A star is born

Não gosto dos meus pés.

Carolina Patrocínio continuando a condicionar a campanha da oposição

*

Uma entrevista dada ao programa Alta Definição, cuja banal lógica é a de revelar aspectos privados e anedóticos das celebridades, levou a Carolina para uma candura que se tornou alvo de aproveitamento político. Diga-se que seria impossível escapar, porque o tema dos caroços, da empregada e da batota é demasiado sumarento e lúdico para não ser usado nos ataques a Sócrates. Até no PS se deu espaço à distorção e aos preconceitos. Agora, surgiu a notícia de que teria sido aconselhada a não dar entrevistas. Tendo em conta que é o Público a servir a informação, tem menos credibilidade do que a minha vizinha do 4º andar. Mas pode muito bem ser verdade, o seu silêncio vai nesse sentido. Se for, a pessoa que lhe deu o conselho tem de tirar férias em Setembro e só voltar em Outubro. Porque este é o melhor momento possível para a Carolina falar.


Repara, conselheiro de Carolinas, a oposição fez da vedeta televisiva uma celebridade política. Ao começarem a gozar com ela por causa de um aspecto caricatural, fútil e que é um monumento ao discurso inane da oposição, chamaram a atenção para uma figura que passa geralmente despercebida nas campanhas: os mandatários da juventude. Neste momento, continua toda a gente a não saber quem são os mandatários da juventude dos outros partidos à excepção da mandatária da juventude socialista. Isto quer dizer que a oposição ofereceu ao PS um novo trunfo. Tudo o que a Carolina faça ou diga passa a ser notícia destacada. Exemplo: Caroços e caroços. Cá está, um opositor político divulga, repete ou amplifica uma mensagem que favorece o Governo: fim da recessão técnica. O caçador foi caçado.

A Carolina deve é continuar a fazer declarações com a honestidade, transparência e desfaçatez de que já deu provas ao falar a respeito da sua privacidade. Deve contar a história do seu envolvimento na campanha, deve ilustrar e enriquecer o seu exemplo de cidadania, coragem e generosidade. Ela, fruto de um acaso que por acaso sabe a fruta, simboliza a ousadia visceralmente alérgica às hipocrisias convencionais ― um traço definidor do que é a juventude em todos os tempos e geografias, o filão está aí para ser explorado. Sim, pertence à classe média alta, ou classe alta (sei lá), tem empregada ou empregados (sei lá), e não gosta de certos alimentos a não ser que sejam preparados de uma certa forma (é disto que se fala). Ou seja, é uma pessoa absolutamente comum, porreira e que fala de si com juvenil entusiasmo e descontracção. E isso de dizer que é tão competitiva que odeia perder, ao ponto de preferir fazer batota? Bom, não se imagina declaração que provoque maior e mais rápido sentimento de confiança, pois só quem é leal é capaz de tamanha frontalidade (e nem vou perder uma grainha a esclarecer o elemento metafórico da expressão). Antecipa-se que a sua presença será agradável, no ecrã ou ao vivo, é genuína. Já os oportunistas, moralistas, preconceituosos, machistas, misóginos e misantropos que se serviram de uma miúda para atacar um homem, podem ir todos para militantes do PSD, PCP, BE e CDS. Há lá muito trabalhinho à vossa espera.

25 thoughts on “A star is born”

  1. aqui tens toda a razão. a malta nunca sabe quando há-de parar. entusiasma-se e pronto , perde o tino. deram-lhe uma visibilidade que nunca teria (só os velhotes e crianças vêm tv que não seja fox , axn e tal ). isso não faz com que preste . não presta. mas quem pegou nela da forma como ela gosta , dando nas vistas ( sei uma anedota bestial que faz trocadilho com dar nas vistas e entrevisttas , não posso contar porque inclui linguagem gestual) , ainda é mais burro que ela.
    e é curioso o pouco assunto que os jornais têm , a importância que dão a anedotas ( a moça é uma anedota) que circulam na blogosfera. é que se o assunto começasse e morresse aqui , era uma coisa. mas foi levado para fora. não gostei nada.

  2. Porreta, a serigaita não tem muito jeito para ser inteligente, mas é mesmo giraça! Quanto mais giraças e giraços, mais fodem a cabeça às oposições… É a lei da vida.

  3. O último período deste post do Valupi DIZ TUDO.
    Aqueles conceitos/preconceitos que ele assinalou nessa síntese final do texto, não deviam estar incrustados na mente de quem quer fazer carreira política, mas…

  4. Eu julga que já tinha visto tudo do valupi. Afinal estava enganado.

    Afinal o valupi consegue fazer uma ode laudatória à vacuidade, de facto, mais baixo será difícil descer.

    Gostaria de ver o que o “pobre” valupi escreveria que a criatura em causa fosse mandatária do PSD, do BE ou doutro qualquer partido.

    vais descer até onde???

    Larga o vinho pá!

  5. Ibn, você não percebeu patavina. O que o Valupi diz é que “se a criatura em causa fosse mandatária” doutro partido como os que você aí menciona, nunca teria a espontaneidade/ironia de dizer o que ela disse. A razão destas coisas não lhe será a si acessível de todo, pelo que se vê do seu comentário – é uma questão de visão do mundo e das coisas da vida, estruturante!

  6. ManuTor, ou lá que vexa Exa seja, só Vexa enxerga. O que seria de nós sem a sua arrogânciazinha primária?

    ManuTor, LOL, podia ser outra coisa, mas essa também está bem. Por muito que se disfarce …..

    Aunque la mona se vista de seda ….

  7. “deve ilustrar e enriquecer o seu exemplo de cidadania, coragem e generosidade.”

    E que exemplo de generosidade, coragem e cidadania são esses, que mesmo sem o enriquecer nos pode ilustrar?

    “… fruto de um acaso que por acaso sabe a fruta, simboliza a ousadia visceralmente alérgica às hipocrisias convencionais” Já lhe ouvi chamar muitas coisas, mas esta é burlesca.

    “Ou seja, é uma pessoa absolutamente comum, porreira e que fala de si com juvenil entusiasmo e descontracção.” Juvenil??????????????????? Acho que já passou a idade do juvenil. LOL

    Bom o problema não é carolina, o problema é o estado ao qual a politica chegou.

    Escolhem, uma mandatária, (neste caso o PS, mas podia ser qualquer outro) só por ser uma figura conhecida. Imagino que a Sra nem consiga distinguir a obra prima do mestre da prima do mestre obra.

    Eis ao estado mais básico a que a politica chegou.

  8. Ibn, não não sou só eu, você também, só que, como estamos em polos opostos na ideologia e na visão das coisas, somos diferentes – a diversidade aliás é a característica principal da vida – mas eu, só disse que você não percebeu patavina, na minha maneira de ver.
    Sente-se bem como é, não sente? Eu também me sinto bem como sou.
    Mas da discussão nasce a luz, só que, como se vê pelos anti-Sócrates, eles querem a escuridão – é estruturante!

  9. resolvi deixar o caso tratado hoje,

    Carolina: sim, até já te vi a desfilar de fio dental, és super etc&tal, os caroços são com cada um, eu gosto, e espero que isto não seja uma manobra publicitária para me pôr a comer mon chéri’s antes do tempo que isto nunca se sabe,

    tenho dito.

  10. Não, não disse “só” “ó disse que você não percebeu patavina”

    “A razão destas coisas não lhe será a si acessível de todo,” por frases como este podemos ser levados a pensar que para além de arrogante, é também pouco lesto a pensar, pois, julga apressadamente, saberá, certamente, o que acontece a quem ajuíza apressadamente certo?

    Cá na minha terra diz-se que as cadelas aflitas têm os filhos cegos!

    A sua prosa não deixa de o denunciar. Ou seja, gato escondido com rabo de fora!

    Ainda bem que se sente bem como é. Eu estou inconformado com aquilo que sou. Nisto, ao que parece, estamos em pólos opostos, quanto ao resto não sei!

    Quanto aos anti-sócrates não sei se tal coisa pode existir, pois, não se pode ser anti algo que não existe (não falo da pessoa obviamente).

  11. Eu estou com uma comentadora do Simplex sobre este assunto:

    “Raquel Menezes a 31 de Agosto de 2009 às 16:16
    Este texto também não tem caroço. Apesar de bem composto, cheio de tiradas a roçar o poético (ou será o patético?) não tem nada lá dentro.

    Se calhar, o Valupi é que é a empregada da Carolina Patrocínio.”

  12. Erriq, Ibn, sim, estou, todo escondido, com o pé de fora, onde, neste momento, a minha empregada está a tentar extirpar um caroço, desculpe, um calo, mesmo debaixo do dedo indicador do pé! Por isso desculpe mas hoje já não posso escrever mais nada.
    P.S.: Ainda não aprendi por aqui, na net, o que é o LOL? Que será?

  13. Existe uma condição fundamental para ser irónico com eficácia que é a inteligência!
    Infelizmente não está a conseguir ser irónico.

  14. Eu diria que é mais “laughing out loud” mas para o caso tanto dá. Cláudia, claro que o “Manu…” sabe perfeitamente o que significa. Até por isso não consegue ser irónico.

  15. vou já ao simplex ver se a raquel esclareceu quem eram os mandatários da juventude dos outros partidos. tenho a certeza que a fruta é outra.

  16. Bem, o valupi é mesmo um gajo dos meus, deixa a gente discutir, aqui, estas coisas pessoais do pensar, do ser inteligente ou não. Já me ia deitar, a empregada já me descaroçou, mas voltei com remorsos de não agradecer à claudia a explicação. É que de facto não sabia mesmo, claudia, juro, mas agora já sei graças a si e também ao Ibn, justiça lhe seja feita – este é que é um sabichão, muito vivido, muita experiência, vê-se, só ainda não percebi qual é o papel dele aqui – é por alguma política ou é contra a política em geral ou é algum “advogado do diabo”? Aqui há muita malandrice, a gente não pode escrever com espontaneidade – como a Carolina, vêem? – e põem-nos com o rabo de fora, etc. Assim se vê que, de facto, inteligência não é comigo. Sou mais para o intuitivo, mas também naive(com trema não é?), o que é outro factor negativo. E por isso, pela intuição, e não só, sou pelo Sócrates – pois não é disso que devemos falar aqui? Não tenho nada contra ele, antes pelo contrário, pelo que ouço, vejo e leio, tenho tudo contra os falsos moralistas, oportunistas e salazaristas modernos que enxameiam o PSD. Quanto ao PCP e BE, é passarem à clandestinidade, os seus ideólogos de antanho assim o fariam, neste SISTEMA – eu sei, o poder é uma miragem e vale tudo para a passagem. Bem, dou por terminada esta conversa que se tornaria interminável.

  17. visita infrutífera para descobrir os mandatários para a juventude dos outros partidos. o bush não é de certeza. a sarah palin não me parece. o pina moura está não tarda com bócio nas alavancas o que não dá jeito nenhum para os piercings. só se for a amaral dias que também já está farta de ser repescada para a primeira liga

    (sei muito bem que podia ir procurar noutros sítios. mas há dias em que gosto de ser camelo. e o resultado podia ser o mesmo. tenho a certeza que me vão desculpar.)

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