Ainda falta muito? (e outros assuntos)

1. A líder transitória – mas até quando? até Setembro? – da bancada parlamentar do PS deve rapidamente dar lugar a alguém definitivo, mais aguerrido. É que o governo começou desde cedo a proporcionar matéria para questionamento (a chamada “malhação”). Não deveria, portanto, haver tempo a perder.

2. Não tenho visto muita televisão, mas vou passando por lá. Não verifico que esteja a ser dada importância às eleições no PS. Hello, canais! Trata-se do maior partido da oposição. Mais depressa do que se pensa este governo perde apoio popular e há que saber quem está do outro lado. Estamos todos lembrados do período eleitoral no PSD: dia sim, dia não, lá estavam ou o Paulo Rangel, ou o Aguiar Branco ou o Passos a ser entrevistados. Estou em crer que os portugueses gostariam de conhecer melhor o que têm Seguro e Assis a dizer e como o dizem. Eu própria também estou!

3. Ouço pessoas ligadas ao PS dizer que o Seguro “sabe ouvir as bases” e “sabe atrair quadros”. Quanto aos quadros, passo, porque temo curto-circuito na minha mioleira se procurar descortinar de que maneira Seguro atrairia o que quer que fosse fora daquelas federações. Quanto a ouvir as bases, eu não digo que não ouça. A questão é se o que dizem merece ser ouvido, e se não deveriam antes elas próprias ouvir o que alguém inteligente e atento lhes terá para explicar sobre actualidade política e sobre a encruzilhada em que se encontra a esquerda (e o mundo em geral, em que a direita também não escapa). E a questão é também se o que as bases dizem, pressupondo que há alguma unanimidade nisso, é passível de ser tido em conta num programa de governo para o país na hora actual. Em suma, mesmo na hipótese de Seguro poder ser eleito por ser bases-“friendly”, não interessará mais ao PS ter como líder alguém carismático e lutador, com propósitos novos, que conquiste os portugueses em geral? Os chamados “quadros” aproximar-se-ão se virem credibilidade e determinação em alguém.

8 thoughts on “Ainda falta muito? (e outros assuntos)”

  1. “…não interessará mais ao PS ter como líder alguém carismático e lutador, com propósitos novos, que conquiste os portugueses em geral?”
    Quem?

  2. Eu penso que o Francisco Assis corresponde melhor a essas características. Claro que o caminho faz-se andando. Mas Assis demonstra mais vivacidade e capacidade de “olhar para fora”, reflectir e pensar numa estratégia. Seguro parece-me apenas interessado em reorganizar o partido, não tendo reflectido numa estratégia de combate ao adversário, que, a bem dizer, nem me parece que exista, na cabeça de Seguro.

  3. É fantástico ver o PS a desagregar-se. Seguro é uma calamidade (seguramente) mas Assis não lhe fica atrás. Reciclem Soares. Reciclem Pedroso ou Ferro Rodrigues. Dificilmente arranjarão alguém que não seja uma verdadeira desgraça. Gasto, acomodado e inútil. E mesmo na geração mais nova será difícl. É que eles mimetizam o defunto chefe até à exaustão e esse estilo sabemos bem que já não cai no goto no eleitorado.
    Poderia desejar boa sorte, mas acho que não ficaria bem. Desejo que ganhe Seguro. Um partido vazio merece um líder vazio.
    A travessia será longa porque o estado de ruína em que deixaram o país muito dificilmente será esquecido em 4 ou 8 anos.
    Time for a party change? maybe?

  4. Seja qual for o nome agora escolhido, será sempre um lísder transitorio. O Socrates matou 4 do ppd. O futuro lider o9 ps será Antonio Costa. Daqui a dois anos e meio!

  5. Não apaguem o que não gostam … tenham coragem de ler e mastigar. Sabe mal, né? mas há muito tempo que isto era evidente e óbvio. mas v. exªs aqui deste mijatório socrático só querem mijar prós pés e sentir o calorzinho da auto-mistificação e ilusão, né? por isso tem de ler, apesar de, como diz o vosso sacerdote valupetas (o gajo anda murcho, pá), ler é mesmo muita fodido.

    A HERANÇA ENVENENADA

    «Pela primeira vez em Portugal, um primeiro-ministro eleito perdeu umas eleições legislativas. E isso aconteceu com o pior resultado que o PS teve nos últimos vinte anos. Sócrates despediu-se depressa, tinha preparado no teleponto um longo discurso em que, mais uma vez, procurou negar a verdade e fugir às evidências – sobretudo a de que deixa um país encurralado e à beira da ruína e um PS embalsamado e com os seus valores patrimoniais fundamentais muito abalados. O que o discurso revelou – apesar do que dizia o teleponto – foi, por um lado, um Sócrates aterrorizado com o juízo da história e com o lugar que ela certamente lhe reserva, associado à bancarrota de 2011. E, por outro lado, a obsessão em condicionar o natural debate interno sobre as lições que há que tirar deste desaire, que se traduziu na perda, em seis anos, de um milhão de votos. Tudo indica que a vida não vai ser fácil para o Partido Socialista, que fica agora à mercê de uma diabolização política que não vai tardar, em previsível resposta ao funambular optimismo dos últimos tempos. É que Sócrates deixa nos braços do PS uma herança envenenada, que é a de ter que “ser oposição” a um programa que ele próprio assinou. O socratismo corre, assim, o risco de se tornar numa verdadeira maldição para o PS. Isso só não acontecerá se houver, desde já, lucidez e coragem para reconhecer que, com este julgamento dos portugueses, o tempo dos álibis acabou e se abre agora um tempo de debate e de balanço. Um tempo de debate, porque infelizmente a capacidade de ouvir, de pensar e de debater, que deve sempre acompanhar o exercício democrático do poder, foi um défice constante, e crescente, destes seis anos. E um tempo de balanço, porque só com efectivo espírito de responsabilidade, mas também com verdadeiro sentido patriótico, será possível reconquistar a credibilidade perdida. Em suma, o PS precisa, antes do regresso ao combate político, de dar ao País um forte sinal político, mas também ético, feito de humildade e de verdade. Este vai ser, sem dúvida, o maior e o mais imediato desafio da sua próxima liderança. Com a vitória da “coligação” PSD/CDS, o País entra agora numa nova fase. Se se trata de um novo ciclo político ou, apenas, de uma nova legislatura, só o tempo o dirá. Mas seria bom ter consciência que a crise em que Portugal tem vivido traduz, no essencial, um prolongado e difícil impasse, constituído por um cerrado nó de problemas que esta primeira década do século XXI, em particular nos últimos dois anos, agravou pesadamente. E estes problemas são fundamentalmente três: o problema cultural, o problema económico e o problema financeiro. O primeiro decorre da falta de valores e de visão estratégica que permita pensar com consistência um rumo para o País, capaz de se afirmar ao mesmo tempo no quadro europeu, no âmbito lusófono e na globalização. É isso que pode dar aos portugueses uma ideia global de si próprios como sociedade e como nação, dotados de convicções e de projectos colectivos. Só com este problema bem equacionado se poderão definir as audazes apostas que é preciso fazer para resolver o problema económico, de modo a conseguir essa articulação tão difícil, que é a de se atingir um crescimento significativo do País, aumentando o emprego para os portugueses, nomeadamente para as qualificadas novas gerações. E só com estas bases é que o problema financeiro virá a ter outra solução que não seja a dos habituais cortes atrás de cortes, amparada num constante aumento de pressão fiscal. Incapazes de, até ao momento, equacionar e resolver este nó de problemas, acabámos nas mãos de uma troika que o fez à sua maneira, segundo um “memorando” cujo cumprimento nos condiciona em tudo no imediato, sem, contudo, garantir nada a prazo, como de resto a tragédia grega bem tem mostrado nesta últimas semanas. Com um dado novo, que merece muita atenção: é que agora o que está em causa não é o incumprimento, por parte da Grécia, do plano estabelecido, mas – o que é bem diferente – o facto de a sua concretização não ter conduzido ao resultado previsto pela troika há um ano. O que só pode reforçar as mais sérias apreensões sobre o caminho e o destino da União Europeia.»

  6. ó de cima, bem, meu, vais ver as mijas, vais ver vais, fogo corre a buscar um umbrella, pá, ehehehe.o socrates pá, e os merdas dos acólitos deles pá, só têm o que merece, e este nojento do passos e do portas, são outros merdas que ajudaram à festa. tudo merda.

  7. Après moi le déluge… .
    Sócrates foi para o PS aquilo que o eucalipto é para os terrenos férteis.
    A escolha entre Seguro e Assis, é a escolha pelo menos mau. Tanto Seguro como Assis são apenas e só secretários-gerais de transição. Tanto um como o outro sabem melho do que ninguém que o governo só caírá por manifesta impreparação, por condicionantes externas ou por guerras intestinas.
    O MoU não lhes dá grande espaço de manobra que não seja o de fazer umas pequenas guerrilhas e a obtenção de vitórias de Pirro.
    Entretanto prefiro o Assis, pois acredito que este consiga fazer regressar ao PS alguma juventude que é precisa e necessita de ser acarinhada e ajudada a crescer.
    A escolha nas autárquicas pode ser um bom teste se o bom-senso prevalecer em vez da máquina brita partidária.
    Não sendo militante, tenho visto demasiados sinais de aparelhismo no velho PS, do mesmo modo que os mesmos existem nos restantes partidos.
    É tempo de mudança e a aragem que corre pode rapidamente tornar-se em tempestade incontrolável que a todos penalizará sem olhar a credos, cores políticas, opções de vida ou orientações filosóficas.
    Haja tento e deixemos que a cãozoada que anda por aí ladre à vontade, pois ela calar-se-á mal se atire o primeiro osso.

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