O Fórum TSF desta passada quinta-feira intitula-se “O julgamento de Sócrates e a imagem da Justiça“. Ignorando o contexto editorial da casa, e recorrendo ao mero bom senso, vou assumir que é o Manuel Acácio quem decide quais as questões das diferentes emissões, como são colocadas à audiência e quem a estação convida para as comentar. A ser assim, qual a única conclusão possível a respeito do tão longamente consagrado e estimadíssimo Manuel Acácio? Que é mais um pulha.
Toda a emissão, do princípio ao fim, foi concebida como um enésimo acto do linchamento público de Sócrates e de pressão sobre os juízes que venham a decidir na Operação Marquês. Para o famoso jornalista, o que se passa com os sucessivos advogados que aparecem como representantes de Sócrates por diferentes causas só tem uma explicação, são “manobras dilatórias”. Daí, o tema que escolheu e a pergunta que mais vezes repetiu com entusiasmo e sofreguidão: “Caso a lei que o PSD quer aprovar para mostrar ao povo que Sócrates já devia estar condenado e atrás das grades seja aprovada, dá para a aplicar no julgamento em curso?”. Foi ficando desanimado com as respostas, mas tem o mérito de ter tentado dar a boa nova aos portugueses de bem.
O programa repetiu a tipologia da exposição popular dos espontâneos que participaram. Os mais trôpegos e taralhoucos ligaram para chamar ladrão ao Sócrates e apoiar a mudança da Constituição de modo a que se consiga meter o homem num calabouço quanto antes. Os que apontaram aos erros, abusos e politização desde o início da Operação Marquês tiveram de elaborar um discurso fundamentado, racional, factual e apelando a que se faça justiça, não a que se retirem direitos às defesas. É e será sempre assim – o Estado de direito democrático é atacado por broncos e seus manipuladores e defendido por cidadãos corajosos, livres.
No final, depois de ter lamentado que o Chega não tivesse participado no programa apesar de ter sido convidado, colocou no ar Fernando Negrão. O senhor transmitiu aos ouvintes, em registo xexé mas com palavras à prova de estúpidos, que Sócrates era culpado e andava a querer fugir à condenação. Manuel Acácio disse ter sido um “importante contributo” e agradeceu-lhe.
Código deontológico dos jornalistas? Este jornaleiro Acácio não perde tempo com princípios éticos e constitucionais dilatórios.
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Eis como a TSF promove a coisa: “Sistema pôs-se a jeito.” A “criatividade” de José Sócrates “prejudica imagem da justiça” porque “a lei o permite”

