25 mil anos na defesa da Nação

Hoje a questão da soberania e da independência nacional está de novo colocada. Não temos ilusões, PS e PSD desistiram de Portugal. Nós, tal como ao longo da nossa História, desde a Revolução de 1383, com as Invasões de Castela, perante o Ultimato Inglês, quando o Rei fugiu para o Brasil e deixou o Povo no cais, foi o Povo que, mais tarde ou mais cedo, recuperou essa soberania, essa independência nacional.

Jerónimo de Sousa

*

Qual Marx, qual caralho, o comunismo português é de origem medieval, segundo informam os próprios. Mas, óbvio, Jerónimo está a ser moderado. Porque não passa pela cabeça de ninguém que a revolta de Viriato não tenha sido um combate contra o caminho de estagnação, retrocesso e desastre nacional que nos estava a ser imposto a partir de Roma. Tal como as gravuras em Foz Côa: se observadas a certa hora crepuscular, a partir de um certo ângulo só conhecido pelo Comité Central, revelam símbolos da luta popular contra forças invasoras e imperialistas, especialmente mamíferos de grande porte.

39 thoughts on “25 mil anos na defesa da Nação”

  1. Se recuares mais ainda, ás primeiras formas de vida rastejantes, dás por ti no meio do ps/psd. É a prova que tudo é cíclico .

  2. bem, olha que realmente nos tempos de crise aguda foi o povo anónimo que, não tendo quase nada, ou nada, a perder, deu a volta a isto. Aliás a grande maioria dos historiadores está de acordo que os descobrimentos só foram possíveis porque houve uma aliança estratégica entre o povo e o rei, que se opôs, e sobrepôs, ao conservadorismo da aristocracia, ou melhor da olgarquia bem instalada. Quanto ao que está aí, bem pode ser o desmoronar de um mundo por força da cavitação, coisa já muito falada aqui no Aspirina.

  3. 1 – Não sei porquê, mas neste post vislumbrei o Jerónimo a fumar um “charro” e a ouvir Jorge Palma “…nós já vivemos cem mil anos…”

  4. Grande chefe não esmorece na luta para desalojar caras palidas das terras de seus antepassados.

    Viva Jeronimo!! Viva Cochise e Sitting Bull!!

  5. histeria ou perversão?,

    bah, depois de cair é que virão os arautos dizer que soçobrou o paradigma da competitividade e do produtivismo, e que se devia ter dado outro enfoque à conviviabilidade e à simbiose. O dia em que o Dow Jones mais caiu este ano foi o dia em que a Alemanha deixou de autorizar as vendas de títulos na bolsa por quem não os detinha nem sequer emprestados, ou seja vendia-se vazio como se fora algo, em nome da produtividade da coisa claro está. Ciao.

  6. E a extinção dos dinossauros já, muito antes, tinha deixado indícios claros de compressão dos direitos dos mais desprotegidos.

  7. Também é a perspicácia do Durão, . Deve ter estado retido por causa da nuvem de cinzas. Levem-lhe pão e água, coitado.

  8. vou ter de fazer outra? :-)

    (marcha de s. sócrates)

    chinelinhas de cores garridas
    marcam passo na nossa fé
    s. sócrates é quem mais convida
    ao tratado de lisboa em pé
    ramalhetes e alecrim
    marcha lenta e sem verdete
    ele espera por ti por mim
    da ota para alcochete
    emoldura o nosso altar
    dá-nos oportunidades novas
    e mais tempo para abortar
    (a ver se mais te consolas)

    chinelinhas de cores garridas
    isto é tudo simplex
    faz-te alegria na rua
    livra-te dos balões latex
    aprecia o professorado
    que quer ir para casa arder
    cortar no magalhães
    e fazer o freeport crescer
    s. sócrates meu santo
    do plano tecnológico
    fazes obras d’encanto
    milagreiro analógico

    chinelinhas de cores garridas
    s. sócrates é bom marchante
    e joga bem do baralho
    mexe no código a granel
    e manda-o todo p’ró trabalho

  9. Compreendo a sua ironia em relação ao carácter hiperbólico do discurso de Jerónimo, mas em duas coisas terá de concordar: Primeiro, que é um político como os outros, anacrónico que seja, o discurso é o seu melhor recurso, e no caso dos discursos do PCP, já sabemos como é, a velha cassete. Este pelo menos, foi exacerbado com o devido interesse histórico. Muito educativo. Segundo, o “camarada” tem razão, pelo menos, assim como ele eu vejo, numa coisa – O PS e o PSD desistiram de facto do nosso país. Já nem para recreio das suas joviais brincadeiras serve, o seu propósito agora, parece ser mesmo o de o demolir por completo, connosco dentro e tudo. Ás vezes é necessário esquecer as preferências partidárias e saber encontrar o verdadeiro sumo, nos discursos de todos.

  10. Dois Pontos importantes:

    1- Jerónimo discursa para manter a sua base eleitoral. E a sua base eleitoral merece todo o nosso respeito. Note-se que não é constituída pelos Dias Loureiros, pelos Belmiros, ou pelos Jardins Gonçalves deste país. É constituída por gente do povo que neste momento “luta pela sobrevivência”.

    2- O PCP, é talvez único partido em Portugal que tem uma visão das classes trabalhadoras, como nenhum outro partido, de verdadeira base social de apoio, que constitui um importante escape pacifico para a população de forma geral. Creio que o trabalho que o PCP faz nesta matéria é psico-sociologicamente muito decisivo para nos separar de contextos de conflito como os que se passam na Grécia e em França (embora menos divulgados).

    Por último, incomoda-me sempre que se fala de Marx, como se o individuo tivesse sido um artolas, que não tivesse produzido nada com jeito. Será que conhecem a obra ?…

  11. Carmin, todas as bases eleitorais deviam merecer o nosso respeito, e o país não se divide em Belmiros de um lado e povo do outro, por muito que o PCP goste de pensar que ainda é assim. E todos, desde a “classe trabalhadora” até ao grande empresário, lutam pela sobrevivência. É um conceito que talvez lhe seja familiar: chama-se “sociedade”.
    Mas dou-lhe razão num ponto: o PCP é o único partido em Portugal que tem uma visão apenas das classes trabalhadoras. É pena é que não veja mais nada, à custa das palas que a ideologia rígida impõe.
    Quanto à obra de Marx, conheço-a apenas nos aspectos aplicados: URSS, Bloco de Leste (e a sua imensa prosperidade), Cuba (resorts de luxo para estrangeiros e prostitutas – o legado de Che Guevara), Reino Popular da Coreia do Norte, a China anterior a 80 (antes, portanto, do crescimento, quando mandaram Marx às urtigas), Vietname (idem), Cambodja (é melhor nem falar). Resultou tão bem, não foi? Talvez seja melhor estudar Marx com mais atenção, tenho a impressão que se calhar nos escapou alguma coisa…
    Mas continue, por favor, com o trabalho “psico-sociologicamente muito decisivo” para evitar os conflitos como na Grécia. Tenho a certeza que é apenas graças a esse valoroso e patriótico esforço que não temos ainda pessoas queimadas dentro de agências bancárias.

  12. Vega

    Fazia-lhe bem ler Marx, mas ler mesmo. Olhe que não produz doença, mas esclarece. E alguns dos esclarecimentos são uteis para o que estamos a viver.
    Tente!…

  13. OK, Carmen, vou seguir o seu conselho, para ver se fico “esclarecido”, gosto sempre de perspectivas novas. Mas já agora, tendo em vista o que aconteceu aos desgraçados países onde o mesmo foi aplicado, acha que os dirigentes comunistas desses países o “leram mesmo”, ou apenas o terão “lido”?

  14. Vega

    Espero que, no caso de ler a obra de Marx fique surpreendido. A realidade do sistema politico dos diversos países que referiu, não está relacionada com a obra de Marx, na minha opinião, claro. Para além de que o pensamento em causa (e não falo de ideologia propositadamente, porque na minha perspectiva, Marx produz um pensamento que mais tarde é adulterado e transformado em ideologia, mas sem a sua “presença”)é consequência duma vivencia especifica que o próprio teve no”interior da explosão da revolução industrial” e portanto, digo eu, inadaptável a sociedades de estrutura económica agrária como o eram a antiga união soviética, a china, etc.

  15. Ah, OK Carmen, já tinha ouvido essa dos países que não tinham as condições ideais. Porque o sistema de Marx, perfeito como tenho a certeza que é, será talvez apenas viável numa estufa com temperatura controlada. Ao contrário, claro, do sistema da economia de mercado, que como entidade inferior que é, sobrevive em qualquer lodaçal. Enfim, não valerá a pena batalhar muito no assunto, já que, como já percebeu, não lhe conheço a obra, apenas os frutos desta.
    Mas deixo-lhe uma pequenina provocação: leia o artigo seguinte (que não me canso de divulgar), e diga-me como é que tal sistema perfeito se aguenta na economia pós-industrial:

    http://www.wired.com/magazine/2010/01/ff_newrevolution/all/1

    Talvez chegue à conclusão, como eu, que o sonho de Marx talvez seja realizado pela economia de mercado. ;)

  16. Olá, Vega.

    Para quem não lhe conhece a obra estás muito bem informado ;)

    Acontece que há outro meio pouco propício ao germinar da semente marxista, que é o da sociedade dos serviços – e dentro desta a do auto-serviço, como muito bem apontas… Caramba, temos de ver se descobrimos uma sociedade da indústria vaporizada para ver se finalmente a coisa se dá…

  17. Vega,

    Marx não faz propostas, apenas divulga o seu pensamento com base no estudo que fez da realidade que vivia no sec. XIX, em Inglaterra.

    Também não cria nem propõe um sistema, tão pouco contraria a economia de mercado. Aliás, para a época, a economia de mercado é definida de forma exemplar por Marx, com excertos magníficos do que se vivia no parlamento inglês.

    Há determinadas obras que devem ser lidas desapaixonadamente. Na minha opinião o Capital de Karl Marx é uma delas. Mas é apenas a minha opinião.

  18. Carmen, se o manifesto comunista não é uma proposta de sistema, então não sei o que será uma proposta de sistema.

    edie, eu sou um ignorante, mas disfarço (razoavelmente) bem. ;)

  19. Carmen, claro que são realidades diferentes, e na minha boa-fé não posso deixar de reconhecer as boas influências que o Comunismo trouxe à economia de mercado, quanto mais não seja pela ameaça de aniquilação total se as pessoas não se entendessem (i.e. sindicatos). No entanto, o que questiono muito a sério é quem, 150 anos depois, ainda defenda a sua aplicação nas sociedades contemporâneas, quando o comunismo, e Marx com ele, está firmemente no caixote do lixo da história. Case in point: China. Se estiver atenta, verá que o que existe hoje, na China Comunista, é a forma primordial de uma sociedade avançada: o Capitalismo selvagem (mas selvagem a sério – até crianças escravas há) com uma pujança e uma capacidade fabril avassaladora. Ou seja, a China hoje terá, neste preciso momento, as condições ideais para a tal revolução do proletariado que Marx falava, como na Inglaterra do Sec. XIX. A ironia é demasiado preciosa.
    Acontece que esta fase do capitalismo selvagem, e da exploração laboral, é apenas isso: uma fase necessária à construção de uma sociedade mais justa, como as ocidentais. Talvez ainda passemos à fase da organização dos operários chineses em sindicatos ilegais reivindicando melhores condições de trabalho. Um regime comunista a reprimir um sindicato, onde é que eu já vi isto?

  20. Vega,

    O manifesto do Partido Comunista NÃO É A OBRA DE MARX. caso não saiba existe obra produzida antes de produzir o MPC, que não foi produzido para a ex- URSS, China ou Coreia.

    No seu caixote, você mete aquilo que quiser. Agora a história e a filosofia merecem respeito, mas enfim…

    Destaco estas suas palavras “Acontece que esta fase do capitalismo selvagem, e da exploração laboral, é apenas isso: uma fase necessária à construção de uma sociedade mais justa, como as ocidentais.” apenas para terminar e dizer-lhe que você é um ser absolutamente desprezível.

  21. OK, carmen, se acha que se passa directamente das sociedades agrícolas para sociedades industriais avançadas com todos os direitos dos trabalhadores como existem na Dinamarca, é consigo. Contra o pensamento mágico, nada a fazer.
    Quanto ao manifesto comunista, é obra de Marx e Engels, como deveria saber. Se não sabe, informe-se antes de se espalhar ao comprido:
    http://www.marxists.org/portugues/marx/1848/ManifestoDoPartidoComunista/index.htm

    Quanto às minhas características, uma das melhores é o espelho.

  22. Vega,

    Há duas formas de conversar com os outros. Uma é construtiva, mesmo discordando. A outra é simplesmente destrutiva. Você, para além de só estar interessado na segunda, ainda possui a brilhante capacidade disfuncional de criticar pensamentos que eu não manifesto, nem tenho.

    Passe bem e tenha atenção ao que manda para o caixote do lixo.

  23. Carmen, discordar não é andar a discutir se Marx é absolutamente fantástico ou simplesmente fantástico. Se você acha que considerar Marx um filósofo importante historicamente mas falhado (como se viu, e ainda se vê) na aplicação prática é conversa destrutiva, é consigo, será mais um ponto em que discordamos. Agora não fui eu certamente que pretendi terminar uma discussão com um insulto.
    Quanto ao caixote de lixo, é o que merece tudo o que não funciona. Aproveitando, claro, as partes recicláveis. Mas estou a ser injusto, admito. Talvez a expressão mais adequada fosse Museu. Atrás de vidros inquebráveis, de preferência.

  24. atenção que Marx não é, de todo, um falhado. Não terá previsto as transições inesperadas socialismo-capitalismo mas a procissão ainda vai a meio. A lei de que o estrangulamento das forças produtivas provoca uma revolução nas relações de produção continua aí, aliás o socialismo de Estado sucumbiu à conta disso, veremos o que acontece ao capitalismo financeiro…

    mas eu vinha é dizer que é bem giro, eu por mim perdôo-vos já e vamos é todos tentar ser melhores pessoas, oh bonzões do caralho!

  25. ahahah, obrigado Σ, estas discussões são acesas e por vezes agressivas, mas giras. E eu não disse que era um falhado, apenas disse que a aplicação prática das suas teorias falhou completamente. Mas alguns aspectos do seu pensamento são, sem dúvida, importantes na construção da sociedades em que vivemos. Quanto ao capitalismo financeiro, está bem e de boa saúde, apesar das dores de barriga provocadas pela gula quando os pais irresponsáveis resolveram deixar o frigorífico aberto. Nada que o médico não resolva:

    http://www.guardian.co.uk/commentisfree/cifamerica/2010/may/21/obama-financial-reform-bill-wall-street

  26. a enunciação está bem dita (só li o título) no entanto sabes como é, à conta da ária que te(re)mos de aprender, já dizia Glaucon a Socrates, as coisas viram,

    on vera.

  27. Como se o marxismo, a ter algo de positivo ou de útil, coisa que os povos ingratamente se recusaram a saborear indefinidamente, pudesse justificar boutades das do género trambiqueiro e agressivo do bom-camarada Jerónimo!
    Deixem lá o marxismo, que o PC também há muito se deixou dessas bizarrias.
    O que é apenas ridículo é a associação que ele faz entre o materialismo histórico e factos avulsos da História. Faz parte da tradição do PCP a confusão entre oligarquias e poder popular…ou vagamente democrático!
    Lembro apenas o Tratado de Brest-Litovsk entre Hitler e Stalin, ou a recusa de apoio aos republicanos em Espanha, abandonados à sua sorte.
    Curioso que o PCP se tenha esquecido de condenar a invasão da Hungria, ou da Checoslováquia, pelas tropas do Pacto de Varsóvia. Tudo claro a favor da Liberdade e das Independências Nacionais desses povos…
    E quanto à soberania dos povos, será o PCP que deve pronunciar-se sobre o assunto?
    Haja pudor e respeito pelos milhões de mortos das várias repressões comunistas sobre todos os povos!
    Em especial sobre as suas próprias populações!

  28. Carmen

    Não perca mais tempo.
    O único Jerónimo que Vega conhece é o Jerónimo Martins.
    E de Marx apenas algumas cenas que recorda dos saudosos filmes dos Irmãos Marx…

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