Passos Coelho prometeu reformular o programa Novas Oportunidades, o tal que só servia para certificar a ignorância e que era desenvolvido de forma escandalosa. O PSD nunca reconheceu qualquer mérito a este programa de formação e valorização dos portugueses incluindo muitos desempregados. Percebe-se agora porquê e adivinha-se o sentido da tal reformulação. A formação deve ser prestada pelas empresas e não pelo Estado. Desenterra-se assim o velho método que fez furor no tempo de Cavaco primeiro-ministro, e que em matéria de desperdício de fundos foi o maior escândalo a que assistimos nas últimas décadas.
O programa de formação que o Governo anunciou esta semana terá a duração de seis meses. Será que é tempo suficiente para os formandos receberem uma certificação válida, ao contrário do que sucedia com as Novas Oportunidades, cuja certificação não servia para nada?
Se a opção do Governo é financiar a criação de emprego, está no seu direito, mas não venham com a conversa da formação dada pelas empresas. Há um limite para os atestados de ignorância que nos passam.
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Afinal, de que se queixam os professores?
Talvez esteja explicada a fraca adesão dos professores à manifestação da última sexta-feira. O dia não era grande coisa para andar na rua, chegou mesmo a estar prevista para esse dia a queda, em parte incerta, de um satélite da NASA. Mesmo assim, estranhei o facto de tão poucos terem respondido ao chamamento, outrora irresistível, de Mário Nogueira. Afinal, há uma justificação, parece que não se têm sentido muito bem. Coitadinhos.
Um encontro para a fotografia
Passos Coelho aproveitou a viagem a Nova Iorque para fazer a visita da praxe à comunidade portuguesa ali residente. Provavelmente, convencidos de que o actual Governo tem um rumo definido para o País, os nossos conterrâneos pediram-lhe umas palavras de encorajamento para os que desejam investir em Portugal. Vá lá saber-se porquê, a reportagem da RTP cortou a resposta que lhes deu, destacou foi a sessão de fotografias que Passos se dispôs a tirar com quase todos os presentes. Foi pena, pois com a necessidade absoluta de atrair investimento, esta era uma oportunidade para ficarmos a conhecer o que pretende este Governo para o País. Para além das inevitáveis medidas de austeridade, em que sectores da economia pretende investir. Se é que pretende investir nalguma coisa.
A comparação com o Governo anterior é inevitável. Com Sócrates, podia-se concordar ou não, mas ninguém tinha dúvidas quanto às opções que fez, isto apesar da grave crise internacional que teve de enfrentar. Para Passos, aparentemente, desde que invistam, tanto lhe faz que se dediquem a cavar batatas como à apanha do mexilhão, depois logo se vê se são os investimentos que mais interessam ao País. Voltámos à estaca zero. Nem se dá continuidade aos investimentos do Governo anterior, que apesar dos excelentes resultados obtidos, obviamente, não prestam, nem se apresentam alternativas. Abençoado acordo com a Troika que vai disfarçando (mal) o total vazio de ideias.
TGV Lisboa – Atenas
Uma das promessas mais sonantes de Passos Coelho durante a campanha foi a da suspensão do projecto do TGV. Não havia dinheiro para grandes obras e o projecto era para esquecer, rasgava-se e não se falava mais nisso. Foi nisto que votaram muitos dos eleitores que lhe deram a vitória nas eleições. Mas, chegado ao poder, já não é bem assim, descobriu com grande espanto que há compromissos assumidos e, em vez do silêncio esperado, todos os dias temos novidades acerca do assunto. A obra, maior ou mais pequena, afinal, é mesmo para avançar. Com algumas diferenças, é certo, as mercadorias são agora a grande prioridade. É que já temos turistas mais do que suficientes, e a última coisa que este Governo quer é que nos entrem mais pelo País adentro ainda por cima em alta velocidade. Corria-se o risco de dinamizar o sector do Turismo e isso não pode ser. Como o Governo está cheio de ideias para impulsionar o crescimento da economia, o Turismo pode muito bem continuar a crescer devagarinho ou parado.
Mas para que não se pense que Passos tem aversão à alta velocidade, e que não tem visão de futuro, foi vê-lo, na última entrevista, a ligar-nos à Grécia a uma velocidade verdadeiramente estonteante. Curiosamente, sem mostrar quaisquer preocupações com os custos que tal ligação acarreta. Se calhar, o problema estava no destino. Linha de alta velocidade sim, mas directa a Atenas.