Dores bem gemidas

De Mínimo Ossário, série de sonetos de JOSÉ LUIZ TAVARES, e mais exactamente de «sonetos para o meu pé esquerdo» – meu, dele – seleccionámos este.

Flictena, eritema, eczema — pra soneto
não serão baixo tema? Vertical, porém,
no comum silêncio que do deus é desdém,
na manhã espigada soa o médico decreto.

Minha dor bem gemida (envergonhado
embora do sorriso da enfermeira castelhana)
não seria bem maviosa ária siciliana,
mas alento do que o osso traz quilhado

por mor de mal medido salto. Mas amanhece
num solo de Turina, à química do sonho
entrego os prenúncios da dor, pois socorro

são as mãos da jovem castelhana. Inda fosse
só o calor fingido de um dezembro tristonho,
ante tão sinestésica aparição, todo eu coro.

JOSÉ LUIZ TAVARES

7 thoughts on “Dores bem gemidas”

  1. Apelo em divulgação na internet:

    ‘CAIXOTE DO LIXO’… NÃO!!!
    ÚTEROS ARTIFICIAIS… SIM!!!

    Nas Sociedades Tradicionalmente Poligâmicas apenas os machos mais fortes é que possuem filhos.
    No entanto, para conseguirem SOBREVIVER, muitas sociedades tiveram necessidade de mobilizar/motivar os machos mais fracos no sentido de eles se interessarem/lutarem pela preservação da sua Identidade.
    De facto, analisando o Tabú-Sexo (nas Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas) chegamos à conclusão de que o verdadeiro objectivo do Tabú-Sexo era proceder à integração social dos machos sexualmente mais fracos -> Ver O Tabú-Sexo.

    Com o fim do Tabú-Sexo a percentagem de machos sem filhos aumentou imenso…
    As Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas têm de Assumir a sua História!!!… Isto é, estas sociedades não podem continuar a tratar os machos sexualmente mais fracos como sendo o CAIXOTE DO LIXO da sociedade!!!… Isto é, os machos ( dotados de Boa Saúde… ) rejeitados pelas fêmeas devem possuir o LEGÍTIMO Direito de ter acesso a Úteros Artificiais.
    { nota: deve ser considerado uma Investigação Cientifica Prioritária }

  2. Eu, que sou ignorante, tive de ir ver ao dicionário o significado das duas primeiras palavras do soneto. A segunda não encontrei. Encontrei “eritema” sem “c”. Bom, concluí que a dor no pé esquerdo do poeta nunca melhoraria se fosse tratada por um enfermeiro. Fosse qual fosse a sua (dele)nacionalidade. ;)

  3. tem razão mister pi. este rubor congestivo, temporário, da pele, não tem «c». aliás, no contexto do poema, só podia ser «eritema» mesmo. a que carrasco entrego o pescoço?

  4. Caro J.L.Tavares, longe de mim servir de carrasco. Eu só quis entender, o melhor possível, o seu poema. Para além de ter alma de revisora. Não acho que um “c” tenha influência na qualidade do poema. Nem tenho pretensões nenhumas, só sou curiosa e gosto de entender, ou pelo menos tentar, e aprender o que não sei.

    [Partindo do princípio que o mister pi. seja eu]

  5. flictena está ok. na versão que consultei agora «eritema» também está ok. não sei donde surgiu esse «c» arreliador, mas se está lá, eu pu-lo nalgum momento.

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