Ontem foi uma noite feliz para a claque portuguesa que odeia o Ronaldo. Eles não admitem que o odeiam, obviamente, apenas dizem que está a mais na Selecção. Por isso, quando a Selecção ganha com Ronaldo a marcar ou a dar a marcar, calam-se. Mas ontem houve festa nesta gente. Porque a Selecção perdeu (talvez) também porque Ronaldo não marcou nem deu a marcar e, principalmente, porque quis ser expulso.
Nunca saberemos a razão que o levou a querer ser expulso, e o mais certo é ele também a ignorar, mas não pode haver dúvida alguma sobre a procura desse desfecho. Nas imagens vê-se que o nosso herói aplica um magnifico golpe de cotovelo, em rotação, sobre os costados de um irlandês. De fazer inveja a lutadores profissionais de Muay Thai. Ora, se tal se tivesse passado numa jogatana na Cabana do Pescador, na Caparica, poderíamos inferir que apenas estava em causa o zeloso cumprimento das regras do futebol de praia. Num campo de futebol cercado de câmaras, com a braçadeira de capitão no braço, mais um vídeo-árbitro de olhos abertos, qualquer outra intencionalidade que não a expulsão é inverosímil.
Agora, Ronaldo está mergulhado na vergonha de se ter comportado como um desmiolado. Logo ele, tão ajuizado desde cachopo. E vai continuar a sofrer quando a Selecção golear a Arménia neste domingo sem as suas chuteiras em campo. A claque que o odeia vai festejar a dobrar. Sem suspeitar que esse esfuziante desforço foi uma oferta do jogador que mais amou o futebol na história do pontapé na bola. Ama-o tanto que, apesar de ter uma fortuna acima dos mil milhões de euros, paletes de troféus e recordes, e 40 anos nos ossos, consegue provar que pode ser tão genuinamente irresponsável como um cepo a jogar nas distritais.
