25 thoughts on “Atrozmente incorrecto”

  1. Porra, benâncio.
    Esta é daquelas que se têm que levar para casa e digerir com cc (calma e cabeça). É que dou por dois terços de mim a quererem concordar contigo e não pode ser, não pode estar correcto. Isto tem de ser atrozmente incorrecto, de facto. Mas até não me parece (eu sei, susana, eu sei) logo à partida. Estou, dividido, baralhado, confuso, quase mulher. Vou para casa juntar os terços para uma converseta séria e já cá venho. Porra, benâncio. Passava bem sem mais esta dúvida no meu dia.

  2. olha Fernando, andei a cheirar enquanto arrumo a estante, novo ano…

    acho que é aqui que está o problema:

    «E quando veio ante manhã uma meia hora, tangeu-se a campaínha e el-rei saiu fora da sua tenda e, assim como ele disse e deu testemunho em sua estória, viu Nosso Senhor Jesus Cristo em a cruz pela guisa que lhe o ermitão dissera e adorou-o com grande ledisse e com lágrimas de prazer de seu coração.»

    Pag. 78 , A Crónica de 1419: o milagre de Ourique como mito fundador de Portugal in Portugal como problema, vol I, Pedro Calafate, Setembro 2006, Lisboa

    isto das lágrimas de prazer a ver um gajo na cruz tem que se lhe diga, não achas?

    Verdade se diga que a Crónica de 1419 é anónima e pode ser a versão do autor, mas ainda assim

  3. Fernando, humor negro. Do mais negro possível. Mas, afinal, o politicamene incorrecto refere-se ao negro ou à mulher? Estou a ficar como o RVN: partido em três partes.

  4. Amigos e Senhores,

    Quando redigi a frase em apreço, confiei em que se entendesse tratar-se dum «eu» sem biografia ou identidade.

    Mas, agora que vejo ter-vos ela, a frase, dado a volta aos miolos, começo a pensar em assumi-la. Começo, digo.

  5. Um escritor americano de sucesso disse uma vez: «Eu já fui preto quando era pobre!» Isto porque naquele momento já não se sentia preto. Lá teria as suas razões. Mas é uma frase um bocado cruel.

  6. ai jesus, o que para aqui vai.

    valupi e rvn, gosto muito de saber que há um homem, para mais preto, dentro de mim. que pena eu não estar a dar por nada.

    tonibler, essa diferenciação pelos sentidos é muito engraçada. ouvindo o discurso do rapaz diria que a tonalidade gospel (que, aliás, é uma das qualidades que tão bem embrulham o conteúdo) deixa bem menos dúvidas que a sua cor, meramente morena na aparência.

    jcf, o dito escritor ironizava, querendo dizer que já não se sentia discriminado, não?

  7. Parece-me o dito escritor queria dizer que, tendo muito dinheiro, já não se sentia preto. Era um autor de paperbaks muito populares. Parece-me que algo de cinismo estava por detrás da frase.

  8. Estou a tentar perceber. Prefere o homem para quê? Para lavar o carro? Para passar a ferro? Para o início de uma longa amizade? Para o fim de uma longa amizade? Para jogar à apanhada? Para tomar conta dos netos? Para tomar um chá? Para jogar futebol? Para acompanhar em vida marital? Para procriar? Para fazer as compras da semana? Para poupar no IRS? Para lhe escrever os posts? Para lhe comentar os posts?

    Prefere o homem para quê?

  9. Ai, Lai, Lai. O que eu fui arranjar!

    Meti-me na cabeça dum abstracto Iowa-iano e apareceu-me aquilo. Apareceu. Ia eu a caminho do trabalho no eléctrico duma capital do Norte. Cheguei ao gabinete e aí vai disto.

    Acredite, eu – este que assina – não preciso do homem para nada, nadinha. E portanto também não o «prefiro». O «eu» do post é a descarnada personagem que me atravessou o espírito no silêncio dum transporte público.

    Mas lá que o Obama (que, dizem, também não é só a limpeza que mostra) dava um presidente mais apresentável do que a arrebitada ex-primeira-dama, lá isso…

  10. não, não, não percebi as dúvidas da/do lai. apesar do teu «eu» abstracto, da «mulher» abstracta e do «negro» abstracto, surpreendeu-me a eventualidade de alguém não ter percebido que a brincadeira era suscitada por essa escolha concreta.

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