Jackpot – II

Para Confúcio Costa 

Mariana sonhou com o jackpot. Nitidamente. Letra por letra. Algarismo por algarismo. E o sonho repetiu-se na mesma noite. A confirmar.

Ela, claro, não era parva. A chance de tudo aquilo acertar era, digamos, uma em um bilião. Se não mais. Mas, então, porque havia o sonho, não lhe diriam, de ser tão insistente?

Mal abriram tabacarias e quiosques, varreu a cidade. Levava o número num papelinho. Lia-o, mostrava-o. Não dizia porquê. Mas era de caras.

O jackpot saiu a um desempregado que se interessava pelo movimento de várias tabacarias. Quando apareceu na televisão, Mariana filou-o. Se era fraca em números, era óptima em caras.

Quando, num beco a que no lusco-fusco o atraiu, lhe retirou a faca e a limpou, achou que, não tendo ficado rica por isso, alguma justiça tinha sido feita.

8 thoughts on “Jackpot – II”

  1. Se a Mariana sonha, é tonta. Acertar uma num bilião?! serei único?! acabei de receber neste momento por mail: “Your e-mail address was attached to e-ticket
    number:3427-51(4-82),with Ref Number:9135-81”, um milhão já está prometido e muito mais está para vir, eu não sonho, mesmo sem jogar recebo. Graças ao mail do estimado Dr. Callie Manley – “Have you increased your instrument?”, sinto-me novamente um (grande) homem. A Mariana que não sonhe, na WEB temos tudo e…sempre grátis. Um abraço.

  2. Valupi,
    Sim, se calhar. Porque é que não contas essa história?

    Vsuzano,
    Ai, se as falcatruas legais matassem!

    Cabeça,
    Convidas-me para um jantarinho no Amstel Hotel, com vista pró rio?

  3. Fernando, tentei reservar, mas o meu nome denunciou a sua rica vulgaridade. Combinamos um destes dias em Évora no Zé das iscas, com vista para a janela da Maria dos figos. abraço.

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