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Revolution through evolution

Dads Are Often Having Fun While Moms Work Around the House
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The female brain reacts more strongly to prosocial behavior than the male brain, study finds
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Sharing of science is most likely among male scientists
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Best way to recognize emotions in others: Listen
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Raging Bull: First study to find link between testosterone and stock market instability
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A spoonful of oil: Fats and oils help to unlock full nutritional benefits of veggies, study suggests
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Dangerous trend: The placenta is not suitable as a ‘superfood’
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Quem tem medo dos factos?

A “Operação Marquês” tem várias facetas inéditas em Portugal no campo judicial e político. É a primeira vez que um ex-primeiro-ministro é acusado de corrupção e a dimensão da acusação, ao juntar o caso BES e sua relevância e impacto social, coloca este processo como uma verdadeira questão de regime, aconteça o que acontecer a seguir. Porque, se as acusações derem origem a condenações indiscutíveis transitadas em julgado, uma página negra da nossa História ficará como vergonha nacional; e calhando a acusação não ser à prova de dúvidas, gere ou não gere condenações, então a Justiça terá aqui chegado com uma agenda política, o que igualmente será uma questão de regime. Donde, estamos exactamente como no princípio: há indícios, mas parece não haver provas directas ou indiscutíveis de corrupção. E, não havendo corrupção, também caem as restantes supostas ilegalidades, ou quase todas. Isso tem relação com o seguinte aspecto, também inédito, deste processo.

Francisco Proença de Carvalho veio ontem juntar-se a João Araújo e Pedro Delille num ponto da “Operação Marquês” que o despacho de acusação parece ter consolidado, salvo melhor informação. Este: os advogados de defesa de Sócrates e Salgado não hesitam em apresentarem-se publicamente indignados perante a ausência de factos que sustentem as teses do Ministério Público, assim como são peremptórios e enfáticos na assunção da inocência dos seus clientes. Ou seja, em vez de surgirem mediaticamente com uma imagem de distância e frieza profissionais, repetindo os lugares-comuns da praxe onde se pede justiça e se mostra muito respeitinho para com os poderes judiciários, eles pelejam como se algo estivessem a perder ou algo tivessem a ganhar nesse confronto com o Ministério Público e o juiz de instrução nestas fases que antecedem uma decisão final sobre a eventualidade de haver julgamento. O que nos leva para várias interrogações. Será que eles estão a mentir, ou são estúpidos, ou enlouqueceram, ou são vítimas da magia negra e do poder hipnótico dos seus clientes, vindo para o meio da rua dizer algo que seria inevitavelmente desmentido por aparecer inscrito no processo e julgado em tribunal? Será que os tais factos que alegam não existir não constam do processo apenas por estratégia do MP, mas está tudo guardado numa pasta refundida em cima de um armário à espera do tempo certo para serem publicados? Mas porquê, pois o que não estiver no inquérito não conta para eventual julgamento? Ou estaremos perante um processo todo construído com base nos fluxos das contas bancárias e nas meias palavras de duas ou três testemunhas?

Esta notícia – Como Sócrates “instrumentalizou” ministros e secretários de Estado – é um exemplo perfeito do problema. Não se entende, para um leigo como eu, como poderá ter a mínima validade em tribunal, pois se trata de uma acusação onde se toma o próprio exercício político em si mesmo como prova de ilicitude. Sócrates, pelos vistos, não devia ter exercido as suas funções de chefe de Governo se queria evitar suspeitas de corrupção. Isto é absurdo, e conduz a uma lógica em que qualquer coisa pode querer dizer qualquer coisa, sendo que quem tiver mais poder é que estabelece o sentido, a intenção, que lhe convier. No caso, para a acusação, uma qualquer decisão governativa pode ser a prova da corrupção desde que tal sirva a interpretação que se quer estabelecer retroactivamente. É a hermenêutica a esmagar o empirismo.

A norma na postura dos advogados não é este vestir da camisola que João Araújo e Pedro Delille têm exibido inclusive quando estão a ser confrontados por jornalistas que se apresentam como coadjuvantes tácitos ou assumidos da acusação. Eles parecem genuinamente emocionados quando começam a elencar as incorrecções, algumas gravíssimas, que identificam no trato do seu cliente pela Justiça. Desse exercício de protesto não lhes veio qualquer benefício por parte dos procuradores e juízes que tiveram até agora a faca e o queijo na mão, muito pelo contrário. Perderam dezenas de recursos, só viram a sua razão atendida num. Logo, porquê o gasto da energia? Mais: por que raio se querem colar dessa maneira a uma figura que a sociedade já condenou e que irá passar as próximas décadas envolvida neste processo e nos outros que, com alta probabilidade, virão a nascer das 15 certidões extraídas por Rosário Teixeira?

A imprensa tem aqui uma excelente oportunidade para nos ajudar a compreender esta dimensão do caso. Basta mergulharem nas 4000 páginas. Venham daí os factos que antecipem a condenação – ou os factos acerca de não haver factos, então.

Uma noite dionisíaca na SIC Notícias

A SIC Notícias foi o canal que mais se banqueteou com a acusação a Sócrates, tendo superado a CMTV. Quando o canal do esgoto já tinha passado para o futebol ainda estava o José Gomes Ferreira a alertar a população para o perigo que aí vinha: o Governo poderá tentar afastar Joana Marques Vidal, a santa a quem este triunfo de apanharmos o Diabo se deve, o que levaria a que tipos do calibre de Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento voltassem a tomar conta da Justiça para proteger os corruptos socialistas. A SIC Notícias chegou ao ponto de pedir à CMTV excertos de interrogatórios para os voltar a passar e repassar. E foi ainda na SIC Notícias, cujos jornalistas que coordenavam a emissão e lançavam as perguntas aos convidados não escondiam o seu entusiasmo justiceiro, que vimos o Ricardo Costa a lembrar o que tinha acontecido no processo “Face Oculta”. Contou ele, a rir-se, que nas primeiras 50 páginas da sentença o que lá estava era uma engenharia jurídica cuja única finalidade era a de justificar a validade das provas indirectas. O mano Costa explicou com desembaraço ao Zé Telespectador que as provas indirectas são muita porreiras porque os cabrões dos corruptos são muita manhosos, tendo a mania de não deixarem provas incriminatórias. Pelo que os coitados dos procuradores e juízes têm de puxar pela imaginação se querem ter o gostinho de apanhar algum. Exemplo já despachado, Vara. Novo exemplo a caminho, Sócrates.

À sua frente estava Rogério Alves. Este senhor, logo após o mano Costa se ter calado, deu-lhe uma lição magistral sobre a crescente tendência internacional para diminuir os direitos dos arguidos e acusados e aplicar penas sem fundamento legal próprio, assinalando que as instituições policiais e judiciárias dispõem de extensos poderes de captação da privacidade de todos os cidadãos. Também chamou a atenção para o papel da interpretação na construção de um juízo judicial e de como é fácil ser influenciado por factores que pervertem a isenção. E apelou ao respeito pelos princípios basilares do Direito, do processo justo e necessária integridade da condição de inocente até prova em contrário. Ninguém à sua volta sequer quis concordar, quanto mais desenvolver aquela conversa de merda. A noite na SIC Notícias era de bacanal e havia um animal para ser sangrado.

Não vale tudo, meus caros

A conclusão da fase de inquérito da “Operação Marquês” com um despacho de acusação, sem qualquer surpresa face ao que foi lançado na imprensa durante as investigações, oferece o pano de fundo apropriado para explicar por que razão não votei no PS para a presidência da Câmara de Lisboa.

Votei PS para a Junta de Freguesia e para a Assembleia Municipal. A quem mo perguntou, recomendei que votasse PS para continuar a gerir o município de Lisboa, fosse pela qualidade da gestão ou pela ausência de alternativas. Mas não quis votar no Fernando Medina.

O que penso do potencial de Medina não mudou desde que aqui opinei – 50 minutos preciosos – vendo nele um recurso dirigente altamente valioso para o PS e para Portugal. Transmite versatilidade intelectual, integridade moral e coragem política. A passagem pela câmara e o próximo ciclo eleitoral autárquico poderão dar-lhe a tarimba em falta para conseguir encontrar o registo que melhor sirva o seu carisma. Chegar a líder máximo do partido e de um Governo é muito mais fácil quando se domina, por intuição ou estudo, essa faceta da experiência política.

Porém, e no que ao meu poder soberano respeita, Medina escreveu no Correio da Manhã, no que imitou António Costa na mesma circunstância: enquanto presidente da autarquia de Lisboa. O seu último texto data do final de Maio deste ano, não fazendo ideia se interrompeu a colaboração por razões eleitorais nem se voltará a escrever de novo estando as eleições passadas. O problema já seria bicudo caso estivéssemos perante um vulgar pasquim que praticasse um vulgar sensacionalismo. A sua associação com tal órgão, e apenas por razões de popularidade do meio e/ou pecuniárias, já seria suficiente para questionar o seu discernimento. Só que o caso do CM é isso e uma outra coisa muito pior. Estamos perante um instrumento de uma direita do poder pelo poder, o qual não só viola sempre que lhe interessa o código deontológico dos jornalistas, como é cúmplice de crimes de violação do segredo de Justiça, e ainda propaga com estatuto institucional uma calúnia genérica contra dezenas, ou centenas, quiçá milhares, de cidadãos conotados com o PS, grupo onde Medina se encontra e logo nas primeiras filas: Sócrates usou o Governo para criar uma cleptocracia populista. Isto é, o CM, ao nível do seu director e accionista, acha que António Costa e Fernando Medina são cúmplices da roubalheira sistemática que denunciam capa sim, capa sim. A parte do “populista” tem graça pela imbecilidade e absurdo, há que reconhecer.

Donde, Costa e Medina não se importam de colaborar com esta propaganda caluniosa, dando o seu nome e prestígio para que ela continue e ainda recolhendo proveitos do negócio. Isto, para mim, é fonte de perplexidade. Perplexidade que atenuo através do voto. Só por cinismo ou anomia se pode, ao nível de Costa e Medina, legitimar tal prática que envenena o espaço público e conspurca a democracia.

Revolution through evolution

The changing reasons why women cheat on their husbands
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Do mothers favor daughters and fathers favor sons?
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To kickstart creativity, offer money, not plaudits, study finds
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​Perpetrators of Genocide Say They’re ‘Good People’
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Want To Help A Loved One Coping With Cancer? Stay Positive
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Animals that play with objects learn how to use them as tools
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The Why of Business
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Louçã confessional

O sectarismo é uma consumição

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Quem te viu e quem te lê, Anacleto. Que é feito do valente guerreiro que saltou para a frente das câmaras a garantir que Sócrates, em carne e osso, lhe andava a tentar roubar uma garina? Era tanga, mas isso nunca te atrapalhou. E que é feito do generalíssimo que, na noite mais gloriosa da sua carreira política, largou em êxtase estas lindas palavras?

"Este é um novo dia para a esquerda portuguesa. Nada será como dantes. Teremos uma esquerda mais rigorosa, com mais capacidade de diálogo. Nenhum eleitor do Bloco de Esquerda terá qualquer dúvida de que todo o voto dado ao Bloco de Esquerda será gasto na defesa dos direitos fundamentais de uma resposta que possa transformar o país."

Fonte

Se bem o disseste melhor o despachaste. Um ano e meio depois estavas a doar a tua imparável “esquerda grande” ao compincha Passos Coelho, esse transformista que usou os votos do BE e do PCP para afundar o País e iniciar um ciclo de devastação. Realmente, nos idos de Março de 2011 a esquerda portuguesa conheceu um novo dia. Mas vergonhoso e triste de tão sectário. De tão estúpido e indefensável sectarismo.

Mas tu agora já consegues compreender, ou entender, ou perceber o que andaste a fazer com a esperança de centenas de milhares de cidadãos que acreditaram em ti em 2009, né? Já sabes que nem tudo vale a pena mesmo quando se tem uma alma como a tua, nada de nadinha pequena, certo? Ou talvez não, por seres tão grande. Porque o lixo do vizinho continua sempre a cheirar muito pior do que o nosso, e tu sentes que podes dar lições de antisectarismo aos comunas.

És grande, Louçã. Enorme. Para nosso azar.

Perguntas simples

Em que parte deste planeta terá ocorrido o tal casamento que levou um ex-Presidente da República, ex-primeiro-ministro, ex-ministro, ex-presidente do PSD, líder máximo da direita portuguesa, o político com mais anos de actividade à conta do erário público, a não ter meia hora para ir votar numas eleições autárquicas a 4 dias da celebração da Implantação da República? Terá sido no Cavaquistão?

Partido Sujo e Decadente

Passos Coelho e Pacheco Pereira. Duas figuras radicalmente diferentes, mesmo antagónicas, em vários aspectos das suas personalidades públicas, ideários, trajectos profissionais e responsabilidades políticas. Contudo, ambas representam o PSD dos últimos 20 anos, de modo pleno nos últimos 10. A uni-las para lá da diversidade aparente e substancial está a mesma ausência de escrúpulos, a mesma cumplicidade com os poderes fácticos desta direita apavorada que tem orquestrado uma luta política suja e decadente.

O Pacheco é um profissional da política-espectáculo e da indústria da calúnia. Foi um quadro partidário muito importante durante todo o cavaquismo, mas nunca ninguém lhe leu uma linha acerca desse tempo e da natureza moral, ética e legal das práticas partidárias e governativas que estão associadas ao fenómeno social e criminal do BPN. Do BPN, por exemplo; por ser, no mínimo, um exemplo incontornável no seu contexto biográfico, mas o cavaquismo foi muito mais do que isso no que diz respeito à apropriação do Estado para servir interesses particulares. Voltou desasado às lides políticas para ser o principal conselheiro, e estratega a mielas com Cavaco, da campanha de Ferreira Leite para as legislativas de 2009. Desse período, ficou o modo celerado como se entregou à promoção das golpadas judiciais e mediáticas contra Sócrates, com logística e patrocínio de grupos de comunicação social, magistrados e Belém. Arrastou esse ódio a outrance até ao seu limite, tendo conseguido enfiar o focinho nos cueiros de Sócrates dentro de um cubículo na Assembleia da República. Nunca nada explicitou do que leu, nunca nada provou do que caluniou, e viu-se desmentido sem margem para dúvidas por um deputado comunista que igualmente leu o resultado dessas escutas ilegais feitas e conservadas em Aveiro com o único intuito de criar um caso político que desse a vitória ao PSD nas eleições de 2009, ou que fragilizasse fatalmente o PS e seu Governo caso os socialistas as ganhassem. Em 2017, o Ministério Público continua a seguir esse plano, como nos informa em garridas capas o seu órgão oficial. E em 2017, o Pacheco continua igualmente a mentir ao serviço da sua obsessão, como inveterado narcisista agarrado à paixão funesta onde se sonhou herói. Ontem, no meio de banalidades e evidências acerca da decadência do PSD, largou esta oração “a crítica política solitária de Manuela Ferreira Leite ao caminho de Sócrates para a bancarrota.” Trata-se de uma recriação livre da História, pois a Manela nunca se referiu ao que estava quase a acontecer, a crise das dívidas soberanas que começou pela Grécia em 2010 e viria a arrastar vários países europeus para resgates de emergência e planos especiais de financiamento. Do que a seríssima e vera senhora falava era do custo que as “gerações futuras” teriam de pagar por causa de um aeroporto por decidir e uma linha de TGV por construir nas contas de um país que, em Setembro de 2009, estava com nota AA nas agências de notação financeira. Igualmente com Ferreira Leite aprendemos que a recessão mundial de 2008 tinha sido um “abalozinho”, assim exibindo os seus pergaminhos em matéria de honestidade intelectual, decência política e cara de pau. Nem ela nem o fogoso Pacheco sonhavam com o abismo para onde a Europa iria enviar alguns países e suas populações logo ali ao virar da esquina. Se tal imaginassem, teriam posto aí todo o poder de fogo. Em vez disso, desenharam uma campanha que consistia no assassinato de carácter, na pressão mediática caluniadora e nos crimes e abusos praticados impunemente por agentes da Justiça. Apesar disso tudo, apesar da gigantesca convulsão no eleitorado socialista provocada pela tentativa de avaliar os professores, Cavaco, Manela e Pacheco perderam essas eleições.

Passos Coelho é um político cujas principais características são o oportunismo e a vacuidade. Um Zelig que em 2008 elogiava Sócrates só para assim poder atacar Ferreira Leite, e que se fantasiou como “liberal” porque essa ala fanática e ressabiada da direita estava disponível para o apoiar num momento de pânico em que a oligarquia via ruir a sua estrutura de poder bancário. Provavelmente, e dando um exemplo ilustrativo do albergue espanhol que constituiu o suporte propagandístico da maior traição aos portugueses registada em democracia, Miguel Morgado não suporta conversar mais de 15 segundos com Passos, mas a sua parceria para fornecer munição ideológica fundamentalista exibe o que esteve em causa no assalto ao poder realizado em 2011. Um operativo para todo o serviço lobista, formado na escola de Ângelo Correia e que manobrava como parceiro comercial com Miguel Relvas, com a fotogenia que faltava a Ferreira Leite e sendo o que havia de mais parecido com Sócrates em poder de imagem para colocar frente às câmaras, ia ser lançado como testa-de-ferro de um plano de vida ou de morte gizado ao mais alto nível nacional e internacional – daí os papéis de António Borges, Vítor Gaspar e Maria Luís – onde iria valer tudo para derrotar o arqui-inimigo e recuperar as vantagens perdidas com a ruína do BCP, BPN e BPP. Nunca se mentiu tanto politicamente em Portugal, e tão às descaradas, como na campanha do PSD para as eleições de 2011. E nunca se violou tão gravemente o contrato eleitoral como no Governo de Passos e Portas, naquela que foi uma tentativa de reengenharia económica e social apenas contida pela manifestação de 15 de Setembro de 2012 e pelo Tribunal Constitucional. Presidente da República, António José Seguro e comunicação social foram cúmplices de um programa de achincalhamento e depauperação dos mais pobres, da classe média, das pequenas e médias empresas. Esta violência política, assumida no registo verbal tamanha a soberba e alucinação daquela gente, foi a eleições em 2015 em condições que são abafadas quando Passos e corte reclamam vitória. Primeiro, o PSD concorreu coligado. Só por isso, ninguém do PSD pode reclamar um triunfo que se individualize. Os votos dados à PAF não foram dados ao PSD, mas sim aos dois partidos por igual. Corolário: o PS foi o partido que teve mais votos e mais deputados, embora não tantos como os da coligação. Ora, onde está hoje essa coligação? Em lado algum, apenas temos o número de deputados estabelecido pelo acordo entre as duas forças. Logo, se a PAF desapareceu após as eleições por não ter maioria parlamentar, a solução de Governo actual era a única legal, racional e politicamente possível, assim consagrando a vitória do PS em 2015. Segundo, a forma como António Costa chega a secretário-geral do PS causou alguma erosão no eleitorado socialista. Costa, para além das suas fragilidades políticas no plano da exibição da liderança, teve muito pouco tempo para sarar as feridas causadas pelo processo eleitoral interno dos socialistas. Isso, e nada que tenha relação com a preferência dos eleitores por Passos, explica também a votação das últimas legislativas. Terceiro e último, a detenção de Sócrates, preparada para ser um espectáculo televisivo e mediático esmagador, e a sua prisão, sob pretextos ilegítimos e abusivos, condicionaram profundamente a afirmação de Costa, mais o ano e processo eleitoral com o qual se sincronizou. Junte-se a este ramalhete as irresponsáveis decisões sobre a banca só para se poder festejar a “saída limpa”, assim como a obscena mentira da promessa de devolução do IRS, amplamente divulgada pela imprensa laranja. Perante este quadro, ver Passos e restantes fanáticos moribundos a berrar contra o PS não dá vontade de rir nem de chorar. Dá vontade é de pegar na mangueira.

A decadência do PSD pode ter tido o seu início com as maiorias de Cavaco, numa típica deriva para abusos de poder por parte das maiorias quando as lideranças apenas procuram o poder pelo poder. A decadência do PSD teve um momento de exuberante manifestação com a traição de Durão Barroso ao País e ao seu juramento eleitoral. Mas esta sujidade onde a política fica reduzida a assassinatos de carácter, tabloidismo militante, caluniadores profissionais, golpismo judicial-mediático e retórica de vendedores da banha da cobra implica reconhecer que talvez ainda esteja por nascer quem consiga inventar uma direita decente, inteligente e corajosa.

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Exactissimamente

«Como se pode perceber, o furor arrasante que soprou na primeira página do Expresso na semana passada (Relatório das secretas sobre Tancos arrasa ministro e militares) é um cliché do idioma jornalístico e nem se percebe como é que a metáfora congelada pelo uso gregário consegue provocar tanto ruído. Todos os que julgam poder dizer alguma coisa nesta língua morta deviam obedecer à injunção de um famoso crítico da “fraseologia” dos jornais: “Dêem um passo em frente e calem-se” (Karl Kraus). Tratemos então o verbo “arrasar”, nas suas declinações jornalísticas, como um facto linguístico. Ele não contém nenhuma informação, não descreve nada, mas realiza – ou pretende realizar — uma acção, isto é, tem uma intenção performativa. Sempre que num jornal se escreve “X arrasou Y” é o próprio jornal que pretende “arrasar” Y. Porque o uso de tal metáfora não indica uma constatação, implica uma tomada de posição de quem a profere e uma vontade de realizar a acção. Dizer “arrasou” não é o mesmo que dizer “criticou violentamente”. Enquanto que a segunda forma pode ser dita sem comprometer a neutralidade de quem a diz, a primeira faz o jogo da diminuição e da ridicularização do “arrasado”, diz que está a proferir sobre ele um juízo definitivo e nada nem ninguém o pode salvar. Ninguém é “arrasado” num dia e reaparece intacto no dia seguinte. Toda a crítica pode ser refutada; mas todo o “arraso” é irreversível. Há um gáudio indiscreto na sentença “X arrasa Y”. Não quer dizer que quem experimenta esse gáudio não sinta exactamente o mesmo se a situação se inverter de modo a poder dizer que “Y arrasa X”. Mais do que as determinações ideológicas ou políticas destes enunciados, é preciso ver neles a miséria da linguagem jornalística e uma ingenuidade semelhante àquela dos escritores que, como alguém disse, julgam que basta escrever “merda” para que os leitores sintam o mau cheiro.»


Vamos arrasá-los!

Sugestão para o “Expresso da Meia-Noite”

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"Temos de comprar o Expresso ao sábado para saber o que é que se passa no país, o que é que se passa com o Orçamento, o que é que se passa nas Forças Armadas e nos paióis militares?"

Pedro, antigo especialista em aeródromos municipais da Região Centro que tinha o sonho lindo de um dia vir a chefiar o Governo para meter a classe média na ordem e acabar com os madraços e os estróinas dos subsídios

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É público que o império de Balsemão está a dar a berro e Pedro Santos Guerreiro e o mano Costa parecem andar a fazer os possíveis para acelerar o processo. A manchete que escolheram para ajudar o PSD a uma semana das eleições autárquicas podia ser usada nas escolas secundárias para ilustrar o conceito e prática do famigerado jornalismo de referência. Quando estas pessoas, no meio em causa, assumem que apenas se regem pelo sensacionalismo, pelo sectarismo e pelo eleitoralismo, então o círculo completa-se. A irrelevância onde chafurdam após desistirem de servir os seus compradores, leitores e comunidade em geral de uma forma isenta, e que respeite os mínimos deontológicos da profissão, torna desejável que desapareçam do mapa. Não precisamos de mais um pasquim – precisamos é, e cada vez mais, e como sempre e para sempre, de jornalismo corajoso e inteligente.

A forma como PSG tem defendido a sua opção editorial é de fazer corar as pedras da calçada. A miséria profissional da sua argumentação, contudo, não deve ser recebida em silêncio; como David Dinis e Paulo Baldaia fizeram, para dar dois exemplos corporativos e igualmente sectários na temática em causa que não botaram faladura sobre o episódio. A temática em causa é o tiro ao ministro da Defesa e, por extensão, ao Governo e ao PS, levando a que se esteja em pleno registo de comício por parte de jornalistas com responsabilidades editoriais. Nada contra se tal fosse assumido pelas direcções, mas o problema é que isto é feito sem a frontalidade, sem a força e beleza de carácter, de se declarar que não passam de opiniões para apoiar uma qualquer facção política ou para dar vazão a uma qualquer embirração pessoal nascida da pacóvia arrogância de se imaginarem moralmente superiores aos políticos.

Nada melhor do que usar o que os artistas andam a dizer para se expor a escabrosa tanga:

– “É um relatório que nós compreendemos que não fazia parte de uma das estruturas oficiais militares.”
– “Nós checkámos [sic] a veracidade do texto e, portanto, constatámos que era um texto verídico, não era uma coisa forjada para o efeito de ser publicado no Expresso para fazer bum. E, por outro lado, checkámos [sick] também a credibilidade do que está na sua origem.”
– “Não foi feito para ser plantado [no Expresso].”
– “A notícia nunca diz que se trata de um relatório oficial e final.”
– “O primeiro-ministro veio dizer que é fabricado, o ministro da Defesa diz que é forjado, há uma insinuação, que vem através do PS, que foi o PSD que teria preparado o documento para o Expresso para depois o próprio PSD poder comentar. Enfim, são aqueles delírios habituais…”
– “Isto é um relatório que não é final.”
– “Nenhum relatório de um organismo destes tem 63 páginas.”
– “Isto é um relatório que contém muita informação que servirá, eventualmente, para afinar investigações em relação ao assunto principal que é Tancos.”
– “Este ministro [Azeredo Lopes] ainda existe?”
– “- O que eu te pergunto é se ele [Azeredo Lopes] verá nesta polémica, que foi lançada pelo Governo na tentativa de descredibilizar esta notícia, uma tábua de salvação construindo uma teoria conspirativa para se vitimizar? – Nós percebemos que existe alguma coisa em curso nesse estilo, pelo que tem sido dito.”

Filipe Santos Costa, um fanático com carteira da jornalista, atribui ao Governo o nascimento da polémica e imputa ao ministro da Defesa as porcarias que lhe atulham o bestunto. Admirável descaramento, já normalizado por Trump, onde temos um jornal, que se apregoa como modelo do melhor jornalismo português, a inventar um ataque político a uma semana de eleições autárquicas cujas bases, após ter sido desmentido por todas as entidades que o poderiam legitimar, são folhas soltas de um relatório afinal com palavreado a mais e inacabado e que, portanto, não sabemos como ficaria na suposta versão final nem sabemos qual seja a sua autoria e finalidade. É que dizer-se que a finalidade consiste em contribuir para as “investigações em relação ao assunto principal que é Tancos” – isto é, o relatório teria como objectivo promover a descoberta do que aconteceu ao armamento dito em falta – significa que já se perdeu qualquer respeito pela própria honestidade. Em que medida as citações venenosas de baixa política canalha, ou subjectivismo corporativo, contra o ministro da Defesa estão a facilitar as investigações judiciárias e militares ao assalto, ou desvio, ou falha, em Tancos?

Os responsáveis por mais este prego no caixão da credibilidade do Expresso podem guardar a identificação das fontes para eles próprios. O que não podem é esperar que a anomia circundante seja total. Haverá sempre alguém a olhar para o óbvio: a menos que seja hábito o Expresso estar a receber relatórios destas fontes e teor, então o acontecimento que consiste em terem acesso ao material neste calendário é, em si mesmo, um acontecimento político. E ainda mais óbvio: perante um documento que alegam saber que não é final, a opção de seleccionarem as partes que permitiam construir uma trapaça contra Azeredo Lopes e Governo é da exclusiva responsabilidade de quem quis lançar a atoarda. O destaque dado, parangona, e a sugestão de ser um relatório oficial das secretas militares, não tem defesa possível. Usaram excertos de declarações que extravasavam por completo o âmbito da investigação a Tancos para continuarem a fazer pressão no que julgam ser uma brecha política no Governo, a imagem de Azeredo Lopes e as reacções que está a causar em alguns elementos das Forças Armada que estão a querer guerrear na política.

Espero que nesta sexta-feira, ali por volta das 11 da noite e com a excelência do jornalismo de opinião praticado diariamente na SIC Notícias, se possa dilucidar ao pormenor este estupendo caso que une numa juliana reles a decadência da Impresa com a decadência do PSD.

A civilização onde queremos viver

Na semana passada, os advogados de Sócrates deram uma conferência de imprensa a protestar contra a anexação à “Operação Marquês” de conteúdos e arguidos de outros processos. João Araújo e Pedro Delille expuseram as suas razões, denunciaram a existência de ilegalidades e apresentaram aquelas que, no seu entender, serão as intenções e consequências de se estar a aumentar – a complicar? – a já homérica complexidade do processo. Peço ajuda às almas caridosas: quem souber, e excluindo os casos dos caluniadores profissionais, que deixe na caixa de comentários a referência a algum comentador de rádio, jornal ou TV que se tenha pronunciado sobre estas declarações dos advogados de Sócrates e questões inerentes. Por mim, flanador displicente da comunicação social, conto zero.

Só há uma hipótese para explicar o silêncio que este episódio causou. A hipótese de que o julgamento de Sócrates já ocorreu e passámos, desde que foi detido em 2014, à fase de aplicação da pena. A sociedade observa complacente ou em júbilo, de acordo com as filiações políticas e com o sentido de cidadania e honra de cada um, a obsessiva devassa e humilhação de uma pessoa que está a ser investigada desde 2004. Não há pedra que não tenha sido revirada, percurso escolar ou profissional que não tenha merecido equipas de investigadores, grandes decisões políticas que não ocupem dezenas de magistrados. A sua privacidade é usada para vender papel, vender anúncios, promover a fruição de vinganças e bebedeiras de ódio. O resultado dos processos encerrados está arquivado e à disposição de quem os quiser consultar, o resultado dos processos em curso é vertido copiosa e criminosamente na praça pública na versão dos acusadores. Nunca aconteceu nada assim na História de Portugal, sequer o período fascista compara. Sócrates é o político mais investigado de sempre neste jardim à beira-mar abandalhado, não havendo outro caso comparável mesmo que à distância. Quantos recursos humanos, quantas horas, quanto dinheiro já foi gasto na perseguição a Sócrates pelo Estado português e por privados em Portugal?

Fazem-se editoriais e comentários esganiçados e ridículos a protestar contra os três meses, os dois meses, a semana, o dia que passa sem que o Governo apresente versões definitivas sobre o que aconteceu em Pedrógão e Tancos. Nessa pateada, ignora-se propositadamente que a investigação não está a cargo do Governo, apaga-se o óbvio interesse público de se terem investigações à prova de qualquer influência governativa ou institucional. E mente-se debochadamente em registo de pura chicana. Tal é absurdo, é esquizóide, é estúpido e é a imprensa “de referência” nacional a ser ela própria, um antro de publicistas com alergia ao jornalismo. Porém, todavia, contudo, este rancho de inteligências folclóricas não se importa nada que o Ministério Público leve o tempo que lhe apetecer com um arguido nas mãos. A elite do nosso comentariado aplaude secretamente um juiz que viola a sua missão de garante das liberdades e direitos fundamentais dos arguidos, um juiz que é promovido na indústria da calúnia como o Torquemada de Mação. A violação dos prazos de inquérito, as declarações públicas em que assume não ser isento face à inocência até prova em contrário de Sócrates e o culto que faz às abertas de uma pose justiceira contra certos políticos e certos empresários não suscitam sobressaltos nos directores dos jornais, estações de televisão e rádios. Os crimes de violação do segredo de Justiça que são cometidos sistematicamente no Ministério Público idem idem, aspas aspas. É giro. Aliás, dá jeito. Muito jeito. Venham mais 5 anos de “Operação Marquês”.

A desculpa que remete para a dificuldade de se investigarem crimes de corrupção tem sido a hipocrisia suprema que embrulha os abusos e ilegalidades do Estado contra Sócrates e restantes arguidos. Como se sabe, se há coisa difícil de investigar é a corrupção de primeiros-ministros. Como as suas acções são quase sempre ocultas, como não estão rodeados por dezenas, centenas e milhares de olhos e ouvidos, como não há entidades fiscalizadoras a constantemente avaliarem e aferirem as suas decisões, como os deputados da oposição andam todos a dormir e os do PS não passam de cúmplices do corrupto-mor, isto de se apanhar um primeiro-ministro socialista e corrupto dá uma trabalheira do caralho. Claro, ajuda muito saber logo à partida que ele é criminoso. Quanto a isso, vai sem discussão. Imaginemos que o Ministério Público se limitava a investigar Sócrates numa atitude de perfeita neutralidade ao serviço da perfeita objectividade e procurando o perfeito rigor. Quer dizer… isso… enfim… era coisa para demorar 100 anos! Pelo que toda a gente compreende que, se é mesmo para investigar este gajo, a primeira coisa a ficar estabelecida é a de que ele é culpado. Se é culpado, então chilindró com ele. Se bem o pensaram, melhor o executaram na “Operação Marquês”. Daí terem começado por não sei quê ali em Leiria, depois foram para a Venezuela, depois para o Algarve e depois para Cascais, entre outros poisos cheios de corruptos à espera de serem engavetados. O método tem a beleza da simplicidade e justifica o número de páginas no processo. Resta só descobrir os crimes. E ele há tanto para escarafunchar. O plano é despejar camionetes de caixas com papelada à porta do tribunal, ou talvez só um saco com os discos rígidos suficientes para guardarem um yottabyte de escutas, interrogatórios e documentação descritiva de todas as decisões tomadas por Sócrates enquanto primeiro-ministro mais a documentação de todas as decisões tomadas pelas empresas envolvidas no processo. Os juízes que tratem depois de ler com cuidado o trabalhinho. No entretanto, o cabrão continuará pendurado no cadafalso.

Deu que falar, em 2008, a alusão a uma “suspensão da democracia” que Ferreira Leite sugeriu como o remédio a aplicar aos indígenas que não se sabem comportar em liberdade. Na “Operação Marquês” somos testemunhas da suspensão da Constituição para permitir ao Ministério Público de Joana Marques Vidal, à indústria da calúnia e à actual direita partidária irem alcançando diversos objectivos que estilhaçam impunemente os princípios e lógica do Estado de direito. Veja-se como se convive com os crimes de magistrados e como os juízes distorcem a lei escrita para favorecer uma das partes, o Ministério Público, e prejudicarem as outras, o arguido, o cidadão e a pessoa. A ideia de que a suspeita de crime, qualquer crime, justifica a violência de se tratar como culpado quem tem direito a ser tratado como inocente é a manifestação típica da barbárie. Foi contra essa prática que, no essencial, se desenvolveu a civilização onde queremos viver.