A democracia entre a loucura e o ódio

Há quem faça uma leitura legitimadora do terrorismo de bandeira islâmica, vendo nele a resposta assimétrica ao poder militar das potências ocidentais e suas políticas de apoio a Israel ou intervenção bélica em países muçulmanos. Para estes psicopatas, o 11 de Setembro foi um golpe dado no coração do inimigo. Simbolicamente, na dimensão da propaganda, celebra-se nesse evento o facto de a América ter sido mortalmente atingida quando as torres do World Trade Center ficaram em chamas e ruíram. E aceita-se o elemento alegadamente religioso dos terroristas como se fosse apenas uma característica étnica secundária numa devoção internacionalista contra um inimigo comum.

Acontece que o 11 de Setembro foi um ataque contra a democracia, não tendo nenhum outro objectivo. É a democracia – que no plano social e cultural traz consigo a promoção dos direitos humanos e por eles está disposta a todos os esforços e sacrifícios – o alvo final para as patologias de tipologia ditatorial, venham elas de esquerda ou direita, sejam de invocação teocrática ou estritamente seculares. Os direitos humanos alteram as relações de poder, colidindo com forças instintivas e identitárias que se sabem ameaçadas de extinção perante as novas hierarquias de valor. Os conflitos resultantes são terreno fértil para a iniciativa, recrutamento e condicionamento de indivíduos mentalmente doentes, socialmente alienados e cognitivamente disfuncionais.

Os ataques na Noruega terão sido causados por noruegueses, nada tendo a ver com o terrorismo de bandeira islâmica. Essa informação está a causar um curioso efeito de anti-clímax, como se assim já não fossem tão graves. Ora, é precisamente ao contrário. Significa que a democracia está a ser atacada por aqueles que mais desfrutam dela, que a conhecem desde que nasceram. Significa que a ignorância do que está em causa não entra sequer na equação, aumentando a loucura ou o ódio dos que longamente planearam esta meticulosa acção.

Mas o ódio é sempre uma forma de loucura.

22 thoughts on “A democracia entre a loucura e o ódio”

  1. Valupi, eu acho que está enganado. Naão há nenhum “anti-clímax”, bem pelo contrário. As pessoas ainda estão mais chocadas porque não compreendem como é que isso foi (é) possível, como foi possível que tenha sido um norueguês a levar a cabo um tal ataque.

  2. O Val está certo. As conversas de café rapidamente vão esquecer os atentados porque não servem para emitir teorias anti “nenhum grupo”. Se não conseguimos identificar aquilo que nos separa dos terroristas (religião, cor, etc) então o assunto não é confortável (too close to the bone) e “faz-se por esquecer”.

  3. e nem esta fez perceber que quando rangel falou não estava a falar dos exércitos do sul, mas exactamente destes? alemães, eslavos e nórdicos?

  4. Lá está este gajo a rogar de mãos postas à grande puta da democracia para acabar com a prostituição. Assim não vais lá, Valupito, assim nunca vais conseguir educar, curar ou reformar os dementinhos da cabeça, que são normalmente todos os gajos que não concordam contigo nas questões fundamentais das máfias criminales. Se isso é coisa de raça ou sangue, compreendo, e até te posso indicar um bom médico para tratares da saúde à Tay Sachs.

    Andas a ler muito o Coirão, noto. Poupa-te.

  5. Caro Valupi, o título está excecional e o conteúdo acompanha-o.
    Nestes novos tempos os ataques à democracia partem sempre dos extremos, sejam eles religiosos sejam políticos.
    Quanto à violência do Norte europeu, parece que há muito já foi esquecido o Olof Palme, a questão dos lebensborn na Noruega, a perseguição policial aos imigrantes na Dinamarca que deu origem a violentos protestos há uns anos atrás, a violência infantil que assola a Suécia, a violência religiosa na Irlanda do Norte, a violência juvenil no Reino Unido ou a violência racista alemã.
    Claro que estes tipos de violência são olhados de maneira diversa de outras violências, como por exemplo, a nossa, contra as mulheres.

  6. e não será isto apenas obra de um doido varrido ? tipo as cenas dos tiroteios em escolas nos eua e tal ? ou o gajp que mandava bombas por correio lá nos states.

  7. Este é um post típico de um pró-americano completamente obnubilado pela propaganda dos media sob a batuta dos imperialistas norte-americanos. É pena!

  8. Tirei isto que se segue do “jugular”:
    “(imagem roubada ao CC)
    Na BBC, ouço que Anders Behring Breivik, um norueguês, louro e de olhos azuis, com ligações de facto a grupos fundamentalistas mas cristãos (e à extrema direita nacionalista), foi acusado de ambos os atentados terroristas que ontem abalaram o país nórdico. Vou esperar para ver as manchetes dos media, de que estes dois são apenas exemplo, que imediatamente e sem qualquer confirmação ulularam terrorismo islâmico. Mas estou certa que nunca irei ler nada parecido com terrorismo cristão**. E, já agora, quero ver se o PM norueguês tem a coragem do seu congénere irlandês* e mantém o recado.”

  9. parece cada vez mais que este caso é similar a columbine ou ao massacre na finllândia. loucos de manicómio disfarçados de terroristas (que tb são loucos , de uma espécie ainda pior , como os cabrões/ladrões/ carreira delinquente da eta).

  10. Fundamentalistas cristãos e fundamentalistas islâmicos, é tudo farinha do mesmo saco.
    São os grandes inimigos da democracia.
    Aliás, não é preciso serem fundamentalistas, basta serem cristãos e islâmicos.
    O totalitarismo faz parte do ADN desta gente.

  11. O gajo não é nada fundamentalista de porra nenhuma, a não ser do ódio aos estrangeiros. Cristão sou mais eu, que sou ateu. Ele é um reaças ecológico, xenófobo, antiliberal e anti-social-democrata com falta de miolos e de sexo

  12. se calhar era boa altura para levantar a questão da pena de morte. alguém se opõe a que se enforque o homem? border line ou não?
    é que para mim , pena de morte para terrorista ou imitador é pouco. escalpelizá-los , coze-los em banho maria e mais umas tantas coisa e fico contente. aposto que muitos ficarão escandalizados com isto , sobretudo os que ficaram tristes por não ser um atentado islâmico ao ocidente…

  13. “Acontece que o 11 de Setembro foi um ataque contra a democracia”

    Contra a democracia, a apple pye e a happy hour.

  14. bem visto – mas a loucura não é doentia, a loucura é muito sadia e rima com democracia. assim, os raivosos do ódio não são loucos – são sensatamente controladores, autoritários. :-)

  15. olha, afinal a tua memória é contrária aos resultados do post aqui mais abaixo: tu leste uma verdade das minhas e agora é que estás a deturpá-la. se foi coisa impulsiva, meu, prepara-te para a chegada da obesidade. :-)

  16. Anders Behring Breivik
    “Breivik’s father was a Siviløkonom (Norwegian professional title, literally “civil economist”), who worked as a diplomat for the Royal Norwegian Embassy in London (and later Paris). His father currently lives in France as a pensioner and had no contact with his son after 1995. His mother was a nurse. He has two half-brothers and two half-sisters, from the previous marriages of his parents. His parents divorced when he was one year old and his mother together with him and his half-sister moved from London back to Oslo.”

    (http://en.wikipedia.org/)

    Queria chamar a atenção para os sublinhados. Tudo o resto (pretensos motivos ideológicos, etc.) são pretextos, disfarces.

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