Concerteza, Dr. Hortelão

Rui Hortelão, Director-Adjunto do Diário de Notícias, está certo da legitimidade de concerteza. Os revisores do DN, se os houver, concordaram com o chefe ou abafaram a incerteza. No Público, alguém achou por bem validar o neologismo. E os revisores do Público, se os houver, não quiseram provocar um conflito diplomático ao corrigirem o trabalho da concorrência. Maneiras que, após a consagração por estes dois jornais de referência [hahaha!], é fartar vilanagem.

Concertezamania: I, II, III

25 thoughts on “Concerteza, Dr. Hortelão”

  1. Confesso que a primeira vez que vi “concerteza” foi num dos livros do João Pedro e, desde esse dia, tive a certeza que se poderia também escrever com certeza.

  2. Mais um caso em que os administradores afirmam que «não é preciso, os computadores fazem isso». Acontece em vários jornais e em livros – o que é ainda pior pois os jornais são mais efémeros…

  3. Acho que se deveria escrever das duas maneiras. Gosto da palavra “concerteza”, apesar de eu escrever sempre “com certeza”.
    A verdade é que quando, pela primeira vez, reparei nessa palavra no livro do teu primo, fiquei absolutamente desconcertada com certeza porque fui logo ao dicionário a ver se a palavra existia. Ele fez-me perder todas as certezas. Com ou sem certeza, fiquei baralhada das ideias.

  4. Pois eu prefiro a concertina, é mais alegre e folgazã, e tocada con anima é cá uma frescura para a cabeça e um cansaço para os pés, qual valsa vienense em terras de gente fina.

    Mas com certeza vocês já sabiam que os jornais estão cheios de gralhas (destas e das outras)…

  5. No jokes, today. A palavra que não existe mas que ainda vai dar muito que falar tem mais dum milhão de hits no Google. Meio para correctores, meio para o resto, este país anda a precisar duma merecida e urgente avaliação, como muito bem insinuou o Valupi, a pensar nas próximas eleições.

  6. Ai é…

    Então toma esta no suplemento P2 de do Público de ontem (sábado), com destaque e tudo:

    “Fala sempre na segunda pessoa do plural – o ‘nosso’ trabalho, ‘nós’ aqui na biblioteca – quando quase tudo (…)”.

    Escreve Isabel Monteiro e o tema é “Os Óscares da Educação”

    Tal e qual. Que há segundas pessoas muito esquisitas, a quererem ocupar o lugar de primeiras.

  7. Reparem no meio disto tudo que o mais importante não é aquela palavra escrita daquela maneira, mas o que o Rui Hortelão quis dizer. Pois é… Por vezes, as coisas mais importantes passam-nos ao lado.

  8. Muitos jornais se tem vendido e muitas audienciais televisivas tem ganho as televisões,com a mediatização deste caso judicial.Esmeralda gritou quando saiu do carro para entrar dentro do tribunal.Do que se passou na reunião com a juiza e a procuradora do ministério público ninguem sabe,mas o jornalista afirma que o seu sofrimento não será escutado.Alguem imagina uma juiza e uma procuradora que estiveram a conversar com a criança e o seu pai bastante tempo,não perceberem se a criança estava efectivamente em sofrimento,e se fosse esse o caso não lhe darem a atenção devida.Quanto ás declarações do pai de Esmeralda elas foram feitas depois da reunião.É lamentável que se queira fazer da vida das pessoas reais,uma telenovela

  9. eu também gosto, e dá um cheirinho de outros séculos, mas acho um pouco diferentes: concerteza flui e com certeza é mais assertivo,

  10. Estou contra, primo, porque eu sou pela protecção das locuções adverbiais. “Concerteza” é um cedência da grafia à sonoridade, o que ofende os meus olhinhos de poeta.

  11. Primo: cedência da grafia à sonoridade? Como assim? «Com certeza» e «concerteza» tem exactamente a mesma realização fónica. Quando à protecção das locuções, ainda bem que o Eça não pensava como tu, senão nunca teríamos os seus belos «conquantos».

  12. É verdade, que grande contradição. A não ser que o Valupi pronuncie “concerteza” e “com certeza” de forma diferente. A problemática está toda na grafia, mais nada.

  13. A cedência está aí: têm a mesma realização fonética. E é só por essa razão, preguiçosa ou ignorante (no teu caso, primo, criativa), que se vai grafar “com certeza” como “concerteza”. E com isso abandona-se (ou destrói-se) um locução verbal e inventa-se um advérbio. Para quê? Estamos com pressa?

  14. Com muito gosto ou conmuitogosto?
    Com todo o gosto ou contodogosto?
    Sem dúvida ou sendúvida?
    Com todo o prazer ou contodoprazer?

    Eu não hesito, sou pelo português correcto.

  15. sendúvida também não gosto, fico logo cheio de dúvidas e detesto confusão pela manhã,

    mas concerteza gosto, ficam as duas formas, conquanto não se perca a grafia original, para mim mais assertiva por causa da ligeiríssima pausinha implícita entre as duas palavras e também tem uma sonoridade um nada distinta numa ouve-se bem o com e noutra fica mais a despachar cum,

  16. Nik: és um reaccionário. E só o aponto porque a constatação me espanta. O Camões, o Eça e o Pessoa para ti são defensores do Português incorrecto.

    Primo: não me fintas assim com tanta facilidade. Não há aqui cedência da grafia à oralidade. Ponto final. A segunda razão que citas já não tem nada a ver com a primeira.

  17. Então que há, primo? Que justifica a invenção? Não estou contra a constante expansão e retracção da língua, obviamente, apenas curioso. É que, neste caso, o uso comum de “concerteza” não ocorre por intenção criativa, ou opção estética (??), mas apenas por erro. Se for apenas isso, também estará bem, pois as línguas assimilam e validam os erros, acabando por lhes dar legitimidade, deixando de ser filhos bastardos.

  18. Maus exemplos, João Pedro. Pessoa era rigoroso na gramática e absolutamente intransigente quanto à ortografia (a anterior a 1911, que ele usou até à morte, mas isso é apenas um pormenor). Eça, porquê? Por usar e abusar de galicismos? Vai tomar banho, não era disso que se estava a falar aqui, mas sim da promoção de erros ortográficos frequentes a formas aceitáveis, só porque são frequentes. Usar grafias imaginativas e até estapafúrdias em poemas ou escritos criativos, tudo bem. Fora disso, na escrita quotidiana, usar concertezas e outras merdas do género é simplesmente ranhoso. Boas festas!

  19. tenho 25 anos. Eu uso, sempre usei, e continuarei a usar “concerteza”. ensinaram-me assim na escola e posso garantir-vos que a uso diariamente, e q a escrevo mtas vezes, em documentos que correram directores e administradores.

    Sabem que mais? vão trabalhar, que o vosso mal é serem artistas e n terem mais q fazer…

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