Arquivo da Categoria: Valupi

Revolution through evolution

Research shows women outlast men during dynamic muscle exercises
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Like adults, children show bias in attributing mental states to others
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​Why Both Bigots and Egalitarians Say ‘They Don’t See Race’
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More than 99 percent of the microbes inside us are unknown to science
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Given the choice, zebrafish willingly dose themselves with opioids
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Dancing can reverse the signs of aging in the brain
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High Moral Reasoning Associated with Increased Activity in the Human Brain’s Reward System
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Duas aves raras

Hoje teremos um divertido espectáculo de circo entre Floyd Mayweather e Conor McGregor. Aconteça o que acontecer, a palhaçada está garantida. Resta só saber qual seja o desfecho mais risível, indo a minha preferência para que o Floyd dê um sovão no Conor. O inverso também será hilariante, mas menos.

Aqui fica uma curiosidade para portugueses. O som não tem qualidade, e o sotaque do português à mistura com a pronúncia do irlandês ainda dificultam mais a percepção do que estão a dizer. Mas o registo é genuíno e vale como documento de “variedades”.

No país do Dinis

David Dinis não botou faladura acerca das peças que publicou sobre Sócrates através de Cristina Ferreira e Manuel Carvalho. Assim, não sabemos com exactidão se subscreve a tese da corrupção do Governo socialista na origem do que veio a acontecer na PT em 2014 ou se assina por baixo o retrato manuelino da “tenebrosa era de Sócrates“. Já quanto ao calculismo e sonsice da sua postura, a exactidão é absoluta. Um director tão entusiasmado com a época dos fogos florestais, a qualidade das cercas nos paióis do Exército, o CR Centeno e as danças de salão de Costa e Passos parece especialmente vocacionado para partilhar connosco o que pensa das inauditas e homéricas acusações que manda publicar contra ex-governantes, banqueiros e administradores – acusações que levantam questões de regime. Que estranho o seu silêncio. Será um caso de timidez? Ou ainda não teve tempo para teclar a respeito?

Em vez disso, no próprio dia em que chutava para canto o texto de Sócrates a defender-se dos ataques do Público, o magnífico Dinis voltou ao tema da sua predilecção: os mortos de Pedrógão. Veja-se o gosto com que escreve sobre esse delicioso assunto, imitando na perfeição o estilo de outro grande artista do porno-lirismo que admira de paixão, o PSG:

Que Verão estúpido, este que nos calhou em sorte. Começou há dois meses em Pedrógão Grande. Esse dia que ainda nos parece impossível, esse impossível que nos deixou a perguntar porquê. 64, 65 ou 66 vezes porquê.

Fonte

Não é lindão? 64, 65 ou 66. Os mortos transformados em números, os números usados como arma de arremesso. Ou seja, os mortos a servirem para despachar textos narcísicos e inanes onde os autores se entretêm a imaginar-se líderes de opinião no topo do comentariadado nacional. Porque raio os escrevem? Porque podem, porque querem e porque não resistem à fantasiada importância que dão a si próprios por causa dos cargos que ocupam e da sua notoriedade potencial. E qual o efeito no espaço público, na sociedade, em alguém que tropece nele, de um texto que se limita a ser um exercício de lamúria onde se chafurda numa propalada impotência de tudo e de todos? Terá o Dinis a obrigação contratual de escrever um mínimo de caracteres por mês, não importando que tal se contente em ser o despejo dos seus maus fígados?

Porém, contudo, todavia, eis que Sócrates aparece no seu paleio sobre Pedrógão – “What else?” Qual deus ex machina, não satisfeito em ter chegado à Madeira, o director do Público vai buscar os idos de Março de 2011 para terminar o texto, tão bonito, com um fogacho só para iluminar o tal livro sobre a coisa que lhe terá dado alguns tostões a ganhar. É a celebração da estética da decadência, pretende deixar-nos a paisagem de um país destruído pela maldade dos políticos. Os tais políticos que não respondem às perguntas – 64, 65 ou 66 perguntas – que os valentes portugueses a trabalharem heroicamente em órgãos de comunicação livres dos socialistas corruptos fizeram assim que toparam com a fumaça na linha do horizonte.

Também Manuel Carvalho, na sua cena do ódio dirigida a Sócrates et alia, nos deixa o “falhanço do país que fomos nesses anos perdidos da primeira década do século” nos braços. É a sua opinião, apenas uma opinião. Mas posto que é esta a sua opinião, então o seu trabalho como jornalista de opinião passa a ter de ser avaliado precisamente pelo conteúdo que preenche a sua subjectividade. No caso, ele revela nada mais conseguir julgar, quiçá reconhecer que exista ou tenha existido, para além do odor a crime num caso ainda sob investigação e que não sabemos se, quando e como chegará aos tribunais, muito menos o que aí ficará estabelecido como provado.

O país do Manuel Carvalho, tal como o do David Dinis, tem o tamanho da sua parola vaidade e é habitado obcecadamente pelas suas preferências e aversões. De facto, parece miserável.

Manuel Carvalho, contador de histórias

A Manuel Carvalho foi dado o papel de carrasco moral dos alvos escolhidos pelo Público na sua continuada vingança contra Sócrates: Uma história que nos empobreceu e nos envergonha. Trata-se de um exercício punitivo, ao seu estilo usual mas em versão condensada, onde não apresenta qualquer informação tangível que permita aferir da objectividade na origem da sua retórica. Uma retórica que, apesar de básica e convencional, merece atenção. Porque este Carvalho está a representar o jornal onde escreve e, por extensão, a posição e intenções do director e do accionista.

As ideias sobre as quais se ergue a pedir fogueiras no Terreiro do Paço são exactamente as mesmas da direita decadente e da indústria da calúnia:

– Há corrupção em Portugal, mas este tipo de crime está circunscrito na sua quase totalidade aos anos de governação de Sócrates, o resto a existir não tem importância comparável.
– Se não fosse pela corrupção de Sócrates, as malfeitorias de Salgado não teriam acontecido no grau em que aconteceram.
– A corrupção de Sócrates não é uma questão de investigação ou opinião, apenas de aplicação da Justiça.
– Misteriosamente, ninguém de ninguém – “Tudo aconteceu sem que os reguladores vissem, sem que altos quadros da PT denunciassem, sem que a imprensa se empenhasse em perceber, sem que as instâncias judiciais fossem capazes de antecipar o que estava em jogo.” – percebeu o que se passava. Não porque fossem estúpidos, muito menos cúmplices, até porque este Carvalho não é nada estúpido, bem pelo contrário, e abomina os tais bandidos que nos está a fazer o grande favor de denunciar. Pelo que temos de recorrer ao conceito de mistério para falar do fenómeno. Algo que ele, pelo menos, consegue nomear: “a tenebrosa era de José Sócrates“. Que é como quem diz, a era do Diabo, o mistério do Mal.

Pois bem, o que temos aqui é o clássico processo da diabolização. O que a retórica pretende alcançar é um efeito cognitivo onde uma dada audiência abdica do seu sentido crítico, da distância racional entre o discurso que se consome e a realidade a que ele alude, levando a que se mergulhe pelo pensamento mágico num universo irracional. Nesse universo deixa de existir um Governo, um Parlamento, o Presidente da República, a Justiça, as instituições públicas, as polícias, a imprensa, os cidadãos e ficamos só com o monstro diabólico em grande plano a encher o ecrã. Como se trata de ficção, do reino da fantasia, não é preciso explicar nada. A nossa imaginação preenche todos os espaços vazios e dá sentido a qualquer aparente absurdo. Os monstros têm poderes sobrenaturais, é dessa forma que conseguem fazer as monstruosidades que nos dizem que eles fizeram, topas? É simples, poderes sobrenaturais, pá. É por isso que tudo aconteceu sem que os reguladores vissem, sem que altos quadros da PT denunciassem, sem que a imprensa se empenhasse em perceber, sem que as instâncias judiciais fossem capazes de antecipar o que estava em jogo, carago!

Este Manuel Carvalho talvez acredite mesmo no que escreve. É possível porque qualquer coisa é possível nos chamados seres humanos. O ódio é um inesgotável combustível para a inspiração moralista. Mas também se pode dar o caso de este bacano ser um pândego. Nesse caso, calhando dar por si obrigado a explicar (mesmo que mal e toscamente) a logística de cumplicidades nos Executivos, Parlamento e Partido Socialista necessária para que Sócrates fosse o responsável pelo que ele lhe atribui, o mais provável seria irromper em pranto. Um choro de alívio, causado pela possibilidade de recuperar alguma salubridade mental na sua relação com a realidade exterior.

Para quê fazer jornalismo quando é tão mais fácil fazer um filme?

O Público encarregou Cristina Ferreira de um híbrido onde a propósito de alguns factos e de muitos pseudo-factos se largam opiniões, preferências, intenções. Por exemplo:

“Pouco mais de um ano depois de ter assumido o cargo em São Bento, José Sócrates e Ricardo Salgado vão traçar agendas paralelas. Mas, claro, quando se ganha muito poder, às vezes perde-se o rumo. E com o tempo o relacionamento tornou-se uma bomba-relógio.”

A jornalista não só tem uma forte convicção acerca dos efeitos que o poder causa na manutenção do rumo, seja lá o que a prosa queira dizer, como desenvolveu uma teoria que abarca as dinâmicas do relacionamento bombástico. Isto não é jornalismo porque o jornalismo não é isto. Poderá ser psicologia, ficção ou até astrologia. Mas é vendido como jornalismo porque está ao serviço de um intento calunioso.

“A estratégia estava lançada. A 2 de Março de 2007, mais de 50% dos accionistas presentes em assembleia geral travaram a desblindagem dos estatutos da PT, a condição de sucesso da OPA. Para dar força à decisão do centro de comando liderado por Granadeiro, José Sócrates instruiu Armando Vara, dirigente socialista (arguido na Operação Marquês) e vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos (com 6% da PT), para votar ao lado do BES e da Ongoing. E foi assim que a Sonae perdeu a guerra.”

Por “a estratégia estava lançada” a autora do texto remete implicitamente para o que escreveu nos parágrafos anteriores. Acontece que os parágrafos anteriores não revelam estratégia alguma, antes se resumindo a ser um conjunto de insinuações manhosas coladas com cuspo. A parte em que se diz que “José Sócrates instruiu Armando Vara” será muito provavelmente crime até prova em contrário. O remate “E foi assim que a Sonae perdeu a guerra.” é um delicioso momento de humor involuntário. Esqueceu-se a artista de incluir nesta reportagem de guerra o telefonema de Paulo Azevedo para Sócrates, não desmentido pelo primeiro, onde a Sonae tentou que o Governo abandonasse a sua imparcialidade na OPA e favorecesse uma das partes. Pormenores, enfim.

“Para um primeiro-ministro pode ser muito enaltecedor aparecer a promover uma megaoperação transnacional. Para festejar o acordo Oi-PT, José Sócrates ofereceu um banquete em São Bento, onde compareceram, entre outros, Ricardo Salgado, Carlos Jereissati, Otávio Azevedo, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava. Hoje, todos condenados, detidos, constituídos arguidos ou visados em investigações. Para o jantar foram convidados ministros, um deles, Pedro Silva Pereira.”

Bem lembrado, o Pedro Silva Pereira. Quando é que vai de ramona para Évora? Se Sócrates é o maior criminoso da História de Portugal, como a gente séria não se cansa de berrar, e se este Pedro era unha com carne com o cabrão, como é que é possível que esteja à solta e tenha o desplante de aparecer a dizer coisas na comunicação social em vez de estar fechado em casa a vergastar-se até ao osso? Já agora, alguém acredita que o Augusto Santos Silva também ignorasse o estado de sistemática e desvairada roubalheira que Sócrates impôs como cultura nos Governos que chefiou? Pois é, ainda vamos ter mais 20 ou 30 anos de Operação Marquês até conseguirmos tornar o ar respirável.

“Semanas depois, em Lisboa, os dois principais arguidos da Operação Marquês, José Sócrates, e do Lava-Jato, Lula da Silva, não escondiam a cumplicidade que os unia, exposta, a 23 de Outubro de 2013, quando Sócrates convidou Lula e Mário Soares para apresentarem o seu livro Confiança no Mundo — Sobre a Tortura em Democracia.”

É sabido que os maiores criminosos do Mundo não resistem a expor as suas cumplicidades no lançamento dos respectivos livros. Isto é lana caprina há séculos no meio académico.

“A 24 de Julho de 2014, ao aparecer em Cascais, na Boca do Inferno, para transportar Ricardo Salgado para o DCIAP, em Lisboa, o MP dava um sinal: ninguém seria poupado. Nem os poderosos. Meses depois, seria a vez de José Sócrates ser detido no âmbito da Operação Marquês.”

Ena! Uau! Desta vez nem os poderosos são poupados! Uau! Ena! Os poderosos! Que felicidade! Abaixo os poderosos! Poderosos para a prisão! Ah, que alívio vivermos num país onde, finalmente, os poderosos estão a ter o tratamento que merecem! É lindo, morte aos poderosos!

“Hoje, os principais “actores” deste filme, mesmo os que se julgavam acima da lei, estão, de um modo ou de outro, a prestar contas à justiça.”

Cristina Ferreira sabe quais são os actores do seu filme que se julgavam acima da lei. Privilégios de ter sido a guionista, a produtora e a realizadora do tal filme. Só é pena que esteja a concorrer com ele na categoria “documentário” onde não poderá ser avaliado pelo júri.

Sócrates respondeu com “Não vem ao caso”*, onde elenca factos e deduções a partir dos mesmos e da experiência directa que reclama nas situações em causa. Seria então de esperar, diz-nos o bom senso embrulhado em cristalina ingenuidade, que o Público aproveitasse a ocasião para desmontar a argumentação socrática ou, pelo menos, para estabelecer um confronto legítimo que permitisse aos leitores um acrescento de informação e inteligência sobre matérias tão complexas e ambíguas dados os factores objectivos e subjectivos na berlinda. Só que não, limitaram-se a carimbar o texto de Sócrates como sendo a sua versão e nada mais acrescentaram. Será isto jornalismo de referência, sequer jornalismo? Não, isto é a exploração mediática de uma crença na culpabilidade de um grupo de pessoas envoltas em processos judiciais de desfecho imprevisível. Donde, não ser do interesse do jornal chegar a uma verdade alternativa àquela que se esforça por promover.

Estranho? Nada. Este é o mesmo jornal que, dias depois da OPA ter sido chumbada, no início de Março de 2007, iniciou uma campanha de assassinato político de Sócrates publicando aquilo que estava a guardar na gaveta, fosse porque não prestava de acordo com critérios jornalísticos que respeitem o seu código deontológico ou para não interferir com os interesses da Sonae. José Manuel Fernandes ficaria, a partir daí, com a obsessão de destruir Sócrates e tudo fez para tal enquanto teve o Público como instrumento de ataque. E não será a lermos o semi-pasquim que alguma vez ficaremos a saber porquê.

Pois é, Vara, temos aí um problema com essas escutas

O Sol tem escolhido o tema Sócrates para tentar vender jornais não se sabe a quem. É o tema favorito da direita desde 2007, levamos 10 anos consecutivos e intensivos disto, no que é um caso a merecer todo o tipo de estudos nas áreas da política, sociologia, comunicação social, antropologia, psicologia e até psiquiatria – mas, onde estão eles? Em duas semanas saíram na capa O plano de Vara para calar os media e “A conversa fatal”. Talvez ainda estejamos só no início e o tema fique como parangona neste pasquim até ao Natal.

Trata-se de supostas conversas tidas entre Armando Vara e Joaquim Oliveira. Não sabemos como foram obtidas nem temos forma de aferir da sua veracidade e exactidão. Na última até se chega ao preciosismo de explicar que “o diálogo que se segue foi reconstituído pelo SOL a partir da informação recolhida em várias fontes“. Ora, que situação poderá estar na origem da “reconstituição” de uma conversa privada a partir de “várias fontes”? Aceitam-se hipóteses, sendo que o cheiro a crime é intenso.

Primeira constatação: não há qualquer matéria do foro legal que surja nos diálogos publicados. Em vez disso, temos suposto voyeurismo, suposta devassa e intencional assassinato de carácter. A terem realmente existido aquelas conversas tal como aparecem escritas, elas não foram pensadas para serem objecto de avaliação pública – e isto diz respeito à essência do Estado de direito pois é uma prerrogativa da liberdade individual, o direito à privacidade. Não é justo nem decente que sejam publicadas. Donde, por que razão foram registadas, foram conservadas e são agora exploradas mediaticamente? A resposta é só uma: porque são politicamente valiosas. Politicamente valiosas não para algum assunto que remeta para o bem comum e a governação dos cidadãos e da República, mas politicamente valiosas para uma estratégia de baixa política, de calúnia e de perseguição a certas personalidades e a um certo partido.

Vejamos dois exemplos da estupenda distorção e pura pulhice do que o Sol está a fazer:

"Enquanto isto, novos jornais, como o diário i, eram criados à sombra dos mesmos grupos para fazerem a defesa das políticas socráticas antes das legislativas. E tentava-se ressuscitar a revista Grande Reportagem."

"A discussão alonga-se, com Joaquim Oliveira a atirar a responsabilidade para o então diretor do DN, João Marcelino: «O que é que eu vou fazer, bater-lhe, despedi-lo?». Vara não tem dúvidas sobre o destino do jornalista: «Sim, vai acabar por fazê-lo, é uma questão de tempo!». Oliveira pensa na indemnização que terá de pagar a Marcelino (que, segundo o contrato, é da ordem dos milhões), e comenta: «Mas vai ficar caro desta vez se o mandar embora»."

O jornal i foi lançado em Maio de 2009 e o genial plano de “defesa das políticas socráticas” foi confiado ao Martim Avillez Figueiredo, um socrático retinto. Este passarão era tão socrático, mas tão socrático, que até conseguiu fazer uma primeira página com o blogue “O Jumento”, recorrendo para a façanha a outro famoso socrático, o enorme Paulo Pinto Mascarenhas. O i foi um ensaio do que viria a ser o Observador, só que numa versão chunga. Mas no Sol drogam-se tanto, ou tão pouco, que conseguem escarrapachar com grotescos delírios deste calibre pois o público a quem se dirigem está igualmente todo queimadinho dos fusíveis.

Quanto ao João Marcelino, cromo com a escola do Correio da Manhã, ele é uma figura incontornável no percurso e ascensão de Passos. No DN, existia sob a sua batuta uma brigada laranja, de que fazia parte o David Dinis. O DN marcelista esteve bem quando denunciou a Inventona de Belém, também porque tal prejudicaria Ferreira Leite e estava ao serviço da estratégia de levar Passos para a liderança do PSD, mas o brilharete não elude a sua agenda. E que podemos então descobrir graças ao jornalismo de excelência do Sol? Que o patrão do Marcelino nada podia fazer para impedir ou sequer condicionar a autonomia directiva de quem punha e dispunha no DN. Tão blindado estava o poder do João Marcelino que, de acordo com a calúnia que subjaz à peça, nem perante o tal credor dos 300 milhões nós temos qualquer indício de que Joaquim Oliveira vá ceder a pretensas manobras censórias e manipulativas. É ao contrário, de acordo com o suposto diálogo reproduzido, ele avança com razões para manter a integridade das opções do Marcelino, inclusive aquelas que calhem não lhe agradar politicamente.

O que está aqui em causa, para quem se preocupar com a salubridade da comunidade e com a defesa das instituições políticas, remete para as condições em que foi possível escutar um primeiro-ministro em funções e alguém do seu círculo de intimidade política e pessoal. Nunca tal tinha sido feito antes, que se saiba, e não foi feito com políticos de outras áreas políticas depois. Acresce que foi feito no contexto de uma crise sem precedentes em democracia que fez desabar partes consideradas intocáveis da oligarquia nacional. Não existe um Sol, um Correio da Manhã, um Expresso, uma SIC, um Público à esquerda. Nunca tivemos algo comparável à TVI do casal Moniz à esquerda, a tal TVI que também foi anunciada como um veículo para o PS por ter como dona a Prisa e que foi palco das maiores campanhas negras contra os socialistas de que há memória em televisão. Donde, só se as conversas privadas de Passos Coelho, Portas, Miguel Relvas, Marques Mendes, Ângelo Correia, Pinto Balsemão fossem capturadas nesses momentos em que estão a divagar e a dizer caralhadas a respeito de políticos e governantes, negócios feitos e sonhados, é que um estado de equilíbrio seria restabelecido. Mas seria viável governar o País, ou qualquer país, caso se decrete a proibição da privacidade para políticos e todos quantos tenham relações com eles?

Ferreira Leite, e logo em Aveiro em 2009 para que não haja qualquer dúvida sobre a origem da bacorada, e Paula Teixeira da Cruz, enquanto ministra, disseram publicamente que consideravam muito provável terem os seus telemóveis sob escuta. Esta obscenidade não se explica só por um estado paranóide mais ou menos natural. O que seguramente terá acontecido foi o trânsito imediato das escutas que se faziam a Vara e a Sócrates – e sabe-se lá mais a quem com importância política – para os responsáveis políticos da direita portuguesa, Cavaco incluído. As senhoras estariam apenas a constatar o óbvio, essa merda acontecia mesmo e perante os seus olhos. Só isso explica a súbita virulência e constantes insinuações, em registo de aberta bazófia e incontrolada agressividade, a que pudemos assistir por parte de políticos e jornalistas laranjas assim que a operação Face Oculta foi lançada. Se as escutas eram pasto livre para jornalistas amigos, então pelas mesmas razões seriam um néctar para políticos amigalhaços. A própria Inventona das Escutas encontra aqui a sua lógica, posto que a tentativa de envolver Sócrates num processo judicial por “atentado ao Estado de direito” não iria ter sucesso. Não iria ter sucesso porque Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento defenderam as suas instituições, o processo democrático e o Estado de direito. Prova? É ler o Sol.

Revolution through evolution

College Men Mostly Presume Consent in Sexual Encounters with Women
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What you say about others says a lot about you, research shows
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Gender norms are still important for women’s choice of college major
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Feeling bad about feeling bad can make you feel worse
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Secret to happiness may include more unpleasant emotions
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Study Shows High School Math and Civics Predict Voting Behaviors in Midlife
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When DNA Evidence Challenges Ideas of A Person’s Racial Purity, White Supremacists Use a Decision Tree to Affirm or Discount the Results
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Dizer coisas sobre o terrorismo

O terrorismo também violenta e destrói os terroristas e suas famílias e amigos.

O terrorismo é todo igual. Não há terrorismo bom, menos mal, assim-assim, justo, justificável.

O terrorismo não se pode impedir. Só prevenir, só acautelar, só remediar.

O terrorismo não pode vencer. E sabe que não vai vencer. É por isso que se satisfaz em atacar os mais fracos e desprotegidos. Ou em apagar a alteridade e a beleza.

O terrorismo alimenta-se da sua mediatização, é uma procura suicida por uma celebridade alucinada.

O terrorismo combate-se com a liberdade, a democracia e a inteligência, servidas pela coragem.

Da excepcionalidade americana

A chegada de Trump ao posto mais alto na mais importante democracia planetária foi um momento de tristeza e aflição para quem se reveja nos valores clássicos que estruturam as noções de humanismo e liberdade na origem e desenvolvimento daquilo a que chamamos civilização liberal. Esta tradição liberal abarca todas as inovações intelectuais, políticas e sociais que estabeleceram, ou contribuíram para estabelecer, um reconhecimento universal da dignidade e direitos políticos de todos os seres humanos sem necessidade de outra qualificação. Num certo sentido, tem-se tratado de uma elaboração positiva com a intenção de reconhecer uma condição natural: se és humano, és naturalmente livre, cabendo aos restantes poderes adaptarem-se a essa tua natureza primeva. Nesse trajecto, tem-se lutado com as concepções naturalistas acerca do poder, as quais o colocaram ou ainda colocam do lado do mais forte e/ou do divino, da etnia ou da ancestralidade. E blá, blá, blá do melhor que este planeta já criou.

Ao mesmo tempo, aquilo a que temos assistido, desde uma campanha eleitoral que pulverizou todas as regras conhecidas da comunicação política até ao caos instalado na Casa Branca logo a partir do primeiro dia em que Trump lá pôs os presidenciais pés, é incrivelmente fascinante. Mais, é um privilégio, para cientistas sociais e meros curiosos, poder observar o edifício da governação e democracia norte-americana a ser levado para águas nunca dantes navegadas, pelo menos na memória dos vivos e dos que estudam os canhenhos de História. Não fosse tudo isto poder acabar horrivelmente mal, seria ocasião para gáudio inesgotável.

Mas será que devemos temer o pior ou, pelo contrário, Trump servirá para provar a robustez do sistema político norte-americano? Veja-se a actual situação que deixou centenas ou milhares de milhões em estado de choque: estamos confrontados com um presidente dos EUA que defende racistas, fascistas e nazis e que despreza as vítimas da sua violência e crimes. Nunca tal tinha acontecido e podemos apostar tudo o que tivermos no banco e nos bolsos em como não voltará a acontecer. Ao tempo em que escrevo, a ênfase mediática está concentrada na abjecção moral e civilizacional da sua atitude. Porém, a situação revela algo muito mais grave. Um presidente dos EUA que não tem a noção dos efeitos políticos, sociais e culturais do que está a dizer a respeito destes assuntos não está igualmente capacitado para tomar decisões em qualquer outra matéria de importância para o Estado e a segurança do seu país. Neste momento, no Pentágono, na CIA, no FBI, nas universidades e no mundo empresarial americano o sentimento deve ser de pânico caso se rejam pelo realismo. Essa gente toda não vai ficar de braços cruzados a ver um completo taralhouco, patologicamente narcisista, a tornar a América miserável outra vez.

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Women have more active brains than men
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Media portrayals of pregnant women, new moms unrealistic
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Supportive relationships linked to willingness to pursue opportunities
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Sitting in the Sun Is Linked to Days When People Lived in Caves, Scientists Believe
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‘Resilience-in-Action’ Is Key to Team Success, Whether in Backwoods or Business
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Englishness and Theatre in Revolutionary America
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Where is everybody? The implications of cosmic silence
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Dâmaso Sal&Sede

Nos bastidores da maioria parlamentar já há quem faça contas ao mandato da procuradora-geral da República, que acaba em outubro de 2018. O desconforto em alguns setores do PS, BE e PCP com Joana Marques Vidal é evidente. O círculo dos amigos de Sócrates, que inclui figuras como Francisco Louçã mas já não António Costa, não perdoa o processo ao ex-primeiro-ministro. Não é a acusação que há de chegar em setembro que os incomoda, mas o facto de o processo ter existido.


O mandato da PGR – O desconforto em alguns setores do PS, BE e PCP é evidente.

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Quem se atrever a questionar a ilegalidade e imoralidade reinantes na parte da Justiça que quer fazer política e/ou dinheiro cometendo crimes passa a cúmplice de Sócrates, do Sócrates devassado e diabolizado pelos esgotos a céu aberto, vem dizer-nos um dos mais notáveis representantes e agentes desta corrupção institucional. O seu sentimento de inatacabilidade é tão obscenamente grande que ele se permite escrever publicamente que há não sei quem no BE e no PCP que “não perdoa o processo ao ex-primeiro-ministro“.

Não se trata de uma alucinação, natural ou causada por drogas (ou falta delas). É outra coisa. O gajo acredita que pode gozar com esta merda toda, como quiser e pelo tempo que lhe apetecer. E pode, né?

Marcelo por Rui Ramos, a agonia da direita decadente

Não é só na esquerda que está em curso um movimento de placas tectónicas como não conhecemos nos quarenta anos anteriores, nesta experiência de termos PCP e BE a aceitarem ser parte (mesmo que periférica, mas concomitantemente estrutural e, por isso mesmo, radicalmente cultural) da governação. Na direita, no deserto causado pela saída de Portas e pela continuação de Passos, igualmente se contempla o fim de um paradigma (no caso, marcado pela decadência) sem que se vislumbre qual será o seguinte (podendo até vir a ser pior). Exemplo maior deste trânsito, Marcelo está no olho do furacão da crise que tem demolido a direita partidária e ideológica.

Ninguém melhor do que o folclórico Rui Ramos para ilustrar o drama. Eis o que ele escreveu nas vésperas da vitória de Marcelo nas presidenciais:

Marcelo Rebelo de Sousa é mesmo um candidato livre e independente, e é disso que os oligarcas não gostam.

[...]

Ao regime convém um presidente com força própria, que lhe permita nomeadamente ser flexível. Marcelo Rebelo de Sousa tem essa força. Tem a força de um dos mais longos percursos públicos da democracia. Tem a força de quem avançou sem precisar de avales de panteão. Tem a força de quem aceitou o apoio de partidos, mas não o pediu. Tem a força de quem fala para todos, sem clubismos ideológicos. Não é apenas o melhor dos candidatos que se apresentaram. É o melhor de todos os candidatos que se poderiam ter apresentado, desde logo porque teve a coragem de se apresentar. Desculpem, mas nunca houve eleições em que a escolha fosse mais óbvia. Se mesmo assim há um problema, não é Marcelo Rebelo de Sousa.

Marcelo Rebelo de Sousa, obviamente

Nesta ode desvairada, Rui Ramos tenta entrar em diálogo com os fanáticos à direita que queriam outro Cavaco Silva para fazer a folha ao Costa e que lamentavam essa perda por antecipação, pois Marcelo não lhes estava a dar os sinais de querer ir por esse caminho de guerrilha sórdida e boicote institucional. A sua mensagem é “Calma, pessoal! O Marcelo é cá dos nossos e não deixará de os foder quando for a altura. Só que vai fodê-los ao seu estilo, um bocadinho mais elegante e charmoso do que o golpista anterior.” De lá para cá, o vento mudou e ela não voltou. Passou um ano e meio de marcelite aguda. Eis-nos em Pedrógão, um feliz acontecimento na vida publica do Rui. Tomai e comei um pedaço do seu entusiasmo:

Pedrógão-Grande é a maior vergonha do actual regime. Morreram dezenas de pessoas, por falhanço de um Estado que continua a falhar: passado mais de um mês, ninguém desfez as incertezas mais básicas, ninguém explicou, ninguém pediu desculpa, ninguém se demitiu, e parece que o dinheiro da solidariedade ainda está para chegar a quem precisa.

A ignorância de Estado

Notavelmente – aliás, misteriosamente – num texto onde denuncia “a maior vergonha do actual regime“, o nome Marcelo Rebelo de Sousa e as palavras Presidente da República não aparecem. Vamos recapitular: Rui Ramos, licenciado em História e doutorado em Ciência Política (Oxford), consegue dissociar o maior escândalo do regime e o Chefe de Estado nesse mesmo regime, como se habitasse numa ilha sem vivalma e já não se importasse de passar por maluco. Para lá dos aspectos cognitivos fascinantes nessa operação, o que podemos concluir, recorrendo ao bom senso tão bem espalhado pelo vulgo, remete para um regicídio simbólico. O seu herói a 19 de Janeiro de 2016 desaparece do palco e encontra-se agora, em 25 de Julho de 2017, em parte muito incerta, provavelmente no Inferno. Incapaz de o reconhecer no plano consciente, pois tal estilhaçaria a sua identidade tal como ele a constrói publicamente, o choque leva-o para o estalinismo: apaga-se o traidor da fotografia. Porém, o Rui tem uma poção mágica onde vai buscar a sua força argumentativa sobre-humana: o termo “oligarquia”. Cá está ele em acção:

A oligarquia no poder não é a melhor fonte para percebermos o que é lícito e moral. Esta semana, os oligarcas deram-nos a boa nova de que vivemos em democracia, isto é, num regime em que podemos perguntar e discutir tudo livremente, ao contrário do que acontece em ditadura. Ao mesmo tempo, porém, disseram-nos esperar que não fizéssemos perguntas nem discutíssemos a tragédia de Pedrogão-Grande, como alguns políticos e jornalistas, porque isso seria “aproveitamento político”, o que é “imoral” e portanto inaceitável. Em que ficamos? Pode-se ou não discutir tudo? Até onde chega a democracia em Portugal?

Pedrógão Grande: quem tem medo da “politização”?

É isto. É simples. Acossado e ressabiado perante as declarações do Presidente da República onde este deu dois tabefes na violência da direita fanática, a solução do Sr. Ramos passa por considerar Marcelo, o candidato presidencial que atestou ser detestado pelos oligarcas, como mais um deles, igual, provavelmente pior dada a desilusão amorosa causada. Chega ao ponto de conseguir chamar salazarista a Marcelo por carambola com o obsessivo ataque a Costa. Sendo então mais um dos oligarcas, o texto diz-nos que Marcelo quer destruir a liberdade e acabar com a democracia. Porque é isso que o bom povo faz, pela voz dos iluminados com cursos de História e doutoramentos em Ciência Política, quando se cavalga desenfreadamente uma tragédia como a de Pedrógão e se largam os cães de guerra sobre as suas vítimas. O povo quer linchamentos, fogueiras, sangue – desde que devidamente conduzido para os alvos que os iluminados anti-elites escolham do alto do seu superior discernimento. Quem se opõe ao povo livre, que pulsa e respira nos textos libertadores do Rui Ramos, está ao serviço dos oligarcas situacionistas que defendem um Governo de tiranos.

A lição, sem moral, é esta: a direita decadente, do ódio e do fanatismo, tem parasitado o espírito do tempo; a direita criativa, que traga inteligência e coragem, terá de nascer do espírito do lugar. Que lugar é este onde vivemos uns com os outros?

Nicolau, larga o vinho

Apenas hoje vi a situação que levou Nicolau Santos a escrever o seguinte, a 18 de Junho:

Constança Urbano de Sousa só apareceu no sábado à noite, quando o Presidente da República se deslocou ao local. Debitou algumas banalidades. Mas o mais notável que fez, quando Marcelo Rebelo de Sousa se encontrava a falar aos jornalistas tendo ao seu lado Jorge Gomes, foi pedir ao seu secretário de Estado para se chegar para o lado e passar para trás para ficar ela ao lado do Presidente da República (é ver as imagens televisivas para confirmar o que escrevo).

Quando, no meio de uma tragédia destas, numa área sob a sua tutela, a ministra mostra estar preocupada é com a sua visibilidade na comunicação social ou o seu lugar na hierarquia governamental, a única hipótese que resta é a sua demissão. Pelo seu pé, para ser uma saída honrosa. Ou por decisão do primeiro-ministro, porque Constança Urbano de Sousa não merece nem dignifica o cargo que ocupa.

Porque é que a ministra da Administração Interna se deve demitir

O Nicolau não é um desses broncos que fazem o grosso da presença opinativa da direita portuguesa, nem sequer à direita pertence, pelo que podemos excluir o sectarismo e o tribalismo como causas do fenómeno. Provavelmente, foi a comoção pela perda de tantas vidas e a violência do incêndio – amplificada mediática e mimeticamente pela dramatização afectiva de Marcelo in situ – que o levou para a injustiça de atacar a ministra da Administração Interna por uma atitude que não tinha a conotação que ele lhe deu. Também Clara Ferreira Alves, no Eixo do Mal, repetiu a distorção, como se fosse uma evidência estarmos perante algum tipo de erro político ou moral na conduta de Constança Urbano de Sousa.

Ora, não estamos. Primeiro, tudo se passa no reino do ofegante e confuso improviso. Há jornalistas a entrevistarem o Presidente da República, há um secretário de Estado ao seu lado, e há uma ministra que, por razões que desconhecemos e que são irrelevantes para a avaliação do que vemos, não pôde estar ao lado do Presidente quando ele começou a falar com os jornalistas. À volta, há uma catástrofe em curso e uma operação logística de alta complexidade e transbordante intensidade emocional. Depois, Constança toma a decisão de também participar na comunicação aos jornalistas por ser absurda a decisão contrária. O facto de não ter apanhado o começo da conferência de imprensa informal não era razão para se escusar de comparecer para benefício da imprensa e da população. Ela estava obrigada, dadas as suas responsabilidades governativas, a ir juntar-se a Marcelo. Por fim, não partiu dela a iniciativa de trocar de posição com Jorge Gomes, antes de alguém que avisa o secretário de Estado. Este cumprimenta Constança e tem um gesto ternurento enquanto cede a posição. Ainda assim, a ministra não se coloca mesmo ao lado de Marcelo, ficando mais recuada em relação à anterior posição de Jorge Gomes.

Podemos interpretar o episódio de muitas e desvairadas maneiras, obviamente, mas convém respeitar a inteligência dos leitores se a ideia for a de passar módico profissionalismo jornalístico – e mesmo que no caso o género seja jornalismo de opinião, pois jamais tais exercícios se reduzem ao estatuto de mera opinião dado estarem a representar, de alguma forma ou até de várias, a autoridade editorial do jornal, rádio ou TV onde se publiquem. Assim, dizer que “a ministra mostra estar preocupada é com a sua visibilidade na comunicação social ou o seu lugar na hierarquia governamental” só é possível quando se desiste da objectividade, da honestidade intelectual e da empatia. Mesmo que tal aparecesse na forma de uma fortíssima hipótese, por hipótese, escrevinhar a suspeita em forma de certeza e pedir por causa disso a demissão da ministra é um registo de taberna.

De lá para cá, o Nicolau tem mantido a coerência com esta posição inicial nascida nas labaredas da sua subjectividade. Uma irritação que se transformou em orgulho. E preconceito.

Cineterapia


Paterson_Jim Jarmusch

Preferias ser peixe? Se fosses um peixe talvez também escrevesses poemas que não rimam. Com as barbatanas, escritos na areia do mar ou no vazio cheio de água salgada. Tão ou mais poéticos, parecidíssimos. E talvez também te chamasses Oceano, ou Lago, ou Rio, ou Aquário, calhando morares num oceano, num lago, num rio ou num aquário.

Mas se fosses um peixe não poderias conduzir autocarros. Nem ir passear o cão e ir beber a cerveja. Não viverias com uma peixa especialista em fazer queques, elogiar os teus poemas, gastar o teu dinheiro, sorrir e encher a vossa casa de maníacos padrões a preto e branco (não necessariamente por esta ordem).

E depois temos os gémeos. O problema dos gémeos. Gémeos. Duplicações. Paterson com Paterson. Driver com driver. Rimas. Metáforas das rimas que não prestam para fazer poemas na cidade do William Carlos Williams? Consta que Jarmusch escreveu o guião sem gémeos. Por acaso, a mãe de uma miúda que foi escolhida como extra para uma cena no autocarro foi buscá-la às filmagens com a sua irmã gémea. A partir daí, porque sim, decidiu que o filme iria ter gémeos aos magotes. E explica: “É um elemento anti-significativo”. ‘Tá explicado, Jim.

O mais provável, se o filme te percorrer as veias, será concordares que o realizador quis muito deixar-te com a ideia de que a poesia está espalhada à nossa volta, em tudo, nas pequenas coisas, no quotidiano, ao longo da monótona semana. Um condutor de autocarro pode ser um poeta e viver com uma pessoa do sexo feminino sem discussões nem sexo. Um cão pode embirrar sofisticadamente com um fulano e ter actos de crueldade abjecta contra a poesia. As palavras podem juntar-se às palavras, as frases podem suceder-se quais orações, e assistirmos ao divinal processo criativo num ecrã gigante. E esta ideia, ou aquela, ou até a outra, se misturada com personagens que assumem serem actores provocando riso a outros actores armados em personagens, se temperada com um japonês que não se perde em traduções, se embrulhada em folhas que caem e águas que voam, vai deixar-te a gostar mais de ti. Só que não sabes porquê.

Nem tens de saber. O próprio Jarmusch ainda está a aprender o que seja o cinema. Eis o segredo de um dos melhores filme do ano, seja lá qual for o ano em que vejas este exaltante aborrecimento.

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