Arquivo da Categoria: Valupi

Vai ser o melhor 2026 de sempre

Garantido. Até porque não há notícia de algum outro 2026 ter corrido mal. Correm invariavelmente bem, este dando-se o caso de ser ainda melhor do que os restantes.

Não, pá, não é possível adivinhar o que vai acontecer, sendo certo que desgraças antigas e desgraças novas vão marcar presença. Putin e Trump poderão não ser os piores facínoras da História, apenas acontecendo que são os piores das nossas histórias. Muito provavelmente, se viverem o suficiente, continuarão a sê-lo chegados a 31 de Dezembro deste novo ano.

Por cá, temos uma eleição presidencial desgraçada. Só há um cadidato que permite alimentar alguma esperança, não se sabendo se sequer chega à segunda volta, e não existindo forma de fundamentar essa esperança em alguma prova tangível.

O que se passa no Ministério Público não começou no ano passado, nem no anterior, nem no anterior. Começou, exuberantemente, em 2009. De lá para cá, tem sido aproveitado pela direita, depois pela extrema-direita. A avaliar pelas sondagens, uma parte cada vez maior da sociedade aprova os atentados contra a democracia, as violações do Estado de direito e os crimes cometidos por magistrados. Parte maior desta gente já existia, outra acaba de chegar à idade adulta sem perceber nada de nada de coisa alguma. Perderam a vergonha, foram normalizados por quem faz da política o vale tudo. Para quem só conta o poder pelo poder.

Não escolhemos passar por isto. Mas podemos escolher tentar passar disto.

O parto continua

Não fazemos puto ideia. Do porquê disto e daquilo. Do que aquele fez, do que o outro disse. Não sabemos. Mesmo que eles expliquem, como por vezes explicam, ficamos sem saber. Mas fingimos saber. Deixamos que as opiniões sobre tudo e mais alguma coisa se sirvam de nós para nascerem e se reproduzirem. Somos bácoros presos no frenesim da manjedoura.

Mas sempre foi assim. E foi sempre a coragem que nos puxou da animalidade.

Lapidar

Conjeturas

NOTA

Na prática, a juíza está a demonstrar, mutatis mutandis, que o perigo de fuga invocado para se ter prendido Sócrates em Évora foi completamente infundado. Ou seja, foi uma opção injustificada do Ministério Público e de Carlos Alexandre, violando os direitos e garantias de Sócrates e confirmando que se estava perante um processo político.

Dominguice

Armando Vara foi detido pela PSP a meio de Novembro para cumprir os dois anos e meio de pena que lhe faltavam por via das condenações nos processos Face Oculta e mini-Operação Marquês. O editorialismo e o comentariado, ao contrário da primeira entrada na prisão, não festejaram. Manuela Moura Guedes não foi chamada pelo mano Costa para soltar o seu ódio demente. As autoridades não venderam, ou ofereceram, ou trocaram, as imagens da detenção de Vara para um esgoto a céu aberto qualquer. Estão satisfeitos, de barriga cheia.

Se algum dia se fizer a história da perseguição e violência política em Portugal com recurso aos instrumentos da Justiça, Armando Vara merece ter lá um denso e longo capítulo.

Maravilhas do raciocínio motivado

«Não tem por isso razão o Presidente quando afirma que Portugal "ficará bem servido, seja qual for a escolha" para seu sucessor. Há um motivo político: em quase todos os momentos cruciais, o Presidente raramente nos falhou. Aliás, quando estão ameaçados valores civilizacionais que são fundamentos do regime, Marcelo não foi de tibiezas e não hesitou na defesa da decência, do vínculo democrático e do respeito pelo outro. Uma postura que contrasta com a timidez substantiva e o tacticismo dos atuais candidatos a Belém.»

Pedro Adão e Silva

Sou fã do Pedro, daí ficar atordoado com aquilo que é tecnicamente uma alucinação sem defesa possível. A citação ilustra o essencial do seu panegírico, havendo outras enormidades no texto completo. Quem mais viu este Marcelo que “raramente nos falhou”? Os 10 euros que tenho no bolso como mais ninguém de ninguém.

Não se sabe quais são os pressupostos da prosa, quais os “momentos cruciais” convocados, que “valores civilizacionais” estão a servir de bitola. Talvez o Pedro apresentasse argumentos que tivessem algum mérito. Ficando tudo isto oculto na subjectividade do autor, o discurso esgota-se no inevitável absurdo. Marcelo iniciou o seu primeiro mandato ainda sem Ventura e sem Chega e vai terminá-lo com a Justiça enterrada em escândalos sucessivos, sistémicos e violadores do Estado de direito democrático pela prática de crimes e pela interferência golpista na soberania política.

Nos 10 anos em que pôde influenciar o regime, o sistema partidário e a comunidade, jamais se ouviu a Marcelo uma singular palavra acerca dos perigos do populismo de extrema-direita ou acerca das disfunções e atentados originados na Justiça. Algo espantoso, visto estarmos perante uma das mais qualificadas mentes portuguesas no campo da jurisprudência – que o mesmo é dizer, da Constituição e dos tais “valores civilizacionais” que nos permitem viver em paz uns com os outros e ter direito à dignidade e à liberdade. Népias. Mas palavras contra os Governos de Costa, contra os governantes socialistas, contra o carácter de Costa, isso não faltou. Numa oposição ilegítima que só descansou após ter sido cúmplice de um golpe de Estado.

Se calhar, a recuperação do patriotismo para o Palácio de Belém passará mesmo por colocar lá quem garanta uma “timidez substantiva”.

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Dominguice

O debate entre Cotrim e Ventura foi um dos mais aviltantes espectáculos políticos que me lembro de presenciar. O problema não está em eles se terem comportado de acordo com a natureza e princípios (ou falta deles) que exibem há anos, mesmo que o Cotrim tenha conseguido disfarçar melhor até termos chegado ali. Ali, onde dois candidatos à função de representante máximo da República Portguesa – portanto, também da Constituição e da Comunidade dos cidadãos – usaram a pessoa de Sócrates como arma de arremesso e explodiram de violência com a temática da “pedofilia”. O problema é que um deles lidera as sondagens, a probabilidade de passar à segunda volta é alta, e o outro fantasia-se como bom rapaz, estiloso e arejado. Mas demonstraram ter uma cultura que conhecemos da criminalidade, onde o marginal tem vantagem (ou acha que tem) por não se inibir a atacar o alvo sem limites morais. Ventura estava descontraído, porque estava no seu terreno favorito. Cotrim surpreendeu pelo descontrolo emocional, aparecendo o seu chinelo marialva que continua a ter gasto no meio social onde fez as amizades e a carreira.

Se estes dois exemplos de miséria ética se candidatassem a uma vaga de professores no ensino público português seria prudente negar-lhes o acesso ao convívio com crianças e jovens sob a responsabilidade do Estado.

Ventura que se cuide

Sondagem mostra que mais de 31% gostavam que Portugal ainda tivesse colónias

Há mercado eleitoral para aparecer o partido “Angola é nossa!”, ou o “Chaimite”, ou até o “Trabalhar é bom pró preto”. Porque estes 31% não estão a incluir os outros que, apenas por vergonha, não quiseram revelar a sua profunda vocação para governador, ou que fosse chefe de posto, no ultramar. Era uma delícia, temperaturas para sandálias e calções, gin e whisky às litradas. E depois os nativos, dóceis uns, apetecíveis outros, mais os perigosos a pedir chicote e bala. Uma vida maravilhosa, destruída pelo Soares, como é sabido.

Ventura, começa já a despachar cartazes para esta gente. São portugueses de bem e de gema.

Coisas do Carvalho

«As carpideiras do regime hão-de continuar por aí chorosas a recordar a beleza das suspeitas passadas para torpedear o despacho de arquivamento da averiguação preventiva do caso Spinumviva. Por isso, é bom que se insista no essencial: num Estado de direito, o que determina o que é ou não é crime, o que viola ou não viola a lei são as instâncias da justiça. A menos que apareçam novos indícios ou factos comprovados do envolvimento do primeiro-ministro num negócio suspeito da prática de crime de recebimento ou oferta indevidos de vantagem, o caso Spinumviva está morto e enterrado naquilo que importa: a sua dimensão judicial.»

Dezembro de 2025

«A omissão negligente do Banco de Portugal presidido por Constâncio pode não ser um crime; mas, numa altura em que o país tenta a todo o custo afastar os fantasmas desse passado venal que ainda hoje pagamos, Vítor Constâncio não se pode eximir das suas responsabilidades. Ele não fez o que deveria ter feito e não pode dizer que não podia fazer nada. Podia, e devia, ter feito mais. Se nada fez por incompetência, negligência ou dolo, não sabemos. Só não podemos aceitar que, depois da investigação do PÚBLICO, ele possa continuar a dizer que não teve nada a ver com esses dias de vergonha, em que uma elite espúria tentou tomar de assalto o sistema financeiro.»

Junho de 2019

Manuel Carvalho manda dispersar à volta do Montenegro. Acabou, está arrumado, ide à vossa vida. Ele sabe o que é o essencial: o Estado de direito. Num Estado de direito só as “carpideiras do regime” (what?) é que insistem nas suspeitas por manifesta falha de carácter. O Carvalho não lhes perdoa, porque o Carvalho, em Dezembro de 2025, com temperaturas que pedem lareira acesa, é um paladino do Estado de direito e dos factos comprovados.

Nem sempre este senhor foi assim. Há seis anos, talvez por ser Junho e o sangue estar mais fervente, o que lhe importava era outra coisa: a beleza das suspeitas para torpedear a honra, o bom nome e os direitos de personalidade de um magote de gente com uma cena em comum: serem todos corruptos via Sócrates. As palavras citadas não deixam a menor dúvida, o homem tem factos quase comprovados para dar e vender: “passado venal que ainda hoje pagamos”, “ou dolo, não sabemos”, “elite espúria tentou tomar de assalto o sistema financeiro”. Tanto e tão bem que comprometeu o nome do jornal ao fazer a acusação num editorial, sendo ele ao tempo o director do pasquim. Tenho a certeza de que o accionista adorou o completo apagamento dos princípios e deveres do Estado de direito nesse lençol de calúnias — que termina a tratar Vítor Constâncio como cobarde.

Não há surpresas com os pulhas. A única surpresa seria deixarem de o ser.

Exactissimamente

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NOTA

Uma fraude política e cívica, este almirante. Nem na cultura castrense exibe medalhas. Contudo, continua a ser o mal menor tamanha a tragédia em curso.

Que Portugal seremos se, quatro anos depois de darem uma maioria absoluta ao PS, os eleitores colocarem na segunda volta Marques Mendes e Ventura? Das presidenciais — ou seja, depois de 20 anos das desgraças Cavaco e Marcelo, estando a governar o degradante Montenegro montado no Chega.

Ainda não foi desta

O debate presidencial que me desperta mais expectativa é o de Gouveia e Melo com Ventura. Mas o debate que me deixou mais esperançoso antes de ocorrer foi o de Ventura com António Filipe. Isto porque tive familiares muito próximos que foram militantes do PCP, e porque tenho amigos que são militantes do PCP. Ao crescer, pude dar sentido a episódios de resistência à ditadura a que assisti sem entender, antes do 25 de Abril, e descobri a importância decisiva, patriótica e heróica de milhares de portugueses ligados ao PCP, de múltiplas formas, para que eu pudesse passar a maior parte da minha vida num regime democrático.

Assim, se o destino me tivesse feito militante ou sequer simpatizante do PCP, desejaria ardentemente poder estar frente ao Ventura, ainda para mais num estúdio televisivo com a certeza de ter uma audiência maximizada. E para quê? Para falar com ele de Salazar. Só de Salazar. Nada mais, e nada menos, do que Salazar. Que o mesmo é dizer, iria pedir a Ventura que explicasse, na minha cara, o que ele pensa que foi, e fez, e não fez, e deixou fazer, Salazar enquanto era o principal responsável político pelo Estado Novo. E depois a conversa desenvolver-se-ia a partir daí.

Não gostaria que o PCP fosse Governo maioritário, porque não gostaria de ser governado por fanáticos. O fanatismo que, por exemplo, explica o seu actual putinismo. Como fanáticos, estão impossibilitados de chegar às melhores soluções para os problemas complexos inerentes à governação de um país (ou que fosse de uma mercearia). Todavia, festejei o fim do bloqueio de décadas à esquerda, quando o PCP admitiu viabilizar um Governo socialista em 2015. Deu origem a quatro dos melhores anos da nossa democracia, seja qual for o critério de análise.

António Filipe frente a Ventura exibiu-se como o político digno, o cidadão valioso, o português honrado por que é conhecido por todos os que com ele convivem, privada e publicamente. Infelizmente, não se apresentou como comunista. Teve um lampejo sanguíneo que pareceu ir buscar essa alma, quando deu um responso a Ventura a propósito de Álvaro Cunhal, sem continuação. Esse absentismo transformou-se em escândalo (provavelmente, só para mim nesta galáxia e galáxias vizinhas) quando Ventura resvalou para a sua gula rapace e começou a defender que os polícias devem disparar primeiro e perguntar depois. São inúmeros os ângulos por onde é não só possível como necessário de imediato confrontar esse discurso com tolerância zero. Exige-se a outros políticos, e também aos jornalistas presentes, que tenham uma resposta implacável perante quem está a promover a desumanização absoluta não só dos cidadãos como também dos agentes da autoridade e de todo o sistema judicial e político. É o culto da guerra civil, onde desaparecem os direitos, liberdades e garantias, para ficar a mandar quem tiver a pistola maior. Quem matar mais e mais rápido.

Ora, vir para um debate com um comunista — portanto, um representante de uma história de sofrimento em prisões arbitrárias e prolongadas de dezenas de milhares de pessoas, na tortura sistemática como método de interrogatório e neutralização, de assassinatos por execução direta ou morte lenta em prisões insalubres, na destruição de vidas e famílias através de décadas de encarceramento, e no terror de Estado destinado a silenciar toda a oposição — saracotear-se como o super-xerife que vai dar ordens à bófia para aniquilar a escumalha é de uma estultícia que merecia uma estátua comemorativa. A resposta de António Filipe, sendo correcta, não esteve à altura da ocasião. Porquê? Porque ele, como os outros candidatos, não se preparou para tratar Ventura como ele merece.

E daqui a um bocado, irá Gouveia e Melo, finalmente, colocar o chunga no seu lugar? Altamente improvável que tal aconteça. Mas neste país há milagres, dizem, pelo que tudo é possível.

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Dominguice

Pacheco Pereira escolheu o lançamento de um livro sobre Marques Mendes, escrito por Luís Rosa, para declarar publicamente o seu apoio a este candidato presidencial. Afiançou ser quem melhor poderá defender a democracia, caso venha a ser o próximo Presidente da República. Surpresa? Vejamos. Luís Rosa é um justiceiro pago para perseguir Sócrates e o PS, nessa actividade cometendo crimes e sendo cúmplice de magistrados criminosos. Marques Mendes, em canal televisivo aberto, e já depois de ter sido designado Conselheiro de Estado, afirmou ter existido uma rede mafiosa em Portugal que durante 20 anos actuou a partir do PS. Marques Mendes e Luís Rosa são dois dos mais influentes protagonistas dos processos de judicialização da política e de politização da Justiça.

Pacheco Pereira, a avaliar pelo seu silêncio acerca dos abusos e crimes perpetrados no Ministério Público em conluio com juízes, aprova o que aqueles dois fazem no espaço público. O seu passado de sabujo do Cavaquistão e de pide da Marmeleira não deixam espaço para surpresas.