Arquivo da Categoria: Valupi

Revolution through evolution

Gender binary in elite sports should be abandoned, researchers urge
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Preschool teachers ask children too many simple questions
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Screen time no child’s play
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Frog in your throat? Stress might be to blame for vocal issues
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An apple carries about 100 million bacteria
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Queen’s research finds Nazi members were more upwardly mobile during the Third Reich
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Dishonest acts hurt one’s ability to read others’ emotions
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Jornalismo arrasador

SIRESP arrasa relatório pedido pelo Governo sobre… a rede SIRESP
TSF

Supremo Tribunal de Justiça arrasa juiz que chumbou candidatura de Isaltino Morais
CM

“Rui Rio está a construir o pior grupo parlamentar da história do PSD. Será o seu único legado”, diz José Eduardo Martins ao Expresso, depois de publicar no Facebook um post arrasador sobre Rio
Expresso

“Ministro da propaganda” e “um perigo”. PSD arrasa Eduardo Cabrita
TSF

Presidente da distrital do PSD de Setúbal arrasa direção do partido
TSF

Relatório sobre a Caixa arrasa Vítor Constâncio
i

Relatório da CGD arrasa Banco de Portugal, com destaque para Constâncio
Expresso

CPI à CGD: Relatório arrasa supervisão do Banco de Portugal
Jornal Económico

Gestores e BdP arrasados. CGD não foi gerida “de forma sã e prudente”
ZAP

Tribunal Constitucional arrasa juiz Ivo Rosa
CM

Juíz Ivo Rosa arrasado pelos tribunais superiores
CM

Tribunal arrasa Ivo Rosa sobre travão aos dados bancários e fiscais de Mexia
Público

TdC arrasou Revita e o PSD exige explicações ao Governo
Notícias ao Minuto

Tribunal de Contas arrasa atribuição de fundos nos incêndios de 2017 em Pedrógão Grande
Expresso

Tribunal de Contas arrasa gestão dos donativos a Pedrógão Grande
Observador

ICNF arrasa Plano contra incêndios de Pedrógão Grande
SIC

Tribunal arrasa execução do plano Revita em Pedrógão Grande
Sábado

Xavier Viegas arrasa novo plano contra incêndios de Pedrógão Grande
RTP

Incêndios 2017: Tribunal de Contas arrasa fundo Revita e confirma denúncias da TVI
TVI

Banco de Portugal, gestores da CGD e Ministério das Finanças arrasados em relatório
SIC

Auditoria do Tribunal de Contas arrasa gestão de donativos para Pedrógão
BuzzTimes

Costa arrasa enfermeiros: “Greves são absolutamente ilegais e selvagens”
TSF

Boris Johnson arrasa na primeira ronda de votações para a sucessão de May
Público

Inquérito ao Novo Banco? Bloco arrasa Costa
DN

Centeno arrasa “razoabilidade” das contas de Rio? Há cinco anos, PSD arrasou o “milagre” dos números de Centeno
Expresso

Centeno arrasa programa de Rui Rio: “Falha ali quase tudo”
Expresso

Governo arrasa cálculo da UTAO sobre professores. “É totalmente arbitrário”
Público

Tancos. Direita arrasa relatório que “branqueia” Governo e “esconde a verdade”
Expresso

Tancos. Joana Marques Vidal arrasa Judiciária Militar e questiona a sua existência
DN

Rendas da energia: EDP arrasa relatório com “juízos meramente opinativos” e “demagógicos”
Público

MP arrasa investigação da TVI às adoções da IURD
Expresso

Austrália. Primeiro-ministro arrasa manifestantes “vegan”
RTP

PSD: “Um povo contribuinte esmagado, serviços públicos arrasados”
Jornal de Negócios

BCE arrasa propostas de Centeno para a reforma da supervisão financeira
Observador

Presidente da Altice arrasa estudo sobre o SIRESP
TSF

Observatório arrasa debate entre Liga dos Bombeiros e Governo
TSF

Presidente do Conselho Científico arrasa ida de Direito da Nova para Carcavelos
DN

Ministro arrasa estudo que propõe idade da reforma aos 69 anos
DN

Tomás Correia arrasa multa do Banco de Portugal
Expresso

Presidente dos EUA arrasa aliados antes da cimeira do G20
CM

Ex-embaixadora de Obama na ONU arrasa diplomacia de Trump
RTP

João Lourenço arrasa os anos de presidência de José Eduardo dos Santos
SIC

Propaganda norte-coreana arrasa Joe Biden por “retórica difamatória” contra Kim
SIC

CEO da Aston Martin “arrasa” elétricos, autónomos e… políticos
Motor24

Maradona arrasa seleção argentina de futebol
SIC

Empresário de Bale arrasa Zidane
Sapo

Venda de João Félix arrasa recordes de transferências em Portugal
SIC

José Castelo Branco arrasa Ana Marques e Cláudio Ramos: “Pindéricas”
Sapo

Caluniadores profissionais, modo de usar

O Presidente da República explicou que o nome de João Miguel Tavares para presidir à comissão organizadora das comemorações do Dia de Portugal foi indicado por “todos os seus conterrâneos” de Portalegre, acrescentando fatores de escolha semelhantes aos dos nomes escolhidos nos três anos anteriores: “independência de pensamento e a capacidade de dar testemunho criativo e corajoso sobre o tema”, bem como “a afirmação do pluralismo de opiniões que deve caracterizar a democracia”.

"O autor da obra, neste momento lançada, correspondeu, cabalmente, quer às razões da sua escolha, nas qualidades que o caracterizaram, quer à pedagogia desejada, traduzida e distinguida inequivocamente de tolerância e intolerância, quer à finalidade de dar voz a anseios, preocupações e, de alguma maneira, gritos de alma que não poderiam ficar de fora da democracia, que temos todos a obrigação de não deixar enclausurar”, afirmou ainda Marcelo Rebelo de Sousa.

Como balanço final, Marcelo Rebelo de Sousa diz registar “com apreço” que os objetivos que tinha em mente com o convite de João Miguel Tavares, “foram plenamente atingidos”.


Fonte

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Falar de João Miguel Tavares tem nulo interesse do ponto de vista da sua individualidade. É um arrivista que escreveu um texto canalha e teve a sorte de ser alvo de uma acção judicial de Sócrates. A partir daí, aproveitou a fortuna para fazer uma. Há quem lhe pague, e muito e cada vez mais nesta fase da sua alucinante consagração, para ele continuar a repetir a fórmula que o catapultou para o sucesso: difamações, calúnias e apelos ao ódio dirigidos contra o PS a partir da exploração da figura de Sócrates. Como arranjista que é, e dentro do seu mundo psíquico narcísico e infantilóide onde se concebe como o Ronaldo dos caluniadores profissionais cá do burgo, tem tido o cuidado de avisar que não pertence a nenhum clube. Hoje vive à conta de perseguir Sócrates e os socialistas; amanhã, se mudar o vento e a corrente, sabe-se lá de onde é que virá aquilo com que compra os melões. É nisto, exactamente nisto e apenas nisto, que consiste o seu “liberalismo” – não no respeito pelo Estado de direito, não na defesa da liberdade. Para além do oportunismo rapace publicitado, et pour cause, aplica as suas energias no vale tudo da política-espectáculo.

É o próprio quem não se cansa de expor o que faz e como o faz. Diz que passa os dias fechado em casa, procurando ter uma vida social reduzida ao mínimo inevitável, para que não estabeleça relações humanas positivas, construtivas, saudáveis com outros seres humanos. Aquilo a que alguns, há milénios, chamam relação de estima, de amizade ou de mera civilidade. Ele olha para essas manifestações gregárias com asco e pavor pois de imediato se imagina a perder dinheiro. Por cada “amigo” que fizer, calhando esse novo conhecimento ter potencial para ser alvo de uma presente ou futura pulhice, o caluniador profissional sabe que está a enfraquecer os seus serviços. Veja-se o caso recente da sua amiga Fátima Bonifácio, amizade que o encostou à parede obrigando à traição de ter de se juntar às críticas sob pena de danificar a sua marca. Logo depois, para compensar e mostrar aos amigos do Observador que continuava o bom soldado das mesmas lutas, teve de se enfiar de cabeça no chiqueiro das “culturas superiores”, uma borrada que passou a existir no arquivo do Público só para que JMT exiba cifradamente a bandeira do chauvinismo e do racismo onde o seu populismo mediático encontra audiências e pilim. Quão melhor, partilha ele connosco, poder gozar, insultar, ofender, achincalhar certas pessoas que pode tratar como animais. Aliás, como animais não, que esses não têm culpa de nada. Ele gosta mesmo é de tratar certas pessoas como monstros, e acusá-las de terem culpa de tudo.

Assim, o verdadeiro interesse da atenção à figura está na estrutura de poder – poder financeiro, poder mediático, poder político, poderes fácticos – onde é usado ao serviço de várias agendas. Começando pelo Público, nunca apareceu nenhum director ou accionista a explicar por que razão pagam a um colunista que espezinha o que o próprio órgão define ser a sua Ética e deontologia. Indo para o episódio em que António Costa ocupou parte do seu tempo como governante, e espaços interditos ao público que a República lhe confiou em ordem a exercer a função de primeiro-ministro, numa operação de promoção do caluniador profissional, feita à custa da participação forçada de quatro crianças, foi notável o silêncio cínico que se seguiu ao ponto mais baixo da carreira política do secretário-geral socialista; onde o vimos a ultrapassar a baixeza de ter colaborado com o CM. É que se entendia muito bem o que estava em causa nesta colagem ao caluniador profissional, e o regime e a sociedade aprovaram a inaudita perversidade. Passando para a participação de Mário Centeno numa edição do “Governo Sombra”, a aparente superficialidade da presença da vedeta (sem contágio socrático) do Governo e a diluição desse significado pelos diferentes protagonistas do programa deu ainda mais eficácia ao propósito de António Costa para usar um veículo de obsessivas calúnias e sistemáticos ataques de baixa política contra o Governo e o PS. Finalmente, a entrega do 10 de Junho por Marcelo a alguém que ganha a vida a espalhar no espaço público a imagem de um País onde os deputados fazem leis com a intenção de permitir que os políticos sejam corruptos impunemente, alguém que enche os bolsos a perseguir inocentes com ataques à sua honra e ataques ao Estado de direito, só se explica pela vantagem percebida e assumida em enviar uma mensagem urbi et orbi: a Presidência da República tem os mesmos alvos políticos do portalegrense e está com igual expectativa a acompanhar um certo processo na Justiça que tanto entusiasmo gera no caluniador profissional e que é a força motriz da sua popularidade.

Marcelo, presente no lançamento do livro do fulano que utiliza uma altíssima honra de Estado para fins comerciais ainda os microfones colocados à sua frente no Dia de Portugal não arrefeceram, diz que a inclusão de João Miguel Tavares no grupo onde já estavam João Caraça, Manuel Sobrinho Simões e Onésimo Teotónio Almeida, estando a caminho Tolentino de Mendonça, se justifica pelo tanto, e tão importante, que os une. Especificamente, diz que a “obra” do caluniador profissional equivale a “gritos de alma” que “temos todos a obrigação de não deixar enclausurar”. O puro delírio na origem destas afirmações, o ultrajante insulto à nossa inteligência, aceita-se em Marcelo porque, mais uma vez, é claríssimo o que está em causa. O discurso não tem de ter como referente a realidade, sequer uma vaga representação da mesma, tem é de ser pragmático. Cumpre um papel mistificador e uma função sectária, é sofística clássica. O presidente das comemorações do 10 de Junho que, dias depois do número pícaro que galvanizou a direita decadente e ressabiada, foi buscar o nazismo, o Holocausto, a pessoa de Adolf Eichmann e a reflexão de Hannah Arendt para insultar, ofender e caluniar Vítor Constâncio, mais um número indeterminado de cidadãos, não pode ficar enclausurado, debocha Marcelo, a democracia tem de ir em seu socorro para lhe dar um lugar na tribuna de honra. No fundo, para lhe comprarmos livros e outros artigos que ele tem para vender, pediu-nos o tal Presidente da República que se congratulou com o ribombante sucesso da Operação Plebeu.

É unânime: um pulha é um pulha é um pulha

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A grande investigação parlamentar ao plano de Sócrates para controlar a CGD, e a partir da Caixa tomar conta do BCP, e a partir do BCP atravessar os Urais para conquistar a Ásia e estabelecer uma base secreta na face oculta da Lua, acabou com um relatório aprovado por unanimidade – com os pulhas caladinhos e a indústria da calúnia a fingir que nada se descobriu, nada se esclareceu. Porquê?

A II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco foi, na verdade, a terceira comissão de inquérito que nesta legislatura reuniu e avaliou documentos e declarações relativos à administração da CGD ao longo de vários anos – com especial enfoque para o período em que Santos Ferreira e Armando Vara, de um lado, e Vítor Constâncio, de um outro, foram protagonistas à força de uma estrambólica teoria da conspiração que a direita decadente alimentou desde 2008 até ao presente.

O nascimento desta CPI envolve uma auditoria da consultora EY que começou por ser entregue à CGD, depois esta entregou-a à Procuradoria-Geral da República ficando sujeita a segredo de justiça, depois Joana Amaral Dias e a Cofina violaram o segredo de justiça, depois o Ministério Público declarou nada ter a opor a que a CGD enviasse a auditoria para o Parlamento, depois o CDS anunciou a intenção de constituir nova comissão de inquérito, depois o PS e o BE de imediato se juntaram à direita e a comissão arrancou assim que o Presidente da República promulgou a nova legislação que deu ainda mais poderes ao Parlamento para obter documentos e dados na posse dos bancos. A excitação dos direitolas estava no máximo, iam para o período eleitoral das europeias com a certeza de terem material difamatório e oportunidades caluniosas para dar e vender, de caminho ainda conseguindo conspurcar a imagem da Caixa de forma a boicotar os seus resultados comerciais e pôr em causa a sua permanência como banco do Estado. E se bem o pensaram, melhor o fizeram.

Aposto os dez euros que tenho no bolso em como não chega à centena o total de cidadãos que assistiu, mesmo que só em parte, às gravações de todas as audições desta CPI. Estou disposto a cravar mais dez euros à minha vizinha do 4º andar para apostar em como não chega ao milhar o número de portugueses que terá assistido na integralidade a qualquer uma das audições (a de Vara durou cinco horas e meia, por exemplo, mas também as há com menos de duas horas para os apressados). Incluo nestas apostas por igual os políticos e jornalistas que, por obrigação ou vocação, teriam de gastar dezenas de horas para ver a totalidade das sessões disponibilizadas na ARTV. Onde não é preciso fazer apostas é na questão de se calcular quantos portugueses, no final destes trabalhos parlamentares, acham que Sócrates convidou Campos e Cunha para o usar como capacho, o que ele veio a recusar assim que olhou para o saldo bancário, e depois obrigou Teixeira dos Santos a meter Santos Ferreira e Armando Vara na CGD para que essa dupla dominasse/comprasse/ameaçasse os restantes administradores e directores do banco de forma a que se conseguisse usar o dinheiro da Caixa, através de testas-de-ferro, para roubar o BCP ao santificável Jardim e à oligarquia; entre outras fabulosas malfeitorias devidamente permitidas e/ou abafadas por Vítor Constâncio. O resultado dos meus inquéritos nos táxis e tascas é “bué da muitos acham que sim”, e tal apenas consegue suscitar um bocejo se nos recordarmos das caudalosas peças que os impérios mediáticos da direita andam há anos e anos e despejar no espaço público. Essa calúnia supinamente imbecil está tão entranhada que recebe o apoio, nalguns casos desvairado, de pessoas que se consideram de esquerda e até que são altos responsáveis do PS. É algo que foi carimbado como “evidente” pelo comentariado nos meses em que decorreram as audições e que atingiu o paroxismo com as declarações de Joe Berardo. Seguiu-se uma explosão delirante ocorrida a 7 de Junho, data que ficará como monumento à infâmia deontológica nos anais do jornalismo português, em que vimos o Público e o seu director a garantirem ter provas de que Constâncio era o tal escroque que os pulhas andavam a berrar que era desde 2008. As “provas” do Manuel Carvalho, rapidamente se veio a constatar, apenas provavam que a soberba e o ódio adoram notícias falsas e ataques à honra de terceiros, tudo a ficar impune pois nem sequer uma demissão no jornal justificou.

Há uma razão primeira, fundamental, para a unanimidade com que esta CPI arquivou a papelada: nada de ilícito foi descoberto. Daí a adjectivação pífia com que CDS e PSD embrulharam os meses, as exaustivas audições e a colossal documentação reunida. Partir-se da certeza de conluio criminoso entre ministros socialistas, administradores da Caixa e governadores do Banco de Portugal e chegar-se ao remate de apenas se poder apontar (inventar?) que a “CGD não foi gerida de forma sã e prudente na concessão de vários créditos”, eis a medida da farsa montada e explorada até à última gota. De facto, logo desde 2008 era evidente – e isto, sim, é que é evidente – não haver ponta legal por onde se pegar para fazer uma operação judicial cujo alvo fosse a CGD, Santos Ferreira e Constâncio. Por não haver, apesar de Cavaco estar em Belém e o mano Vidal em Aveiro, não se foi por aí. A golpada que efectivamente foi lançada com a anuência e apoio da oligarquia iria conseguir apanhar Vara e Sócrates mas não os ditos cúmplices sem os quais é apenas uma canalhice espalhar suspeitas desmioladas. Depois do cortejo de responsáveis por todos os órgãos decisores na CGD e no Banco de Portugal a jurar nunca terem sofrido pressões políticas de ministros socialistas, depois de terem explicitado que à época as estratégias comerciais e os procedimentos na concessão de crédito na Caixa foram perfeitamente regulares, inclusive nos casos que correram mal, depois de Teixeira dos Santos ter varrido de cena a colagem de Sócrates a Vara e Santos Ferreira, sobrava apenas a decadência da direita partidária e mediática actual: o indecente desejo de que o Ministério Público decida apanhar algum “socialista” referido no relatório para se voltar a ter carne a esturricar no lumaréu da baixa política por mais uns anos.

Há uma outra razão para a unanimidade final. É que esta CPI desfrutou de todas as condições para investigar o que quisesse, a unanimidade selou esse poder que vasculhou em absoluta liberdade. Chegou a Julho sem se poder queixar de ter sido impedida de revelar os podres das organizações, instituições e personalidades visadas. Só que não havia podres concretos, factuais, para além daqueles que alguns deputados já tinham no bestunto a ocupar espaço. Erros e situações questionáveis no plano da gestão bancária, pois sim e como não? Indícios de “assalto à CGD”, “assalto ao BCP”, “Vale do Lobo não sei quê e não sei quantos”, nem um. Vou repetir: indícios, nem um; lenha para a chicana, camiões cheios. Dava-se era o caso de ser uma chicana que tinha entrado, pelo exercício plenipotenciário mesmo desta CPI, para o grupo onde já estão a patranha relativa ao “plano para afastar Moura Guedes através da compra da TVI pela PT”, uma aldrabice que nem sequer deu para enfiar na “Operação Marquês”, e a patranha relativa aos gastos com cartões de crédito dos membros dos Governos de Sócrates, uma chachada que acabou com uma pena suspensa por causa… da compra de uns livros.

Nunca, em toda a História de Portugal, se investigou com tantos recursos e durante tanto tempo um período governativo e um primeiro-ministro. Não se fez sequer remotamente parecido com mais nenhum Executivo e seus responsáveis e prevemos que não se voltará a fazer por ser insano. Agora, contabilize-se as horas de trabalho e o dinheiro que essa perseguição na Justiça, nos partidos e na comunicação social tem provocado e compare-se com os resultados a que vai chegando. Temo que, no final de todos os processos ainda abertos e por abrir pelos implacáveis procuradores que são selectivamente alérgicos à impunidade, seja preciso iniciar mais um processo. Na Santa Sé.

Revolution through evolution

Nations with strong women’s rights likely to have better population health and faster growth
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Women now seen as equally as or more competent than men
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The unpopular truth about biases toward people with disabilities
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Older adults: Daunted by a new task? Learn 3 instead
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Stress reduction benefits from petting dogs, cats
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Win or lose: Rigged card game sheds light on inequality, fairness
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Traveling to Mars will require complicated teamwork
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José Diogo Quintela, um homem do cacete

O braço direito de Ricardo Araújo Pereira vendeu um serviço ao Observador intitulado Em Portugal pensa-se pouco Inês Pedrosa. Trata-se de um exercício de humor muito bem conseguido, tendo deliciado a audiência do meio. Vale a pena analisar o seu conteúdo para entendermos o que faz rir aqueles a quem o brilhante Zé Diogo vai buscar os aplausos quando não está a dar emprego a padeiros.

Começando pelo fim, Sócrates e o PS. A malta adora o Sócrates e o PS, precisa que haja alguém a falar deles diariamente. Para dizer algo de novo? Isso causaria horror nos limites cognitivos destas boas pessoas, pelo que os profissionais do socratismo, esses craques que enchem os bolsos a vender Sócrates e socialistas ao povão, apenas têm de pôr a cassete “Sócrates corrupto! Socialistas ladrões!” e ’tá feito. Funciona como antidepressivo.

É no miolo que encontramos a parte mais gostosa do casqueiro servido pelo Zé Diogo, mais gostosa do ponto de vista dos consumidores do produto. O autor aproximou-se do teclado com uma ideia bem amassada: ia defender João Miguel Tavares do ataque de uma mulher. Um ataque inaceitável não por esta ou aquela razão, coisa em que não perdeu um grama de farinha, mas por vir de uma mulher que não lhe dá tesão. Dêmos a palavra ao patrão de padeiros:

– “Comparada com Raquel Varela que, por ser jovem, bonita, esguia e bem arranjada, acaba por parecer superficial e fútil, Inês Pedrosa ganha uma gravitas que não possui.

– “Inês Pedrosa é uma porteira

– “Inês Pedrosa pode pensar em padeiros. Pode até pensar sobre padeiros. Mas vê-se que não pensa padeiros. Há quanto tempo não verá um?

Ou seja, o Zé Diogo usou o Observador para partilhar connosco a sua experiência visual quando olha para Inês Pedrosa. E o que ele vê é uma fêmea que não é “jovem”, nem “bonita”, nem “esguia”, nem “bem arranjada”. Aquilo lembra-lhe uma “porteira”. Uma porteira sem vida sexual, conclui à patrão agarrado ao seu cacete.

Este texto coloca um dilema: devemos denunciá-lo se com isso estamos a contribuir para dar notoriedade à violência que espalha no espaço público? Cada um que responda por si. Por mim, conhecer a miséria moral dos actuais triunfadores mediáticos é pedagógico. Quem pretende humilhar alvos sociais ou políticos através do género, da idade e de características físicas é perigoso. Para além dos danos que causa quando espalha esse tipo de discriminação, danos nas vítimas e danos pelo contágio social que promove, fica ainda a certeza de que se está pronto para cometer danos maiores. É do fermento.

Perguntem ao Marcelo

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Pelo altíssimo prestígio conquistado na academia e na prática profissional, pelo longuíssimo protagonismo adquirido na política e na comunicação social, até pela aristocrática iniciação ao poder supremo recebida no berço cujo círculo se fecha ao ter chegado a Chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa talvez seja o português-lúcido-residente-em-Portugal que está em melhores condições para identificar tentativas, goradas ou consumadas, de judicialização da política e de politização da Justiça. Podemos admitir que haja quem se equipare a ele nessa capacidade; não admitimos, nem com a imaginação à solta, que haja quem o supere.

Quando Armando Vara foi condenado a 5 anos de prisão efectiva pelo Tribunal de Aveiro – num processo onde não se encontraram provas de ter recebido qualquer verba de Godinho nem provado em tribunal ficou que este obteve qualquer benefício ilícito atribuível a Vara – Marcelo explicou o que se tinha passado: Marcelo e os factos jurídicos. Uma das formas de descrever a radicalidade da pena, a mais económica, seria ter dito que estávamos perante uma aberração judicial. Logo a seguir, seria dizer que Vara foi vítima de um suplício a mando de procuradores e juízes da República Portuguesa. Marcelo optou pela versão longa, tendo apresentado dois argumentos com que despachou o assunto em clima de festa. No primeiro, instituiu que “opinião pública” é o mesmo que “opinião publicada”, equivalência de imediato usada para estabelecer um nexo causal com a violência e carácter inaudito da condenação. Vara ia preso porque quem controlava a opinião publicada fez campanha para tal e os juízes foram volúveis ou cúmplices, lê-se à vista desarmada no seu subtexto. O segundo argumento fica como uma jóia retórica da melhor filigrana sofística, esse debochado exercício de apontar para uma intangível suposta tendência de valorização dos crimes contra o património para se justificar terem dado 17 anos e meio ao sucateiro (em ordem a se poder dar 5 anos de choça a Vara, né?) num caso onde os valores pecuniários aludidos são ridículos. A coisa termina com uma lição de moral, a moral dos mais fortes, em que Marcelo expressa a sua excitação e gozo com o castigo “exemplar” dado a Vara e outros pois tal iria atingir politicamente Sócrates e o PS.

Parece, então, de acordo com as doutas palavras daquele que se tornou “o mais alto magistrado da Nação”, que os juízes elaboram decisões também em reacção ao que encontram na comunicação social e que, supostamente, valorizam como retrato do sentir e querer da população. Tal não é necessariamente um mal, bem pelo contrário. A Justiça não é uma teologia, não é uma matemática, antes uma sociologia e uma hermenêutica. Deve ser, tem de ser, um sistema axiológico aberto ao presente e ao futuro. A Justiça subjaz como dimensão política fundadora e garante da coesão da comunidade. Por exemplo, há muito tempo que um escândalo, cada vez menos surdo, percorre a sociedade ao sabermos das argumentações usadas pelos tribunais portugueses para aumentarem o sofrimento e a injustiça a tantas vítimas de violência doméstica e de abusos sexuais. Nacos de prosa gongórica e aviltante quando não lunática, com a assinatura de ilustríssimos juízes, têm aberto a boca e os olhos de espanto e raiva a milhares ou milhões de cidadãos. Começar a assistir a mudanças nos critérios morais, psicológicos e antropológicos aplicados nos julgamentos de crimes desse foro, admitindo-se pela primeira vez na jurisprudência aspectos que deviam ser óbvios há séculos – como o de a eventual passividade da vítima não ser manifestação de consentimento, antes e muito provavelmente ser o efeito do pânico ou uma estratégia de sobrevivência – têm de ser celebrados mesmo que venham com vexante atraso histórico. O corolário é ambivalente, no entanto, pois se a influência mediática é bondosa quando corrige perversões e abusos judiciais, pela mesma dinâmica poderá suscitá-los nessa porosidade constatada. Uma Justiça que fosse apenas, ou que fosse alguma vez, o reflexo dos apetites e ódios da turbamulta seria a exacta negação da soberania e da liberdade. Parece, então, que Marcelo Rebelo de Sousa é o português em Portugal a quem nos temos de dirigir para fazer a seguinte pergunta: na sua opinião de especialista em Direito e como cidadão que jurou defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa, isto do actual processo de linchamento em curso de Ivo Rosa pelos impérios comunicacionais da direita deverá saltar das capas da Cofina, dos títulos do Observador e do Expresso, dos textos do Público, e consumar-se em agressões físicas no meio da rua pelos populares mais voluntaristas?

A feérica vantagem de termos Marcelo em Belém neste tempo em que múltiplos jornalistas usufruem dos direitos consagrados na sua carteira profissional para perseguirem, coagirem e ameaçarem um juiz evita ter de gastar uma caloria a explicar que quando o esgoto a céu aberto cola a Ivo Rosa o cognome de “juiz dos poderosos” tal é feito com um objectivo político: difamar e caluniar por antecipação o que esse juiz venha a decidir no respeito pela Lei e pelos direitos fundamentais dos acusados no processo “Operação Marquês”. Tal como, simetricamente, o cognome de “super juiz” tem como objectivo validar qualquer abuso que Carlos Alexandre tenha cometido ou venha a cometer no seu combate contra os “poderosos/corruptos”. Marcelo sabe tão bem o que está em causa que ele próprio se serviu desse código quando comentou a prisão de Vara, o qual descreveu como um “privilegiado” e congratulando-se por ter sido condenado sem espinhas. Marcelo está tão sensibilizado para a cruzada contra os “poderosos” que ofereceu o 10 de Junho a um franchisado do Ministério Público, um fulano que ganha muito dinheiro a tratar inocentes como condenados, a explorar a devassa da vida privada através dos instrumentos policiais do Estado, a fazer campanha pela redução dos direitos e garantias dos arguidos e dos cidadãos, a achincalhar pessoal e profissionalmente quem esteja sujeito a um inquérito judicial e ele tope que seja um alvo político para quem lhe paga, a usufruir e justificar os crimes cometidos por magistrados e jornalistas. Um presidente da comissão organizadora do 10 de Junho de 2019 que, antes e depois dessa altíssima honra de Estado, espalhou a imagem de ser a Assembleia da República um local muito mal frequentado pois é onde os partidos com mais votos se reúnem para criar leis cuja finalidade é permitir aos políticos enriquecerem através da corrupção.

Pois é, Marcelo não carece que o ajudem a perceber o que se está a fazer a Ivo Rosa. Nessa matéria, podíamos outrossim esperar receber lições de um mestre. E se ele, ao lado do sistema partidário e até do sindicato dos juízes, assiste calado e sorridente ao espectáculo, se o que faz a Cofina sem o mínimo vagido de repulsa ou tímido protesto por parte de quem se considera “imprensa de referência” fica instituído como práxis a ser seguida pelos restantes órgãos de comunicação social, a única dúvida que resta é relativa ao tipo e intensidade da pressão que será necessária para obrigar Ivo Rosa a trair a sua consciência, a abjurar a sua responsabilidade, a fugir da sua coragem. Ora, estando em causa o processo judicial mais importante na História da democracia portuguesa e cuja politização começou ainda antes de haver arguidos constituídos, nós podemos não o saber mas sabemos que Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República e tudo, o zelador-mor pelo “regular funcionamento das instituições democráticas” e cujo dever implica pronunciar-se “sobre todas as emergências graves para a vida da República” que não só jogos da bola e acidentes de trânsito, sabe. Sabe-a toda.

Coisas do Carvalho

Preparemo-nos, então. Vêm aí muitas palavras grandiloquentes, muitas intervenções inflamadas, muitas denúncias, muitas indignações sinceras ou nem tanto, mas quando todo o processo acabar, o sistema que se apropriou da Caixa terá ganho tempo para deixar tudo na mesma. Escrevia esta segunda-feira João Miguel Tavares que um dos maiores problemas do país é “a incapacidade de aprender com os erros cometidos”, o que sendo uma absoluta verdade merece o devido contexto: o país não aprende porque não há grande coisa a aprender.

Depois das palavras e das palavras e das palavras, os gestores que usaram a Caixa com negligência e dolo para satisfazer projectos políticos e pessoais nesses tempos nefastos da era Sócrates e os que se serviram dessa farra hão-de continuar por aí como se nada tivessem feito, como se nada devessem à justiça e ao bem-comum.

Sem que se ponha em causa o mérito da CPI e a boa vontade dos deputados e dos partidos que a propõem, a verdade é que acabará por repetir nomes concretos, dívidas precisas e manobras conhecidas sem que nada mais aconteça. A Caixa de hoje nada tem a ver com a desse passado obscuro, como o país de hoje se libertou da corte de políticos, banqueiros e ditos empresários que deram ao pobre capitalismo português um toque de nepotismo e cleptocracia.

Mas, não nos iludamos. Feridas como a da Caixa não se curam com discursos. Mas, com a alçada da lei para lá dos prazos da prescrição, pouco nos resta. Para lá da memória, da indignação e de uma CPI fora de prazo.


Manuel, 30 de Janeiro

Muito mais do que um ajuste de contas, exigiam-se conclusões que nos permitissem fazer um juízo ético sobre esses anos conspícuos e sobre os personagens que os protagonizaram. A exigência que os deputados colocaram nos trabalhos, com destaque para a inevitável Mariana Mortágua, mas sem colocar o mérito de todos os outros em questão, obriga a uma óbvia conclusão: ainda bem que a CPI existiu.

A utilidade de inquéritos destes é a de munir a opinião pública com ferramentas de pressão suficientes para se evitar no futuro a repetição do festim de dinheiro fácil e da complacência das entidades que deviam zelar pelo interesse colectivo – o Governo como dono da Caixa e o Banco de Portugal como regulador do sistema financeiro.

É expectável que a matéria apurada na CPI reforce agora a viabilidade de processos judiciais aos autores dessa história ruinosa. A CPI ajudou-nos a perceber esses mecanismos e a revelar a facilidade com que o deslumbramento provinciano da corte lisboeta transforma personagens de opereta, como Joe Berardo, em investidores encartados e doutores em finanças. Prestou um bom serviço ao país.


Carvalho, 16 de Julho

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Manuel Carvalho, um dos maiores craques em ética e deontologia jornalística que este rectângulo à beira-mar abandonado já pôde observar em acção, não é só alguém que tem direito a mudar de opinião a cada seis meses. Ele é muito mais do que apenas um especialista em política manifestamente baralhado, muitíssimo mais. Acontece estarmos perante o director de um “jornal de referência” que cita um caluniador profissional para nos ajudar a perceber como as coisas é. Veja-se a profundidade, a originalidade, o alcance do pensamento convocado: «Escrevia esta segunda-feira João Miguel Tavares que um dos maiores problemas do país é “a incapacidade de aprender com os erros cometidos“». Tomem e embrulhem, seus trastes da política e das elites. Aqui está quem vos topa e não perdoa.

O magnífico Carvalho é também um fulano que se entusiasma facilmente com “uma era dominada pela irresponsabilidade, pela negligência e pelo amiguismo das relações cortesãs alimentado pelo poder do dinheiro, esses anos conspícuos do festim de dinheiro fácil e da complacência das entidades que deviam zelar pelo interesse colectivo, onde o formalismo da lei serviu para ocultar a falta de probidade, de devoção ao interesse público ou de determinação para lutar contra a corrente desses dias insensatos em que uma oligarquia política e financeira tentou tomar de assalto o país com o dinheiro fácil que saía da Caixa para encher de deslumbramento a corte lisboeta“. É isto que ele conclui quando se põe a matutar no assunto. Infelizmente, não teve tempo para deixar uma qualquer informação factual, objectiva, à prova de dúvida, para sustentar o cenário de falência do Estado e saque onde a sua retórica do Bolhão se sente em casa.

Se há algo que podemos concluir a partir das suas conclusões é que este senhor desconhece o que foi dito na II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco pelos auditados. Desconhece intencionalmente, daí recusar-se a fazer referências onde seja possível haver contraditório. Basta-lhe a versão preliminar onde a politização dos trabalhos é o único critério que fica consensualmente transparente. Daí os alvos no final do inquérito serem exactamente os mesmos que eram agitados no início: Santos Ferreira, Vara e Constâncio [portanto, Sócrates]. Tudo o resto, todos os testemunhos que pulverizaram essa chicana obsessiva, foi apagado por quem agora utiliza mais um exercício onde se provou a normalidade e licitude dos processos na CGD para fazer a propaganda exactamente do contrário.

Inventar notícias falsas, atacar a honra de ex-governadores do BdP e ex-administradores bancários, e ainda de actuais colaboradores do jornal de que se é director, ser rancorosamente sectário e festejar a possibilidade de ver alvos políticos a serem constituídos arguidos, isto é obscenamente do Carvalho.

Lapidar

A promiscuidade que nunca existiu

Em Portugal tornou-se famosa a frase “você sabe que eu sei que...”. Por aqui não levou a lado nenhum, mas quem acompanhe o trabalho de Glenn Greenwald desde investigações anteriores sabe que ele costuma saber o que está a dizer. E o que está a mostrar é que há pecado original na abordagem da justiça brasileira a Lula. Um pecado original de promiscuidade entre acusação e juiz, que no Brasil atinge padrões chocantes que nunca atingiria em Portugal, quando o juiz de instrução é também o juiz de julgamento, mas que está longe de ser um exclusivo do nosso país-irmão. Na minha experiência com a justiça criminal portuguesa nunca percebi porque o juiz imparcial entrava na sala pela mesma porta da acusação, porque tinham gabinetes em zonas conjuntas ou porque claramente se tratavam como iguais e acima dos advogados dos arguidos. A igualdade de armas entre acusação e defesa é um elemento fundamental da justiça em tribunal. Com o que já ouvimos do caso Lula no Brasil e neste caso é uma anedota. Nunca, ninguém investigou a intimidade entre juizes e ministério público em Portugal. Portanto, entre nós, tal como o fascismo, a promiscuidade entre magistrados judiciais e magistrados do ministério público nunca existiu.


Paulo Pedroso

Revolution through evolution

Teens ‘Mocked’ by Their Parents Are at Greater Risk for Bullying, Victimization
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Facial Plastic Surgery in Men Enhances Perception of Attractiveness, Trustworthiness
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Psychiatric diagnosis ‘scientifically meaningless’
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Goats can distinguish emotions from the calls of other goats
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The brain’s pathways to imagination may hold the key to altruistic behavior
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Making sense of morality: FSU researchers advance the study of ethical decision-making
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Even in Svelte Adults, Cutting About 300 Calories Daily Protects the Heart
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A mais velha pulhice do mundo

Pode haver racismo sem raças à mistura, ou sob outras capas terminológicas mas com iguais processos cognitivos discriminatórios e práxis persecutória? Luís Rosa, um “jornalista” pago pelos accionistas do Observador para morder as canelas ao PS e a qualquer socialista que consiga apanhar com as suas favolas raivosas, prova que sim.

Num texto de princípios de Junho que não provocou o mais leve estremecer de asas nas borboletas do nosso comentariado nem nos passarões do sistema partidário – É óbvio que o PS não quer lutar contra a corrupção – este talibã faz algo que nunca tinha visto ser feito com igual clareza e à-vontade na comunicação social profissional:

– Diz que os dirigentes e militantes do PS, desde 1975, pretendem dominar politicamente o Ministério Público.
– Diz que o Ministério Público tem sido, e é na actualidade, a entidade política que impede o PS de usurpar o poder durante longas décadas.
– Diz que os actuais dirigentes socialistas (portanto, António Costa e companhia) estão a tentar acabar com a luta contra a corrupção por causa da “Operação Marquês”, de Armando Vara, de Manuel Pinho e de uns autarcas socialistas constituídos arguidos há umas semanas.
– Diz que Isabel Moreira representa o que o PS todo pensa e quer para o Ministério Público (logo, que um texto de opinião da Isabel vale mais do que as políticas do actual Governo e as propostas da actual ministra da Justiça, para não falar no grupo parlamentar socialista).
– Diz que Isabel Moreira quer que o Ministério Público regresse ao modelo que tinha durante o Estado Novo.
– Diz que Isabel Moreira, posto que se atreve a dizer o que pensa em público, deve ser convocada pela procuradora Lígia Salbany para prestar declarações no processo que investiga as PPP da responsabilidade dos Governos socráticos – sugerindo ainda a linha de interrogatório a fazer-se, a qual remete para Paulo Campos e Sócrates.

Não vale a pena gastar caracteres com a magnitude paranóide exibida, com a imbecilidade fanática e fétida, o que mais importa concentra-se no pedido público para que Isabel Moreira seja constituída arguida num processo judicial aberto há anos única e exclusivamente por ter assumido uma posição política que o sr. Rosa considera inaceitável. Este pedido vem de um admirador e promotor de Sérgio Moro, alguém a quem pediu pessoalmente para abrir um processo judicial internacional onde juntasse Lula, Sócrates e o esqueleto de Chávez. Entender como é que o talibã chega a este ponto, ao ponto de publicitar o seu racismo onde pretende a capitulação ou genocídio da “raça PS”, é não só relevante como urgente.

Num certo sentido, e daí a popularidade larvar desse racismo em que tropeçamos na rua e até nos recantos da nossa animalidade subjectiva, o processo resulta directamente da nossa capacidade de abstracção, motivada e dinamizada pelo nosso instinto de sobrevivência. Na filosofia usam-se dois palavrões que tornam transparente as construções discriminatórias: reificar e hipostasiar. Com o primeiro verbo, reduzimos o alvo a um conjunto de aspectos materializados (a cor da pele ou um texto). Com o segundo, atribuímos realidade exterior a uma entidade mental (“os ciganos são ladrões” ou “os socialistas querem mexicanizar Portugal desde 1975”). Aqui chegado, quem vê nos indivíduos de um certo grupo apenas a concepção que abstractamente projecta neles está pronto para agir em coerência. Por exemplo, se os indivíduos com pele mais escura (ou mais clara, ou mais assim ou assado) são “naturalmente” propensos para o gamanço ou a preguiça, segue-se que seria contrário ao instinto de sobrevivência e à pulsão etnocêntrica estar a dar-lhes emprego, lutar pelos seus direitos sociais, confiar-lhes a guarda dos filhos ou sequer permanecer no mesmo passeio calhando eles virem na nossa direcção. Se a polícia for mais activa contra um certo grupo que “toda a gente sabe” que “não presta”, isso é fonte de “segurança”. Se “eles” levarem umas tareias da polícia ao arrepio dos seus direitos civis, isso é óptimo, é o que eles merecem e deviam era levar mais. Se existe um certo partido que anda há 40 anos a tentar acabar com a democracia e a liberdade para poder corromper tudo e todos, segue-se que a carteira de jornalista e um órgão de comunicação social devem ser usados para tal denúncia e ainda para conseguir meter na prisão tão perigosos bandidos. Aliás, basta que sejam enjaulados no Ministério Público como arguidos para ficarem com a reputação destruída, a carreira política provavelmente acabada e levarem com anos e anos de humilhações e devassa. O povão, devidamente instruído e acirrado pelos profissionais da calúnia, sabe perfeitamente bem que esses “corruptos” não estariam a ser investigados se fossem “gente séria”. Logo, perseguir e atacar quem se concebe como ameaçador e desprezível é tão-só o “bom senso” a agir, a “coragem” de pedir cárcere para aqueles cujas opiniões não se toleram.

O racismo, qualquer forma de racismo, é uma operação cognitiva onde se desumaniza aquele a quem se quer fazer mal. Depois de desumanizados, justifica-se o mal que se faz dizendo que eles o merecem por não serem humanos, por serem monstros que nos ameaçam. Eis uma das mais velhas pulhices do mundo.

Serviço público – Edição especial

2019 – Menos Reformas, Melhores Políticas

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É disto que precisamos para ligar cidadãos e poder político, a participação pedagógica dos académicos no espaço público com produção intelectual a partir dos seus métodos e instrumentos disciplinares. Num país onde não existe imprensa, e onde os jornalistas políticos que cumprem o código deontológico e procuram um ideal de objectividade e isenção são raros ou estão abafados por direcções decadentes, este labor do IPPS-ISCTE requalifica o debate político em Portugal.

A frente da calúnia

Janeiro de 2010. Um deputado do PSD, chamado José Pacheco Pereira, recebe da Cofina uma quantia em dinheiro (não revelada) para/por dizer num órgão de comunicação social que “empregados do governo, e às vezes mais acima” escreviam anonimamente em blogues para insultar e caluniar os adversários políticos. Chamou à coisa: A Frente da Calúnia

Como nos três exemplos de blogues dessa frente caluniosa constava o Aspirina B, e como eu lia diariamente os restantes, Câmara Corporativa e Jugular, fiquei de imediato a saber que o deputado era não só mentiroso como ainda por cima mentia a troco de dinheiro e notoriedade. Para além de não existir qualquer empregado do Governo a escrever anonimamente no Aspirina B, muito menos o tal ou tais “mais acima”, igualmente não se publicavam calúnias nos três blogues acusados. Insultos, sim, à fartazana, pelo menos neste pardieiro. E também factos, e argumentação da boa com base nos mesmos e nas legítimas convicções de pessoas, nos outros dois blogues que cultivavam a democracia e a liberdade.

O deputado promovia em público uma conspiração que começava logo por se assumir como hipótese imbecil e delirante: os blogues tinham audiências residuais, incapazes de sequer terem influência na votação para uma junta de freguesia, sendo consumidos por públicos já politizados que iam à procura de redundância informativa e divertimento – ou de fantasmas e alvos para a agressividade tribal e identitária. Os blogues eram meia gota de água no oceano mediático dominado pelo Correio da Manhã e Sábado, Sol, Público do Zé Manel, Expresso do Monteiro, TVI do casal Moniz, SIC do Balsemão, do Crespo, do José Gomes Ferreira, do mano Costa, RTP da Judite de Sousa e do José Rodrigues dos Santos, DN do Marcelino e saco de passistas na redacção, TSF do Baldaia e seus editoriais, jornal i do Martim Avillez, e ainda o grupo Rádio Renascença (ofereçamos um desconto ao Pacheco, omitindo os restantes blogues direitolas com visualizações superiores e, esses sim, com torrenciais calúnias). Porém, o deputado dava a três blogues – que respeitavam e celebravam a ética republicana – uma importância decisiva que o impelia ao combate mais desvairado. Compreende-se sem dificuldade porquê, o horizonte da comunicação social estava coberto a toda a extensão pelos impérios mediáticos profissionais da direita, a dominar a paisagem sem concorrência. Valia tudo a partir dessa superioridade táctica imbatível no campo de batalha posto que a ideia não era a de respeitar a deontologia nem a módica decência. Desde a criação da maravilhosa bandeira da “asfixia democrática” até aos rasgados elogios para a campanha negra de Moura Guedes na TVI, na qual o especialista do “Ponto Contraponto” via um admirável exercício do “jornalismo livre”, a direita da baixa política pôs a carne toda no grelhador. Que restava ao Pacheco para além de fustigar o alinhamento das notícias na RTP? A que se poderia agarrar quando largava o cronómetro com que descobria terem dado dois segundos a mais a uma notícia sobre o PS comparada com a notícia do PSD no telejornal da hora de almoço? A luz ao fundo do seu túnel cognitivo e moral vinha de três minúsculos blogues onde encontrava injecções diárias, horárias, de dopamina e adrenalina – para além de servirem na perfeição para continuar a meter dinheiro no bolso a enganar os pategos. Bastava que os pusesse debaixo da sua lente de aumento grotesco da realidade para que os três mosquitos parecessem um exército de Godzillas acabado de chegar ao Terreiro do Paço. Absorvendo guloso os boatos que o laranjal decadente lhe despejava nos ouvidos, usava-os para se mascarar de especialista em contra-terrorismo político. A este deputado que tinha muitos e raros livros em casa ninguém enganava, os badamecos que serviam o mefistofélico Sócrates iam ser perseguidos pela implacável espada flamejante do Anjo da Marmeleira. A sua obsessão por Sócrates precisava de tangibilidade para suportar o fascínio que o consumia, daí a necessidade de projectar nos irrelevantes blogues uma pura fantasia quixotesca.

Janeiro de 2010. Pacheco Pereira é deputado depois de ter sido o braço-direito de Manuela Ferreira Leite na campanha para as legislativas de 2009. Usa a revista Sábado para caluniar o Governo e autores de blogues acusando-os da prática em que se lança desenfreado. Não fica como ironia sórdida, é mesmo tristeza à solta na cidade. Uma personalidade com tanto poder mediático e político, com contributos intelectuais valiosos no campo da investigação histórica, a exibir-se como um ranhoso, um pulha. Só que o deputado vinha de ter feito muito pior meses antes, e muito pior se preparava para fazer dentro de meses. Vinha de se ter tornado no mais vocal dos que tinham reduzido a política ao assassinato de carácter e ao envenenamento do espaço público com paranóias assustadoras. O Pacheco foi cúmplice da operação de espionagem política feita a coberto do “Face Oculta”, cúmplice do ataque a Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento que não cederam à golpada montada pelo irmão Vidal, cúmplice da “Inventona de Belém”. Espalhou, e ajudou a espalhar, a torpe acusação de que o Governo socialista estava a usar os serviços secretos para fins políticos, que estava a dominar a banca, que ia dominar a comunicação social. Foi com recurso a esta pressão maníaca em que Sócrates era concebido como “monstrum horrendum, informe, ingens” que se convenceu Cavaco a alinhar no caso mais grave de violação dos deveres de um Presidente da República de que há memória em democracia. Eis o que o Pacheco andava a dizer, louco de raiva, nesses dias de histórica infâmia:

«Eu compreendo que o Presidente da República, até pelas coisas graves que tem certamente para dizer face aos ataques que lhe têm sido dirigidos, não queira falar em período eleitoral. O que diria perturbaria e muito o período eleitoral. Mas temo que só depois das eleições é que se vá saber demasiadas coisas sobre esta governação e sobre o Primeiro-ministro. E temo que isso seja um fardo muito difícil de gerir, ganhe quem ganhar as eleições. Seja no caso Freeport, seja na questão da eventual espionagem aos seus opositores, seja no ataque à TVI e ao Público, seja nos múltiplos negócios que estão por esclarecer, da OPA da Sonae à crise do BCP e à interferência da CGD, seja no caso BPN e nos nunca esclarecidos movimentos do dinheiro da Segurança Social, seja na tentativa de compra da PT da Media Capital e etc,. etc. Um etc. demasiado grande.»

Fonte

Em cima da ida às urnas nas eleições legislativas de 2009, com a golpada presidencial a descoberto, o general de Ferreira Leite vai para a frente das câmaras, vai para o meio dos ecrãs, berrar que Sócrates é um super-criminoso que está protegido pelo “período eleitoral”. É o que o safa, explica sem se rir e sem corar, senão Cavaco viria dizer das boas, contar tudo, restabelecer a lei e a ordem, lançar pelos ares “as coisas graves que tem certamente para dizer“; certamente, de certeza certezinha. Azar do caralho isto das eleições. Vamos ter de esperar mais uns dias para limparmos a Nação do mal, garantiu o Pacheco aos eleitores com menos de 10 anos de idade. Só que depois das eleições não tivemos direito a essa catarse prometida, foi outro o programa das festas. Apareceu-nos um Cavaco a reconhecer que a “Inventona de Belém” tinha corrido mal e que havia de ter paciência. Melhores dias viriam, era uma questão de aguentar por nova oportunidade pois o método tinha sido validado. Era possível difamar um Governo a partir do Palácio de Belém, caluniar um primeiro-ministro em funções por obra e graça da Casa Civil, interferir em dois actos eleitorais com a chancela do Presidente da República e nada acontecer aos mandantes e executantes do crime, ficava demonstrado. Ali estava ele, o responsável máximo pelo irregular funcionamento das instituições, de pé em frente a uma multidão de jornalistas para provar isso mesmo.

Janeiro de 2010. Quatro meses depois, o deputado José Pacheco Pereira irá enfiar-se numa saleta da Assembleia da República para ler transcrições de escutas. Escutas que não tinham valor judicial mas que um juiz considerou terem valor político. Atente-se: escutas captadas ilegalmente, as quais não iriam ser usadas em tribunal por não serem prova ou indício de qualquer crime, foram entregues ao Parlamento para nele se violar a lei, a Constituição e os princípios fundamentais do Estado de direito. Dois deputados aceitaram ficar com essa nódoa indelével no currículo. Um deles, declarou nada ter encontrado que justificasse posterior acção de si próprio como deputado ou acção do seu partido, o PCP. O outro, declarou que o conteúdo das escutas era “avassalador”. No entanto, também nada mais fez a respeito nem explicou em que se baseou para a colorida adjectivação. O revanchismo e voyeurismo do Pacheco foram satisfeitos, é só isso que sabemos. Lambuzou-se celerado e cobarde na violência de usar o aparelho policial e judicial – mais o seu estatuto de deputado – para violentar a privacidade de dois cidadãos e, a partir daí, explorar o inaudito deboche como fonte de novas calúnias quando quisesse e como lhe apetecesse pelos anos afora.

Junho de 2019. O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público organiza uma conferência onde junta Joana Marques Vidal a Eduardo Dâmaso, José Gomes Ferreira e João Miguel Tavares para se falar de “corrupção”. O SMMP não é conhecido por publicar estudos próprios ou de terceiros acerca da corrupção em Portugal ou na Antárctica. Ninguém faz ideia do que o SMMP realmente possui como informação a respeito do fenómeno. O mesmo, aliás, para cada um dos participantes na “conferência”, câmaras de vácuo quando se trata de obter dados fiáveis sobre as “redes de corrupção e compadrio“, sobre a “epidemia que grassa pela sociedade portuguesa“. Contudo, é inegável estarmos perante figuras gradas do “combate à corrupção”. Podemos até dizer que todas, em mais do que um sentido e modos, têm construído as suas carreiras e fama à conta da “corrupção”. Mas qual, se é também corrente o queixume deste grupo e seus clones acerca do baixíssimo número de prisioneiros condenados por corrupção? Dita a lógica, e o consumo da sua obra publicada, que a “corrupção” em causa seja aquela atribuída a inocentes, cidadãos que ainda não foram condenados por tal, nem se pode prever se alguma vez o serão mesmo que estejam actualmente acusados. Acontece que chegar à fase de acusação e depois ter o aborrecimento de esperar pelo julgamento em tribunal e ainda ver as defesas dos acusados a tentarem isso mesmo, defender quem foi acusado, é um processo demasiado moroso, e inclusive cruel, para quem vê cair na conta bancária os meritórios e abundantes frutos do “combate à corrupção”. Pelo que a “corrupção” é um maná que precisa de ser colhido logo pela fresca, assim que lhes dá o cheiro. Veja-se o que se faz por rotina na Cofina, trabalho aproveitado pelos parceiros de luta: recebem-se informações divulgadas criminosamente por agentes da Justiça e publica-se criminosamente a versão dos procuradores como se fossem factos provados em tribunal. Nenhuma autoridade em Portugal sequer gasta uma caloria a tentar impedir, ou sancionar, esta prática que vira do avesso o código deontológico do jornalista. É a Justiça instantânea de que o povo gosta, tudo mastigado pelos “jornalistas” e onde os alvos são políticos, ou amigos de políticos, triturados pelo sensacionalismo e pelas mentiras até deles nada mais restar do que uma papa infecta servida às alimárias carentes de “poderosos apanhados e castigados” nos jornais e na TV para continuarem dia após dia alienados e impotentes.

O SMMP chamou a Cofina, o grupo Impresa e o Público, nas pessoas dos seus mais notáveis caluniadores profissionais, para fazer um comício e uma parada militar. A estrela do evento foi uma ex-procuradora-geral da República que tem direito a culto de personalidade nesses meios de comunicação, que aceitou ser comissária política de um Governo e de um Presidente da República, que permitiu na PGR abusos da Justiça num processo de cariz político sem paralelo na História portuguesa, que protege a prática de crimes de violação do segredo de justiça no Ministério Público, que não respeita a sua actual responsabilidade no Tribunal Constitucional ao fazer declarações que comprometem a sua isenção e credibilidade, que se tem multiplicado em exibições de ambição política. Ocasião, portanto, para o Pacheco denunciar o obsceno processo de judicialização da política e de politização da Justiça em curso com um entusiasmo, se não superior, pelo menos equivalente ao que manifestou no combate aos tais três miseráveis blogues? Nada disso, ó santa ingenuidade. O senhor não pode morder na mão que o alimenta. A verdadeira frente da calúnia é uma indústria que dá muito dinheiro a muita gente. E que talvez venha a dar verdadeiro poder político a alguns santos de pau oco.