
Quando celebrei o protesto na imprensa dinamarquesa contra o plano de assassinato de Kurt Westergaard, previ que seria um post consensual. Responder à espada com a pena, à violência com a lei, à loucura com a coragem, parecia-me terreno comum. Felizmente, a nossa amiga zazie veio mostrar-me o quão errado eu estava. A sua feérica e entrópica participação explica parte da anormal quantidade de comentários e a prolongada recreação, residindo na complexidade e melindre do tema o resto da causalidade do fenómeno. Também não ajuda estarmos em Portugal, num ciclo histórico onde não se cultivam modos de discussão pública, nem se estuda a dialógica cultura clássica, e onde a demissão cívica é uma epidemia. Muitos são os que se negam a discutir política e religião, sendo incapazes de prestar atenção a esses assuntos por completa falta de preparação básica: do básico domínio dos conceitos básicos à básica elaboração de básicos raciocínios. Como sempre, a enorme maioria rejeita o que não entende, e raros são os que têm a generosidade de partilhar o saber (actividade bem distinta de exibir a informação). A herança salazarenta faz gala da sua aversão ao pensamento, inércia que continua a moldar o espaço público. Isso leva a dificuldades acrescidas para todos nós que merdamos nesse ambiente, aumentando o risco de perversões emocionais.
As caricaturas de Mafoma juntam o pior de dois infernos, o religioso e o político. Combustível e rastilho aceso para uma flame war, a qual teve o seu lado patético, como todas, mas também o revelador, como algumas. Para lá do registo de capacidades, ou falta delas, para lidar com conflitos de natureza intelectual, algo de muito mais importante estava a acontecer: todos os participantes se obrigavam a pensar num medo que oprime as suas vidas; e ainda mais opressor, embora de outro modo, quando não verbalizado. Num dos seus comentários, o nosso amigo shark fundeou o episódio:
Este tipo de conversa não é supérfluo nem dispensável, pois estamos em face de uma ameaça real ao único valor em que julgo sermos unânimes: a paz entre todas as pessoas e a capacidade de conseguirmos conter a evolução deste cenário para o tal conflito de civilizações (outra questão sem consenso possível) que alguns defendem e outros apenas profetizam.
Não é supérfluo nem dispensável contribuir para a diminuição do perigo terrorista e para o aumento da secularidade. Como se descobriu na antiga Grécia, faz já algum tempo, é a fala que substantiva o acto político, pois reconhece uma comunidade de seres que se definem e realizam pela racionalidade. Seja numa qualquer assembleia, TV, caixa de comentários ou mesa de café, aquilo que mais importa pode estar no meio de nós, dependente das nossas palavras. Neste trinta-e-um que começa a 2.500 km para nordeste e se vem esparramar num blogue português, constatar ser o Estado de direito, para ilustres convivas de paleio, uma realidade passível de abolição, transformou-se no meu casus belli. E também num casus foederis, como são todos os casos de amor.
A discussão polarizou-se à volta da teoria da provocação, conceito introduzido logo no terceiro comentário. O sucesso dessa suspeita — que leva pessoas noutras áreas da sua reflexão, ou noutros momentos, a não abdicarem da inteligência que abundantemente possuem, mas aqui a espalharem-se ao comprido no erro cognitivo — pede atenção, pois contém elementos que importa iluminar, que têm tão mais eficácia quão menos forem conhecidos. Vejamos:
- A publicação das caricaturas corresponde a um acto isolado, devidamente contextualizado pelo meio que as veicula. Foi um exercício polémico, pois sim (era esse o objectivo!), mas dentro da melhor tradição jornalística. Nesse sentido, não corresponde a uma campanha opositora ao corpo religioso a que se refere. Não toma qualquer partido sobre os conteúdos doutrinários ou culturais do Islão, muito menos sobre o direito à sua existência na sociedade dinamarquesa em pé de igualdade com qualquer outra crença. Nem sequer afirma a superioridade da secularidade sobre a religiosidade. Os temas eram outros: liberdade de expressão, auto-censura, crítica social.
- A tese da provocação é redutora e perigosa. Redutora, porque se reduz a um dos lados da contenda, aquele que protesta. Isso conduz a um círculo vicioso e bovino: quem protesta tem razão porque protesta. Perigosa, porque abdica da dimensão política, a única onde a religião vê contida a sua inerente violência, deixando o civil subjugado ao primado do sacro. Por aqui, as ocasiões de ofensa religiosa serão tantas quanto as discrepâncias entre o mundo religioso e o secular. Os factos são outros: os muçulmanos na Dinamarca têm liberdade de culto, direitos como cidadãos e estão protegidos pelo Estado e pela sociedade, em igualdade de circunstâncias com qualquer outra organização religiosa. O protesto contra as caricaturas não era a consequência de um ataque, pois em nada o Islão ou os seus crentes foram atacados — foi, isso sim, a tentativa de intromissão e condicionamento da liberdade de expressão e dos seus pressupostos.
- Admitir que as caricaturas configuram cultural, jurídica, política, filosófica ou epistemologicamente uma ofensa religiosa aos muçulmanos, revela que se concebe o grupo supostamente atingido como incapaz de aceitar a realidade onde está inserido. Para um muçulmano se considerar ofendido religiosamente por causa de ter aparecido uma caricatura de Maomé num jornal de um país onde é legítimo tal evento, ele tem de, necessariamente, considerar religiosamente ofensivo tudo o que permite a liberdade de expressão. Assim, será a própria concepção de um Estado de direito ao serviço de uma democracia secular que lhe aparece, nesse silogismo, como religiosamente ofensivo. Porque só aquele que não aceita (ou entende) a secularidade poderá interpretar como religioso o que é exclusivo da esfera cultural e social. Invocar o preceito religioso que proíbe representações imagéticas do Profeta não pode ser normativo da vida civil na Dinamarca, sob pena de se instituir um direito corânico — mas esta é uma evidência que até envergonha ter de ser apontada, não é?
- Falar em ofensa aos muçulmanos implica reduzir este grupo, com mais de mil milhões de pessoas, a uma papa Cerelac para néscios. Nem com receita médica alguém se pode permitir pensar que os muçulmanos correspondem a um todo uniforme e organizado. É, e precisamente, ao contrário: não há um centro coordenador (como, por exemplo, existe na Igreja Católica). Basta olhar para o que acontece no Iraque, onde as linhagens islâmicas concorrentes se odeiam de morte por ambicionarem a hegemonia. E depois, por favor, reconhecer que um pastor na Argélia não é um muçulmano igual a um outro que seja médico em Londres e lá tenha nascido. Reconhecer, por favor, que aqueles muçulmanos que saíram à rua na Palestina para dançar e rir na celebração do atentado de 11/9 não seriam exactamente iguais aos muçulmanos norte-americanos e nova-iorquinos que perderam familiares, pais e filhos, nesse mesmo atentado. Reconhecer, por favor, que as diferenças de educação, cultura local, classe social, situação política, risco de manipulações criminosas e tipologia de crença serão as mais variadas e amplas, e só por inenarrável estupidez são ignoradas na tese da provocação.
Em conclusão, os que falam em provocação vêem na liberdade de expressão a causa da violência e terrorismo islamitas. Bastaria que o tal jornal e os tais cartoonistas tivessem tido juízo, e não se tivessem posto com criancices de mau-gosto, para não ter havido chatices, eis a lógica da sua batatada. Com isto estão a expressar uma grotesca aberração: a de serem os muçulmanos, quaisquer, uns proto-criminosos a quem uma ambiguidade de cariz social chega para despertar a fúria assassina. Os crentes no Islão, para estes infelizes aderentes à causa da provocação, serão incapazes de pensar, de agir dentro da lei, de utilizar as instituições civis na defesa dos seus direitos e na comunicação dos seus pontos de vista. Serão um grupo imune à tolerância, à compaixão. Incapazes de dialogar com antagonistas, de negociar compromissos, chegar a consensos. Avessos à educação e ao pluralismo cultural, não acreditam no ideal de vida comunitária com grupos de credos ou sentidos de vida diferentes. Apenas lhes restariam dois monstruosos recursos: o assassinato dos infiéis ou o martírio no meio de inocentes, quantos mais melhor, e de preferência com mulheres e crianças na carnificina. Ou seja, quer disso tenham consciência ou não, tomar o partido da ofensa é que é espectacularmente ofensivo.
Como é que tamanha cegueira é possível em tão sofisticada gente? Como é que se pode fazer seu o discurso do terror, aquele que é o único a poder invocar uma ofensa religiosa num exercício de liberdade cívica? Como é que se chega ao ponto de dar razão à irracionalidade? A minha hipótese é a de estarmos perante uma Síndrome de Estocolmo massificada. O trauma do ataque à nossa civilização — o qual não tem origem no Islão, mas no crime e na patologia — escolhendo como alvo o que fosse mais frágil, e ameaçando com o que fosse mais destrutivo, é de tal profundidade que derrota muitos de nós. Numa reacção que nasce do instinto de sobrevivência, alguns estão dispostos a ceder a sua liberdade para se imaginarem seguros. Por isso reproduzem a voz do agressor.
Outros sabem que a segurança para religiosos e não-religiosos está na solidez de Estados seculares, democráticos e onde a liberdade de expressão seja lei sacrossanta. Porque é esta, afinal, que permite a vivência de cada grupo e de cada um. Para leituras sem a contaminação desta discussão, sugiro Alexandre Andrade (o texto é de 13 de Fevereiro, OS ANTAGONISTAS DA GUERRA DAS CIVILIZAÇÕES NÃO SÃO QUEM SE PENSA), insuspeito de falta de tino e Miguel Sousa Tavares, que neste texto tem como título a mãe de todas as ofensas aos muçulmanos — bombástico, dirão os denunciadores da provocação; corajoso, dirão os amantes da liberdade.

Ó Valupi, eu peço desculpa, mas nem mesmo com link me vais aliciar par te dar mais umas boas palmadas.
É que isto já começa a tornar-se fetiche. São cada vez mais os que me assediam para eu os mandar para o castigo. E olha que o jaquinzito/VGM do Blasfémias e uns tantos frankenstoinos que também por aí andam são capazes de ficar com ciúmes.
Além do mais, não quero contribuir para melindres lá na seita do CAMINHO, VERDADE E VIDA
Se conseguires que o guru Pereira leve o caso ao Parlamento, então talvez aproveite para fazer amochar uns VIPs
ah, e com o verdinho cinéfilo tenho uma longa história de paz blogosférica, pelo que nem puxando do jacobinismo do bacano me consegues arregimentar.
Posso dar-te outro nome e outros textos para troca: que tal do arqui-inimigo do Tavares? é que ele também diz o mesmo que tu
“:OP
Mas o melhor é subir a parada- jornaleiros já estão KO. Agora só se desencantares políticos e com comunicação oficiosa é que te faço o favor de lá dar mais umas palmadas em molho
zazie, lembras-me o Al Gore: achas que a Internet foi criada por tua causa.
Bem, eu tenho de reconhecer que tu é que achaste que fui apenas eu quem te sabotou aquela tratadística reluzente de unanimidades
“:OP
Às vezes, quando menos se espera, a VERDADE, sacada do mais profundo das entranhas, não passa de gritinhos à “toucher pas na femme blanche”
É lixado, pá, o mundo ainda não se tornou esse mega-consenso em que piamente acreditavas e teima em mostrar-te que nem tudo o que luz é iluminado.
Até pode ser um candeeiro numa ruela de má-fama, repescado nessa mumificada noite salazarenta que desta vez nem para rewind e contador a zeros te vai dar boleia para mais uma partida e mais uma voltinha.
E acho que foste muito ingrato para com o Venâncio ao substituires o que ele escreveu em meia dúzia de palavras, pelo meu fogo interminável. Até porque eu trocava tudo o que escrevi pela síntese cristalina e certeira dele.
E é assim a vida, mais uma falha nesse inesperado post em que só esperavas por consensos, apesar do tema ter dado origem a muita porrada de há 3 anos a esta parte, uma morte, pelo menos. E agora uns metecos não naturalizados, deportados por suspeita de plano terrorista fulanizado a mais outro ingénuo como tu, que também contava com mais consensos no “levanta-te e ri, meu terrorista-fanático”
Valupite aguda. Este post está infectado e eu, com o sistema imunitário débil que me caracteriza ao nível dos neurónios - cada um explica a falta dos mesmos como pode - já espirrei três vezes a palavra fónix.
Não vale a pena armar-me aos cucos e inventar contra-argumentação de rajada pois não tenho o arcaboiço da Zazie (a tal debilidade que me flagela, depois de tomar contacto com a infecção).
E fónix (passe a publicidade indirecta à merda dos telemóveis dos correios) porquê?
Porque enquanto um gajo tá meio abananado a digerir o tratado acima, justiça te seja feita, só pensa numa maneira elegante de elogiar o post sem tombar nos braços envolventes da doce e fácil concordância que o fragiliza como tentação imediata.
Isto tudo para dizer que vou meter baixa até conseguir encontrar um argumento à maneira para contrariar um nadinha a tua lógica aparentemente indestrutível. Chama-se a este apelo primário à contestação “incapacidade de prestar atenção à absoluta razão do Valupi em quaisquer assuntos por completa falta de preparação básica”. Anticorpos, no fundo, contra a doença acima diagnosticada.
E faz parte da minha sintomatologia bizarra.
(Ganda malha, este post. O resto, para já, confio à malta mais saudável e convicta nesta matéria.)
este não achou tão ingénua a pedagogia do sionista Rose Fleming que não pode brincar com o Sharon.
e aqui
Acerca da tal experiência de e aqui também parece não são só consensos…
E o tal livrinho para as criancinhas acerca do qual também parece não ter existido absoluto consenso
E não se pode exterminá-la?
here we go again-
Paranóia (aqui: paranóia anti-islâmica, alimentada pelos Bushmen e seus numerosos aliados na Europa) é um tipo de perturbação mental inventariada e descrita no Manual de Diagnóstico e Estatística de Perturbações Mentais (DSM), 5.ª edição, pp. 467-473.
Não há volta a dar-lhe. Se quisermos demonizar alguém, encontramos sempre um meio “simpático” de o fazer. O Valupi já está a chamar Mafoma a Maomé, só falta acrescentar que ele é o Anti-Cristo, perverso, pérfido, o diabo em pessoa. Mil anos de demonização de Maomé deixam sequelas bem mais duradouras do que 40 anos de ditadura salazarenta.
Não me vou repetir, já disse que nós, os europeus, temos que fechar as portas da Europa aos colonizadores muçulmanos, como eles fizeram a nós. Os tugas também andaram por Ceuta, Tanger, Arzila, Mazagão. Em 1580, Al Kasr al Kebir foi a grande lição que ali nos ensinaram e que devíamos ter aprendido.
Devemos, por agora, excluir absolutamente mais imigração muçulmana na Europa. Não temos nada contra os nossos irmãos muçulmanos nem contra a sua religião, tão nobre e tão verdadeira (ou tão pouco) quanto a nossa. Cada um na sua terrinha seria o melhor, como eles, aliás, nos ensinaram muito bem. Não podemos simplesmente matá-los e expulsá-los, como eles nos fizeram. Os que cá estão, temos de os tratar como bons compatriotas, mas mais muçulmanos, não. Será assim tão difícil de entender?
Notar bem que ainda não temos muitos imigrantes muçulmanos, mas podemos vir a ter, como a Espanha, o que seria uma catástrofe. Marroquinos, argelinos, paquistaneses, bengalis, etc., são un gajos porreiros, mas please, não venham mais para cá. Nem de passagem. E uma vez que isto agora é Schengen até à Ucrânia, toda a Europa tem que praticar o mesmo. Mais nada. Um dia, quando eles gostarem mais de nós, quando não gostarem tanto de regimes teocráticos, quem sabe?
Insultos são estúpidos.
Provocações são estúpidas.
Agressões são estúpidas.
Não têm graça nenhuma nem utilidade nenhuma.
São tempo perdido e são perigosas.
Não há volta a dar-lhe.
como assim, nik? mafoma será apenas porventura mais abrangente, pois com relação sonora e gráfica mais próxima de outras línguas, não? como é que aparece diabolizado nessa grafia?
Minha querida Zazie, há qu’anos não ouvia nada de si, e já estava com saudades suas, e vejo que está em plena forma, e…
Não conhecia esta sua faceta, este seu interesse apaixonado pelo cartoon! É curioso, geralmente as mulheres não gostam destas coisas, assim como de anedotas - infantilidades mais apropriadas para os homens…
Creio que lhe vou dedicar um post no Fiel Inimigo, um blogue neocon de que faço parte há bem pouco tempo.
Depois mando-lhe uma cópia, tenho a certeza que vai gostar…
Beijinhos
zazie, se tu nunca entendeste que o post não era sobre os acontecimentos de 2005, mas só sobre o plano para matar, não será agora que vais conseguir atinar com o resto da história.
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shark, não te incomodes com isto. Já estamos na fase de apanhar as canas.
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Nik, faço coro com a susana: que tens contra Mafoma? ‘Tás muito enganado, ó pá.
Fique à vontade, Carmo Rosa, ainda que eu preferisse que me enviasse um Wolinsky ou mais um Reiser para a colecção.
Quanto às diabolizações neocónicas, sheauzescas e bushistas, há-as para todos os gostos, nesta historieta.
Basta estar um niquinho informado.
Ficam aqui só mais uns links, para o caso de também andar tão a leste destas criancices, como parece que sucede aqui com o Valupi que julgava que era uma peça de teatro com a participação do Papai Noel.
começou assim“a gift to all school libraries both for Muslim children and the rest of us”
Pela pena de um moço que até é de esquerda: o Kaare Bluitgen- basta fazer pesquisa no Google
e continuou com a mãozinha que o Rose Flemming (que parece que é sionista e neocon) lhe deu.
Por isso, meu caro, não se esqueça de burilar bem o post para que se percebam estas afinidades.
Eu cá não os conheço de lado nenhum, mas tenho os meus palpites… e nem vão apenas para onde v. pensa; essa a forma mais fácil de engavetar fenómenos transversais quando eles nem nos interessam, por si mesmos (o que não é o meu caso).
Doutor Valupi,
Continuas com a maldita febre, e da alta. Deve ser da variedade terçã, pois já há vários dias que não nos divertias com um espalhamento ao comprido de efeitos tão estrondosos. Felizmente não fizeste faísca, senão terias torriscado este blogue.
E sou mais humano, não sou como tu, não te vou acusar de não teres dito nada. Disseste, sim senhor, e disseste muito bem à tua maneira de encantador pfrofissional da serpente-minhoca lusitana.
E lamento ter de voltar à carga com a minha “obsessão”, mas o que li neste teu post com a ajuda, sempre à mão, da deusa Paciência continua a ser pura papagueação (não te zangues que há pior que isso, chama-se piriquitação) dos mesmos conceitos morais sobre a liberdade muito aproveitada por barões, banqueiros, e judeus fundamentalistas (é tempo de começarmos a usar esta expressão) e é a re-revelação das mesmas credulidades e ignorâncias que já expuseste fluentemente com uma perna às costas no Bomba, Barbas e Turbante – que é o que proponho chamarmos no futuro a esse post histórico. Entras assim no mundo dos records referenciados com possivel impacte na educação de futuras criancinhas. E eu que andava a pensar que só eras um doutor do convencimento entre adultos e odaliscas universitárias.
Como todos esperávamos, amigos e adversários, não recuas um passo, de facto nem sequer dás um dedo da mão a uma palmatória forrada de veludo, e até recorres com desvergonha - escravo da secularização e do Estado de Direito que és - à palavra “sacrossanto” para servir de amparo ao teu periclitante edifício.
Quanto às testemunhas que chamas em tua defesa - esses ainda são menos merecedores de perdermos tempo sério e útil a lê-los. Um é ignorante da História velha, da recente não se fala e da de há meia dúzia de anos ainda menos. Esse crocodilo das águas do Tejo, depois de adorar jardins em Saragoça e Granada, passa juizo e certificado de atraso aos países mulçulmanos sem sequer tocar ao de leve nos papéis dos imperialismos francês e britânico para explicar o que gostaria de ter sido capaz mas não conseguiu porque não lhe convinha ou lhe disseram que não era conveniente. Enfim, um autêntico nabo a falar de nababos aos corações da plateia, que é uma coisa que eu nunca teria coragem de chamar a uma pessoa como tu, por exemplo.. O outro é teu colega na defesa dos princípios basilares do Estado de Direito e, quando lhe apetece, fala em batatas (tu também pareces gostar desse tubérculo ubíquo) e na letra k, mas não se lembrou de informar quem o lia de que há muito (demasiado, de facto) k em batatas.
Neles, como em ti, não há muito que aprender nesta matéria.Certamente noutras, porque a sabedoria falsa e a desinformação andam sempre de braço dado como as meretrizes da política.
REVISOR, também explicas os fenómenos atmosféricos, a doença dos pinheiros e o preço do pão-de-ló de Alfezeirão com a teoria da conspiração judaica?
Encontrei isto num dicionário de português:
“Mafoma: s.f. cara feia de homem ou mulher.”
Colhi agora esta pérola no blog Observatótio da Jihad, um blog odiento contra a “falsa religião do Islão”, contra o “falso profeta” e também contra as Nações Unidas(!):
“O mafoma [sic], pelos seus métodos, foi um dos grandes inspiradores do Fascismo, Nazismo, Comunismo ditatorial e de muitos outros males do passado e do presente. Um autêntico instrumento de Satanás.”
Pois é, a forma vernácula «Mafoma» está desde sempre associada, justamente por ser a forma antiga, à milenar demonização cristã de Maomé ou Muhammad - esta a correcta transliteração do árabe. Maomé é um galicismo, de Mahomet, mas é a forma modernamente estabelecida pelo português. Mafoma é geralmente usado em contexto pejorativo, diabolizante.
“Mafoma” é também (estou a citar o Aspirina), além de “uma escultura grosseira de grandes proporções” (Houaiss), o termo pejorativo usado por Valupi para significar profeta de gente atrasada ou primária. “A esquerda partidária vive no séc. XIX… e continua a fazer de Marx o seu Mafoma” (Valupi, 25 de Março de 2006).
Nik, o que tu encontraste foi a informação de que Mafoma é a forma vernácula. Tudo o resto é já outra coisa.
O mafoma, sempre escrito com minúscula nos relatos pios, foi durante séculos o termo mais usado em contexto de demonização, como na história dos “santos mártires de Marrocos”. Estes mártires eram seis italianos imberbes e fanáticos enviados por Francisco de Assis para converterem o califa de Sevilha, o sultão de Marrocos, o Miramolim e quem mais viesse. Diante do príncipe Abosaide, filho do sultão, os “santos mártires” lançaram a sua última provocação, fatídica porque lhes causou a separação da cabeça do resto do corpo. Referiram-se a Maomé como “o vosso vilíssimo mafoma.” Leiam a história edificante dos fanáticos franciscanos, se quiserem saber de quão longe vêm estas coisas:
http://www.padrejulio.net/travasso/santosm.htm
E não dispensem a ilustração, cuja veracidade não posso garantir, já que as agências noticiosas eram todas cristãs…
http://www.padrejulio.net/travasso/martirio.jpg
Para terminar, uma certeza: nenhum muçulmano lusófono utiliza hoje a forma Mafoma. Forma vernácula, sim senhor, mas que hoje pura e simplesmente não é utilizada pelos crentes muçulmanos portugueses. Como haveria de ser, se durante séculos era a forma usada em contexto de denegrimento?
e também tem mahmoud,
veio aqui fazer buqueta, ao que me disseram - cá tem lobo, gato e onça, tudo bom
mas eu ainda não li o post do meu bro valupão. Agora já vi que isso anda aí tudo alertas amarelas e laranjas, portanto toca a comer bem, cumer também pode, e depois xonar
que eu aqui sou paizão
Como haveria de ser? Ora, basta pensar: “Maomé” é um galicismo; “Mafoma” é português de Portugal. Quanto à História, sim, parece que cristãos e muçulmanos andaram às turras durante séculos. Mas que tem isso a ver com as minhas ideias?
Faltou a entrada doutro que não foi consensual quanto à “experiência de diálogo por cartoon, como o Valupi lhe chamou – um evento, em suma
E mais algumas notas a propósito http://www.redicecreations.com/specialreports/2006/02feb/flemmingrose.html
. Ou a do prof universitário dinamarquês que fez conferência caracterizando o “evento” como clara provocação e até “ a mando”.
Mas, não há nada como recordar ao próprio as suas palavras, e o exemplo tão cool, há 2 anos atrás, antes de ser acometido pela síndrome de Estocolmo.
1. « Delicioso, Luís. Ainda bem que trouxeste esta recordação e nos deixaste saber que é uma peça tua. Já agora, eu nunca faria peças com temas religiosos, fossem eles (os clichés e as religiões envolvidas, mesmo que tão pacíficas como o Budismo) quais fossem (incluindo os inevitáveis abades gulosos, etc.), mas não censuro quem os faça. Enfim, mariquices…
(Touché?)
Enquanto são cada vez mais as vítimas da zazienite aguda, agora és tu a mergulhar na obsessão. As patologias são transitivas. Essa arqueologia valupiana, ainda por cima, só confirma as minhas ideias nesta dinamarquesa questão. Mas não estás em condições de o perceber, é óbvio.
Claro que ainda faltou explicar a GRANDE QUESTÃO:
“Quem não tem jornais não tem liberdade de expressão”.
Quem os tem pode convidar cartoonistas para qualquer encomenda- e, nisto de encomendas, até se pode começar por um escritorzinho à Anderson islamofóbico e da esquerda BE lá do sítio, para terminar no mais e do mesmo- o ateísmo militante que trabalhar pelo a avatar que mais pinga.
De resto, a Grande, Grande questão do Valupi- resumia-se a isto: “the bomb! the fluids!do you realize that in addition to fluoridating water, why, there are studies underway to fluoridate salt, flour, fruit juices, soup, sugar, milk… ice cream. Ice cream, Mandrake, children’s ice cream”
A obsessão é a mesma e apenas vão mudando os personagens. O Valupi reconverteu-se à seita da “cadela laica e do Estado de Direito”, mas ainda gosta muito de piqueniques demagogia escolásticas com pitadas de Harekrishna que dão sempre muito jeito para a publicidade.
zazie, dou-te uma ajudinha: «…mas não censuro quem os faça.»
Para terminar com a citação mais engraçada que começa com Corcovados a comerem sandwishes e e acabam em bombas quando falta o sentido de humor a selvagens que acham que a brincadeira bombista do Maomé até podia ser com eles:
President Merkin Muffley: You mean people could actually stay down there for a hundred years?
Dr. Strangelove: It would not be difficult, Mein Fuhrer. Nuclear reactors could… I’m sorry, Mr. President… nuclear reactors could provide power almost indefinitely.
Bye, Valupi/Srangelove
susaninha: está na hora de entrares a fazer sapateado ou hermenística da carne de vaca sagrada?
È que tu já te explicaste tão bem, tão bem, que toda a malta te emoldurou e nem se chateou por virares as costas, de nariz empinado, quando se te colocam questões mesmo pertinentes.
Tu achas que em roma sê Romano e a isso chamaste acatar as normas e leis do país que nos recebe- Como imagino que assim o faças em viagem, acredito que, ao passares o nosso bastião de Civilização Ocidental lá para as bandas de Israel, einfies a burka na cara.
Razão pela qual, de burca na cara, nunca conseguiste perceber essa história de ser sacrilégio comer vaca sagrada em restaurente, já que o restaurante até é dos gajos da burka.
Como também me viraste as costas, quando tentei a comparação do discurso do Papa na Universidade e a ameça de morte, para confrontar com esta, já que para v.s (não para mim) o tema sagrado era a tal famosa liberdade de expressão (que só a tem quem fala ao microfone, claro, o resto do povo vive amordaçado ou precisa dos jornais para dizer o que pensa.
Mas, com esse simples exerciciozinho muito básico que eu ainda tive a bondade de tentar contigo. tu apenas desataste com uma fala incompreensível de preservativos! e eu cá não acredito em Deus porque Deus não gosta de preservativos. E eu cá, prefiro o ateísmo que é mais cauteloso, e coisas assim, onde ainda conseguiste introduzir o aborto; a consciência, e até o gueto e a xenofobia conservadora.
Por isso, mocinha, achas que eu ia ser tolinha a acreditar que tu sabes ler, para me dar ao trabalho de te responder e tu voltares a virar as costas de nariz empinado?
Faz lá o nº de sapateado para o Valupi que ele bate palminhas
olha, já que o mandrake veio à cena, não esquecer o Lothar. Sou contra a injustiça dos grandões que carregam a pilha aos mágicos ficarem esquecidos
a hermenística foi mesmo assim- neologismo para condizer com a carne de vaca com burka na cara quando se anda em turismo.
Mas aquela tua passagem na análise da conferência do Papa ao citar o Paleólogo, foi mesmo muito gira.
Até tentei lê-la à rapozinho: o preserbatibo! o preserbatibo no nariz! eu não gosto de religiões porque não usam preserbatibos, E depois a malta é obrigada a abortar.
Isto foi o máximo que conseguiste alinhavar para uma comparação de ameaças de bombas e “liberdades” quando se toca no islão.
Olha, rapozinho à parte, e burkas na cara quando se “desembarca na picina terceiro-mundista”, eu até prefiro parafrasear-te . Não se pode ler tudo o que escreves e agora não achei que fosse pertinente a tentativa de me corrigires.
zazie, vamos lá ver: eram 4 da manhã e tu tinhas deixado uns cinco comentários da extensão habitual, que eu já não li, porque andando tu a repetir-te há dias, cri fosse mais do mesmo. quando me disseste que não tinha respondido à pergunta sobre o papa, presumi que te referisses a um cartoon já mencionado por alguém naquela caixa. enganei-me, a tua pergunta era outra.
não respondi à outra por não ver a relevância para o tema em debate, mas também por acreditar inútil. estás a ver, qualquer coisa que te dissesse iria ser mal expressa: eu não só não sei ler, como também não escrevo coisa com coisa, a avaliar pelas tuas citações. basta ver o que disseste agora que eu escrevi, não me revendo em coisa alguma. «não gosto de religiões porque não usam preservativos»?! enfim, a minha capacidade de expressão não está à altura das tuas capacidades cognitivas, por isso não queiras que eu gaste mais tempo com respostas parvas que de nada te servem.
Mas, se tu te achas com capacidade teórica para equacionar tudo melhor, porque é não fazes um post, em vez de andares a saltitar nas caixinhas, feita majorette valupiana?
Não te deixam?
Não tens nada a dizer mas gostas de fazer papel decorativo, ou estás mesmo convencida que percebeste a ponta de um corno desta gincana do Valupi, a querer tomar os outros por parvos?
È que há umas certas regras tácitas em debates que nada têm a ver com conversetas de exames de mamas e próstatas que não se sabe onde ficam, ou bifes à Trindade- não virar as costas quando é colocado um argumento.
Se estamos em debate partimos de princípio que temos QI suficiente para entender as questões. E ninguém em debate vira as costas a um argumento que foi bem pertinente, apenas porque nem sabe ler e sempre que ouve falar em Papa tem reflexos pavlovianos com preservativos.
De resto, eu nem com o Valupi estava a dialogar. Apenas deixei aí links para quem não conhece a história (como é o teu caso, estavas a leste de tudo o que se passou em relação aos cartoons, nem sequer tinhas os meros factos) possa ficar mais informado.
E a citação do Valupi também serviu apenas para recordar que há 2 anos havia coisas com que não se brincavam, desde que tocassem em budas e fradinhos, e agora ha´coisas em que se deve tocar e atacar pedagogicamente em nome de uma treta que só por absoluta indigência mental alguém ainda vai atrás- a dita liberdade de expressão.
Nada, abslutamente nada, desta merda teve a ver com impossibilidade dos dinamarqueses se opinarem por viverem em qualquer tipo de sociedade que censuraria o pensamento.
E tambe´, só por absoluta indigência mental, se transformou a liberdade que todos - director de jornal- cartoonistas convidados para a brincadeira que o outro não conseguiu vender para todas as escolinhas, fazerem- um gozo que livremente foi publicado num dos jornais com maior tiragem na Dinamarca.
Donde- liberdade tiveram-an toda- o resto é outra coisa. que faz parte da compreensão do mundo em que se vive- as reacções e propagandas, e aproveitamentos ou vinganças que também se podem fazer em “estando a pedi-las”.
Porque, quem o fez, estava mesmo a pedi-las, já que ninguém que é ateu anda a escrever livros para crianças sobre a vida de Maomé transformando aquilo tudo numa vergonha religiosa, assim como ninguém que é ateu e se diz defensor do bom-convívio com uma comunidade islâmica que atinge os 3% da população do país e chega a 80% em escola pública, faz as coisas “sem querer”.
não, zazie, não virei costas. desisti, é bem diferente. francamente, porque te preocupas tanto em convencer pessoas com QI de galinha da tua razão? tss tss… digo: cot cot…
Lotário era aquele maganão de escravo que andava sempre descalço e meio nu (só com uma pele de leopardo atapar-lhe um peito e as partes vergonhosas) atrás do Mandrake e da Nadia. No tempo em que ainda não havia gay pride, era a maneira de sugerir um ménage à trois que escapava à censura.
Primeiro foi aquela merda de post como declaração de exclusão de gente que nunca poderia viver numa “democracia laica ocidental”- os que reagem à bomba a troças religiosas
- só isto já era merda suficiente para deitar abaixo, porque misturou imigrantes com os muftis que ameaçaram e misturou um plano, acerca do qual ninguém soube mais nada, com bombas terroristas que não se justificariam num Estado de Direito-
só mais isto já era imbecilidade suficiente para queimar qualquer pessoa a quem se desse crédito.
Depois, entrou na argumentação pelo fim da história que nem aconteceu- a morte de um jornalista- querendo com isto colocar no mesmo prato da mesma balança- aquilo a que chamou- uma oportuna experiência de diálogo com o “outro” que é o mesmo- já que todos são cidadãos e é o código civil que decreta igualdades de identidade, referências e culturas.
Como o Venãncio lhe escaqueirou esta parte demagógica e traçou aquele brilhante paralelo com o Theo Van Gogh, imaginando que ainda estava vivo, para se perceber ao que leva a sobranceria e que nada valida ou coloca em pé de igualdade toda a qualquer condenação por assassinato,
faz outra coisa.
Larga aquele post mal-parido onde já não tinha argumentos e, no qual apenas queria um bater no peito de consensos contra o terrorismo islâmico- coisa que se faz em alviando em manifs e não em debate teórico- agarrou-se então ao “plano”.
Afinal ele só queria debater um niquinho da história, aquela que não levava a nada sem se ligar ao que a provocou- o famoso plano.
Plano acerca do qual se recusou a responder quando o interroguei se também achava que a Dinamarca estava desprotegida legalmente, por conseguir mandar embora apenas os imigrantes não naturalizados, e sem precisar de julgamento- apenas por serem suspeitos de um plano contra uma única pessoa.
Por mim, pronunciei-me sobre isso, e até disse que, essa acção prática apenas servia para percebermos que a Dinamarca tem mesmo leis bem mais duras, de acordo com a necessidade de defesa face a imigrantes mais facilmente arregimentaveis em terrorismo islâmico.
A isto não responde ele. foge para “o plano” e a liberdade de expressão” e com esse parzinho vazio e toino- do plano - à paranóias de Doctor Strangelove; e da “liberdade de expressão” amordaçãda pelo facto de existir possibilidade no mundo de retaliações, é que, por mim, dei encerrada esta brincadeira.
«francamente, porque te preocupas tanto em convencer pessoas com QI de galinha da tua razão? tss tss… digo: cot cot…»
Mas eu alguma vez te quis convencer do que quer que fosse?
Eu estava a falar contigo?
Este post é teu?
Quem é que veio para aqui, com correcções a bold, em defesa do Valupi a querer convencer-me da razão dele?
zazie, a susana só te queria ajudar a vencer a iliteracia.
Ya, acho que não podias ter escolhido melhor aliada.
A sério.
Se tentasses pedir ajuda ao “Da Literatura”, apesar de ter mais créditos para dar lições de português, era capaz de também te dar uma de desmontagem de demagogia.
Além do mais, este blogue tem um bom elemento para dar lições de português e interpretação de textos- O Fernando Venâncio- e esse é que já ta deu e a esse é que nem tomates tiveste para responder.
Por isso é que agora fazes este post merdoso, lincando-me a mim- em tom de troça, ainda que diagnostiques a todos os adversários a tal doença “zazinite”.
De facto, ao fim de perto de 600 postes, não conseguiste convencer mais ninguém a não ser a Susana.
E isto não é nehuma crítica ou ironia- é mesmo a melhor constatação que se pode fazer do blogue. Entre todos os seus membros, só 2 se meteram ao barulho, um escaqueirou-te a demagia, os restantes nem se meteram- sobrou-te a Susana para o sapateado- azar que nem o MST ou o Andrade vieram em tua defesa.
correcção: demagogia.
E passa bem. Devias cuidar dos arquivos. Olha que tens para aí a careca à mostra em muito mais historietas de “VERDADES” de outro género.
Em particular estas “causas” recentes que decidiste abraçar, quando achaste que te ficava a matar fazer de “voz do dono”- mesmo que para isso, sejas capaz de defender o oposto da dita liberdade de imprensa.
zazie, tu tá chata! Ainda vou ter que ler isto com cuidado, o que é uma chatice. Mas só amanhã, que agora tem jazz no Bulhão.
tu devia estar a dar cabo dos maus, em vez de estar a morder o primo meu bro! Nem os Cinco são já fiáveis, além disso devia ter passagem secreta
—–
Nick, a Nadia era só para disfarçar, assim como a cartola
acontece, zazie, que tu foste a única, por outro lado, a dar razão ao fernando. e isto, apenas, porque tentaste encostar-te ao que ele dizia, que era pouco, mas não era o mesmo que foste dizendo; manobra tua de apropriação. por muito que queiras, o que o fernando escreveu não é a síntese daquilo que tu debitaste. o fernando veio aqui dizer que algumas ofensas não são defensáveis e que devemos ponderar antes de ofendermos aqueles que até podem ser nossos amigos. eu pergunto: quais ofensas são defensáveis? e o que é uma ofensa? silêncio…
acontece que uma ofensa e o seu calibre não podem ser definidos pelo grau do melindre e o calibre das armas (ah pois…) da parte - soit disant - ofendida.
a barbaridade com que esta discussão começou, a parte que me diz respeito e em relação a ti, foi o teu «estão a pedi-las». compreendo que penses que se fores metendo muita água consigas dissolvê-la, mas ela é gordurosa e vem sempre ao cimo.
http://www.postalescachondas.com/tarjetas/create.php?card_id=871
A problemática dos cartoons é, de facto, uma boa problemática. Foi aqui analisada em várias das suas dimensões. Bem analisada, a meu ver.
No entanto, desde o primeiro post do Valupi houve um acontecimento que a todos escapou e que ninguém ousou aqui desenvolver. Talvez seja falta de coragem, talvez estejamos todos confortavelmente instalados nas nossas liberdades conquistadas, a verdade é que nenhuma voz se levantou, nenhum intelectual escalpelizou a contradição. E, meus caros, é esta falta de disponibilidade para discutir o que verdadeiramente conta na vida das pessoas que me aborrece.
A Men Health publica um estudo que assegura que os homens portugueses são os primeiros do mundo no número de relações sexuais. O mesmo estudo afirma que os homens portugueses são os penultimos da lista no que se refere à satisfação sexual. E aqui, nesta casa de referência, nem uma palavra sobre o assunto…
portanto a zazie dizia ‘estão a pedi-las’ mas era em relação aos pobrezinhos, que têm fome, coitados
mais, é muito engraçado vires dizer que não te respondo, quando tu ignoras de modo sistemático aquilo que te vão dizendo. como exemplo, a tua citação do valupi, a propósito de um comentário ao rainha. percebeste, ao menos, que a citação encontrada não sustentava o que dizias, mas precisamente o contrário? terás percebido que, ao contrário do que pensavas, o valupi não acha graça que se pegue em ícones religiosos - ou pelo menos não para fazer peças publicitárias? e será que percebeste que o que vinha logo a seguir reiterava o que ele tem andado sempre a dizer?
é que se percebeste não o admitiste. e não se discute com quem não admite o que vê. se não percebeste, então estás cega.
Ya, já tinha percebido que és demasiado sensível e não percebes humor negro.
Só não entendo porque motivo insistes em perder tempo comigo em vez de expores tu, por palavras tuas, a tua opinião, em post próprio.
Já que não imagino que andes aqui a perder tempo apenas para me corrigires.
Eu não andei a perder tempo com ninguém. Andei a rebater e a apresentar argumentos. De ti não li nenhum, apenas umas “inquirições fulanizadas” às quais respondi, primeiro de forma teórica.
Como viraste as costas à minha resposta teórica, com sobranceria demasiado toina, agora não tens crédito para te meter ao barulho. Até porque foste tu a primeira a determinar que “não vale a pena perder tempo a ler o que eu escrevo”. Logo, não valia a pena perder tempo a querer-me ensinar português daquela forma tão canhestra.
È que nem tu percebeste que a comparação entre um reclame nunca se poderia aproximar da comparação com gozos religiosos em paralelo com terrorismo.
Porque a questão não estava, no facto de ele ha´2 anos ter dito que sim, que por ele fizessem, isso, agora ele é que nunca faria uma mini-troça sequer com fradinhos.
Dois anos depois não defende a liberdade de se fazerem troças com fradinhos em propaganda a cervejas- defende que não há troça mas pedagogia de integração de imigrantes por achincalhamento e que essa é uma forma por excelência de a todos integrar como cidadãos.
Ou seja- o Valupi que há 2 anos tinha sensibilidade tão fina que nem ele seria capaz de brincar em cartaz de cerveja, por respeito com um mero símbolo religioso; hoje é capaz de fazer disso a forma mais inteligente de veicular uma mensagem.
Sendo que essa mensagem é que ele nunca conseguiu caracterizar, porque aí fugia aos factos e apenas se agarrava a universais e “liberdades de expressão”.
Mas conseguiu caracterizar muito bem o inimigo- aquele que convem enfrentar por todos os meios- o terrorismo islâmico.
É esse o papão dos fluidos, da bomba! mais nenhum. E pelo papão vale tudo, incluindo ser estúpido.
comendador, a explicação é óbvia: metade dos homens portugueses são os mais mentirosos de todos. a outra metade nunca se contenta, por muito que tenha.
pelo contrário, zazie, o meu filho até me disse há dias que não crê que algum homem venha a ser capaz de me aturar, «com este meu humor negro». mas só consigo perceber que se trata de humor negro quando tem humor, espero que compreendas.
e foi também essa a minha impressão: que não leste um único dos meus argumentos.
zazie, falei de ti neste post porque no outro tu assinas 400 dos 550 comentários. Tal como falo do shark porque o cito. E foste tu que influenciaste o rumo da discussão, começando a disparar para onde estavas virada, e sempre com má-fé. Porque o que há de notável na tua performance é a incapacidade de análise. Na verdade, és tu que te baldas à argumentação - e de duas maneiras: indo buscar assuntos conexos mas irrelevantes, e não respondendo a perguntas directas.
O teu estado de confusão é tal que nunca recuperaste do erro primeiro: o post queria celebrar o protesto contra o plano descoberto pela polícia, e que levou à sumária expulsão de dois estrangeiros. Esse protesto não correspondia a uma validação política, ideológica, moral ou ética dos cartoons publicados em 2005. E tanto assim é que um dos jornais dinamarqueses que, em 2005, se insurgiram contra a publicação agora publicou o desenho - o mais pícaro - de Maomé com a bomba na cabeça. Por isso, ao vires falar da polémica requentada, e do tal livrinho de BD que te encanta, e do currículo deste ou daquele, estás apenas a disparatar.
Neste assunto, ainda não disseste nada de jeito, e sonhas com argumentações terceiras que nem sequer és capaz de reproduzir.
(obviamente, tudo isto é divertido; e talvez tu prefiras assim, a tonteira inconsequente)
Ler li, não encontrei foi argumento lá dentro das letras e das palavras.
Foi mesmo isso. Por isso é que estranho porque é que este tema te envolve tanto e nem um post fazes. O blogue também é teu- tens aqui tribuna à disposição
Queres corrigir ideias e mostrar validade argumentos, prova-o. Faz um post.
Eu tenho aqui a pôrra de um tratado. E ainda por cima, demasiado sobrecarregado a ter de responder ao mulherio que aparecia com cenas de estar a insultar a filha mongolóide ou outros no género como as famosas categorias do “és conservadora, queres é que tudo fique de braços cruzados”, defendes o gueto (chavão que não diz nada); ou, nos casos mais brandos, até ficarem muito preocupadas para o caso de eu ter achado que pensavam que eu fosse mesmo xenófoba. Mas não, até tinha métodos de bruxedo para saberem que eu não era xenófoba, e prontos.
Logo eu, que me passo com essa pancada de se achar que as palavras, feitas etiquetas diagnosticam coisas que vão na alma e que essas coisas podem ser “actos discriminatórios contra o próximo.
Logo eu que tenho pó a todas as brigadinhas de apalpanços de consciência- quando a única coisa que existem são actos.
E foi precisamente por isso- pela única coisa que existe serem actos, que me estou nas tintas para etiquetas em relação a estes melros todos- fizeram- foi pelo acto livre do que fizera, usando de toda a liberdade que o país e as leis lhes dão que agiram e isto a acção que fizeram é que eu caracterizei como, no mínimo, demasiado estúpida de quem está a pedi-las.
Sem precisar de a arrumar em chavões de guetos, xenofobias e o caralho a quatro. Quanto muitom o caso interessou-me precisamente por colocar na mesma plateia um tipo de esquerda BE, com livrinho de verdadeiro insulto aos muçulmanos- livro que queria ver em todas as bilbiotecas escolares, destinado a crianças, tanto não islâmicas como islâmicas e que não conseguiu apoios.
Até que o tal gajo com um passado mais estranho e alianças entre neo-cons e sionismo- se oferece para o ajudar, convidando os tais caricaturistas para completarem a troça pedagógica que mais ninugém queria fazer.
E foi isto que foi livremente publicado num jornal dinamarquês.
claro que para ti eu não disse nada de jeito. Claro, mas eu também não escrevo para que me digam que é ou não é de jeito.
Escrevo como argumento e contra-argumento. E tu não respondes é aos argumentos e contra-argumentos, não é a mim.
Se quisesse entalar-te mesmo, então imitava-te e pedia-te para completares tu e explicares tu, onde é que estão os brilhantes argumentos da Susana que te apoia sem precisar de dizer nada, com jeito ou sem jeito.
Eu, por mim, já disse o que tinha a dizer, apenas me apeteceu trocar-te as voltas em mais este brilharete de demagogias.
Só porque me irrita um niquinho ver gente a tomar os outros por parvos.
Mesmo quando esses outros são mesmo parvos? E estás a falar do quê? De nada, né?…
E por outra razão: A Susana apoiou ou disse meia dúzia de coisas mas não o fez para engrominar o próximo.
Tu fizeste-o. Sabendo perfeitamente que estavas a tanguiar e a esquivar-te ao que não te interessava.
Porque deves ter mau perder e achaste que não ias perder um jogo. Basta meter contador a zeros, ganhar mais vidas para marcar mais pontos e, se o jogo correr mal, fazer rewind, e voltar ao início, como se nada tivesse acontecido antes.
Nem um argumento serviu para diálogo- tu apenas queres ganhar contra os outros, mesmo que para isso hipoteques qualquer credibilidade teórica que ainda te podiam depositar.
E foste alterando as regras de jogo de acordo com o teu interesse em ganhar. Limitavas o tema do debate até que ele ficasse na tal impossibilidade inútil de alguém, de bom senso, discordar- o terrorismo- o terrorismo é um acto indesculpável- voilá onde te escudaste.
Claro, para dizer isso até podias chamar os próprios terroristas que eles também batiam palmas contigo e diziam- sim senhora, este Valupi é um génio. Concordamos, o terrorismo é indesculpável e nenhum democracia ou Estado de Direito o deve admitir.
Para o admitir existem aqueles locais chungas do mundo, onde a coisa esta´oficializada- nuns de forma mais tosca, noutros como defesa de Estado.
Vou demonstrar-te o teu “modus operandi” com o meu “modus faciendi”. Repara:
- Acabas de despejar mais uma bacorada (de tantas!), a citação de um comentário para o Rainha. Nele, afirmo que - como profissional de comunicação - não escolho temas religiosos para peças comerciais.
- Tu descontextualizas a passagem e vens, bovinamente, vendê-la como contradição da posição em relação aos desenhos de Maomé.
- Pergunta: não entendeste o que leste?*
E antecipando: a minha deontologia como publicitário não equivale à minha moral como cidadão. Porque, concederás, um cidadão não vende as suas ideias. Assim, espero que percebas, posso recusar a utilização de uma entidade num contexto de marketing, e aprovar a utilização da mesma entidade num contexto político. Se este raciocínio for demasiado complicado, prometo fazer-te um desenho.
*sim, fico à espera da tua resposta
O Jaji, não há aí um bar pelas tus bandas?
Mesmo quando esses outros são mesmo parvos? E estás a falar do quê? De nada, né?…
Esta frase não é minha. Tem lá mais cuidado com o subconsciente porque a frase não é minha.
Tu tens para aí uma tese e um tesão que parte sempre do mesmo pressuposto- o entendimento da boa intenção pedagógica com que tudo aconteceu.
Já o disseste de mim e uma maneiras diferentes- desde “procura de diálogo com a comunidade islâmica, para ela própria perceber que não é estranha mas cidadã igual que nada tem a ver com o islão fanatizado e terrorista, até mil e uma variantes dessa mesma leitura que passa por cima dos factos.
Neste post voltasta à carga, repetindo a tal leitura que tu conheces- tu sabes, sabes das intenções apesar de não nomeares um único facto que daria, no mínimo dos mínimos para questionar essas intenções “polémicas mas para bem”.
E dizes: a publicação das caricaturas corresponde a um acto isolado, devidamente contextualizado pelo meio que as veicula. Foi um exercício polémico, pois sim (era esse o objectivo!), mas dentro da melhor tradição jornalística
Eu deixei os links, a história toda, para ser confrontada com aquilo que tu “sabes” que foi assim e com esta bela intenção.
Recusas olhar ou pegar nos factos.
E voltas a bater na mesma tecla imbecil.
A saber- nada disto teve a ver com liberdade de expressão que foi impedida. e nem sequer com “liberdade de imprensa.
Pela simples razão- precisavas de definir liberdade de expressão. Em que é que ela consiste num país e em que é que ela consiste para todos os cidadãos.
Precisavas de explicar em que consiste esse absoluto que dá pelo nome de “liberdade de imprensa” equiparado à liberdade de qualquer pessoa poder manifestar desagrado contra poder, ou inexistência de censura de crítica a todo e qualquer poder.
E ainda tinhas, depois de conseguires fazer isto, de explicar quando, onde e como essa dita liberdade foi impedida, por quem, quando os ditos jornalistas até foram cartoonistas convidados pelo director do jornal para a tarefa que mais ninguem, livremente, queria fazer.
E como tudo isto foi livremente publicado.
Muito bem, melhoraste. E duas coisas:
1º Os teus links que se fodam. O que não faltam são posições diversas e antagónicas. Isto não é um concurso de links.
2º O tema da liberdade de expressão é evidente: quantos casos mais de caricaturas sobre Maomé conheces no pós-11/9? É que está aqui, eventualmente, uma das causas da tua posição: tu não queres aceitar a temática da auto-censura - a qual, num certo sentido mas não noutros, só diz respeito aos não-muçulmanos.
susana,
já lhe disse alguma vez que a adoro?
aqui fica, por mais este bingo: «comendador, a explicação é óbvia: metade dos homens portugueses são os mais mentirosos de todos. a outra metade nunca se contenta, por muito que tenha.»
e tenha um óptimo domingo.
Se formulasses a questão de outra maneira talvez valesse a pena.
Mas tinha de ser toda reformulada.
Dou-te uma pista que eu própria tenho em aberto e acerca da qual também me questionei:
Aquela treta acabou por se desactivar a si própria, ao ser replicada por todo o mundo e permitir que muita imprensa muçulmana (religiosa ou não) respondesse com muitas outras caricaturas e sátiras aos grandes tabus desta modernidade que os “quer educar”.
Isso abriu as tais nuances de que falava o Venâncio, e aí sim, na possibilidade de cada vez mais nuances contra o radicalismo a preto e branco, acho importante.
Do mesmo modo que também citei (no outro post) um bom texto de imprensa muçulmana onde se demonstrava a importância de distanciamento emotivo pela capacidade crítica.
Agora o que fica totalmente de fora é vender uma história que nunca aconteceu- a liberdade de expresão amordaçada no reino da Dinamarca.
Assim como fica totalmente de fora, acreditar que firmezas face a terrorismo ou firmezas face a políticas de imigração passem por doutrinações de iluminados em nome de “laicismos” vendendo ateísmo como quem vende mais catecismo de cor contrária.
E é por isso que a questão que sempre achei mais pertinente foi mesmo o livrinho de BD- que acabou por ser publicado e que se queria fazer adoptar em todas as escolas dinamarquesas.
Esse livrinho de catecismo ateu com a história do islão é algo que rivaliza e ultrapassa todas as velhas polémicas à Cortes Imperiais que também existiram no tempo em que os que detinham o exclusivo da VERDADE eram outros.
Ainda que os mesmos- quanto à posição social e megafone daqueles que pretendiam visar.
……………….
Como é óbvio não pensei nestas questões hoje e muito menos precisaria de ir à boleia de encosto do FV (como a Susana disse) para também deixar de fora todos os Theos Van Goghs
E acerca dele, do Theo- tenho por aí dezenas de comentários que foram tão mal recebidos em todo o lado.
Basta fazer pesquisa no Google ou ir, por exemplo, ao Blasfémias- em relação ao caso Theo tinha alguma informação extra- a que o FV contou confirma-a. Tudo o que se aproxime dessa hipocrisia pedante, vendida com sobranceria como pedagogia é mesmo algo que gostava de escaqueirar em directo.
De preferência ao vivo, e enquanto ainda estão vivos.
Outra questão- quando se fala em abertura de nuances e críticas a tabus não podem existir intocáveis.
E aí, sim, nos intocáveis é que eu gosto de “tocar”. E chatear. Tanto mais quanto o status dos intocáveis está ao abrigo da lei ou ao abrigo de todos os status quo.
Razão pela qual nunca seriam militantes da ditadura do politicamente correcto a ensinarem o que é liberdade.
Esses são mesmo o último reduto da ditadura- a grande Inquisição dos tempos que correm, com a agravante de até terem representação em legislação da UE e observatórios por todo o mundo, ou a famosa linha da denúncia na internet.
Escaqueirar tudo isso pelo gozo e nonsense até é o meu passatempo preferido no Cocanha.
O Theo não era para aqui chamado, porque não há comparação possível, seja qual for o ponto de vista. Isto porque eu apenas me referia ao que aconteceu a 13 de Fevereiro do corrente. Já remeter para 2005 era estar off-topic, mas vá que não vá. Agora, onde permaneces completamente equivocada é no entendimento do problema: existe liberdade de imprensa e de expressão na Dinamarca (como se comprovou e não estava em causa), mas o que o Jyllands-Posten estava a questionar era a auto-inibição desses direitos ocidentais e seculares. Este aspecto é relevante, e dirige-se ao alvo do terrorismo: a opinião pública, e a actividade jornalística, política, crítica que a alimenta. Ver na abertura desta problemática um ataque ao Islão é apenas má-fé ou incapacidade cognitiva.
Pontos avulsos:
- Esquece o laicismo e foca-te na secularidade. O laicismo apenas estabelece a coabitação entre diferentes credos. É na secularidade que está a grande ameaça ao religioso, pois o reduz a ele próprio (quando a intenção religiosa é sempre totalitária).
- É legítimo atacar o Islão, desde que dentro das limitações legais. O tal livrinho de BD tem direito a existir. Isto porque é legítimo recusar a conversão ao Islão. E é legítimo ter uma qualquer posição política e filosófica que veja nas religiões, ou em algumas ou alguma, uma indignidade. Esta é a conquista da civilização ocidental, a concessão da superioridade à liberdade da lei.
- Pensasse e dissesse lá o que fosse, Theo não merecia morrer por isso. Logo, não há cá exercícios alternativos perante o desfecho da sua história. Se o assunto é difícil, pois que seja tratado ainda com mais cuidado.
Em relação ao nosso código penal também nunca abriria mão. É só mesmo uma micro informação a talho de foice.
Para quem ainda nãp entendeu que locais de culto, símbolos de culto devoções religiosas são questões que estão ao abrigo do dito Estado laico. Precisamente porque a História, o património artístico, o património cultural e a tradição daquilo que é verdadeiramente uma civilização não consiste numa mania livremente a saque de quem é órfão de crença ou apenas a tem invertida e precisa de se aliviar.
Para alívios de má figadeira de ateísmo recalcado também existem organizações, algumas delas em forma de ONGs financiadas por todos e nunca nenhum crente lhes mandou com uma bomba em cima.
Tu tens a tua causa, eu tenho algumas anti-causas. Acho que tudo precisa de algum contraponto para ficar mais equilibrado.
Como deves saber, a tua posição é mesmo a mais consensual, a minha tem eco em várias pessoas, de diversos modos, mas não faz parte do status quo.
Como o que sempre me agradou se mantém- o gosto pela iconoclastia e o gosto de desmontar satus quos, é óbvio que não há ponte por aí.
Fora isso também tenho outra mania- meter o nariz e tentar perceber fenómenos sociais novos. Em torno deste caso, assim como em torno de uma mudança da dita esquerda no apoio a causas de invasões e destruições do Líbano, anda assunto que tento compreender e, acerca do qual, gosto de tomar o pulso.
Já tive esse debate noutros locais- um deles foi com o Bruno Sena Martins. Ele próprio desenvolveu algumas dessas pequenas percepções de que também se tinha dado conta.
Depois há outra questão que parece que nunca compreendeste porque até houve demasiado ruído à volta e nem apareceu propriamente alguém em debate que tivesse um ponto de vista próximo do meu, em termos bem mais genéricos.
Eu nunca defendi proibições. Nada disto passa por lei. Tudo isto deve passar por sensibilidades e debates. Esses sim, em pé de igualdade e da forma mais brutal que for preciso. Sem paninhos quentes. Nada de unanimidades albanezas quando toca ao pensamento. Mas, para isso, é preciso que haja manifestação de pensamento e não manifestação da inexistência de pensamento- pela forma mais trauliteira e hipócrita.
Também nunca defendi o que o MP-S disse- equacionar a necessidade de probição de uma série de coisas que possam atiçar outras tantas- por isso também digo que não existem intocáveis.
E chamo intocável, tanto aquilo de que se pode ter medo por reactiva que desaba sem rosto, sob a forma de terrorismo, como aquilo que consegue fazer passar-se por algo absoutamente verdadeiro e tabu em virtude de possuir mais poder ou ter lobbie mais poderoso.
E é por isso que as caricaturas foram coisa grossa e fraca, e é também pelo mesmo motivo que achei que o post foi igualmente coisa fraca, emotiva e básica, de alívio que se pode ter em manif de rua.
Quantos disparates diz este neoconeiro histérico e compulsivo… As provocações dos idiotas dinamarqueses (uns hippies ganzados e bêbados) NADA têm a ver com a verdadeira liberdade de expressão. O sujeitinho ignora que a liberdade de expressão serve para discutir ideias, mesmo religiosas ou teológicas, mas NUNCA para blasfemar contra os símbolos mais sagrados e INTOCÁVEIS de uma religião. Esses são sagrados e a sua profanação merece severa punição penal ( o nosso Código Penal pune a blasfémia)
Mas o caso é agora ainda mais grave devido às cruzadas assassinas contra o islão em terras islâmicas levadas a cabo pela reles noeconeiragem (incluindo mercenários cruzados dinamarqueses) em que se revê o pateta Valupi. Num contexto de genocídio contra eles, eu comprreendo perfeitamente que os muçulmanos CORTEM as goelas a quem de forma reiterada e insistente profere deliberadamente blasfémias contra o Profeta de 1500 milhões de crentes, MUITO SUPERIORES MORALMEMTE aos decadentes “seculares” que chafurdam no relativismo e niilismo morais. Para mais quando centenas de milhares de muçulmanos são massacrados por bestas neoconeiras e nazi-sionistas. O apelo ao antisemitismo e islamocídio é crime contra a humanidade.
O que os Van Goghs fazem é o mesmo que os grotescos “mártires de marrocos” de que falou o nik: andam a pedir em voz alta, com as suas gratuitas blasfémias racistas e satânicas, que lhes cortem as goelas. E tanto insistem que é o que lhes poderá mesmo acontecer. O Van Gogh, que passava a vida a chamar fornicadores de cabras e pedófilos aos muçulmanos, já teve o que queria…O mesmo aliás devia acontecer com os que insultam Cristo e a Virgem… os muçulmanos é que sabem como se deve lidar com a escória infiel….
correcção: nunca defendi proibições de livros ou de outras tretas como alguma lei que determinasse que não se podia publicar qualquer caricatura ou brincadeira com judeus, islâmicos, católicos, ateus, fufas, paneleiros e tudo o resto que por aí possa seguir, incluindo os anõezinhos, as mulheres barbadas, os metro-sexuais, os pretos, ucranianas e escoteiros.
A única coisa que sempre defendi foi a lei natural. Porque tudo deriva dela. E, se o código penal tem clausula que protege a prática religiosa é precisamente por isso, porque ela não foi inventada agora e nem existiria cultural ou civilização se nela não estivesse incluído todo esse “espólio”.
Razão pela qual, quem não faz parte de espólio teórico que se lhe oponha, tem sempre lugar para fazer de cagot ou de mija-nos-finados. Mas nunca em nome de uma nação os mija-nos-finados passaram a deter a validação da cultura de uma socieade e muito menos o poder para a destruir em nome da mesma.
Que queiram doutrinar as criancinhas também não é nada de novo- todos os eleitos sempre se acharam com esse direito de fazer um mundo novo. E sempre gostaram muito de agarrar as criancinhas dos outros. Por isso e´que também existem outros para dizer isto.
Mas a iniciativa do Jyllands-Posten não se explica pela assimetria mediática (onde os não-muçulmanos estariam a oprimir os muçulmanos sem meios de comunicação - tal considerando é absolutamente irrelevante para a questão, para lá de errado e falso, pois se tratou de um acto isolado que não era proselitista nem abolicionista, e aconteceu numa sociedade onde a comunidade e os indivíduos ligados ao Islão podem exercer o seu culto e têm liberdade de expressão). Explica-se é pela necessidade de lidar com o trauma do terrorismo islamita, precisamente pela toxicidade da sua reclamação religiosa.
Estás a querer falar das caricaturas (as quais, por sua vez, são banais exercícios de humor, sem nenhuma mensagem de ódio), quando o que importa falar é da sua publicação.
Tens razão que as caricaturas nos apareceram, a nós, como um acto isolado. Nisso tens. E é aí que nos falta o feedback factual quanto ao clima que já existia e quanto às tensões internas em relação aos imigrantes que é impossível que tivessem aparecido apenas por causa das ditas caricaturas.
Ou seja, em cima do acontecimento, também pensei como tu. !Que raio de mundo é este onde até já há ameças de ataques terroristas por causa da puta de umas caricaturas?
Isto também me perguntei. E ainda me perguntei mais quando o caso se repetiu em relação à comunicação perfeitamente teórica e privada do Papa.
E foi por isso que achei que se este debate tivesse sido minimamente honesto e verdadeiro, essa comparação com caso do Papa que se lhe seguiu, era obrigatória.
Mas, para isso, teria de haver outros intervinientes online, e nunca valeria a pena pegar no sapateado da Susana para nada.
Há, de facto, um pano de fundo diferente que não existia há 10 anos e nem sequer há 5. E compreender isso, sem tabus, incluindo os tabus face à imigração que tanto te enxofrou e acerca da qual o Nik teve a coragem de dizer alguma coisa, também seria preciso.
Mas os tabus existem, e ainda existem mais quando são as ideologias que estão no lugar do sagrado. Motivo pelo qual estás enganado com a racionalidade da secularidade, uma vez que tu próprio também já escreveste acerca disso- do modo como uma ideologia também é um pensamento totalitário e religioso.
Ou nunca tivesse existido a URSS e todo o comunismo para o demonstrar.
Por outro lado não existem mensagens de ódio em livrinhos doutrinadores nem neste tipo de caricaturas. Daí eu ter seguido as pistas das motivações de quem as faz.
E tudo vai ter ao mesmo ponto- algo que se considera necessário. Há sempre uma suposta necessidade de bem nisso. Nada foi gratuito e mera provocação de campino.
Nem o Theo era um provocador “islamofóbico” usando a terminologia da moda que nem é minha e que também não passa de uma etiqueta para arquivadores.
Até tinha uma missão e uma intenção em tudo o que fazia- com a tal sobranceria da impunidade de estar do lado certo da História e com toda a facilidade a usar mensagens religiosas que lhe davam as voltas à figadeira, para doutrinar, para catequisar.
O retrato que mais gostava de possuir era mesmo o do tal meco de esquerda equivalente ao BE lá na Dinamarca. O que fez o livrinho para todas as criancinhas terem na escola, aquela beleza que deixem mais acima, com link.
É que isso é pura propaganda doutrinária que a Igreja já tinha largado há séculos!
De onde é que vem? do ateísmo? o ateísmo constitui-se como algo contra- contra um poder. Será que, há falta do tal poder contra o qual se constitui já quer ser poder alternativo?
Não deito fora esta tese porque tenho lido muita coisa e muita teoria à Dawkins e observado muita propaganda a tomar lugar nos media. Incluindo por cá.
E esses até são nossos “coleguinhas” de blogo. Alguns até foi aqui que começaram antes de conseguirem o megafone mais poderoso e serem pagos para o mesmo.
Aliás, a tese mais não é que uma repetição do mesmo- a vaga do jacobinismo que lá vai renascendo e napoleanizando-se como consegue.
E é neste cenário de seitas, e mundo plastificado, onde a caixinha da tv intoxica o resto, que as coisas se passam.
Torna-se até penoso a facilidade com que se deita isto tudo abaixo,. Eu nunca conseguiria deitar abaixo o ateísmo do Francis Bacon (o pintor) e sinto-me mal por tão facilmente deitar abaixo o de tanto filósofo que por aí anda, cá nas universidades, lá, em Oxford.
Os tudólogos de jornal até ficam apenas para a ralé da ralé da universidade.
uf, até ouvi daqui os teus neurónios a estalar.
e tem muita graça continuares a atirar com umas raivinhas para cima de mim, quando passei o tempo todo a dizer (de forma sucinta e simples, percebo que prefiras elucubrações mais literatas) aquilo que finalmente percebeste. tenho as costas largas, há-de ser do porte atlético.
zazie, espero bem que não subscrevas realmente este teu enunciado: «O Van Gogh, que passava a vida a chamar fornicadores de cabras e pedófilos aos muçulmanos, já teve o que queria…O mesmo aliás devia acontecer com os que insultam Cristo e a Virgem… os muçulmanos é que sabem como se deve lidar com a escória infiel….», porque aí ficamos com um hiato que não será ultrapassável.
Sobre essa questão da lei natural vs lei positiva isso interessa-me e ando aliás a esvoaçar sobre o tema. Uriel da Costa (Gabtiel da Costa) escreveu sobre isso antes de disparar sobre a tola, por força da vergonha e depressão que se lhe abateu, depois de devidamente excomungado e humilhado pelos sefarditas da Amesterdão, mesmo assim bem longe das fogueiras da Inquisição, onde aliás serias queimada como bruxa se cocanhasses.
Não existe ‘lei natural’ absoluta. A lei natural dos Asmat na Papua, ainda no século XX, era terem uma sociedade organizada em pares de machos, amigos_fechados. E comerem os miolos dos inimigos. Aquilo que chamas a lei natural é um conjunto de crenças de uma sociedade e nada mais, constituem o seu núcleo identitário, contextualizado.
Praticas o lema do teu principal mestre: ‘pessimismo na inteligência, optimismo na vontade’, e dás cabo eristicamente de ti própria aqui na caixa.
Gabriel
ah, e ‘provocar’ quer dizer chamar para o pé. Portanto este basqueiro todo deve ser por causa do frio e da chuva daí, está certo
(Ena, tanta cana para apanhar…)
Venho aqui só para me vergar numa vénia à Susana, mesmo ousando violar o pressuposto da solidariedade de classe. Que ganda par de bandarilhas nos lombos mais atrevidotes, afilhada!
Quanto ao resto, parece que o braço de ferro está a ganhar ferrugem e que já há mais empenho na descredibilização de personalidades do que de ideias.
Isso só atrai mirones patetas como eu para mandarem uns bitaites sem piadinha nenhuma ou semi-coléricos daqueles que se sentem como peixe na água em ambientes acalorados. Do tipo arena de wrestling verbal.
E não se virem contra o mensageiro que eu sou filho de uma senhora doente.
E diga-se o que se disser, a cena até tem estado gira e se de facto o debate tivesse sido protagonizado por imbecis e iletrados a coisa teria morrido por si algures (quando alguém se lembrasse de referir o excelente trabalho da cirurgia plástica nas mamas da Floribella e outrém contestasse o facto de a nova copa da moça jogar bem com as camisolas da Fátima Lopes).
euroliberal, o nick é só para disfarçar, certo?
giro isso do provocar, z. eu geralmente vejo a provocação como coisa boa. é verdade que quando os meus filhos se engalfinham eu ralho a quem «provocou» e a quem «reagiu a uma provocação», hehehe… não passa de uma saudável interacção, o que é preciso é que se aprenda como se deve, ou pode, interagir.
volto aqui para te responder, shark, não tinha refrescado a caixa. (e assim deixo o 88 para o z, espero que o apanhe…)
agradeço a boca e retribuo: costumas ser um gajo flexível na discussão, capaz de dar o corpo ao manifesto e a mão à palmatória.
tufa! sim, susana, também dá para levar o provocar o mais das vezes numa boa, muitas vezes o pessoal quer é umas festas no lombo e abanar a cauda. e como tá frio aí, tufa tufa
mas isto é numa boa, z. temos estado todos a usar palavras, é civilizado.
Grande z! Muito bem.
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zazie, a secularidade não é o ateísmo, nem sequer o agnosticismo. Não é uma concepção filosófica sobre a temática teológica, mas uma concepção política sobre a realidade cívica. Assim, defender a separação do político e do religioso até pode ter justificação espiritual (de resto, já inclusa no celebérrimo “Dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”). Falares em ocasiões em que defendi a religião ou a religiosidade (porque há várias e decisivas razões para defender o legado da experiência religiosa!), não invalida a posição de apoio ao protesto contra a intenção de matar um opositor de opinião. Mas tu consegues perceber isto, não consegues?…
Defender a separação das esferas política e religiosa (laicismo positivo) não implica nem deve implicar o não reconhecimento do essencial papel construtivo dos crentes na sociedade ao perpetuarem a memória da maior parte d