Todos os artigos de José Mário Silva

Momento Malibu

Para quê levar a vida demasiado a sério?

A South African man has been fined $140 for taking a week off work, telling his employers he was pregnant.
Charles Sibindana, 27, stole a certificate from a clinic during his pregnant girlfriend’s checkup, a court near Johannesburg heard. He then added his own details to the note and submitted it and took seven days off work, seemingly unaware that only women consult gynaecologists.

His employers became suspicious and investigated the matter.

A entidade patronal became suspicious…que delícia!

Subsídios para a história da cunha em Portugal

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Um dia apareceu no Ministério da Instrução um professor primário, director de uma escola oficial, a Sete-Rios. Tinha direito a uma casa do Estado, ilegalmente ocupada por uma professora.Há uns nove meses que o assunto se arrastava.
O Ministro despachou mandando entregar a casa a quem de direito. Ora o leitor, se não sabe, fica sabendo que o ministro Costa Ferreira, como disse Homem Cristo no jornal, “não é para graças”…
Pois bem; os burocratas resolvem entravar a cousa, porque a interessada era irmã dum inspector. Chegaram ao descaramento de me informar – a mim secretário do ministro! – que o professor não era director da escola, quando ele estava nomeado em dois Diários do Governo!!!!
O ministro era massacrado por todos os lados com “cunhas”, cunhas que ele me mandava rasgar, logo que eu lhas principiava a ler.
Duma vez, aproveitando o facto de me mandar em serviço no carro do ministério e eu passar próximo da citada escola, disse-me para falar à professora a lembrar-lhe que ele, ministro, não era para festas.
Pois a professora não saía. Este é que era o facto. (…) entretanto o ministro, que esteve apenas dois meses na pasta, demite-se, e a professora, apesar de todas as ordens ou directivas que eu dera “por ordem de S. Exa. o Ministro” não saíra!!!
Era a burocracia a empatar!
Dias depois de saír do Ministério, quando se preparava tudo para deixar ficar na casa a professora, – atendendo a que estava grávida…!! – o interessado apareceu-me em minha casa a solicitar ainda o meu interesse, apesar de eu já nada ser. Escrevi ao Governador Civil João Luís de Moura que, ao que parece, no momento, tinha já contra-ordem para não mandar proceder a despejo.
Disse-lhe eu então da vergonha que era para a “situação” o adiamento dum assunto claro como a água. E incisivamente dizia-lhe que quanto à mulherzinha estar grávida, havia onze meses que a situação se arrastava!! isto é, começara antes de o marido sequer pensar na possibilidade de vir a ser pai, pois que o período de gestação de uma criança são só nove. Que, além disso, durante os dois meses que passamos no ministério, o assunto fôra sempre mexido e a professora nunca se dispusera a saír, à espera duma cunha salvadora, ou da queda do ministro tão invulnerável aos seus formidáveis pedidos!
E só então saíu o diabo da mulher! Arre!

A quem possa interessar

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Tomás da Fonseca. Nascido em 1877. Jornalista. Professor. Republicano. Anti-clerical e jacobino produziu das obras mais provocadoras, azedas e polémicas do ateísmo militante. Actualmente bastante raras e nada fáceis de encontrar. Mas a quem possa interessar adquirir de uma assentada um rol substancial delas – a peça maçónica “Águas Novas”; o “Bancarrota:exame à escrita das agências divinas”; o “Ensino Laico: educação racionalista e acção confessional”; o “Na Cova dos Leões” (sobre o milagre de Fátima); o “Sermões da Montanha – A Religião e o Povo” e “O Diabo no Espaço e no Tempo” – é só ir ali à Calçada do Combro n.º 43, ao templo livreiro do Luís P. Burnay. Eu, fiel temente a Deus, espreitei só, li algumas orações, pousei e deixei ficar.

O que será a Boa América ?… Talvez a que tem memória histórica…

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Designadamente, do que significa uma República liberal de cidadãos livres. E dispensa avatares de outros Georges. Os Republicanos feridos vão recuperando os valores do small government:

Republicans who limped back to Washington for a lame duck congressional session last week found a host of marching orders from President Bush, but perhaps none more urgent than this: Before Democrats take control of Congress in January, they must pass legislation authorizing the National Security Agency’s domestic eavesdropping program.

The response: deafening silence. Senate Majority Leader Bill Frist quickly dispatched aides to put out the word on Bush’s request: Not gonna happen.

Enquanto Chris Dodd, senador Democrata pelo Connecticut, introduz no Congresso o “Effective Terrorists Prosecution Act”, contendo algumas modernices liberais:

– Restores Habeas Corpus protections to detainees;
– Narrows the definition of unlawful enemy combatant to individuals who directly participate in hostilities against the United States who are not lawful combatants;
– Bars information gained through coercion from being introduced as evidence in trials;
– Empowers military judges to exclude hearsay evidence they deem to be unreliable;
– Authorizes the US Court of Appeals for the Armed Forces to review decisions by the Military commissions
– Limits the authority of the President to interpret the meaning and application of the Geneva Conventions and makes that authority subject to congressional and judicial oversight;
– Provides for expedited judicial review of the Military Commissions Act of 2006 to determine the constitutionally of its provisions.

Uma vírgula e dois milhões de dólares

Um erro gramatical pode parecer coisa inofensiva. Mas quando se trata de um contrato, a introdução ou omissão de uma vírgula pode ter consequências bem sérias. Quando, ainda por cima, o que está em causa são as condições temporais de denúncia antecipada do mesmo, a coisa pode ficar preta, designadamente para o advogado que terá metido a pata na poça. No Canadá, a Bell Aliant autorizou a Rogers Communications a usar as conexões telefónicas daquela. Posteriormente, aquela quis retirar-se do negócio, denunciando o contrato antes dos cinco anos. A cláusula invocada para a denúncia antecipada rezava assim:

“This agreement shall be effective from the date it is made and shall continue in force for a period of five (5) years from the date it is made, and thereafter for successive five (5) year terms, unless and until terminated by one year prior notice in writing by either party.”

O busílis está na segunda vírgula. A Rogers invocou que o contrato teria de vigorar pelo menos cinco anos. A Aliant contrapôs que aquela segunda vírgula não conferia à frase esse entendimento: antes permitia concluir que o contrato poderia ser denunciado antes dos cinco anos de duração, desde que assegurado o pré-aviso de um ano.

O regulador Canadiano reconheceu que a razão estava do lado desta última e a meu ver decidiu bem. Entretanto, à conta de uma vírgula, e com pelo menos dois milhões de dólares em jogo, e a Rogers inconformada, o caso segue para os tribunais Canadianos.

Al Jazeera para consumo entre infiéis

Aviso do blogger egípcio the big pharaoh:

So Al Jazeera launched its English channel today. I’m telling you that it’s going to be very different from our Al Jazeera. You’re simply not going to get what we have here. Ours is propaganda mixed with sensationalism and I’m sure the Western editors of the English channel are wise enough not to give that to a Western audience who’re accustomed to professional media outlets. So don’t worry you’re not going to get Jihad TV.

Much Ado About Nothing

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Iraque! Iraque! Iraque! E os Democratas safam-se? E os Republicanos são os únicos culpados? E a Pelosi?! E os Democratas?! E os Republicanos?! E os Democratas?! E os Republicanos?! E o João Miranda?! E o Badaró?! Tanta retórica para um problema cuja solução é por demais óbvia e simples: arranjar mais 350.000 soldados que acabem o serviço mal feito! Como ninguém os vai arranjar….olhem… é não enforcarem o outro e devolverem-lhe a loja.

Venceu a Boa América… a Católica

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Apurados os resultados dos Governadores eleitos para os diferentes Estados temos:

– Católicos – 11 governadores: 4 Republicanos e 7 Democratas;
– Metodistas – 4 governadores: 3 Republicanos e 1 Democrata;
– Baptistas – 3 governadores: 2 Republicanos e 1 Democrata;
– Episcopalianos – 3 Governadores: 2 Democratas e 1 Republicano;
– Presbiterianos – 3 Governadores: todos Democratas;
– Protestantes – 2 Governadores: todos Republicanos;
– Ortodoxo Oriental – 1 Governador: Democrata;
– Mormon – 1 Governador: Republicano.

Parece que a imigração irlandesa, escocesa e latino-americana tem mantido a Boa América num ganho relativo do produto original face à concorrência com as cópias do puritanismo evangélico.
Do lado Judaico, poucos para estarem à altura da fama de dominadores globais, mas suficientemente bons para que 3 Governadores tenham conquistado o melhor da América: Nova Iorque, a histórica Pennsylvania e o Hawaii.
Os Mormons não se estarão a safar muito mas, em todo o caso, o povo do Nevada recusou a legalização da marijuana e, em contrapartida, elegeu um Mormon. À drova leve preferiram a pesada.
Nenhum Governador Luterano eleito.
Constata-se, dos restantes grandes credos, uma manifesta sub-representação do Islão e do Sport Lisboa e Benfica.
Na Georgia venceu um Republicano chamado Perdue.
Foram eleitos três Governadores que se declararam sem religião: um Republicano e dois Democratas. Houve, entre todos os derrotados, quatro que se declararam sem religião: eram todos…Republicanos.

Relendo Hans Morgenthau # Política e Moral

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Political realism refuses to identify the moral aspirations of a particular nation with the moral laws that govern the universe. As it distinguishes between truth and opinion, so it distinguishes between truth and idolatry. All nations are tempted-and few have been able to resist the temptation for long-to clothe their own particular aspirations and actions in the moral purposes of the universe. To know that nations are subject to the moral law is one thing, while to pretend to know with certainty what is good and evil in the relations among nations is quite another. There is a world of difference between the belief that all nations stand under the judgment of God, inscrutable to the human mind, and the blasphemous conviction that God is always on one’s side and that what one wills oneself cannot fail to be willed by God also.

Intellectually, the political realist maintains the autonomy of the political sphere, as the economist, the lawyer, the moralist maintain theirs. He thinks in terms of interest defined as power, as the economist thinks in terms of interest defined as wealth; the lawyer, of the conformity of action with legal rules; the moralist, of the conformity of action with moral principles. The economist asks: “How does this policy affect the wealth of society, or a segment of it?” The lawyer asks: “Is this policy in accord with the rules of law?” The moralist asks: “Is this policy in accord with moral principles?” And the political realist asks: “How does this policy affect the power of the nation?” (Or of the federal government, of Congress, of the party, of agriculture, as the case may be.)

This realist defense of the autonomy of the political sphere against its subversion by other modes of thought does not imply disregard for the existence and importance of these other modes of thought. It rather implies that each should be assigned its proper sphere and function. Political realism is based upon a pluralistic conception of human nature. Real man is a composite of “economic man,” “political man,” “moral man,” “religious man,” etc. A man who was nothing but “political man” would be a beast, for he would be completely lacking in moral restraints. A man who was nothing but “moral man” would be a fool, for he would be completely lacking in prudence. A man who was nothing but “religious man” would be a saint, for he would be completely lacking in worldly desires.

[Hans J. Morgenthau, Politics Among Nations: The Struggle for Power and Peace]