Sócrates, o Responsável

Apesar da maioria parlamentar, o PS não viabilizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo na anterior legislatura. Porque tal não constava do seu programa.

Agora, o PS não quer viabilizar a adopção para casais de pessoas do mesmo sexo. Porque tal não consta do seu programa.

Caso Sócrates desse liberdade de voto, e a adopção acabasse por ser aprovada, a direita diria que Sócrates era o anticristo. Como impera uma lógica de responsabilidade, a direita diz que Sócrates é o diabo.

Entretanto, e pese embora a força dos corolários abstractos que decorrem da legitimidade para casar, a problemática da adopção por casais homossexuais pede mais tempo de investigação, mais reflexão, mais debate. Não há ainda informação suficiente na sociedade, nem na comunidade científica, para que esse passo seja dado com maturidade cívica. E há menores, à nossa guarda, que têm direitos.

60 thoughts on “Sócrates, o Responsável”

  1. Isso não sei, mas tens razão, certamente.

    Não entendo é para que querem o matrimónio os homessexuais (nem todos, aliás, muitos não querem). Isto é uma birra estúpida dos que passam a vida a elogiar a diferença e, afinal, odeiam-na.

  2. Mas será que, ainda assim, é assim tão difícil perceber isto?
    Este pequeno texto resume muito bem toda a situação…
    … será que alguns partidos e/ou deputados só lá vão com bonecos?!

    Permitir o casamento (borrife-se na etimologia) entre homossexuais é dar liberdade de escolha… o que não existe actualmente.
    Envolve 2 pessoas, maiores de 18 anos, com cérebro formado, capazes de tomar decisões por si próprias e por isso juridicamente responsáveis.
    Permitir a adopção nesta fase parece-me prematuro… pois envolve outra(s) pessoa(s) cuja liberdade de escolha lhe está negada: a criança.

    Parece-me que o Governo e o PS estão a dar o passo certo na medida certa… uma coisa de cada vez.
    Quando ouço os partidos falarem já de adopção lembro-me sempre da fábula da Lebre e da Tartaruga… e quem perdeu foi quem tentou ir depressa demais!

    Uma vez mais um bom texto… pequeno, mas acerta em cheio!!

    keep up!

  3. Pois, este texto resolve tudo, como sempre, his master voice. Só não resolve o facto de o Sr. Sócrates não ter cumprido imensos pontos do seu anterior programa eleitoral e ter tomado medidas que lá não constavam. Mas isso não interessa nada, não, isso não interessa nada.
    Faz uma coisa apludem, faz o seu contrário aplaudem também. Isto é um circo e vocês os palhaços. Eu assisto e rio.

  4. Então um bom ano para todos!
    E agora um pensamento de optimismo e esperança,”à la Sócrates”:
    O Alves Reis tambem era “engº” e acabou no xilindró.

  5. oh gordinho, o casamento civil é um contrato público que é óbvio que desde sempre foi legislado por instâncias do Estado, estás a falsificar a História, como te é próprio e te convém.

  6. Os malabarismos que este gajo faz para defender o chefe! Agora vem com a treta do programa quando é sabido – e já aqui foi dito – que se há coisa a que o tipo não liga é ao programa ou ao que promete: desde o referendo ao tratado europeu, passando pelo não aumento dos impostos e acabando nas promessas de combater o desemprego e rever o código laboral do Bagão Félix, foram diversos os pontos do tal programa para que o Pinto de Sousa se esteve a marimbar. E porquê? Porque, já estou farto de o dizer, o tipo não tem princípios, não tem qualquer ética, limitando-se a seguir as determinações do poder económico e da tecnocracia dominante. É, o que se pode dizer, ele próprio (um chico-esperto) e suas as circunstâncias (sendo que estas são sempre avaliadas por ele em termos de possiveis ganhos políticos): é por isso aquilo que se chama de um oportunista.
    O casamento dos homossexuais enquadra-se neste contexto ou prática política (como já antes se tinha verificado com o aborto) onde impera o cinismo e a hipocrisia. Ora, como eu já disse, o PSD ao dar liberdade de voto nesta matéria aos seus deputados, desmascarou, de certa forma, esta forma de actuar. Paradoxalmente, desmascarou o tipo, mascarando-se também. Isto é, passou a actuar para as câmaras de televisão, para a imagem, para o parecer, que foi aquilo em que o gajo se tornou mestre. E nesta luta de aparências e hipocrisias, o Pinto de Sousa ficou a perder, pois em vez de parecer ser um gajo tolerante e de esquerda (como pretenderia e precisaria), parece agora, por comparação com os PSDs, um gajo dogmático e inflexivel. Mais, e acima de tudo, a imposição da disciplina de voto revela como tudo não passa realmente de oportunismo e da fabricação de uma imagem. Mas o plano saiu ao contrário, desta vez. Que continue a ser assim «responsável», é então o que eu desejo.

  7. “Entretanto, e pese embora a força dos corolários abstractos que decorrem da legitimidade para casar, a problemática da adopção por casais homossexuais pede mais tempo de investigação, mais reflexão, mais debate. Não há ainda informação suficiente na sociedade, nem na comunidade científica, para que esse passo seja dado com maturidade cívica. E há menores, à nossa guarda, que têm direitos.”

    Claro que há informação suficiente e que não pede mais reflexão e mais debate. Apenas é mais conveniente politicamente. Há mais países a permitir a adopção por casais de pessoas do mesmo sexo do que casamento. Claro que isto tem a ver com o facto dos estudos científicos sérios demonstrarem que não há qualquer problema para as crianças em serem adoptadas por casais de gays e lésbicas (ver: http://www.hrc.org/issues/parenting/professional-opinion.asp).

    “Não entendo é para que querem o matrimónio os homessexuais (nem todos, aliás, muitos não querem). Isto é uma birra estúpida dos que passam a vida a elogiar a diferença e, afinal, odeiam-na.”

    Birra? Acha mesmo? Para começar não é matrimónio que querem, mas sim casamento civil. E depois querem-no por uma questão de igualdade, não birra. Um casal heterossexual pode optar entre uma união de facto e o casamento civil. Um casal de pessoas do mesmo sexo só pode optar por uma união de facto. Quanto ao elogio da diferença, se calhar estará a falar de poucos, pois a maioria parece querer sim o direito à indiferença como muito bem posto numa campanha publicitária da Associação ILGA Portugal há uns anos atrás.

  8. .”Não há ainda informação suficiente na sociedade, nem na comunidade científica, para que esse passo seja dado com maturidade cívica.” Como se costuma “a” dizer, alto e pára o baile que o guarda redes é anão, Valupi. Se não discuto a falta de informação suficiente na sociedade, refuto em absoluto a sua inexistência na comunidade científica. Mais, como já escrevi, encontrem-me, por favor, um documento sério que sustente os terríficos malefícios da parentalidade de gays e lésbicas, facultem-me bibliografia que argumente de forma consistente sobre os perigos para a criança, mostrem-me, por exemplo, os relatos de psicopatia, os piores indicadores de saúde mental, o suicídio aumentado, as maiores taxas de maus tratos, em filhos de gays e lésbicas quando comparados com crianças que cresceram no seio da chamada “família tradicional”. Para além de criticas metodológicas (algumas lícitas) ao conjunto de dados que consistentemente mostram não existirem diferenças significativas, na perspectiva do superior interesse da criança, na qualidade da parentalidade quando a variável em estudo é a orientação sexual dos progenitores, nada mais encontrei, e juro que, sem preconceitos, procurei (deixo o link onde pode ser consultada a alguma da bibliografia a que faço apelo http://jugular.blogs.sapo.pt/1304471.html). E tudo isto porque “há menores, à nossa guarda, que têm direitos”, o de serem desinstitucionalizados, por exemplo, e crescerem junto de gente que lhes acrescenta qualidade de vida.

    Nota: resta esclarecer que a minha posição face a esta história é exactatissimamente a que a f. aqui refere http://jugular.blogs.sapo.pt/1458278.html

  9. wild2, talvez esses países a que aludes estejam na vanguarda do que será uma prática universal, mas tal não resulta de um actual consenso científico e, antes de tudo, tal não resolve a questão em Portugal. Por cá, precisamos de, pelo menos, mais 4 anos. E que os activistas façam o seu trabalho de divulgação e convencimento.

    Entretanto, tens toda a razão: adiar a adopção é conveniente politicamente. Onde diferimos é no sentido da interpretação. Para ti, trata-se de uma hipocrisia, porque tens o assunto arrumado na tua cabecinha e já só falta a legislação. Para mim, e para muitos outros, trata-se de respeitar e proteger o que convém às crianças que não vão poder escolher, mas sim vão ser escolhidas sem fazerem a menor ideia do que está em causa. Anos mais tarde, poderão perguntar ao Estado qual o critério para uns terem ido parar a casais mistos e outros não. É que – e independentemente do sucesso de inúmeros casos de adopção por pessoas do mesmo sexo – tal não é a mesma coisa e marca o futuro da criança de formas que ainda se ignoram na sua amplitude.

  10. que focalizem o esforço na adopção por casais heterossexuais, enquanto isso, que é uma vergonha o tempo e a burocracia. juizinho na cabeça.:-)

  11. Ana, o lado da questão que realça a bondade da adopção por casais homossexuais, sustentando-se em casos reais, não chega para resolver o assunto. Esse argumento aposta na dramatização para forçar uma anuência, fechando o olhar nas inquestionáveis vantagens de dar uma família às crianças para adopção, mas não entra em diálogo com os que têm legítimas dúvidas (quanto mais não seja por terem direito a serem ignorantes da matéria).

    Como sabes, e só para dar um exemplo básico, assim como os produtores de chá pagam estudos onde se realçam as propriedades benéficas da planta, também se faz ciência (e muita!) para validar pressupostos ideológicos. Esta área é uma onde tal pode acontecer, pelo que não chega apresentar uma lista de estudos e esperar pela vitória através do argumento da autoridade. Esses estudos de nada valem para os leigos e, adentro da comunidade científica, têm de passar pelo crivo da validação, análise e comparação. Ou seja, e posto que estamos a estudar o ser mais complexo da Natureza, o tempo é bom conselheiro.

    Por fim, a questão não é apenas científica, mas cultural, social e política. Não se pode querer terraplanar esta realidade, e é estulto, até para a causa, fazer da urgência individual uma precipitação colectiva.

  12. Basicamente estou de acordo com o Val. Esta tambem é uma questão de cultura politica e comprometimento, dado o caminho percorrido não se pode agora, nem voltar para trás, nem dar um sentido diferente à confiança gerada pelo voto. Seria terrivel para outras futuras causas “minoritárias”.

  13. Falaste no direito dos menores a serem desinstitucionalizados e a crescerem junto de gente que lhes acrescenta qualidade de vida, Ana. É esta a bondade que ninguém humanista, e de boa-fé, põe em causa. Bondade é aqui um substantivo que remete para os interesses da criança.

    Contudo, a questão é mesmo complexa, e a culpa, como sempre, é de Deus ou da sua ausência. A verdade é a de que qualquer ser humano pode ter a sorte de crescer numa família monossexual e o azar de crescer numa família heterossexual. Infelizmente, o nosso problema é outro, relativo ao arbítrio e abstracção da Lei, não ao caos ou mistério do destino de cada qual. A partir de que critério consensual se justifica que uma criança vai crescer numa ou noutra tipologia de família?

    Outra área de interesse é relativa à construção da identidade sexual das crianças nessas circunstâncias, onde há muito para descobrir. Não vejo ninguém a falar disso no lado dos defensores da adopção.

  14. Estou com pouco tempo por isso assim em modo telegrama (1) a questão n é a tipologia familiar, é “aquela” família em particular (2) falas, com certeza, de orientação e não de identidade sexual (são, tecnicamente, coisas substancialmente diferentes), pois deixa-me recordar-te q a grande maioria de homossexuais são filhos de heterossexuais e foram criados por famílias de “tipologia” tradicional (a da tipologia é boca eheh). Inté, beijos.

  15. Tens toda a razão, mas a questão da identidade pode subsumir a da orientação numa conversa de café. Eu falava das duas dimensões por atacado.

    Quanto à questão da família particular, tens toda a razão. Contudo, só lá se pode chegar depois de haver legislação, e nós estamos ainda numa fase prévia.

    Quanto ao facto de a grande maioria de homossexuais serem filhos de heterossexuais e terem sido criados por famílias tradicionais, também tens toda a razão – mas só porque ontem foi Dia de Reis e estou ainda a distribuir presentes.

    Em suma, tens toda a razão, não tens é a razão toda.

  16. “wild2, talvez esses países a que aludes estejam na vanguarda do que será uma prática universal, mas tal não resulta de um actual consenso científico e, antes de tudo, tal não resolve a questão em Portugal.”

    Consenso científico é quando a maioria das pessoas que trabalham numa área científica estão de acordo com um determinado modelo de explicação da realidade. É isso que se passa em relação à adopção por casais do mesmo sexo, em que organizações como American Psychiatric Association que representam milhares de profissionais acham que não há qualquer problemas para as crianças. A Ana Matos Pires dá-te os links no comentário que fez acima.

    “Onde diferimos é no sentido da interpretação. Para ti, trata-se de uma hipocrisia, porque tens o assunto arrumado na tua cabecinha e já só falta a legislação. Para mim, e para muitos outros, trata-se de respeitar e proteger o que convém às crianças que não vão poder escolher, mas sim vão ser escolhidas sem fazerem a menor ideia do que está em causa. Anos mais tarde, poderão perguntar ao Estado qual o critério para uns terem ido parar a casais mistos e outros não. É que – e independentemente do sucesso de inúmeros casos de adopção por pessoas do mesmo sexo – tal não é a mesma coisa e marca o futuro da criança de formas que ainda se ignoram na sua amplitude.”

    Val, o critério é que não há qualquer diferença para a criança como diz por exemplo a APA. De qualquer modo, mesmo assumindo que o teu argumento tem lógica e que não está a ser baseado no preconceito de que para uma criança ser adoptada por um casal hetero é sempre melhor do que ser adoptada por um casal do mesmo sexo, estás a ter uma visão completamente restrita da adopção, pensando apenas nas crianças que estão em instituições. Esqueces, por exemplo, as crianças de lésbicas que não tem direito a ser adoptadas pela respectiva parceira e que, devido a isso, poderão ir parar a essas mesmas instituições de acolhimento ou a parentes distantes em caso de morte. Achas que isto defende o interesse das crianças?

  17. wild2, sem dúvida, escrevi apenas com as crianças para adopção em mente. No exemplo que trazes, de uma criança filha biológica de um casal de lésbicas, é óbvio que a criança tem direito a ficar com a parceira, também sua mãe simbólica, posto ser essa a decisão mais lógica sob qualquer ponto de aferição dos superiores interesses em causa. Acontece é que eu não estou interessado em discutir os inúmeros casos onde o factor género é o que menos importa para uma parentalidade legítima e preferível. Apenas me ocupei do processo político que pode levar a uma nova legislação nessa área.

    Organizações como a American Psychiatric Association, independentemente do que agora defendam, não nos resolvem o problema. Serão um contributo, obviamente, mas apenas mais um entre tantos. Temos de ser nós, nas nossas instituições e participação cívica, a fazer o debate e tomar a decisão. Neste momento, apenas o grupo interessado, e os seus simpatizantes, está preparado para a alteração das regras. Ora, creio que ainda são poucos, e que ainda há pouca exposição pública da questão.

    Quanto ao consenso científico, e descontando o activismo que está fortemente representado na comunidade científica, nem lá perto. Pura e simplesmente, não há estudos suficientes para abarcar a complexidade da questão.

  18. Pois é Val,
    1. Se prometem na campanha e não cumprem depois de eleitos : mentirosos.
    2. Se não prometem na campanha e cumprem o não prometido : bandidos.
    Um verdadeiro catch 22.
    Como é óbvio analistas e economistas esses não têm esse dilema. Ainda bem.
    Cumprimentos

  19. Val: nas questões de discriminação, igualdade, etc, dos homosexuais, eu decido-me sempre fazendo um paralelo com etnias: o que dizer quanto à adopção de crianças por casais heterosexuais, mas, etnicamente muito diferentes da criança mesma? Por exemplo, uma criança caucasoide deve poder ser adoptada por um casal heterosexual de africanos? Geralmente, tenho a minha resposta…

  20. Concordo que a questão é muito complexa. O risco da criança mais tarde questionar o Estado acerca da razão pela qual foi adoptada por um casal homossexual e não por um casal misto é real, mas a criança também pode questionar o Estado pelo facto de ter sido adoptada, simplesmente. Também existe risco para os adoptantes, a coisa mais natural do Mundo são conflitos entre pais e filhos, se calha acontecerem com filhos adoptivos será esse o primeiro motivo a invocar, se forem casais homossexuais, nem se pestaneja, essa é com certeza a primeira causa apontada para o insucesso da relação. O problema é que, como em qualquer família, cada caso é um caso. E, infelizmente, não faltam casos de casais hetero em que tudo corre mal, daí o facto de existirem tantas crianças para adopção. E há ainda outras que não estando deviam estar, tal é o clima de violência familiar e de miséria a que estão sujeitas, também essas podem vir a questionar o Estado por nada ter feito por elas… Sendo assim, e tendo em conta os vários riscos associados, sou favorável à adopção, mas concordo que deve haver mais debate na sociedade e que só depois se deve partir para a legislação.

  21. Não conhecia a “aspirina B”…
    Caros cibernautas enquanto lic em psic e curioso do K humano considero errada esta opção governamental de encarar a união homo à luz da instituição casamento. O fenómeno da homossexualidade é particular e ainda deveras incomum (apesar do que se diz), merecendo um estudo aprofundado com suporte cientifico sobre a origem da maior parte dos casos actuais. Pelo que observo do actual K H. estou convicto que a homo é na actualidade mais derivada de perturbações que afectam o desenvolvimento da área psico-sexual do indivíduo e muito menos “de origem”. Logo, temo que estejamos na maior parte dos casos perante uma questão de moda ou de vicio de K, o qual poderá ser disciplinado tal como outro vicio ou mau K qq. Considero pois que ao contrario do que foi dito não deverá haver INdiferença em relação ao K homossexual sob pena de potenciar tal K nas nossas crianças e jovens que muito aprendem por modelagem.
    Abaixo os homos convictos que querem impor a sua diferença como não diferença. São diferentes e assim devem ficar caso o pretendam, pedindo sim que os respeitem nessa diferença e nada mais. Já agora julgo pertinente avançar-se para outro tema, o da bigamia ou poligamia, cujo K será muito mais condizente com a natureza humana. è certo que tais k´s uns e outro provocariam fracturas e graves desorganizações sociais, sendo por isso que a lógica e a racionalidade associada a factores culturais sempre nos aconselhou a não irmos por aí….
    Juízo!

  22. hetero,
    “…mau K”, “…vicio de K” “…ao K homossexual”, etc…a tua licenciosidade em psi não permite que trates melhor o meu honrado nick? :)

    Pedro,
    Quais africanos? os brancos, os negros, os asiáticos, os azuis às risquinhas ou os cor-de-rosa arco íris? :)

  23. O casamento de pessoas do mesmo sexo:
    Como o tema da actualidade é o casamento de pessoas do mesmo sexo, não estou preparado para o discutir como muitos, os termos técnicos, e como a minha vida não é longa nem curta, dia 28 cá cantam 61, vou-me dedicar um pouco a mandar alguns bitaites, sejam bem ou mal escritos, como às vezes me criticam. Quem nasceu para cinco não chega a dez.
    Há dias, precisamente na véspera de Reis, como é habitual, à noite vou passar um bocado de tempo a jogar à sueca na Tasquinha do Sporting. Acabada a sueca falou-se das dificuldades da vida e da política acabando a conversa no casamento de pessoas do mesmo sexo. Éramos quatro pessoas, a hora ia um pouco adiantada, os outros três não pronunciavam casamento de pessoas do mesmo sexo, usando um português fluente, “casamento entre paneleiros”.
    De um tinha conhecimento da sua aversão a este tipo de comportamento dos outros desconhecia mas verifiquei que ainda eram mais fanáticos sobre este tema. Contrariei-os dizendo que deviam de ser mais tolerantes, tendo um dito que não estava para tolerar nem dialogar com este tipo de situações. Pus-lhe o problema de uma forma a chocá-lo, dizendo-lhe que se um seu filho fosse homossexual o punha fora de casa, não o deixava sair de casa ou lhe punha veneno na comida. Gaguejou e como forma de resposta disse-me que o que lhe pedia era para não dar escândalo. Disse-lhe que a forma de não dar escândalo é apoiar esta iniciativa uma vez que a partir daí cada um resolve a sua vida conforme quer e não está sujeito à descriminação quer para arranjar emprego ou outras situações.
    Desde já faço uma declaração de interesse. Quem me conhece sabe das minhas orientações sexuais, sabe que gosto de mulheres e se possível boas e que sempre me refugiei deste tipo de orientações sexuais. Quando cumpria o serviço militar em Lisboa, Caçadores 5 em Campolide, no primeiro fim-de-semana, fui transferido numa sexta-feira, um soldado que lhe chamávamos o Porto, por ser do Porto, convidou-me para sair com ele. Como o dinheiro não abundava, disse-lhe que só tinha uns trocados, ele ainda estava em pior situação. Disse-me que conhecia um café que era frequentado por paneleiros, palavra dele, e que ali nos desenrascávamos. Não lhe respondi, fui descansar um pouco para a minha cama para o deixar sair sem a minha companhia. Estive mais de dois meses a tirar a especialidade, nunca sai com ele porque não gosto deste tipo de gente. Quantas vezes fui abordado no Porto junto ao Palácio de Cristal, no CICA 1, onde estava a cumprir serviço militar. Saia à noite e no regresso entrava à meia-noite ou uma da manhã, quantos carros ao passar por mim me mandavam um piropo ou outras vezes paravam a fazer o convite. Sempre lhes respondi se não quer ser incomodado, não incomode os outros.
    Pelo exposto sou a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, compreendo o seu drama e quase me dá vontade de dizer que muitos fanáticos que os criticam têm medo da concorrência. Se as paredes dos quartos falassem é que devia de ser bonito.
    Mas isto é dizeres de uma pessoa nem nova nem velha. Próxima dos seus sessenta e um. Espero lá chegar.

  24. Há, no entanto, um pequeno pormenor – adiado mas inevitável – no que diz respeito à adopção. Neste momento é perfeitamente viável (e tem sido feito) a adopção por um casal homossexual (não declarado, evidentemente). Depois de casados, estes cidadãos ficam sem esse direito.

  25. Mesmo no caso de já a criança já ter sido adoptada e/ou a ser filho biologico de um dos cônjuges? Aí penso que prevalece o “superior interesse da criança”,não tenho a certeza…mas acho que os juizes não optarão por tirar estas crianças a estes novos casais.

  26. Nesses casos seria absurdo…
    Mas nos outros, na prática, se o casal quiser adoptar, não pode casar. Ou casa ou adopta. Enfim, uma pequena hipocrisia do sistema…

  27. Hipocrisia maior seria o facto de a lei o permitir e na realidade isso não acontecer devido aos preconceitos e barreiras criados por quem tem a tarefa de analisar estes casos. A lei não resolve tudo.

  28. Pois, e há menores, justamente à nossa guarda enquanto Estado, que nunca têm colinho, mimos, um quarto, um espaço de privacidade de criança, uma mão que leve à escolinha. (ler em tom de irritação com tanta fantochada!)

  29. Neste maravilhoso universo da hipocrisia existem muitas crianças que não podem ser adoptadas porque os respectivos pais as visitam religiosamente de seis em seis meses nas instituições onde estão, cumprindo assim a obrigação mínima para que as crianças não sejam consideradas para adopção. Já aconteceu, inclusive, que uma menina que foi considerada para adopção pelo facto de a mãe ter faltado à sua visita semestral ter visto o processo abortado, porque a mãe, que apareceu um mês depois, justificou com o ter-se esquecido da data. E o argumento foi considerado válido. A criança lá continua na instituição.

  30. muito bom o tema e os comentários, mas só amanhã é que digo algo que à noite não é o meu forte. Seja como fôr o poder-se falar disto assim já é bom.

  31. Revoltante, &.

    É por se viver neste clima persecutor, inquisitor e desumano (faltam-me os adjectivos) que me parece que a polémica em torno dos direitos dos homossexuais como pais esconde algo que não propriamente o enaltecido interesse da criança. Cheira-me mais a motivações de ódio de que de amor. E mal camuflado, como neste caso.

  32. Edie, pois, a questão da adopção é bastante complexa mesmo sem a questão dos casais homossexuais. No outro dia, vi uma reportagem, julgo que na SIC, feita numa instituição, cujo nome não me lembro, onde era abordado esse tema das visitas dos pais. Segundo a responsável essas visitas causam grande perturbação nas crianças alimentando-lhes a falsa esperança de que os pais as tirarão dali, recusando-se elas próprias a serem adoptadas. Na realidade, o que acontece é que passam a vida inteira nas instituições, de onde praticamente só saem para ir à escola, facto que lamentavam. Fiquei com a sensação que a lei que permite essas visitas por tempo indeterminado tem mais em conta o superior interesse dos pais do que o das crianças. Enfim… talvez o debate em torno da adopção por homossexuais sirva também para chamar a atenção para os problemas destas crianças.

  33. (bem, vou xonar que já comi três mon chéri’s que fiquei enjoado e fumei dois cigarros à conta do Avatar, e estou com o rabo em cima das patinhas por causa do briol e além disso ando a ler o Vieira – também andou lá aflito com a inquisição coitado, mas o que lhe terá dado para profetizar a ressureição do D. João IV? Mas já agora fica aqui para abrir amanhã.)

  34. Impressionante, &. Trinta e um anos não dão direito a uma simples lápide. E depois ainda dizem que a lei que vai ser aprovada amanhã não faz sentido.

  35. Quanto à adopção. Ainda não. A sociedade não está preparada. Os homens as mulheres e até as inocentes crianças são muito cruéis. Os adoptados por casais do mesmo sexo, por muito amados que fossem intra-muros, cá fora arriscariam a chacota e o estigma, o que só lhes traria sofrimento. Esperemos! Outras geraçoes virão. Mais cultas e generosas.

  36. Tambem existem outros temas a exigir debate e legislação mais adequada e protectora, por exemplo a legalização da prostituição. Porque é que não se actua nesta área que combina o trafico humano, a toxicodependência e mafias varias? Será porque não existe um lobby opinativo tão poderoso? Ou porque é uma tragédia suportavel? Ou será fruto da minha/nossa imaginação?

  37. não, tens toda a razão K. É sempre a mesma coisa, é a igreja católica com o seu quadro de valores muitas vezes hipócritas a dominar esta coisa: não se fala do que é inconveniente para os bons costumes e a estabilidade das instituições. O controlo sobre os pecados é a melhor garantia de poder. Vá lá que é uma coisa também ela escavacada, espero eu. Então já foste ao Avatar?

  38. From WIL2, with thanks:

    ‘É isso que se passa em relação à adopção por casais do mesmo sexo, em que organizações como American Psychiatric Association que representam milhares de profissionais acham que não há qualquer problemas para as crianças’.

    LINDO!LINDO! LINDO!

    1942 – U.S. psychiatrist Foster Kennedy writes in the journal of the American Psychiatric Association that retarded and “utterly unfit” children should be killed to save money and emotional trauma for the parents.

    I Love shrinks…

  39. &,

    como o k, ainda não tive tempo. Estou a pensar ir este fds. Mas não escapa.
    Não estarás a abusar dos mon chéris ? :) (Isto é inveja, não ligues).

  40. bem, tu é que sabes, aquilo encheu-me os olhos, a mente e o coração e é para não dizer mais. Eu com sol gosto é de andar e daqui a pouco lá vai,

  41. Inveja outra vez, não posso sair para apanhar sol; só mais logo :(

    Quanto à adopção, isto vai dar muito que falar, como diz o max.

    Entretanto, retive uma afirmação do Sócrates no seu discurso de hoje no parlamento. Dizia ele qualquer coisa como: os nossos filhos irão chocar-se e ter dificuldade em compreender como é que até 1982 ser homossexual era crime em Portugal.

    E eu acrescento: os nossos netos não vão perceber como em 2001 se está neste ponto ainda.

  42. (então consola-te que estou com a cabeça cheia de citações e fórmulas, a reler um paper para seguir na segunda, vá lá que está bonito, e ando a ler a abdução em Peirce, só que faço melhor essas coisas um bocadinho aqui e um bocadinho ali na integração final do que sentado na mesa, além de que vou às escadarias mais logo,

    essas frases do Socrates estão bem colocadas,

  43. Pois é Val hoje andámos um passo para a frente e outro para o lado…e os filhos? e a adopção? Continuo a achar que o Sr José Sócrates acenou levemente à esquerda e à direita.Não consigo deixar de pensar que existem muitos casais homossexuais que têm amor ,carinho, principios e boa formação para ensinar e oferecer ,mas não vão poder adoptar uma criança,não vão poder criar um ser humano desejado. Vão continuar à espera do momento político oportuno.E enquanto nos “bastidores” se discutem “K” o nosso ilustre PM foi um homem “moderno” mas só pela metade e ainda fez com que os casais homo e heteros continuem à espera da apresentação do Orçamento do Estado para terem apenas uma ligeira ideia do que nos espera .Pelo menos ,vá lá o homem deu um passinho…Mas para quem gosta tanto de corridas foi muito pequenino.

  44. O Sócrates não precisava de legislar sobre adopção. Se deixasse o caso omisso tinha feito melhor figura e evitava dar azo a uma rejeição do diploma por inconstitucionalidade. Temo que Sócrates se portou como um mero amador.

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