Um Governo sempre a puxar pelas energias negativas

Sócrates dizia que puxava sozinho pelas energias positivas do País, e era bem verdade. Já nessa altura, a direita mostrava-se muito incomodada com o facto de os portugueses começarem a acreditar que, apesar de terem pela frente um longo caminho até se aproximarem dos níveis de desenvolvimento dos países do Norte, não estavam condenados a ficar na cauda da Europa para sempre. A acreditar que com as políticas correctas se podia arrepiar caminho. E arrepiou-se caminho em áreas bem improváveis, como as tecnológicas, por exemplo, tendo em conta o atraso crónico do País. Fazia sentido até porque, em princípio, a ideia de termos passado a integrar a UE era essa, a de modernizar, desenvolver e enriquecer o País. Mas isto não interessava, nem interessa, à direita, por isso, valeu tudo para correr com quem andava a meter estas ideias na cabeça dos portugueses. Agora, no poder, esforçam-se todos os dias para nos devolverem a descrença no futuro, o desânimo e a velha distância que nos separa dos melhores.

Puxam pelas energias negativas e, ao contrário de Sócrates, não estão sozinhos. É isto que faz um primeiro-ministro que se atreve, não só a pensar, o que já seria grave, a dizer que bom, bom seria poder baixar a esmola a que chamam salário mínimo. E é também isso que fazem os que dizem e repetem que a austeridade veio para ficar, e que esta geração está condenada, ou à miséria, ou à emigração.

Com esta estratégia mórbida, os trastes que nos governam e os seus apoiantes, querem fazer-nos acreditar que o problema não está neles e nas suas opções, e que venha quem vier é este o nosso destino. Mas, lá está, se os jovens emigram é porque, apesar da crise e da austeridade que também lhes bateu à porta, há países onde não se desistiu do futuro. Já percebemos que não é o exemplo desses que devemos seguir, mas o Planeta é tão grande que deve haver um país onde vão buscar inspiração. Digam lá, qual?

5 thoughts on “Um Governo sempre a puxar pelas energias negativas”

  1. Não sei se não será dar demasiado crédito ao nosso primeiro-ministro. Passos Coelho passa todo o tempo a pretender que dirige o país; quando lhe perguntam alguma coisa em concreto sobre as suas políticas, ele rebate refugiando-se em objectivos indefinidos, em incoerências e em negação da realidade.

  2. respondendo à tua pergunta final guida, pelo menos uma nação-exemplo já foi citada:

    “Ao chegar à feira, Pedro Passos Coelho, que guardou para o último dia uma visita ao certame, foi dizendo que o último livro que o marcou foi “o do presidente de Singapura”, que demonstra “a transformação” que o país fez nos últimos anos.

    “Inspirador, embora Singapura seja evidentemente um regime autocrático, o que não é exatamente o que nós desejamos para Portugal””

    Não é ‘exatamente’. Ou seja, é algo parecido.

    daqui – http://www.jn.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Lisboa&Concelho=Lisboa&Option=Interior&content_id=2515508

  3. As leituras deste Coelho são sempre um mistério!

    Que livro é que ele terá lido e de que presidente falaria?

    Se calhar confundiu, como é seu hábito, os escrevinhadores e quereria talvez referir-se ao antigo primeiro-ministro de Singapura, Lee Kwan Yew, nome que apanhou de raspão soprado por alguém e que gravou toscamente na memória para dar um arzinho de erudição quando estivesse frente ao povoléu.

    Tal como o desconhecido escrito de JP Sartre, apelidado de “A Fenomenologia do Ser”, que ele diz ter lido algures, no meio dos muitos ensaios que habitualmente lia quando era jovem(!), pois não gosta muito de literatura…

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