Alegretes

A reconfiguração da esquerda implica a capacidade e a vontade de construir uma perspectiva alternativa de poder. Esta é a nova coragem que é preciso ter. Não só a coragem de resistir e persistir, de que muitos de nós temos experiência, mas a coragem de virar a página e construir uma nova esperança e uma nova alternativa.

O discurso de Manuel Alegre no Fórum das Esquerdas serviu-se de 2294 palavras, as quais gastaram 14329 caracteres. Se alguém ler o discurso à procura do que o autor entenda pelas expressões virar a página, nova esperança e nova alternativa vai ficar com a mesma informação que se encontra no espaço em branco entre as letras. E se alguém perguntar aos restantes intervenientes e apologistas do evento pelo significado das mesmas expressões, as respostas arriscam-se a serem variações de meter dó e marcha à ré. No entanto, é com este vazio que se estão a fazer as notícias a respeito do acontecimento.

A oposição em Portugal continua sem inteligência, seja à esquerda ou à direita. O discurso alucinado, feito de abstracções e descontextualizações, convoca paranóicos, deprimidos, esquizóides, ressabiados, biltres e pilha-galinhas. Aos oradores chega e sobra ter audiências que urrem e salivem, jornalistas que persigam e transmitam, familiares, amigos e populares que condescendam e aprovem. Nem é preciso pensar quando se está alegrete.

17 thoughts on “Alegretes”

  1. ai Valupi, és deliciosamente tramado pá! Bem, eu não estive lá nem vi, mas tenho de te responder, mas só amanhã, estás aí a fazer uma coisa que não sei não.

  2. É tudo verdade.

    Porém, não é menos verdade que há “muita raiva a andar à solta” e que este Poder actual, que apesar de tudo ainda é do melhor que já tivémos, não dá resposta adequada a muitas e gritantes injustiças.

    Este “alegrismo bota-abaixo” não traz nada de construtivo, plenamente de acordo.

    Mas ao menos que sirva de aviso aos poderes do momento. Todos os poderes, atenção, não só o do Governo, que não será seguramente o mais “poderoso”, longe disso (embora a generalidade da imbecilagem esteja convencida de que é assim…)!

  3. O Alegre devia ter vergonha de continuar no PS e como eleito socialista a fazer este indecoroso trabalho cisionista, que há muito ultrapassou a margem de divergência política e de debate que qualquer partido democrático pode e deve permitir. Já admite criar um movimento ou partido, embora não explique o quê. Tem todo o direito de se rebelar. Saia e rebele-se! Os totós do PS estão à espera de quê para o pôr a andar?

    À esquerda do PS não sei se os propósitos de Alegre serão boa notícia. O fulano poderá roubar uns votos ao seu ex-partido em próximas eleições, mas talvez roube outros tantos ao PC e ao BE. Se, porém, se constituir uma frente da esquerda contra Sócrates, Alegre quererá ter nela um protagonismo que os dirigentes do BE e do PC não estarão talvez dispostos a dar-lhe. O PC e o BE estão a subir nas sondagens, para que precisam de um vaidosão?

    Alegre foi esmagado dentro do seu partido, na primeira eleição de um líder partidário directamente pelas bases em Portugal. Sócrates teve 97%, Alegre o resto. A primeira ideia do necas foi candidatar-se a PR para ver se ficava por cima de quem o derrotou no partido. Vaidade ferida de um narcisista.

  4. O Manuel é um socialista de gema, à antiga, com frases curtas que bem em purradas entram no coração dos descontentes que arrastam corpos entorpecidos pelas vielas do desemprego e becos sem saída dos salários mínimos, trovejantes palavras, sons de cascos de cavalo a morderem o basalto que servirá de base de sustentação às futuras barricadas por onde correrá certamente muito do sangue pisado que as comunas anti-comunas comerão na forma sólida de chouriço demo-socialista. Que mais quereis, Valupi, le optimiste?

    O homem lembrou e homenageou os deuses do passado, o pedreiro-livre americano e o novo limpa-chaminés, e o Blum francês, camarada do Churchill e do Konrad, que fugiu para Bordéus assim que ouviu os patos de ganso dos hunos em Dunquerque, bravura que ele imitaria anos mais tarde quando se agarrou à labita do Mário e procuraram os dois refúgio no quartel da maçonada nortenha. Se isto não é prova de coragem, o que é então?

    Sejamos humanos. Ninguém pode roubar a um homem o direito de ter três metros de altura um dia por ano e uma barba espessa o resto da vida, né?

  5. Valupi: ontem vi de propósito meio-telejornal por tua causa. Fiquei a saber que as taxas de juro continuam muito altas para as empresas porque embora as taxas de juro do BCE e euribor tenham baixado muito (onde o Aspirina marcou pontos à zarabatanada) os spreads aumentaram muito. Então o Estado dá garantias àquilo tudo e não exige spreads baixos? Neste momento Estado é responsável pelo comportamento dos bancos, porque eles estão a funcionar sob garantia do Estado.

    a política tem muito de encenação, como sabes, e depois o que inporta são os factos

    por isso essas reuniões de esquerda se disserem coisas que ninguém mais diz, são boas, de facto eu não tive paciência de lá ir, mas já agora a Drago continua gira, não? A Cecília Honório conheço bem, é inteligente e divertida, mas joga nos bastidores, embora isso seja inerente a todos os partidos, aos aparelhos.

    Sobre o Louçã, chegou agora a altura de ele ser uma voz presente sobre a economia, foi ele que me fez saber das offshores, já há dez anos que ele falava nisso

    estive a pensar naquilo que me disseste lá em baixo, sobre desvirtuar a legitimidade democrática dos governos eleitos, ora acontece que esses governos não foram eleitos em abstracto, foram eleitos através de deputados vinculados a um programa eleitoral, vulgo um pacote de promessas, o governo responde pelo cumprimento desse pacote,

  6. Nik: essas coisas das percentagens tem muito que se lhe diga, não viste agora o Portas eleito com 95%? Isso é os aparelhos a funcionarem, erradicam os outros, – reflecte a maioria, isso imagino que sim -, mas amplificam-na o mais que podem.

    Ou seja: retirado e efeito aparelho não me admiro que as percentagens reais fossem por exemplo 70% Socrates/30% Alegre, relativo ao voto de todos os militantes ou coisa assim. Há umas coisas que é os votos por correspondência de sabe-se lá quem que trocam as voltas nas eleições dos delegados.

  7. Ele fala, fala, fala mas eu não o vejo a fazer nada… Se tiver que fazer (e o quê?) depois não fala. Se não falar, não é ouvido e fica lixado.
    Este o drama, romântico e histórico, como deve gostar que se lhe chame.

  8. Interessante é andar nos transportes públicos e ouvir as comadres a louvar o Manel como se ele fosse o Sebastião regressado do nevoeiro, a igreja católica a fazer-se passar pelo que não é e a dar a impressão que concorda com os que não acreditam nela, os analistas económicos a interpretarem gráficos às avessas, os liberais a gritar por nacionalizações, a esquerda de casaquinho de veludo ou blusão de pele fina a falar sobre a fome e o desemprego que desconhecem, a alta burguesia a gozar que nem nababos, os políticos a degladiarem-se pelo poder, jornalistas pagos a peso de ouro a falar na televisão sobre os seus colegas desempregados, comentadores que negam que os nossos problemas estejam afectados por uma crise que afectou globalmente o mundo industrializado, juízes a queixarem-se da falta de respeito enquanto soltam catilinárias sobre convidados para as suas casas, procuradores que se esquecem das virtudes do laconismo e se pelam pela exposição mediática, presidentes que se apressam a fazer comunicados ao País sobre questões que deveriam ser tratadas nos gabinetes e que calam opiniões sobre o que se passa no País, ministros que são expulsos por pressão dos jornais e outros que se vão deixando ficar porque são inócuos, um primeiro-ministro que apanha de todos se faz bem e volta a apanhar se faz mal, e um povo desnorteado que diz que nas próximas eleições sabe o que vai fazer, sem saber que o seu destino está preso por um fio.

    Isto é o que se passa, só espero que o desnorte e a má-informação não arrastem este pobre povo, que vive do seu trabalho, que labuta e sofre na carne as agruras da crise que caíu em cima da nossa pobre Pátria, para um beco sem saída, onde os arautos da desgraça continuarão a debitar o seu discurso beberricando os seus vícios e gozando dos seus privilégios, sempre, sempre, pensando nos mais desfavorecidos.

  9. Valupi, põe-te a pau, olha que ele já valeu um milhão de votos, vê lá por onde te metes.

    Esperávamos mais de ti, até o Augusto santos Silva demonstra ou pouco mais de inteligência do que tu. Ou seja não afronta directamente o MA, porque sabe quais pode ser as consequências. Por isso lá vai debitando uns slogans que herdou de outros tempos, Como é o exemplo da esquerda democrática. Já que os outros são todos defensores de ditaduras, mesmo que também as tenham combatido, enfim!

    Pois é os malfeitores estavam lá todos reúnidos, bom quase tudos, para estar o naipe completo faltavas lá tu!

    Esse tipo de discurso é tipico de tempos idos, ficaste preso no passado? Qulaquer pessoa inteligênte saberá que o maniquísmo é simbolo de idiotisse, como tu não és indiota, acreditamos, piamente, que escreveste o que escreveste numa hora de raiva e de medo ou mesmo de terror. Oh homem fuma uma broca que isso passa!

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