Vinte Linhas 628

Em 1990 a bagageira do C15 era a casinha do cão

Uma tarde destas, lá para cima de Marvão, depois da casa do moinho, o teu inesperado sorriso com 94 anos de memórias. A porta da casa aberta era um anúncio de vida, de movimento, de gente a sorrir lá dentro.

Tivemos em 1990 umas férias dentro do espaço do seu anexo. De manhã vinha o padeiro a buzinar e a sua irmã trazia o mais fresco leite do estábulo para a menina Marta. Uma vez por outra trazia os ovos amarelos para os melhores bolos de iogurte.

Tenho memórias das lancheiras (alguns operários diziam marmitas) que ficavam a aquecer no seu forno de lenha, gigante e silencioso. Era em Lisboa. No intervalo do almoço as oficinas eram o esplendor do silêncio.

Foi em 1990 porque (eu sei) a Marta tina cinco anos e chamava casinha do cão à bagageira do C15. Íamos para a praia de São Lourenço a trinta à hora e ninguém pensava em cintos de segurança. Mas pensava em segurança e por isso ia devagarinho. Havia no asfalto sempre lugar para estacionar, hoje é diferente.

Em 1990 os seus beijos pareciam não ter fim. Aquelas despedidas, a amizade, a emoção, era tudo como se a Ericeira fosse muito longe e nunca mais a gente se pensasse em ver de novo. Estamos em 2011 mas é como se fosse outra vez 1990, o ano em que a Marta tinha cinco anos e levava para a casinha do cão o Pedro e a Teresa.

Sobejava pouca gente para ir nos lugares normais do C15 da porta da sua casa à praia de São Lourenço. Hoje o seu sorriso inesperado resgatou a tristeza trazida pela neblina do lado de Torres Vedras. E a casa do moinho tem cada ano mais uma árvore.

10 thoughts on “Vinte Linhas 628”

  1. ó pá, agora armas-te em Enid Blyton, pá? Estilo «os cinco», ó pá ai é que se falava nos deliciosos lanches e nas aventuras, fogo, agora vens-ma falar do asfalto e da falta de lugar pra estacionar, ó pa, tu não tens sentimentos, pá,olha poe lá o arrumador de carros como personagem pá, tamém podes por uma manife de comunas e no meio uns quantos cagalhões escuros pá, podes falar dos grilos pá, e no canto dos gajos, pá, claro que vais dizer que os tipos não te deixam dormir á noite, meu.

  2. parece um anúncio da citroen escrito pelo bernardim ribeiro, prá coisa ficar foleira a sério só lhe falta música do jel & peidos da bécula.

  3. ó pazinho, a fotozinha já é usada. o teu quarto tem vista sobre o riacho, pá, nem precisas dizer, é só ares e ares.

  4. o poeta da treta travestiu-se de elsa para fazer publicidade a produtos gourmet de grandes dimensões. não tarda tens de trocar a c15 por um c115.

  5. Ó zeca galhão, pá, sabes o que é uma coisa chamada projecção, pá? nao tens de ir ao livro pá, tu és o exemplo, ora pesca aí, meu, tu projectas nos outros aquilo que és. és uma nulidade e até desconfio, ó cabeçudo que nem um cagalhão tu consegues parir pá, seu trambolho, bandalho, merdoso, derivado de merda, peixeira, histérica, já pró canto seu bandido.vai comer farelo pá.

  6. É verdade Sinhã, há neste texto um certo calor humano. Não é todos os dias que olhamos para uma porta de onde sai uma mulher sorridente com 94 anos, que andou com a nossa filha mais pequena ao colo quando ela tinha 5 anos e hoje tem 26. Quanto ao cagalhão que diz ser a Elsa um «eu» em diferido, só mesmo um cagalhão o podia fazer.

  7. «Quanto ao cagalhão que diz ser a Elsa um «eu» em diferido, só mesmo um cagalhão o podia fazer.»

    ó pazinho, ó zeca galhão, atão? até que dizes bem, só um cagalhão pode substituir-te, é o que tu inspiras às peçoas, pá, mas olha que quem te ferra não é cagalhão, é mais água para te dar banho, ó ronhoso, bandalho, trambolho, vai morrer como os grilos, cagalhão escuro, palhaço, hã, pá, atão tás contente que te chamem e tratem como fazes aos outros pá, olha a hoover é merda, digo-te já, muda pra uma marca mais melhor, a ziemens, pá, a miele, tás a ver, agora essa porra que ninguém cunhece, meu, vai tirar pulgas a caracóis, seu besta quadrada.

  8. oh julia! explica lá o milagre do rejuvenescimento da velha de 94 anos que andou com a tua filha de 5 anos ao colo e que tem 26 anos, deve ter andado os últimos 21 anos a roer cagalhões em diferido, só pode.

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