A oligarquia do Rui Ramos vai bem com uma caracolada

Pedro Marques Lopes malha a bom malhar na direita decadente – O populismo alt-right à portuguesa e a justiça – e oferece-me a ocasião para repetir uma banalidade a respeito de Rui Ramos: a “oligarquia” que está sempre a agitar é exactamente a mesma de que falavam Marx e Engels – substantivamente a mesma. Também os fundadores do “socialismo científico” se consideravam cercados por um regime que estava dominado pela oligarquia dos capitalistas. Como nos ensina a literatura marxista, os capitalistas-imperialistas moldam os códigos legais, os sistemas políticos e as instituições sociais com a única finalidade de perpetuarem o seu domínio económico. Domínio esse obtido à custa da exploração do trabalho imposto ao proletariado sob ameaça de ainda mais miséria, fome, prisão e escravatura caso não produzam o lucro com que a burguesia se locupleta. Aliás, não é outra a génese da folclórica declaração de Jerónimo de Sousa a questionar o que seja a democracia quando interrogado a respeito do paraíso comunista chamado Coreia do Norte. Quem tenha alguma vez lido o Avante não tem a menor das dúvidas acerca do subtexto em causa no discurso do patriarca, a vigente semiclandestinidade de uma organização que quer usufruir dos direitos e benesses do tal regime que a partir de 25 de Novembro de 1975 o PCP não reconhece como legítima “democracia”. Esta condição institucionalmente ambivalente, e psicologicamente paradoxal, nasce de se conceberem possuidores de uma “ciência da História”. Os profetas vermelhos não podem admitir outro tipo de democracia que não seja aquela que começa com a revolução e se consuma na utopia, um eterno amanhã que encanta, vendo como contra-revolucionário, mesmo reaccionário, o devir político nas sociedades livres (isto é, ignorantes do “sentido da História” e sua teodiceia). Já o accionista e administrador do Observador não é alérgico ao grande capital nem se assume como revolucionário, apesar da sua fantasia favorita em que se imagina a ilegalizar o PS e a decapitar socráticos no Terreiro do Paço, mas o radicalismo contra o quotidiano normal da política portuguesa que usa como retórica é fetidamente jacobino. Também ele vocifera contra um Estado de direito democrático de fantochada e nas mãos de criminosos nados e criados nos partidos, repete semanalmente. Daí ter ido buscar a “Noite das Facas Longas” para ilustrar a substituição de Joana Marques Vidal por Lucília Gago – algo que, a não ser manifestação de psicose, é exibição de fanatismo odiento pré-criminoso. Esta sinistra e peralvilhada figura usa as categorias do liberalismo filosófico e político para apelar à guerra civil. E há quem lhe pague, e muito, pelo serviço. Rui Ramos e Jerónimo de Sousa, pois, podem passar uma tarde juntos a despachar bejecas e travessas de caracóis. De cada vez que um dos dois interrompa a comezaina e levante o bestunto para largar um “Aqueles cabrões…“, em tom raivoso ou melancólico, o outro saberá imediatamente do que está a falar. É da oligarquia.

8 thoughts on “A oligarquia do Rui Ramos vai bem com uma caracolada”

  1. portanto, a oligarquia não moldou os códigos legais, os sistemas políticos e as instituições sociais com a única finalidade de perpetuarem o seu domínio económico. nem esse domínio foi conquistado à custa da explotração dos seus semelhantes. muito bem, valupi, ficas apresentado e retratado.
    o problema é quando vens praqui chorar que uma “oligarquia” de juizes e procuradores do ministério publico moldou os códigos legais, os sistemas políticos e as instituições sociais com a única finalidade de perpetuarem o seu domínio.
    fica assim meio esquisito

  2. a oligarquia hoje em dia é outra, com a globalização controla o mundo, e são os que conseguiram difundir a usura pelo mundo inteiro e fazer de cada cidadão um caloteiro amarrado aos bancos, escravizado pelas dívidas. moram lá prós lados de NY , e outra big cities , são finos. foi a pensar neles, dado conhece-los muiiiito bem , que Marx escreveu aquelas palermices todas. cá há alguns lacaios , mas não são políticos, compram-nos apenas.

  3. Valupi às vezes é assim deste jeito. Cravo e Ferradura fazem dele um português perfeito. É o perigo de andar a lera as coisas da frente para trás.

  4. Misturar no mesmo saco um canalha merdoso como esse rui ramos e um pobre bronco como o Camarada Jerolme é assim como discutir qual foi pior, se o Mussolini, se o Enver Hoxha… Não dá sequer para comentar.

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