From social media to the streets, Iranians erupt with joy after nuclear deal
Arquivo mensal: Abril 2015
Exactissimamente
Vamos lá a saber
A verdade é um disparate, ensina o Pedro às crianças
Rio de Janeiro – o meu lugar.
13 8760 dias, mais ou menos, os dias que andei por aqui desde um acaso celular, absoluto acaso. Desses dias, apenas 730 foram passados no Rio de Janeiro, onde nasci. Não me lembro da vida na rua que sempre foi apenas um nome. Não me lembro do beijo nas fotografias raras onde uma mãe, oito anos mais nova do que eu, agarra em mim. Não me lembro do meu pai chegar a casa, ou dos meus irmãos mais velhos paralisados num sorriso sustendo o meu corpo pequeno na água, essa coisa, a água. Qual é o teu lugar? Às vezes perguntam-me isto. E a minha resposta é sempre a mesma: o meu lugar é a procura, sou apátrida por ideologia e por condição, por isso procurar sabendo que não há lugar, só este: a procura. O mesmo acontece com o que faço profissionalmente. Fica de fora a escrita, portanto, porque escrever é ser e estou viva, até ver. Tudo o que fiz, desde a docência, à advocacia, à assessoria jurídica, até à política começa com entusiamo e sei que chega o dia em que a dor da não-pertença vai dizer-me para dar por seco o líquido da ansiedade que oferece músculo à obra e procurar outra coisa, qualquer coisa, antes que morra por dentro. A estrutura de tudo isto é interior e exterior. Aqui interessa-me a parte que mistura as duas, esse nome, o lugar, eu sinto que não tenho de onde dizer eu sou daqui. Também por isso, mas não só, a palavra pátria confina-me, recorda-me da brutalidade com que foi construída, da ilusão que assenta alegadamente em valores comuns para depois expulsar física ou espiritualmente quem não entra na cartilha. E não gosto de fronteiras. Gosto do fascínio de uma nação peregrina. Sou ateia, não acredito em nada de espiritual, seja de que tipo for, não acredito em experiências metafísicas, simplesmente registo o facto de dar por mim a chorar, desde nova, sempre que vejo o Rio de Janeiro na televisão. Não me lembrando de nada, tenho um impulso quase sexual, de tão forte, de entrar pela televisão dentro e encontrar qualquer coisa que não sei o nome. Ao longo da minha vida marquei 5 viagens à cidade que é o espelho social do Brasil. Desmarquei sempre. Cinco vésperas de tragédias inesperadas e Copacabana adiada, eu adiada. Na semana passada fui ao Rio de Janeiro com uma amiga (um congresso permitiu a derrota de ficar). Cheguei e mais não posso explicar. Talvez dizer que a casa onde vivi ainda é minha e que dei por mim a saber dos caminhos da cidade, a integrar a luta social violenta da cidade mais bonita e mais atrevida do mundo. Talvez dizer que é de chorar ler num cartaz de contestação política precisa-se de poetas. Talvez dizer que senti a anormalidade da felicidade, porque sei que 730 dias chegaram para dizer que o meu lugar tem por nome Rio de janeiro. Agora vou continuar como era há uma semana. Mas com uma dor muito maior.
Na verdade, nem dá para gritar.
O RASI arrasou a Ministra da Justiça
Basta ler o RASI ( relatório anual de segurança interna) para mais uma vez encontrar uma monstruosidade. A monstruosidade é a verdade: os números reais da reincidência dos condenados por abuso sexual de menores elevados para o nível do terror pela mentira, obra de Paula Teixeira da Cruz, a mulher que na pasta das pastas mais ofendeu o Estado de direito.
E é bom ler a constatação que retira utilidade ao projeto de lei que mesmo útil seria um crime constitucional; a constatação que estamos a falar de um tipo de crime que ocorre esmagadoramente dentro da família ou nas relações próximas.
Isto de instalar o medo para romper com a civilização já foi feito por uns quantos loucos, certo?
A nossa notícia do dia
Este blogue tem os cofres cheios de saúde. E, muito provavelmente, faz tempo que já chegou à Madeira.
