João Miguel Tavares e André Ventura, unidos à nascença

João Miguel Tavares e André Ventura são dois casos miméticos de sucesso meteórico e retumbante na sociedade portuguesa.

O primeiro, até Sócrates o ter processado em 2009 por causa do artigo “José Sócrates, o Cristo da política portuguesa”, era um banal e irrelevante colunista sem conotação ideológica definida. Depois desse episódio, extremado por Sócrates que esgotou todos os meios judiciais na procura de uma reparação, este Tavares tornou-se numa super-vedeta da indústria da calúnia e do laranjal. Rapidamente, saltou do DN para o esgoto a céu aberto. Os 10 anos seguintes foram de crescente, sistemática e maníaca exploração do filão. A um ponto tal que, chegados ao início de 2019, ele já era uma anedota desvairada no seio da própria direita, a começar a perder a paciência para a sua obsessão disfuncional por ser agora fétida canalhice que se ia voltando contra os direitolas que não o coroassem como magno herói das Grandes Guerras Socráticas. Foi nessa fase de esgotamento da fórmula que lhe caiu na vaidade, ex machina, uma das mais altas honras da República: presidir à comissão das comemorações do 10 de Junho. À esquerda ouviram-se raríssimos e abafados protestos de indignação pela degradante afronta. À direita não se conseguiu esconder o espanto com o atrevimento burlesco de Marcelo e soltaram-se alarves gargalhadas com a justificação dada pela Presidência para a escolha, isso de ser uma homenagem ao “jornalismo”. O regime, portanto, validou e celebrou um caluniador profissional apenas e só por ser um caluniador profissional ao serviço do assassinato de carácter de Sócrates e do maior número de personalidades socialistas, e afins, que conseguisse apanhar na sua linha de tiro mediática.

O segundo, até Passos Coelho lhe ter oferecido o PSD como plataforma política, não passava de um comentador chunga que aparecia num canal por cabo chunga a falar de futebol com outros chungas. Qual o seu o currículo, à data, para Passos o escolher como cabeça de cartaz na importantíssima Loures? Uma simples publicação no Facebook em 2016, onde atacava os muçulmanos na Europa no contexto de um atentado em Nice, juntamente com as técnicas de emporcalhamento afinadas na CMTV, fizeram de Ventura o espécimen ideal para uma experiência inovadora em Portugal: testar junto de um eleitorado onde existissem conflitos sociais, insegurança e racismo larvar um discurso securitário e de xenofobia populista sob a chancela de um dos partidos fundadores da democracia. A obscena intenção foi tão descarada que o CDS-PP, honra lhe seja, decidiu romper a coligação com o PSD para essa autarquia. Nada que perturbasse o vale tudo de Passos e seus tenentes, bêbados de rancor por causa de 2015, que subiram para o palco com Ventura e lá ficaram a chocar o ovo. Depois Passos recolheu-se em Massamá à espera de uma manhã de nevoeiro e Ventura saiu do PSD para ir a Fátima aprender a fazer milagres. 5 anos mais tarde, o Chega é a terceira força política no Parlamento e a normalização de quem despreza os direitos humanos, de quem ameaça destruir os pilares constitucionais e de quem pretende instituir uma ditadura policial vai de vento em popa na “imprensa de referência” e no consulado de Rui Rio à frente do PSD.

João Miguel Tavares e André Ventura cultivam com fanatismo babado e asinino a imagem de Passos Coelho. Pintam-no como chefe mítico de uma direita triunfante, imperial. Uma direita capaz de correr os piegas a pontapé para além-fronteiras e de prender os adversários políticos por razões políticas. Daí a sinergia de agendas, o trabalho de influência que o Público e a TVI/SIC (até ao ano passado também a TSF) exercem ao darem ao caluniador profissional um prestígio máximo como moralista da Grei. Acham que o podem controlar, por não passar de um videirinho, e que entretanto a chicana contra o PS justifica os métodos mais sórdidos.

Enquanto o linchamento de Sócrates for mais importante do que o Estado de direito democrático para a comunidade que somos, o Chega continuará a crescer pois não passa da evolução lógica do que a oligarquia ordenou que o PSD fizesse a partir de 20 de Junho de 2008. Há um ecossistema político e mediático cristalizado onde se pratica o ódio político e se despreza a coragem constitucional. João Miguel Tavares e André Ventura enchem os bolsos à conta dessa decadência, dessa desonra colectiva.

20 thoughts on “João Miguel Tavares e André Ventura, unidos à nascença”

  1. !tanto! riso o meu, !ai!, sobre coisas tão sérias, tão bem explicadas, tão verdadeiras sobre, chungaria a valer, a verdadeira miséria humana.

    e é por estas e por tantas outras coisas que todos os dias eu me apaixono. é assim.

  2. poizé… lembro-me bem quando aparecias por aqui a recitar as odes que o tavares dedicava ao sócras no curral da manhã.
    agora plantas lolada chunga em canteiros de pontos de exclamação. deves pensar que somos todos camacho, né tansa?

  3. Precisamente, Valupi, ambos são a face da mesma moeda; um em versão chunga, bandido, assaltante, ameaçador, mau vendedor de feira e banha da cobra que, mal se ouve, logo se topa o fingimento, a encenação, a gesticulação grotesca para meter medo e arregimentar, exactamente, os atrasados e o lumpen dos medrosos armados em fortes; o outro em versão jornalista de opinião, intelectual pretensioso interesseiro, tal como o outro, oportunista com um projecto político em mente de ultra direita disfarçado de liberal.
    Se, para nosso azar, os ventos políticos um dia viessem a correr bem ao Chega o Tavares seria o ideólogo ideal do ventura; são da mesma massa e complementam-se perfeitamente.

  4. Igualmente unidas à nascença estão duas das qualidades mais salientes no nosso bom amigo mula russa: a obstinação no erro e a incapacidade de dar o braço a torcer quando faz asneiras.
    Os brasileiros chamam a isto orgulho besta. Orgulho e besta: duas palavras que, de facto, no nosso mula casam na perfeição. O orgulho cumprindo a função de encher o ego duma besta mular. Que todos os dias almeja ser cavalo de troia mas nunca passa de burro. E temos assim um mula-burro que mete dó.

  5. Valupi hoje perdoou todas as outras vezes em que não escreves exactamente o que eu quero. Ai esta paixão. Esta geração dos 40/50, aquela que os pais e a escola usaram, os primeiros para exorcizar o Deus, Pátria e Família e a segunda porque foi inoculada com vacinas aldrabadas acerca das fórmulas para ensinar e educar jovens. Foi nisto que deu.

  6. josé sócrates é tão pulha como o tavares : Deus dá-os e eles juntam-se. e o pai do chega é mesmo ele , o rei sol da república dos bananas , o narciso maior , o socialista capitalista emprestadado .

    e o ventura precisa do passos para quê? para cozinhá-lo a caçador?

  7. Porcalhatz das 11:11, pide infiltrado, provocador aldrabão, não invoques o meu santo nome em vão, cabrão.

  8. A yolinda, mesmo ao fim destes anos todos de boa escola valupiana, continua estúpida, ou provocadora, mas sempre igual a si própria.
    Mostra lá uma prova, mínima que seja, de pulhice de Sócrates, se a tens, que do Tavares tens provas de pulhice todas as semanas no “público” na “sic” no “observador?” e em praticamente todas as vezes que abre a boca investido de autoridade intelectual como daquela vez que o Marcelo o convidou a falar aos portugueses e saiu um discurso do “nós” e “eles” tão parecido ao programa do Chega que o próprio Ventura subscreveria alegremente.

  9. Estes dois personagens funcionam como marionetas nas mãos dos seus mentores. O JMT, depois que foi encher o papo e a moleirinha ao Observador, passou a ter outro fôlego, mais douto na vileza.

  10. exmos senhores,
    relativamente à situação que a todos nos apoquenta, se bem que a uns mais do que a outros, sinto que um dos principais factores a considerar é a pouca frequência de posts, que obriga os comentadores residentes a libertarem toda a sua pressão num espaço demasiado confinado, originando um ciclone de comentários que nos dão aquela sensação estonteante de termos chegado a meio do filme e este ser uma merda.
    reparem como ainda recentemente, quando houve mais do que um post diário, foi possível algum esclarecimento acerca dos temas propostos pelos autores, sem prejuizo da tentativa de resolver o dilema de se o camacho é um boi ou o ignatz é que é um corno.
    assim, proponho um post diário sobre a telenovela e outro sobre as muralhas da cidade.
    sem mais de momento, cordiais saudações e tal

  11. !ai! que riso: o teste está a pedir o NIB para efectuar transferências. mas atenção que quem faz o preço a pagar sou eu. e é, pois claro, à linha.

  12. Está excelente. Mas temo que não dê direito a queixa crime. Eles merecem inteiramente os comentários. Repugnam ambos.

  13. existe um processo para extinguir o chega por constituição ilegal com assinaturas falsas e programa que atenta contra a constituição da república e um jogo de empurra entre o ministério público que retem o processo e o tribunal constitucional que legalizou indevidamente o partido e agora diz que não tinha meios justiça, investigação, polícias e forças militares há muito que foram capturadas pelos zeros e negacionistas.
    agora tem um partido que lhes dá voz no parlamento, não pensem que foi por acaso ou esperteza do zé aldrabé, é um plano a longo prazo dos fachos, que negam ser fachos, e pretendem usar a democracia para a destruir em nome das liberdades individuais e mais uma série de liberdades anarco-capitalistas.
    tá na hora de apertar com o célinho e o que resta do psd para se definirem acerca dos fachos e ilegalizar essa merda que já vamos tarde.

  14. Nós e eles, todos já bem sabemos, embora alguns ainda finjam que não: são dois pulhas, cada um à sua maneira. Não seria pois preferível desprezá-los, ignorá-los, não falar deles, não lhes dar voz, ou evitar dar-lhes, o que, infelizmente, não acontece, verdade seja dita, da parte dos jornais e da TV. Por muito que concorde com a certeira denuncia de Valupi

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