
Na luta em redor do próximo referendo, a Igreja e seus apaniguados querem à viva força ocupar o trono da virtude imaculada, remetendo todas as demais opiniões para o Inferno. E isto não promete melhorar até dia 11 de Fevereiro, antes pelo contrário. Querem ver com que linhas é que se cose esta malta? Dêem um salto ao “Blogue do Não” e arrepiem-se com um despudorado desfile de aldrabices, calúnias, falácias e omissões. Tudo coisas que nunca imaginaríamos em criaturas tão puras e virtuosas.
Comecem por ler o que um tal Vacas escreve: “para os defensores do SIM, o facto de criar uma criança sair mais caro que abortar é razão suficiente para liberalizar o aborto. É imbatível esta lógica. E arrepiante.” Arrepiante é sim alguém querer fazer passar este asco por uma ideia. Porque se não dedica a criatura a pensar antes de escrever? Ou, pelo menos, que trate de citar quem defenderia tal absurdo. Mas claro que é mais fácil atribuir ao inimigo (generalizando, claro) ideias monstruosas do que explanar argumentos próprios.
Depois, outra luminária, a assinar “Ferreira Martins”, garante-nos, com a solenidade de um la Palice involuntariamente cómico, que “A vida começa no princípio”, esquecendo-se de nos explicar se o espermatozóide e o óvulo estão falecidos ou coisa que o valha, no momento da concepção. Que eu saiba, “vida” já existe bem antes de o João e a Maria decidirem coisar.
Há também espaço para as descobertas fulminantes, como esta de Francisco Mendes da Silva: “o Ministro Correia de Campos assegurou que em nenhum caso o SNS efectuará um aborto a uma mulher que não se queira identificar”. Fantástico: quem diria que é preciso um documento de utente para usar o SNS?
A única coisa que me consola nesta parada de monstros, de mentiras flagrantes e de má-educação é que ninguém parece inclinado a dar-lhes muita atenção. Talvez seja mesmo uma boa forma de lidar com o mal (sim, com minúscula, que isto não passa de gente chunga e pequenina).





