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As pessoas que vão a Fátima são melhores do que as outras?

Resposta: não. Há de tudo, como “cá fora”. A comprová-lo basta lembrarmo-nos dos mexericos e da maledicência que era habitual ouvirem-se pela boca das pessoas que iam à missa em relação a outros frequentadores do templo. Findas as rezas, à vidinha, pois aquela que acabou de vir da Sacristia é cá uma fingida, de facto. E o padre? Ai, sabe-se lá.

A característica bizarra de certas pessoas acreditarem na existência de uma entidade sobrenatural que as pode castigar ou que, de uma outra perspectiva, vela por elas e as ajuda – mas, note-se, só quando lhe apetece, ou quando a concentração é tanta que o suplicante experimenta transformações físicas benéficas (por vezes não, a comoção pode matar) – é uma coisa lá delas. Se se sentem bem assim, se gostam da companhia de amigos imaginários, se para elas funciona, tanto melhor! Haja liberdade, desde que, obviamente, não me obriguem ao que não quero nem me façam mal em virtude da crença em causa (aconteceu durante demasiados séculos). Por isso, ir de passeata até à Serra de Aire pode até fazer bem à saúde de quem leva uma vida sedentária. O facto de o Governo ter concedido tolerância de ponto faz parte da política de não hostilização de fenómenos de massa inócuos, mas que geram dividendos económicos, e de boas relações diplomáticas com empresas poderosas na manipulação dessas mesmas massas.

O que distingue o homo sapiens (com 50 000 anos apenas) dos seus antepassados neanderthal, denisovo ou erectus é precisamente uma capacidade fundamental entretanto adquirida – a de criar ficções (ler o interessante livro “Sapiens – História Breve da Humanidade“, do israelita Yuval Noah Harari). Por uma questão prática de ordem organizativa, de sobrevivência, defensiva, afirmativa, de domínio, identificativa, etc., a invenção de realidades, de histórias – também chamado pensamento abstracto – deu-nos uma vantagem decisiva sobre as restantes espécies. Como não podia deixar de ser, com a distribuição dos sapiens pelo mundo, tipicamente em grupo, e com o seu estabelecimento em locais precisos, cada comunidade criou as suas próprias ficções, que a necessidade de supriorização, de marcação do território ou de combate a invasores depressa transformou em antagónicas. Em certas zonas do mundo, como na Europa, houve a genialidade de pôr de parte essa razão para antagonismos. Outras haverá e já nos chegam. Instituiu-se, pois, a liberdade religiosa – cada um acredita no sobrenatural que entende ou não acredita em sobrenatural nenhum e vamos ao que interessa, ou seja, organizarmo-nos segundo as regras do direito (lá está, outro exemplo de abstracção) e procurar perceber, já que estamos aqui, como é que aqui chegámos e o que é isto do universo. E o que fazer com a nossa inteligência e os conhecimentos de que dispomos.

Sugiro, pois, que se olhe para estes fenómenos das peregrinações a lugares considerados sagrados não só como comuns a múltiplas e variadas crenças desde tempos imemoriais, experiências místicas (possíveis de serem vividas, eventualmente com maior proveito, em contextos artísticos, amorosos e outros), como também algo sem efeito de maior na sociedade, a não ser uma breve, mas bem-vinda dinamização da economia, o reforço do espírito caritativo entre alguns (mas que se dispensa se vier acompanhado de proselitismo; além de que há alternativas laicas) e sobretudo o da recolha de fundos valiosos para a perpetuação da empresa ICAR, que, hoje em dia, não faz mal – embora talvez pudesse fazer melhor se os seus representantes pudessem acasalar com outros adultos. Mas enfim, lá está, para esta comunidade concreta, parece que o sexo é bom demais para não ser pecado para os seus pastores.

Livros

Ainda não li, pode até ser uma desilusão, um conjunto de teorias sem fundamento, mas, há pouco, na France24 (na rubrica “Le journal de l’Afrique”), vi uma pequena entrevista com o autor, que me pareceu um homem bem interessante, a dizer coisas, para muitos, escandalosas e inaceitáveis. (Tudo a propósito da questão das reparações pela escravatura exigíveis, ou não, à França; ele diz-se contra)

«Les Arabes ont razzié l’Afrique subsaharienne pendant treize siècles sans interruption. La plupart des millions d’hommes qu’ils ont déportés ont disparu du fait des traitements inhumains.
Cette douloureuse page de l’histoire des peuples noirs n’est apparemment pas définitivement tournée. La traite négrière a commencé lorsque l’émir et général arabe Abdallah ben Saïd a imposé aux Soudanais un bakht (accord), conclu en 652, les obligeant à livrer annuellement des centaines d’esclaves. La majorité de ces hommes était prélevée sur les populations du Darfour. Et ce fut le point de départ d’une énorme ponction humaine qui devait s’arrêter officiellement au début du XXe siècle.»


Os grandes democratas anti-capitalistas

Mélenchon e os seus apoiantes não ganharam na primeira volta das eleições presidenciais francesas e não passaram à segunda. Porém, impantes com uns inesperados 19% na primeira, fizeram-se caros no apoio a Macron na segunda volta, mantendo a ambiguidade quanto à indicação de voto, convencidos de que deles dependia, em exclusivo, o futuro da França. Muitos acabaram por votar Macron, outros não votaram, outros votaram em branco e houve até alguns que votaram em Marine Le Pen.

Pois esta gente, decerto grandes democratas, não achou melhor do que vir para a rua logo no dia seguinte à vitória de Macron protestar contra ele e contra o capitalismo (viam-se cartazes), dizem que para “avisar”.

Eu acho que o Macron, a quem parece não faltar coragem para ser directo no confronto com adversários e a quem não faltam condições para ser franco no debate de ideias, uma vez que não tem atrás de si um PS francês anquilosado ao qual teria de prestar contas de eventuais “desvios” ideológicos, fará bem se decidir reunir com pessoas como estas, em espaço público, e perguntar-lhes claramente que regime querem em alternativa ao capitalista e ao da livre iniciativa, por que acham que os trabalhadores  franceses não estão devidamente protegidos e como acham que devem ser reguladas as relações nas empresas com vista a uma maior justiça, produtividade e eficiência no mundo de hoje. Não no de ontem. Eu penso que será capaz de o fazer e de, se não calá-los ou paralisar-lhes a agressividade, como fez a Marine Le Pen, pelo menos deixar muitos a pensar.

É triste imaginar a França entregue à anarquia e ao protesto fácil. Será o terreno mais fértil de todos para a instauração de um regime autoritário ao gosto de Marine Le Pen e da sua Frente. O irónico, apesar disto, é ver as sondagens para as legislativas a darem a maioria dos votos dos franceses ao partido do Macron (26%), ao Partido Republicano (24%) e à Frente Nacional (19%), nenhum deles da extrema-esquerda do protesto, muito longe disso, e apenas 15% ao Mélenchon. Dá que pensar. Nem todo o barulho é representativo.

Desculpe o meu entusiasmo em apoiá-lo, majestade

Da desproporcionada reacção de Rui Moreira às declarações normais de Ana Catarina Mendes, apenas pouco reverenciais para o gosto da majestade, sobre o regozijo dos socialistas em caso de vitória do candidato por eles apoiado (que considerou ser uma vitória também deles), destaco o desenvolvimento que entretanto Moreira incutiu ao problema ao declarar que, apesar de desprezar e dispensar o partido socialista na sua próxima candidatura, pretende manter a colaboração com o conhecido dirigente socialista Manuel Pizarro. Sim senhor, sua Eminência; a lata.

Se Rui Moreira aprecia tanto o trabalho, a lealdade e a competência de Manuel Pizarro, se é amigo dele, porque o coloca numa posição impossível, ou seja, na posição de ter que escolher entre abandonar o PS ou deixar de trabalhar com ele? Que história é esta?

Rui Moreira parece achar que os partidos são um escolho, uma tropa dispensável na democracia, que têm peçonha, mas, se os mesmos têm pessoas competentes, o que há a fazer é roubá-los para lhe darem brilho, a ele, um não conspurcado independente que não precisa dos partidos para nada, apenas dos seus militantes. Um pedante.

Manuel Pizarro devia, agora sim, ficar ofendido. E candidatar-se à Câmara.

Grande, Joana

Deixem-me ir contra a corrente. Não acho que o terço gigante da autoria da Joana Vasconcelos, em Fátima, seja muito feio (podia ser amarelo ou às cores) ou disparatado, visto da perspetiva do seu efeito e função. Para os frequentadores daqueles locais e das suas sessões colectivas, o dito objecto, naquelas dimensões, tem potencial para ser inspirador – seja lá do que seja – e empolgante. Em suma, parece-me eficaz no despertar do fervor e do êxtase religioso, intenção que decerto esteve na base da sua concepção ou da sua encomenda. É um símbolo grande e luminoso da devoção à chamada “Virgem Maria”, uma figura central do culto católico e no nascimento daquele lugar de romaria.

Não sei se a Joana Vasconcelos virou católica fervorosa (ou se já era) e fã de visões místicas e gostou de assinalar assim a sua nova condição, em grande, como sempre. Mas, se não virou, interpretou bem o que lhe foi pedido. Se não lhe foi pedido, então fez uma proposta ganhadora. Há-de haver muita gente, sobretudo à noite, a extasiar-se e, passada a efeméride, a agarrar nas contas do rosário caseiro com mais entusiasmo e “fé” lembrando-se daquele destaque. Objectivo cumprido, acho.

Mas para não parecer que sou boazinha, porque não sou, nos países árabes e noutros da orla do mediterrâneo, como a Grécia  ou a Albânia, há o costume – penso que mais comum entre os homens – de ir dedilhando uma espécie de rosário (sem a divisão em mistérios, só com contas, e estas um pouco maiores – na Grécia chama-se Kombolói; em árabe Masbaha) também para orações a Alá ou, mais simplesmente, na Grécia actual, para acalmar o stress ou apenas para se entreterem. Penso que estes “terços” sejam bem anteriores aos que, para os católicos, passaram a concentrar e servir de guia físico às orações mais típicas – o Credo, a Ave Maria, o Pai Nosso e a Salve Rainha, assim como para a meditação sobre a penitência do Cristo. Olhem, em vez de estarem a fazer outra coisa, as pessoas podem ir dedilhando e sibilando. Pacífico.

Há muito pouca coisa original neste mundo, em particular nas religiões. Aqui, quase nada é unifuncional ou exclusivamente místico.

Tema para discussão

Em comentários à peça jornalística da Fernanda Câncio, hoje no DN, que aborda (desenterra?) (a culpa foi do Marcelo) o esclavagismo, o racismo (há por vezes confusão entre os dois) e o colonialismo portugueses, a meu ver numa perspectiva indiferente a que objectivamente se acicatem ódios (onde praticamente não existem) ou que incute culpas – deslocadamente – nos humanos actuais, fazendo brotar obstáculos inúteis no já de si vulnerável terreno da relação entre países agora independentes e sim, algo miscigenados, isto tudo a pretexto de não se contar “toda a verdade” sobre Portugal nos manuais escolares, descobri uma hiperligação para o vídeo que se segue. Desconhecia o conceito de «marxismo cultural», mas a descrição soa-me a algo de familiar. O termo é uma catalogação, como outras de campos opostos podem ser. E o que se diz pode, por vezes, ser ofensivo para quem genuinamente luta contra discriminações de vária ordem. Mas não faz mal pensar no assunto e discuti-lo. Quanto ao “cancro”, pode ser obviamente, ou não, um termo abusivo. Digam vocês.

(o vídeo é curto e tem legendas)

Sem jeito

Como aproveitar o descontentamento com a emigração e o terrorismo, a crise financeira e a ascensão de partidos fascistas para sonhar com o regresso da revolução anti-capitalista

A posição de Jean-Luc Mélanchon sobre o voto na segunda volta das eleições presidenciais francesas é, por cá, apoiada pelo Bloco de Esquerda. (Do PCP, encontrei esta passagem no Avante! “Por seu lado, o Partido Comunista Francês apelou claramente «a barrar o caminho da Presidência da República a Marine Le Pen», que «constitui uma ameaça para a democracia, à República e à paz», utilizando o único boletim de voto disponível para esse fim.“. Macron será, portanto.) Mas, dizia eu, o Bloco concorda que os eleitores da esquerda derrotada representada por Mélenchon não vão votar, vão votar nulo ou vão votar em Macron. Tanto faz.

Que esta posição seja inteligentemente aproveitada e explorada por Marine Le Pen, que objectivamente ganha força, é-lhes indiferente. Ora, acontece que a indiferença nestes casos significa muito. Significa, nomeadamente, que não os incomoda ver Marine Le Pen no poder ou com representatividade reforçada. Aparentemente, seria até divertido, uma revolução fascista a espreitar muito fresca, em pleno século XXI. Seria uma situação extrema que lhes traria, a eles, pensam eles, hipóteses futuras de sucesso. Ou nem será isso. Será mais o espectáculo. Incomoda-os mais ver por lá Emmanuel Macron, um centrista moderado e europeista (não pode!).

Ontem, no programa Prova dos Nove, da TVI 24, Fernando Rosas estava com sérias dificuldades em defender tamanha posição. A má consciência pô-lo irritado (afinal, Mélanchon tinha dado instruções, em 2002, para o voto em Chirac; em Chirac, do partido UMP – da direita republicana), pelo que não lhe restou mais se não uma fuga para a frente. Dizia ele, furioso, que, está bem, a senhora Le Pen é racista e xenófoba e tudo isso, mas, com Macron, nada vai mudar! Nada vai mudar. É este o principal argumento. E como nada vai mudar, diz ele, com a certeza dos fanáticos e/ou interesseiros e/ou apostadores malévolos, conclui-se que é até preferível deixar ir a França para uma deriva fascista e nacionalista, pouco importando que tal arraste a Europa para o abismo da implosão. Não! Calma. Atenção que ele não diz isso. O que ele diz é que não quer isso (enfim, não quer o fascismo; a implosão da UE dir-se-ia que sim). Então como evitá-lo? Ora bem, se no vosso pensamento aparece a palavra «votar», esqueçam, a ideia é que vote em Macron quem quiser; ele, se lá estivesse, esperaria que alguém o fizesse por ele. Faria figas para que alguém o fizesse por ele. Ir lá pôr o voto em Macron é que não. Extraordinária posição, de facto. No fundo, crendo que Macron ganhará, é mau dar-lhe demasiados votos – o homem cometeu o pecado capital de trabalhar na banca, além de ter sido ministro da Economia de Hollande em 2014, apesar de se ter demitido em 2016. Já não é tão mau deixar a Frente Nacional ganhar votos nesta segunda volta à conta dos abstencionistas ou “protestantes” da extrema-esquerda. Ah, desculpem, é mau, é mau: mas haja quem o impeça, que eles não.

O melhor argumento

Longe de mim meter-me nesta pertinente polémica entre Maria Filomena Mónica (Expresso de 4 de Março – “Afinal a minha mãe tinha razão?”), o padre Portocarrero e, agora, uma professora de direito de Coimbra – Mafalda Miranda Barbosa – a propósito dos conceitos de “anulação”, “declaração de nulidade”, “anulabilidade”, “dissolução” e termos afins aplicáveis ao fim dos matrimónios católicos. Adianto apenas que a questão inicial a suscitar a reacção do padre era, mais pragmaticamente, o preço dessas operações e quem as pode pagar. Mas resolveram enveredar pelo direito canónico e os seus conceitos e disposições, algumas inacessíveis à compreensão humana que não recorra à ajuda divina.

Ora, nesse contexto, considero que a frase que aqui transcrevo, extraída da peça da professora Miranda Barbosa, hoje publicada no Observador, é dos melhores argumentos e postulados que se podem utilizar:

[… ] Nem é menos certo que há determinados aspetos da doutrina católica aos quais podemos aceder abrindo-nos à ação do Espírito Santo em nós.[…]

A Helena Matos sabe como nos divertir

“Encontrar um opositor ao líder do PS em funções em qualquer jornal, revista, rádio, televisão, boletim ou papel volante tornou-se com Sócrates e António Costa uma tarefa biologicamente falando quase impossível.

Quem o diz é a Helena Matos, colunista do blogue/jornal digital Observador, que mais opositores ao Governo (e ao seu líder) alberga. A não ser aí, onde diariamente “asfixiam” José Manuel Fernandes, Rui Ramos, Alberto Gonçalves, Vasco Pulido Valente, Helena Garrido, o padre Portocarrero, a Maria João Avilez e outros de igual calibre e pensamento, podemos encontrar uma profusão de gente “asfixiada” noutros jornais, como Paulo Rangel, João Miguel Tavares, os Saraivas, o Barreto, o César das Neves, mais três quartos dos escrevinhadores do Expresso, quatro quintos dos do Correio da Manhã e por aí fora. Não chega? Diz que não. É meia louca.

MOAB e FOAB – cultivemo-nos enquanto podemos

Segundo o terrível e quase sempre escabroso Daily Mail, a “mãe” de todas as bombas ( Massive Ordnance Air Blast – MOAB – ou, para facilitar, “mother of all bombs”) tem afinal um “marido”, que é o “pai de todas as bombas”. Mas estão separados. Ele vive na Rússia e é ainda mais potente e portentoso. Quatro vezes mais. Vai buscar, Trump. Tenho uma maior que a tua.

Um puto e uma incógnita (há a hipótese de Putin estar atónito) dos quais dependemos todos.

 

Father Of All Bombs

Mass: 7.1 tons

TNT equivalent: 44 tons (88,000lbs)

Blast radius: 300 metres (984ft)

Guidance: INS/GPS

Mother Of All Bombs

Mass: 8.2 tons

TNT equivalent: 11 tons (21,600lbs)

Blast radius: 150 metres (492ft)

Guidance: GLONASS

 

Não percebo é uma coisa: por que razão a MOAB é guiada pelo sistema GLONASS (o GPS russo)?

Bolo de chocolate e bombas

Depois de dois meses a falar da urgência de dar prioridade à América (pressupunha-se que em relação ao resto do mundo, o que significaria um fechamento) e das boas intenções dos russos, que não queria antagonizar, mas com os quais queria cooperar (ou seja, eles que tratassem dos das cabeças cobertas lá dos desertos), Donald Trump dá uma volta de 180º, bombardeia uma base aérea na Síria (dando a ordem enquanto saboreava bolo de chocolate em Mare-a-Lago), envia navios de guerra para a Coreia do Sul, ameaçando a Coreia do Norte, lança uma bomba de grande potência no Afeganistão contra esconderijos do Daesh, reconhece a importância da Nato, depois de dizer que estava obsoleta e de envergonhar os seus membros, e diz-se pronto a admitir o Montenegro nesta organização, contrariando os russos. O que se passa?

Perguntas e mais perguntas:

  1. Descobriu um passatempo alternativo ao golfe que o pode manter mais tempo na Casa Branca?
  2. Descobriu os prazeres do poderio militar do seu país?
  3. Agora que tomou o gosto pelos “jogos de guerra”, não vai parar?
  4. Terá neste divertimento a participação (e o incentivo) da filha Ivanka?
  5. Nada disto e está apenas a ser levado pelos falcões militares que o rodeiam?
  6. Saberá onde fica o Afeganistão, uma vez que ontem confundiu a Síria com o Iraque?
  7. Estará a ficar cheché? Nunca deixou de estar?
  8. Faz tudo isto para fingir que se está a distanciar da Rússia?

Avalanche de santos

Leio na France 24 que o padre que foi assassinado por dois jihadistas numa igreja na Normandia, Jacques Hamel, enquanto dizia a missa para meia dúzia de fiéis, poderá ser em breve beatificado, o que constitui o primeiro passo para se tornar santo. Os dois miúdos que acompanharam Lúcia nas suas alucinações também estão na calha para a canonização.

Ou o estatuto de “santo” está a perder valor, ou a igreja católica está a precisar desesperadamente de mártires (o padre seria um deles, pois, estando a trabalhar, automaticamente “morreu pela sua fé”) ou, terceira hipótese, a igreja anda algo desorientada com a concorrência e a pressão dos muçulmanos em matéria de mártires.

Mas, nesse caso, por que não beatificar todas as vítimas de camiões e automóveis (e aviões) utilizados pelos terroristas islâmicos nos últimos tempos? É certo que andavam simplesmente a passear e distantes do objectivo de “defender a fé cristã”, mas caramba. Foram assassinados em nome de uma seita religiosa antagónica.

Não me posso impedir de imaginar e de me intrigar com a consequência lógica de um atropelamento de um qualquer grupo de padres católicos a caminho do Vaticano por um camião conduzido por um tresloucado jihadista. Passariam todos a santos?

Os “deuses das moscas”* apenas numa semana e em meio urbano

Ainda a propósito da viagem de finalistas do secundário a Torremolinos, uma pessoa amiga fez-me chegar o seguinte texto, escrito por uma mãe cujo filho foi, há poucos anos, a uma viagem do género.

Aquilo que eu sei sobre as viagens de Finalistas do Secundário

O texto foi publicado num blogue para mim desconhecido até agora (“destinoomulher”). Transmite uma visão prática e muito terra a terra desta problemática, que não deixa de ter interesse discutir. No fim, deixa sugestões alternativas a estas saídas turísticas em massa. São sugestões bem intencionadas, eventualmente bem acolhidas por alguns, mas, a meu ver, esquecem o atractivo que é, para a maioria dos jovens, conhecer outros (e quantos mais melhor) para além dos da própria escola.

Mas como resolver isto? O acompanhamento por um maior número de responsáveis capazes de controlar o cumprimento das regras básicas parece-me fundamental.

*”O Deus das Moscas“, livro escrito por William Golding

A construção de uma “percepção social” contra um arguido parece-me crime

No que representa mais um tijolo na construção de uma percepção social negativa sobre o arguido, com base na qual e invocando-a muitos juízes decidem, o Ministério Público dá outra vez notícia, na revista Sábado, das suas suspeitas e teorias sobre José Sócrates. Apesar de o artigo começar com uma referência ao último interrogatório e de nos ser dito que Sócrates esteve nada menos do que cinco horas e meia a “contrariar de forma contundente” as acusações dos procuradores, o que é facto é que nenhuma dessa contra-argumentação nos é transmitida. E foram cinco horas e meia. Segundo o jornalista/porta-voz, o documento do MP, para além do pormenor de nunca mencionar valores definidos para as transacções de dinheiro vivo, refere apenas (da parte do arguido) a negação peremptória das teses do MP, a negação de intervenções em operações de adjudicação, a queixa de falta de provas e o “pedido de realização de novas diligências” por parte  de Sócrates, mas sem que “o resumo do depoimento identifique do que se trata“. Pois é, não interessa o que disse nem o que propôs. Não interessa, claro, ao Ministério Público para efeitos de criação da tal percepção. De quando em vez, o jornalista lá vai dizendo, por exemplo a propósito do caso PT: “O problema é que Hélder Bataglia e Joaquim Barroca, dois dos delatores do MP, desmentem que este negócio abortado fosse um esquema para transferir dinheiro para José Sócrates“. E eram delatores, note-se. Ao longo do artigo há outros pequenos problemas como este. Mas é tudo.

Confrontados assim, avassaladoramente, com a perspectiva do Ministério Público, afigura-se-nos uma lacuna grave, porque propositada, a ausência da contra-argumentação. É bizarro. No fundo, convidam-nos para um julgamento e mandam-nos sair antes do contraditório. Por outro lado, qualquer pessoa informada e com juízo defenderá que as teses das partes não são para andar a ser esgrimidas em revistas. Há locais próprios para o efeito e chamam-se tribunais.

Quanto à seriedade dos jornalistas que deveriam exigir as respostas concretas do arguido nos interrogatórios como condição para a divulgação das teses do MP, infelizmente passo. O jogo é sujo mas envolve receitas chorudas para a Cofina. E se são as próprias autoridades judiciais a convidarem a empresa para o festim… e para o crime, com que argumentos se recusa e se vai ser decente? Seria preciso haver ética. Está à vista que não há.

A mim, que fico sempre sem saber o que têm a dizer os visados pelas operações do MP, este tipo de artigos, sempre iguais, provoca-me nojo e revolta. Por que razão estas técnicas de denegrimento não são consideradas crime? Um indivíduo é obrigado a ler na comunicação social o que o MP entende divulgar sobre a sua suposta malvadez, no fundo o seu julgamento, e não tem o direito de contra-argumentar, nem pode, porque o julgamento não pode ser feito assim na praça pública! Será isto o Estado de direito? A Procuradora-Geral incentiva esta prática? O Presidente da República entende que tudo está bem e nos conformes ou tem medo?

Pândegos e amofinados em simultâneo

Asfixia, claustrofobia e, ainda há pouco, manipulação democrática. Estas pessoas da oposição, e quando na oposição, fazem questão de dizer que se sentem asfixiadas, enclausuradas e até manipuladas à mínima contrariedade. Não tenho pena da maneira como dizem que se sentem, até porque se trata de teatro, mas o vocabulário arrisca-se a escassear. Como não estão no governo, queixam-se desta maneira algo infantil. Quando tudo decidiam a seu bel-prazer, invocando a Tróica, e todos nós nos sentíamos verdadeiramente asfixiados e impotentes, a ponto de até o PCP ter desistido da agitação e ter assumido uma espécie de síndrome de Estocolmo (mas podiam ser resquícios da aliança tácita do passado), eles sentiam-se livres e eram felizes. Agora amofinam-se.

Têm, porém, reconhecido que todo o sufoco que sentem acontece em democracia. Menos mal. Amenizam a acusação, têm pruridos. Hoje, perante o brandimento da palavra «ditadura» na Assembleia, aguardo com expectativa se o agravamento da situação de mal-estar no sentido de uma mudança de regime – para uma ditadura (que mais ninguém vê) – os levará a manter o qualificativo «democrática». É uma curiosidade minha.

Vem isto a propósito do episódio de abandono da Comissão de Orçamento e Finanças pelo PSD, ocorrido hoje, devido à exigência de «simultaneidade» para dois cálculos da UTAO, e noticiado aqui (segundo a jornalista, com base nos relatos das partes envolvidas).

“Os deputados reuniram para debater o requerimento do PSD que, na sequência do anúncio da venda do Novo Banco à Lone Star, pedia à UTAO um cálculo dos custos para o Estado do alargamento dos prazos do empréstimo até 2046 ao Fundo de Resolução. Mas esse é um cálculo que, por si só, para os partidos da esquerda “não fazia sentido”, disseram aos jornalistas os deputados do PS João Galamba e do PCP Paulo Sá. E foi aqui que todos pareciam de acordo que era necessário fazer um acrescento ao requerimento do PSD, para clarificar o que era pedido.

De acordo com os presentes, foi o deputado Paulo Sá a apresentar uma solução: acrescentar ao requerimento do PSD um pedido de cálculo (também) das alternativas. Ou seja, se o PSD queria apenas avaliar os custos da decisão do actual Governo, o PCP propôs que se requeresse também uma avaliação do que seria se essa opção não tivesse sido tomada, uma vez que as condições, como estavam, previam que os bancos tivessem de pagar até ao final deste ano o valor dos 3900 milhões de euros.

O PSD acusa o PS de tentar “boicotar” a verdade, disse aos jornalistas o deputado Leitão Amaro, e de por isso ter provocado a discussão que culminou com a proposta do PCP. Na versão da esquerda, depois de o PCP apresentar a sua proposta, houve um “entendimento” que os dois pedidos se complementavam e que os dois seriam votados favoravelmente por todos, para que a UTAO pudesse fazer as duas contas em “simultâneo”. E foi esta a palavra que levou os partidos a trocarem acusações.

Adoro a credibilidade das instituições europeias…

…logo pela manhã:

Num relatório que analisa o desemprego em Portugal, a chefe de missão pelo BCE defende que as subidas do salário mínimo (em relação ao salário médio) estão a fazer aumentar o desemprego no país.

Ah, ah, ah…! “Aumentar o desemprego”. Que mundo paralelo é este? É o Observador que descobre esta pérola de objectividade e oportunidade e publica. Quem mais?

Dona Teodora, a sonora

Lendo o que esta senhora diz, só podemos não querer sair do procedimento por défice excessivo, não é? O raciocínio é o seguinte: sair é perigoso, porque se pode voltar a entrar. Por isso, segundo os seus doutos avisos, seria melhor mantermo-nos “lá dentro”, porque isto de sair e entrar é mau para os resfriados. Ora abóbora. Se não saíssemos era porque não saíamos e o Governo era horrível porque não fazia o necessário para nos livrar do sufoco. Se saímos, ah e tal, sim, mas existe o risco de “recaída”. Afinal que virtude existe no uso da palavra por certas pessoas?

Claro que voltar a entrar seria mau, embora não péssimo, mas isso também diria o Monsieur de La Palice, ó Dona Teodora. E se nos cai um meteorito gigante na pinha? Olhe que convinha avisar-nos, hem? Pode ninguém pensar nisso.

No entanto, Teodora Cardoso, a presidente desta entidade, tem dúvidas sobre o ajustamento estrutural até 2021 e avisa que nada garante, hoje, a 100% que Portugal não viola de novo o limite de 3% do défice. Aliás: “sair do défice excessivo e entrar no ano seguinte seria péssimo”, avisa.

 

Toca a dinamizar o mercado de transferências televisivo + crítica musical

 

Programação da noite das quintas-feiras da TVI24 e da SIC N. Serei eu a única a achar que o Pedro Silva Pereira tem nível a mais para estar a aturar o Paulo Rangel no programa “Prova dos Nove”? Eu sei que ninguém merece “levar” com tão impertinente e mal-comportada personagem em contexto de debate político, mas Pedro Silva Pereira tem um discurso demasiado claro, bem articulado, responsável e sério para tão básico e demagógico oponente. O Fernando Rosas também sofre com a incontinência verbal do tripeiro. Ainda ontem ameaçou abandonar o programa se a criatura não se calasse. Em suma, Paulo Rangel tem provado que estará sempre definitivamente a mais num painel de debate com adversários políticos. A sua argumentação oscila entre um estilo tentativamente rebuscado, e totalmente artificial, que lhe advém do exercício da advocacia, e um estilo menino Acácio malcriado e respondão. Não convence ninguém e só perturba. E não me refiro a perturbações profundas.

Por sua vez, ali ao lado no comando, o programa “Quadratura do Círculo”, na SIC Notícias, que começa pouco depois, está um tanto ou quanto estagnado e sonolento. Penso que o Pedro Silva Pereira na Quadratura, ao lado do Pacheco Pereira e do “pipi” do Lobo Xavier iria dar o picante necessário para voltarmos a olhar para aquilo com interesse. Muito gostaria de ver a postura do Pacheco caso aceitasse o desafio.

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Gosto de música e consumo todos os géneros. Depende da hora do dia, do local e da disposição. De manhã, por exemplo, ninguém me verá a ouvir música clássica. À tarde ou à noite já sim, e de preferência em salas de concertos. Já os últimos “hits” da pop, do rock, do rap, do hip hop e por aí fora é de manhã ou nunca. Nada (ou tudo) a ver, mas aqui há um ano, mais ou menos, a fadista Carminho e os HMB, uma banda dita “soul”, resolveram conjugar vozes e estilos e o resultado foi muito bom na interpretação de “O amor é assim”. Agora, não sei se por imitação, ouve-se por aí na rádio, felizmente poucas vezes, uma “canção” que junta também uma fadista, a Ana Moura, e o rapaz das argolas, o Agir (aliás, com uma boa voz). O resultado desta combinação é um desastre. Não percebo como é que a Ana Moura não cortou a tempo esta parceria e deixou sair a produção.

 

https://youtu.be/_lXAGnWI5iE?t=45