Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Dominguice

Putin tem razão. Israel tem razão. Trump tem razão. A China terá razão se decidir invadir Taiwan. Os problemas devem-se resolver segundo a lei do mais forte. Matando e destruindo e matando. Foi assim ao longo de milhares, de milhões de anos. É muito mais simples, como ensina Tucídides: a culpa é sempre do invadido, o invasor é sempre a vítima e a força do bem. O invasor depois escolherá que verdade ficará mais bonita nos livros de história, merece.

A Europa pensa que vale a pena negociar e respeitar os direitos humanos. Há que tempos que não invade ninguém, só a reboque dos EUA e às mijinhas. Já não pertencemos ao mundo dos senhores da guerra. Temos andado ocupados com a reinvenção da liberdade e da democracia. Preferimos a lei do mais fraco: a civilização.

Passos pode ser o que quiser?! Esta agora

Rodrigo Moita de Deus, RTP Notícias, ontem, dia 26. Passos Coelho é o mais popular político português. Quando fala, provoca uma onda de enfeitiçamento, um homem extraordinário, o melhor dos primeiros-ministros, um portento, uma sumidade e, no entanto, mas dito numa forma ternurenta, “um mau político”, um tigre (ou será elefante?) à solta numa savana africana. Mais: se ele liderasse o PSD, o Chega não existiria! Rodrigo, ó Rodrigo, e porquê?

Se não acreditam em tanto entusiasmo, vejam aqui:

https://www.rtp.pt/play/p16207/e911811/estado-da-arte

Sinceramente, não percebo a direita portuguesa e a excitação com o Passos Coelho. Nem a cegueira que os leva a dizer que é muito popular e admirado e que, bastaria querer, para ser de novo primeiro-ministro. Devem ser chalupas. Para mim, a única coisa positiva que o homem tem nada tem que ver com capacidades intelectuais ou políticas, simplesmente nasceu com uma bela voz. E para aí. Tudo o resto é muito mau. Mentiu que nem um perdido na campanha eleitoral para 2011, achou giro “ir além da Troica” na austeridade, sem dó nem piedade, usou bastas vezes linguagem boçal para se referir aos portugueses como se ele próprio fosse um exemplo de empreendedor independente e incansável, mostrou zero empatia pelas pessoas que governava, provocou a manifestação mais sentida e abrangente da história da nossa democracia quando pretendeu aumentar a TSU para os trabalhadores e baixar a das empresas, enfim. Tudo isto no activo enquanto chefe do governo, fora o resto dos seus tempos de moinante, de líder da juventude social-democrata, de “empresário”: nada fez digno de louvor até decidir ir tirar um curso à Lusíada (ligada ao PSD) já perto dos 40, inventou uma empresa ligada a técnicos de aeroportos inexistentes para sacar dinheiro europeu (Tecnoforma), investigada pela Comissão, afirmou desconhecer o que eram contribuições para a S Social, era o amigalhaço de pândega política do Miguel Relvas, o homem das equivalências dadas pela escola da vida, e escreveu um livrinho básico neoliberal com a ajuda do António Borges para mostrar que tinha ideias e assim poder ganhar algum crédito junto de quem o poderia eleger para líder.

Na secção “regresso e polémicas” da Wikipedia pode ler-se em relação ao tempo actual:

Mais tarde, Passos Coelho, pouco tempo depois da tomada de posse de Montenegro como primeiro-ministro, aceitou apresentar um livro ultraconservador com ligações ao Salazarismo e à Opus Dei e com apoio de figuras públicas conservadoras tais como Manuel MonteiroDiogo Pacheco de AmorimAndré VenturaRita MatiasMaria João AvillezAntónio Bagão FélixFrancisco Rodrigues dos Santos e Nuno Melo. Nessa apresentação, Passos atacou os imigrantes muçulmanos, as ex-colónias, a eutanásia, o aborto, o feminismo de esquerda e as bases disciplinares atuais da escola pública, que este considera “sovietizada e esdrúxula”.

Que cartões de visita mais luxuosos. Péssimos. Não passará.

Portanto, Rodrigo, filho, o Passos é um tipo com bom timbre vocal mas medíocre, com uma evolução recente muito pouco recomendável, e que, além de gostar de regressar ao século passado, gostaria também de regressar ao poder mas não se enxerga: não tem noção da memória que a esmagadora maioria das pessoas guarda dele (nem ele nem tu), nem de quão fácil é demoli-lo pelo que fez, nem tem noção de que a sua simpatia e afinidade com o Ventura afugenta até grande parte do PSD, quanto mais os restantes votantes. A direita faria melhor em mudar de mito.

Revolution through evolution

Scientists reveal how exercise protects the brain from Alzheimer’s
.
Exercise may be one of the most powerful treatments for depression and anxiety
.
Keeping Your Mind Active Throughout Life Associated with Lower Alzheimer’s Risk
.
When it comes to heart health, food quality matters more than cutting carbs or fat
.
New Findings Highlight Two Decades of Evidence Supporting Pecans in Heart-Healthy Diets
.
Love: It’s All in Your Heart – and Head
.
Scientists reveal why human language isn’t like computer code
.
Continuar a lerRevolution through evolution

Dominguice

Alguém no Ministério Público, magistrado, voltou a cometer crimes. Crimes com exposição pública máxima, pois consistem em aliciar jornalistas para serem parceiros criminosos. Todos ganham, não correm risco algum. Mas se perguntarmos ao sindicato dos magistrados do Ministério Público se cometem crimes, a resposta é pronta e peremptória: “Nunca, jamais, são os outros, os advogados da malandragem!”. Claro que nos casos em que ainda não há advogados metidos ao barulho essa explicação fica uma beca ridiculamente grotesca, mas eles não se importam. Se encostados à parede, chutam para os arguidos, os jornalistas ou um amanuense anónimo. Felícia Cabrita e o ofuscante Sol foram o veículo para ficarmos a saber que Carlos Santos Silva tem algum dinheiro e que se julga livre de fazer com ele o que lhe der na gana. Isso, para quem produziu um julgamento político disfarçado de caça ao maior corrupto da história portuguesa, serve às mil maravilhas para continuar o linchamento público dos alvos e a pressão sobre os juízes. A indústria da calúnia rejubila com a nova fornada de munição e as pessoas boazinhas não carecem de ser convencidas porque estão desde 2014 encantadas com o circo montado.

Mesmo assim, era giro que algum jornalista, ou um académico esdrúxulo, ou mesmo um cidadão meramente curioso metido lá com os seus botões, começasse a mapear o calendário dos crimes cometidos pelo Ministério Público na Operação Marquês – ainda antes da detenção de Sócrates televisionada como execução à queima-roupa. É que há agenda e método na subversão da República pela mão escondida de quem jurou defender a Constituição, tem poderosíssimos e exclusivos poderes totalitários, e é pago para combater o crime e proteger os inocentes.

Lapidar

«O facto de em Portugal, segundo dados do Conselho da Europa, existirem 14 procuradores do Ministério Público por cada 100 mil habitantes e nesses países terceiro-mundistas que são Espanha ou França, uma comparação admissível atendendo aos seus modelos judiciais e perfis de litigância, existirem 5 e 3 procuradores por 100 mil habitantes, parece não exercer nenhuma curiosidade entre nós (ou 4 por 100 mil, em Itália, já agora). Ou o facto de existirem 19 juízes por 100 mil habitantes, o que compara com 11 naqueles dois países contíguos. Admite-se, contudo, que o modelo idealizado nacional seja o de países como a Bulgária ou a Moldávia, onde o número de magistrados do Ministério Público atinge os 24 por 100 mil habitantes, com resultados na ação penal, aliás, que são bem notórios...

Em nada, contudo, estas diferenças gritantes obrigaram Parlamentos e governos a ponderar com seriedade alternativas a simplesmente adicionar pessoas, independentemente da variação no número de processos judiciais existentes, dos modelos de gestão ensaiados ou das ferramentas de trabalho usadas.»

O mito dos recursos

Revolution through evolution

One simple daily change that could slash depression risk
.
Just 5 weeks of brain training may protect against dementia for 20 years
.
Caffeinated coffee and tea could help protect you against dementia. Even a few daily cups
.
This kefir and fiber combo beat omega-3 in slashing inflammation
.
New research reveals humans could have as many as 33 senses
.
Scientists found a way to plant ideas in dreams to boost creativity
.
Your cat’s purr says more than you think
.
Continuar a lerRevolution through evolution

Dominguice

Sócrates cometeu algum crime de corrupção? Ninguém sabe, a começar pelos investigadores no Ministério Público do mais importante e mais complexo (mais caro?) processo judicial em Portugal. Porém, é tratado por magistrados, políticos, jornalistas, comentadeiros e pessoas simples e boazinhas como se tivesse sido condenado por isso, a sentença já tivesse transitado em julgado e, acima e antes de tudo, como se alguém desta gente de milhões conseguisse provar onde, e como e para quê ocorreu a tal corrupção. Entretanto, uma área do Estado onde há frequentes buscas das autoridades por suspeitas de corrupção dá pelo nome de Forças Armadas. Tancos pode ser convocado para esta conversa, dado o retrato de portas abertas com que ficámos a respeito das instalações militares em Portugal, e os submarinos do Portas também, pese o próprio ter garantido que fumo sem fogo é quanto basta para abrir o champanhe. Todavia, dá ideia que os militares, envolvendo altas patentes que chegam aos generais, têm maior apetência pelos contratos com fornecedores para irem conseguindo vencer a batalha da produção. No caso, da produção de subornos que esses militares amealham para conseguirem lidar com as vicissitudes de uma vida na linha da frente a dar o coiro pela defesa da Pátria.

Os especialistas em corrupção que ganham bom dinheiro com o Sócrates não têm interesse em falar destes casos de caserna. Percebe-se porquê: correm o risco de pisar nalguma mina.

Dia dos namorados

Isto de há 46 anos não termos uma mulher como chefe de Governo, e de não sabermos o que é uma mulher como chefe de Estado, tem a importância que cada um lhe quiser dar, claro. A questão nem sequer é pacífica entre as mulheres, por causa de tudo.

Ser mulher não é qualificação suficiente para chegar lá, óbvio. Mas, aqui para o pilas, é condição necessária para fazer a partir de lá o que ainda não foi feito nesta terra de gente muito pouco recomendável. Fazer aquilo que a testosterona não consegue fazer, porque a testosterona é bruta e tonta.

Do que falo? Do amor. O amor como resultado de se usarem os recursos do Estado de forma implacável, ferina, para cuidar dos que mais precisam. Sendo que qualquer cidadão, por inerência, rico ou pobre, novo ou velho, pertence ao grupo dos que mais precisam.

O amor existe para lidar com estes (e outros) paradoxos.

Este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório