Arquivo da Categoria: Valupi

Revolution through evolution

Want to restore faith in Congress? Elect more women
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Psychologists define the ‘dark core of personality’
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People Can Die From Giving Up the Fight
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We are predisposed to forgive, new research suggests
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Take a step back from yourself to better realize the benefits of awe
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Who believes in conspiracies? New research offers a theory
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Ethics of lying: When loyalty trumps honesty
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Ivo Rosa, promessa de isenção

Felizmente, Carlos Alexandre, uma vergonha ambulante para a Justiça portuguesa, não vai continuar a perverter a função que lhe foi atribuída pelo Estado no processo onde já se declarou incapaz de julgar sem preconceito e deturpação moral. Com Ivo Rosa, há a esperança de se introduzir decência e racionalidade na “Operação Marquês”. A sorte protegeu a Justiça neste processo que é uma questão de regime.

Exactissimamente

«São demasiado optimistas as manifestações públicas de regozijo por Portugal permanecer até agora impermeável ao populismo. Há um ambiente populista na nossa sociedade, alimentado e amplificado pelos actuais dispositivos desenvolvidos pelos media televisivos, radiofónicos e, cada vez mais, também pela imprensa escrita (um populismo onde os políticos se sentem investidos na condição de jornalistas e os jornalistas assumem a condição de políticos). Há um clima deletério que os media atiçam sempre que há uma ocasião favorável, recorrendo à teatralização e à dramatização que solicitam os afectos e criam clivagens irracionais, pessoalizações passionais, dilatações demagógicas. O último pico de calor neste ambiente de populismo difuso foi a substituição da Procuradora Geral de República, Joana Marques Vidal. Como pudemos verificar, o resultado do processo, como é próprio do populismo, acaba por ser a despolitização — a despolitização generalizada da matéria política. Quem tomar atenção aos pequenos e grande sinais, com olhar de analista, descobre facilmente que a escrita jornalística, mesmo nos jornais que gostam de se reclamar como “de referência” (algo hoje tão inexistente como o unicórnio), se inclina cada vez mais — num gesto que se vai naturalizando e tornando-se mimético — perante este ambiente, induzindo uma audiência e afastando progressivamente o público mais exigente. Experimentemos olhar para três títulos de artigos recentes: “Oh Joana, pensar que estivemos tão perto” (Pedro Candeias, Expresso), “Aprende, Joana: em Portugal quem manda é o PS” (João Miguel Tavares, PÚBLICO), “Joana e Lucília” (editorial do PÚBLICO, por Ana Sá Lopes,). Quem é esta Joana, nomeada com a mesma familiaridade (pelo menos nos dois primeiros artigos, o de Ana Sá Lopes é, quanto a este aspecto, de mais baixa intensidade) com que se nomeia a colega de turma? É a PGR. De repente, passa-se da função-PGR para a pessoa que a exerce, na sua identidade civil. Ou seja, passa-se da entidade pública para a pessoa privada. O jornalista expõe a pessoa enquanto tal, na sua nudez, como se tivesse a prerrogativa da objectivação e do tu cá, tu lá, criando uma proximidade artificial e arrogante que, na sua lógica extrema, vai dar ao “oh palhaço!” da invectiva popular. Se verificarmos com atenção, este tipo de títulos está hoje disseminado na nossa imprensa, mesmo quando depois nem correspondem ao tom mais sóbrio dos artigos. Mas não são apenas os títulos “sexy” que caracterizam este regime populista da escrita jornalística. Para fazer subir a temperatura populista, esta escrita jornalística recorre ao artifício da teatralidade, da tirada lúdica ou humorística: o jornalista ocupa o lugar da “vox doxa”, faz falar uma improvável “sociedade civil”. Tudo isto é servido por uma linguagem simples, por um vocabulário e uma sintaxe que são a forma necessária e consubstancial dos conteúdos simples, das ideias elementares. O editorialismo difuso e primário deste “building journalism”, que é um jornalismo sentado (aquele a que pertence hoje toda oligarquia instalada nos jornais), contaminou a escrita jornalística. E é fácil perceber que esta escrita se empenha, consciente ou inconscientemente, em imitar o modelo retórico e teatral das redes. Não se trata, aqui, de demonizar as redes. Mas a escrita jornalística (compreendo, com esta designação, também as secções de opinião) deveria ser outra coisa diferente. Não deveria, sobretudo, contribuir para as ondas de gritaria, tagarelice e teatralização enfática que emergem constantemente no espaço público. Essa escrita está destinada a falar apenas para o público que ela cria. É suicidária.»


O populismo jornalístico

10 euros para quem conseguir explicar esta explicação

«Esse artigo não foi escrito tendo por base apenas uma fonte — foi escrito com recurso a várias, judiciais e políticas, todas elas bem colocadas. E essas fontes falaram ao Observador de boa fé. Simplesmente, julgavam ser portadoras de informações que não conheciam na totalidade. E aí está a origem do erro que cometemos — e que vamos trabalhar para que não se repita no futuro.»


Nova PGR: o Observador errou

Santa Joana faz o pleno entre a sua gente

PNR também agradece a Joana Marques Vidal o trabalho de equipa:

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«O PNR gostaria de ter visto a actual Procuradora Geral da República, Dra. Joana Marques Vidal, reconduzida no cargo, já que foi uma pedra no charco em que se encontrava a nossa Justiça. Como se costuma dizer, “em equipa vencedora não se mexe” e, como tal, não aceitamos a falácia do argumento pouco transparente de um só mandato. Quem dá provas de um bom trabalho deve ser reconduzido, porque nestes casos o que tem sido “costume” não pode prevalecer sobre a eficácia.

Sabemos que Joana Marques Vidal mexeu com muitos lóbis, teve a coragem de enfrentar os poderosos habituados à impunidade e que essas forças de pressão tudo fizeram para a afastar. Também sabemos que este caso serviu para que os políticos do sistema se digladiassem entre si, não porque estivessem preocupados com a nobre função da nossa Justiça, mas apenas para representarem a habitual guerrinha do faz-de-conta de pluralidade e contraditório.

O PNR agradece à Dra. Joana Marques Vidal pelo bom trabalho desempenhado e por ter conseguido, corajosamente, que a Justiça começasse a funcionar, libertando-a das teias dos interesses e influências de poder político.»

Como a Cofina conseguiu mais um triunfo

«Em equipa que ganha não se costuma mexer, e portanto eu acho que não se deve mexer numa equipa que claramente está a ganhar, que é a equipa do Ministério Público e da procuradora-geral da República»


Paulo Rangel

«Do lado do CDS continuaremos a reforçar a recondução de Joana Marques Vidal. Se temos aqui um valor seguro, não nos faz sentido estar a trocar por outra pessoa. Em equipa que ganha não se mexe.»


Assunção Cristas

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A exploração à outrance do final do mandato de Joana Marques Vidal começou no Verão de 2017 na Cofina. Os editoriais do CM e da Sábado, repetidos e espectacularizados na CMTV, começaram a juntar lenha para um incêndio por fogo posto marcado para a entrevista à Ministra da Justiça em Janeiro deste ano. Nesses editoriais, de forma maníaca e hiperbólica, o PS é tratado como uma organização criminosa. Donde, a leitura de qualquer acto ou omissão de dirigentes e governantes socialistas oferece diariamente à Cofina sistemáticas oportunidades para se divertir e para degradar o regime envenenando o espaço público ao carimbar todos os socialistas como ladrões do povo. Acontece que a Cofina é um dos mais importantes braços armados da oligarquia portuguesa, tendo uma relação simbiótica com outros órgãos de comunicação social cuja agenda política é exactamente a mesma. A sua importância sociológica, e também antropológica, merecia estudos profundos. No Expresso, no Observador e no Público não é raro lerem-se rasgadíssimos elogios ao esgoto a céu aberto, pintado como baluarte da liberdade graças à sua perseguição a Sócrates.

A Cofina sabia o que o PSD e o CDS também sabiam, e que acaba de se confirmar. Sabiam que o mandato da PGR não seria renovado pois tal ia contra a interpretação da lei – e contra a prática institucional recente – que convinha à autoridade do sistema de Justiça. Sabiam que tanto Costa como Marcelo, a que se juntava a própria Vidal e o sindicato do MP, estavam unidos nessa intenção de prepararem uma transição sem qualquer alarido para descontaminar politicamente a normalidade de um mandato único. Essa certeza abria uma imperdível oportunidade: fazer da saída da PGR que tinha prendido Sócrates uma tempestade que pudesse ser alimentada durante anos e anos. Os materiais para tal já estavam disponíveis na opinião pública graças ao culto de personalidade que a Cofina desenvolveu com Joana Marques Vidal, Rosário Teixeira e Carlos Alexandre, promovidos a super-heróis de um Ministério Público implacável contra os socialistas corruptos (os restantes casos judiciais a envolverem laranjas e laranjitas, mais o Benfica, servindo paralelamente para blindar o seu estatuto de caça-xuxas). Culto esse nunca repudiado pelos magistrados vedetizados, muito pelo contrário. Carlos Alexandre, embriagado pela fama e pela sua real impunidade, chegou a ir para a TV achincalhar um cidadão cujos direitos o Estado obrigava não só a respeitar como a defender. A santa Joana tendo aparecido a reclamar os louros por uma herança histórica que ia deixar aos vindouros. O clima, portanto, era o ideal para mais uma campanha terrorista de politização da Justiça e de judicialização da política.

O plano implicou a mais escabrosa hipocrisia. Se esta direita violentadora que apoiou Santana contra Rio, e que Cristas também representa, quisesse mesmo tentar obter a recondução da JMV, então teria feito trabalho de bastidores pela calada, procurando uma aclamação popular sem contágio partidário. Como sabiam que tal era impossível, havia que partidarizar ao máximo a questão para se chegar ao momento da saída da santa Joana e recolher os ganhos. A lógica era similar à do Brexit e de Trump, onde o objectivo nunca foi o de ganhar por tal se considerar altamente improvável. Queria-se era perder pela margem mínima para a partir dai garantir uma fonte inesgotável de retórica bélica. O texto calunioso de Passos Coelho, saído minutos depois da notícia da substituição da PGR ter começado a correr, é paradigmático da estratégia em causa. Ele não vai precisar de mudar uma linha ao libelo nos próximos 20 anos, assim tenha saúde, porque tudo se resume à repetição da fórmula Cofina: um socialista bom é um socialista preso. É isto a decadência em política, um deserto de ideias construtivas e aliciantes para o eleitorado, a redução da prática política ao ódio e à pulhice.

Essa hipocrisia talvez tenha conseguido ser ainda mais intensa nos jornalistas e comentadores que fizeram campanha para a entronização da santa Joana. É que um cenário em que o próximo procurador-geral da República fosse alguém plebiscitado pela direita partidária e pelo tabloidismo de direita geraria uma situação única em todo o Mundo e arredores. Qualquer acto do MP não só podia como devia passar a ser entendido como o cumprimento de um mandato político oriundo dos partidos, políticos e órgãos de imprensa que declararam o seu apoio à senhora. Houve guerras civis que começaram por muito menos. E a irracionalidade desse cenário, onde o primeiro-ministro e o Presidente da República aceitavam ficar reféns das chantagens de uma súcia político-mediática fanática e delirantemente facciosa, expõe a chave interpretativa do que aconteceu: um jogo de espelhos, onde esta direita apostou tudo na saída da JMV para poder usar a sua regular e bondosa substituição como matéria caluniosa daqui em diante. Em que estado fica a honestidade intelectual desses jornalistas depois das figuras sectárias e idiotas a que se prestaram? Enfim, talvez a sua honestidade intelectual acabe por se manter intacta dado já não existir à partida nesta cruzada.

Para esta direita intelectualmente paupérrima e moralmente dissoluta, Joana Marques Vidal era o rosto do seu maior triunfo: o abate de Sócrates, a sua prisão e o linchamento público imparável e sem qualquer piedade da sua pessoa e de quem mais fosse possível apanhar. Daí sentirem-se a ganhar, sabem que tinham uma equipa dos seus ao seu serviço no Ministério Público. E é assim que pretendem continuar, agora fazendo da santa Joana um sebastianismo abjecto onde se irão afogar em rancor e paranóia.

Maravilhas do regresso da impunidade

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Joana Marques Vidal já disse a Marcelo que aceita ficar. Os bastidores do processo

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No fim-de-semana passado, duas fortalezas da direita mediática nacional, Expresso e Observador, garantiram ao País que Joana Marques Vidal iria ser reconduzida como PGR graças à intervenção do Presidente da República e à anuência do primeiro-ministro. Em ambos os casos, não se limitaram a lançar um boato nebuloso, antes detalharam os acontecimentos que teriam levado a esse desfecho, atribuindo a fontes ligadas a Marcelo a origem das informações. O silêncio de Belém que se seguiu levou a que (quase) ninguém duvidasse da veracidade do que aparecia publicado. Nesta terça-feira, saiu uma nota da Presidência onde se pode ler um curtíssimo texto de arrebimbomalho:

«o Presidente da República nunca manifestou, nem pública nem privadamente, qualquer posição sobre a matéria respeitante à nomeação do Procurador-Geral da República. Pelo contrário, sempre afirmou que essa matéria seria apenas objeto de apreciação uma vez apresentada a proposta pelo Primeiro-ministro

Estamos num caso de terceiro excluído. Ou os ex-líbris da direita mediática mentiram com quantos caracteres usaram, ou o actual Presidente da República é não só mentiroso como estouvado. Estouvado porque, se a versão publicada for verdadeira, então Marcelo estará também a envolver na sua mentira Joana Marques Vidal e um número indeterminado de pessoas que terá tido conhecimento do teor das duas reuniões onde, afinal, havia mergulhado de cabeça na manifestação da sua “posição sobre a matéria respeitante à nomeação do Procurador-Geral da República”.

Este episódio é análogo, em mais do que um aspecto e sentido, à “Inventona de Belém”. Então como agora, um Presidente da República de direita vê-se usado por órgãos de imprensa afectos às suas preferências partidárias, económicas e ideológicas como munição de altíssimo calibre contra um Governo socialista. Então como agora, a intriga gerada envolve dimensões do Estado melindrosas e opacas, onde o nevoeiro de guerra pode ser cerrado. Então como agora, estamos em contexto eleitoral para umas eleições legislativas. Finalmente, então como agora, o fedor da decadência de uma certa direita golpista, infelizmente poderosa e dominante facticamente, é agoniante.

Como é que Observador e Expresso reagiram ao desmentido presidencial? Com censura. Na madraça, notícia de rodapé. Nenhum dos fogosos combatentes do antisocratismo botando faladura. No semipasquim do militante nº 1 do PSD, idem. Pedro Santos Guerreiro, na rubrica da manhã onde cada editor à vez aproveita para fazer graçolas e mandar recados, ou aliviar a bílis, nem no espaço entre as letras se referiu ao curioso fenómeno de ter mandado publicar uma certa parangona que põe em causa ou a honra de Marcelo ou a sua deontologia. Mas talvez o Guerreiro não tenha falado nisso por ignorar o que o seu jornal fez no sábado passado, é uma hipótese. A outra é a de ele se estar a cagar porque o seu campeonato é o das capas sensacionalistas destinadas a serem desmentidas pelas autoridades, como se tem visto em relação a Tancos e quejandos que sirvam para atacar os malandros dos socialistas, não o do respeito pelo Estatuto e Carteira profissional dos jornalistas. Não me ocorre mais nenhuma explicação de momento.

Entretanto, vai ser maravilhoso ver esta corja de profissionais da baixa política a explorarem o afastamento da santa Joana.

Os lumpencaluniadores

Que se passa com a Joana Amaral Dias? Com um percurso político a lembrar Zita Seabra (esta saltando do PCP para o PSD e aquela do BE para o que calhar) e com uma alteração radical no seu simbolismo público também analogamente simétrico (a comunista retinta e heróica é agora uma devota de Fátima e a psicóloga assertiva e defensora de uma esquerda avançada é agora uma estrelita do Instagram para poder vender erotismo apolitizado e convencionalmente machista à indústria cor-de-rosa, a que junta o papel de vedeta na indústria da calúnia) a nova fase da sua carreira como celebridade deixa-nos confusos e alarmados. Andam a pôr algo marado na água dos ícones femininos da esquerda.

Veja-se este número circense abaixo. Um completo taralhouco entrevista a senhora e, a propósito de Vara, faz um pedido para que se exerça violência física sobre um dado cidadão pela simples razão de ainda continuar a desfrutar do seu estatuto de inocente e respectiva liberdade. Como reage a ex-deputada? Como se não tivesse ouvido o apelo ao linchamento, até alimentando o intoxicação emocional do taralhouco ao validar a sua pulsão criminosa. Acontece que o taralhouco não percebe nada de nadinha de nada do que se passou e está a passar com Vara, a começar pelo que esteve na origem da sua condenação e a terminar no modo como em Portugal se faz cumprir a Constituição e o Código Penal. Não admira, portanto, que o taralhouco seja um apaixonado fã de Joana Marques Vidal, estando em campanha para a sua recondução no cargo. Ele imagina que só assim conseguirá assistir ao definhamento de Vara na choça durante décadas à pala das migalhas supostas num crime de “tráfico de influência” com um sucateiro que o Ministério Público alega ter sido cometido sem ter disso prova directa.

O que se exibe no vídeo abaixo apenas difere em grau de obscenidade e grunhice do que vemos diariamente na “comunicação social de prestígio” e no “jornalismo de referência”. Quanto ao efeito pretendido, este taralhouco apoiado pela Amaral Dias e os caluniadores profissionais apoiados pelas respectivas direcções de imprensa onde calhem ganhar o pão (sejam jornais, televisões ou rádios) procuram exactamente o mesmo: audiências cívica e intelectualmente miseráveis, onde o sensacionalismo, a demagogia e o populismo mediático antipolíticos, antibanqueiros e anti-elites lhes continuem a garantir mercado para as suas marcas. E por que é que isto nos faz mal como comunidade? Se não conseguirmos responder, eles agradecem.

NÓS E A JOANA

NÓS E A JOANA Com Joana Amaral Dias Temas para apresentação e debate com a comunidade: 1. Governo esconde lista de Políticos a quem foram atribuídas Subvenções Vitalícias 2. Caso Vara, e seus correligionários de crime (Ricardo Salgado, Oliveira e Costa, entre outros) 3. O que motivará o governo na não recondução de Joana Marques Vidal Tema surpresa, caso haja tempo. Data: Quarta-feira dia 12 de Setembro de 2018 Hora de Início: 21H30 de Lisboa Hora de Fim: 22H15 de Lisboa NÃO PERCA! :) PARTILHE!

Publicado por queroemigrar.com em Quarta-feira, 12 de Setembro de 2018

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Exactissimamente

«De acordo com os relatos feitos pelo FMI e pela CE, o governo português pretende prosseguir uma estratégia orçamental baseada: na moderação (e não em cortes) de salários e contratações na função pública; numa maior eficiência do Estado (e não na redução dos serviços coletivos prestados); e na redução dos juros, por via da credibilidade dos objetivos orçamentais (e não da redução da despesa). Afirmam ainda as instituições internacionais que as autoridades nacionais pretendem promover a competitividade da economia através de fatores não custo (qualificações, inovação, orientação exportadora) e não da redução dos custos salariais ou fiscais. E que pretendem assegurar a sustentabilidade da Segurança Social através da diversificação de fontes de financiamento (e não da redução de direitos). Ao contrário de outros tempos, as instituições internacionais não contestam estas orientações centrais da atual política económica do país.

Podemos encontrar diferentes razões para a anuência do FMI e da CE face às opções nacionais, mas uma coisa é evidente: no momento atual, a oposição de direita não pode contar com estes aliados tradicionais. Até que a maré mude, a tradição já não é o que era.»


O FMI, a Comissão Europeia e a direita portuguesa

Felizmente, ainda há João Araújo e o Marinho

A direita decadente não tem ideias nem talento mas tem Sócrates. Preferem afundar-se em mais uma legislatura na oposição a largarem esse troféu de caça. São como macaquinhos apanhados na armadilha do amendoim (ou da banana, há para todos os gostos), onde a pulsão para conservar o alimento impede que a mão fechada saia do receptáculo por onde entrou aberta. Ao mesmo tempo, a frustração por estarem na bancada a ver passar a procissão do poder governativo, juntamente com a consciência silenciada de serem canalhas por vocação e vício, leva-os a esticar a corda da violência política até ao máximo que for possível sem ter de usar armas. Eis porque nada mais conseguem fazer do que gastar os dias a berrar e patear, emporcalhando o regime sem qualquer pudor nem limite imaginável.

A tese de que Joana Marques Vidal “acabou com a impunidade” no Ministério Público é extraordinária de estupidez, mas ainda mais extraordinário é ver a complacência, nalguns casos aberta cumplicidade, com que as instituições visadas na sua responsabilidade lidam com essa calúnia. Tiremos o corolário para uma experiência mental. Em que consistiu a impunidade anterior a JMV? Foi só obra de Pinto Monteiro ou de outros PGR? Aceitemos Pinto Monteiro como o único bandido. Que é que ele fez de ilegal? Não há ninguém, sequer no esgoto a céu aberto, que consiga nomear a metade da metade de um acto do anterior PGR que possa ser considerado ilegal. Passemos para o último recurso: que é que Pinto Monteiro não fez que devia ter feito para acabar com a impunidade? A única resposta que os decadentes dão é esta: “Devia ter prendido Sócrates, como a Joana conseguiu fazer.” Ora, seria possível que Pinto Monteiro conseguisse tal façanha de proteger socialistas corruptos apanhados com provas válidas tendo contra si os procuradores valentes que capturaram as presas e a corporação dos magistrados do Ministério Público na figura do seu sindicato, a que ainda se junta a autoridade do Conselho Superior do Ministério Público e toda a direita partidária, mediática e presidencial? Se sim, por que razão não tivemos então, nem temos agora, acesso a essa demonstração? Por que razão Cavaco Silva, Passos Coelho e Joana Marques Vidal, logo a partir de 2012, já com o hiper-ultra-mega-vilão afastado, não expuseram à Nação as ignóbeis e históricas violações da Lei, da Constituição e/ou da moral que Pinto Monteiro protagonizou na era da impunidade? Por que razão Pinto Monteiro acabou por ser condecorado por Cavaco graças ao seu mandato como procurador-geral da República? Cavaco também promovia a impunidade?

Esta direita decadente cuja decência é medida pela forma e conteúdo do Correio da Manhã, e cuja defesa do Estado de direito e da liberdade é medida pelo fanatismo e rancor do Observador, trata as suas audiências como broncos a quem basta atirar um osso para os ter com os dentes de fora a ladrar e a babarem-se raivosos. Razões de sobra para ver o último Expresso da Meia Noite – o qual ainda oferece o supino prazer de ouvir o João Araújo (mesmo que pareça um pouco fragilizado por questões de saúde).

Os pulhas do PS


Ligação

Henrique Manuel Bento Fialho, escritor. O seu livro mais recente saiu em Abril deste ano, A Festa dos Caçadores. Para consumo imediato do seu talento artístico e do seu universo idiossincrático, é visitar a antologia do esquecimento, uma casa com serviço regular de inteligência, humor e amor à liberdade.

O nosso amigo hmbf passeia-se pelo Aspirina B desde os primórdios. Lamento pela sua década+3 perdida, mas aviso já que ainda não chegámos à América pelo que não nos poderá meter em tribunal, apesar da montanha de provas a seu favor para tal. Posso é tentar responder à simpática questão levantada, a qual me permite meter uma cassete que não ponho a tocar faz tempo. Cá vai alho.

Não sou dirigente, militante, simpatizante, sequer votante do PS em eleições legislativas (mas tenho sido votante nas autárquicas). Não votei PS em 2005, 2009 e 2015. Votei em 2011 pela primeira vez, e pela simples razão de estarmos perante uma colossal golpada que afundou o País para meter no poleiro Passos-Relvas e Portas, os carrascos dos fanáticos do FMI à época. As ameaças à democracia eram reais, como se confirmou nos quatro anos seguintes, e a melhor forma de proteger o bem comum seria reforçar o grupo parlamentar socialista, na minha humilde e nada modesta opinião. Não voto PS, por princípio, porque acho que esse partido não tem estado à altura das suas responsabilidades na área da Justiça. Foi exactamente recorrendo a este argumento que justifiquei, em 2009, a recusa a participar na plataforma SIMplex ao ser convidado por um dos responsáveis. É o que continuo a pensar na actualidade, achando inconcebível que o maior partido português, o principal pilar do regime democrático e a organização política que mais confiança oferece ao maior número de cidadãos dado optar invariavelmente por uma governação ao centro, aceite deixar a Justiça sem os recursos necessários para ser o mais eficiente e célere que humana e orçamentalmente seja possível. Fim da fita na cassete biográfica.

– O que tem de socialismo o PS? Mano, de que socialismo estás a falar? Esclarece, se tiveres ideias e pachorra, e a conversa poderá continuar. Mas não irá muito longe, né?

– O que têm de socialistas os pulhas do PS espalhados pelos cargos de decisão nas empresas deste país? Mais uma vez, não ajuda ignorar o que ou a quem te referes. Vou optar pelo argumento probabilístico e admitir que uma percentagem dos administradores e directores das “empresas deste país” estão ligados, seja de que forma for, ao PS, e que, dentro deste grupo, uma percentagem (50%? Mais?) pode ser identificada recorrendo ao epíteto “pulha”. Bom, aqui na minha terra um pulha não tem nada de socialista. Tal como não tem nada de nada a não ser de ruindade. Um pulha é alguém que se serve violentamente da comunidade para obter vantagens que apenas favorecem os seus interesses individuais e particulares. Essa violência pode assumir a forma criminosa ou ficar-se no seu limiar através de uma miríade de acções indecentes e cobardes que exploram deficiências e desigualdades na sociedade sem que estejam a violar a lei. Escuso de te e me maçar com exemplos.

Quanto a ver o hmbf a considerar-me o mais engraçado dos bloggers portugueses, e subjectividades do gosto à parte (ou ironia), o que tal evoca é um sentimento nostálgico acerca do que foi a blogosfera, uma festa de criatividade e aventuras relacionais, e o deserto em que se transformou ao ficar anacrónica perante o aparecimento do Facebook, Twitter e Instagram, para só nomear os gigantes. Dito isto, é inegável que existem oásis onde continua a ser possível encontrar água, fruta e sombra fresquíssimas.

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The universality of shame
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A regra infirma a excepção

Na verdade, o processo "Marquês" nunca foi distribuído nem sorteado. A escolha do juiz, que deveria ter acontecido em 9 de setembro de 2014, não resultou de uma operação de distribuição que deveria ter sido por sorteio ou, como diz a lei, "realizada por meios electrónicos, os quais devem garantir aleatoriedade no resultado". Em conclusão: desde 9 de Setembro de 2014 que o processo "Marquês" não teve um juiz legal ou juiz natural. O Tribunal já comunicou também que nenhum juiz presidiu à dita "atribuição manual" e que tal intervenção terá ficado a cargo da escrivã de direito, Senhora Maria Teresa Santos. Espero que nos poupem ao debate sobre a responsabilidade da senhora escrivã, porque o que se passou com a denominada "atribuição manual" não foi uma falha, um descuido burocrático que se possa atribuir a um funcionário. Pelo contrário, o que se passou consistiu num ato intencional de escolha de um juiz, ludibriando a lei. Estamos para ver exatamente quem deu essas instruções, mas é importante que nada fique por dizer: o mais provável é que o processo tenha sido ilegalmente "avocado" e o principal suspeito é o Juiz Carlos Alexandre.


Sócrates

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As únicas pessoas a quem reconheço o direito a não mexerem uma palha na defesa pública do inocente cidadão Sócrates, inclusive o direito a julgarem-no moralmente sem piedade, são aquelas que se consideram lesadas com a “Operação Marquês” devido ao teor das suas relações privadas com Sócrates até então e as consequências que os actos do actual acusado vieram a ter para estes terceiros do círculo íntimo ou próximo (fosse política, pessoal e/ou socialmente). Há razões psicológicas que se sobrepõem à postura cívica dado estarmos perante acontecimentos traumáticos. Os restantes, se ficarem calados estarão a ser cúmplices de quem está a fazer deste processo uma homérica guerra política que implica a planeada e sistemática violação do Estado de direito, onde tal possa ser levado a cabo sem consequências para os responsáveis, de forma a montar um julgamento excepcional. Excepcional nisso de colectivamente se aceitar que Sócrates deva ser condenado antes de ser julgado, e julgado sem respeito absoluto pela Lei – assim obtendo o supremo troféu de impor o maior castigo possível a um estupendo e aterrorizador inimigo político e a quem ouse defendê-lo.

O Correio da Manhã, para usar aqui o arquivo mais extenso e fiel em Portugal a respeito da matéria, publicitou ao longo dos anos as suspeitas acusatórias maximalistas dos procuradores. Que acontece se juntarmos todas as capas produzidas pelo esgoto a céu aberto sobre a “Operação Marquês”? Acontece que não vamos encontrar uma única prova de corrupção. Ninguém sabe, no Ministério Público, como provar que uma certa quantidade de dinheiro na posse de Carlos Santos Silva tenha tido origem em actos governativos ilegais. Como não sabem, e como não podiam deixar de acusar Sócrates fosse do que fosse depois de terem posto a gigantesca máquina acusatória a funcionar, juntaram as teses todas e criaram um megaprocesso que, só para ser dilucidado em tribunal, já corresponde a uma forma de impor uma pena aos acusados mesmo que depois venham a ser ilibados parcial ou totalmente. Isto em si mesmo pode não ser uma violação do Estado de direito, embora tal dependa da interpretação que cada um faça desse edifício jurídico-político, mas quando se cola à evidência de termos tido um juiz de instrução que não se comportou como juiz dos direitos e garantias dos arguidos, antes como duplo e carrasco do MP, então a constatação de que o Estado de direito é neste processo uma fantochada tem de ser retirada por qualquer um que não abdique da sua decência como cidadão, como eleitor, como pagador de impostos, como mero anónimo que não admita ver a Justiça a ser usada para vinganças e perseguições políticas.

Aquando da condenação de Vara à pala do sucateiro, o próprio Marcelo Rebelo de Sousa considerou que a pena era muito exagerada face ao suposto delito em causa (delito esse também sem provas directas). Porém, ele não estava escandalizado, sequer preocupado. O fenómeno nascia, explicou, da maior importância que esse tipo de crimes estava a ter na comunicação social, logo os juízes iam atrás do que aparecia na imprensa e julgavam de acordo com o sentimento popular. A sua placidez opinativa compreende-se sem dificuldade dado estar na berlinda um socialista, ainda por cima já tendo anos como alvo de calúnias por conta do seu passado maculado por suspeitas graves e pela sua amizade com Sócrates. Não sabemos o que diria se a vítima da justiça jornaleira fosse alguém da sua cor política, amigo ou familiar. O que sabemos é que Marcelo sabe perfeitamente bem que uma campanha de assassinato de carácter, de suspeições, de difamações e de calúnias pode ter, com alto grau de probabilidade, influência nos juízes na altura de usarem o seu arbítrio para carimbarem um dado cidadão como inocente ou culpado, com esta pena ou com aquela. À luz do que temos visto, e continuamos a ver, acontecer no processo que envolve Sócrates, só por milagre se fará justiça na Justiça onde a parte mais importante do seu futuro será decidido.

A regra que enche por estes dias a retórica dos justiceiros é a de que todos são iguais perante a lei, que ninguém está acima da lei. A “Operação Marquês” revelou que a Justiça, a Assembleia da República, o Governo e o Presidente da República se podem aliar numa passividade cúmplice com aqueles que fizeram da excepcionalidade deste caso uma regra conhecida de antanho: os mais fortes são a lei.