Dominguice

Trump raptou um chefe de Estado, na Venezuela, e participou no assassinato de outro, no Irão. São novidades históricas para os EUA. Lei internacional? Balelas para este amigo e seus amigalhaços Netanyahu e Putin. Ou para qualquer outro tirano que em várias partes do planeta ande a cometer crimes de guerra. Se a criminalidade dos invasores da Ucrânia, da destruição da Faixa de Gaza e do ataque ao Irão permanecer sem punição, nalguns casos envolvendo também crimes contra a Humanidade, o ideal a que chamamos civilização vai ficar sob ameaça.

Qual é a alternativa à civilização? É aquilo que a história regista. Se pudéssemos viajar até ao passado, de imediato iríamos querer fugir para o futuro.

14 thoughts on “Dominguice”

  1. Excelente síntese do atual estado de sítio ético. A normalização de crimes de guerra e o desprezo pela lei internacional criam um precedente onde a civilização passa a ser apenas um verniz opcional. Sem punição, o que resta não é diplomacia, é um tabuleiro de xadrez onde os peões somos todos nós, à mercê de quem decidiu rasgar o manual de regras. A alternativa à civilização, como bem aponta, não é um vazio, mas um retrocesso para o qual não temos estômago. O que assusta nesta “novidade histórica” não é apenas a audácia dos protagonistas, mas a velocidade com que o impensável se torna o novo normal. Quando o ideal de justiça é trocado pela conveniência dos tiranos, o futuro para onde quereríamos fugir começa a parecer-se perigosamente com o passado que nos horroriza. O problema de querer fugir para o futuro é que o futuro está a ser desenhado pelos mesmos que hoje tratam a lei internacional como literatura de ficção. Quando a barbárie se torna política de Estado, a civilização deixa de ser um destino e passa a ser uma resistência.

  2. Mas qual novo normal, este normal é bué do século passado.

    E se querem saber pormenores de como foi mesmo no fim do dito, leiam o livro

    A EUROPA ACABOU EM PRISTINA
    de JACQUES HOGARD

  3. Tentativa de “aggiornamento” de Valupi?! Com falas destas não vai lá, não se livra da sarna! Raptos e assassinatos de chefes de Estado são “novidades históricas para os EUA”?! Chegam-lhe o Panamá e Noriega, ou, nos próprios EUA, Jonh Kennedy?
    Você bem tenta livrar-se da “maldade” da geopolítica, mas não está fácil, não vai lá com filosofias baratas!
    Então, você nem repara que no segundo parágrafo acaba a contradizer tudo o que disse no primeiro?!
    De início é só a defesa de boas intenções, mas acaba por querer voltar à “civilização”, “que a história regista”! Porque, se “pudéssemos viajar até ao passado, de imediato iríamos querer fugir para o futuro”, para a sua “civilização”, né? Sempre a pedir para o mesmo santo, Valupi!
    Como diria o Chico Buarque, “ouça um bom conselho que eu lhe dou de graça” e dedique-se à “operação marquês, que, ao menos aí, tem créditos firmados.

  4. JA, tenho muita pena de não ter lido o teu comentário antes de ter publicado aquela coisa miserável ali em cima. Agora, é tarde de mais, tenho de viver com (mais) essa vergonha. Um grande bem-haja e nunca desistas de corrigir os pobres de espírito como eu!

  5. «São novidades históricas para os EUA»

    No tema central do blog, o Trafulha 44, custo a crer que o volupi seja uma viúva tão tapada como parece: quando diz não saber se o 44 é corrupto ou não, naquele tom sonso dos piaçabas armados em ‘isentos’, é provável que esteja a trabalhar no marketing xuxa ou a trollar cinicamente os quinze leitores do blog. Mas às vezes até parece verdade; consegue passar por viúva.

    Já tanta ignorância sobre a canalha americana, o império mais ganancioso, agressivo, destrutivo e terrorista do planeta, com um histórico de invasões, agressões, assassinatos, false flags, etc., de fazer inveja a Hitler, parece demasiado – até para uma improvável viúva do 44.

    Não duvido que o volupi seja mais um carneiro ‘brainwashado’ por décadas de propaganda americana; tudo o que por aqui diz o comprova. Mas qualquer adulto, ou até adolescente, que leia mais que o Tio Patinhas seria incapaz de escrever a frase acima sem ser um troll.

    Como dizem os americanos, I call bullshit: é mais trollice.

  6. O aqui se faz é relativizar o que está a acontecer dizendo que no passado foi igual. Um branqueamento dos terroristas EUA e Israel.

  7. A civilização (a ocidental, claro, nem outra é permitida) foi bem caracterizada pelo 1o Ministro do Canadá hã pouco tempo. Foi mais longe, caracterizou logo a nova civilização que devemos edificar. Foi muito aplaudido. Ele há cada tolo!

  8. Não confundir alhos com bugalhos. Raptos e assassinatos de líderes, carpet bombing e bloqueios navais pertencem a um campeonato diferente de quem tem boas razões para se defender de uma cortina de mísseis plantada nas suas fronteiras, apontadas à sua capital. Basta ver para onde apontam Graham ou Bolton para saber onde se encontra o Norte moral. No lado oposto.

  9. Se há tema que hoje desperta em mim interesse especial numa conversa de café é o que se relaciona com as relações de trabalho nos nossos dias. Pessoas a contar o que se passa nos seus locais de trabalho. Horrível. Autêntica barbárie. Quase todos a tentarem foderem-se uns aos outros. A cascarem no superior hierárquico e daí a nada disponíveis para lhes lamberem a piça/passarola.
    Não sei se me faço entender.

  10. Block the straight of Hormuz for a week and the world goes mad but block the Rafah crossing for years, preventing the entry of food and humanitarian aid into Gaza and nobody bats an eye

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