Arquivo da Categoria: Valupi

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Social Media Has Remarkably Small Impact on Americans’ Beliefs
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Cavaco, escuta

«Eu percebo a preocupação com as relações familiares. Acho estranho que, quem hoje se preocupa tanto com as relações familiares, se tenha preocupado tão pouco, no passado, com outras relações - que essas não são públicas, nem são sindicáveis, designadamente com a promiscuidade entre o exercício de cargos políticos e o mundo dos negócios.

Há uma coisa que eu posso garantir: nenhum dos membros do meu Governo sairá do Governo para formar um banco que depois vá à falência e fique a viver à custa dos contribuintes, nenhum membro do meu Governo saíra do Governo para ir gerir uma infraestrutura cuja construção ordenou; nenhum membro do meu Governo irá adquirir ativos a empresas que privatizou na legislatura imediatamente anterior. Essas é que são as relações com que se deviam preocupar.»

“O professor Cavaco tem muitas qualidades. Seguramente, a melhor não é a memória”

Marcelo aliado da Cofina

Marcelo Rebelo de Sousa enaltece festa dos bebés e recorda nascimento dos filhos durante gala ‘Viva a Vida’

"Parabéns CMTV, parabéns Correio da Manhã. Um abraço para mães e pais. Esta festa tem muito mérito porque aposta no futuro de Portugal. É preciso que haja sete vezes sete festas destas", disse Marcelo Rebelo de Sousa, lembrando "a verdadeira aventura" de quando foi pai.

Octávio Ribeiro, diretor-geral editorial CM/CMTV, agradeceu a presença das famílias, garantindo que os portugueses que "politicamente decidem em Lisboa vão saber que se exige que olhem para o Interior com o cuidado que merece, porque sem que as pessoas estejam felizes e sem condições nas suas terras, Portugal não será Portugal".

"E nós [CM e CMTV] estamos cá para dar todas as notícias. Esse é o nosso compromisso porque o nosso verdadeiro patrão é o povo português", reforçou Octávio Ribeiro. Duas mil pessoas aplaudiram e viveram momentos de grande emoção com a festa da natalidade.

Marcelo Rebelo de Sousa aliou-se e elogiou bandeira da luta contra a baixa natalidade no Interior do País

Marcelo Rebelo de Sousa garante: Está ansioso pela estreia da novela ‘Alguém Perdeu’ – O Presidente da República já tem uma “alteração” na sua agenda esta segunda-feira, 18, porque não quer perder a primeira produção da CMTV. “Vou ver. Depois digo a minha opinão”, afirmou.

O populismo bom no antro do populismo mau? Não, porque não há populismo bom. O que vemos é o populista popular ao serviço do populista popularucho. O espectáculo mostra quem manda em quem. É uma radiografia dos poderes fácticos no regime. Um regime onde um Presidente da República pode ser obrigado a comparecer na acção de um grupo de comunicação cujo sucesso comercial e influência social estão associados à transgressão sistemática do código deontológico dos jornalistas e à pratica de crimes de violação do segredo de justiça em conluio com agentes da Justiça criminosos. Um regime onde se põe e dispõe de um Presidente da República para vender uma telenovela.

Marcelo Rebelo de Sousa, bufão-mor da oligarquia desde os anos 70, sabe que na política vale tudo desde que não se seja apanhado. Carl Schmitt explica, o jogo do poder resume-se à escolha dos amigos e dos inimigos. No caso, estamos perante uma amizade que anula o decoro e a dignidade do representante máximo da República. Vergonha indelével.

Toda a verdade sobre a escandaleira das relações familiares no Governo socialista

É inegável que o crescimento económico, a redução drástica do desemprego, a recuperação do poder de compra e o cumprimento das metas macroeconómicas têm no PS a sua paternidade.

É evidente que as sondagens favoráveis ao Governo socialista têm na incompetência, no ressabiamento, na incoerência e na vacuidade da direita a sua maternidade.

Como diz Rui Rio, isto merece uma sanção política.

José Eduardo Martins apela ao linchamento de Ivo Rosa

José Eduardo Martins, um cidadão que se passeia desde 1985 pelos bastidores do PSD e que celebrará 50 anos lá para o Natal, tem relevante experiência política como parlamentar e governante. É advogado, com extensa presença mediática no papel de comentador político, e consta que se acha em condições de ser candidato laranja à Câmara Municipal de Lisboa, primeiro, e depois a presidente do partido, pois claro. Poderia ser o quadro social-democrata prototípico, tanto pelo perfil profissional e carreira política como, especialmente, por ninguém ser capaz de recordar uma ideia da sua lavra que mereça ser repetida (nem que fosse para a rebater). Este o retrato que nos permite fazer uma leitura informada do seguinte texto: NETO DE MOURA E IVO ROSA

O título cumpre. É mesmo de dois juízes que versa a prosa do licenciado em Direito e figurão do PSD. Na primeira parte do exercício, o jurisconsulto Martins declara que Neto de Moura, apesar de estar no Tribunal da Relação, não pesca nada da Constituição. Depois de convidar o valente juiz a estudar Rawls, para ver se ainda consegue perceber o que raio seja isso de um regime constitucional antes de ir para a reforma antecipada, fez uma transição orgânica para o alvo que realmente o andava, e anda, a acirrar. Sobre Ivo Rosa, alertou a Grei para estarmos perante um caso muitíssimo mais grave do que o do juiz compreensivo para com o uso de mocas de pregos no lombo das fêmeas adúlteras. Segundo a honestidade intelectual, brio cívico e sentimento patriótico do ilustre José Eduardo, esse tal juiz Rosa (o nome diz tudo, enfim) anda a colocar em causa a “sanidade de todo o sistema democrático” através da “manipulação de pressupostos legais e na violação da igualdade na aplicação da lei segundo a jurisprudência de aplicação adequada“. Daí a sua tristeza, asco, por se estar a querer maltratar um juiz que apenas se limita a odiar a Constituição e as mulheres (não necessariamente por esta ordem) em vez de se andar pelas ruas de Lisboa com archotes, forquilhas e cordame na mão à procura daquele outro juiz que, sozinho, está a destruir a democracia e o Ocidente.

Felizmente, o heróico autor não se limitou a lançar um Aqui-d’el-rei aos sacanas que preferem falar de Neto de Moura na Internet em vez de apedrejarem Ivo Rosa à chegada e saída do tribunal, um vero “Arraial, arraial, pela Operação Marquês!”, também nos bafejou com a sua ciência jurídica. É assim, ensina aos papalvos:

– Ao Tribunal da Relação podem chegar juízes que não sabem sequer para que serve o texto constitucional, JEM ipse dixit.
– Quando um Tribunal da Relação opina negativamente sobre um juiz que calhe não gramarmos, isso anula o ponto anterior e prova que ao Tribunal da Relação só chegam juízes perfeitos, puros, divinos, incapazes de cometerem o menor erro de interpretação e avaliação.
– A um juiz de um Tribunal da Relação pode acontecer “colocar subjetivismos, nos seus julgamentos, à frente da intersubjetividade plural objetivada na Constituição e na lei” se envolver mulherio e os coitados dos maridos e companheiros ficarem legitimamente perturbados com a falta de juízo do gajedo, JEM ipse dixit. Nesses casos, convém chamar a atenção desse juiz pois é um bocadinho chato, admite.
– Quando um juiz que nos assusta por não ser um Carlos Alexandre, este um juiz que gramamos à brava, toma decisões que os juízes do Tribunal da Relação acima descritos no ponto anterior considerem não passar de “teses peregrinas”, então devemos esquecer imediata e completamente o que já dissemos nos parágrafos do texto de merda que alguém faz questão de pagar e publicar.

Causa estranheza ver um dito social-democrata, capaz de se dizer amigo de socialistas com quem calhe partilhar palcos mediáticos, a atacar um juiz recorrendo a difamações e pontapés na decência? Não com este cavalheiro. Ele juntou-se a Miguel Morgado e a Duarte Marques para assinar uma das mais obscenas tomadas de posição de que há memória em democracia: Um momento definidor para Portugal. Trata-se de um panfleto onde reclamam abertamente ter em Joana Marques Vidal uma comissária política que conseguiu o mais desejado dos troféus, a cabeça de Sócrates numa travessa. O que ali se diz é a antecâmara de virem um dia a declarar ilegal o PS, já descrito como partido de natureza criminosa. Nada precisam de justificar, pois nada conseguiriam demonstrar, nada precisam de explicar acerca do seu próprio partido e das figuras directivas ao longo das décadas na direita portuguesa, nada precisam de objectivar e provar a respeito das instituições e órgãos de soberania da República.

A diabolização não se faz através da expansão e refinamento da inteligência, é ao contrário: através do deslaçamento da realidade, substituída pelos monstros espalhados por aqueles que transformam a cidade numa selva pulsional de violência acéfala e tribal onde se imaginam os mais fortes. Esta personagem, portanto, pode ser vista como uma caixinha de Petri para observarmos uma das estirpes principais de que é feito o PSD profundo; de caminho se explicando o surgimento de Passos Coelho e a fragmentação da direita em resultado da derrota da PAF nas eleições de 2015. Isto de estarem reduzidos à politização da Justiça e à judicialização da política não é uma escolha nascida do seu mérito intelectual e cívico – antes, é o único destino disponível para os videirinhos e os tiranetes.

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O curioso é que

Não existe nenhum político nem jornalista, nenhuma celebridade ou a caminho, nenhum figurão ou gato-pingado na comunicação social que defenda Sócrates. É ao contrário, diariamente aparecem referências aviltantes e caluniosas na imprensa, na comunicação social e no Parlamento a Sócrates. Diariamente. Estes produtores logomaníacos de ataques a Sócrates, com vária motivação e díspar agenda, carimbam como “defensor de Sócrates” qualquer dos raros que se limitem a apontar eventuais falhas e evidentes abusos no modo como a Justiça e a sociedade têm tratado Sócrates nas fases da investigação e da acusação da Operação Marquês. E esses são raros porque muitos dos que igualmente constatam, de acordo com a sua consciência, que o regime lida com Sócrates como se fosse um réu político igualmente não lhe querem dar mais nenhuma manifestação de lealdade, sequer compaixão, ao sentirem-se traídos e confusos, arrependidos ou assustados. A factual responsabilidade moral de quem não evitou a histórica violência judicial e política que se abateu sobre ele, e sobre os seus, gera este acrescido linchamento colectivo em que se assiste ao uso da Justiça como mera liturgia de uma condenação já anunciada e imperativa. Só a integridade, coragem e liberdade de Ivo Rosa faz a diferença no que com Carlos Alexandre estaria agora a ser a continuação do auto-de-fé começado ao ser detido no aeroporto.

Se ninguém defende Sócrates, seria concebível alguém defender o Câmara Corporativa e o Miguel Abrantes? Nem aqui nem em metade dos infinitos universos paralelos. Pelo que a surpresa (ou falta dela) é simétrica, ver quem aparece a atacar esse blogue que está inactivo há mais de três anos. E que é um blogue. Um blogue.

Quando falam dos blogues de Sócrates, de promessas não cumpridas, de truques da oposição ou do governo, estão a falar de palha. Sim, de palha, que até pode servir para entreter um debate mas que não tem nada a ver com a realidade, nem com o que se pode passar de grave nestas eleições europeias. Os Abrantes do Sócrates não passavam da porta de nenhum site pró-russo nos Balcãs…

Ricardo Costa

Ricardo Costa sabe que Sócrates tinha “blogues”. Um plural indefinido e pasquineiro que cumpre a função de sugerir estarmos perante uma operação de grande escala, a obra de um exército clandestino que por pouco não conseguiu hipnotizar a população inteira através do recurso aos bigbrotherianos e mefistofélicos “blogues”. Magnânimo e misericordioso, no acto mesmo de despejar o que tinha acabado de ler sobre “fake news” escrito na estranja, o mano Costa amnistia os “Abrantes de Sócrates” – mas só porque, na comparação, essa multidão não parece em condições de influenciar as próximas eleições europeias e porque, tecnicamente, é bandidagem que fica um pouco aquém do que conseguem actualmente fazer os russos. Um craque, este crânio com sabor a laranja que usa o império Balsemão para nos ajudar a entender a (sua) realidade.

CVM – O momento polémico do debate parlamentar desta semana foi introduzido pelo deputado Carlos Abreu Amorim do PSD, que invocou uma notícia recente da revista Sábado em que se dava conta de que o cabeça de lista do PS às próximas eleições europeias, o ex-ministro Pedro Marques, fez parte da rede de contactos daquele célebre blogue chamado Câmara Corporativa, alegadamente pago por José Sócrates para o defender publicamente. Este episódio parlamentar pareceu-lhe naquele contexto uma canelada política do PSD ao PS ou considera a questão pertinente, esta do blogue Câmara Corporativa?

PM – […] É evidente que o PS, como outros partidos de poder, já tem o seu historialzinho de desinformação, e desse tipo de blogues anónimos. Blogues anónimos que têm fontes obviamente bem colocadas, que têm acesso a documentos, a historiais das pessoas… A Câmara Corporativa não era um blogue de amadores, claramente. Era um blogue feito com pessoas que forneciam informações algumas das quais que não são de acesso fácil ou livre. […]

CVM – O curioso é que, tratando-se de um debate sobre desinformação, o representante do PS nesse debate, o deputado José Magalhães, acabou ele próprio por responder com uma informação falsa, dizendo que não respondia àquela questão levantada pelo PSD porque o assunto, disse José Magalhães, estaria em segredo de justiça, o que não corresponde à verdade dado que a acusação do Processo Marquês é pública.

Governo Sombra

Carlos Vaz Marques é jornalista, e jornalista premiado. Porém, não é evidente que participe nesse estatuto profissional, e com essa responsabilidade, no Governo Sombra. Aliás, se formos a avaliar pelas evidências, o que temos é uma simulação de jornalismo que serve o propósito farsante de compor um boneco caricatural adentro de um espectáculo de entretenimento, política e calúnia. Acima temos um glorioso exemplo disso mesmo.

A pergunta lançada, e previamente combinada, omite que o caso judicial à volta do Câmara Corporativa só estabeleceu haver pagamentos suspeitos a partir de 2012. Essa omissão deixa na audiência a sugestão de que toda a actividade do blogue em causa, logo desde a sua concepção e início de actividade, está associada a pagamentos que, de alguma forma, se podem relacionar com Sócrates e com o período em que foi primeiro-ministro. Pedro Mexia, por tal ignorar ou por tal querer também esconder, não informou o público acerca dos factos. Em vez disso, regurgitou vacuidades com ar de quem sabe estar a falar para borregos. Começou pela mentira do anonimato, a cassete favorita da bronquite crónica. “Miguel Abrantes” é um pseudónimo, a pseudonímia não é equivalente ao anonimato, mas talvez o consultor do Presidente da República na área cultural não conheça autores, em desvairados campos de produção autoral, que tenham optado por assinarem as suas obras com pseudónimos. É uma hipótese, seguramente mais benévola do que a singular hipótese alternativa – a de Pedro Mexia ser um pulha, feliz da vida por ganhar dinheiro como caluniador profissional. Mesmo admitindo que o Mexia ignorava dados civis do indivíduo que assinava como “Miguel Abrantes”, tal não lhe permitia carimbar essa prática como anonimato a menos que tivesse tentado contactar o autor para recolher dele informação biográfica e civil sem sucesso, primeiro, e depois investigado se a pessoa em causa realmente se furtava à identificação pela sociedade. Outra era a factualidade, como a própria investigação do Ministério Público atesta. Para indignação dos broncos, tratava-se de alguém que defendia a sua privacidade, escolhendo aqueles com quem estabelecia relações de proximidade comunicacional e vivencial – como consta que se pode fazer em liberdade. O Mexia não era um desses, pelos vistos. É disso que se queixa, de não ter privado com os happy few? E precisa de recorrer a um solecismo para tal, imitando a brigada dos estúpidos? Finalmente, se alguém pedisse ao grande Mexia para dar exemplos dessas “fake news” que jura existirem no famigerado blogue, a quem é que ele iria em lágrimas pedir ajuda por não conseguir dar um solitário exemplo?

Veio de Carlos Vaz Marques, contudo, a perplexidade de ter inventado uma inacreditável aberração informativa e deontológica. Ao pintar José Magalhães como mentiroso, o brilhante e bonacheirão jornalista anunciou ao povo que o blogue Câmara Corporativa e o autor Miguel Abrantes aparecem na acusação da Operação Marquês. Ora, disso ainda ninguém tinha ouvido falar, a começar pelos procuradores que redigiram a acusação e que se limitaram a previamente tirar uma certidão para futura investigação a respeito do tal celebérrimo e todo-poderoso blogue. Daí, como disse o mentiroso Magalhães, essa matéria estar em segredo de justiça. Por estar ainda a ser investigada, vejam só. Porém, o Sr. Marques, ladeado pelo erudito consultor presidencial para a Cultura, pelo impante presidente da comissão das comemorações do 10 de Junho e pelo mais adorado e antisocrático dos espoliados do BES, resolveu dar uma lição ao deputado (socialista logo mentiroso), de caminho pondo na ordem o Ministério Público que aparenta não conseguir lidar com a rapidez e facilidade com que no Governo Sombra se criam “verdades”. Numa próxima emissão surgirá a denunciar Ivo Rosa por ainda não ter convocado ninguém ligado ao Câmara Corporativa a prestar contas no tribunal, algo que com Carlos Alexandre teria sido das primeiras audiências a acontecer, é certinho. E, perguntam os ingénuos, o magnífico jornalista pediu desculpas públicas ao malandro do socialista, sequer admitiu no programa seguinte não fazer a mínima ideia do que se passa na Operação Marquês para além de achar aquilo maravilhoso como ganha-pão para explorar à doida e sem vestígios de decência? Pois, não sejam ingénuos, seus ingénuos.

RAP – […] É claro que tem graça, é bem lembrado, o PSD falar no blogue do Miguel Abracadabrantes e lembrar a capacidade de produção de fake news que Sócrates tinha, mas se calhar é preciso fazer uma arqueologia da produção de fake news e lembrar que quem produziu esse produtor de fake news foi também uma fake news, designadamente aquela que Santana Lopes tentou, na qual tentou insistir, dizendo que ele gostava era de outros colos, ele Sócrates. E essa foi uma fake news que depois serviu durante muito tempo de álibi a José Sócrates para “Oh, isso do Freeport… Também diziam aquilo dos colos!” E assim sucessivamente, durante muito tempo, mesmo. Já para não falar do caso Casa Pia, atenção. Já para não falar no modo como a direcção do PS foi, esteve debaixo de fogo, a propósito do caso Casa Pia. Aí, não sei exactamente, quer dizer, desconfio, mas não sei quem foram os produtores de fake news, mas toda a gente desconfia. E pronto, e é isso.

Governo Sombra

É muito difícil ser humorista, carreiras de desgaste rapidíssimo. Veja-se como a genialidade de Herman José só durou uma década, o resto sendo (salvo fogachos) a penosa repetição forçada do que foi no início pujante originalidade e relevância. O mesmo se poderia dizer do Raúl Solnado, de quem só aqueles com mais de 70 anos conseguem recordar o apogeu e quem tenha menos de 50 mal sabe quem foi. Ao Ricardo Araújo Pereira acontece o mesmo, tendo entrado em rápido processo de esgotamento da inspiração há uns bons anos. A saída do armário de José Diogo Quintela e Tiago Dores, agora vedetas na indústria da calúnia e no activismo político da direita do ódio, poderá também ajudar a entender a deriva daquele que se pinta como diletante eleitor do PCP num festim de cinismo e palhaçada.

Ora, o palhaço em causa teve tempo para preparar o número onde pela enésima vez se iria insultar e ofender Sócrates no Governo Sombra. Como podemos ler e/ou ouvir, o que lhe saiu é um jorro de verrina que abdica por completo da intenção humorística. Trata-se de uma colagem desconexa, ininteligível, bêbada, de referências canalhas. O desconchavo foi tal que até o extraordinário jornalista Carlos Vaz ficou embaraçado, sem perceber patavina do que se estava a passar na cabeça do inteligentíssimo Ricardo. Uma cabeça que usa o seu poder mediático para um certo tipo de combate político onde os assassinatos de carácter e a calúnia são a munição preferida. Que ele tenha lá chegado pela facilidade de se juntar à turba linchadora e pela motivação de vingança onde vê Sócrates como um bode expiatório muito menos arriscado para atacar do que Ricardo Salgado, isso é absolutamente indiferente.

No fundo, e a toda a superfície, contemplarmos o alvoroço que um singelo blogue causa na elite da direita partidária e seus impérios mediáticos ilumina o estado intelectual e moralmente putrefacto da direita decadente. Blogue cuja audiência seria de um punhado de milhares de leitores na melhor das hipóteses; metade deles, ou mais, que o liam para o poderem detestar, ou porque lhes dava muito jeito em ordem a poderem chafurdar na conspiracionite e na chicana para “fazerem política” e venderem-se na comunicação social como algozes dos “socráticos” (cujo caso mais notável, portanto mais vergonhoso, foi o do Pacheco Pereira). Isto de continuar a ser um alvo conspícuo para a pulhice fica como monumento à sua qualidade cívica. O que deixava os direitolas fulos não eram as “mentiras” do Câmara Corporativa, quem lhes dera encontrar lá uma que fosse. Precisamente ao contrário, o que não suportavam era a capacidade de um miserável blogue para desmontar as mentiras torrenciais de uma direita dominadora do espaço mediático. Uma direita que apostou tudo na baixa política e nas golpadas por se saberem uma real bosta incapaz de conquistar o poder apenas no páreo dos projectos políticos para a comunidade que somos. Curioso, né?

A oligarquia do Rui Ramos vai bem com uma caracolada

Pedro Marques Lopes malha a bom malhar na direita decadente – O populismo alt-right à portuguesa e a justiça – e oferece-me a ocasião para repetir uma banalidade a respeito de Rui Ramos: a “oligarquia” que está sempre a agitar é exactamente a mesma de que falavam Marx e Engels – substantivamente a mesma. Também os fundadores do “socialismo científico” se consideravam cercados por um regime que estava dominado pela oligarquia dos capitalistas. Como nos ensina a literatura marxista, os capitalistas-imperialistas moldam os códigos legais, os sistemas políticos e as instituições sociais com a única finalidade de perpetuarem o seu domínio económico. Domínio esse obtido à custa da exploração do trabalho imposto ao proletariado sob ameaça de ainda mais miséria, fome, prisão e escravatura caso não produzam o lucro com que a burguesia se locupleta. Aliás, não é outra a génese da folclórica declaração de Jerónimo de Sousa a questionar o que seja a democracia quando interrogado a respeito do paraíso comunista chamado Coreia do Norte. Quem tenha alguma vez lido o Avante não tem a menor das dúvidas acerca do subtexto em causa no discurso do patriarca, a vigente semiclandestinidade de uma organização que quer usufruir dos direitos e benesses do tal regime que a partir de 25 de Novembro de 1975 o PCP não reconhece como legítima “democracia”. Esta condição institucionalmente ambivalente, e psicologicamente paradoxal, nasce de se conceberem possuidores de uma “ciência da História”. Os profetas vermelhos não podem admitir outro tipo de democracia que não seja aquela que começa com a revolução e se consuma na utopia, um eterno amanhã que encanta, vendo como contra-revolucionário, mesmo reaccionário, o devir político nas sociedades livres (isto é, ignorantes do “sentido da História” e sua teodiceia). Já o accionista e administrador do Observador não é alérgico ao grande capital nem se assume como revolucionário, apesar da sua fantasia favorita em que se imagina a ilegalizar o PS e a decapitar socráticos no Terreiro do Paço, mas o radicalismo contra o quotidiano normal da política portuguesa que usa como retórica é fetidamente jacobino. Também ele vocifera contra um Estado de direito democrático de fantochada e nas mãos de criminosos nados e criados nos partidos, repete semanalmente. Daí ter ido buscar a “Noite das Facas Longas” para ilustrar a substituição de Joana Marques Vidal por Lucília Gago – algo que, a não ser manifestação de psicose, é exibição de fanatismo odiento pré-criminoso. Esta sinistra e peralvilhada figura usa as categorias do liberalismo filosófico e político para apelar à guerra civil. E há quem lhe pague, e muito, pelo serviço. Rui Ramos e Jerónimo de Sousa, pois, podem passar uma tarde juntos a despachar bejecas e travessas de caracóis. De cada vez que um dos dois interrompa a comezaina e levante o bestunto para largar um “Aqueles cabrões…“, em tom raivoso ou melancólico, o outro saberá imediatamente do que está a falar. É da oligarquia.

Rosário Teixeira, afinal, também se preocupa com o que fazem certos jornalistas

O juiz Ivo Rosa decidiu impedir o acesso à sala onde decorrem os interrogatórios da fase de instrução da Operação Marquês aos jornalistas que se tinham constituído assistentes do processo. A decisão foi tomada no dia 12 de Março. De lá para cá, quais foram as reacções das “partes interessadas” no espectáculo? O esgoto a céu aberto fez primeiras páginas e editoriais a queixar-se de ter sido amordaçado? A madraça lançou os talibãs contra o juiz? O caluniador profissional pago pelo Público garantiu que era desta que o povo devia pegar em armas? O império do militante nº 1 do PSD usou o episódio para nos dizer que os socráticos são uma ameaça que urge exterminar? O consiglieri de Estado conseguiu relacionar Ivo Rosa com o todo-poderoso Armando Vara? Manuela Moura Guedes, coiso? Nada de nadinha disso. Reina o mais seráfico dos silêncios. E a explicação é esta:

«A presença de jornalistas na sala de audiência onde os acusados e as testemunhas são ouvidas nesta fase do processo – o momento em que os arguidos apresentam as suas alegações contra os argumentos da acusação de forma a tentarem não ser levados a julgamento – foi questionada pelo Ministério Público que alertou para a postura dos assistentes “que exercem a profissão de jornalistas e que não tiveram, ao longo dos autos e até ao presente, qualquer intervenção na conformação do seu objeto, como se têm feito valer dessa mesma qualidade para terem acesso privilegiado à atividade desenvolvida pelos demais intervenientes processuais que de outro modo lhes estaria vedado, com o único propósito de desenvolver peças jornalísticas acerca dos factos em causa nos mesmos e dos atos processuais aqui praticados”.

Perante esta questão a equipa liderada pelo procurador Rosário Teixeira frisa que “importa, pelo menos, vedar o exercício de uma faculdade processual inerente a esse estatuto de assistente, a de assistir a atos de produção de prova, uma vez que se mostra estar a ser exercida de forma manifestamente desviante da função que lhe é inerente em violação dos normativos processuais penais aplicáveis”.»

Fonte

Recapitulemos. O mesmo procurador, e respectiva equipa, que em Julho de 2014 – sem arguidos constituídos, sem prévia notícia pública de sequer existir tal investigação judicial – teve engenho e arte para colocar na Cofina informações que pretendiam influenciar a votação para secretário-geral do PS e que se revelariam ser o núcleo principal das suspeitas da Operação Marquês à altura da detenção de Sócrates, ou que teve arte e engenho para não o ter impedido, e que meses depois teve engenho e arte para colocar em diversos órgãos de comunicação social informações a respeito da iminente detenção de Sócrates no aeroporto e sobre os argumentos que seriam usados para o prender, ou que teve arte e engenho para não o ter impedido, e que nos dias, semanas, meses e anos após a detenção de Sócrates teve o engenho e arte de cometer caudalosos e sistemáticos crimes de violação do segredo de justiça, ou que teve a arte e o engenho para não o ter impedido, é a mesma equipa e o mesmo procurador que em Março de 2019 quer impedir os jornalistas de relatarem o modo como Ivo Rosa interroga acusados e testemunhas, e o que testemunhas e acusados declaram no tribunal face a face com o juiz. Estamos perante um fenómeno do Entroncamento?

Estamos perante um fenómeno do emporcalhamento. A fazer fé na lógica, parece lógico que a fantástica equipa do procurador-herói terá ficado muito, mas mesmo muito, desagradada com algumas notícias saídas a respeito do que se está a passar na instrução da Operação Marquês. Mas que terá sido? Por exemplo, terá algo a ver com o testemunho de Vasco d’Orey? Ou com as declarações das testemunhas de Sofia Fava? Ou com a descrição de como Ivo Rosa é exaustivo nos interrogatórios? Ou até do que virá aí a caminho e que pode, finalmente, começar a contar uma outra história sobre o que realmente tem estado em causa neste processo infame? Realmente, para quem passou os últimos anos a ter um serviço editorial onde apenas certas informações, tratadas de certa maneira, apareciam no espaço público, ainda por cima embrulhadas numa campanha de judicialização da política e de politização da Justiça onde se faz o culto de personalidade e o messianismo de certos magistrados vedetas, qualquer brecha na condenação já transitada em julgado é fonte de pânico para quem construiu o primeiro julgamento político após o 25 de Abril.

E a Cofina et alia? Agradecem, penhorados. É assim que esses bravos “jornalistas” gostam de “investigar”, em monopólio e desfrutando de uma intimidade amorosa com alguns agentes ou funcionários da Justiça (provavelmente, empregados da limpeza) que conseguem entrar nas salas dos impolutos e vigilantes procuradores e depois, com as lanternas dos seus telemóveis baratuchos, darem com aquela papelada (ou já serão disquetes de 3,5 polegadas com estupendos 1.44MB cada?) onde estão as “verdades” sobre esses “corruptos” socialistas que há que denunciar, perseguir, achincalhar e enviar para Évora.

Revolution through evolution

We Must Be Vigilant of the Precursors to Violence Against Women
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For infants, distinguishing between friends and strangers is a laughing matter
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It’s not your fault – Your brain is self-centered
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Thanking and apologizing: Talk that isn’t cheap
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5-Minute Workout Improves Heart Health, May Boost Brain Function and Sports Performance
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Immigration Is Beneficial to Economies, Even After 100 Years
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Is the US democracy in peril? If only we could agree
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