TZ

Este país (ou este mundo…) não é para velhos.

Acho que toda a gente sabe por aqui, porque estou farta de o dizer, que tenho duas filhas. A mais nova tem 12 anos. Em Fevereiro de 2007, aquando do referendo do aborto, tinha 9 anos. Um dia, por essa altura, perguntou-me se eu também achava que se devia poder deixar matar criancinhas.

Sou muito cuidadosa, mesmo com gaijinhas de 9 anos, nas explicações que dou, evitando, na medida do possível, condicioná-las de alguma forma. Assim, expliquei-lhe o melhor que soube e consegui os dois lados da questão e pedi-lhe para pensar. O facto da irmã mais velha dela ter trissomia 21 e já na altura ser legal o aborto nestes casos deixou-a baralhada, afinal já se podiam matar criancinhas, e comunicou-me que a opinião dela era que a lei devia ser mudada porque achava inconcebível que uma mulher que abortasse corresse riscos de cadeia.

Poucos dias depois de me ter comunicado a sua decisão apanhei-a ao telefone com a avó, a minha mãe, a senhora minha mãe. Discutiam o referendo e o voto. A gaijita estava a meter uma cunha à avó, assim tipo presente de Natal – pedia-lhe para votar “Sim” por ela já que ela não podia votar. O argumento? O argumento era fatal – a lei, qualquer lei que dali saísse, era para ela e não para a avó, a avó já não iria nunca ter de decidir se abortava ou não mas ela, do alto dos seus 9 anos, não sabia o que a vida lhe reservava e se tivesse que tomar uma decisão difícil como essa preferia fazê-lo não tendo de pensar que, para além de tudo o resto, corria riscos de vir a ser presa. A minha mãe, a senhora minha mãe, avó dela, desligou-lhe o telefone. Explicou-me depois que se recusava a falar “dessas coisas” com miúdas. Eu ainda hoje me rio.

A gaijinha tem 12 anos, vai fazer 13. Não, não vai votar no próximo PR mas o outro, o a seguir, já vai contar com o voto dela. E com o voto de muitos outros da idade dela. Que não fazem a mais pequena ideia do que é isso de esquerda e de direita, porque se estão nas tintas para quem se sentava onde no Parlamento. A noção de Direita ou Esquerda está datada historicamente e tenho sérias dúvidas que a geração que aí vem a compre. Eu, que nas mesmas eleições já votei PP e PCP, espero sinceramente que baralhem e voltem a dar.

Desbloquear a esquerda? E que tal desBloquear a política?

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Oferta da nossa amiga Tereza

28 thoughts on “TZ”

  1. Um comentário mesmo à medida do «anti-maniqueísta» Valupetas para quem as diferenças ideológicas devem ser eliminadas da política, para que esta possa ser reduzida ao neoliberalismo dominante e para que o debate se transforme em conversas das «Tardes da Júlia». A verdade é que nem mesmo o tontinho do MFerrer vai nesta conversa….

  2. Eu gostei do texto.

    Em resposta a ds, noto que, por uma coincidência que se calhar não é inocente, o post versa sobre um assunto em que o Valupi assumiu uma posição diametralmente oposta à critica que lhe é feita no comentario anterior (peace Valupi, isto não é para recomeçar a conversa…).

    Eu não tenho a certeza que esquerda e direita deixem de fazer sentido no futuro, mas penso que so podem ter sentido, e qualquer outra posição “ideologica”, na exacta medida em que nos ajudam a ver a realidade com maior clarividência, e por conseguinte a transforma-la para melhor com mais eficacia.

    Por isso, ligando mais à demonstração do post do que à conclusão, vejo com bons olhos que as gerações vindouras não “comprem” as ideologias sem as avaliar primeiro, à prova da realidade.

    E digo isto porque acredito, sinceramente, que as oposições ideologicas são mais do que um benfica-sporting de cariz teologico…

    E ja agora, re-lendo a conclusão, concordo no essencial, que me parece estar no “para voltar a dar” (ja que baralhar para baralhar, ha muito quem o faça, e mesmo quem viva disso).

  3. …a começar por aqueles que chegaram ao prémio Nobel, a manifestar interesse pelo destino do homem no seu universo. Se é que há algum destino. Antes, era conversa só de filósofos encartados e teologias várias. O que está na moda e é badalado não passa de refugo opinativo, à medida das profundissimas análises de Marcelos e Pachecos sobre a vida na polis portuguesa. Pimbalhice rematada. Que morra depressa.

  4. «Eu, que nas mesmas eleições já votei PP e PCP»

    Bem, presumo que se refira a: «no mesmo acto eleitoral»; «deram-me três papelitos com cores diferentes, um pra junta, outro pra “cambra” e outro pra “açemblea” municipal».
    São eleições diferentes,
    Votou PP e PCP? … nas mesmas; foi considerado voto nulo.

  5. Eu também votei para o Valupi não me apagar o comentário que aqui puz cerca das 22.00, mas, sabendo o que a casa gasta, não me surpreendi vê-lo esfumar-se. Lá perdeu a Teresa mais um apoiante.

  6. Este comentário do Giróflé das 23.26, em baixo, é aquele que foi enviado às 22 (actualizei a hora para ter destaque). A razão pela qual alguns comentários ficam retidos como “spam” ou à espera de aprovação pode resultar de terem links ou de razões por mim completamente desconhecidas. Também informo que, apesar do Rato me pagar muito bem para estar aqui a hipnotizar a multidão, tal nem sempre é cumprido com rigorosa disciplina. Sim, há certos momentos em que me afasto do monitor e finjo que tenho mais o que fazer.

  7. A Teresa está basicamente certa, e sugere com muito juizo. Que esterqueira é essa de esquerda e direita? Nem centro, quanto mais! Não vem nos livrinhos, mas o cordão umbilical dessa gente anafada de corpo e magra ou maldosa de espírito é o mesmo! A maioria das pessoas só vota nas promessas dessa gente, na cancerosa e anémica esperança de endireitar a democracia – que não tem cura, que é a negação daquilo que apregoa, e que já fede, pela mão da direita e da esquerda, por turnos, infelizmente, sem parar. Por ideologia e trabalho apresentado já ninguém vota com a certeza de saber para que lado fica a palamenta. Só fanáticos partidaristas doidos e lambecricas com pecados de sinecuras reles e por vezes bem untadas é que se dão ao patético ritual do cidadão responsável, à la Valupi – e à la DS, mas com borbulhas diferentes. Amor à sócia, em socialismo e capital social, e ao sócio, em companhia? Sim, o resto é caca.

    Uma risota, se não fosse drama. E se começarem a abrir as boquinhas da ignorância e a falarem de abortos pra e pracolá, vou-me logo embora porque já sei que a coisa vai de certeza atingir proporções de tragédia grega. Isso garanto eu, baseado na prática empírica da minha experiência blogueira.

  8. um dia vou entender, por que o Valupi, não dá troco ao ds.
    cá pra mim (o ds) é dos poucos, se não for o único, que casca a valer no Val.
    será do vinho?

  9. Chessplayer, essa história já foi contada várias vezes, e se quiseres perder o teu preciso tempo basta vasculhares os comentários de há dois anos. O que se passou remete para o uso que o ds fez do nazismo para um ataque disparatado, como todos os que ele faz (ou quase todos, pronto). Acontece que eu não discuto com quem viola as mais elementares regras do respeito pela Humanidade, e usar elementos do nazismo para fazer insultos políticos é algo que não tolero. Informei-o disso mesmo, que deixava de lhe responder, e ele não aceitou o meu critério, antes se justificou insolentemente e continuou a fazer o que aqui vês – e o que, pelos vistos, admiras.

    Posso concluir, pois, que admiras o fanatismo e o valorizas. Ok, problema teu; se problema o for, claro.

  10. Val, acho que estás a misturar alhos com bugalhos.
    essa do nazismo, é nova pra mim.
    entrei nos comentários no Asp. B a propósito de te associarem ao vinho com muita frequência e lembro-me de ter escrito qualquer coisa como
    ” se bebes vinho da uva és cá dos meus”.
    o ds tratou de explicar o motivo por que muitas vezes despachas os comentadores com “larga o vinho”.

  11. Chessplayer, estou só a responder à tua questão:

    “um dia vou entender, por que o Valupi, não dá troco ao ds.”

    Aliás, não é a primeira vez que trazes essa interrogação.

  12. Da outra vez, a explicação que o Valupetas deu ainda foi mais ou menos fiel à realidade. Mas agora, e como já vem sendo hábito, já quer fazer a cabeça dos outros…
    Chessplayer, o gajo não disse nada que me deixava de responder. Não vás nessa conversa! Ele deixou de me responder, o que é diferente.
    O que aconteceu foi uma coisa uma simples: eu limitei-me a comparar a propaganda socretina à propaganda do Goebbels, apenas e tão só. E, como te disse da outra vez, não tenho quaisquer problemas em voltar a dizê-lo.
    O tipo diz que não admite faltas de respeito para com a Humanidade (esta deve ser para rir), mas eu estou convicto é que o gajo não admite é faltas de respeito pelo grande líder, ou não fosse ele (mesmo negando-o) o grande defensor do Pinto de Sousa (mais do que os jugulares, diga-se). È por isso que eu sou, segundo as suas próprias palavras, um «fanático» e «disparatado». E da «esquerda imbecil». Ainda bem! O que me mete mais nojo seria ser confundido com niilistas de merda e impostores, como ele.

  13. Ora, lá está: como eu disse, o gajo deixou simplesmente de responder depois de eu ter feito o meu comentário. O tipo não fez qualquer aviso, como dá a entender no comentário acima. Arranjou um pretexto para o fazer. Ó homem, larga o vinho!

  14. Vá lá, Valupi, ainda bem que desces aqui de vez em quando para explicares à rapaziada as subtilezas da censura filtreira deste blogue. Ainda gostaria de saber que palavras chave utilizas para abrires o alçapão sob os pés dos infelizes.

    Mesmo assim, nunca eu teria a pouca vergonha de te comparar com o Goebels, como o parvalhote do DS fez com o Sócrates, até porque o alemão era coxo e tinha pouco mais de metro e meio de altura. Ainda hoje há muita gente a coçar no queixo pensando no que teria levado a putativa Eugenia hitleriana a perdoar a perna torta do do chefe da sua propaganda.

    De qualquer forma, os tempos são outros. São de trissomia 21 e aborto, entre outros não naturais, quero dizer, induzidos. Discussões sobre Pintos de Sousa, e outras alforrecas similares, e suas cavaleirices andantinas, não passam de gorduras saturadas e saturadoras impermeáveis aos melhores detergentes da democracia. Infelizmente, mas esperado.

  15. Eh pá, fim das ideologias? Esquerda e direita a mesma esterqueira? Quando oiço estas argumentações, apetece-me sacar logo do…corta-unhas. Vou mas é voltar para a cama que está muito calor e pedir a D. Rosa que faça a caridade de me dar o Cérelac no leito. Fónix tá tudo louco!

  16. Diz o Val ao ds:
    “Assim, poderás comentar o que quiseres sempre que quiseres, como tens feito. É contigo, tenho a certeza de que és livre.”

    Giroflés e Cª: “CENSURA, CENSURA!!!! Isto é o Val a cortaros comentários do ds. Malandro…”

    Diz o Val ao ds:
    “Eu é que deixarei de entrar em conversas contigo. O teu fel e demência deixaram de ocupar o meu tempo.”

    ds (o branqueador estalinista que nos toma a todos por parvos): ” Cá está, foi o que eu disse, ele não avisou, ele não avisou, o malandro”

  17. Pronto, os socretinos que costumam ser comidos por parvos (e que o são mais uma vez) saíram da toca para mostrarem a sua solidariedade com o Valupetas. A verdade é que se os parvalhotes repararem bem, o meu comentário surgiu na sequência de um post de alguém do «Jamais» que citou Goebbels, e a quem o Valupetas-que-não-entra-em-conversas-com-quem-não-respeita-a-Humanidade (para rir, mais uma vez) decidiu responder (rir, ainda mais).
    Depois é o que se sabe (bem, alguns têm dificuldade em perceber): eu disse o que disse, e o tipo deixou de responder. Sim, informou àcerca disso (é a sua não resposta, pretexto para deixar de responder), mas o comentário mais acima o que dá a entender é que ele teria feito algum aviso e que eu não teria aceitado as suas regras ou condições (o que pelos vistos, os parvalhotes têm dificuldades em perceber). Mais: nestas suas «respostas» o gajo costuma insultar os outros, e é precisa muita lata para depois se mostrar muito ofendido (coitadinho) com as comparações dos outros.
    Ide todos enfrascar, que estais a precisar!

  18. Bem, estive a fazer uma investigação rápida pelo histórico deste blogue, e penso que descobri a verdadeira razão para o Valupetas ter ficado tão ofendido, o coitadinho. O tipo, provavelmente, tem ascendência judaica, e deve julgar por isso que pertence a um «povo eleito», um povo que não pode ser criticado. O dito respeito pela «Humanidade» é, portanto, uma máscara que ele usa para dizer outra coisa: o judaísmo é sagrado e nada do que lhe diga respeito pode ser criticado ou contestado. O respeito que o tipo diz ter e que exige pela «Humanidade» traduz-se, assim, no desrespeito, por exemplo, pelos palestinianos e pelos direitos humanos, pela humanidade como um todo. Com o gajo, Israel tem carta branca para fazer o que quiser. Até para fazer aquilo que o Saramago disse: repetir a história, mas agora ao contrário. E com esta citação tenho impressão que mostrei (eu e o Saramago) novamente o meu desrespeito pela «Humanidade».
    Nesta «investigação» reparei noutra coisa interessante: um comentador muito conhecido no meio da internet, que se assume como de direita, como liberal, como o «euroliberal», e que concorde-se ou não com ele, fundamenta bem as suas intervenções, fez inúmeros comentários. Respostas do Valupetas? «Euroliberal, larga o vinho». Está tudo dito a respeito das razões para os silêncios do Valupetas, que basicamente serão duas: judaísmo militante e desagrado por ver as suas «teses» serem desmontadas e desmascaradas…

  19. Ó DS, tem piada que eu também andava desconfiado disso. Algumas das suas atitudes verbalistas são notoriamente marxoengelianas – como, por exemplo, quando ele arrecada 100 por cento da mais valia da razão socrático-cuntiana, IVA não incluído. Os arremedos e tiques desse homem são dum trotskismo de assustarem o próprio Louçã quando este se levanta da cama de manhã a arrotar aos discursos que fez na véspera, que é quando se notam mais as feições chapadas dum primo do Kafka que conheci num comício em Paris há muitos anos.

    À direita, não quero arriscar, mas parecem-me infundados os boatos que por aí circulam de que ele telefona todas as manhãs ao president Sarkozy, á hora do dejeuner, a pedir-lhe conselhos e ideias para os seus croissants de palavras. Será que o Cameron da Velha Albion terá ciumes disso? Creio que não.

    E o Euroliberal é provavelemente um frango oligofrénico, sabias?

    The world is a stage, “proclamou” o Shakespeare. Mas como, se esse gajo era filho e pai de analfabetos, e nunca escreveu uma carta a ninguém? Não acredites em nada daquilo que o Valupi escreve sobre politica ou qualquer outra matéria, incluinfo futebol, e já agora aproveita e faz o mesmo em relação ao Veg9000.

  20. Pois Jafonso, mas é isso mesmo que está em cima da mesa. O pragmatismo da racionalidade da dívida pública a impor-se como teorema. Portanto isso tem a ver com a história de que o tempo é convertível em dinheiro mediante o juro como o preço do risco do contrato e a puta da parábola dos talentos.

    Quer queiramos quer não o Fukuyama está aí.

    Só noutro dia é que reparei que revelar, que nós usamos como desvelar, quer dizer voltar a pôr o véu!

  21. que bonito video, Edie! Há milénios que não ouvia os Depéche Mode. A árvore florida, o último estádio da iniciação? A rosa e os mistérios de Isis …

    Consegues por aqui aquele youtube que tem as rodinhas dos chakras a girar? Queria tê-lo guardado mas esqueci e já não sei onde pára.

  22. pois cá está. Devagar e bem, como quem faz um caminho de montanha.

    Então e a Tereza? Eu votei no referendo de acordo com o pensamento da filhota, embora como sou homem é por abdução.

    Voltando às rosas, há uma versão do milagre que é transformar rosas em dobrões de ouro, muito prático para a conjuntura, mas não sei como se faz.

  23. Só agora vi isto aqui e não tenho grande tempo para comentar mas o que me parece, pelo que noto nas gerações mais novas, é que politicamente actuam de forma muito interessante. Enquanto que na vida em geral funcionam por pacotes, compram o pré-embalado, na política vão fazendo escolhas pontuais. Claro que as escolhas são ideológicas mas não ficam condicionados a uma determinada área.

    Pedro Oliveira, obrigada pela explicação. Acho que, finalmente, vou usar da forma correcta os papelitos que me dão os senhores sentados naquelas mesas com umas caixas à frente.

    (falta-me a paciência para imbecilidades e tenho mau feitio, principalmente ao sábado à tarde…)

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