25 de Novembro sempre!


Conhecido dirigente, de um partido nacional e socialista, saúda o desfile dos que vão combater na Guerra da Avaliação, prevista durar o ano todo.

Uma das características que melhor identificam o Governo Sócrates é a capacidade de negociação. Não temos memória de tal, e o Governo de Guterres foge à comparação dado que não negociava, cedia. A primeira grande exibição desta virtude – porque é de força que se trata – aconteceu com o processo de localização do novo aeroporto de Lisboa. A 11 de Abril de 2007, em entrevista na RTP, Sócrates dizia que a Ota era, indubitavelmente, a melhor localização: 30 anos de estudos, validação por diferentes Governos anteriores, recente consulta aos melhores consultores internacionais, urgência na construção do novo aeroporto, ausência de estudos quanto a outros locais, necessidade de dois ou três anos para ponderar uma alternativa. Deste rol de pressupostos, concluía o Primeiro-Ministro ser um erro parar o projecto Ota. 8 exactos meses depois, o Campo de Tiro de Alcochete era confirmado como o local para o novo aeroporto de Lisboa pelo mesmo governante. Que aconteceu? Política. Às claras e nos bastidores, a sociedade moveu-se, fez pressão e o Governo geriu a situação da melhor forma. Isso não quer dizer, porém, que a Ota fosse um erro. Quer é dizer que o Governo, mesmo de maioria absoluta, sabe negociar.

Quando se deixou cair Correia de Campos, estávamos no auge de um novo cenário em Portugal: a assustadora realidade das reformas. Não por acaso, não se fizerem reformas em 30 anos de democracia, antes se acumularam e aumentaram vícios e disfunções. É que reformar é a tarefa mais difícil para os políticos no poder, os quais devem sempre favores às forças da situação, os mesmos que temem perder na próxima eleição. Momentos de grave crise são propícios à reforma, como a História ilustra, onde guerras, desastres financeiros e catástrofes naturais podem diluir os factores de constrangimento, oposição e inércia. Em Portugal, a grave crise tinha sido protagonizada pela fuga de Barroso e pelo desastre de Santana. O regime tinha batido tão no fundo que se deu ao PS a sua primeira maioria absoluta, cenário que alguns só julgavam possível acontecer com Cavaco. Era fatal: se as reformas agora viessem, com elas teria de vir uma inusitada e imprevisível convulsão social.

Tentar mudar a mentalidade de uma qualquer organização é sempre a tarefa mais difícil para os seus dirigentes. No caso, o desafio não podia ser maior, e os comentadores de referência não acreditavam que o País fosse reformável, tivesse salvação. Pois este Governo revela uma e outra vez ter força e cultura política para aguentar o barco no meio da tormenta das reformas que já efectuou, pouco interessando contabilizar se foram muitas ou poucas. No caso do Ministro da Saúde, a sua presença esteve assegurada até às últimas, e foi preciso ver o PS também em pânico para que Campos fosse sacrificado. Assim que saiu, publicaram-se elogios que tinham ficado na gaveta enquanto os reaccionários e os néscios atacavam furiosamente. É a hipocrisia a reconhecer a bravura do Governo. Mas o que importa realçar é a lógica de Sócrates: dada a irracionalidade que os opositores da reforma na Saúde tinham promovido, intoxicando com mentiras e cenários alarmistas as populações ignorantes, parar foi a forma de negociar com uma sociedade cujo inconsciente ainda pertence a Salazar. Esse mesmo inconsciente que arrasta os professores contra a avaliação.


O salazarismo cristalizou dinâmicas psicológicas que tinham como meta o imobilismo social e a estagnação cultural. O isolamento internacional, protegendo o rectângulo dos vírus da democracia, era viável desde que se mantivesse o País estruturalmente rural e urbanamente desconfiado. Nas colónias, debochava-se com os restos do império, explorando-se a mão-de-obra e os recursos enquanto dava. Na metrópole, os que lutavam tinham de ser extremistas, não havia espaço para mediações. Os ventos da História chegavam atrasados a uma terra onde a política tinha sido suspensa. Era esse o acordo que mandatava Salazar: trocar os conflitos pela estabilidade. Infelizmente, o executante era demasiado talentoso. O marasmo foi a sua grande obra, ficando Portugal estratificado por uma dúzia de famílias económico-financeiras, funcionários do Estado, clero, corporações e polícias. O resto, arraia-miúda. Os portugueses ficaram privados de educação científica, artística e económica. Ou seja, os portugueses nem nas elites tinham quem soubesse fazer política. O 25 de Abril obrigou à instituição do quadro partidário pela força, como tão bem explica Freitas do Amaral nas suas memórias, pois ninguém estava preparado para a representatividade em democracia. Foi neste contexto que o PCP lutou contra a liberdade, usando a sua vastíssima cultura política de clandestinidade, na tentativa de impor uma ditadura comunista. As pessoas que hoje continuam no PCP, ou lá se formaram e não entraram no centro, mantêm a mesma escola e o mesmo ideal revolucionário. Estão exultantes com a possibilidade de aplicarem as técnicas e tácticas de guerrilha, entram em êxtase com as manifestações que enchem avenidas e são espectáculo mediático, romantizam o poder das bandeiras no ar. Enfim, também eles negam a política como dilectos filhos do salazarismo. Por isso não aceitam negociar, preferem o pensamento mágico onde deliram que o Governo não resiste à rua. Fanáticos religiosos que imaginam ser a rua só deles por decreto da História.

A escola é um antro de egoístas. A maior parte dos professores não quer saber dos sindicatos, quer é que os deixem em paz e lhes dêem pouco ou nenhum trabalho. Foram para a escola já derrotados, e ficam cada vez mais zangados e tristes à medida que os anos passam. Mas aceitam as supostas ignomínias, que denunciam só quando os apertam, e não saem do sistema que dizem repudiar, porque compensa. Óbvio, que ninguém se iluda: não saem porque compensa. Assim que um professor assegura a continuidade, a vida pode ser muito agradável. Há salários dignos e crescentemente confortáveis pela carreira afora. Os conhecimentos pessoais, as amizades, dentro de uma escola fornecem comodidades que vão desde poder ter os melhores horários a ter as melhores turmas. A gestão das benesses da profissão confere um prémio que não há dinheiro que pague: tempo livre. Um professor tem muito tempo livre ao longo do ano, e todas as queixas que se oiçam quanto ao peso da preparação das aulas, ou com a correcção dos testes, é tudo grosseira mentira ou assunção de incapacidade. O que acontece é que os professores saíram das universidades, ou dos liceus, e foram dar aulas sem passar pela realidade. Por isso, nunca trabalharam. Ou seja, não têm modelo comparativo e negam o mundo exterior, não foram postos à prova num ambiente competitivo. Nem ninguém lhes exigiu muito esforço intelectual e auto-conhecimento psicológico para serem formadores e representantes do ensino. O seu cansaço e dificuldades, o seu mal-estar, é transformado em lamúria e queixa, alimenta a passividade. Não aceitam que o problema possa ser primeiramente deles, preferindo a disfunção cognitiva onde se reclamam credores de ainda mais reconhecimento e vantagens. Afinal, eles são professores; ou seja, pertencem a uma casta que só deve responder perante a consciência do próprio indivíduo intitulado. Os seus alunos pertencem-lhes por atribuição divina, as suas salas são santuários interditos a estranhos. Nem o Estado, nem os pais, nem o Governo, nem os colegas podem fiscalizar a secreta passagem do saber que cada professor pratica, preferencialmente, de modo esconso. É por isso que estão unidos; mas como já estavam antes – unidos no pacto de silêncio onde se reconhecem cúmplices de uma fraude com décadas. Também eles aboliram a política, não confiam nos governantes, nos pares, na sociedade. Recusam-se a negociar com um Governo reformista, forte o suficiente para assumir desafios desta magnitude. E recusam-se a participar na melhoria da escola, com medo de se desmascararem e aparecerem à vista de todos como os rapinantes do bem comum que, de facto, são.

Os professores que não querem ser avaliados, e boicotam o futuro da comunidade, são o último estertor do salazarismo.

35 thoughts on “25 de Novembro sempre!”

  1. Os professores eram avaliados no salazarismo, Val.
    Em primeiro lugar, pela PIDE/DGS. Todas as nomeações para o Estado, sem excepção, passavam pelo Secretariado da Presidência do Conselho, cujo primeiro passo era pedir a informação da PIDE sobre o candidato a qualquer lugar, como era o caso dos professores. Os professores dos colégios privados também eram escrutinados pela polícia política. Conheço um professor que em cinco anos sucessivos teve cinco informações negativas, inscritas à mão nuns formulários de que ficaram duplicados na célebre polícia, hoje acessíveis à consulta na Torre do Tombo. O candidato a professor em questão não era do PCP nem fazia política, mas os seus avaliadores tinham-lhe violado uma carta em que falava do assassinato do Delgado. Por isso, durante cinco anos não pôde ser contratado pela universidade que o queria ter como professor.
    Em segundo lugar, os professores eram avaliados pelos directores e reitores dos estabelecimentos de ensino, com um carácter absolutamente discricionário e sem recurso possível. Conheço um ex-professor que foi corrido pelo reitor por “incompatibilidade pessoal”, assim lhe foi explicado por escrito. Com trinta e tal anos de idade, esse professor de História e Filosofia teve que refazer a sua vida, mudar de cidade, de emprego e de carreira, só porque não caíra no goto duma besta assumidamente nazi.

  2. Agora estes cabotinos que dizem que as regras de avaliação e do concurso para professor titular são “absolutamente arbitárias” devem realmente estar com saudades da PIDE.

  3. És muito mauzinho, pás!… Mas, diz-me, se fosses professor de Geometria Descritiva gostarias de ser avaliado por um professor de Educação Física?

  4. Meu caro,das escolas não vou falar,temos opiniões saudavelmente opostas que também o são quanto aos méritos e deméritos deste governo,mas ainda bem que o podemos afirmar sem rodeios.Só um muito pequeno realce sobre a Ota: meu caro Valupi,aquilo era mesmo uma má solução desde logo sobre o aspecto, que para mim nunca vi ser muito debatido e me toca,nos quase 30 anos que levo de Aeroporto da Portela,o aspecto da operação da “aviação”(passe o termo) em si.Estamos a falar de um sistema que teria 2 pistas paralelas encaixado numa área máxima de – 3000ha,no limite da expansão e encostado a uma coisa chamada Serra de Montejunto,que provoca interessantes fenómenos de turbulência,bem frescos na minha memória dos tempos do vôo sem motor.A Força Aérea percebeu bem o problema que ali tinha,quando desactivou a base e levou as suas esquadras de instrucção para zonas algo menos ásperas.Pessoa amiga,brigadeiro piloto-aviador na reserva,com experiência ampla na matéria,reiteradamente me dizia não entender a teimosia sobre a Ota.Mas note,não “embarco” num alcochetanismo militante e digo-lhe que me faz confusão ver o que a Portela ainda pode ou podia ter “dado” e custa-me pensar que quase 400 milhões de euros se vão gastar para alindar um encerramento…desculpe o arrazoado,tínhamos assunto para uma agradável conversa certamente,pois como já lhe disse se esta não é a minha área política,este é um dos meus blogs de poiso certo.
    Um abraço

  5. és mesmo danadinho Valupi, e como eu gosto de te ler, mesmo subindo-me uma chispa vermelha quando ainda estou com um olho pingado. Ainda bem que não nos conhecemos, senão te garanto que ficavas a conhecer as minhas patas aleph.

    mas o diagnóstico de mentalidades está bem esquissado nos processos e no tempo, embora eu não percebo uma coisa: estou farto de dizer que os prof.s devem ser avaliados com base nos resultados dos alunos, pois esse é o output do sistema, tudo o resto, acções de formação, inciativas disto e daquilo são matéria instrumental e subsidiária.

    O sucesso do professor é medido pelo sucesso dos alunos, parece-me a única indexação pertinente. O sucesso dos alunos tem que ser aferido numa escala mais vasta do que a escola, seja a região ou o país. Tudo o mais pode ser jogo de panelinhas. E essas provas dos alunos, ao invés de estarem a ser abolidas, deviam é estar a ser incrementadas, numa base regional se justificar, e universal. Prova pública cada dois ou três anos, coisa assim.

    Mas parece que ninguém concorda comigo, não vou insistir mais

    o problema é que se o ambiente da escola degenera muito a comunicação do ensino funciona mal,

    também foram os miúdos que correram com a ferrugenta há milhões de anos atrás, e o cavaquismo foi a reboque, são manipulados o tanas eles cheiram naturalmente o futuro. Lembro-me de uma foto da ferrugenta desse tempo, numa festa in, de vestido de um ‘plástico’ negro refulgente com um toque Crof, e eu pensei: ai meu Deus, o que anda aí

    o Salazar foi aqui a minha ribeirinha que deu cabo dele ao que contam

    Isso de prof.s despedidos por razões políticas ainda tem hoje, o mecanismo processual é outro mas funcemina

    ——

    quanto à Ota aqui no Aspirina demos-lhe bem. A Ota estava semioticamente condenada porque ficávamos o resto da vida otários e não gostamos da idéia. Só espero que façam uma coisa bonita em Alcochete, com escultutas e lasers, ecrãs digitais com imagens flutuantes e aquelas salinhas de fumo como tem em Singapura e Hong-Kong etc. Ó Sócrates pá, se não fazes isto das salinhas de fumo mordo-te nem te digo onde. No aeroporto de HongKong eu caminhava como se estivesse numa estação orbital com um cheirinho a 2001, não digo tanto para cá, seja uma coisa bonita. O De Gaulle é bonito.

  6. olha se eu tivesse que esquissar um plano de avaliação para os profs., de que felizmente estou livre, o que eu ia fazer era ouvir os miúdos de todo o país durante um mês, nas diversas regiões, porque eles é que vêm melhor o futuro, e depois tentava articular com as gerações a montante claro, as preocupações dos pais e a sabedoria dos louvados,

    numa coisa simples mas efectiva

    aproveito pata te recordar que há não muito tempo houve uns inquéritos sobre as classes profissionais que as famílias portuguesas mais confiavam e os prof.s vinham à cabeça com uma boa classificação (e os políticos em último lugar)

  7. Reconheço que sabe escrever. Tem estilo. Já é pena não ter conteúdo. As suas afirmações sobre os professores são meras generalidades que, como tal, valem zero. “A escola é um antro de egoístas” começa por afirmar. Tudo o resto que vem a seguir mais não faz do que tentar justificar esse pressuposto que é injustificável. Porque o seu pressuposto coloca no mesmo saco bons e maus profissionais. Os seus comentários revelam a frustração de alguém que passou pelo ensino sem gostar e que, como tal, se revê naquilo que escreve sobre milhares de pessoas que deve considerar como sendo iguais a si. Enquanto professor, os seus textos só não me insultam porque são de tal forma vazios que apenas podem ser encarados como desabafos de alguém com sérios traumas. Pelo menos assim parece. Talvez fosse interessante começar a falar de coisas concretas. Por exemplo, do estatuto do aluno, um insulto para os alunos que trabalham; do facilitismo dos exames para promover um sucesso estatístico; da colocação de professores como agentes comerciais do Magalhães, obrigados a vender o produto e a incitar os pais a optar por determinados operadores móveis; das condenações na Justiça de Maria de Lurdes pelas trapalhadas com exames do Secundário.
    Eu sei que é mais fácil fazer grandes textos com generalidades. Mas é também muito menos sério.

  8. O FCC09 apresenta o primeiro Encontro Nacional de Bloggers de Cultura e/ou Criatividade!!
    Este evento, a realizar no dia 08 de Fevereiro de 2009, inserido nas actividades do FCC09 tem por objectivo, reunir a comunidade de criadores de blogues, relacionados com as áreas do Património, Museus, Arte, Cultura e Indústrias Criativas, e criar um espaço informal de debate, discussão e partilha de ideias e experiências.
    O registo como Blogger pode ser feito no nosso site, em Escreva-nos/Registo, e dá direito a um “Pass Blogger”, que permite a entrada gratuita em todos os dias do TEMPUS e da CONCEPTA.
    Para efectuar o registo como Blogger, deverá possuir um Blogue na área da Cultura ou Criatividade e nele introduzir uma referência ao FCC09 e um link para o nosso site (www.inovaforum.org).

  9. Resposta a Almocreve :

    Vamos falar de realidades concretas ? Então a primeira, objectiva, admitida por todos, inclusive os professores, é a seguinte : o ensino em Portugal esta uma lastima. E por muito que nos queiram impigir historias da Carochinha, o problema não pode ser apenas da responsabilidade “dos ministérios”, “dos burocratas”, dos outros…

    Se começar por ai, vai entender muito melhor porque é que pessoas como o Valupi (e como eu ja agora) perdem a paciência e dizem : ha com certeza bons professores, mas se o são, não podem estar sériamente a dizer aquilo que se ouve.

    Peço desculpa mas os professores estão-se a comportar como se considerassem que os maus resultados (que eles admitem ter) não tivessem nada a ver com eles. A partir de ai, e passando pelas aberrações que são recusarem-se a ser avaliados pelos seus pares e procurarem fulanizar o problema a todo o custo (se o problema é esta ministra, então porque é que as coisas chegaram onde estão, é que a ministra so la esta a uns anos, sabe…) é um verdadeiro descalabro. E a incompreensão não é so minha…

    Isto é triste, porque a educação é importante. E porque ha de certeza bons professores. Porque é que eles não acordam ?

  10. Será necessário chamar alguém de outra galáxia para avaliar um professor?
    Se é possível avaliar engenheiros, arquitectos, economistas, e outras profissões, qual a dificuldade em avaliar um professor?
    Regra geral, só vai para professor que não consegue tirar uma média de jeito no 12º ano que lhe permita entrar num curso melhor. O resto são tretas, não me venham com a história da vocação! Regra geral, vão para professores, os medíocres!
    Gostaria de saber quantos alunos com média de 18 ou 19 é que vão para professores!

  11. Por muito que custe, tenho de admitir, na generalidade, que o seu texto toca nas feridas todas.

    Tenho na família professores excepcionais que estão revoltados contra a avaliação e contra ministra e contra o primeiro-ministro, e que me dizem o pior sobre os mesmos, mas que quando confrontados com os seus problemas em relação aos factos reais ficam mudos e quedos como penedos.

    Por outro lado, tenho outros que se serviram da escola para angariar uns cobres, um estatuto de certa importância, e que em troca nada deram a não ser tempo perdido, e que estão também contra a avaliação, contra a ministra e contra o primeiro, mas quando confrontados arengam sem nexo, escondem-se atrás da competência adquirida, dos problemas arquitectónicos das escolas, da impossibilidade de serem avaliados quer pelos seus pares (que são vingativos, incompetentes, muito jovens, impreparados, mentores de disciplina alheia, etc.), quer pelos pais dos alunos (pelas mesmas e mais razões), quer ainda pelos responsáveis escolares.

    Afinal, o que eles pretendem é auto-avaliar-se, embora passem a vida a dizer que não, e protelar o mais possível qualquer tipo de observação sobre o que fazem.

    É pena, pois o País precisa de professores sérios, competentes, honestos, trabalhadores, e que sobretudo gostem de ensinar.

  12. “ouvir os putos durante um mês pq eles é que sabem”?
    ó Z, lembraste-te daquela cena do “Aconteceu na América” onde o puto troca a prometida punheta da chavala pelo gelado que levava para lhe oferecer?
    quanto ao titulo do post é completamente estúpido: chama “dirigente nacional” ao Louçã, que se reclama, como toda a gente sabe, do internacionalismo (de Trotsky)
    o resto não li, porque um gajo com tiques ideológicos anti-marxistas não tem nada a acrescentar à nossa compreensão das coisas

  13. eu não disse sabem, disse vêem melhor o futuro, e mantenho, embora depois as coisas tenham que ser actualizadas ao presente que é o compromisso actual

    também aqui do skatepark tive de insistir que houvesse uma consulta pública informal para os putos que fazem skate irem lá dizer de sua justiça sobre aquela estrutura modular proposta, que eu sei menos que eles sobre isso

  14. upi,
    mais uma bela prosa, bem recheada. Gostei de quase tudo, mesmo aquela parte do governo sócrates explicado ás crianças e aos tansos teve momentos com a sua (e tua) graça. Como a desculpabilização do engenheiro na queda do saudoso António, por exemplo. Afinal, ‘quando se deixou cair’ é bom em qualquer parte do mundo… Estou certo que ‘quer é dizer que o Governo, mesmo de maioria absoluta, sabe negociar’.
    :-)

  15. ESTE “”VALEQUALQUERCOISA, deve é AMAR É A GORDA ANA PAULA VITORINO E OS SEUS “CONTENTORES…o germe é tão nojento que só dá para escarro….

  16. Maria Henriques, o tema do salazarismo, como molde cultural ainda presente, tem a sua grande obra em “Portugal, Hoje – O medo de Existir”, de José Gil. E os seus efeitos são como dizes, horríveis.
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    Nik, essa não era uma avaliação, mas uma aprovação e controlo. Nada tinha a ver com teorias do ensino ou pedagogias, mas apenas com a submissão ao regime. E, claro, com a submissão aos algozes que representavam o regime.
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    adelaide, a questão não é essa. Mas mesmo que fosse, há um ponto onde uma parte do trabalho de um professor pode ser avaliada não só por colegas de qualquer disciplina, como também por qualquer cidadão: capacidades pedagógicas. É que não é preciso conhecer os conteúdos científicos de uma dada disciplina para observar a relação que o professor estabelece com os alunos. Por exemplo, um encarregado de educação não tem de saber tanto de geografia quanto o professor do seu filho para se poder envolver directamente no que aconteça e convoque o seu interesse e responsabilidade.
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    Caro fernando antolin, não posso concordar mais: viva a diferença e viva a liberdade de expressão. Quanto ao aeroporto, se o que dizes dá que pensar, assim também quem defende essa opção. E não se trata só de um ou dois, ou de indivíduos sem currículo na matéria…

    Toma lá um abraço
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    Z, numa coisa todos temos de concordar, para começo de conversa: avaliar um qualquer modelo de avaliação de professores é das questões mais complexas que se podem pôr aos próprios profissionais e aos responsáveis políticos. Dito isto, recusar enfrentar essa questão, que ainda por cima é pasto para tanta manipulação, é que seria verdadeiramente desgraçado.

    Pedir sugestões aos alunos é bom, mas não lhes dar muita importância é ainda melhor. Isto porque os adolescentes estão condenados a repetir banalidades. Seria injusto fazê-los vítimas da sua ignorância. É aos adultos, e aos mais preparados, que compete encontrar as melhores soluções. Se para tal tiverem de falar com todos os envolvidos no processo, professores, alunos, pais, funcionários e pagadores de impostos, pois melhor.
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    Não interessa nada, isso interessa muito.
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    almocreve, tens toda a razão: são generalidades. E, como tal, são considerações erróneas e injustas. Porém, remetem para uma percepção comum, a de que a escola está mal há muito tempo, e a de que só agora se vê tanta unidade e protestos. Daí, a conclusão: o que motiva os professores não é a qualidade da escola, antes a luta contra a avaliação. Ora, a avaliação tem como objectivo vir a melhorar a qualidade dos professores. Isto, sendo uma generalidade, é também uma evidência. E eu, como pagador de impostos, quero ter melhores professores na escola pública.
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    joão viegas, tal e qual: a sociedade não consegue perceber qual a intenção dos professores. Só nos chega uma mensagem: deixem-nos em paz, preferimos a miséria a ter de mudar. É vergonhoso.
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    Quintanilha, nem mais.
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    Dino, és professor há quanto tempo?
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    teofilo m., muito obrigado pelo teu testemunho. É a experiência de muitos.
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    xatoo, larga o vinho. Isso fará com que consigas ler correctamente os títulos, se mais nada.
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    Osga, dás aulas em que escola?
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    Rui, estás certíssimo. Governo que sabe negociar é este mesmo.
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    Ibn, acertas.
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    L.R., larga o vinho.
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  17. Valupi,

    Vamos lá sumular e avaliar a tua prosa de democrata, a ver se podes continuar a leccionar.

    Os fanáticos religiosos comunistas, filhos dilectos de Salazar, usaram a sua vastíssima cultura política de clandestinidade (com períodos de descanso em Moscovo, Paris, Praga, e Argel, supõe-se) para tentarem rebentar com a Democracia assim que os capitães no-la puseram numa bandeja, mas não se sabe, dado o tabooismo do costume, se teria havido nisso mão e unha dos tais infames SS (Sionistas Soviéticos) desse tempo. Melhor esquecer essa fase triste de mocada com pouco sangue e slogan vazio.

    Depois, temos que, já refeita desse “susto” comunista, a sociedade democrática move-se às claras e secretamente (aqui continuamos na mesma merda de não se saber se a poder de voto ou de maçote – não é a esperteza de se mudar isso para “nos bastidores” que irá modificar os dados da questão) para pressionar o negocieiro Sócrates a escolher Alcochete e a dar cabo da facção Otária com a ajuda dos melhores consultores das freguesias internacionais.

    Enquanto isto, nos muitos antros do Ensino por todo o lado, catervas e catervas de professores boicotadores, por sinal muito egoístas e alérgicos ao trabalho, dão os últimos roncos salazaristas antes de esticarem os respectivos pernis. E, já lá diziam os avós dos bons observadores de fotografias de perfil: um pretendente a fuhrer só pode passar por nacionalista e enganar eleitorados se o tamanho do nariz não exceder determinadas dimensões.

    Larga-o, evidentemente, mas passaste na mesma.

  18. Sim, Valupi, da maneira que escrevi acima está exagerado, eu não estou a propôr que sejam os miúdos a definir o modelo de avaliação dos professores, mas deixa que te diga: os miúdos são honestos e inteligentes, intuem melhor o futuro que nós dá-me idéia – eu aposto que teria muito menos dificuldades a convencer os miúdos a fazer provas universais bianuais ou trianuais, coisa straight à grega, do que os professores ou os pais. Isto não invalida tudo o resto de avaliações intercalares, fichas e relatórios, visitas de campo e sei lá que mais. Agora tudo cheio de Magalhães e internet vai ser uma revolução na educação que eu não consigo alcançar,

    seja lá como fôr parece que se está a caminhar para uma coisa mais simplificada e objectiva, menos nebulosa, no processo de avaliação dos prof.s. Ora, menos nebulosa e mais transparência é o que exijo.

  19. Isto já foi dito por alguém, mas…
    As reformas na educação não são novas. Os ministros sucedem-se, os primeiros também, os alunos acabam por passar – a bem ou a mal. Qual é a constante nesta conta?
    E se é tão mau assim, porque é continuam a ser uma constante? Um dito popular postula: “Quem está mal, mude-se!”

    Abraços e cumprimentos a todos

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