É escolher

Ter as finanças de um Estado sujeitas a uma lógica bolsista, onde os juros a pagar pelo seu financiamento externo sobem e descem ao ritmo de episódios psicológicos diários, quando não horários, já não tem nada a ver com a política. A racionalidade torna-se inútil, mero guarda-chuva contra o furacão. Lidar com o problema, pois, não remete para questões ideológicas e técnicas, porque nenhuma dessas instâncias tem eficácia contra a especulação internacional. Com um Governo de esquerda ou direita, com este ou aquele ao leme, o resultado seria igual: impotência e frustração. São estas as regras do jogo de um jogo sem regras.

Não há receitas para ganhar na bolsa. Há é dois tipos de investidor: o que endeusa o mercado e o que o teme. O primeiro possui a verdade, o segundo cultiva a dúvida. Também para os Estados na berlinda da especulação, não há receitas para evitar os socos da mão invisível dos agentes – há é quem seja mais tenrinho ou mais rijo.

15 thoughts on “É escolher”

  1. Bem dito irmão, fica tudo esclarecido, é assim hoje.

    Acho que estamos a viver num vazio, no eido polìtico, até onde podem os estados fazer hoje coisa alguma?. Qual é o papel de Bruxelas?. Talvez estemos a viver num vazio onde os estados nacionais são como um boneco gigante de festas, embora decidem bem menos do que os cidadãos conseguem acreditar.
    Zapatero é de esquerdas, da noite para manhá fez uma lei de recorte de direitos sociais que podia ser feita pela Marg. Thacher, tranquilamente. O dias anteriores receveu chamadas incluida a de Obama…. os mercados, as agencias de valoração estão a dizer o que tem que fazer um estado,senão o crédito será retirado. O PM que pode fazer?.

  2. Excelente post Valupi.
    Ainda assim, que seria da Europa se a maioria dos governos e da Comissão e do PE não fosse conservadora e/ou neoliberal? Quem tem medo/falta de vontade de regular devidamente os mercados?
    Sofia

  3. O grande problema, são as direitas que governam a Europa.

    Os estados periféricos (se repararem, todos com alinhamento à esquerda), pouco podem fazer para além de acudirem à sua cada vez mais, miserável população

  4. olá
    sabes , antes havia sempre umas guerras que resolviam as crises. umas bombas e tal ( tanto pilim a facturar ) , destruição de bens , morriam uns tantos desempregados e prontos , acabada a guerra , ou purga , lá vinha a recuperação económica : tinham de fazer tudo outra vez. nunca houve tanto tempo sem guerra na europa. é escolher mesmo: ficar pobrezinhos ou mortos.

    ( deixa lá ver que nome vou por agora …talvez …a paz é lixada )

  5. A extinção do Lheman Brothers é o calcanhar de Aquiles. Só gente doida admite poder esperar passividade dessas criaturas. Eles são donos do mundo e muito ofendidos.
    Sim, é uma questão religiosa. O resto..? É recheio e decoração.

  6. ( baixinho , tra.quinas , que ainda me apelidam de racista : eu acho que o problema do mundo são os que acumulam- vá se lá saber porquê , doentes , só pode- e não gastam. e os seus nomes estão em grande em tudo o que é agência financeira , desde o bce até ao madoff e tal , e vão novamente errar pelo mundo ,não tarda , que ninguém está para os aturar ).
    vou mudar o nome para Holocausto Negro. e sabes porque ? porque muito poucos sabem que o monopolio do mercado de escravos , sujeitos a cenas parecidas às cenas dos campos de concentração , era dos jideus.
    se acham que vão mesmo escravizar o mundo ? esqueçam . a maldição de Jesus é bem mais forte.

  7. Ninguém com três dedos de testa ou mais tem dúvidas: 99% ou mais dos problemas actuais da humanidade resultam da religião. A actual crise mundial? É muito relativa. Não falta quem se possa continuar a endividar sem garantias concretas que possa cumprir os compromissos. Foi sempre assim. Queixas dos judeus? Não vejo. Será vingança? É bem provável.

  8. o que a alemanha não fez na 2ªguerra.está a fazer agora.foder a europa.controla-la pela economia o que não
    militarmente.estão euforicos os novos nazis,pelo euro nos fodem,melhor,estão,nos fodendo.
    até quando?
    a boa pergunta.requer uma boa resposta.talvez,se ………………

  9. Tem muito de verdade o que diz o Al garvio. Segundo «especialistas» na matéria, a Alemanha só se dispôs a acudir à Grécia porque os seus bancos, e não só, tinham muito a perder com a derrocada. É evidente que um terramoto na Zona euro, muito financiada junto das instituições financeiras alemãs, arrastaria a alemanha na queda. Por isso foram tão «generosos». Espero que os parceiros abram os olhos…
    Já o Tra Quinas produziu mais um tra «que», com aquela dos 99% das nossas complicações terem origem na religião. Deve ter lido o «Fim da Fé» ou «Desilusão de Deus» e ficou de quatro. Esquece, o amigo Tra Quinas, que nascemos na selva, muito antes de começarmos a pensar num Criador e fazer-lhe rezas. Não perdemos a ligação umbilical à «lei da selva» e ainda hoje a carregamos no ADN. Vamos fazendo o que podemos para superar a condição. A religião foi mais uma das nossas maravilhosas criações e, como tantas outras, serve-nos para o pior e para o melhor. Como a invenção da roda, essa mesma que dá tanta mobilidades aos carros de combate, que servem para matar baratas…ou fazer levantar aviões que despejam bombas atómicas no Japão.
    Nestas coisas, um pouquinho de «história até ao princípio», vulgo filosofia, não faz mal a ninguém.

  10. Pois é, Mário. A religião tem a maravilhosa virtude de fortalecer os laços entre os membros de uma comunidade mas tal não impede que possa ser motivo de conflitos entre diferentes comunidades. Mas claro, sou eu que deliro. A fantástica dívida americana e os brutais gastos militares para combater o fanatismo religioso extremado com o 11 de Setembro não tem nada a ver com o início desta crise. Nem vale a pena entrar em alucinações menos verosímeis. Obviamente o Valupi escrever “Há é dois tipos de investidor: o que endeusa o mercado e o que o teme. O primeiro possui a verdade, o segundo cultiva a dúvida.” é mero acaso. Mas não deixa de ser curioso. Dizes que se não for a religião, será qualquer outra a causa. É verdade, se…

  11. buen é o que acontece a estados que não constituem reservas
    e gastam mais do que deviam em investimentos sem futuro

  12. Questão de fé, atheista? Optimismo? Quantos na nossa sociedade querem ser confrontados com a realidade nua e crua? Sem fé nem expectativa de milagres.

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