Archive for the 'José do Carmo Francisco' Category
(poema - autógrafo para Domingos Matos)
Muitas vezes vou cedo chego primeiro
Com a fábrica de sonhos inda fechada
Ainda a relva tem a água do nevoeiro
Ainda a terra tem a frescura da geada
Chego cedo para ter tempo e perceber
A voz da terra que sobe com lentidão
Para respirar a sua postura de mulher
Em sementeiras de ternura e […]
Desenhas devagar um quadro no relvado
Com toda a geometria que te fôr precisa
Para levar o som da tua voz a todo o lado
E a bola a entrar tão veloz na outra baliza
No corpo da equipa tu és um forte pulmão
Não tens anidrido mas sim oxigénio puro
Nos teus pés nasce um projecto de canção
Escrita na […]
Nos juniores tu eras sempre o capitão
Depois na equipa B tinhas a braçadeira
Hoje sei que jogas futebol em Portimão
Porque leio A BOLA de segunda-feira
Corri o país para escrever no meu jornal
Fazia as crónicas e a notícia pequenina
Eras tu que me falavas sempre no final
Mas em nome de toda a equipa leonina
Foste o melhor em campo […]
Passa o dia a viajar como um cigano
Entre a Lezíria e a Estrada de Pegões
Respira o verde todos os dias do ano
Entre a casa e a Escola de Campeões
Chega a esquecer-se das suas lesões
No esforço de curar quem o procura
No relvado eles correm como leões
Na marquesa sofrem com amargura
Passa o dia a viajar como um […]
Sou eu que tenho a chave deste espaço
Onde guardo os sonhos mais fagueiros
De quem faz desta equipa um abraço
Num mundo de caminhos traiçoeiros
Nas vitórias o vendaval é de euforia
Nas derrotas chuva de palavras feias
Custam como o duche de água fria
Ao lado das camisolas e das meias
Pela minha parte tenho a psicologia
Do resgate da […]
«Fia-te na Virgem e não corras, vais ver o tombo que levas…»
Esta tempestade num copo de água que por aqui passou no «aspirinab» a propósito dos «posts» sobre a dedicatória rasurada pelo Nobel 98 e o poema «Rosa Luz» leva-me a lembrar duas ou três coisas essenciais nesta matéria. É preciso olhar com distanciação […]
Tu comias uma banana dentro de um pão
E nunca paravas de jogar em toda a Ilha
Nos torneios diários de futebol de salão
Dando às equipas um toque de maravilha
Nas férias eu já não era o teu treinador
Mas o amigo sempre atento e preocupado
Procurando que te alimentasses com rigor
E seguindo os teus passos por todo o lado
Em […]
Há uma rosa a arder. Já não é lume
Apenas foco de luz sem combustão
No fósforo mal aceso deste ciúme
Só sobejaram os sinais da tua mão
A tua boca foi o botão anunciado
Os teus dedos o que ficou da haste
Procurei a tua voz em todo o lado
Mas foi na rosa ardida que ficaste
Com que então «Digna-se estar presente» o Nobel
A Secretaria Geral do Ministério da Cultura enviou-me um convite no qual José António Pinto Ribeiro, o ministro da cultura, me convida para a inauguração da exposição «José Saramago – A consistência dos sonhos» organizada por Fernando Gomez Aguilera. Até aqui tudo normal. Mas a segunda parte […]
A porta que se abre na manhã fria
Vai revelar o mundo concentrado
Na altura das estantes da livraria
É possível viajar por todo o lado
Entre autores e títulos há viagens
Num mundo interior que perdura
Outros querem a luz das paisagens
Entre a cor e a sombra da gravura
Entre um livro raro e outro antigo
Entre a segunda mão e a […]
Teu corpo é uma planície pequenina
Onde eu sou um lavrador à procura
De fazer com a língua na tua vagina
Sementeiras de paixão e de ternura
Faço dos meus lábios uma charrua
Bem levada pela força dum tractor
E à noite quando vem a luz da Lua
Teu corpo é uma seara só de amor
Na tua boca-vulcão sugas o lume
Aceso […]
«Uma abelha na chuva» de Carlos de Oliveira
Ler «Uma abelha na chuva» em 1969 numa Lisboa temerosa, vagarosa e desenhada a preto-e-branco foi, para mim, a descoberta de um escritor e de um mundo. Carlos de Oliveira escrevia romances como quem escrevia poemas, sem excessos palavrosos, com uma carpintaria essencial. As personagens movem-se na […]
Atirados ao chão na Juventude da Galiza
No passado dia 3 o poeta Adalberto Alves apresentou o seu mais recente livro «No Vértice da Noite» no palacete da Juventude da Galiza ali ao Torel. Falou o editor enquanto por cima de nós uma gaita-de-foles não parava de tocar. Falou Elsa Rodrigues dos Santos e a […]
Viola da Terra, menina
Nas mãos de Hélio Beirão
Cria uma voz divina
Na humana condição
Viola de cinco parcelas
Nas mãos de José Elmiro
Traz a luz das estrelas
Até ao ar que eu respiro
Volta o som das trindades
Júlia, David, José Beirão
Um ciclone de saudades
Sai de dentro do violão
Viola regional Terceirense
Por ela a Terra tem voz
Assim a morte se vence
Nas festas […]
Uma livraria com livros e muita música
Na passada quinta-feira (27 de Março) aconteceu música nova numa jovem livraria (Trama) na Rua S. Filipe Nery ao pé dos CTT do Rato. Estava frio e sair de casa não é fácil pois tudo nos envolve na chamada «cultura de apartamento». As pessoas são convidadas a comprar filmes […]
Dinis Machado na mais velha estação de comboios do Mundo
A fotografia belíssima da estação do Rossio que Fernando Venâncio colocou no «aspirinab» levou-me a recordar algumas memórias. Um dia na Veiga Beirão fui com Dinis Machado falar numa turma de Português. A pedido do professor escrevi estas palavras: «Qualquer maneira de começar é uma boa […]
«Não é uma boa prosa que ambiciono» (Miguel Torga)
Isto de escrever em público e para o público, tem que se lhe diga. Não é fácil, não é como nos «Morangos com açúcar» onde acontece tudo e ninguém paga nada, desde a prancha de surf ao copo de água tónica. Outro dia falando com o director-geral […]
Um Tê Zero na Ericeira
Pôr-do-sol de encantar
Vou logo à segunda-feira
Mais tempo a ver-o-mar
Livro feito por Fernanda
Mistério, Ilha Terceira
Uma aventura comanda
Estas tardes da Ericeira
Alto da Forca, moinho
Não faz farinha, é ruína
Num escritório vizinho
As traduções de Regina
Na Brincosa, Anabela
Com aulas e o mestrado
Não pode estar à janela
Tem o seu tempo ocupado
Loja da Berta, enxoval
Lençóis, camisas, toalhas
É o […]
«Não é preciso revisor; os computadores fazem isso!»
Esta frase é célebre e foi ouvida numa redacção nos anos 90 a um «engenheiro» que administra jornais como poderia administrar supermercados ou lojas de bricolage. Hoje lembrei-me dessa frase pois caíram na minha mesa de trabalho três exemplos de como ele está profundamente errado. Vejamos o primeiro […]
«Prix Nationale Blaise Cendrars» para um poeta português
Liberto Cruz, com o poema «Partir», foi o vencedor do Prémio Nacional Blaise Cendrars de 2008. O júri, presidido por Miriam Cendrars, atribui o prémio com o nome de seu pai ao poema que veio de Lisboa destacando-o como o melhor entre 415 participantes. Para os leitores do […]

