco da sua escrita, o qual passa como um ruído de fundo folclórico no panorama do jornalismo de opinião mas que configura uma indecência estética quando usa os 64 mortos como carne para o seu canhão narcísico?

Ó pá. Foda-se.

Revolution through evolution

Frequent sexual activity can boost brain power in older adults
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When lovers touch, their breathing, heartbeat syncs, pain wanes, study shows
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The mere presence of your smartphone reduces brain power, study shows
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Meditation and yoga can ‘reverse’ DNA reactions which cause stress, new study suggests
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Greater diversity of positive emotions leads to lower indicators of systemic inflammation, study says
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Putting others first can cost lives in emergencies
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Forgetting can make you smarter
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Jangada de fogo

Este artigo do DN – Clima do futuro pode trazer até mais 50 dias de calor extremo – contém informação relevante para compreender o fenómeno dos incêndios florestais em Portugal. No entanto, a sua mensagem é vaga e omissa nalgumas informações objectivas – nomeadamente, que a correlação entre as alterações climáticas e o aumento dos incêndios florestais na Península Ibérica está demonstrado para o período de 1981 a 2005, e que nos últimos 30 anos a média do aumento das temperaturas máximas na Europa foi de 0.95°C e na Península Ibérica de 2.5 °C, por exemplo. Ligada com as alterações climáticas em curso, igualmente se prevê a chegada de doenças tropicais transportadas por mosquitos. Conclusão: a Península Ibérica vai arder, pelo fogo e pela febre.

Ocasião para um projecto colectivo que unisse os dois Estados ibéricos na criação de um centro de investigação com recursos suficientes para ser uma referência mundial no campo das alterações climáticas e suas consequências. Para além do óbvio interesse na protecção de pessoas e bens, os resultados da investigação e respectiva inovação muito provavelmente gerariam ganhos económicos com escala global. Espanha e Portugal podem legitimamente ambicionar serem exportadores de tecnologias nascidas de um investimento científico comum, não carece de explicar porquê. Para facilitar a empreitada, caso os EUA resolvam mesmo sair do Acordo de Paris tal deixará alguns dos melhores cientistas e engenheiros americanos, ou a trabalhar nos EUA, disponíveis para mudarem de poiso. Seria algo para agradecermos penhorados ao bronco do Trump, pese a desgraça subjacente à decisão de afastar a América da vanguarda dos estudos climatológicos.

A necessidade de lidar com transformações na ecologia do Planeta traz riscos de uma complexidade que a Humanidade não enfrentou antes – embora tenha enfrentado piores – pois o erro é inerente à condição humana (tal como vemos nos outros e em nós, sempre, sempre e sempre). Porém, esta obrigação de enfrentar as mudanças que não conhecem fronteiras, nem sabemos o que poderão causar nos ciclos produtivos da alimentação e no campo da saúde, leva a introduzir na política e na sociedade uma parte essencial da cultura científica. A procura da objectividade, o respeito pelo método, a recusa da verdade e a lógica mais rigorosa como trampolim para a imaginação mais criativa, eis quatro pilares ausentes de um exercício político que tem sido marcado pelas culturas tribunícia, trazida pelos advogados, e planificadora, trazida pelos engenheiros. Se os geógrafos, biólogos, geólogos, químicos, físicos e matemáticos, entre tantos outros saberes representantes e praticantes da ciência, forem para a ágora falar da nossa sobrevivência e bem-estar, a democracia ficaria um bom bocado mais perto de chegar ao estado adulto.

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Fontes:

Areas burnt by fires will triple in the Iberian Peninsula by 2075

Accelerating rate of temperature rise in the Pyrenees

E que mais?

Os temas da habitação e da floresta irão ter presença obrigatória na próxima campanha eleitoral para as legislativas, aconteçam estas em 2019 ou antes. Consoante o desfecho da Operação Marquês, o tema da justiça também poderá entrar, embora com muito menor probabilidade dada a impotência do sistema partidário, e/ou cumplicidade, para lidar com as corporações e os criminosos no sistema judicial.

E que mais?