«Para o magistrado, as mensagens em causa não constituem qualquer incitamento ou ameaça contra as minorias que visam. “Afirmar-se que determinado grupo de pessoas tem de cumprir a lei corresponde a uma evidência aplicável não só a esse grupo de pessoas, como a todos os cidadãos”, lê-se no seu despacho, que nega que o Chega estivesse a sugerir que a comunidade cigana viva fora da lei: “Não se afigura possível extrair essa conclusão. Quando muito, essa conclusão resulta de sucessivas declarações públicas de André Ventura, que ao longo dos anos terá caracterizado anteriormente os ciganos como uma comunidade que ‘vive de subsídios’ e à margem da lei. Todavia, os cartazes em momento algum afirmam que ‘os ciganos não cumprem a lei’."»
Cartazes do Chega: “Despacho do MP podia ter sido escrito por militante do partido”
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Actualização: Relação confirma ordem de retirada de cartazes de Ventura. Decisão “reduz a pó a do MP”, diz Garcia Pereira
Concordo com o Dr. Garcia Pereira. Mas acrescento: e algumas das decisões que condenaram o Dr. Ventura ou o Sr. Mário Machado (que, sendo um sujeito repelente a defender ideias repelentes, não perde, por isso, o direito a um julgamento justo), não podiam ter sido escritas por militantes do Bloco de Esquerda? É a vida.
JPT, conseguirias dar um singular exemplo do que alegas? Aposto os 10 euros que tenho no bolso como não, nem que tentasses.
O delegado do MP tem de deixar de ser estupido…
Boas
O despacho é realmente uma treta. Em inglês podíamos chamar-lhe disengineous, em português é sonso: finge ignorar não só o óbvio sentido dos cartazes, como o ambiente de xenofobia e racismo chegano que há muito domina o espaço público e merdiático.
Mas a rejeitarmos a sonsice do juiz temos também de rejeitar a sonsice maior que nos deixou aqui: a que faz de conta que não há um problema social e real com os ciganos; ou que constatá-lo é necessariamente racista; ou que se o ignorarmos ele desaparece.
O comportamento de muitos ciganos não é compatível com uma sociedade que se quer justa e civilizada. Não se trata de serem diferentes; trata-se de serem tribais, anti-sociais, primitivos, amiúde ameaçadores e agressivos; de viverem de esquemas e de chulice; de exigirem e usarem recursos sem nada contribuírem; de enfraquecerem e rasgarem o contrato social.
Só quem nunca teve uma questão com um cigano pode achar que eles são inofensivos, quiçá ‘pitorescos’; só quem nunca viveu perto deles pode achar que é uma pequena e ultrapassável diferença cultural. Quem o acha e quem o diz, aliás, são sempre centristas sonsos ou esquerdistas-caviar cujo pior e inconfessável pesadelo é algum dia terem de viver perto deles.
Nem todos os ciganos juntos são tão nocivos quanto um único banqueiro ou outro mamão que compra governos e suga incontáveis milhões do país; e é claro que o chunga Ventura só fala dos ciganos, jamais desses mamões que o financiam. Mas uma coisa não invalida a outra: a impunidade dos ciganos não pode continuar. E fingir que sim só fortalece o chunga.
Vivo perto e bom caminho de ciganos e ainda não me caiu bocado nenhum.
Impunidade dos ciganos? Onde e que viste isso?
Só nos Malucos do Riso e que aquele actor de cujo nome não me lembro, vestido de cigano, saia do tribunal sem consequências.
Em regra um cigano que cai nas teias da lei apanha mais que qualquer outro.
E mais te digo meu artolas. Se queres ser absolvido num caso de atropelamento com morte e matares um cigano.
Perto e bom caminho conheci dois casos desses.
Um matou o homem que estava a apanhar sol a porta de casa, outra bateu o homem na passadeira.
Ambos levaram uma cacetada tão grande que saíram do local na ambulância da cruz preta.
Os que mataram saíram em paz e também nenhum desses perigosos ciganos os perseguiu.
Já uma criatura que atropelou mortalmente uma criatura não cigana que cumpria a lei fazendo se a indemnizações e já tinha rendido duas a família só que a terceira foi de vez só faltou dizerem que era filho do Putin e não sabia. Teve sorte não ser preso sendo que a família, uma gente mafiosa, já lhe tinha prometido suicídio na prisão se fosse dentro. E viu jeitos disso.
De resto apareciam lhe em todo o lado rogando pragas e fazendo ameaças. Para ver se o desgraçado confessava culpa total para a indemnização ser maior. Nesse corno não se benzeram. E nenhum era cigano o que ditou a condenação sem espinhas de quem nem teve tempo para dar um pio.
Fosse a velha cigana e não lhe tinham saído do bolso uns milhares de euros em multas e custas e meses a andar de bicicleta com calor de porco e só não teve de meter atestado no trabalho, dado não haver transportes públicos, por um colega lhe dar boleia.
Claro que toda a gente sabe o que o Ventura quis dizer mas os votos no Chega não vêem só de quem nunca foi a escola.
Foi o Paulinho das Feiras que começou essa fake news dos ciganos a viver de subsídios.
Alias, o Ventura e o Paulinho não começaram nada pois que o ódio aos ciganos começou pelo menos desde os tempos da Santa Inquisição.
Por isso vai escarrar ódio para o raio que te parta e ver se o mar da tubarão branco cheio de larica.
Na mouche o Sr, Bastos (incluindo na última frase). E que dizer quando a sonsise passa para o delírio , como num artigo do Público da semana passada, sobre “quatro portugueses ciganos” cujos percursos “acabam com 5 séculos de anticiganismo”. Diria que evidenciar 4 casos que o próprio artigo qualifica de excepcionais, não só não serve para acabar com os estereótipos que se aplicam aos outros 60 mil, como até dá a ideia (errada) de que esses 60 mil podia ter feito o mesmo que fizeram essas excepções. PS: sugiro a leitura das sucessivas decisões que condenaram o Sr. Machado a 2 anos e 10 meses de cadeia pelo crime de “incitamento ao ódio e à violência” por ter “twittado” com um outro alarve umas alarvidades sobre a “prostituição forçada das gajas do Bloco” “para motivar as tropas na reconquista”. Melhor só a vasta jurisprudência dos Tribunais da Madeira nos processos em que é arguido o Sr. José Manuel Coelho.
Ora bem.
Também cresci perto deles, brinquei com eles e moro perto de alguns, e também não me caiu nenhum bocado, mas deixem-me contar umas cenas.
No tempo da outra senhora, havia talvez umas assistentes socias, que investigavam quem morava em barracas, para ver se tinha direito a um chupa chupa qualquer.
Um dia ouvi na mercearia uma cigana a lamentar que, como tinha a barraca limpa e os putos não cheiravam mal nem andavam ranhosos, não teve direito á esmola como outras vizinhas, ciganas ou não. Moral da estoria, se não parece miserável não é pobre.
Um amigo meu teve um colega, cuja esposa era bancária, a qual tinha um cliente cigano, que tinha uma cadeia de lojas, e quando tinha algum negócio em vista, bastava ir ter com a dita que o emprestimo era aprovado na hora, o qual era logo pago assim que o negocio era fechado.
O tipo tinha uma moradia na Caparica, que fez questão de emprestar á dita esposa do meu amigo para uns dias de férias. Mais tarde e devido a problemas familiares, o negocio foi-se abaixo, e o meu amigo fez então questão de o convidar para a sua moradia na Ericeira. Consta que o homem até chorou, pois assim que o dinheiro se tornou escasso, os amigos da tribo emigraram.
Outro amigo meu comprou um andar espetacular na zona de Povoa ST. IRIA, numa zona nova, o vendedor contou que ainda em construção houve um tipo que comprou um andar com uma procuração de um familiar emigrante. Quando a obra estava perto do final apareceu o comprador com a familia que acampava junto ao edificio, e qualquer possivel interessado em ver o andar modelo basava logo. O homem acabou por negociar com eles e pagou uns milhares de euros para desistirem do andar. Quando foi avisar outros colegas de obras na zona, já havia mais dois casos identicos.
Há um escritor marroquino cujo nome não lembro, originário das montanhas do Atlas, cujos pais emigraram para o litoral, e os putos não o entendiam e não brincavam com ele, mas os filhos dos ciganos espanhois não se importavam, pelo que aprendeu a falar espanhol antes de falar árabe.
Perto de onde moro, morava uma familia cigana, onde saiam de manha cedo, para ir cagar ao campo, elas em grupo, eles sós, e quem ia passear o cão dava com estas cenas, que ás vezes corriam mal. Entretanto o ancião foi preso por burlas com ouro, e como estavam marcados pela concorrencia venderam o andar e basaram.
Moral da estória, em todos os estratos sociais ou etnias há ovelhas negras, e nos ciganos também há ovelhas brancas.
«Em regra um cigano que cai nas teias da lei apanha mais que qualquer outro.»
E quantos, dos que cometem crimes todos os dias, lá caem? Sempre vi ciganos a viver de contrabando, a sacar subsídios, a destruir casas que o Estado lhes deu, a ameaçar quem os questiona ou de alguma forma desagrada, a exigirem privilégios, a passarem à frente, a borrifarem-se nas leis. Ninguém me contou, vi eu. O que raramente vejo é cumprirem, ajudarem, contribuírem ou pagarem impostos.
Já que estamos numa de ‘anecdotes’ pessoais: há anos estava parado num semáforo. Era Julho, sol muito quente, uns 35º. Uma criança cigana andava a pedir de carro em carro. O pai, ou tio, ou lá o que era estava deitado à sombra na relva. Volta e meia gritava-lhe para ela lhe entregar as moedas.
Outra, esta na passadeira em frente ao CC Colombo. Um grupo de ciganas berrava a uma moça assustada. Apareceram outros ciganos e desataram a ameaçar outros transeuntes. Um polícia assistia a tudo de uma distância segura. Toda a gente se encolheu, como é costume quando mete ciganos.
Outra, esta no Hospital de Santa Maria, o maior do país. Urgências, tarde de sábado. Umas vinte pessoas. Aparece um grupo de ciganos. Não querem esperar. Tornam-se agressivos. O maior, um tipo corpulento, ameaça agredir ou esfaquear quem o contrarie. Aparece um enfermeiro e atende-os.
Quantas mais quer, Whale? Há com certeza ciganos que são pessoas evoluídas, cidadãos impecáveis, ou tão imperfeitos quanto eu ou qualquer outro. Mas há demasiados ciganos ainda presos às suas tradições primitivas e anti-sociais, que têm um desprezo hostil pelas sociedades que parasitam.
Sim, muitos ciganos são discriminados de maneira injusta, até mais que outras minorias. Isso vem de trás, como diz. Mas persistir na negação politicamente correcta da realidade inversa, da auto-discriminação de tantos ciganos, só beneficia os chungas e extremistas que constatam essa realidade.
“Mas há demasiados ciganos ainda presos às suas tradições primitivas e anti-sociais, que têm um desprezo hostil pelas sociedades que parasitam. ”
Sugiro que comecemos por preocuparmo-nos com os cidadãos boçais, racistas, tristes parasitas impermeaveis a tudo o que não sejam os sordidos preconceitos la da parvonia, ou da tasca que frequentam, avessos por sistema ao principio de igualdade, e a qualquer principio de civilização, que se acham na obrigação de alardear os que lhes passa pela indigente cachimonia. Esses são de longe a minoria mais importante e mais novica em Portugal nesta altura, inaptos à vida social e politica, autêntico cancro da democracia.
Depois, se ainda tivermos tempo, podemos ocupar-nos dos ciganos, dos judeus e dos cabeleireiros, que apesar de tudos são males menores.
Boas
Elucubrar pretensa impunidade num grupo específico de cidadãos que não têm qualquer poder factico, representativo ou social só mesmo de reaccionários. Confundir Strange fruit com mamões revela a capacidade conceptual de um capataz da secção de frutas do Continente vulgo procurador geral aqui no blogue.
É como ficar agitado porque um CEO português e branco se suicidou em Mozambique e pedir ajuda ao MNE para resolver um pretenso crime.
O alarme
https://www.publico.pt/2026/01/21/mundo/noticia/mocambique-estranha-tese-suicidio-banqueiro-portugues-facada-costas-2162034
A investigação dos selvagens
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/policia-de-investigacao-mocambicana-confirma-suicidio-de-administrador-portugues-do-bci_n1711692
Raça e classe é tudo o que importa.
civilização no cu dos outros é refresco
Caros, o que está em discussão é a frase do cartaz do Ventura, “os ciganos têm de cumprir a lei” e não o que são, fazem ou vivem os ciganos em Portugal. Essa é outra discussão.
E, desde logo, notar como os nossos letrados senhores doutores magistrados interpretam uma frase tão simples que qualquer aluno do 1º ciclo é capaz de interpretar bem sem hesitação. Afirmam, sem pudor de parecerem analfabetos, os nossos ilustres doutores magistrados que “Afirmar-se que determinado grupo de pessoas tem de cumprir a lei corresponde a uma evidência aplicável não só a esse grupo de pessoas, como a todos os cidadãos”, é espremer o português até que dele se extraia o preconceito que se pretende.
Esta extração de sentido vindo do lado do MP é eloquente do seu método de interpretar o que é dito e feito pelos ‘nossos’ o que se fosse dito e feito pelos ‘outros’ seria interpretado com tal excesso de rigor como se fora um crime lesa-pátria com direito a prisão preventiva imediata.
As leis, códigos, doutrinas, acordãos, enfim, tudo que é escrito e faz lei é dado a ´título indicativo’ sujeito à sábia interpretação dos senhores magistrados doutores jesuítas únicos sábios intérpretes do céu e da terra.
Os nossos senhores magistrados são os expoentes máximos da interpretação da língua portuguesa e bem podiam dizer à maneira de Pessoa: a minha pátria é a língua portuguesa tal como a interpreto.
«Confundir Strange fruit com mamões revela a capacidade conceptual de um capataz da secção de frutas do Continente»
Gostei! Claro que é absurdo comparar o tratamento dos ciganos em Portugal com o dos negros no sul dos EUA até há algumas décadas; mas teve piada.
Parece-me saudável, digo-o sem ironia, encontrar resistência quando critico os ciganos. Ainda que muita seja ignorante ou ingénua, mesmo centristas sonsos ou esquerdistas-caviar terão pelo menos uma parte de solidariedade, empatia e indignação sincera contra o que vêem como o ‘punching down’ duma minoria que já recebe opróbrio mais do que suficiente.
Também eu, claro, não conheço todos os casos nem sou imune a preconceitos e generalizações injustas. Admito que não há-de ser fácil nascer-se cigano. E o Chega é tão abjecto que parecer concordar com ele, nem que seja por dizer que está de sol ou de chuva, pode (deve) atrair justa suspeição e indignação. Tudo isto compreendo, aceito e até consigo louvar.
Onde continuaremos a discordar é na ‘cultura’ cigana: sim, temos problemas bem maiores, mas não deixa de ser um atraso de vida e um ataque ao contrato social. É isso, aliás, que muitos ciganos têm em comum com os mamões: uma perene alergia a contribuir para a comunidade. Ganância. Egoísmo. E tribalismo, e hostilidade, e violência. Nada disto é aceitável.
Os ciganos não são corpos dóceis nem tem uma concepção Hobesiana de comunidade, não desistem da sua defesa em nome de uma pretensa salvífica segurança e proteção estatal , o problema conceptual é que vivemos e pensamos entre dois polos hegelianos; fascismo e comunismo, ambos fundados no estado. Para entender um cigano basta ser livre, ele quer que o estado se foda e quanto mais “roubar” melhor. Não tem culpa de não serem animais domesticados como nós, cheios de ideias e livros e o caralho mas vivendo numa perpétua sujeição que se auto justifica com exemplos como os deles. São verdadeiramente revolucionários porque sabem que a Lei só defende o mais forte.
Depois nunca saberemos dos abusos que são acometidos porque eles não dominam o discurso, acreditar em “Ganância. Egoísmo. E tribalismo, e hostilidade, e violência. ” é risível, é mais um panfleto, só comparável à propaganda Jim Crow, e que é repetida ad naeseum quando se pretende culpabilizar uma minoria, seja em Gaza no Sul dos EUA ou agora no Irão.
Já não somos capazes de aceitar realmente o “outro” (alguma vez fomos?)só aceitamos o que nos é vagamente familiar ou assimilados dentro de uma estrutura hierárquica pré-definida.