Eppure si muove

As eleições do PSD dão corpo à agonia de uma geração, de uma classe e de uma forma de fazer política. A geração é a que tem governado o Estado, a classe é a que dirige e milita nos partidos. Desde o 25 de Abril a gerir, negociar e desviar os recursos económicos, esta elite apodrece sem arrependimento na cadeira — uma parte deles está há muito afastada, de bandulho empanturrado e trôpegos, outra parte recusa-se a cair. E mesmo que nada mude a seguir no futuro próximo, que se repitam os modelos e os processos, os motivos e as intenções, agora já se sabe, agora está claro, nu e cru: as maiores figuras do sistema político são directos responsáveis, ou cobardes cúmplices, por 30 anos perdidos para a cidadania, a democracia e a liberdade; ou seja, 30 anos de estagnação e marasmo cívico. O que mudou foi só por obra do tempo e das circunstâncias inevitáveis, aquilo que teria de mudar para que a lógica do Poder se mantivesse. Nada nasceu das vontades, a não ser os projectos pessoais de conquista. E assim se constata como o salazarismo, que moldava por simetria até a sua própria oposição, apenas conheceu alteração de chefias políticas. Iniciou a troca de pele ao longo do marcelismo e concluiu a metamorfose com a Revolução. Conseguiu permanecer como axiologia uniformizadora da política, sociologia, economia e psique nacionais até 2004, altura em que se atinge a miséria moral com a fuga de Barroso e o abandono do País à incompetência e irresponsabilidade de Santana. Não por acaso, é também o ano do Portugal Hoje — O Medo de Existir, finalmente o diagnóstico que permitia ter consciência da gravidade e alcance da doença.

Soares, aos 81 anos, queria voltar a ser Presidente da República pela terceira vez. Cavaco abandonou irresponsavelmente, enojado, o PSD e o Governo, só para se agarrar rústico ao seu sonho provinciano. Guterres e Barroso são a prova de que o crime político compensa. Freitas ziguezagueou entre o sonho e a realidade, um caminho cada vez mais idiossincrático e solitário. Adriano refugiou-se na aristocracia intelectual. Monteiro e Portas destruiram o CDS sob aplauso geral. O PCP substituiu esse soporífero Carvalhas, prova maior do fanatismo de Cunhal, por um Avô Cantigas afinado com a cassete. O Bloco é uma federação de groupies borboleteando à volta da estrela pop. Alegre é um velho jarreta, a caricatura narcísica e senil dos delírios adolescentes dos anos 60. Marcelo, com dotes para trapezista ou domador de leões, prefere ser palhaço rico e planeia dar espectáculos no lar de Belém. Pulido Valente, António Barreto e Pacheco Pereira, as três Graças do decandentismo opinativo, tão diferentes nas estratégias e metodologias, são iguais enquanto velhos gaiteiros, fazendo psicoterapia com textos que expressam pensamento, mas que não dão a pensar. Estes nomes, avulsos, são os que se apanham à mão-cheia na saca da memória recente. Por cada um, há mil réplicas com mil vezes menos talento e mil vezes mais ressentimento.

Os candidatos a presidente do PSD são os paradigmas obscenamente pífios da necrose do modelo. Manuela é o tipo de político que não ambiciona mais do que administrar o Estado como se fosse uma empresa recebida por herança. Santana é o tipo de político que não ambiciona mais do que administrar as regalias, prebendas e sinecuras, do exercício do poder. Passos Coelho é o tipo de político que não ambiciona mais do que administrar as regras do jogo que se esforçou por aprender e respeitar desde menino. E Patinha Antão é um tipo, que não ambiciona mais do que ser administrador, de qualquer coisa. Nenhum deles — como nenhum dos outros que inscreveram o seu nome na História por terem chegado ao topo da cadeia alimentar, e dos quais aqueles se imaginam pares ou epígonos destes — ambiciona transferir para a comunidade a administração do presente e futuro de Portugal. Porque, para isso, teriam de abdicar de si próprios e de tudo o que já fizeram, e estão dispostos a fazer, para continuarem quem são e o que são: oligarcas.


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Paulo Querido fez um sugestivo levantamento do estado da literacia digital dos candidatos ao PSD. Para lá de outros pontos de grande interesse que constituem a reportagem, como as comparações com exemplos internacionais e as diferenças entre políticos caseiros, retenho a declaração de Passos Coelho:

Estas eleições directas foram marcadas de uma forma algo inesperada. Por isso não houve tempo para planear uma campanha on-line tão completa como gostaria. No entanto, estou rodeado de um conjunto de pessoas muito criativas e competentes nesta matéria, e confio que conseguiremos dar um cunho mais interactivo e participado a esta campanha através dos recursos da web 2.0.

Dos quatro candidatos, Passos Coelho é aquele a quem não se perdoa estar desligado da actualidade. E, no entanto, pasme-se, fónix ó pá!, ei-lo a exibir o mesmo alheamento dos seus vetustos e gastos concorrentes — chegando ao despudor de se justificar com a mentira da falta de tempo para melhor preparação da campanha nesta vertente e espalhando-se ao comprido ao invocar terceiros muito criativos e muito competentes nessas matérias, no que é mais uma prova do seu perfil ultraconvencional, falando do que não conhece. Então, aquilo que parecia um pormenor de curiosidade no contexto da luta partidária interna, a chamada Web 2.0, e por ninguém valorizado por se considerar inútil na procura de importância junto dos militantes, revela-se a imagem de um estado e de uma cultura. O estado de obsessão com o próximo e o imediato, cegueira para a complexidade dos problemas e das soluções. E a cultura do providencialismo, alucinação egocêntrica e maníaca, que leva cada um destes indivíduos a conceber o exercício da política como a mera expressão das capacidades pessoais imaginadas.

Ao estudo do Paulo, colhe juntar o texto de Pedro Magalhães, saído a 19 de Maio no Público e aqui disponível. Intitulado Ignorâncias, pode ser lido como sub-reptício manifesto contra toda a classe política, onde se desata à estalada com luva branca — mas luva de boxe. Referindo-se ao inquérito que deixou Cavaco com lenha hipócrita para queimar, coordenado pelo próprio, Pedro faz o que tem feito noutros textos: ensina o bê-á-bá da perspectiva científica. Neste caso, vai buscar um livro com mais de 50 anos e numa só frase derruba a retórica e demagogia de celebrados comentadores e agentes políticos:

Num livro famoso, intitulado Uma Teoria Económica da Democracia, publicado em 1957, Anthony Downs explicava que a ignorância política dos cidadãos, independentemente de produzir ou não escolhas politicamente irracionais, era ela própria racional.

Vista por um cientista, a realidade está aquém do bem e do mal, é um organismo que se ama na exacta e correspondente medida em que se descobre. Os publicistas de jornal e televisão têm sido, entre nós, cultores da escola romântica da opinião, aquela onde o opinador reclama mais atenção para si do que para os objectos pensados. Concorrem com as figuras que analisam, projectam a promessa de lhes serem superiores e capazes de os substituir ou, em alternativa, cuidam de nada afirmar que seja politicamente comprometedor; isto é, que possa ter consequências que alterem as regras, explícitas ou implícitas, da sociedade. O mais frequente é não irem além da expulsão de bílis e chafurdamento na galhofa. Para um exemplo notável, porque completo, destes perfis onde o comentário político releva da vacuidade anticientífica mais serôdia, vide o Eixo do Mal, na SIC Notícias.

Uma das causas da imbecilidade portuguesa, e pouco falada, está no afastamento e inércia da academia. Esse absentismo de representação e intervenção pública, em especial das Ciências Humanas, mantém Portugal como terra assolada por um letal anti-intelectualismo. Mas ainda mais grave do que a degenerescência qualitativa da docência universitária, e do que a paupérrima quantidade das suas publicações, é a demissão política dos investigadores. Para quem quer manter a vaidade e tença catedrática, e não está nas tribos esquerdistas e clubes direitistas, o único cuidado, a mestria, está no nada dizer de arriscado, sequer ambíguo, porque o colete de forças aperta-se célere em quem mostrar os dentes à mão que o alimenta. O resultado é uma bafienta e asinina atmosfera na universidade portuguesa, reino pacóvio de mordomias e delírios de antanho. Pedro Magalhães, animal de nicho ecológico, aparece com uma refrescante presença: vai dizendo que o rei não está nu, antes estivesse, passeia-se é horrorosamente mal vestido. Políticos, jornalistas e opinadores constroem a metro, e à pressão, opiniões que não valem o tempo que se gasta a conhecê-las, e este amigo tem vindo a apontar algumas. Foi mais uma vez o caso com o inquérito aos jovens e respectivo aproveitamento desonesto pelo Presidente da República, apenas alimento para este clima de paranóia social em que se vive desde que Sócrates começou a abanar a velha carcaça. Lendo Cavaco nos vários discursos dedicados à problemática, chega-se ao fim sem ter encontrado uma única solução para o problema putativamente em reflexão…

A democracia é o regime no qual o Poder é atribuído ao povo, à comunidade. Este poder tem de ser transmitido e convocado, não ocorre espontaneamente. Ninguém passa a usá-lo sem exemplo prévio, porque é uma linguagem e uma simbólica, uma práxis. Por isso demorou tanto tempo a entrar na História, e por isso requer sociedades com os pés bem assentes na justiça e a cabeça levantada à mais alta liberdade; ou seja, requer uma Civilização. Como escreve o Pedro, saber escrever uma carta, organizar uma reunião ou fazer uma queixa num livro de reclamações, são competências fulcrais na aprendizagem da cidadania. Mas ainda mais importante, porque primeiro e mais vasto, é a capacidade para falar em público, para argumentar em diálogo, para interpretar e ouvir a comunidade. Há algo de monstruoso na passividade com que aceitamos enviar crianças para um sistema de ensino que não forma cidadãos. E há tudo de diabólico nessa inconsciência de não educarmos os filhos para a justiça e liberdade. Somos nós, sempre, os responsáveis — se democratas nos quisermos.

O que Portugal tem de melhor é o que qualquer comunidade, seja em que parte do Mundo estiver, tem de melhor: as pessoas boas. Uma pessoa boa, quase sempre, não alcança a fama nem a riqueza. Espalha o bem à sua volta, em tudo o que faz e não faz. E assim se mantém a realidade humana na sua pureza intemporal graças à acção conjunta dos bons: aqueles que nos fazem o pão, guiam os autocarros, tratam as doenças, guardam a rua, colhem a fruta, estudam saberes, prestam bons serviços aos outros, nem que seja dar uma informação ou sorrirem a quem passa. Por estarem tão fundamentalmente envolvidos com o invisível de cada um, ficam despercebidos, misturados, esquecidos. Mas quando calha chegar ao Poder uma pessoa boa, nesse mistério do rumo da História, dão-se saltos no desenvolvimento da Civilização. Se as pessoas boas soubessem o poder que têm, as pessoas más cagavam-se todas. E depois de um duche, convertiam-se.

Olhando para o PSD, vemos apenas seres assustados à procura de um refúgio onde melhor se possam defender de si próprios, dos seus medos. É que os maus querem imobilizar-se e proteger-se, por isso estão em selvática agitação, enquanto os bons estão cheios de confiança e curiosidade, repousam no movimento. Não espanta, pois, que nenhum dos candidatos tivesse conseguido transmitir uma ideia — uma qualquer — que nos puxe ou empurre seja em que direcção for.

32 thoughts on “Eppure si muove”

  1. Ufa. Demorou a ler — mas fiquei cheio. Uma prosa excepcional, Valupi. Evocando um velho camarada de reclado, já falecido, mete o joelho na virilha da sociedade, classe política à cabeça.

  2. muito bom, e muito.
    tudo, ou quase, tem uma dimensão política. bastaria um olhar crítico, não é?, parece tão pouco. fui uma daquelas adolescentes que cresceram sabendo muito pouco sobre quem estava no sistema político. no entanto bastava ouvir o meu pai a falar do passado e do futuro, do mundo e da geo-estratégia, das opiniões e da literatura, ou assistir ao temperamento reivindicativo e ecologismo precoce da minha mãe para começar a ter percepções e posições.
    a minha mãe tropeçava num ressalto do passeio e deva-se ao trabalho de apresentar queixa escrita na câmara municipal, ainda antes dos livros de reclamações.
    exigir não é reclamar aleatoriamente. exigir dá trabalho.

  3. Certinho o que eu àh muito tempo o digo!!Sò falta dire que o culpàdo é o Sé povinho.E vai ser assim justo aos fins dos dias.
    À foi deus que o quis que fosse assim

  4. Meu Amigo, nem imaginas como este post veio a canhar, tenho a casa cheio de militantes, acabadinhos de chegar, e ainda indicisos entre seguir as eleições do partido e o jogo da selecção. Vamos jantar daqui a pouco, mas não sem antes, imprimir uma cópia para cada um, deste teu incisivo texto.

    Mas por serem amigos, só o “ofereço” à sobremesa, não lhes quero estragar a refeição.

  5. muito bom Valupi – até quebrei o resguardo na fortaleza da alma para vir aqui dizê-lo, apesar de estarmos ao contrário sobre a taxa de juros do BCE. Mas a minha contenção estóica não é por ti, é por mim, e num certo sentido por outros

  6. Engraçado como se pode fazer uma análise sempre alicerçada na presunção de que a “classe política”, “os políticos”, ” os dirigentes partidários” não são apenas a emanação da sociedade que somos!
    Então em que ponto é que entra o povoléu?
    Ou esta História é sempre a dos Reis, das Rainhas e das Batalhas?
    O pessoal continua a ser enganado?
    Talvez seja altura de o alertar para esse facto!
    Chorar sobre o leite derramado, serve o quê?
    Quando é que vos vejo sinceramente envolvidos em promover a escolarização do pessoal?
    Quando é que apoiaram um ministro da educação que promove o trabalho, a valiação e as aprendizagens?
    Ou pensam que tudo pode vir do céu? Pela mão de iluminados?
    Que aqueles Países que vos fazem sempre inveja, chagaram lá por obra e graça do ES ?
    Quantas horas por dia e por semana é que trabalha um alemão? Ou um finlandês?
    E enquanto estudantes, era tudo de borla?
    Nos EEUU o crivo da ascenção social está mais no trabalho e na iniciativa do que na mera sorte e na família.
    O filho do Bill Gates vai ter de estudar e trabalhar. O pai não lhe vai deixar a fortuna!
    Em Portugal qq idiota, filho de idiota e primo de idiota, caso seja “In” e de uma das famílias de que falam as revistas, tem pelo menos uma dúzia de mepregos garantidos! e para toda a vida!
    Quando é vos ouvi a apoiar as medidas contra as mordomias dos políticos encetadas por este governo?
    Contra isso e contra muitas outras coisas.
    Cuspir para o ar…

  7. mferrer, entre outros disparates, destaco o respeitante às mordomias dos políticos. não foram encetadas por este governo, já são de longa data.

    e tinha-me esquecido de dizer quanto concordo com o que dizes sobre as pessoas boas, valupi: completamente.

  8. O texto é, de facto, uma excelente análise. Mas gostava de ver respondido o repto lançado pelo primeiro parágrafo do Mferrer que é mais do que pertinente.
    É que aquilo somos nós nas diversas «capelinhas» onde estamos…
    A classe política apenas se vê mais!

  9. Então agora és pago a metro, Valupi?
    Isto é que está aqui um sacana de um lençol que até manda ventarola. Comem todos, como se impõe, e com requintes de haute cuisine na prosa.
    Enchemos a pança de palavras, quando pisas o teclado como se fosse um acelerador. Ou, por coerência temática do comentário, quando abanas a brasa do grelhador…
    Boa malha, sim senhor.

  10. Meus amigos, sois mui generosos e complacentes. Sorte a minha.
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    Paulo, os meus parabéns (irei fazer um post a propósito, antecipo) pela tua cobertura jornalística, mediática e apostadora destas eleições do PSD. Em todos os sentidos, foste exemplar.
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    isabel faria, folgo em saber. Espero que não tenhas tido nenhum desgosto até ao fim da leitura.
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    susana, e filha da mãe sabe reclamar?
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    canuck, dizes bem.
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    João, vê-se que és amigo dos teus amigos.
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    z, se discordamos sobre a taxa de juros BCE, isso faz de nós pessoas altamente sofisticadas. Talvez só haja uma centena de indivíduos em Portugal nessas condições.
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    MFerrer, diriges-te a um plural, um colectivo, que não está representado no meu texto. Por isso, não entendo a tua queixa.

    Quanto ao teu primeiro parágrafo, e por sugestão do Politikos, não posso concordar mais: nós somos os responsáveis pelos políticos que elegemos. É também, e muito, por isso que me interesso por política, ao ponto de escrever publicamente sobre essas temáticas e problemáticas. Se leres o que escrevi acima (obviamente, leste outra coisa), constatas que a mensagem é essa e só essa: os responsáveis pela democracia são os democratas – nós, os que de nós forem cidadãos.
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    Politikos, a classe política não se limita a estar mais à vista, ela exerce o Poder. A sua acção pede uma fiscalização especial e constante.
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    shark, isto é mais uma das consequências perversas do aumento dos combustíveis: não posso ir passear de popó, então fico em casa a escrever testamentos, pois o preço do caracter ainda não aumentou. É assim, e a culpa é do Sócrates, escusado seria dizer.

  11. Valupi, claro que exerce o Poder (mantenho as maiúsculas). Claro que se tem de exercer sobre ela uma «fiscalização especial e constante». Totalmente de acordo, quanto a isso. Corremos é o risco de acabarmos entregues a gente que nunca lá devia chegar. Isto porque os melhores não estão para ser enxovalhados de todas as formas e feitios. E temo que tenhamos um peso para nós e outro, diferente e bem superior, para os políticos?! Por exemplo, andamos a apear gente que não pagou uns «trocos» de uma sisa mal explicada (falo por exemplo do Vitorino), e se calhar – é mais do que certo – que quem escreveu sobre isso e averiguou também não a pagou. Chego a perguntar-me quantas pessoas não terão rejeitado cargos políticos por causa, por exemplo, da porcaria da sisa! Parece que queremos uma espécie de virtuosos na política! Ora isso não existe em lado nenhum! Os políticos saem do colectivo que nós somos.

  12. Para além de algumas frases e análises com que posso e todos podemos estar de acordo, trata-se de um texto globalmente muito pessimista, produto de concepções idealistas e maniqueístas, sobretudo confusas, da política (a democracia como poder assumido e exercido directamente pela ‘comunidade’, o papel salvífico dos homens ‘bons’ ou ‘melhores’, a apologia do elitismo académico), que te fazem descambar para as estafadas tiradas anti-classe política ou para os rasgos à Fialho de Almeida como: “Os candidatos a presidente do PSD são os paradigmas obscenamente pífios da necrose do modelo.”

    No meio destes arrancos de retórica oitocentista, sobra-te tempo para arrepiares caminho e elogiares as análises científicas do Pedro Magalhães…

    Estou absolutamente em desacordo com os “30 anos perdidos para a cidadania, a democracia e a liberdade; ou seja, 30 anos de estagnação e marasmo cívico”. Penso o contrário, exactamente o oposto. A tua visão da política portuguesa como um salazarismo que trocou de pele é uma visão rotundamente falsa. Não é por acaso que utilizas muito na tua análise, como os escritores políticos oitocentistas, as analogias organicistas e biológicas, ferramentas inapropriadas para compreender a política, mas adequadas para mistificações.

    Prefiro um milhão de vezes ver o Patinha Antão a discutir descidas de impostos e privatizações com o Santana e a Leite do que chupar com uma nota oficiosa do Salazar, uma conversa em família do Caetano ou um esgar revolucionário de Vasco Gonçalves. Prefiro um autarca prevaricador que é filado pela comunicação social e perseguido pela justiça a uma câmara ‘honesta’ nomeada por uma ditadura. Prefiro mil mentiras da imprensa livre a uma verdade da imprensa censurada. Prefiro políticos preocupados com questões práticas a vendedores de ideologias estéreis e ilusões perigosas.

  13. Politikos, o exemplo do Vitorino (mas ainda mais o de Santana, e ainda Ferreira Leite) é prova da indulgência e mutável memória que abençoa os políticos. Obviamente, a sua demissão em 1997 parece hoje bizarra. E, de facto, foi-o, porque Portugal é um país onde não se cultiva a responsabilidade pública. Mas em 2005 era ele que o PS, e toda a sociedade, desejava como chefe e próximo primeiro-ministro. Até Sócrates declarou que só avançava se Vitorino recusasse a oferta. E ele recusou. Portanto, não houve nenhum impedimento relacionado com escrutínios mais rigorosos, excessos de zelo ou exigências de santidade. Ainda mais notável é o caso de Santana, um político incompetente e playboy, que se vê a recolher um terço dos votos dos militantes do seu partido em 2008, depois do que já exibiu.

    Precisamente por saírem do colectivo que somos, é que há esta necessidade de escolhermos os melhores. Sempre assim foi e será. E a qualidade mede-se pelas ideias e pelas acções.
    __

    Nik, agradeço a tua atenta crítica. Concordo com tudo o que dizes, por ser a tua opinião. Não creio é que tenhas entrado em diálogo com o texto, pois te ficas pela adjectivação; mas isso também não te era pedido, como é óbvio. No entanto, tentarei levar o texto a dialogar contigo.

    Repara: o salazarismo como regime é distinto do salazarismo como cultura. Tu dizes que abominas o primeiro, mas não te referes à presença do segundo. Ficas com o argumento a meio, e a parte publicada é nada. Eu não conheço ninguém que prefira o Portugal anterior ao 25 de Abril (ou o PREC, já que o referes). E conheço muitos que não sabem por que razão Portugal é ineficaz na criação de riqueza. A pobreza é uma característica estrutural do salazarismo, e explica a baixa qualidade dos nossos agentes económicos, dos empresários aos trabalhadores ao longo dos 30 anos de democracia. Basta ver como, nos anos 90, se desbarataram em fúria e festa todos os fundos recebidos da Europa. Foi um saque típico de sociedades miseráveis e ignorantes.

    Conseguir ver a realidade não me parece pessimista, bem ao contrário. Quem fala com o próximo arrisca-se a aprender e a mudar de ideias – é essa a minha disposição. Trata-se de um optimismo, mesmo que te pareça simples demais para o teu palato.

  14. Não acho nada que a pobreza seja um característica estrutural do salazarismo. Acho mesmo que essa afirmação desafia a firme realidade dos números. Vê as taxas de crescimento económico sobretudo do pós-guerra, incluindo a taxa de crescimento dos salários. Para sermos sérios, só poderíamos fazer essa afirmação numa comparação de longo prazo. Ora tanto antes como depois do salazarismo, o crescimento económico e o dos salários reais foi inferior, mesmo com as enormes injecções de fundos europeus. Para mais – não por mérito do salazarismo, é certo – a emigração dos anos 60-70 colocou um milhão e meio de portugueses a trabalhar por salários europeus e norte-americanos e a repatriar esse caudal de dinheiro bem suadinho lá fora, que arrancou milhares e milhares de aldeias e famílias portuguesas à miséria multi-secular.

    A estabilização da inflação pelo governo de Salazar antecedeu de muito a estabilização da inflação que, desde os anos 80, acompanhou a nossa entrada na CEE/UE. Como sabes, a inflação é a maior máquina de produzir pobreza, sobretudo em situação de estagnação ou crescimento económico incipiente, como nos dez anos que se seguiram ao 25 de Abril.

    O nosso atraso (conceito sempre relativo, como o da pobreza) é muito anterior ao salazarismo, ao século XX e mesmo ao século XIX. Sobre as suas causas e a sua permanência (ou não) têm escrito vários historiadores económicos de leitura instrutiva, o último e o melhor dos quais se chama Pedro Lains. Tem um site: http://pedrolains.typepad.com/pedrolains/ , que serve para uma aproximação à sua obra dele. Uma das coisas que ele tem mostrado, é que mesmo nos indicadores não puramente economicistas, o Portugal do Estado Novo compara bem com os períodos que o precederam e sucederam, e mesmo com muitos países estrangeiros.

    A questão que poderias pôr, a meu ver, era outra: poderia o Portugal pós-II Guerra ter evoluído economica e socialmente melhor e mais depressa do que realmente evoluiu? A esta questão platónica e quase metafísica seríamos todos tentados responder que sim, porque parece óbvio e nos dá consolo. Mas não é nada óbvio. O velho Botas não teve chispa, nem imaginação, nem visão futurista para operar um milagre económico. Sobretudo, tinha um medo patológico da liberdade e da democracia, a que por junto chamava ‘comunismo’ para disfarçar. Mas se fores ver os países que operaram tal milagre no mesmo período, verás que são países que, apesar de destruídos pela guerra, já estavam num estádio de desenvolvimento económico, cultural e civilizacional mais avançado do que Portugal.

  15. Aquilo que Salazar não fez, aquilo em que realmente estagnou e empobreceu Portugal, foi em matéria de liberdade (política, económica, cultural, social e religiosa), em matéria de direitos do povo, de aprendizagem e exercício da cidadania, de elevação da população portuguesa para fora da menoridade política em que sempre tinha vivido, tirando curtos períodos de mudança. A censura, a perseguição de quem pensava diferente, a sufocação da vida político-partidária, a castração do ensino, o condicionamento da iniciativa privada, o agrilhoar da concorrência foram alguns dos seus instrumentos, com os quais Salazar provocou estagnação e até um grande retrocesso na vida social e nas mentalidades.

    Claro que esta herança, a verdadeira ‘pesada herança’ do Estado Novo, marcou gerações e repercutiu-se nas décadas do pós-25. Em 1975, toda a gente achou por bem cantar loas à maturidade do povo português para a democracia, uma vez que não tinha havido desacatos nem mortes nas primeiras eleições. Grande erro. Os portugueses não estavam preparados para a liberdade nem para a democracia, pela simples razão de que a única preparação que há para essas duas coisas é a vivência delas que a fornece. Os desatinos colossais dos anos revolucionários mostraram-no bem. Os atentados à liberdade e à democracia começaram pouco depois do início da revolução. A grande maioria ignorava um dos pontos essenciais da vida em liberdade e democracia: o Estado de Direito, o respeito pela liberdade e direitos dos outros. A intolerância e a opressão mudaram de mãos, passando a servir os ‘trabalhadores’, que nunca ninguém soube quem eram. O povo, quase virgem de vivência política, analfabeto da tolerância, não entendeu nem soube lidar com os seus novos direitos. As classes esclarecidas fizeram-se notar pela irreflexão, pelo seguidismo em relação a programas estéreis e ideias mortas, pela adesão entusiástica às extravagâncias políticas provenientes do caixote do lixo dos países mais desenvolvidos. Os capitalistas, desprotegidos do Estado caceteiro de que eram cúmplices e usufrutuários, ficaram aterrados, debandaram em todas as direcções.

    Não foi fácil, nos últimos trinta anos, lidar com as sequelas do salazarismo e da revolução. Mas assistimos à instauração e consolidação de um sistema político assente no sufrágio universal em eleições livres. Ao despertar e consolidação do poder autárquico, única grande e efectiva realização do ideais municipalistas no século XX. À espantosa massificação e democratização do ensino, que faz hoje de cerca de 40% dos jovens portugueses candidatos a um curso superior (eram 3,5% nos anos 60). À revitalização da vida política, ao surgimento de novos partidos e movimentos, à libertação da informação, à consagração do debate público permanente sobre todas as questões que interessam ao país, ao estabelecimento de regras e hábitos de luta política livre e leal, à instauração de mecanismos cada vez mais aperfeiçoados de avaliação e controle da actividade dos eleitos. Qualquer semelhança com o Portugal salazarista é acidental.

    Fico por aqui; muito mais haveria a dizer, mas tenho que fazer.

  16. Valupi, ainda sobre o Vitorino, não me diga que queria que o homem ainda hoje pagasse por causa daquela sisa do monte alentejano sobre a qual afinal até se concluiu que não havia grande coisa a apontar. Até na justiça, que funciona como sabemos, a falta expia-se com a pena. Não me diga que queria que isso ficasse numa espécie de cadastro eterno?!
    Sobre o Santana, pessoalmente ainda estou para saber porque razão ele foi apeado. A governação foi desastrada mas duvido que, se ele não tivesse chegado ao poder do modo como chegou, Sampaio tivesse aplicado a célebre «bomba atómica». O homem governou logo diminuído pela origem da sua legitimidade.
    É evidente que somos bastante mais tolerantes para com as outras classes e muito menos para com os políticos e isso pode-se voltar contra nós.
    Volto à sisa, v. pagou-a toda? E se fosse político, levava logo o labéu de «aldrabão». Ora, por esse critério, aldrabões somos todos quantos pagamos menos sisa do que a devida. isto só para falar neste exemplo.
    E com esses dois pesos e duas medidas, podemos estar a criar um caldo qualquer do qual sairá não se sabe muito bem o quê! Historicamente, porém, todos conhecemos porque é que falhou a 1.ª República!

  17. Está interessante pás, essa discussão. Mas creio que o Botas fez da estabilidade do Escudo a religião do Estado, né? Aliás ele era doutorado em circulação fiduciária e apareceu em cena a seguir à encenação Alves Reis, que com os seus Vasco da Gama reeditados salvou a economia nacional da falência provocada pela cobrança das dívidas da Grande Guerra pela chulice inglesa que nos arrastou para ela via Tratado de Windsor, reclamando o apresamento da frota alemã no Tagus.

    E depois cobrou a dívida com juros. Não se esqueçam que a Inglaterra reccuperou o padrão ouro para o esterlino à custa das Reservas de Portugal e essa foi a razão próxxima porque a I Republica afundou. Para atestar tudo isto lá partiu o Portuguese diamond, o Braganza, segredo de Estado, o maior diamante azul do mundo…

    o UK ainda nos deve reparação, mas não: exercitaram o blame the victim e nós cumemos, assimilámos, agradecemos e reproduzimos, dirigido contra nos próprios, como se fossemos mais inteligentes. Metapolítica.

    Por isso é que houve mãozinha de Deus naquele penalty que o beckham falhou no euro 2004. Eu não vos digo para onde apontava então o meu laser…

    estoicismo lusitano: volto para o caralho da minha fortaleza d’alma

  18. val,
    interessante abordagem, melhor análise.
    (uma pena não teres desenvolvido o tema, ficando-te por estas escassas linhas)

  19. E foi tudo dito , explicado claramente. E agora , diagnosticado ( e bem ) o problema , fazemos o quê?

  20. A falta de interesse pela política está resumida na minha pergunta. Somos enganados , chulados , e apresentam-nos díagnósticos que já todos intuímos, mas nunca planos de acção práticos de mudança. Ora , teorias sem prática valem zero.
    E que tal , os informados , promoverem referendos de iniciativa popular que nos dêem instrumentos de efectiva fiscalização da actividade política?
    E que tal , os tipos , ganharem à percentagem do valor que produziram? Estes , dos últimos 30 anos , tinham de devolver montes de massa. E bem precisávamos que nos fosse devolvida.

  21. Nik, a economia é uma ciência humana, de interpretação e reflexão, por isso se encontram diferentes perspectivas, diferentes critérios, diferentes visões. O que não se pode dizer, seja em que caso for, é que o Estado Novo não se apoiou na pobreza, porque essa é uma realidade objectiva e imune a qualquer dúvida. É a pobreza que está na origem da emigração desqualificada e generalizada, e foi a pobreza que espantou os estudantes universitários dos anos 60 que foram prestar ajuda aquando da cheia de 67 em Lisboa. É daí (e da Guerra Colonial, claro) que vem o toque a rebate de uma geração que iria, 10 depois, chegar ao poder.

    A riqueza de uma nação é, mais do que tudo, a qualificação dos seus recursos humanos. No Estado Novo, o projecto era oligárquico, permitindo-se que umas famílias controlassem a banca e a indústria, que uns poucos pequenos e médios burgueses ganhassem uns trocos e que o Estado controlasse tudo e todos. Por isso se chega a 1974 com um país que tem taxas de alfabetização, escolaridade e frequência universitária muito abaixo da média europeia, e muito abaixo do que poderíamos ter tido caso as opções tivessem sido outras, e muito abaixo do que precisávamos para criar riqueza e reformar a Nação.

    E é disto mesmo que falas no teu excelente comentário das 19.44 (no que contradizes o teu anterior, e ainda bem). Porque sendo verdade que se podem ir buscar causas do atraso português até em Alcácer Quibir, foi o salazarismo que moldou a geração que fez o 25 de Abril e depois assumiu o poder. Até a facilidade, a rapidez, com que se mudou de regime foi propício à manutenção da cultura e das regras tácitas. É preciso ver, por exemplo, que quase nenhum dos milhares de pides e informadores sofreu fosse que pena fosse. A 26 de Abril continuavam secretamente os mesmos, com as mesmas ideias (ou falta delas), apenas agora com outros nomes para decorar.
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    Politikos, foste tu que trouxeste o Vitorino à baila, daí ter falado nele e precisamente para relevar o facto de ninguém estar preocupado com o episódio do imposto. Eu não tenho nada contra as falhas, erros, pecados dos políticos. Por exemplo, estou-me a marimbar para as eventuais tropelias do Sócrates com o curso, as casas e os cigarros. Já com as suas decisões políticas, gostava que todo o País estivesse vigilante.

    Na questão do Santana, não se sabe publicamente o que esteve na origem da decisão de Sampaio, mas deve ter tido origem em informações relativas a uma conduta descontrolada no exercício da função, não no modo como o cargo lhe veio parar às mãos. Sampaio teve muito tempo para reflectir e preferiu manter o quadro parlamentar. Foi uma boa decisão, tão boa como a destituição de Santana meses depois.
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    z, tens aí bom material de reflexão. Traz mais.
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    Rui, dizes muito bem: nem sequer deu para desenvolver o tema. Aliás, os temas, pois liguei dois.
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    soluções?, a mudança também depende de ti, do que tu mudares por ti e em ti. Não faltam ocasiões para ter um papel politicamente relevante e decisivo.

  22. Não contradigo nada. A pobreza de que falo nesse comentário não é a mesma de que falo no anterior.

    Quanto às tuas dúvidas sobre o que dizem os economistas (neste caso, os historiadores económicos), sempre as tive. Sei do que falo, porque tenho formação económica. Mas eu falei de números, não de interpretações ou modelos explicativos de economistas de diferentes escolas. Falei de estatísticas indiscutíveis, que revelam taxas de crescimento do PIB e dos salários reais que não são ficções. Concordarás que, quando se fala de pobreza, é a penúria material que ocorre primeiro à ideia. A pobreza de que eu falei em segundo lugar, era outra, mas não reparaste, se calhar. Se não distinguirmos as coisas e não fizermos justiça aos dados reais, caímos na retórica impressionista e metemos água por todos os lados. Acabamos por descredibilizar o conjunto daquilo que afirmamos ou defendemos, com as verdades e as mentiras misturadas.

    O pessimismo percorre muitas das afirmações que fazes, inclusive esta última: “Foi o salazarismo que moldou a geração que fez o 25 de Abril e depois assumiu o poder.” É verdade só em parte. O resto é a tua visão negra. Os portugueses não eram robôs passivos na cadeia de montagem do regime. Muitos reagiram a essa formação e tornaram-se no contrário do que o gajo de Santa Comba queria. O português, mesmo com ditadura, mesmo com pouca cultura, é desconfiado, é crítico, exige prova, esforça-se por distinguir, discernir, avaliar com independência.

  23. A pobreza pode ser vária, de facto. Mas a minha noção diz respeito a números relativos à população, não ao Estado que dava a uns poucos e retirava a quase todos. Com o Estado Novo houve desenvolvimento económico para as famílias da indústria e da banca, mas o rendimento per capita e o nível da educação eram os mais baixos da Europa. Salazar concebia Portugal como uma nação rural com bolsas de desenvolvimento económico industrial. Mas nunca apostou na ciência e na cultura, pois isso iria demolir o sistema. Se isto para ti não é pobreza, podes levar a taça que ela não fica aqui bem.

    Pessimismo? Por querer viver em democracia, com justiça, livre? E por considerar que é a comunidade que deve arregaçar as mangas, acabar com as lamúrias e exercer plenamente o seu poder político?… Fosga-se, tens o gatilho leve. Não está em causa o mérito dos que lutaram e fizeram o 25 de Abril. Não duvido das boas intenções e generosidade de muitos que nos governaram nestes 30 anos, mas é pouco. E saber que é pouco, querer mais, é aquele tipo de pessimismo que me enche de esperança e alegria.

  24. A minha teoria até vale. Começou na educaçâo e num pai que se estava lixando para as tretas de trabalho infantil( atirei-lhe montes de vezes à cara que era um cabrão não me deixar disfrutar de uma infância à séria sem quaisquer tipo de preocupações , mas hoje agradeço-lhe; também me ensinou que fiado- cartões de crédito e bancos-., só quando tinhamos certeza absoluta de poder pagar e se fossem coisas absolutamente indespensáveis, porque eram uns ladrões. Small is beatifull( tá bem escrito?) foi o que me foi ensinado , em casa e no colégio marista( bué caro, mas que me fez definir prioridades e portanto , compensou). Sei bem que casa sem cozinha ( agricultura e pesca) jamais poderá sustentar uma sala ( estádios , tgvs , aeroportos , pcs,e coisas parecidas). E a casa de banho , aquelas coisas da saúde , também vêm primeiro que os enfeites.
    Portanto , pessoazinhas com projectos de salas sem termos cozinha e casa de banho , são para mandar pelo autoclismo abaixo. Aparentar é idiota. Tipico daquela coisa do circulo vicioso da pobreza. Somos pobres. Qual é o mal? Há qe sair da pobreza dando importância às necesidades básicas e meter num sitio que eu cá sei a cagança.

  25. “mas o rendimento per capita e o nível da educação eram os mais baixos da Europa.” Isto foi você que disse Valupi. E qual é a diferença de Portugal actual? tenho lido para aí que estamos na cauda da Europa em rendimento per cápita e em ileteracia. Acho graça , sério , quando dizem que Portugal assim e assado no tempo da outra senhora ( eu gosto da teoria anarquista: todos montes de conscientes dos nossos deveres antes de reinvidicarmos direitos) e não dizem que em termos europeus estamos na mesma hoje em dia.

  26. É isso, não há diferença. Para além daquela que há por ter de haver. Mas a mentalidade salazarista continuou a moldar os 30 anos de democracia. Por isso criar riqueza tem sido tão difícil e pífio.

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