Vinte Linhas 298

O desacordo ortográfico do jornal «Record»

Chego a Portugal numa manhã de cansaço no regresso da Bienal do Livro do Ceará. Lá conheci o editor Raimundo Gadelha e o autor da minha antologia Floriano Martins. Lá reencontrei dois grandes poetas que já conhecia de Lisboa – José Santiago Naud e Cláudio Willer. Descobri Edson Cruz, José Geraldo Neres, Paulo Bruscky, Sílvio Araújo, Célia Cruz e Carlos Emílio Lima, o mais simpático dos desalinhados. E todos os poetas da América Latina trazidos na mala cheia de livros e de amizade. Depois da maratona de sessões sobre a mestiçagem cultural, a edição de livros, a antropologia, a história e a literatura e o ensino do português e castelhano na América do Sul mas onde o acordo ortográfico não foi sequer referido, sinto-me agredido com um título do jornal «Record» – «Liedson perto do record de Travassos.» Mas Travassos com cedilha e não com dois esses. Tenho na minha frente a fotocópia do bilhete de identidade do senhor José António Barreto Travassos fornecido pelo seu filho António José. Lembrei-me logo do acordo ortográfico que justificou a saída de uma ministra indisponível para o assinar. Ela foi substituída por alguém que aceitou a imposição do acordo ortográfico. E lá fomos, cantando e rindo, levados, levados sim pelos brasileiros. Agora, recém-chegado do Brasil onde a única coisa que fizeram num livro meu foi substituir «prefácio» por prólogo, deparo com algo que não estava no programa. Travassos com cedilha. Mas se esta gente não consegue escrever bem um nome de um famosos jogador de futebol, o primeiro português a jogar na UEFA em 1956 então podemos esta descansados. O acordo ortográfico brasileiro nunca será aplicado em Portugal pelo menos no jornal «Record».

3 thoughts on “Vinte Linhas 298”

  1. Caro José do Carmo Francisco,

    Não terá, também, uma cópia da cédula (não estou certo da existência de bilhetes de identidade em Moçambique nos anos 50 do século passado) de Carlos Queiroz pra enviar para A Bola para ver se param de escrever Carlos Queirós?

  2. Pela parte que me toca nunca irei alinhar em qualquer acordo ortográfico, nem à bala de canhão! Ainda não me esqueci das vezes que levei réguadas, aplicadas pela professora sem dó nem piedade, nem o mais pequeno remorso lhe vislumbrava naquelas feias ventas, para me fazer aprender as regras gramaticais, escrever e ler correctamente! Agora dizem-me que já não é assim, pois muito bem! Que eu me lembre não fiz nenhum acordo, não sei de nada!

  3. Olá, José do Carmo Francisco:

    Bom retorno à Pátria e à Língua Portuguesa !

    E ao Aspirina, claro.
    Jnascimento

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