Arquivo da Categoria: Valupi

Revolution through evolution

Screening Those at Risk of Psychosis May Help Prevent Violence, Reduce Stigma
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When sizing up potential friends and mates, the eyes of men and women move differently
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Devotion to National, Religious Symbol Alleviates Stress of Immigration
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Messages with Moral-Emotional Words Are More Likely to Go Viral on Social Media
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Can Journalists Help Readers Navigate the Changing Media Landscape?
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Generous people live happier lives
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Case Grows for Link Between Happiness and Health
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Pensamento marado

Embora não apareça referido, é muito provável que António Guerreiro estivesse inspirado irritado pelo circense Quintino Aires quando escreveu Os psi, modelo de luxo. Para o que me interessa, só tenho a agradecer-lhe ter deixado no espaço público uma denúncia que apenas peca por vir com muitos anos de atraso. É que a coisa existe desde 2009, pelo menos: Pensamento Cruzado

Não sei em que ano deixei de os ouvir, mas sei que foi pela mesma falta de vocação para ser vazadouro de confusa sermonária vendida como “psicologia” que o texto do Guerreiro ilustra expondo a granel a inanidade da parelha. O que leva a TSF do Fernando Alves a ter este programa, agravado pela tonteira de durar só três minutos e ter dois oradores que querem muito dar lições de vida ao povinho, é um mistério. Adorava conhecer os números das audiências e algum estudo qualitativo, em nada me importando se viesse a descobrir que estamos perante um sucesso pois tudo é possível no gosto dos outros. Mas aposto os 10 euros que tenho no bolso em como o programa não consegue ter mais do que dois ouvintes fiéis, os próprios que vão para lá falar de tudo menos de psicologia e psiquiatria.

É desconcertante, até triste, porque a TSF, ou outro canal qualquer de prestígio, poderia ter um papel decisivo na educação para a saúde mental e no combate ao estigma da doença mental. Há tanto na área da psicologia e psiquiatria que pode ser divulgado com imediato impacto nos problemas de milhões de pessoas que este desperdício de espaço mediático aparece quase como um escândalo. Azar o nosso.

Isto agora é o da Joana

Felizmente, foi fazendo o seu caminho em Portugal uma cultura de intransigência social face à corrupção, que está atenta e não aceita a promiscuidade na política e as relações ambíguas entre ocupantes de cargos públicos e agentes económicos. Uma nova cultura de intransigência que, felizmente, tem eco no Ministério Público desde que Joana Marques Vidal está à frente da Procuradoria-Geral da República, dando um imenso contributo para a dignificação da Justiça, das instituições e da sociedade. Felizmente, o Ministério Público passou a estar atento ao comportamento dos políticos.

[…]

A actual remodelação de secretários de Estado tem assim um lado simbólico. Esperemos não seja só isso e, daqui para a frente, surja uma cultura de exigência ética quanto ao comportamento dos ocupantes de cargos políticos. Isso seria mais do que o início de novo ciclo do Governo concreto de Costa. Seria um novo ciclo na actuação política e, por consequência, na governação do país.


A diferença de Joana Marques Vidal

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São José Almeida, jornalista com importante produção no campo do activismo homossexual, situa-se politicamente entre o BE e o PCP (ou coisa parecida, ou para lá do PCP, ou nada disto, sei lá eu). Na sua opinião publicada não se encontram rasgos proféticos, nem iluminações súbitas, a respeito do devir político nacional. Bem pelo contrário, a previsibilidade e banal sectarismo dos seus raciocínios rivaliza com a pontualidade de Kant nos seus passeios diários de outrora em Königsberg. O mundo apresenta-se bem arrumadinho e pronto a entender na sua cabeça. Há bons e maus. Os bons são quem ela decide que são, os maus os restantes. Por exemplo, os políticos são maus. Pelo menos, todos aqueles que a São José não considerar bons, o que resulta numa enormíssima maioria. São maus porque são corruptos, e são corruptos porque não são bons. É simples de explicar e ninguém contesta sob pena de ser acusado de cumplicidade com a corrupção dos políticos. Num outro e congénere exemplo, o PS também é mau. E, dentro desse mal encardido e venenoso, o pior vem de Sócrates e de quem esteve ao seu lado. Ora, Sócrates teve o partido todo a seu lado durante anos, e parte dos seus mais próximos continuam politicamente relevantes, e até próximos de Costa. Resultado, esta senhora não perde uma ocasião para denunciar a profunda corrupção que grassa entre os socialistas.

Dentro deste quadro maniqueísta, o populismo e o moralismo fazem lei. Não espanta, então, encontrar uma arrebatada, lunática e pacóvia glorificação de Joana Marques Vidal com a sua assinatura. O texto que cito é típico nisso de ser completamente falho de fundamentação. Como avaliar a seguinte frase “Felizmente, foi fazendo o seu caminho em Portugal uma cultura de intransigência social face à corrupção, que está atenta e não aceita a promiscuidade na política e as relações ambíguas entre ocupantes de cargos públicos e agentes económicos.“? De que “caminho” está a falar? Quais são as manifestações da suposta “intransigência social face à corrupção“? Como definir o que sejam “relações ambíguas entre ocupantes de cargos públicos e agentes económicos“? Nada explicitando, sequer pela rama, não podemos saber do que está a falar. E, portanto, o discurso fica blindado contra a crítica pois se furta à mera análise da sua veracidade e sentido. Qual o seu valor? Nada mais, nem menos, do que ao passar na rua ouvir-se um “Viva a Joana!” caído de uma janela.

Seria fascinante ler ou ouvir esta jornalista a discorrer sobre um tema que lhe é tão querido mas agora estando obrigada (voluntariamente) à objectividade. Que sabe ela da corrupção em Portugal com base nas informações disponíveis nos diferentes organismos do Estado, nas universidades e em organizações relacionadas com o fenómeno? Que tipo de dados e qual o seu tratamento que conseguiria organizar e divulgar? E, indo directamente para o âmago da sua paixão messiânica, como é que a incensada “cultura de intransigência” deste Ministério Público desinfectado da porcaria dos socialistas se saiu no caso dos submarinos e de Dias Loureiro, por exemplo? É que, se correu tudo bem, o seu entusiasmo com a prisão de Sócrates e a demissão destes secretários de Estado será assim um bocadinho a modos que prematuro. Ou suspeito. Onde não há suspeição, e podíamos espremer todos os seus textos, é na convicção de que os seus conhecimentos factuais a respeito da corrupção não diferem dos que são partilhados gratuitamente pelos taxistas.

A ideia de que a eventual corrupção que aflige a Nação diz respeito a viagens e hotéis para isto e aquilo, e que podemos ficar tranquilos desde que esses malandros passem a pagar do seu bolso esses luxos caso os queiram usufruir fora do horário de trabalho, não é apenas estupidamente estúpida. É algo muito pior, é o culto de uma hipocrisia de Estado que conhecemos dos totalitarismos e ditaduras. São José Almeida gostava de ver os políticos acorrentados nos seus gabinetes e a trabalharem sob as ordens de um capataz de chicote, porque não confia em quase nenhum dado conhecê-los tão bem na sua natureza maligna. No final do dia, receberiam uma malga de água e um pedacito de pão. Tudo em nome da “exigência ética” que vai pôr os “comportamentos dos políticos” na ordem. Ou na prisa.

Vergonha, modos de usar

O desfecho da comissão parlamentar de inquérito à CGD gerou um episódio que começa por ser inacreditável, e que acabará por ser carimbado como burlesco ou trágico. Inacreditável porque não se acredita que o PS fosse para a votação do relatório – ainda por cima, e antes de tudo, dadas as questões em causa e sua notoriedade – sem saber onde estavam os deputados envolvidos, suplente incluído. Burlesco se a causa tiver sido a incompetência do grupo parlamentar. Trágico se tivermos assistido a uma encenação dos socialistas para obterem exactamente este resultado, o chumbo do relatório. Para clarificar esta última hipótese teremos de esperar pela conclusão das investigações judiciais à Caixa, algo que pode demorar meses ou anos. Neste contexto, a notícia da saída de Alberto Martins do Parlamento pode ser um sinal de que algo profundamente errado aconteceu nesta história ou tratar-se somente de uma coincidência.

Factualmente, quais as informações novas geradas pela iniciativa parlamentar que colocou sob juramento os principais responsáveis pelo banco nos períodos investigados? Para o leitor e espectador interessado nos assuntos políticos, a resposta é nada, zero, nicles. PSD e CDS foram para a comissão cheios de suspeitas e essas suspeitas continuam intactas, na sua retórica, ou esvaziaram-se, de acordo com as declarações dos inquiridos. Resta a esperança de os colossais crimes estarem guardadinhos na papelada do banco à espera do olhar aquilino de um Ministério Público onde acabou a impunidade graças ao heroísmo e santidade de Joana d’Arc Vidal. Ou seja, se nos cingirmos às posições e declarações dos partidos, o inquérito serviu para reforçar a ideia de que a direita explora hipocritamente uma situação onde não tem qualquer prova para apresentar, limitando-se a mandar atoardas por ser essa a sua cultura política, um estado de decadência onde a calúnia aparece como a principal arma de arremesso.

Esta seria uma situação onde a imprensa poderia vir em nosso auxílio. Do que se trata é de tentar saber o seguinte:

– PS, PCP e BE encobriram ou adulteraram algum dado, ou dados, nos trabalhos da comissão?
– Alguma informação substantiva que indicie ilegalidades ficou registada nas declarações dos inquiridos? Se sim, qual ou quais? Se sim, em quê e porquê?
– A versão do PSD e CDS – a qual implica que não só Sócrates como também Teixeira dos Santos (na prática, todo um Executivo, ou dois) e vários dirigentes máximos da CGD cometeram inauditos e homéricos crimes de corrupção – merece algum crédito, sequer módico respeito?

Portugal é pequenino e a nossa imprensa é minúscula. Um dos primeiros a opinar foi o David Dinis – A honra do convento – e o que escreve deixa-nos um retrato de anomia, uma visão onde o jornalismo não passa de uma câmara baixíssima que serve apenas para destilar maus fígados. Se lermos o seu texto 10 vezes não conseguiremos extrair qualquer dado objectivo sobre o que realmente esteve e está em causa, seja na comissão de inquérito ou no seu acto final. Pelo contrário, o autor prolonga o discurso da direita, largado suspeições que não fundamenta para poder colocar todo o entusiasmo teclado na difamação. A frase “Salvou-se a comissão de uma vergonha” não quer dizer absolutamente nada para além do seu desejo de insinuar que estamos perante uma farsa gigantesca. Uma farsa que ele topa muito bem, claro, apenas não se dando o caso de ter tempo para nos explicar em que consiste e por que sortilégio ainda se mantém apesar deste bacano estar por dentro da cena e ter um jornal e não sei quantos canais de TV e rádio à disposição para expor a “vergonha”.

É que acabar com as vergonhas políticas que este tipo de jornalistas vão coleccionado pode não dar jeito nenhum, né? Se acabassem, falavam do quê?

Serviço público

Num bairro que se habituou a ter medo da polícia, a ouvir "para dentro, caralho", a revistas sem motivo, a portas partidas, a balas perdidas, a ser tratado por tu, a não protestar "porque é pior" e a não fazer queixa "porque não serve de nada", a acusação do MP à esquadra de Alfragide é como uma esmola demasiado boa: o pobre quer acreditar mas desconfia. É muito tempo sem justiça nem lei, de "preto vai para a tua terra", de "cala-te se não queres levar". A sede de uma espera só se estanca na torrente. Virá ela?


“Os polícias eram deuses, agora são como nós”

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Study Finds ‘Sexism’ in Sexual Assault Research, but This Time Men Are the Target
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Cannibalism: A new way to stop the spread of disease
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Cognitive behavioral therapy improves functioning for people with chronic pain, study shows
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Handshaking viewed more positively by Westerners than by East Asians
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Banks hired risk officers to mitigate risk in years before collapse. It didn’t go so well
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A Purpose in Life by Day Results in Better Sleep at Night
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Study Reveals the Hidden Ways Math Helps Us in Everyday Life
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Suspeito, não sabe do quê, até prova em contrário

Em mais um 14 de Julho, aniversário da Revolução Francesa, vem a propósito recordar o que se passou há 11 dias com Manuel Pinho. Segundo o seu advogado, Pinho foi constituído arguido no caso das rendas da EDP sem ter sido ouvido e, principalmente, sem ter conhecimento do que estava na origem da acção judicial sobre a sua pessoa. No dia seguinte, a PGR enviou para a Lusa uma declaração onde se lia que “no momento da constituição, o arguido foi informado dos factos que lhe são imputados”. Mais um dia passado e Ricardo Sá Fernandes apareceu a desmentir a PGR e a anunciar uma queixa à Ordem dos Advogados para refutar o que considerou como falsidade. De lá para cá, no meu radar, nada mais aflorou a respeito. Não sabemos quem mente, mas sabemos que alguém mente.

Será este episódio algo sem importância cívica, política ou social? Não, impossível. O silêncio que o encobre revela uma sociedade que já transitou em julgado a culpa de um grupo de cidadãos. Nesse grupo está Manuel Pinho, figura que é fácil de ridicularizar e ofender. Saber que foi constituído arguido sem saber porquê, sem se poder defender e, como também apareceu publicado, apenas para evitar a prescrição de um inquérito, não causa escândalo, sequer solidariedade ou mínima preocupação. Na prática, testemunhamos um ostracismo generalizado que foi e é desejado por este Ministério Público de Joana Marques Vidal. Acham, e com toda a razão, que é meio caminho andado para prolongarem um exercício de poder que, a confirmar-se a versão de Sá Fernandes, corresponde a uma prática despótica. Saber como chegámos a este estado não é operação cognitivamente exigente, pois existe uma campanha intensa para linchar publicamente todos os alvos que possam contribuir para a exploração caluniosa de Sócrates com objectivos comerciais e/ou políticos. Pinho alia a ligação a Sócrates à ligação ao BES, transportando uma nuvem de culpabilidade que não passará nunca, nem mesmo que saia ilibado dos imbróglios legais onde está metido. Ainda por cima é rico, logo, fogueira com ele.

228 anos passaram desde a Tomada da Bastilha. Incontáveis e radicalmente decisivas as alterações políticas e sociais resultantes desse evento na França, na Europa, no Ocidente. Qual a relação desse pilar da História Moderna e Contemporânea com esta nanohistória de um fulano mal-afamado que foi constituído arguido no meio de um bate-boca sobre questões formais a que ninguém liga, muito menos tratando-se da rês em questão? A relação é a que cada um quiser – e puder – estabelecer. Na verdade, podemos recuar mais anos, mais séculos, até milénios, e continuar a estabelecer nexos fundamentais. Trata-se de reconhecer o papel do conhecimento histórico na formação da consciência política, primeiro, e na formação da actividade cívica, depois. Quem não souber explicar a si próprio o que aconteceu na Revolução Francesa igualmente não conseguirá sequer perceber qual seja a importância de vivermos num Estado de direito democrático. Porque não irá entender o que seja uma democracia, uma constituição, um direito. Nesse caso, qual será a origem das suas convicções ou opções políticas? Quais os mecanismos através dos quais toma decisões eleitorais? Como se gera na sua consciência os gostos e aversões pelas figuras públicas ligadas ao poder político, económico e social? Não é um acaso que, neste País vítima de décadas de analfabetismo e iliteracia, décadas de ignorância intelectual e atrofio cívico, o Correio da Manhã seja o grande educador do povo.

Como escreve Sócrates – Arguido por prevenção – o Código Penal não contempla a figura de arguido por fezada e arbítrio de algum procurador que esteja para aí virado. Porém, talvez o devesse fazer. Talvez o melhor seja regularizarmos a situação. Pormos em letra de lei que se pode constituir arguido qualquer cidadão sem carência de factos que o sustentem, sem que seja ouvido pelas autoridades judiciais, e ficando a partir daí ao dispor do Ministério Público e do seu aparelho mediático para o que lhes apetecer. É que coisas destas já aconteceram, eram a norma no tal passado registado na História. Os poderosos de então não conheciam outra forma de exercer o poder que não passasse pela lei do mais forte. Foi preciso que muita e muita gente verdadeiramente heróica morresse, ou perdesse tudo de seu e ficasse na miséria ou encarcerada, antes de se conseguir criar neste planeta uma outra forma de convivência onde a liberdade, a igualdade e a fraternidade substituíssem a tirania, o privilégio e a opressão.

Nesta terra de liberais de pacotilha, temos de perguntar aos valentões que apanham corruptos pelo cheiro, não precisando que qualquer investigação se conclua nem de conhecer a defesa dos envolvidos, se estão de acordo com a tal mudança do Código Penal – se isto de tratar cidadãos como suspeitos não sabem do quê até prova em contrário é só para ser usado contra alguns tipos que eles não gramam ou se também querem ver a sua família, amigos e colegas de carreira sujeitos ao mesmo remédio. Conseguir levá-los a responder a esta questão seria verdadeiramente revolucionário.

A CGD e a telepatia

O PSD, e muito bem, pretende que o Parlamento investigue até à última gota a CGD. Perante um inquérito parlamentar que não encontrou provas de pressões políticas sobre a Caixa, tendo os principais dirigentes do banco declarado sob juramento que sempre agiram sem condicionalismos dos diferentes Governos, os sociais-democratas estão em combate para que não se aprove as suas conclusões. Na berlinda está o levantamento do sigilo bancário da CGD, do Banco de Portugal e do Ministério das Finanças. A suspeita que justifica o interesse é da maior importância para a direita partidária e mediática, dizendo respeito a certos empréstimos, a certas pessoas, para certos negócios. É uma suspeita que tem sido explorada a outrance vai para 10 anos, coincidindo com a implosão do BCP por exclusiva responsabilidade de Jardim Gonçalves e do seu delfim, Paulo Teixeira Pinto. Ambos criaram uma situação de ruptura que abriu uma crise institucional no banco. Nesse contexto, diferentes accionistas aliaram-se para encontrar uma nova solução de gestão, e é neste âmbito que nasce a teoria da conspiração predilecta da oligarquia: Sócrates deu ordens à CGD para emprestar dinheiro àqueles que depois iriam conseguir controlar o BCP e meter Santos Ferreira e Vara no comando das operações. A teoria implica ainda que Sócrates dominava o BES e seu DDT. Ou então que era dominado pelo Ricardo, pois a teoria dá para os dois lados com igual eficácia argumentativa posto que nada tem de ser provado, sendo usada nas duas versões consoante as ocasiões e a direcção do vento. Mas o interesse da direita e seu império mediático não se esgota no BCP, pois qualquer empréstimo que possa ser associado, seja de que forma for, a Sócrates é alvo da suspeição máxima, quando não de certezas prévias às eventuais investigações. Existem milhares de declarações de políticos, directores de imprensa, jornalistas e comentadores em “órgãos de referência” a propagar estas ideias num qualquer grau ou modalidade. Se o PSD tiver razão, se os tais documentos em falta forem disponibilizados aos deputados e revelarem o esquema dos bandidos, ficaremos penhorados aos bravos da Lapa porque algo historicamente importante para a Justiça, a política, a sociedade, e até para a cultura, em Portugal terá acontecido ao apanharmos criminosos desse calibre.

Curiosamente, o PSD não pretende que se investigue até à ultima gota o caso do apagão no Fisco de 10 mil milhões de euros transferidos para paraísos fiscais. O que está em causa são transferências ocorridas em 2012, 2013 e 2014, exclusivamente do BES e Montepio nos três anos consecutivos – e correspondendo no caso do BES ao volume de 7917 milhões de euros omissos na base de dados. Perante a auditoria da Inspeção-geral de Finanças que concluiu pela inexistência de responsabilidade humana nessas anomalias, os sociais-democratas de imediato reclamaram que o Governo devia um pedido de desculpas a Passos Coelho, ao Governo anterior e ao PSD. No entanto, não é preciso ser técnico das finanças ou de informática para suspeitar que tamanha coincidência talvez seja mais improvável do que ganhar o Euromilhões 3 vezes de seguida. É que o programa do Fisco envolvido só teve problemas no registo das transferências para offshores. E só em 2012, 2013 e 2014. E só para o BES e Montepio nos três anos consecutivos. E permitindo que o BES, na altura crítica em que pairava sobre os seus donos o descalabro total, pudesse mover para fora do País aquela quantidade de dinheiro ocultamente. Pode ser uma coincidência, claro e sei lá eu. Todavia, porque está o PSD cheio de pressa para arrumar o assunto apesar das evidências que suscitam a maior perplexidade? Ainda por cima, a ter existido mãozinha, ela abrirá um novo capítulo na história da criminalidade em Portugal graças à sofisticação da operação. Dir-se-ia que este material jornalístico seria capaz de deixar a imprensa nacional a salivar de apetite e com ganas de revolver os calhaus da estrada, mas, como não mete socialistas, reina o marasmo na produção de títulos e falatório.

O caso da CGD é fascinante para os apaixonados por política. Estamos a falar de um banco que teve e tem nos seus quadros dirigentes – portanto, ou seja, isto é, nas pessoas que conhecem perfeitamente bem o que se passou com os tais empréstimos, dispondo de toda a documentação a respeito para ler e reler caso sofram de insónias – dezenas de bacanos ligados ao PSD e ao CDS ao mais alto nível. Faria de Oliveira, presidente do Conselho de Administração e CEO de 2008 a 2011, foi uma figura grada do Cavaquistão. José de Matos, o presidente da CGD que se seguiu, foi escolhido pelo Governo do PSD-CDS. Paulo Macedo e Rui Vilar não carecem de apresentações nem de explicações sobre os seus percursos. E estas referências dizem apenas respeito ao pináculo da pirâmide, logo abaixo os níveis directivos estão repletos de imitações. Donde, não há nada que se possa descobrir nos tais documentos em falta que eles não tenham descoberto directa ou indirectamente. A comissão de inquérito parlamentar à CGD foi anunciada pelo PSD com pompa e excitação dada a promessa de se ir, finalmente, confirmar o faduncho que andavam a cantar nas esquinas. Lá chegados, só um indivíduo deixou no ar suspeições que não provou e que foram de imediato desmentidas pelos terceiros que referiu. Esse indivíduo dá pelo nome de Campos e Cunha e a sua obsessão com Sócrates e com o PS não passa de um caso de ódio até prova em contrário. Os restantes desmentiram, sob palavra de honra, o discurso calunioso da direita. Em suma, se a CDG foi um pardieiro do “bloco central”, como PCP e BE não se têm cansado de repetir ao longo de décadas, essa paridade tornava impossível a sua manipulação para a luta política por um dos lados em desfavor do outro. Pura e simplesmente, tal seria denunciado com todas as provas suficientes para interromper as manobras na hora. Ora, as suspeitas nunca passaram de munição caluniosa, apesar da facilidade em expor os eventuais actos legal ou politicamente ilícitos.

Entretanto, o Ministério Público de Joana Marques Vidal entrou numa guerra de vida ou de morte com Sócrates ao abrir o “Processo Marquês” e ao seguir por uma linha de violação de direitos e abuso de poder. O enredo que seguem é o da direita e corresponde, ao milímetro, a uma operação gigantesca de investigação aos Governos do PS de 2005 a 2011. Neste momento, temos investigações a correr sobre as PPP, os gastos com cartões de crédito desses governantes e sobre qualquer contrato com a assinatura de Sócrates que possa ser usado para alimentar suspeitas e acabar referenciado na eventual acusação a Sócrates. Até negócios de privados poderão ter utilidade desde que se estabeleçam esquemas de ligações entre protagonistas. E quais os grandes negócios, num país minúsculo, que não têm qualquer ligação entre terceiros com o poder político do tempo? Pois. Em jogo não estão apenas factos, outrossim percepções – dado que com percepções também se condena em tribunal ou, pelo menos, na opinião pública. E o fascínio da questão consiste em observar até onde é que a Justiça e a direita vão levar a farsa de ter existido um primeiro-ministro que dominou um banco público para cometer crimes de regime – e impossíveis de esconder, no acto mesmo de se realizarem – apenas recorrendo aos seus poderes telepáticos.

Deliciosa desgraça

Os mortos de Pedrógão e o aparente assalto em Tancos foram festejados exuberantemente pela actual direita partidária, pela indústria da calúnia e pela classe dos jornalistas vulgares. A uni-los a mesma satisfação na expressão descontrolada da agressividade e da violência verbal. Uma questão de adrenalina, mas também de dopamina e serotonina. A depressão causada pelas boas notícias para o País e para os portugueses foi substituída pela euforia resultante da catástrofe, da tragédia e do pânico. O caudal de acusações, centradas na abstracção do “Estado” e na indefinível “resposta” do actual Governo, permitiu reunir no mesmo festim os pulhas do costume, os fanáticos profissionais e, para surpresa dos incautos, certas vozes que tomamos como ponderadas e activas no acrescento de salubridade para o espaço público. Podemos usar como exemplo paradigmático este texto: Estado de desgraça

Anselmo Crespo recreia-se a colar com cuspo banalidade atrás de banalidade, caricatura atrás de caricatura, numa juliana de vacuidades que foi registando ao longo dos dias nas leituras dos colegas de comentariado. A retórica escolhida, muito provavelmente num automatismo insciente, é um misto de registo coitadinho a rasar o lamechas com o desvario hiperbólico do tabloidismo e da demagogia mais básica. Exemplos:

«E foi quando se começou a perceber que a demissão de um ministro, por si só, não resolvia os problemas, que se começou a aplicar a velha estratégia do "empurra com a barriga"."»

«Aquilo a que assistimos nas últimas semanas, quer no caso de Pedrógão quer no de Tancos, foi a dois ministros completamente desorientados, a cumprir ordens do primeiro-ministro, do Presidente da República e dos assessores de imprensa, sem a menor noção do que fazer.»

«No caso de Pedrógão Grande, continua o jogo do passa-culpas, tocam-se uns requiens com a presença do Presidente da República, mas continua-se sem dar resposta à pergunta mais importante: aquelas 64 pessoas tinham que morrer? Tinham, senhora ministra?»

É a cassete dos “malandros dos políticos”, bando de corruptos e incompetentes que muito aborrecem os santos e geniais jornalistas que têm de relatar as suas actividades e ainda opinar a respeito. Mas é mais. É também a exploração, aqui consciente, do ódio larvar nas audiências a quem estas peças se dirigem, não hesitando em apontar para uma governante e dizer que ela foi responsável pelas mortes do incêndio de Pedrógão. Como é que o valente Anselmo consegue estabelecer esse nexo? É o próprio que o explica ao abrir as cortesias:

«A tragédia de Pedrógão Grande e o assalto aos paióis em Tancos são dois casos completamente diferentes, apenas com uma semelhança: o falhanço do Estado. E não, não é preciso esperar pela investigação da Polícia Judiciária ou pelas conclusões da comissão independente - que nunca mais ata nem desata - para chegar a esta conclusão.»

E não, não, não e não. De facto, não é preciso gastar mais do que meia caloria para concluir que a velocidade a que o autor chega às conclusões que lhe dão jeito tem como consequência o despiste da sua inteligência pela ribanceira do sensacionalismo abaixo. Donde, a questão: qual a finalidade de exercícios como este, neste meio? Sendo o resultado prático da leitura do texto o encontro com a decadência intelectual e cívica a que ele nos conduz feliz da vida, podemos igualmente concluir que estes jornalistas de uma opinião que se contenta em chafurdar na impotência são parte da tal desgraça que os alimenta e embriaga.

Revolution through evolution

Our faces reveal whether we’re rich or poor
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Surprising trend in extramarital sex in America
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Self-driving cars may soon be able to make moral and ethical decisions as humans do
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Smelling your food makes you fat
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Who’ll win at Wimbledon? Just listen to the pitch of the grunts
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Computer that reads body language
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Vegetable coloring agent lutein may suppress inflammation
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O assalto ao bom senso

Tinha, tenho e continuarei a ter o Paulo Tavares na conta de jornalista sensato e útil. Mesmo depois de ele ter publicado isto como “opinião da direção”:

O gabinete do ministro da Defesa enviou ao DN um esclarecimento a propósito da manchete de ontem, Autorização para obra na vedação de Tancos demorou 73 dias. À parte a correção de pormenor nas datas, importa fixarmo-nos no último parágrafo. Aí revela-se muito mais do que uma simples correção de datas. É dito que "o despacho em causa (...) não resulta de nenhuma questão de segurança da infraestrutura; diz respeito estrito a um ato administrativo de autorização de procedimento contratual". Conclui-se, portanto, que ao ler as palavras "cerca", "paiol" e "reparação" todas juntas, num documento do Exército, não passou pela cabeça do ministro - ou de alguém do seu gabinete - questionar as chefias militares sobre as condições de segurança daquele perímetro [...]

Não foi uma "questão de segurança"? A sério?! Mas senhor ministro, que outra razão haveria para o Exército querer uma cerca nova ou instalar um circuito vídeo naquelas instalações? Ter uma vedação mais bonita e de uma cor que combinasse melhor com o mato por cortar dentro do perímetro dos paióis? Passar a ter câmaras mais modernas, a cores e alta definição, para ver ao detalhe a nova cerca? Acaso os pedidos que lhe chegaram à secretária foram para construir canteiros de flores ou fazer melhoramentos na messe dos oficiais? São uns frívolos e vaidosos, estes tipos do Exército...

Querido, mudei a cerca (ao paiol)

A coisa, do princípio ao fim e a começar pelo título, pretende-se sarcástica, mas é apenas parva. De acordo com o raciocínio, sempre que o Ministério da Defesa aprova uma despesa qualquer tem de questionar as chefias militares sobre matérias de segurança. É que tudo se pode relacionar potencialmente com algum risco, num qualquer grau, quando estão em causa as Forças Armadas. O articulista enche o peito com as palavras “cerca”, “paiol” e “reparação” sem perder uma caloria a pensar se o alvo da gozação não acabaria por ser ele próprio. Ter um ministro da Defesa a telefonar para os chefes militares por causa de uma reparação numa cerca de um paiol dá notícia, sem dúvida, só que à pala do ridículo da questão e pelo atestado de incompetência que esse ministro estaria a passar aos militares. Quando os nossos oficiais e praças precisarem da ajuda dos ministros para reconhecerem uma falha de segurança na protecção de um paiol por causa da porcaria de uma cerca essa será uma trombeta a anunciar que o melhor é fecharmos a tropa e confiarmos a defesa da Nação aos discos do Solnado.

Anatomia das crises políticas

Estar na oposição é estar permanentemente em crise política. Porque algo está a correr muito mal quando se é oposição. Nenhum partido foi criado com a intenção de ficar na oposição como meta ideológica ou programática. Ser oposição parlamentar implica sofrer o vexame da derrota nas urnas ou na Assembleia da República. A saída para essa inerente crise política passa pela abertura de novas crises políticas cujo alvo seja o Governo e o partido, ou partidos, onde se legitima. Logo, as oposições procuram constantemente, salvo nos acordos pontuais com o Governo onde obtêm vantagens, que o Governo se desgaste, enfraqueça e acabe por ser substituído – de preferência, antes do fim da legislatura – por outro Governo agora formado por quem estava na oposição.

Estar no Governo é estar permanentemente em crise política. Porque algo pode correr mal, ou muito mal, e algo acaba invariavelmente por correr mal e muito mal. Nenhum Governo escapa à permanente e ubíqua pressão da fiscalização dos seus actos – e ainda dos actos passados, de Governos anteriores, cujas responsabilidades e consequências possam ser associadas ao Governo em funções. A saída para essa inerente crise política passa pelo fechamento das sucessivas emanações do estado geral de crise, seja pela resolução dos problemas avulsos, seja pela retórica da pose de Estado. Logo, os Governos procuram constantemente, e especialmente nos acordos pontuais com a oposição onde tudo o que fica acordado são vantagens, que a oposição pareça incapaz de fazer melhor do que está a ser feito na governação, levando a que no final da legislatura o eleitorado prefira a continuidade à mudança.

A comunicação social que cobre as actividades do Governo e da oposição alimenta-se das crises políticas. O registo é apocalíptico para quem estiver a empurrar a oposição na direcção do poder e dissuasor e panegírico para quem estiver a empurrar o Governo para se manter no poder. A energia dos participantes cresce na relação directa das reais ou inventadas fraquezas do adversário e das agendas respectivas daqueles que têm espaço mediático: políticos, directores de imprensa, jornalistas, comentadores. Quando não há matéria substantiva para crises, diz-se que essa situação prenuncia uma crise futura, iminente, já em curso… na comunicação social. Por exemplo, se um Governo estiver a superar todas as expectativas e a apresentar resultados económicos crescentemente positivos, alega-se que tudo podia ser muito melhor com outros senhoritos ou que vai tudo desabar em breve por causa disto e daquilo. Por exemplo, se um Governo tiver de lidar no espaço de poucas semanas com um incêndio com dezenas de mortos e um assalto a um paiol militar com falhas de segurança, declara-se a falência do Estado e agitam-se as bandeiras do caos. Não há, nem tem de haver, racionalidade, objectividade, justiça. Porque tal ponderação é contrária à dinâmica da comunicação social. Os milhares e milhões e milhares de milhões de situações que correram e correm bem nos serviços do Estado não impedem o frenesim sanguinolento quando as variáveis geram desastres e danos alarmantes. Na comunicação social, por causa do seu próprio ritmo editorial e da sua natureza autofágica, as crises políticas não são episódios, são conteúdos.

Porém, todavia, contudo, nem todas as crises políticas são crises políticas. Aliás, quase nenhumas, não passando de algazarra que se mastiga e deita fora assim que perde o sabor. Para percebermos o que é uma verdadeira crise política temos de pesar as suas origens e consequências. A mais recente aconteceu no seguimento das eleições legislativas de 2015, em que o partido vencedor em número de deputados não conseguiria formar um Governo com legitimidade parlamentar. Desta crise política veio uma solução governativa que não só tem resultado por cumprir o que prometeu aos eleitores como antecipa um salto qualitativo no sistema político no mesmo sentido. Antes dessa, tivemos a de 2011. A insuspeita Marina Costa Lobo, num artigo onde chega a citar o insuspeito Pedro Santos Guerreiro, explicou em tempo útil, e à prova de estúpidos, o que era uma obscena crise política em formação e andamento:

A resistência de Sócrates serve Portugal

Famoso caça-socráticos queixa-se de ex-ama

Temos um Estado máximo a prestar serviços mínimos. Os portugueses andam há ano e meio a fechar os olhos a tudo isto, encandeados pelo sorriso do primeiro-ministro. Já vai sendo hora de começarem a abrir a pestana e exigirem responsabilidades pelas manifestações contínuas de absoluto desleixo por parte de quem dirige o país.


Cliente do serviço de amas do Palácio de São Bento

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João Miguel Tavares, talvez o melhor jornalista português na área da investigação (e não só), tem prestado serviços inestimáveis à Grei. Fruto da sua coragem, a corrupção socialista de casta socrática está a ser perseguida, julgada e condenada sem dó nem piedade; e também sem tribunais, pois, para quê gastar dinheiro nessas chatices se basta dar razão a umas certas pessoas da nossa preferência? Quando terminar a sua caça aos bandidos, que topa à légua nas capas dos esgotos a céu aberto, o País vai finalmente recuperar a decência. Há que esperar só mais um pouquinho na certeza de que não irá vacilar, é o combate da sua vida.

Entretanto, este farol ambulante da nossa moralidade colectiva deixou-nos um aviso sobre António Costa – fulano que conhece de ginjeira ao ponto de, no passado recente, lhe ter confiado a guarda dos filhos. Ora, parece que esse tal Costa anda a fazer merda da grossa. Como se pode ler no último edital do sr. Tavares, temos um primeiro-ministro que revela “absoluto desleixo” na governação. Se fosse apenas “desleixo” já seria gravíssimo. Com o adjectivo, é crime. Ou coisa absolutamente pior.

O alerta não vem de um raivoso qualquer, apenas interessado em despachar mais uns caracteres para sacar o seu. Muito pelo contrário. Trata-se de uma vedeta da fina flor do jornalismo nacional, uma inteligência superior, alguém especializado em socialistas e seus vícios congénitos, endémicos e sistémicos. E nós só podemos imaginar como este extremoso pai estará agora tão arrependido de ter ido meter os próprios filhos nesse antro onde reina o “absoluto desleixo”. Foi uma sorte as crianças terem conseguido voltar para o regaço paterno sem mazelas ou traumas.

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