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O fim da impunidade não pode ser desperdiçado com mulheres

«A mulher de 53 anos morta este domingo à noite a tiro na Golegã já tinha feito queixa do seu agressor à GNR pelo menos uma vez, no ano passado. Mas a Justiça não actuou a tempo de salvar esta vítima.

Confirmando a existência de uma queixa, a Procuradoria-Geral da República explica que o agora homicida chegou a ser constituído arguido. Mas a investigação “ainda não estava concluída, tendo o Ministério Público ordenado a realização de diligências complementares às já realizadas pela GNR”. O PÚBLICO está a tentar saber se foi decretada alguma medida de coacção ao suspeito, um empregado fabril de 62 anos.»


Fonte

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Normalização da normalidade

Usar os direitos constitucionais e as instituições políticas para melhorar a sociedade é algo que pode partir da iniciativa de qualquer indivíduo. Pode, e deve, mas é raro que tal aconteça porque há um discurso alimentado pela indústria da calúnia e pelo tabloidismo de direita que desmotiva e assusta a enorme, a quase totalidade, dos cidadãos. Então eles vão para a tasca, o cabeleireiro, a Internet e o táxi maldizer a desgraça que os aflige: estão cercados por corruptos, não vale a pena mexer uma palha na defesa dos seus direitos e sonhos democráticos, os poderosos são intocáveis (e daí, como assinalou o actual Presidente da República, ser tão importante termos conseguido enjaular o Vara, que é para os poderosos se borrarem de medo e podermos deixar de nos preocupar com eles nos próximos 40 anos).

A cidadã abaixo dá uma das melhores lições de política a que já assisti. Ela reconhece que ser livre comporta alguns riscos, mas que o risco maior é passar pela vida sem descobrir aqueles outros, tantos, que se juntaram a ela por causa da sua coragem. O risco maior é deixar que os pulhas nos roubem a liberdade.

De olhos fechados, como sombras

Foi há um mês, Graça Franco publicou um texto cuja popularidade superou largamente a que costuma colher – Jornalismo a meia-haste – tendo nele ligado vários temas correntes a uma denúncia do sensacionalismo e demais abusos e deturpações cometidos sob a protecção constitucional da “liberdade de imprensa”. Uma das situações tratadas, quiçá a que explica o impacto das suas palavras, foi a da entrada de Armando Vara na prisão de Évora e o que alguns meios de comunicação social fizeram na ocasião. A autora ilumina a fragilidade da pessoa condenada naquela situação de exposição incontornável, onde foi reduzida a mera figura abstracta cuja estatuto cívico consistiu apenas em servir de matéria desalmada para a exploração mediática. É um exercício de empatia o que serve aos leitores, oferecendo a raridade de olharmos, no espaço público, para um dos maiores bodes expiatórios do regime com módico humanismo – e ainda permitindo uma colagem retoricamente eficaz com o tema seguinte que queria igualmente (ou até mais) tratar e realçar, a reportagem da TVI acerca da Igreja Católica onde se usaram câmaras ocultas.

Do muito que se poderia dizer, tanto, sobre uma intervenção política (ah, pois é, bebé) que poucos dias depois estava já soterrada no mais fundo esquecimento, escolho o ponto de vista onde Graça Franco revela o seu instinto assassino no acto mesmo de estender a sua mão, as suas palavras, o seu coração católico (ou que sej