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Saliva e desespero

Supondo que o PCP quer aumentar a sua votação nos actos eleitorais futuros, estará então interessado em atrair o interesse e a vontade de quem não pretende actualmente votar nos comunistas portugueses. Nesta lógica, é mais importante aparecer em espaços de comunicação neutros e públicos do que apenas comunicar nos eventos do partido para os militantes. Parece uma evidência.

Ora, esta entrevista a Paulo Raimundo não oferece nenhuma de nenhuma razão para cativar votos extraviados ou novos. Pelo contrário, reforça a percepção de continuar a ser o PCP uma cassete, só que agora com a fita partida. Já não há musiqueta nem folclore, substituídos pelo fedor do putinismo.

Paulo Raimundo é um líder sem carisma, um avatar de Carvalhas no pior sentido da comparação – tal como Jerónimo foi um avatar de Cunhal, no melhor sentido da comparação. Como quase todos os comunistas, transmite a impressão de ser uma excelente pessoa. E teve o condão de apelar à empatia, dando-se a ver como normalzinho da Silva. Veremos se tal imagem se mantém quando estiver no calor da luta.

No discurso da Conferência Nacional, disse que “há quem salive e desespere pelo fim do PCP“. Haverá, com certeza, pois há sempre de tudo. Mas esse grupo é minúsculo e constituído apenas por direitolas fanáticos e broncos. O novo líder do PCP teria feito uma pequena revolução se dissesse exactamente o contrário, que há muitíssimos mais que salivam e desesperam vendo o PCP a desaparecer. Muitíssimos mais, milhões, que estão agradecidos ao PCP pelo seu contributo para a qualidade da democracia até aos idos de Fevereiro deste ano. É para esses que a Soeiro Pereira Gomes deve falar caso o plano seja ter alguma relevância no futuro político de Portugal.

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Dominguice

Governar, numa democracia, será a mais complexa tarefa ao alcance da experiência humana — assumindo que os governantes procurem tomar as melhores decisões de acordo com a sua honestidade intelectual. Não é que seja mais intenso, ou desgastante, ser primeiro-ministro do que ser neurocirurgião, general ou astronauta. Até um vendedor de tremoços e pevides poderá dar por si exausto no final do dia (especialmente se não lhe compraram nada). O que confere esse grau superlativo de complexidade à actividade dos políticos é a consciência que eles têm da falta de controlo sobre quase tudo o que lhes é confiado em nome do Estado. O clima, um vírus, a guerra, um taralhouco incendiário, um partido que resolve chumbar o Orçamento, há quintiliões de possibilidades para as coisas irem de mal a pior. À volta desse pré-desespero, as oposições e seus meios de comunicação apelam sem descanso à estupidez da populaça e à pulsão de condenação política, moral e (com sorte) judicial dos cidadãos que se oferecem para governar. A imagem de “sete cães a um osso” é a metáfora perfeita para a violência latente e explícita que as oposições alimentam de forma maníaca.

Num Estado de direito democrático, a fragilidade dos governantes é muito mais perigosa do que a sua força.

Marcelo, larga o vinho

O estrambólico ataque fulanizado de Marcelo a Ana Abrunhosa foi rapidamente abafado, ou mesmo completamente ignorado, pelo editorialismo e comentariado. Sem a mínima surpresa. João Taborda da Gama, um direitola ilustrado filho de ilustre socialista, até conseguiu pintar Costa como o mau da fita no episódio: O Outro Lado (chamo a atenção para a perspicaz opinião de Ana Drago a respeito, e ainda mais para a excelente prestação de Paulo Pedroso acerca do PRR).

Porém, contudo, no entanto, as cenas captadas são política e deontologicamente chocantes – Marcelo Rebelo de Sousa deixa aviso à ministra da Coesão – uma mistela de soberba autoritária, pose patriarcal, assédio laboral, violência emocional e puro desconchavo cognitivo. A promessa de não “perdoar” a ministra, a qual nem sequer é a responsável pelos fundos europeus, foi uma exibição machista cujo intento está directamente ligado com a presença de Luís Montenegro naquela arena. Marcelo quis mostrar à sua gente que pode, se lhe der na telha, despachar um membro do Governo, assim causando uma crise para desgaste do PS e aproveitamento do PSD.

O momento mais popular de Marcelo como Presidente da República ocorreu quando aproveitou os incêndios de 2017 para fazer de Constança Urbano de Sousa um bode expiatório e um troféu político para a direita. Foi muito aplaudido, até por simpatizantes socialistas, porque foi um número retintamente populista. Voltou a tentar repetir a proeza com Azeredo Lopes e Eduardo Cabrita, aqui sem sucesso e sem coragem. No caso de Ana Abrunhosa, cheirou-lhe a sangue e não se controlou, cedeu à pressão da baixa política e à megalomania alimentada por uma direita decadente.

Victor Moura-Pinto fez um delicioso trabalho de interpretação e montagem dos devaneios marcelistas. A tese é a de que o tinto está a fazer o seu efeito nos neurónios presidenciais: “Corrigir e retificar”: o aperto de Marcelo à ministra Ana Abrunhosa

Costa diz que Marcelo é maluco e um porreiraço

"Sou sincero, no sábado, desliguei para descansar. Portanto, não ouvi diretamente as palavras [do Presidente da República]", começou por responder António Costa, provocando alguns risos aos jornalistas. "Sim, sim, não riam, lá porque sou primeiro-ministro também tenho direito ao descanso", reagiu logo a seguir o líder do executivo.

"Comecei as funções com o anterior Presidente da República [Cavaco Silva], mas tenho uma longa experiência com o atual. Cada um tem o seu estilo, cada um tem a sua forma de agir, cada um tem a sua forma de interpretar os poderes constitucionais, visto que a nossa Constituição é bastante clara, embora ajustável à personalidade de cada um que exerce essas funções", disse.

Na perspetiva de António Costa, "todos os portugueses têm apreciado a forma como o Presidente da República tem exercido as suas funções, que tem momentos de maior criatividade". "Mas acho que isso é normal, ninguém leva a mal. A senhora ministra [Ana Abrunhosa], aliás, disse que não tinha levado a mal, estava lá e compreendeu perfeitamente a intervenção no quadro da informalidade com que tudo decorria", acrescentou.

Fonte

Ignoro se a resposta do Governo à afronta de Marcelo foi coordenada, embora apostasse os 10 euros que tenho no bolso como a displicência comunicacional de Costa favorece antes a hipótese de residir na Ana Abrunhosa o acerto da postura. Foi ela que começou por se negar no local a comentar as palavras indignas do Presidente da República a seu respeito. E veio dela o golpe de judo perfeito, ao mostrar um sentido de Estado exímio que, simultaneamente, reduzia Marcelo à figura daquele tio bronco que nos jantares de Natal só diz merda, para embaraço e suplício dos convivas.

Na dimensão institucional das suas declarações, o que temos é uma ministra a explicar que o Presidente da República decidiu diminuir-se, abandonando o estatuto de Chefe de Estado para se comportar como um outro qualquer ministro. Daí tê-la interpelado directamente, sem passar pelo primeiro-ministro. São intimidades próprias de colegas de Executivo, ou então de um líder da oposição.

Depois aparece Costa, e o subtexto das suas palavras é letal para o prestígio do actual Presidente da República. Começou por exibir desprezo, frisando que não estava sequer a prestar atenção ao que acontecia na Trofa. De caminho, aludiu à necessidade de descanso, indicando que ele trabalha que se farta enquanto há outros que se limitam a passear e a abrir a boca. De seguida, espetou fundo o ferro ao frisar que Marcelo estava a abusar dos poderes concedidos pela Constituição ao seu papel – a este respeito, Vital Moreira anda há anos a denunciar o mesmo. Concluiu dizendo que o povo gosta de Marcelo como ele é, um palhaço dado a venetas.

Pode-se achar poucochinha esta pose de nacional-porreirismo de Costa mas abrir um conflito seria inútil para qualquer agenda do Governo e uma irresponsabilidade para o interesse nacional. Donde, é a única estratégia possível para lidar com um Presidente da República que gosta de mostrar a pilinha a ministras socialistas.

Ana Abrunhosa muda a fralda a Marcelo

"Partilhamos totalmente da preocupação e da pressão do senhor Presidente da República [PR]. O senhor Presidente, por diversas vezes, transmite [a sua opinião] em privado e em público. Desta vez, teve maior visibilidade", disse hoje Ana Abrunhosa aos jornalistas.

"Não há melindres, há uma partilha de preocupações e há uma partilha da ambição de aproveitarmos bem estes fundos [europeus] que nós temos à nossa disposição. E não vale a pena dramatizar, não vale a pena, porque o senhor Presidente faz o seu papel, que é exigir ao Governo que faça trabalho", disse, quando confrontada com as declarações do PR.


Fonte

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Dominguice

Ontem, em Mirandela, uma criança de dois anos morreu atropelada acidentalmente pelo tractor conduzido por um seu avô. Deus, que observava com divina atenção o movimento da máquina, resolveu não intervir. Podia ter forçado o pé do avô a afastar-se do acelerador, podia ter provocado uma avaria no motor ou mesmo ter dado um empurrão ao menino. Teria sido um bom gasto da sua omnipotência, assim evitando a destruição absurda da vida de tanta gente. O horror que tomou conta dos dias que restarem ao velho. A agonia desesperada de quem ao perder o filho se sabe a perder o pai. O espanto dilacerante, esmagador, infernal para todos os familiares, amigos, vizinhos. Mas não, preferiu deixar acontecer.

A ser verdade que Deus há só um, pode ser que tenha enlouquecido. De solidão.

Sócrates, a paixão da pulharia

O nosso amigo Eduardo Ricardo apelou a que se comentasse uma teoria da conspiração relativa a Sócrates lançada por Júdice. Como o Aspirina B é o mais prestigiado, e de longe o mais produtivo, centro de estudos socráticos na galáxia, não há como negar esse pedido. E eis o que ocorre dizer: a lógica do argumento, a existir alguma, é um nó cego na inteligência de quem perder o seu tempo a ouvir a patarata alucinação. Ainda assim, pode oferecer momentos de gasosa fruição ver Júdice a associar António Costa à Máfia e a Don Corleone.

Mais interessante me parece registar o modus operandi da Visão a juntar-se à claque da pulharia: “Comparar Sócrates e Lula é fazer um enorme favor a José Sócrates” . Este o título escolhido para o resumo de um espaço de opinião onde “estiveram em análise os resultados das eleições no Brasil e a possibilidade de fim do regime dos vistos Gold, entre outros temas“. Como é que das eleições no Brasil e dos vistos Gold se consegue sacar um destaque centrado em Sócrates? A explicação encontra-se na presença da Mafalda Anjos, directora da revista e autora da frase. Obviamente, adorou o seu repto para não se fazerem favores a Sócrates, especialmente daqueles tipo enormes, e nesse entusiasmo consigo própria apontou os holofotes para o seu bom gosto e aquilina perspicácia. Nascia o cabeçalho. Infelizmente, não teve tempo de explicitar a tese pois apenas dispunham de 50 minutos para estarem a dizer coisas.

Quem também não teve disponibilidade temporal para justificar as suas conclusões a respeito de Sócrates foi o jornalista Nuno Aguiar, o qual deixou esta amostra da sua compreensão das problemáticas judiciais, seja em Portugal ou no Brasil: “Quanto mais sabemos do processo de José Sócrates mais desconfiados ficamos do comportamento do ex-primeiro-ministro. Pelo contrário, quanto mais ficámos a saber das acusações contra Lula, melhor percebemos a sua fragilidade.” Ou seja, quando este exímio representante do Código Deontológico do Jornalista olha para o processo de Lula acha melhor favorecer a posição da defesa, quando olha para o processo de Sócrates acha melhor favorecer a posição da acusação. Acontece que Sócrates é, neste momento, um cidadão inocente, desconhecendo-se se alguma vez será condenado por alguma coisa. E mais acontece que o seu processo está marcado por abusos das autoridades, por crimes cometidos por magistrados e jornalistas, por violência política, e ainda pela intervenção de um juiz que desmontou a acusação – recorrendo à Lei – reduzindo-a a uma fantasia motivada.

Nada disto interfere com o bilionésimo auto-de-fé de Sócrates a que a imprensa da direita se entrega apaixonadamente sempre que pode. Nem que para isso tenha de passar pelo Brasil.

Para não dizer, como muitos têm dito

"Nós não somos daqueles que se juntam aos extremos políticos só para sobreviver e governar", atirou, numa referência à "geringonça" formada por PS, PCP e Bloco de Esquerda, e concluindo que, com o Executivo socialista, as contas públicas "estão certas porque a opção (...) foi empobrecer a vida das pessoas".

O líder social-democrata falou ainda da taxa sobre lucros excessivos, que António Costa anunciou, esta semana, que deverá também ser cobrada às empresas distribuidoras. Luís Montenegro considera que Costa devia começar por cortar os "lucros excessivos" do próprio Governo.

"A empresa que, em Portugal, teve mais lucros extraordinários foi o Partido Socialista, o seu Governo e a administração central", declarou o presidente do PSD. "Aquela entidade que teve lucros extraordinários, exorbitantes, excedentários - para não dizer, como muitos têm dito, obscenos - foi o Estado socialista, o Estado que quis ganhar dinheiro à custa do efeito da inflação na economia."

Fonte + Fonte

O sorridente autor de “A vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor”, nos idos de 2014, desconhece que o seu partido se aliou nos Açores a proto-fascistas xenófobos e racistas só para poder governar. Aliás, ele nem está a par do que o actual líder do PSD anda a dizer em ordem a preparar o mesmo número caso tal seja possível nas próximas legislativas.

Como estava numa iniciativa organizada pela JSD, Montenegro quis provar que não há ninguém mais infantil do que ele no laranjal, e saiu-se com essa retórica neonatal do “Estado socialista” e dos lucros do PS, do Governo e da administração central. Na aparência, trata-se apenas de umas graçolas para a rapaziada mostrar as favolas e grunhir, ou então a consequência de o terem posto em palco logo depois do animado almoço. Mas, lá nos fundilhos, isto é código para os direitolas fanáticos e broncos (não necessariamente por esta ordem), prometendo-lhes que o seu ódio à social-democracia (e à democracia ela própria) pode contar com o actual PSD. Basta que tenham paciência, tal com se fez em 2011.

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