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O Hemiciclo no círculo vicioso do marasmo português

David Crisóstomo e Luís Vargas, nossos conhecidos de outras andanças, lançaram uma calhauzada no charco do marasmo cívico que nos define e atrofia ao criarem o Hemiciclo – Democracia em tempo real

Tal como escrevem no Sobre, a ambição é heróica: “esta ferramenta pretende melhorar a perceção que muitos possam ter da Assembleia da República e dos deputados dos diferentes grupos parlamentares que a todos nós representam.” À cautela, não explicam como é que lá vão chegar, e compreende-se porquê. É que o discurso contra os políticos, seja de origem populista, ditatorial ou anárquica, não se modifica por estar exposto a nova informação. Os mecanismos cognitivos e sociais que dão força a essa verborreia estão blindados pela recusa da complexidade, da argumentação e da mera aceitação dos factos. Logo, jamais esses indivíduos irão perder uma caloria a visitar o hemiciclo.pt com módica curiosidade para descobrirem algo acerca do que se passa na Assembleia da República. É que se a tivessem, essa abertura da curiosidade por mais ínfima que fosse, nunca teriam começado por mergulhar na alucinação dos simplismos, das distorções e do ódio asinino.

A palavra “ferramenta” descreve bem a função do que foi lançado. Não há dimensões narrativas nem editoriais, apenas blocos temáticos com dados brutos. As interpretações, ilações e reflexões ficam para quem as quiser – e puder – fazer. Só que a enormíssima maioria da população não está em condições de usar a muito bem esgalhada ferramenta porque ela é demasiado técnica para as suas capacidades intelectuais, não dispondo das literacias variadas necessárias ao aproveitamento do caudal informativo. Serão os jornalistas, os investigadores, os políticos e uma franja de cidadãos motivados para a intervenção cívica e política a utilizar em pleno o que ali se organiza com eficácia e bom gosto.

Independentemente da viabilidade do sonho lindo de ajudar os cidadãos a conhecerem melhor a sua democracia, este projecto é também especialmente relevante por causa da comparação com o que acontece em parlamento.pt, o canal digital oficial da Assembleia da República. Com um desenho gráfico e concepção tecnológica que há 10 anos já estavam anacrónicos, o estado de abandono quanto às funções e linguagens de comunicação que ali poderiam ser aplicadas é um problema político por excelência. Revela que o marasmo cívico que nos define e atrofia é um espelho do marasmo político em que os partidos existem como organizações sem criatividade, sem imaginação, sem lideranças autênticas. Acaso não teria sido possível a uma qualquer juventude partidária fazer o mesmo que o David e o Vargas acabaram de fazer? E acaso não teria sido possível uma qualquer juventude partidária propor às congéneres a criação de uma equipa para lançarem em conjunto um projecto de pura cidadania, no caso o do renovo e expansão do canal digital do Parlamento? E, foda-se, não poderia algum adulto, num qualquer partido com representação parlamentar ou sem ela, ter-se lembrado do mesmo e ter levado a ideia aos miúdos que nasceram já a falar digitalês?

Também por este último ponto, ou que fosse só por este, parabéns à dupla criativa e cidadã.

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Psssst

Por favor, não grafem “site” como se essa aberração fosse uma palavra portuguesa para ler em português. Por favor, respeitem a constituição da Língua com uma devoção, se não maior, pelo menos parecida com aquela que sabemos terem pela Constituição e pelo constitucionalismo.

Revolution through evolution

‘Marrying Up’ Is Now Easier for Men, Improves Their Economic Well-Being, Study Finds
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A Magic Formula to Predict Attraction Is More Elusive Than Ever
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Romance and affection top most popular sexual behaviors
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Higher coffee consumption associated with lower risk of early death
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3-D scanning methods allow an inside look into fossilized feces
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Doping in sports: Official tests fail to pick up majority of cases
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Exclusion from school can trigger long-term psychiatric illness
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Este é o novo rosto da luta contra a censura


«No final da sua intervenção de cerca de 50 minutos, Cavaco Silva deixou um alerta enigmático: pediu diretamente aos jovens “força e coragem para combaterem o regresso da censura”, não especificando a que práticas se referia para invocar a existência de censura.

“Apesar das coisas estranhas que têm acontecido no nosso país, apesar de afirmarem que a censura está de volta, estou convencido de que o portugueses ainda valorizam a verdade, a honestidade e a competência, o trabalho sério, e a dedicação a servir as populações”, disse, limitando-se a sugerir a leitura de um artigo da colunista do Observador, Maria João Avilez, publicado na passada segunda-feira.

No artigo, intitulado “O meu mundo não é deste reino”, Maria João Avilez defende, entre outras ideias, que a “intimidação, a denúncia, a manipulação, a mentira, o escárnio público, abater-se-ão sobre os prevaricadores, qual raio ou trovão. A extrema-esquerda, radical de seu nome próprio, é aliás exímia na aplicação destes instrumentos que manuseia com a habilidade ácida do ódio. Temo-lo visto. É preciso licença prévia para pensar e depois dizer alto o que se pensou”.»


[Sick]

Pensava que era uma lenda urbana, mas aconteceu mesmo

PSD desafia Costa a retirar confiança à candidatura do PS a Loures

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Aconteceu, está acontecido. O PSD ficou indignado porque a candidata do PS em Loures abriu a boca e deixou escapar que admitia vir a aliar-se a André Ventura após as eleições. Nas imortais palavras de Pedro Pinto, presidente da distrital de Lisboa do PSD, eis o repto: “Queremos saber qual é posição do secretário-geral do PS nesta matéria e saber se vai tirar consequências políticas”.

O caso não é para menos. Pedro Pinto acha chocante que Sónia Paixão, pessoa que acumula a candidatura autárquica com ser funcionária da CML escolhida por Costa, se atreva a declarar a sua disponibilidade para vir a trabalhar com um candidato populista, demagogo, racista, militarista e defensor da pena de morte, entre outras barbaridades já ditas ou por dizer até ao último dia da campanha eleitoral. Naturalmente, o PSD tinha de reagir e chamar Costa às suas responsabilidades.

Vamos, então, aguardar. Com serenidade, mas igualmente com sentido de urgência. É um momento definidor para o futuro político de António Costa e respectivo legado do Partido Socialista em questões fundamentais atinentes à defesa da Constituição, dos direitos humanos e da mais básica decência cívica.

Revolution through evolution

Research shows women outlast men during dynamic muscle exercises
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Like adults, children show bias in attributing mental states to others
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​Why Both Bigots and Egalitarians Say ‘They Don’t See Race’
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More than 99 percent of the microbes inside us are unknown to science
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Given the choice, zebrafish willingly dose themselves with opioids
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Dancing can reverse the signs of aging in the brain
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High Moral Reasoning Associated with Increased Activity in the Human Brain’s Reward System
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Duas aves raras

Hoje teremos um divertido espectáculo de circo entre Floyd Mayweather e Conor McGregor. Aconteça o que acontecer, a palhaçada está garantida. Resta só saber qual seja o desfecho mais risível, indo a minha preferência para que o Floyd dê um sovão no Conor. O inverso também será hilariante, mas menos.

Aqui fica uma curiosidade para portugueses. O som não tem qualidade, e o sotaque do português à mistura com a pronúncia do irlandês ainda dificultam mais a percepção do que estão a dizer. Mas o registo é genuíno e vale como documento de “variedades”.

No país do Dinis

David Dinis não botou faladura acerca das peças que publicou sobre Sócrates através de Cristina Ferreira e Manuel Carvalho. Assim, não sabemos com exactidão se subscreve a tese da corrupção do Governo socialista na origem do que veio a acontecer na PT em 2014 ou se assina por baixo o retrato manuelino da “tenebrosa era de Sócrates“. Já quanto ao calculismo e sonsice da sua postura, a exactidão é absoluta. Um director tão entusiasmado com a época dos fogos florestais, a qualidade das cercas nos paióis do Exército, o CR Centeno e as danças de salão de Costa e Passos parece especialmente vocacionado para partilhar connosco o que pensa das inauditas e homéricas acusações que manda publicar contra ex-governantes, banqueiros e administradores – acusações que levantam questões de regime. Que estranho o seu silêncio. Será um caso de timidez? Ou ainda não teve tempo para teclar a respeito?

Em vez disso, no próprio dia em que chutava para canto o texto de Sócrates a defender-se dos ataques do Público, o magnífico Dinis voltou ao tema da sua predilecção: os mortos de Pedrógão. Veja-se o gosto com que escreve sobre esse delicioso assunto, imitando na perfeição o estilo de outro grande artista do porno-lirismo que admira de paixão, o PSG:

Que Verão estúpido, este que nos calhou em sorte. Começou há dois meses em Pedrógão Grande. Esse dia que ainda nos parece impossível, esse impossível que nos deixou a perguntar porquê. 64, 65 ou 66 vezes porquê.

Fonte

Não é lindão? 64, 65 ou 66. Os mortos transformados em números, os números usados como arma de arremesso. Ou seja, os mortos a servirem para despachar textos narcísicos e inanes onde os autores se entretêm a imaginar-se líderes de opinião no topo do comentariadado nacional. Porque raio os escrevem? Porque podem, porque querem e porque não resistem à fantasiada importância que dão a si próprios por causa dos cargos que ocupam e da sua notoriedade potencial. E qual o efeito no espaço público, na sociedade, em alguém que tropece nele, de um texto que se limita a ser um exercício de lamúria onde se chafurda numa propalada impotência de tudo e de todos? Terá o Dinis a obrigação contratual de escrever um mínimo de caracteres por mês, não importando que tal se contente em ser o despejo dos seus maus fígados?

Porém, contudo, todavia, eis que Sócrates aparece no seu paleio sobre Pedrógão – “What else?” Qual deus ex machina, não satisfeito em ter chegado à Madeira, o director do Público vai buscar os idos de Março de 2011 para terminar o texto, tão bonito, com um fogacho só para iluminar o tal livro sobre a coisa que lhe terá dado alguns tostões a ganhar. É a celebração da estética da decadência, pretende deixar-nos a paisagem de um país destruído pela maldade dos políticos. Os tais políticos que não respondem às perguntas – 64, 65 ou 66 perguntas – que os valentes portugueses a trabalharem heroicamente em órgãos de comunicação livres dos socialistas corruptos fizeram assim que toparam com a fumaça na linha do horizonte.

Também Manuel Carvalho, na sua cena do ódio dirigida a Sócrates et alia, nos deixa o “falhanço do país que fomos nesses anos perdidos da primeira década do século” nos braços. É a sua opinião, apenas uma opinião. Mas posto que é esta a sua opinião, então o seu trabalho como jornalista de opinião passa a ter de ser avaliado precisamente pelo conteúdo que preenche a sua subjectividade. No caso, ele revela nada mais conseguir julgar, quiçá reconhecer que exista ou tenha existido, para além do odor a crime num caso ainda sob investigação e que não sabemos se, quando e como chegará aos tribunais, muito menos o que aí ficará estabelecido como provado.

O país do Manuel Carvalho, tal como o do David Dinis, tem o tamanho da sua parola vaidade e é habitado obcecadamente pelas suas preferências e aversões. De facto, parece miserável.

Manuel Carvalho, contador de histórias

A Manuel Carvalho foi dado o papel de carrasco moral dos alvos escolhidos pelo Público na sua continuada vingança contra Sócrates: Uma história que nos empobreceu e nos envergonha. Trata-se de um exercício punitivo, ao seu estilo usual mas em versão condensada, onde não apresenta qualquer informação tangível que permita aferir da objectividade na origem da sua retórica. Uma retórica que, apesar de básica e convencional, merece atenção. Porque este Carvalho está a representar o jornal onde escreve e, por extensão, a posição e intenções do director e do accionista.

As ideias sobre as quais se ergue a pedir fogueiras no Terreiro do Paço são exactamente as mesmas da direita decadente e da indústria da calúnia:

– Há corrupção em Portugal, mas este tipo de crime está circunscrito na sua quase totalidade aos anos de governação de Sócrates, o resto a existir não tem importância comparável.
– Se não fosse pela corrupção de Sócrates, as malfeitorias de Salgado não teriam acontecido no grau em que aconteceram.
– A corrupção de Sócrates não é uma questão de investigação ou opinião, apenas de aplicação da Justiça.
– Misteriosamente, ninguém de ninguém – “Tudo aconteceu sem que os reguladores vissem, sem que altos quadros da PT denunciassem, sem que a imprensa se empenhasse em perceber, sem que as instâncias judiciais fossem capazes de antecipar o que estava em jogo.” – percebeu o que se passava. Não porque fossem estúpidos, muito menos cúmplices, até porque este Carvalho não é nada estúpido, bem pelo contrário, e abomina os tais bandidos que nos está a fazer o grande favor de denunciar. Pelo que temos de recorrer ao conceito de mistério para falar do fenómeno. Algo que ele, pelo menos, consegue nomear: “a tenebrosa era de José Sócrates“. Que é como quem diz, a era do Diabo, o mistério do Mal.

Pois bem, o que temos aqui é o clássico processo da diabolização. O que a retórica pretende alcançar é um efeito cognitivo onde uma dada audiência abdica do seu sentido crítico, da distância racional entre o discurso que se consome e a realidade a que ele alude, levando a que se mergulhe pelo pensamento mágico num universo irracional. Nesse universo deixa de existir um Governo, um Parlamento, o Presidente da República, a Justiça, as instituições públicas, as polícias, a imprensa, os cidadãos e ficamos só com o monstro diabólico em grande plano a encher o ecrã. Como se trata de ficção, do reino da fantasia, não é preciso explicar nada. A nossa imaginação preenche todos os espaços vazios e dá sentido a qualquer aparente absurdo. Os monstros têm poderes sobrenaturais, é dessa forma que conseguem fazer as monstruosidades que nos dizem que eles fizeram, topas? É simples, poderes sobrenaturais, pá. É por isso que tudo aconteceu sem que os reguladores vissem, sem que altos quadros da PT denunciassem, sem que a imprensa se empenhasse em perceber, sem que as instâncias judiciais fossem capazes de antecipar o que estava em jogo, carago!

Este Manuel Carvalho talvez acredite mesmo no que escreve. É possível porque qualquer coisa é possível nos chamados seres humanos. O ódio é um inesgotável combustível para a inspiração moralista. Mas também se pode dar o caso de este bacano ser um pândego. Nesse caso, calhando dar por si obrigado a explicar (mesmo que mal e toscamente) a logística de cumplicidades nos Executivos, Parlamento e Partido Socialista necessária para que Sócrates fosse o responsável pelo que ele lhe atribui, o mais provável seria irromper em pranto. Um choro de alívio, causado pela possibilidade de recuperar alguma salubridade mental na sua relação com a realidade exterior.

Para quê fazer jornalismo quando é tão mais fácil fazer um filme?

O Público encarregou Cristina Ferreira de um híbrido onde a propósito de alguns factos e de muitos pseudo-factos se largam opiniões, preferências, intenções. Por exemplo:

“Pouco mais de um ano depois de ter assumido o cargo em São Bento, José Sócrates e Ricardo Salgado vão traçar agendas paralelas. Mas, claro, quando se ganha muito poder, às vezes perde-se o rumo. E com o tempo o relacionamento tornou-se uma bomba-relógio.”

A jornalista não só tem uma forte convicção acerca dos efeitos que o poder causa na manutenção do rumo, seja lá o que a prosa queira dizer, como desenvolveu uma teoria que abarca as dinâmicas do relacionamento bombástico. Isto não é jornalismo porque o jornalismo não é isto. Poderá ser psicologia, ficção ou até astrologia. Mas é vendido como jornalismo porque está ao serviço de um intento calunioso.

“A estratégia estava lançada. A 2 de Março de 2007, mais de 50% dos accionistas presentes em assembleia geral travaram a desblindagem dos estatutos da PT, a condição de sucesso da OPA. Para dar força à decisão do centro de comando liderado por Granadeiro, José Sócrates instruiu Armando Vara, dirigente socialista (arguido na Operação Marquês) e vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos (com 6% da PT), para votar ao lado do BES e da Ongoing. E foi assim que a Sonae perdeu a guerra.”

Por “a estratégia estava lançada” a autora do texto remete implicitamente para o que escreveu nos parágrafos anteriores. Acontece que os parágrafos anteriores não revelam estratégia alguma, antes se resumindo a ser um conjunto de insinuações manhosas coladas com cuspo. A parte em que se diz que “José Sócrates instruiu Armando Vara” será muito provavelmente crime até prova em contrário. O remate “E foi assim que a Sonae perdeu a guerra.” é um delicioso momento de humor involuntário. Esqueceu-se a artista de incluir nesta reportagem de guerra o telefonema de Paulo Azevedo para Sócrates, não desmentido pelo primeiro, onde a Sonae tentou que o Governo abandonasse a sua imparcialidade na OPA e favorecesse uma das partes. Pormenores, enfim.

“Para um primeiro-ministro pode ser muito enaltecedor aparecer a promover uma megaoperação transnacional. Para festejar o acordo Oi-PT, José Sócrates ofereceu um banquete em São Bento, onde compareceram, entre outros, Ricardo Salgado, Carlos Jereissati, Otávio Azevedo, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava. Hoje, todos condenados, detidos, constituídos arguidos ou visados em investigações. Para o jantar foram convidados ministros, um deles, Pedro Silva Pereira.”

Bem lembrado, o Pedro Silva Pereira. Quando é que vai de ramona para Évora? Se Sócrates é o maior criminoso da História de Portugal, como a gente séria não se cansa de berrar, e se este Pedro era unha com carne com o cabrão, como é que é possível que esteja à solta e tenha o desplante de aparecer a dizer coisas na comunicação social em vez de estar fechado em casa a vergastar-se até ao osso? Já agora, alguém acredita que o Augusto Santos Silva também ignorasse o estado de sistemática e desvairada roubalheira que Sócrates impôs como cultura nos Governos que chefiou? Pois é, ainda vamos ter mais 20 ou 30 anos de Operação Marquês até conseguirmos tornar o ar respirável.

“Semanas depois, em Lisboa, os dois principais arguidos da Operação Marquês, José Sócrates, e do Lava-Jato, Lula da Silva, não escondiam a cumplicidade que os unia, exposta, a 23 de Outubro de 2013, quando Sócrates convidou Lula e Mário Soares para apresentarem o seu livro Confiança no Mundo — Sobre a Tortura em Democracia.”

É sabido que os maiores criminosos do Mundo não resistem a expor as suas cumplicidades no lançamento dos respectivos livros. Isto é lana caprina há séculos no meio académico.

“A 24 de Julho de 2014, ao aparecer em Cascais, na Boca do Inferno, para transportar Ricardo Salgado para o DCIAP, em Lisboa, o MP dava um sinal: ninguém seria poupado. Nem os poderosos. Meses depois, seria a vez de José Sócrates ser detido no âmbito da Operação Marquês.”

Ena! Uau! Desta vez nem os poderosos são poupados! Uau! Ena! Os poderosos! Que felicidade! Abaixo os poderosos! Poderosos para a prisão! Ah, que alívio vivermos num país onde, finalmente, os poderosos estão a ter o tratamento que merecem! É lindo, morte aos poderosos!

“Hoje, os principais “actores” deste filme, mesmo os que se julgavam acima da lei, estão, de um modo ou de outro, a prestar contas à justiça.”

Cristina Ferreira sabe quais são os actores do seu filme que se julgavam acima da lei. Privilégios de ter sido a guionista, a produtora e a realizadora do tal filme. Só é pena que esteja a concorrer com ele na categoria “documentário” onde não poderá ser avaliado pelo júri.

Sócrates respondeu com “Não vem ao caso”*, onde elenca factos e deduções a partir dos mesmos e da experiência directa que reclama nas situações em causa. Seria então de esperar, diz-nos o bom senso embrulhado em cristalina ingenuidade, que o Público aproveitasse a ocasião para desmontar a argumentação socrática ou, pelo menos, para estabelecer um confronto legítimo que permitisse aos leitores um acrescento de informação e inteligência sobre matérias tão complexas e ambíguas dados os factores objectivos e subjectivos na berlinda. Só que não, limitaram-se a carimbar o texto de Sócrates como sendo a sua versão e nada mais acrescentaram. Será isto jornalismo de referência, sequer jornalismo? Não, isto é a exploração mediática de uma crença na culpabilidade de um grupo de pessoas envoltas em processos judiciais de desfecho imprevisível. Donde, não ser do interesse do jornal chegar a uma verdade alternativa àquela que se esforça por promover.

Estranho? Nada. Este é o mesmo jornal que, dias depois da OPA ter sido chumbada, no início de Março de 2007, iniciou uma campanha de assassinato político de Sócrates publicando aquilo que estava a guardar na gaveta, fosse porque não prestava de acordo com critérios jornalísticos que respeitem o seu código deontológico ou para não interferir com os interesses da Sonae. José Manuel Fernandes ficaria, a partir daí, com a obsessão de destruir Sócrates e tudo fez para tal enquanto teve o Público como instrumento de ataque. E não será a lermos o semi-pasquim que alguma vez ficaremos a saber porquê.

Pois é, Vara, temos aí um problema com essas escutas

O Sol tem escolhido o tema Sócrates para tentar vender jornais não se sabe a quem. É o tema favorito da direita desde 2007, levamos 10 anos consecutivos e intensivos disto, no que é um caso a merecer todo o tipo de estudos nas áreas da política, sociologia, comunicação social, antropologia, psicologia e até psiquiatria – mas, onde estão eles? Em duas semanas saíram na capa O plano de Vara para calar os media e “A conversa fatal”. Talvez ainda estejamos só no início e o tema fique como parangona neste pasquim até ao Natal.

Trata-se de supostas conversas tidas entre Armando Vara e Joaquim Oliveira. Não sabemos como foram obtidas nem temos forma de aferir da sua veracidade e exactidão. Na última até se chega ao preciosismo de explicar que “o diálogo que se segue foi reconstituído pelo SOL a partir da informação recolhida em várias fontes“. Ora, que situação poderá estar na origem da “reconstituição” de uma conversa privada a partir de “várias fontes”? Aceitam-se hipóteses, sendo que o cheiro a crime é intenso.

Primeira constatação: não há qualquer matéria do foro legal que surja nos diálogos publicados. Em vez disso, temos suposto voyeurismo, suposta devassa e intencional assassinato de carácter. A terem realmente existido aquelas conversas tal como aparecem escritas, elas não foram pensadas para serem objecto de avaliação pública – e isto diz respeito à essência do Estado de direito pois é uma prerrogativa da liberdade individual, o direito à privacidade. Não é justo nem decente que sejam publicadas. Donde, por que razão foram registadas, foram conservadas e são agora exploradas mediaticamente? A resposta é só uma: porque são politicamente valiosas. Politicamente valiosas não para algum assunto que remeta para o bem comum e a governação dos cidadãos e da República, mas politicamente valiosas para uma estratégia de baixa política, de calúnia e de perseguição a certas personalidades e a um certo partido.

Vejamos dois exemplos da estupenda distorção e pura pulhice do que o Sol está a fazer:

"Enquanto isto, novos jornais, como o diário i, eram criados à sombra dos mesmos grupos para fazerem a defesa das políticas socráticas antes das legislativas. E tentava-se ressuscitar a revista Grande Reportagem."

"A discussão alonga-se, com Joaquim Oliveira a atirar a responsabilidade para o então diretor do DN, João Marcelino: «O que é que eu vou fazer, bater-lhe, despedi-lo?». Vara não tem dúvidas sobre o destino do jornalista: «Sim, vai acabar por fazê-lo, é uma questão de tempo!». Oliveira pensa na indemnização que terá de pagar a Marcelino (que, segundo o contrato, é da ordem dos milhões), e comenta: «Mas vai ficar caro desta vez se o mandar embora»."

O jornal i foi lançado em Maio de 2009 e o genial plano de “defesa das políticas socráticas” foi confiado ao Martim Avillez Figueiredo, um socrático retinto. Este passarão era tão socrático, mas tão socrático, que até conseguiu fazer uma primeira página com o blogue “O Jumento”, recorrendo para a façanha a outro famoso socrático, o enorme Paulo Pinto Mascarenhas. O i foi um ensaio do que viria a ser o Observador, só que numa versão chunga. Mas no Sol drogam-se tanto, ou tão pouco, que conseguem escarrapachar com grotescos delírios deste calibre pois o público a quem se dirigem está igualmente todo queimadinho dos fusíveis.

Quanto ao João Marcelino, cromo com a escola do Correio da Manhã, ele é uma figura incontornável no percurso e ascensão de Passos. No DN, existia sob a sua batuta uma brigada laranja, de que fazia parte o David Dinis. O DN marcelista esteve bem quando denunciou a Inventona de Belém, também porque tal prejudicaria Ferreira Leite e estava ao serviço da estratégia de levar Passos para a liderança do PSD, mas o brilharete não elude a sua agenda. E que podemos então descobrir graças ao jornalismo de excelência do Sol? Que o patrão do Marcelino nada podia fazer para impedir ou sequer condicionar a autonomia directiva de quem punha e dispunha no DN. Tão blindado estava o poder do João Marcelino que, de acordo com a calúnia que subjaz à peça, nem perante o tal credor dos 300 milhões nós temos qualquer indício de que Joaquim Oliveira vá ceder a pretensas manobras censórias e manipulativas. É ao contrário, de acordo com o suposto diálogo reproduzido, ele avança com razões para manter a integridade das opções do Marcelino, inclusive aquelas que calhem não lhe agradar politicamente.

O que está aqui em causa, para quem se preocupar com a salubridade da comunidade e com a defesa das instituições políticas, remete para as condições em que foi possível escutar um primeiro-ministro em funções e alguém do seu círculo de intimidade política e pessoal. Nunca tal tinha sido feito antes, que se saiba, e não foi feito com políticos de outras áreas políticas depois. Acresce que foi feito no contexto de uma crise sem precedentes em democracia que fez desabar partes consideradas intocáveis da oligarquia nacional. Não existe um Sol, um Correio da Manhã, um Expresso, uma SIC, um Público à esquerda. Nunca tivemos algo comparável à TVI do casal Moniz à esquerda, a tal TVI que também foi anunciada como um veículo para o PS por ter como dona a Prisa e que foi palco das maiores campanhas negras contra os socialistas de que há memória em televisão. Donde, só se as conversas privadas de Passos Coelho, Portas, Miguel Relvas, Marques Mendes, Ângelo Correia, Pinto Balsemão fossem capturadas nesses momentos em que estão a divagar e a dizer caralhadas a respeito de políticos e governantes, negócios feitos e sonhados, é que um estado de equilíbrio seria restabelecido. Mas seria viável governar o País, ou qualquer país, caso se decrete a proibição da privacidade para políticos e todos quantos tenham relações com eles?

Ferreira Leite, e logo em Aveiro em 2009 para que não haja qualquer dúvida sobre a origem da bacorada, e Paula Teixeira da Cruz, enquanto ministra, disseram publicamente que consideravam muito provável terem os seus telemóveis sob escuta. Esta obscenidade não se explica só por um estado paranóide mais ou menos natural. O que seguramente terá acontecido foi o trânsito imediato das escutas que se faziam a Vara e a Sócrates – e sabe-se lá mais a quem com importância política – para os responsáveis políticos da direita portuguesa, Cavaco incluído. As senhoras estariam apenas a constatar o óbvio, essa merda acontecia mesmo e perante os seus olhos. Só isso explica a súbita virulência e constantes insinuações, em registo de aberta bazófia e incontrolada agressividade, a que pudemos assistir por parte de políticos e jornalistas laranjas assim que a operação Face Oculta foi lançada. Se as escutas eram pasto livre para jornalistas amigos, então pelas mesmas razões seriam um néctar para políticos amigalhaços. A própria Inventona das Escutas encontra aqui a sua lógica, posto que a tentativa de envolver Sócrates num processo judicial por “atentado ao Estado de direito” não iria ter sucesso. Não iria ter sucesso porque Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento defenderam as suas instituições, o processo democrático e o Estado de direito. Prova? É ler o Sol.

Revolution through evolution

College Men Mostly Presume Consent in Sexual Encounters with Women
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What you say about others says a lot about you, research shows
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Gender norms are still important for women’s choice of college major
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Feeling bad about feeling bad can make you feel worse
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Secret to happiness may include more unpleasant emotions
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Study Shows High School Math and Civics Predict Voting Behaviors in Midlife
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When DNA Evidence Challenges Ideas of A Person’s Racial Purity, White Supremacists Use a Decision Tree to Affirm or Discount the Results
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Dizer coisas sobre o terrorismo

O terrorismo também violenta e destrói os terroristas e suas famílias e amigos.

O terrorismo é todo igual. Não há terrorismo bom, menos mal, assim-assim, justo, justificável.

O terrorismo não se pode impedir. Só prevenir, só acautelar, só remediar.

O terrorismo não pode vencer. E sabe que não vai vencer. É por isso que se satisfaz em atacar os mais fracos e desprotegidos. Ou em apagar a alteridade e a beleza.

O terrorismo alimenta-se da sua mediatização, é uma procura suicida por uma celebridade alucinada.

O terrorismo combate-se com a liberdade, a democracia e a inteligência, servidas pela coragem.

Da excepcionalidade americana

A chegada de Trump ao posto mais alto na mais importante democracia planetária foi um momento de tristeza e aflição para quem se reveja nos valores clássicos que estruturam as noções de humanismo e liberdade na origem e desenvolvimento daquilo a que chamamos civilização liberal. Esta tradição liberal abarca todas as inovações intelectuais, políticas e sociais que estabeleceram, ou contribuíram para estabelecer, um reconhecimento universal da dignidade e direitos políticos de todos os seres humanos sem necessidade de outra qualificação. Num certo sentido, tem-se tratado de uma elaboração positiva com a intenção de reconhecer uma condição natural: se és humano, és naturalmente livre, cabendo aos restantes poderes adaptarem-se a essa tua natureza primeva. Nesse trajecto, tem-se lutado com as concepções naturalistas acerca do poder, as quais o colocaram ou ainda colocam do lado do mais forte e/ou do divino, da etnia ou da ancestralidade. E blá, blá, blá do melhor que este planeta já criou.

Ao mesmo tempo, aquilo a que temos assistido, desde uma campanha eleitoral que pulverizou todas as regras conhecidas da comunicação política até ao caos instalado na Casa Branca logo a partir do primeiro dia em que Trump lá pôs os presidenciais pés, é incrivelmente fascinante. Mais, é um privilégio, para cientistas sociais e meros curiosos, poder observar o edifício da governação e democracia norte-americana a ser levado para águas nunca dantes navegadas, pelo menos na memória dos vivos e dos que estudam os canhenhos de História. Não fosse tudo isto poder acabar horrivelmente mal, seria ocasião para gáudio inesgotável.

Mas será que devemos temer o pior ou, pelo contrário, Trump servirá para provar a robustez do sistema político norte-americano? Veja-se a actual situação que deixou centenas ou milhares de milhões em estado de choque: estamos confrontados com um presidente dos EUA que defende racistas, fascistas e nazis e que despreza as vítimas da sua violência e crimes. Nunca tal tinha acontecido e podemos apostar tudo o que tivermos no banco e nos bolsos em como não voltará a acontecer. Ao tempo em que escrevo, a ênfase mediática está concentrada na abjecção moral e civilizacional da sua atitude. Porém, a situação revela algo muito mais grave. Um presidente dos EUA que não tem a noção dos efeitos políticos, sociais e culturais do que está a dizer a respeito destes assuntos não está igualmente capacitado para tomar decisões em qualquer outra matéria de importância para o Estado e a segurança do seu país. Neste momento, no Pentágono, na CIA, no FBI, nas universidades e no mundo empresarial americano o sentimento deve ser de pânico caso se rejam pelo realismo. Essa gente toda não vai ficar de braços cruzados a ver um completo taralhouco, patologicamente narcisista, a tornar a América miserável outra vez.

Revolution through evolution

Women have more active brains than men
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Media portrayals of pregnant women, new moms unrealistic
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Supportive relationships linked to willingness to pursue opportunities
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Sitting in the Sun Is Linked to Days When People Lived in Caves, Scientists Believe
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‘Resilience-in-Action’ Is Key to Team Success, Whether in Backwoods or Business
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Englishness and Theatre in Revolutionary America
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Where is everybody? The implications of cosmic silence
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Dâmaso Sal&Sede

Nos bastidores da maioria parlamentar já há quem faça contas ao mandato da procuradora-geral da República, que acaba em outubro de 2018. O desconforto em alguns setores do PS, BE e PCP com Joana Marques Vidal é evidente. O círculo dos amigos de Sócrates, que inclui figuras como Francisco Louçã mas já não António Costa, não perdoa o processo ao ex-primeiro-ministro. Não é a acusação que há de chegar em setembro que os incomoda, mas o facto de o processo ter existido.


O mandato da PGR – O desconforto em alguns setores do PS, BE e PCP é evidente.

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Quem se atrever a questionar a ilegalidade e imoralidade reinantes na parte da Justiça que quer fazer política e/ou dinheiro cometendo crimes passa a cúmplice de Sócrates, do Sócrates devassado e diabolizado pelos esgotos a céu aberto, vem dizer-nos um dos mais notáveis representantes e agentes desta corrupção institucional. O seu sentimento de inatacabilidade é tão obscenamente grande que ele se permite escrever publicamente que há não sei quem no BE e no PCP que “não perdoa o processo ao ex-primeiro-ministro“.

Não se trata de uma alucinação, natural ou causada por drogas (ou falta delas). É outra coisa. O gajo acredita que pode gozar com esta merda toda, como quiser e pelo tempo que lhe apetecer. E pode, né?