Os 10 vencedores das eleições no PSD — e o único derrotado

O PSD é o melhor partido português. Porque nunca perdeu tempo com a sua definição ideológica nem se preocupa com teorias, concentrando-se no pathos e ethos políticos. É um partido de gajos, de negociantes e vendilhões, de funcionários e lavradores. Até as mulheres são gajos neste partido, pensando e falando como eles. O PSD é a escolha daqueles que desconfiam da democracia e que gostam de sentir a rédea curta. Cavaco representou na perfeição este ideal, era um senhor que apenas tinha de parecer sério para ser levado a sério. Por estarem tão bem desenhadas as balizas, dá gosto fazer umas jogatanas neste campo, e os congressos do PSD foram sempre espectáculos romanos onde a oralidade, a retórica e a traição elevaram-se a níveis superiores de forma e força, como em mais nenhum espaço público cá no burgo. Agora, escolhido o novo presidente, o PSD inicia um velho ciclo. E quase todos saem a ganhar:


1- Ferreira Leite, com 4 anos de atraso, mas em condições perfeitas, vai demonstrar que o cavaquismo não se pode repetir. O seu sucesso ou insucesso não terá qualquer relação com as eleições de 2009, antes com o seu sucessor. E, se tudo correr bem, ela irá descobrir uma alternativa a Passos Coelho.

2 – Passos Coelho, que se andava a preparar devarinho para lutar com Menezes no rescaldo das eleições de 2009, teve o resultado que melhor serve a sua carreira. Ao ficar em segundo, evita ocupar uma posição para a qual ainda não está preparado; e vence Santana, garantindo que será ele o tácito vice-presidente do PSD e inevitável favorito nas próximas eleições do partido.

3 – Santana, que só podia fugir em frente, teve faro apurado e conseguiu receber um cheque-futuro que o manterá por cá e por aí nos próximos 15 anos. Será, porém, uma figura cada vez mais reaccionária à medida que se reduzir ao papel de exilado do Poder. Mas tentará aproveitar todas as oportunidades para fazer render o resultado desta votação, aceitando cargos menores donde fará sermões moralistas e esquizóides.

4 – Patinha Antão, um serventuário menor, em boa hora decidiu concorrer. Teve o seu momento de glória ao entregar as assinaturas. E há muitos anos que não se sentia tão bem como na manhã seguinte ao último debate televisivo. Família e amigos passaram a gostar mais do Patinha, e nós também.

5 – A política nacional, sujeita ao comportamento psicótico de Menezes durante 8 meses, vai recuperar racionalidade e sentido de Estado. O PSD volta a ser parceiro de medidas decisivas para o crescimento económico e melhoria social. E isto só pelo facto de ter mudado a chefia, fora o resto que pode nascer de uma nova inteligência.

6 – A condição feminina, que é um tema a carecer de funda atenção em Portugal, celebra uma mulher à frente de um partido, e logo o PSD. É tão baixa, tão menosprezada, a participação das mulheres na política que este aspecto lateral do evento comporta uma importância saudavelmente exagerada.

7 – O PS, assustado com o fenómeno do possível voto de protesto à sua esquerda, espera de um PSD tradicionalista o contributo urgente para a luta contra a erosão do centro.

8 – Os militantes do PSD, chamados à responsabilidade no pior momento da história do partido, deram um bom sinal de vitalidade. As suas escolhas desmentem a tese do malefício e perigo das directas, e explicam o fenómeno Menezes: era, em Setembro de 2007, uma esperança quando comparado com Marques Mendes. O mal menor que se transformou numa desgraça em dois meses.

9 – Pacheco Pereira, o mais corajoso e frontal dos anti-menezistas, recebe mais umas medalhas e taças. Ficará por saber quanto vale a opinião de Pacheco para o eleitorado militante.

10 – Paulo Querido, jornalista, consultor, técnico, gestor e empreendedor, fez um estudo exaustivo da campanha a partir da Web, usando ferramentas do meio para agregar e relacionar o essencial da informação disponível. Foi fundo no levantamento dos comportamentos dos candidatos na relação com a Internet e o resultado é um nítido, e inusitado, retrato da cultura vigente nos quadros de topo do maior partido da oposição em 2008. Embora tenha falhado o desejado prognóstico, acerta em cheio na renovação das formas e conteúdos do jornalismo. Até a revelação da sua preferência vem ao encontro de uma nova objectividade: aquela que não finge a neutralidade impossível quando se pensa. Há muito a esperar deste novo olhar sobre a política que o Paulo está a desenvolver à nossa frente.

O único a perder foi Menezes. Um caso clínico.

6 thoughts on “Os 10 vencedores das eleições no PSD — e o único derrotado”

  1. Tal como os expértos amerloqes que nâo sabem onde se encontra o Iraque num mapa mundo.Vâo votar por esses abutres que sabem bem como lhes extorquir,tudo por causa d’um centimo,nâo viram ainda que o Bush quando desceu os impostos que foram eles os grandes perdantes.Pacòvios

  2. Nâo preciso de ser inteligente para ver ,entre as promésas do Sarco,e a realidade. Que voçês vâo pagar tambem,nâo tenhas duvidas mom rapaz ,mesmo se a feiticeira te apertou a mâo no comisio.
    Vê como o Sarco faz aos seus amigos!

  3. Primo, concordas com o 7? Ó pá, gostava de te ler sobre esse assunto.
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    claudia, tenho. E avó, também te posso garantir que é. Podes ficar descansada.

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