Exactissimamente

Num mundo perfeito, não haveria uma única pessoa disposta a dar pontapés no Estado de direito. No mundo real, exige-se a quem quer ser primeiro-ministro sentido de Estado. Vem isto a propósito de Rui Rio, presidente do maior partido da oposição, ter comentado as conferências de imprensa da PJ sobre a captura de João Rendeiro desta forma: “Pelos vistos, o azar de João Rendeiro foi haver eleições em janeiro.” Não foi André Ventura que escreveu isto, foi Rui Rio. O presidente do PSD inaugurou o tema que desconhecíamos, o da eventual partidarização da PJ, imagine-se, porque a PJ fez o que lhe competia, merecendo o aplauso do país e esta reação de Rio digna de aplauso de um Bolsonaro. A atitude do presidente do PSD é assustadoramente reveladora do perfil de primeiro-ministro que imagina normal, um perfil que nos ofende enquanto comunidade e um perfil que embaraça quem quer substituir António Costa. Depois das declarações aqui transcritas seria justo perguntar a Rui Rio se vê na decretação da prisão domiciliária para Manuel Pinho uma manobra eleitoral para prejudicar o PS. A questão que se coloca é de percebermos que quem quer servir a coisa pública tem de debater os problemas da justiça com seriedade e serenidade, dirigindo-se a um país de cidadãos adultos e racionais, ao invés de procurar explorar ressentimentos e o divórcio entre o Estado e cada um de nós.


Isabel Moreira

13 thoughts on “Exactissimamente”

  1. não consigo ler todo o artigo da Isabel, porquê que a Isabel não escreve mais aqui?, antes escrevia, gostava muito, mas este excerto é uma excelente reflexão que nos leva ao clima mediático gerado pelo caso Sócrates – e também a uma das bandeiras de Rui Rio, no âmbito da reforma da justiça em portugal, desde 2018. nesta, que vem sendo a frustração daquele que tanto me tem envergonhado até aos ossos, o Rui propõe o combate à morosidade dos processos, alterações na composição dos conselhos superiores, uma justiça mais acessível e mais transparente. até aqui tudo muito bem. mas e então a coerência, Rui? então a coisa e tal de que a justiça é um bem essencial a toda a comunnidade, que tem de haver comprometimento e nudez de preconceitos de ideologias e partidos com celeridade e transparência? não está a acontecer isso tudo fora de si menos na paridade com aquilo a que se propõe?

    o Rui parece aqueles homens e aquelas mulheres de soalheiro que inventam os selos nas cuecas dos outros, dos outros que as lavaram no tanque, que estão a corar.
    isto cansa (me).

  2. Rui Rio até pode ter um estilo meio bronco, mas parvo é que ele não é.
    Rui Rio até tem razão no que disse. Não sejamos ingénuos, só não vê quem não quer, basta andar aí pela vida quotidiana.
    No entanto reconheço que R.R. tem de melhorar as intervenções públicas, não pode por da boca para fora o que lhe vai no conhecimento e no coração. E se quer ser primeiro-ministro tem de começar a pensar no que, e como, quer fazer para melhorar a coisa.
    Claro que percebo o escrito da Isabelinha. Faz parte dos iluminados, da casta.

  3. Mas ainda há quem tenha ilusões sobre Rui Rio, que lhe dê o benefício da dúvida, depois dele ter aceite o apoio do Chega nos Açores e só estar à espera que o Ventura modere a linguagem para lhe abrir os braços e agradecer-lhe os votos? O Rui Rio que, como diz o mesmo, tem no coração o conhecimento de que a PJ só foi atrás do Rendeiro por causa das eleições? O Rui Rio que diz e desdiz e torna a dizer? Francamente.

  4. Não são ilusões, Manojas, o pessoal identifica-se com o burgesso. Encaixam perfeitamente com a mentalidade vigarista e oportunista do PSD & CIA (inclui Chega, claro).
    Para o Ele mesmo os casos que envolverem a sua quadrilha são políticos. Já os que envolvem xuxas,…é a justiça a funcionar.
    Acho que a Moreira até está a ser condescendente com o pantomineiro.
    O que acho piada no parolo do Rio é que -para quem está com atenção- com a sua bocarra escancarada, ele passa a vida a desmascarar as estratégias da direita e dos mérdia.
    Parece que não vai aos briefings, lóle.

  5. num mundo perfeito não haveria estado , porque todos seríamos perfeitos e não haveria psicopatas com vontade de mandar. nem criminosos.

  6. Ó Mais do Mesmo, parece que vai haver por aí umas vacinas de Novichok em saldo. Experimenta, rapáis, parece que melhora o funcionamento das sinapses, escusas de continuar a fazer figuras tristes.

  7. O Eu mesmo ainda consegue ser pior que Ele mesmo. Então não é que o iluminado vem dizer que o RR tem razão e não nos esclarece em quê e porquê. Este está para a inteligência com o garfo está para o açucareiro.

  8. E, calculem, a já antiga comentarista desta casa, como de costume, anda tão baralhada da cachimónia que depois de ser adepta política peremptória do governo tirano do Príncipe de Maquiavel e do “Leviatã” (um termo bíblico que refere um monstro imenso) de poder absoluto de Hobbes, vem agora aqui informar-nos que é adepta da perfeição do não-estado anárquico.
    Não será a yo-yo um pseudónimo de RR?

  9. ai josé , aquela coisa de “eu sou eu e as minhas circunstancias”? se os homens fossem anjos todas aquelas teorias/utopias masculinas de comunismo socialismo anarquismo e tal jamais teriam sido formuladas e tendo sido formuladas e postas em prática não teriam sido o enorme fiasco que foram e são. num estado ideal , estaríamos na horizontal…-:)

  10. ” … vem dizer que o RR tem razão e não nos esclarece em quê e porquê. ”

    O óbvio não carece de explicação.
    Basta sair do castelo, descer à rua e olhar.

  11. “num mundo perfeito não haveria estado , porque todos seríamos perfeitos e não haveria psicopatas com vontade de mandar. nem criminosos”.
    Acrescente-se: num mundo perfeito não haveria paranoico(a)s anti-vacinação.

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