Costa e Marcelo querem agora impressionar-nos com muitos combates à corrupção e planos nacionais pomposos.
Tudo irrelevante.
Não nos esqueçamos de que ambos acordaram livrar-se da então PGR Joana Marques Vidal num momento crucial.
O resto são cantigas de entreter.— Miguel Morgado (@mfmorgado) December 9, 2019
Louçã sair em defesa de Costa no caso Tancos e atacar o juiz Carlos Alexandre já não deveria espantar ninguém. Não é ao acaso que é conselheiro de Estado, membro do Conselho Consultivo do BdP (proposto por Centeno) e figura de proa da SIC e do Expresso.? https://t.co/fmeteSVNGG
— F. Almeida Leite (@FranciscoALeite) December 30, 2019
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Que têm em comum estas duas bocas e respectivas cabeças? O PSD, a Católica e Passos Coelho, para começar. E um repetido e impante à-vontade para difamar as instituições democráticas e emporcalhar o espaço público. Não é uma coincidência.
Miguel Morgado faz o sebastianismo de Joana Marques Vidal enquanto trata o actual primeiro-ministro e o actual Presidente da República como cúmplices dos crimes de corrupção – portanto, como criminosos. Indiferente ao absurdo e delírio de fazer depender de um único indivíduo o combate contra a corrupção, o que o motiva na aberração cognitiva é o acto de assinalar a sua disponibilidade para ser agente de violência política. Com ele a mandar nisto, haverá xerifes implacáveis que vão disparar primeiro contra a bandidagem socialista e tratar da papelada a seguir.
Francisco Almeida Leite junta Marcelo Rebelo de Sousa e Pinto Balsemão, mais os respectivos nomes que se podem associar institucional e profissionalmente a cada uma das duas magnas figuras, no Campo Pequeno da sua demente pesporrência e esvazia os carregadores da Gatling. De acordo com o que tecla, o Expresso e a SIC têm um plano secreto (mas que ele topou e resolveu partilhar com a gente séria) que passa por usar Louçã em ataques contra o único juiz que nos pode salvar dos corruptos. Nem o vinho nem outro tipo de drogas explicam tamanha estupidez.
Não é uma coincidência que duas figuras tão próximas de Passos Coelho estejam agarradas à judicialização da política e à politização da Justiça como se a política se reduzisse ao poder para condenar adversários. Passos é o herói destes decadentes porque conseguiu colocar uma comissária política na Procuradoria-Geral da República, e essa magistrada permitiu que se detivesse e prendesse o ícone supremo do ódio político, Sócrates, sem provas para tal e deixando o Ministério Público cometer variegadas irregularidades – e até crimes – antes, durante e depois da caçada. Na verdade, quando se usa a Justiça para perseguir e abater adversários políticos a caçada nunca acaba. O simbolismo de arrastar o corpo do inimigo pelo chão tem um fascínio arcano e deixa em êxtase a tribo triunfante. Pretende-se espalhar o terror nos alvos restantes, transmitir que se é invencível.
Não existe qualquer órgão de comunicação social, nem um, onde se trate com isenção, cidadania e decência a “Operação Marquês”. Não existe qualquer figura pública, uma única que fosse, capaz de apresentar uma análise objectiva do que tem ocorrido na Justiça, no sistema partidário, na Presidência da República e na imprensa a respeito do que está a ser feito a Sócrates. Quem o poderia assumir e apresentar inibe-se porque a neutralidade é impossível quando todo o ecossistema mediático está tomado por sectários ou pós-traumatizados. Restam fogachos de coragem e decência, de que Miguel Sousa Tavares, Garcia Pereira e Pedro Marques Lopes são exemplos que saltam alto na memória.
Passos Coelho e Joana Marques Vidal, com a bênção e munição de Cavaco, representam o futuro de uma direita que desistiu de fingir precisar de ter ideias. Estes ferozes caçadores de socráticos passam agora o tempo a lamentar-se de ter perdido o músculo.