Archive for the 'Confúcio Costa' Category
A liberdade só peca por defeito quando os pecadores a pecam por excesso. A liberdade é feita para servir os cidadãos livres – e não para ser servida, aos que a matam por overdose, como veneno mascarado de antídoto. A liberdade pode ser, nas mãos erradas e à hora errada, a mais repugnante das formas [...]
Não há que duvidar: és fiel. A tua mulher pode estar descansada – completamente descansada. Como é que eu sei? Simples: olhei para ti. E és – como o dizer? – feio. Feio. Sim: feio. E, aprende que eu não duro sempre, só os feios é que são fiéis. O resto é paleio, o resto [...]
Foder amor.
Nem foder nem fazer amor –
foder amor.
Foder-te
como à mais puta das putas.
E amar-te
como à mais única das amadas.
Foder amor.
Chamar-te puta
e dizer-te amo-te,
espancar-te o sexo
e afagar-te o beijo.
Ser o doce e a fera -
a treva e o raio.
Foder amor.
E só assim,
entre um grito e um afago,
foder-te com amor:
fazer-te amor.
“Este é um espaço de fé. De muita fé”, diz-me, altivo e senhorial, o homem de batina no altar da igreja. “Sim, senhor padre. Estou cem por cento de acordo consigo”, respondo. “Até pelo cheiro já o havia percebido”, explico. “Apenas não sabia que o plural de fé se poderia fazer em –zes.”
“Nutro, pelo teu rosto, por mais que penses o contrário, uma enorme admiração. Admira-me, de facto, que, consiga ser tão feio.”
“Agora que te conheço tão bem, vejo-me forçado a admitir que tens toda a razão quando dizes que soubeste como envelhecer”, confesso, entre um beijo quente e outro, a M. “Mas, na realidade, prefiro aquelas que souberam como não envelhecer”, acrescento. E, delicadamente, retiro a minha língua de dentro da boca dela.
“Sim, é certo que a minha perna é rija, forte e musculada. Mas também é certo que esse sítio onde tens a mão não é, de todo, a minha perna.”
“O Dioguinho disse-me que te viu enfiar o teu pénis enorme dentro de uma mulher que ele nunca tinha visto antes”, diz-me, tortura e tormento, C. “É verdade? É”, pergunta-me, desesperada. “Sim, é verdade”, confesso. “O meu pénis é, de facto, enorme”, concluo, orgulhoso, antes de, com um brilho nos olhos, o afagar carinhosamente.
“Disse, desde sempre, à minha esposa que só poderia, algum dia, porventura, traí-la se estivesse completamente sob o efeito do álcool”, explico, calma e objectividade, a F., uma loira espampanante que conheci na biblioteca. “Estou, por isso, a cumpri-lo à risca”, finalizo. E continuo, com método e paciência, a cobrir, com álcool etílico, o sexo [...]
“Costumam dizer que eu sou parecido com o Nuno Gomes, aquele avançado do Benfica”, digo, estilo e pose, a uma morena sensual que conheço no bar do bairro. “Vês como é verdade”, reitero, orgulhoso, horas mais tarde e já no sofá da casa dela. E continuo, sem sucesso, a tentar acertar com o meu pénis [...]
“Peço-te, por favor, que não te sintas desapontada comigo. Sim, é verdade que te prometi, hoje, uma tarde de sexo desenfreado. Foi uma pena, de facto, ter escurecido tão cedo.”
100 9idade: -prezaste-me, 15é. 20 10putar +1 3loucado 7. 90 nia às 8?
“Tinha bastantes possibilidades. Mas foi, acima de tudo, por tua causa que te troquei pela tua melhor amiga. Quis dar-te o descanso de saberes que fico ao lado de uma pessoa de confiança.”
“O Diogo disse-me que te viu a beijar uma senhora que ele nunca tinha visto antes”, diz-me, revolta e angústia, C. “Achas isso bem? Achas”, pergunta-me, desesperada. “Claro que não. É absolutamente vergonhoso”, respondo, assertivo. “É imperdoável que um filho meu seja um queixinhas”, finalizo, antes de, magoado, me refugiar no quarto.
Anota aí: vou votar na Manuela Ferreira Leite. E nem sequer é só – apesar do reforço positivo que isso representa – porque o Santana Lopes disse que não iria votar nela. Há mais. Estás pronto? Vamos a isso.
Vou votar na Manuela Ferreira Leite porque gosto de políticos para quem a política seja, como o [...]
“Sim, eu sei que és uma mulher bastante mais frágil do que todas as outras. E é por isso que vou almofadar, a toda a volta e com material bem fofo, o meu sexo antes de te penetrar.”
“Filho, vai dizer ao teu pai para vir aqui à cozinha”, pede a mulher de avental. Passos apressados da criança traquina. Na sala, um homem de comando na mão, televisor pela frente. “Onde vais, filho”, pergunta, curiosidade que se cheira, ao menino que se prepara para abandonar a casa. “Vou dizer ao senhor Fonseca dos [...]
“E deste, gostas”, pergunta-me, entusiasmada e viva, F., ao mesmo tempo em que aponta para a zona dos seios. “Sim, fica muito bem. Ainda melhor do que o modelo anterior”, respondo. “Óptimo. É maravilhoso saber que, ao contrário de todos os outros homens, não achas que o meu peito é demasiado grande”, confessa-me, feliz e [...]
“Nem admito, fico mesmo bastante ofendido ao sabê-lo, que penses isso. Claro que não te traí com a tua melhor amiga. Alguém que é capaz de dormir comigo sabendo que sou teu marido não é, nem pode ser, a tua melhor amiga.”
A unha é o que na verdade te dói. Começas por dentro, metódico: apontas; apontas: coração. Um pequeno órgão que bate e que te sustém – culpado. Tergiversas; faz parte do doloroso processo de subsistência de um respirar exterior – atacar o que controlas; ou: atacar o que, de forma incontrolável, te foi impingido como [...]


Intervenções cirúrgicas