Querem tudo, contribuem com nada

Numa democracia, as oposições exercem um poder complementar ao do Governo. Fiscalizam-no, criticam-no, corrigem-no, melhoram-no. Ou não. Essa responsabilidade atinge o seu máximo quando o Governo é minoritário. Tudo o que um Governo minoritário faz é consequência da sua viabilização parlamentar – para o bem e para o mal.

O que nos leva para o papel que PCP e BE têm tido neste quadro de necessidade de ajuda externa e, ainda mais importante, para o seu papel a seguir às eleições de 2009. À proposta do PS para coligações ou acordos, eis o que estes partidos tinham para dizer:

Quanto à possibilidade do PCP vir a fazer entendimentos com o PS, que venceu as eleições, mas apenas com uma maioria relativa, Jerónimo de Sousa impôs como condição a “mudança de políticas”.

“Sem uma ruptura e uma mudança de política é ilusório estar a discutir entendimentos, o entendimento faz-se em torno de coisas concretas”, frisou.

“O Bloco de Esquerda, considerando o mandato que recebeu dos eleitores para a constituição de uma esquerda de alternativa e para trazer ao Parlamento propostas que enfrentem o núcleo decisivo da crise económica e seus efeitos sociais, e pelas diferenças óbvias em relação às grandes escolhas que o Governo e o PS têm feito ao longo do tempo, [conclui que] não há condições para qualquer forma de coligação”, disse Louçã, após reunião de duas horas com Sócrates, no Palácio de São Bento.

O PCP, partido derrotado, só faria parte da governação se impusesse as suas políticas ao partido vencedor, e o BE, partido que registava um enorme crescimento, apostava em continuar a crescer segundo a mesma fórmula de fazer do PS o seu principal adversário. O resultado desta imbecilidade foi um ano de coligações negativas entre a extrema-esquerda e a direita, culminando na suprema imbecilidade do derrube do Governo de acordo com o calendário Cavaquista. Sem surpresa, há gente bem intencionada e romântica que se sente defraudada.

Caso Jerónimo e Louçã fossem coerentes com as bandeiras demagógicas a que se agarram para terem uma vida paga pelo Estado, então iriam para negociações com esse PS que tinham ajudado a tornar minoritário em 2009. Iriam, e precisamente, em nome do Povo, dos pobres, dos explorados, dos reformados, dos funcionários públicos, dos trabalhadores, das mulheres, dos imigrantes, dos palestinianos e do caralho mais velho. E fariam questão de publicitar as suas propostas. Mostrariam que estavam a respeitar os resultados das eleições, aceitando ser parte minoritária da governação, conviver com uma maioria de políticas socialistas. Mas mostrariam onde queriam influenciar e moldar a sociedade. Deixariam que a opinião pública ajuizasse da sua honestidade e bondade políticas. Então, e só então, e só se o PS não chegasse a acordo com eles por razões consideradas espúrias ou hipócritas, é que poderiam dizer que Sócrates tinha recusado uma solução de esquerda e preferia governar à direita. Nas eleições seguintes, após este processo, arriscariam-se a finalmente ultrapassarem o partido da rosa.

Obviamente, se PCP e BE nem sequer se conseguem entender, até suportar, um ao outro, nunca conseguiriam ter esta tão básica inteligência, esta tão essencial cultura democrática, necessária para negociar com o PS. E assim se prejudica o País por causa de uma mistela composta por crenças teóricas cristalizadas no século XIX e cinismo predador imune aos interesses dos mais fracos.

14 thoughts on “Querem tudo, contribuem com nada”

  1. O PCP é, convictamente, um partido marxista-leninista, e o BE uma manta de retalhos de esquerdistas radicais. Saber o que isto significa é saber que quais quer acordos ou coligações do PS com o PCP e/ou o BE, se não impossíveis, seriam, serão, sempre precários, com pouco futuro. Infelizmente, a realidade é esta. Oxalá eu não tivesse razão.

  2. A explicação é simples: é que o PCP e o BE há muito que deixaram de ser partidos políticos.
    São agora autênticas RELIGIÕES.
    E como religiões que são, persistem em aplicar uma cartilha irracional vinda já não sabem de onde, à qual só sabem que têm de obedecer cegamente, e para a qual nem se preocupam já em encontrar um mínimo de razoabilidade.
    Qual a diferença entre Jerónimo de Sousa e um qualquer bispo da Opus Dei?
    Qual a diferença entre Louçã e um qualquer televangelista americano?

  3. “Qual a diferença entre Jerónimo de Sousa e um qualquer bispo da Opus Dei?
    Qual a diferença entre Louçã e um qualquer televangelista americano?”

    A ideologia.

  4. Este post e o seu autor são a prova que, socialistas no PS não existem.
    Este altar ao sócretinismo em que se transformou o Aspirina, é disso exemplo a grande maioria dos que aqui vem, só tem um fito visitar esta capela ler os escritos do pastor Val,e orar em conjunto ao seu santo.
    Politica que é isso para esta gente?
    Pobres de espírito.
    Olhem para a miséria em que se tornaram e tornaram este país.
    Tenham vergonha e deixem a esquerda em paz, chafurdem lá nas vossas mentiras e compadrios.
    A esquerda para ai não vai.

  5. Primeira exigencia do Jeronimo de Sousa: – reposiçao do muro de Berlim até a reconquista da URSS
    Primeira e única exigencia do Louçã:” exportar a revoluçao em vez de texteis ou calçado!
    Com estes fosseis politicos n há nada a fazer.
    Falam de esquerda mas foram eles que ajudaram a trazer o FMI. Quer digam o contrario ou não!
    hipócritas de merda!

  6. Ó Ratazana, queres ir para a bicha do pão ou do açucar? Apesar dos erros e do cavaquismo da roubalheira, não vês como o País avançou em tantos dominios? Recua vinte anos e compara, se fores capaz de o fazer com olhos de gente. Apesar dos desvarios, porque os portugueses são como são. Como tu és e eu sou. Deixa-te de merdas, pá!
    Quanto ao discurso do Val, fartei-me de rir com aquela ” em nome…do caralho mais velho”. Velhos assim, são mesmo o PCP e o BE. Ainda estão à espera que Lenine ressuscite, quando até Fidel já perdeu a fé e a Coreia do Norte (diz a China) está a deixar morrer à fome seis milhões de pessoas. Isto não te diz nada, Ratazana? Acorda, homem! Diz aos teus amigos do BE ou do PCP que se deixem de merdas e venham dar uma maozinha na governaçâo. Vocês fazem falta! Nâo fujam eternamente, porra!

  7. Oh Mário de politica só tens pó e é branco.
    Reza muito.
    Eu sou português e tu és o que?
    Muda de cassete.

  8. jojoratazana
    Pelo q escreves acho bem que continues a frequentar a missa do BE e a homilia do padre Louçã!

  9. Passostrocados.
    Amem.
    E não te esqueças de bater no peito e dizeres que és de esquerda.
    Tal como o “PAPA”fundador da União Nacional dos Tachos, de que tu e estes pseudo socialistas fazem parte.
    E já agora aproveitam a caixinha de primeiros socorros da Sinhã, bem falta lhes faz.
    Para comemorarem na próxima semana a vitória, da U. N. dos T.
    Também é vossa.
    O resto é treta, mas a isso já estão habituados.

  10. A cegueira sectária e ideológica desta “ratazana” que para aqui atira uma “bocas” é de tal forma aflitiva que não me parece que mereça a pena prestar-lhe aquela atenção que normalmente se presta aos bem intencionados com quem vale a pena terçar armas! Deixemos, por isso, correr o tempo que ela há-de regressar guinchando às demais ratazanas do seu bando!

  11. Aniper olha para o espelho.
    Jojoratazana apenas por viver no meio de tantos ratos.
    Até para a semana.
    Para a tua festa dos tachos.

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