Rio de Janeiro – o meu lugar.

13 8760 dias, mais ou menos, os dias que andei por aqui desde um acaso celular, absoluto acaso. Desses dias, apenas 730 foram passados no Rio de Janeiro, onde nasci. Não me lembro da vida na rua que sempre foi apenas um nome. Não me lembro do beijo nas fotografias raras onde uma mãe, oito anos mais nova do que eu, agarra em mim. Não me lembro do meu pai chegar a casa, ou dos meus irmãos mais velhos paralisados num sorriso sustendo o meu corpo pequeno na água, essa coisa, a água. Qual é o teu lugar? Às vezes perguntam-me isto. E a minha resposta é sempre a mesma: o meu lugar é a procura, sou apátrida por ideologia e por condição, por isso procurar sabendo que não há lugar, só este: a procura. O mesmo acontece com o que faço profissionalmente. Fica de fora a escrita, portanto, porque escrever é ser e estou viva, até ver. Tudo o que fiz, desde a docência, à advocacia, à assessoria jurídica, até à política começa com entusiamo e sei que chega o dia em que a dor da não-pertença vai dizer-me para dar por seco o líquido da ansiedade que oferece músculo à obra e procurar outra coisa, qualquer coisa, antes que morra por dentro. A estrutura de tudo isto é interior e exterior. Aqui interessa-me a parte que mistura as duas, esse nome, o lugar, eu sinto que não tenho de onde dizer eu sou daqui. Também por isso, mas não só, a palavra pátria confina-me, recorda-me da brutalidade com que foi construída, da ilusão que assenta alegadamente em valores comuns para depois expulsar física ou espiritualmente quem não entra na cartilha. E não gosto de fronteiras. Gosto do fascínio de uma nação peregrina. Sou ateia, não acredito em nada de espiritual, seja de que tipo for, não acredito em experiências metafísicas, simplesmente registo o facto de dar por mim a chorar, desde nova, sempre que vejo o Rio de Janeiro na televisão. Não me lembrando de nada, tenho um impulso quase sexual, de tão forte, de entrar pela televisão dentro e encontrar qualquer coisa que não sei o nome. Ao longo da minha vida marquei 5 viagens à cidade que é o espelho social do Brasil. Desmarquei sempre. Cinco vésperas de tragédias inesperadas e Copacabana adiada, eu adiada. Na semana passada fui ao Rio de Janeiro com uma amiga (um congresso permitiu a derrota de ficar). Cheguei e mais não posso explicar. Talvez dizer que a casa onde vivi ainda é minha e que dei por mim a saber dos caminhos da cidade, a integrar a luta social violenta da cidade mais bonita e mais atrevida do mundo. Talvez dizer que é de chorar ler num cartaz de contestação política precisa-se de poetas. Talvez dizer que senti a anormalidade da felicidade, porque sei que 730 dias chegaram para dizer que o meu lugar tem por nome Rio de janeiro. Agora vou continuar como era há uma semana. Mas com uma dor muito maior.

Na verdade, nem dá para gritar.

31 thoughts on “Rio de Janeiro – o meu lugar.”

  1. Grande confusão vai nessa cabeça. Uma pessoa não é só coisa, é muito mais, está ainda a tempo de perceber o sentido da sua e de qualquer vida.

  2. A dor é ter de pagar impostos para te pagar um sumptuoso ordenado de deputada e dar.te mil e uma regalias. És uma vergonha para a esquerda e esse texto vinda de uma deputada é um ultraje. Vai à merda!

  3. “talvez dizer que é de chorar ler num cartaz de contestação política precisa-se de poeta”

    Coisa linda, ate parece que nao mora e faz carreira num pais onde reina a democracia ha 40 anos, integrado numa zona economica do mundo onde mais se respeitam os direitos dos cidadaos.

    O cerebro desta gente esta parado nas revolucoes Marxistas do Maio de 68… ou seja, esta preservado criogenicamente ha quase 50 anos.

    So para as compras e que sao modernos, gostam e de estar agarradinhas aos ifodes, ipardes, amazonas.

  4. podias lá ter ficado, não se perdia grande coisa e o costa não iria ter dificuldade em preencher o lugar.

  5. enapa, cobarde (sim, porque só os cobardes se escondem em pseudónimos para escreverem coisas públicas), o teu comentário merece um escarro. Tomara que eu o pudesse cuspir na tua cara, se não fosses cobarde.

    Basico, cobarde (pelas razões explicadas acima), és mesmo isso: básico. Não sabes ler, prevertes o texto conforme o teu interesse e acabas sendo um invejoso primário. Portanto: básico e primário – ou primata.

  6. isabel,gostei muito do texto. tudo é politico mas até nos menos politicos e mais pessoais os reacionários não nos deixam em paz.o ignatz quiz somente cumprir o ritual e por isso até foi moderado!

  7. “13 8760 dias, mais ou menos, os dias que andei por aqui …”

    dá maizómenos 380 anos a andar por aqui, coisa que nem o lopes da santa consegue relacionando-se com tartarugas.

  8. Eu so nao percebo porque cxralho voces comunas e socialistas nao se metem num aviao e emigram de vez para a Venezuela, Cuba, Coreia do Norte, cxralho, la sim podem ser felizes, ver o proletariado rico de ideias e pobre em dinheiro, com uma vida afluente em tempo e desprovido de tentacoes materiais, sem poder perder tempo a pensar em emigrar porque tal nao e possivel, sem pensar em passear nas ruas do Rio a apreciar contestacoes politicas, pleno de liberdades excepto de manifestar-se contra o regime vigente, sem precisar de ir para rua batalhar por uma sociedade melhor ja que a deles ja foi reduzida ao minimo denominador comum…
    Porque perdem tempo em Portugal? Aproveitem enquanto a tap ainda e publica e ponham-se a andar.

  9. 13 8760 dias, as grandes capacidades matematicas de quem conseguiu tirar uma licenciatura em Portugal, alguem que em tempos ja teve air-time para representar os portugueses na assembleia da republica, quando nem para caixa de supermercado servia.

  10. Miranda, eu não me escondo por cobardia, mas por respeitar a tua integridade física e prezar a minha liberdade. Se reagisses como dizes, limpava-te o sarampo, sem mais, e isso era uma chatice para ambos, certo? certo.

  11. Miúda, larga a droga!. A vida é bela, aguenta-te… Calculo que ser deputada do PS não dá sentido à vida, ainda por cima quando o Querido Líder está prisioneiro em Évora, qual Gulag. Pede ajuda miúda, tu consegues, mas larga a droga!

  12. JP Ferra, e uma questao de pedires aos autores dos posts para diminuirem o ritmo a que escrevem imbecilidades.

  13. enapa, não ias gostar. Garanto-te!

    Esta cáfila destila veneno, mesmo num artigo que nem é político, porque se trata de uma experiência pessoal.

    Depois aparecem estes broncos COBARDES (provavelmente, da máquina da JSD na internet) a insultarem gratuitamente.

    SE TIVEREM UM MÓDICO DE DECÊNCIA E CORAGEM, REVELEM OS VOSSOS NOMES E MORADAS!!

    Mas não vão fazê-lo, porque, além de feios, porcos e maus, são uns cobardolas, só capazes de dizerem o que dizem anonimamente. Se fossem confrontados pessoalmente, fugiriam para mudar as fraldas.

    Eu moro nos Biscoitos, Terceira, Açores. É só perguntarem por mim, se tiverem coragem para virem amachucar a minha integridade física ou repetir os insultos que fizeram à isabel.

  14. Mas que grande biscoito me saiste tu o Luis Filipe Miranda.

    Sera que e por causa da insularidade que tens as capacidades cognitivas afectas e, como tal, que parecem razoaveis e ate interessantes as ideias que por aqui sao escritas. Sera que o metano das vacas dos acores te tolda o espirito e nao consegues ver o lixo que escreve a “Isabel” (voces conhecem-se de algum lado, costumas frequentar restaurantes chiques em Lisboa como o pessoal da esquerda caviar / BE?)

  15. atão o núncio já renúnciou ou vão despedir o gajo da protecção de dados por acesso indevido a emails que tinham sido apagados?

  16. Ó Básico, aprende a escrever. Dou explicações, mas só ao domicílio. Aparece! ;)

  17. Este texto é mais um ensaio desnorteado de emoções. A autora expôs-se, devia preservar-se mais.
    Não acredita em nada de espiritual porque está nas trevas, não pensa, não olha. Tenho por isso pena da autora.
    Evidentemente que poderia utilizar o texto para «gozar o prato», mas a pena que esta senhora inspira é tal, que só posso desejar-lhe que se encontre. Lembrando-me de um certo post que aqui colocou, manifestando frustração por não conseguir engravidar, digo-lhe, sem porém me arvorar titular de qualquer verdade, que Deus só entrega almas à criação por outros, quando estes acreditam e entendem a missão de que foram incumbidos.

  18. Estes comentários, como os discursos do Galã de Massa Má (também conhecido por Farsola de Massamá), são do melhor humor disponível hoje em dia.

  19. Ora vejam: o Básico apela aos da esquerda para emigrarem par Cuba, Venezuela, Coreia no Norte…mas esqueceu-se da China, a quem a sua estimada brigada bolorenta direitista vendeu tudo o que podia da sua “pátria” e ainda não vai ficar por aqui. És mesmo básico e não degeneraste da “raça” que te pariu.

  20. Podes ir tambem para a China o Maria Abril. La, a generalidade dos cidadaos (excepcao ao pessoal da nomenclatura do Partido e dos empreendedores capitalistas) tem assegurada uma vidinha de miseria tipica dos outros paises comunistas e socialistas que referi.

  21. JFERRA, a sério? Como me descobriste. Mas olha que eu não uso barba….

    Conta aí, já tomaste ferro hoje? A tua anemia continua com níveis elevados, ó gajo.

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